quarta-feira, junho 15, 2011

consciência pesada


comunicando consciência. quanto seja, um dos mais belos e propositivos guide lines para uma agência. mas como nem tudo que é belo é bom - até os contos de fadas nos demonstram isto - para além do fogo fátuo e do metano induzido, a malta comunicadora deve estar, ou deveria, com uma dor de consciência danada. é muita parra para pouca uva. publivendas fazia melhor sem tanto fumê. e para completar, o nome morya, para quem não sabe é o mesmo do " mestre m" ou el morya, mentor(sic!) dos governantes, executivos, lideres conquistadores, e quem mais couber na turbante que faz as vezes da carapuça que vai na medida exata para a maioria das agências que tem um discurso de luzes que não suporta o verdadeiro apagão de idéias em que se desencontram tais fachos. ao que parece o guru do sexo andou fazendo escola, é o que diz meu inconsciente.

sexta-feira, junho 10, 2011

ouvido absoluto

o jingle do boa vista, shopping que costuma desafinar todas as agências por onde passa, é saudado pela agência atual como um hit cuja letra todo mundo conhece (sic!). cantado à capella, por ocasião da temporada de caça aos namorados, apresenta-se semitonado do fim ao princípio, musicalmente e conceitualmente falando. a cidade toda é boa vista? em terra de cegos é assim mesmo, quem tem olho (e ouvido) é imbecil.

quinta-feira, junho 02, 2011

todos diferentes, todos iguais


nomes que fizeram a diferença na história da nossa publicidade estão hoje todos iguais. os tempos são diferentes, dizem.
mort la diférrence é o guide line dos causa época acachapando o vive la diférrence. entonces não podia dar em outra, que não fosse a modorra repetitividade e mediocridade do panorama publicitário local, regional, nacional, internacional, repleto de truques, atalhos, copy pastes, plágios e mais plágios, super produzidos ou nem isso. mas nada que se possa chamar consistentemente de uma idéia que faz a diferença. a não ser que você seja um destes antenados que acha brilho no zeca trocadilhos que parece ser hoje o único "mail" de gerar faturamento na falcatrua de uma rede que já cai antes de balançar.
o que vive é a indiferença a tudo isto. e não mais aquela diferença "gauche" que igualava para cima e valorizava diferentemente mercado e mercadores. quando publicitários(sic!) optam pela produção de paios e salchichas em ondas e pastelões de pretensa modernidade em vez da busca obstinada pela idéia que assusta mas revigora - em vez da que palata mas achata, além de chata - acabamos tal e qual o princípio da idéia que reina hoje em tempos do imediatismo do amanhã: nada mais, nada menos do que natimortos. o que ao fim e ao cabo já é de há muito que assim estão muitos dos mais novos que se autodenominam criativos que fazem a diferença.

domingo, maio 29, 2011

da selva urbana da publicidade ou do miserê ao tudo foder


Quem já está cansado de ver abrigos de ônibus, lixeiras e relógios digitais caindo aos pedaços na cidade de São Paulo ainda vai ter que esperar para ver essa situação resolvida. Desde que a Lei Cidade Limpa entrou em vigor, em fevereiro de 2007, proibindo propagandas nas ruas da cidade, o governo vinculou a permissão de anúncios comerciais no espaço público à proposta de uma mega-concessão bilionária de mobiliário urbano na capital.

Através dessa concessão, a empresa vencedora da licitação deteria o poder de explorar comercialmente espaços em abrigos de ônibus, postes de sinalização de paradas de transporte, relógios digitais e lixeiras e, em contrapartida, investiria na produção, reforma e manutenção destes equipamentos.

O texto do projeto de lei que regula o assunto foi enviado à Câmara Municipal no início de 2009 e já foi colocado em votação no plenário três vezes, mas encontrou a resistência de parlamentares que desejam modificar a proposta original.

O negócio – de R$ 2,2 bilhões – provoca na Câmara dois grandes campos de disputa. De um lado, as pequenas empresas do setor sustentam que só algumas multinacionais – que já são detentoras desta tecnologia em outros países – têm condições de participar da licitação. Do outro lado, o mercado publicitário, impedido desde 2007 de explorar os outdoors, defende a separação das concessões, já que abrigos de ônibus interessam menos do que relógios digitais, por exemplo.

Pouca atenção tem sido dada, entretanto, a aspectos que vão além do “negócio”. Para começar, um debate em torno do mobiliário urbano, por incrível que pareça, não discute o modelo de mobília que precisamos – e queremos – em nossa casa/cidade.

Questões como o conforto dos usuários de ônibus nos abrigos e o impacto de postes de 4 metros de altura “sinalizando” pontos de parada de transporte na combalida paisagem paulistana, por exemplo, parecem assuntos menores.

É mais ou menos como se, um belo dia, na nossa casa, fôssemos obrigados a conviver com um espanador de pó instalado no rabo de um elefante só porque a mensagem publicitária que vai financiar a produção do espanador de pó precisa de um suporte do tamanho de um elefante…

Afinal de contas, qual é o mobiliário de que a cidade precisa? Não temos banheiros públicos, as lixeiras são precárias, insuficientes e pouco adaptadas a seu uso. Quantas vezes nos deparamos com lixeiras superlotadas onde não cabe aquela garrafinha que nos recusamos a jogar no chão? Quantas vezes temos que esperar o ônibus do lado de um poste semi-enterrado que sequer avisa quais linhas passam por ali?

Embora sejam irritantes os relógios digitais que marcam 34:56 horas e 86 graus de temperatura, acho bom que o projeto de mobiliário ainda não tenha sido aprovado. São Paulo, assim como outras cidades, precisa de um bom debate público sobre que mobiliário urbano merecemos ter.

Se este não é viável para o modelo do negócio da propaganda, vamos rever esta ideia sem sentido de que precisamos, necessariamente, de um “pacote completo” de mobiliário urbano centralizado, com concessão para um “dono”, para que possamos, finalmente, ter uma cidade confortável.

( mobiliário urbano: a paisagem, o conforto... e o negócio,da colunista do yahoo, raquel rolnik, que fala sobre publicidade usando reticências, o que me deixa um tanto ou quanto reticente também, ainda mais sobre as (im)possvíveis maracutaias do negócio e a nulidade de abaps,sinepros e demais entidades que congregam os cús de pavão que nesta hora, como em todas as outras, nãose manifestam)

sexta-feira, maio 20, 2011

de uma só tragada


o que mudou desde os tempos retratados nos mad men? bebe-se menos, fuma-se menos e o assédio sexual agora é punido por lei. e as agências, em especial os criativos, passaram a dar mais importância aos prêmios que aos clientes.
marcelo lourenço, director criativo da fuel, portugal.

(misterwalk sublinharia que ainda pior que a nicotina, é complexo nordestinadamente subdesenvolvido que faz com que "publicitários" que não passam, menos ainda, de office-boys em agências que continuam a traficar espaço por mais que se alcaguetem como digitais e os escambau, ponham-se a se imaginar nórdicos urdindo fantasmas um atrás do outro em pastas megalomaníacas que não passam de um atacado feito apenas de gogó e pretensão sem um pentelhésimo sequer de ação modificadora deste mercado que reflete o pensamento de varejo das agências e dos publiciotários que publicam anúncios de páginas para falar de premiações(que coisa mais antiga e em nada criativa) clamando-se eficientes. a sua única eficiência é tornar a cada trabalho mais rasa a remuneração e o conceito profissional construido pelos mad men e destruido pela geração y bosta que traz no diploma a marca da sua incompetência timbrada em alto e baixo relevo.

quinta-feira, maio 19, 2011

não desce mais




skol lança cerveja que não faz de você, promete, um baiacú. tudo graças ao processo de fermentação 360 graus.
bom, se for como as agências que se pregavam também como 360, aquelas em que tudo se desejando dava - iam do chip no bilírio a comunicação intergaláctica, penos menos eram o que anunciavam(cumprir e realizar já seria pedir demais,coisas de cliente) - vaticina-se que você não se livra do estufado.
bons tempos aqueles em que tomar uma cervejinha era algo necessariamente lúdico e descomplicado, idem as full agencies que resolviam, e com brilho, os problemas apresentados pelos clientes, mesmo aqueles com gosto de cerveja quente.
agora é tudo chocho e choco, tal como o zequinha da internet, esta de ressacar antes de tomar.

quarta-feira, abril 13, 2011

o texto, o verdadeiro senhor dos anéis


Um administrador recém-formado perguntou a um empresário, de 78 anos, por que ele não contratava um gestor profissional para dar sangue novo à sua organização. O experiente senhor, de calos nas mãos, foi incisivo: “o novo pode não entender o velho que eu soube construir com alma e destemor”.
O velho jornalista teme o novo tecnológico, enquanto o novo jornalista não quer saber do velho jornalismo, notório pela qualidade do texto e teimoso no questionamento dos fatos.
O jornalismo pré-tecnológico era avesso à pressa, em razão de se preocupar com o texto harmonioso, exemplar e atrativo. A preocupação em cobrir os últimos fatos do dia igualava-se à inquietação com o ineditismo da grande reportagem, que tanto focava um acontecimento importante como transformava um pequeno episódio – como, por exemplo, uma senhora de 90 anos pedindo esmola – em uma obra literária. Esse era o jornalismo paciente, que esperava mais de 10 minutos para uma notícia de agências nacionais e internacionais, de apenas 30 linhas, se completar nas longas fitas de papel do telex. Hoje, em 10 minutos, há centenas de notícias na internet.
Sim, ponderaria o leitor, mas hoje há milhares de informações que precisam ser divulgadas.
Será mesmo?
O jornalismo tem que estar na velocidade da informação? A instantaneidade é sinônimo de jornalismo moderno?
A avalanche de informações estimula a neurose jornalística e, assim, sites e jornais vivem preocupados em concorrer com o cidadão que dispara no twitter um acidente que acabara de presenciar. O jornalismo quer comandar a mídia social, esse oceano onde todo mundo tem direito a mergulhar, pescar e tornar prazerosa qualquer outra atividade. Twittar uma informação de primeira mão, como a surpresa de ver Paul McCartney no aeroporto de Londres, não é jornalismo e sim fazer valer a ansiedade de comunicar algo com a rapidez estimulada pela tecnologia. É a vontade de conversar, como antigamente se percorria a rua principal da cidade para fofocar ou alimentar discurso com amigos.
O bom jornalista, por sua vez, não se preocuparia em apenas assinalar a presença distante de McCartney, mas, quem sabe, correr para ouvir dele a confirmação do seu show no Rio de Janeiro ainda este ano. No bamboleio da informação e da interatividade, o cidadão cultiva o seu prazer e a ansiedade. E o jornalista? Também! Parece tornar a profissão um trampolim para estar dedilhando e se encontrar no mundo da cibernética. É esse o papel do jornalismo?
O jornalista não larga a telinha do computador, nem mesmo para olhar nos olhos do entrevistado, que ele prefere ouvir pelo messenger, facebook ou com perguntinhas banais por e-mail. Não há mais questionamento. A fonte de informação é um emissor passivo, livre de admoestações do jornalista.
A esquizofrenia da velocidade está levando o jornalista a competir com a ansiedade do cidadão tecnológico. E nisso predomina o alto risco de tornar comum a pergunta: “você também se acha um jornalista?”
Ora, nessa vala comum do cenário de neurastenia virtual, o jornalista precisa se desacelerar, imunizar-se contra a febre da instantaneidade, que torna hilário o comportamento do ser humano no carro, metrô, ônibus, nas ruas, cinema, restaurantes, onde o ser humano fixa olhos na pequena maquininha e não enxerga mais ninguém, nem mesmo o amigo que corta a sua frente. E nesse tic-tac entre o flash do pensamento descartável e o dedilhar do teclado, o jornalista vê o tempo disparar sem perceber que a sua profissão se dissipa no deserto da informação, trazida e levada pelo vento aleatório.
O jornalismo precisa alimentar e enriquecer o diferencial da notícia em relação às informações que circulam aos milhares na mídia social. E esse diferencial é a fundamentação da informação, a atratividade de um bom texto e, sobretudo, a boa pauta capaz de transformar fatos cotidianos, episódios, cenas políticas em reportagens interessantes. Ou seja, o jornalista precisa despreocupar-se com o fato instantâneo e descartável e trabalhar uma boa pauta.
E as novas gerações cibernéticas querem saber de texto jornalístico elegante? O jornalista deveria ser o último a duvidar disso, sob pena de armar-se com esse falso argumento para banalizar o seu próprio texto.
O Dia do Jornalismo, hoje, 7, não deixa de ser um ótimo momento para uma profunda reflexão. A propósito, você jornalista se considera um cidadão tecnológico ou ainda um jornalista? Qual a nota que você dá para o seu texto?

(voce também é jornalista? do laudelino josé sardá,, para o acontecendo aqui.

segunda-feira, abril 11, 2011

lôdo puro


tão somente um teimoso renitente ou, cada vez mais raro, profissional obstinado?
o que difere um de outro? a resposta está no sucesso ou na satisfação pessoal. acontece que um e outra, cada vez mais caminham em separado, o que não é exatamente sinônimo de felicidade ou bem-estar.
cada vez mais a publicidade está sendo feita por gente que teima em não cultivar a boa teimosia. e muito menos a obstinação contra a mediocridade da celebrização que se autosatisfaz com as tais grandes idéias que são como um contrapeso que leva cada vez mais a atividade para o fundo.
a geração diploma mudou o conceito de lastro. financeiro inclusive. e assim, sendo rasos de tudo, formação, intelecto, carácter, levam cada vez mais para o fundo o que deveria estar no topo.

terça-feira, março 29, 2011

geração diploma


entre publicitários e jornalistas a comiseração textual vai se traduzindo em títulos, como este da folha de são paulo(até tú ó folha) que segundo o madia é de fazer chorar. eis a peça que traduz o estado de corpus e mente fecal em que se encontra o texto no panorama do copy brasileiro. depois ainda tem gente aconselhando a fazer mba e que assina emails como doutorando em publicidade. vade retro.


" atrás de prestígio, brasil poupa na faca missões de paz ".

terça-feira, fevereiro 22, 2011

em tudo emagrecido


Li hoje no Blue Bus que Nizan Guanaes determinou: agora, nas agências do seu grupo de comunicação, o ABC, todo mundo tem que sair antes das 8 da noite, pois as luzes automaticamente se apagarão. E quem nao conseguir se organizar até lá, que chegue mais cedo, ele aconselha. A notinha do Blue Bus também explica que a própria agência fornecerá dicas de filmes, shows, peças de teatro e até cursos, para que os funcionários evoluam, se oxigenem, cresçam profissionalmente. A ordem do Nizan tem até um nome glamuroso, After Eight. Lembrei na hora da música Apesar de Você, do Chico Buarque, naquele verso: "Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de desinventar"...After Eight? Ora, por quem sois, Nizan Guanaes? Pois se quem inventou a jornada 24 horas foi ele, na sua sanha neoliberal irracional de vencer a qualquer custo. Pois se foi ele quem chupou o sangue dos seus profissionais e mostrou ao mercado que quanto mais chupasse, mais eles tinham sangue pra dar. Porque ele pagava bem, ah, isso sim! Ao melhor estilo Mefisto, ele comprava a alma dos criadores a bom preço. After Eight, Nizan Guanaes? Ara, como se diz aqui na minha terra, não me faz te pegar nojo! Pois se foi ele que estimulou o fim do expediente normal, a falsidade de ficar remanchando na agência até tarde, o trabalho escravo na criação publicitária brasileira...Lembro que na agência em que eu trabalhava, quando eu saía às 7 da noite, o resto do povo ficava me olhando feio, como se a errada fosse eu e não eles fingindo que ainda estavam trabalhando. Tristes tempos de estagiários com profundas olheiras...Eu dizia: gente, vão pra rua, saiam pra vida, vocês precisam se alimentar da vida, é lá que está a inspiração do criador publicitário. Mas, qual! Lembro bem do testemunho de um Diretor de Criação que trabalhou na DM9 e contou que toda vez que eles queriam pedir demissão, por não aguentarem mais o Nizan, ligavam pro gerente do banco e pediam o saldo de suas contas. A tal notinha do Blue Bus justifica a medida do Nizan dizendo que o próprio mercado de criação pressionou isso, em um hotsite piratão de nome Fuck alguma coisa que metia o pau nos diretores de criação, entre outras coisas, por exigirem jornadas desumanas de trabalho de suas equipes. Aleluia, entonces! After Eight, Nizan? Só tenho uma palavrinha pra dizer: demorou!

PS: A nota hilária fica por conta de outra notícia logo abaixo, no mesmo Blue Bus: Nizan acaba de ser escolhido o novo embaixador da Boa Vontade pela Unesco.

(nizan guanaes, quem te viu, que te vê, no blog da graça craidy)

e para incrementar, um comentário de plus:
jayme disse...e

O fato é que o cara inventou um novo jeito de fazer propaganda no Brasil. 28 opções de layout, 113 de títulos, 23 horas de jornada de trabalho etc. Coincidência ou não, nunca mais a criatividade da propaganda brasileira foi a mesma. E nunca se plagiou tanto.

quanto a mim, cem graus, o comentário é o seguinte: a vida de um publicitário não é definida pelas horas de trabalho ou lazer que ele tem e sim pela dedicação que ele tem a um e ou a outra. é isto, junto com um pouquinho de talento que seja,é que vai determinar a qualidade do que faz, o que não significa que seja viável existencial ou mercadologicamente falando. o resto é a mesma merda do modismo que ora valoriza o chupa o sangue ora pede para os seguidores de vampiro chupar tang para serem argh! politicamente corretos.
o fato é que não se fazem mais publicitários me publicidade como antigamente. aliás, nem o nizam, como bem se vê, é o mesmo. é a chamada involução de valores.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

gramática pra cachorro ou nem isso


você comeria um biscoito maisena que fosse escrito com s? sim isso mesmo, maisena e não maizena, da bauducco, da mabel, da pilar(que perdeu a mão)?
sua memória, gustativa inclusive, sabe, escreve-se com z. há século.
pois bem, o biscoito bom preço tipo maizena estampa na embalagem maisena.
este é o preço do falso preço baixo prometido. fazer a gramática e a memória das marcas baixar-se até o ponto de mostrar o ponto z travestido.
(p.s. nem o google aceita procurar maisena com s, pra você ver)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Young Creatives: put down your f*cking iPhones and learn something* ou aos jovens que envelheceram tanto que nunca serão vintage


Descobri que não sou retrógado, sou vintage. Nada mais vintage do que minhas idéias e minhas roupas. Nada mais vintage do que aquilo que ensino para meus filhos. Alguns “bom dia” ao amanhecer, uns “obrigado”, “por favor” e o incomparável “com licença”, extirpados de nossa língua, podem retornar ao vocabulário sob o manto do vintage.
Tudo que parecia retro na minha já desgastada existência está redimido pelo vintage, seja la o que for isso.
Um dia desses, na ponte aérea, peguei um voo vintage. A pintura do avião remetia ao design de 30 anos atrás assim como o uniforme das comissárias e a vinheta de segurança.
Na pesquisa para esse artigo descobri que um tradicional site de videos pornográficos possui uma categoria de sexo vintage. Resisti a tentação de visitá-lo por considerar que seria muito difícil, aos quase 50 anos, descobrir que ate nisso já fiquei ultrapassado e que por uma concessão da modernidade tornou-se cool fazer sexo da forma como aprendi.
A propaganda, macaca de auditório de toda a modernidade, mesmo que não saiba muito bem o porque, já bebe dessa fonte e nesse processo somos brindados com a linguagem invariavelmente sépia.
Aos adeptos do vintage recomendo esquecerem a forma e resgatarem o conceito. Sugiro recuperarem a criatividade, abrirem mão do discurso fácil, investirem nos talentos, apostarem na maturidade, valorizarem a ética, defenderem as diferenças e os diferentes, condenarem a juniorizacao, não terem medo da opinião, não se submeterem as hegemonias, enfim tudo o que parecer meio démodé (assim como a palavra démodé), pode voltar a ter um lugar ao sol.
A ousadia deveria ser o símbolo do vintage, só assim podemos resgatar a propaganda de duas décadas atrás e reconquistar o espaço de vanguarda (olha a vanguarda ai gente) perdido para a mediocridade.

Tornei-me vintage sem saber, quase que naturalmente e estou muito feliz com esse processo. Acredito que a propaganda pode se beneficiar do momento e promover o resgate dos valores que construíram esse negócio no Brasil. Foi por conta dos questionamentos relevantes que nos transformamos em uma indústria e não, como pensam alguns, pelo modelo que adotamos. Nosso modelo é conseqüência do debate exaustivo, postura que os modernos execram e que agora pode retornar à cena.
Nosso negócio, composto por anunciantes, agências e veículos, precisa reaprender a debater os “assuntos proibidos” ceifados da pauta pelas conveniências de alguns poucos, diga-se de passagem.
A vantagem de ser vintage é não temer a condenação por pensar diferente e isso, me desculpem os Juniores, não é um estilo datado de nominho pernóstico, isso é um processo, uma opção que a muito a propaganda cedeu à “cultura da sobrevivência”, que, no final das contas, é o que está nos matando.


(meu eu vintage, do andré porto alegre, no portal inteligemcia(com m mesmo) do madiamundomarketing)

* título em inglês do copyranter

sexta-feira, janeiro 28, 2011

inócuo,inodoro e sem saboria


Em duas circunstâncias, de forma mais forte e consistente, pessoas trocam de marcas.

Na primeira, e independente do que aconteça com o potencial de consumo do cliente, a certeza, o convencimento, que agora existe um novo produto/marca no mercado que presta os mesmos serviços que o até ontem preferido, de uma forma melhor, mais lúdica, mais convincente, sedutora e com mais features, pelo mesmo preço, ou pouco acima, pouco abaixo.

Na segunda, quando o consumidor ascende socialmente. E aí, e até para demonstrar para os outros, mas, principalmente, para ele mesmo que de verdade essa conquista aconteceu, vai atrás de novas e melhores marcas e produtos, em seu entendimento, avaliação e sonhos. A UNILEVER enquadra-se nesta segunda situação e sabia disso. E não negligenciou. Investiu pesado, apostou todas as fichas, mas, insuficiente. Em todos os últimos bimestres, segundo o NIELSEN, SEDA encolhe.

Só no ano de 2009 foram investidos mais de R$120 milhões para sustentar SEDA. Superando de longe tudo o que a UNILEVER investira, de forma ousada, anos atrás, para bloquear a chegada de ARIEL e proteger OMO.

O raciocínio. A melhor forma de preservar a preferência da mulher que ascende socialmente é fazer com que a marca acompanhasse sua ascensão, e, ascendesse junto. Isso posto, nova embalagem, novo produto com textura mais consistente, campanha publicitária agressiva e permanente, sete cabeleireiros internacionais nos intervalos das novelas – “hair stylist”, apregoando as virtudes e novidades dos xampus e condicionadores SEDA. E tudo o mais que se julgou necessário, suficiente, e até mesmo excessivo para segurar a MARCA.

No mês que a operação se iniciou, setembro de 2009, SEDA detinha nas linhas de xampu e condicionadores, 19,8% do mercado, segundo o NIELSEN, e sinalizou uma breve brisa de esperança totalizando 19,8% em dezembro do mesmo ano. O chamado “efeito experimentação das novidades”. Cessado o efeito, a queda teve início. Bimestre após bimestre uma queda atrás da outra. 19,9%, 18,3%, 17,3%…

Mais uma vez, na história do MARKETING MODERNO, anunciado ao mundo em 1954 por PETER DRUCKER, a constatação da quase impossibilidade absoluta de se produzir milagres. Que mexer em produtos, embalagens, comunicação, revela-se insuficiente para mudar a percepção de CONSUMIDORES EM ASCENÇÃO. E a UNILEVER já sabia disso, mas, e mesmo assim, resolveu tentar o milagre.

De qualquer forma, muito melhor esse comportamento, embora extremamente arriscado, do que o tremendo tiro que deu em seu próprio pé ao desposicionar de forma medíocre e injustificável sua extraordinária marca DOVE, com o lançamento da linha masculina.

(do madia, marketing inócuo:unilever - R$100 milhões para atenuar a queda)

p.s. deve ter falhado também para atenuara a queda de cabelo dos executivos e dos próprios.

in tempo: o brasil é um dos maiores, senão o maior, mercado de seda(não me faça trocadilhos), daí a preocupação da unilever com a queda já constada da participação de mercado do shampú. e nem se contava o fator head&shoulders.


quarta-feira, janeiro 12, 2011

responda sem pensar, que no fundo é o que todo mundo faz ainda que diga que não


o que é mais importante para o negócio da propaganda ou a propaganda em sí? nizan guanaes, o redator que fez de cada anúncio quase vernissage ou vaudevilles melhor dizendo, ou o empresário ressecado de estômago que hoje é tido com um dos( dez ou seria vinte) nomes mais influentes do business advertisng?
( na dúvida, revise o conceito e reescreva-sempre!- o seu texto)

segunda-feira, dezembro 13, 2010

desaconselhável para menores de tudo ou melhor que i-pad


Ele morreu na manhã do dia 4 de fevereiro de 1997, horas depois de exibir sintomas óbvios de infarto. Freqüentava um médico barato na capital americana da medicina. Caiu em casa, a um quarteirão de onde trabalhávamos da produção do Manhattan Connection.

Lembro daquela manhã em câmera lenta ― incredulidade misturada a gestos práticos, como manter segredo sobre o número do apartamento onde sua mulher Sonia Nolasco aguardava em choque a chegada do rabecão em companhia de Lucas Mendes. Um repórter ligou para a minha casa e tentou enganar minha filha para obter a informação.

Onze anos depois, ao passar pelo Brasil para comemorar os 15 anos do programa que existe graças, em parte, à estrela do Francis, sinto um certo descompasso entre o jornalista que se tornou meu amigo ao longo de anos de convívio diário e um fenômeno que, se não inventamos, emerge entre nós com uma freqüência triste. É a necrofilia de canivete suíço ― a memória dos mortos apropriada por sua múltipla utilidade. O Francis é um defunto conveniente, por mais de um motivo.

Sua coragem intelectual era baseada em décadas de experiência e pensamento crítico. Ele era produto de um Brasil hoje difícil de imaginar ― mais exatamente um Rio de Janeiro gentil e cosmopolita, onde o humor, a Bossa Nova, os escritores e a paisagem compunham um tableau irresistível. Depois de 23 anos de exílio voluntário, um dos meus prazeres secretos é ouvir a música do português falado por cariocas letrados com mais de 60 anos. Nenhum gerúndio idiota, o ritmo ondulante, os erres e esses macios mas não massacrados pelo surfês.

O ex-trotskista que, antes de morrer, tomou ódio de Fernando Henrique Cardoso numa guinada para a direita que, no final, parecia mais operática do que analítica, enfrentaria uma cobrança pós-11 de setembro. Como seria a coluna do Francis no quinto aniversário da brancaleônica invasão do Iraque? Como ele reagiria à ignorância analfabeta de George W.? Sofreria de cegueira ideológica ou, como seu recém falecido objeto de admiração e porta-voz conservador William Buckley Jr, escreveria sobre a estupidez criminosa que marcou a invasão?

Por pertencer a uma geração menos exposta ao comercialismo crasso travestido de maturidade empresarial, Francis foi poupado de rapazes imberbes com MBA's. Ele se consolidou como comentarista de TV numa época em que o então diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, cujo crédito pela manutenção do comentarista no ar não é devidamente atribuído, o protegia da ira de seus inimigos com acesso a Roberto Marinho.

Fazemos um desfavor ao Francis quando o consideramos em termos absolutos e projetamos nele a carência por um pater famílias editorial. Toda a reação por e-mail à morte do Francis dirigida ao Manhattan Connection bateu primeiro no meu computador. Só o 11 de setembro entupiu mais a minha caixa de correio eletrônico. O volume era de tal ordem que concluí serem os missivistas não apenas espectadores ou leitores com preocupações sobre o fim da guerra fria ou um eventual impeachment de Bill Clinton. Inúmeras cartas expressavam um sentimento de orfandade, até entre pessoas que discordariam da maioria das opiniões políticas emitidas em suas colunas. É natural que a televisão desperte este tipo de reação. O clichê do desconhecido que se torna uma figura familiar por entrar na sua sala de visitas pode ser facilmente aplicado aqui.

Mas, no caso do Francis, o luto antecipava a realidade. Afinal, depois que ele nos deixou, o colunismo se tornou epidêmico na imprensa onde o modelo de negócio fez encolher os jornais e a opinião custa mais barato do que a reportagem.

A originalidade representada pelo Francis ― um intelectual que engaja o leitor mesmo quando expressa opiniões difíceis de sustentar ― foi substituída pelo que um observador brilhante definiu como o novo colunista: uma atitude em busca de oportunidade. Ou, como disse o editor Paulo Roberto Pires, ao evocar outras tradições da polêmica brasileira, o dardo que se promove à custa do alvo.

Francis era capaz de fazer generalizações truculentas sobre seus inimigos ideológicos ou estéticos. Não devemos esquecer que ele era um esteta e um iconoclasta. Podia irromper numa ária em meio a uma discussão sobre a queda da bolsa ou derreter-se ao descrever uma pintura de Pierre Bonnard. Ele era independente o bastante para voltar atrás e não transformava seu eventual extremismo num pacote marquetável. Eu o vi ser cordial e até carinhoso com pessoas que teria destruído por escrito.

"Ele era um conservacionista, não um simples conservador," corrige Sérgio Augusto, o jornalista cultural e colaborador do Estado de São Paulo. "Fui apresentado a ele pelo José Lino Grünewald, em meados dos anos 60 em frente ao cinema Vitória, na Rua Senador Dantas, um dos movie palaces do Rio de Janeiro", lembra o jornalista, que recebeu de Millôr Fernandes o merecido apelido de Sérgio Augoogle. "West Side Story foi lançado naquele cinema." Sérgio destaca a generosidade do Francis a quem deve dois empurrões que marcaram sua carreira ― os empregos no finado Pasquim e na Folha de São Paulo, de onde saiu, em 1996. Na ocasião, Francis lamentou a perda de Sérgio Augusto com uma frase que cada vez mais serve como mantra: acabou o asfalto.

Sérgio argumenta que o ex-colega defendia os cânones e seu amor à arte aplacava as incongruências políticas. E nota a ironia ― um dos mais famosos jornalistas da história da imprensa brasileira não era um estilista.

Várias vezes eu o testemunhei perplexa ditando o texto por telefone sem hesitação, seu leitor mal sabia que fazia o papel do psicanalista silencioso diante daquela copiosa associação livre. "Francis dizia que escrevia em alemão mal traduzido", conta Sérgio Augusto, divertindo-se com memórias de seu notório desprezo por checar fatos. "Quando a Ava Gardner morreu, Francis escreveu que ela havia se casado com um baterista débil mental. Ele confundiu Artie Shaw, o marido com o Gene Kruppa. Shaw era tão culto que a Ava se sentia obrigada a ler para acompanhá-lo."

Sei que o Francis vai ser lembrado por doses de misoginia. Mas, como trabalhei com ele todas as manhãs, de 1985 a 1990, no antigo escritório da Globo na Terceira Avenida, há que jogar luz sobre as outras faces. Conheci o colega mais velho que me puxou de lado, nos meus 28 anos, e fez um diagnóstico solidário dos desafios no casamento, na maternidade e na profissão que poucas amigas feministas teriam articulado então. Ele exibia um prazer genuíno e não angústia de castração ao ser apresentado a uma mulher inteligente. Adorava humor traquinas. Tinha uma dificuldade lendária de enfrentar manhãs e, como chegava ao escritório entre nove e meia e dez horas, acabava de acordar na pequena redação. Ao vê-lo entrar no escritório com um restinho de pasta de dentes no canto da boca e um ar ainda confuso, perguntando "O que está acontecendo?", eu o divertia com a provocação: a sua pergunta se refere ao mundo ou à minha vida sexual? "Primeiro a sua vida sexual, é claro!", ele exclamava.

Por que passamos tanto tempo falando de Paulo Francis, independente de termos desfrutado de sua companhia ou acompanhado sua trajetória com atenção?

A celebridade se tornou a perversa referência moral, existencial e política. Francis tinha se tornado personagem, como lembra Sérgio Augusto, ao citar o episódio do espectador que assistia ao Jornal da Globo num monitor da estação de trens e exclamou: "Este Chico Anysio é muito engraçado!" Mas havia substância por trás da fama.

Hoje Oprah Winfrey investe-se de autoridade para, ao mesmo tempo, combater a pobreza na África do Sul, discutir sexo entre adolescentes e encenar a humilhação pública nacional de um memorialista best-seller que fabricou fatos. Vivemos num lodaçal de platitudes servidas a consumidores da auto-ajuda.

Paulo Francis era um brasileiro germânico que jamais faltava ao trabalho, gravava seus segmentos quantas vezes fosse necessário. Tinha uma visão meritocrática e francamente elitista do mundo, enquanto mastigava um sanduíche letal em conversa animada com o motorista da Globo. Esta visão era mais generosa do que o pseudo-igualitarismo que grassa em tantos pastos da mídia contemporânea. O que diria Paulo Francis de tantos blogs, com fotos de gatinhos de estimação e recordações de viagens entediantes?

O populismo conservador, imagino, teria sido indigesto para o "Francês", como o chamava Paschoal Carlos Magno, responsável pelo apelido que nos poupou de enrolar a língua com o longo Franz Paul Trannim da Matta Heilborn.

Ao abrir o New York Times, numa manhã fria de março, e descobrir que Rupert Murdoch decidiu desfigurar a tradicional primeira página de um de seus diários favoritos, o Wall Street Journal, Francis teria se apegado como um oportunista ao conservadorismo de Murdoch? Ou teria esbravejado contra mais uma referência cultural destruída?

O mundo, segundo Rupert Murdoch, de programas como American Idol e America's Most Wanted seria tóxico para a constituição de Paulo Francis que proclamava, no ar, ao assistir a variados segmentos de cultura popular: "Estou tecnicamente morto!" Era seu grito de guerra, ou melhor, de frustração com a mediocridade, hoje fartamente representada pelo anti-intelectualismo conservador.

Paulo Francis não deixou herdeiros, e a idéia de que qualquer pessoa o substituiria, seja na reunião de condomínio ou em qualquer mídia, o faria explodir em palavrões. Ele era ciumento, zeloso do lugar que conquistara com sua história e não com sinergias. "Assim como Glauber Rocha deixou filhos bastardos, Francis deixou apenas imitadores", conclui Sérgio Augusto. "A 'esquerda cuecona'", a expressão é de sua lavra, "é tão burra que não é difícil demarcar seu território no outro extremo ideológico. Você já sabe o que estas pessoas vão escrever, ao contrário do Francis, que continuava a nos surpreender."

Desconfio que a memória do amigo saudoso, capaz de fazer uma imitação impagável do baiano malemolente, seria beneficiada por umas férias no litoral, longe da multidão insensata.

(meu amigo paulo francis, da lúcia guimarães, no digestivo cultural de tempos atrás publicando o texto gentilmente cedido pela autora que originalmente foi publicado na revista S.A.X., em abril de 2008).

p.s. os cursos de jornalismo hoje não valem sequer meio artigo do paulo francis, menos por suas estocadas e mais porque pior do que jornalista sem caráter(e culhões) é jornalista que não lê, até porquê o i-pad para esta geração diploma só vai servir para pendurar no pescoço)

quarta-feira, dezembro 08, 2010

autoajuda

“Você não pode deixar o medo se sobrepôr à oportunidade”.
Tom Bernardin, CEO da Leo Burnett.
(o medo é tanto neste mercado, que quando a oportunidade aparece há quem a veja como pura cagada).

segunda-feira, novembro 29, 2010

quando a decadência empata com a insurgência

Tivessem realmente empenhados na defesa do modelo brasileiro de propaganda, os arautos do apocalipse que combatem as agências de mídia combateriam, com igual vigor, as agências de planejamento.
Chamadas de consultoria de branding e planejamento para despistar o policialesco sistema brasileiro de controle sobre a livre iniciativa no setor de comunicação, essas empresas se multiplicam abastecidas por profissionais de inquestionável competência, optantes por dar à propaganda brasileira novos ares.
Sufocados por um sistema hegemônico que demoniza as iniciativas de alinhar o Brasil ao que há de mais moderno no mundo, como a adoção de outros modelos que não suportam a ineficiência das agências full service, esses publicitários conseguem empreender seus negócios por conta da miopia dos veículos controladores da mídia no Brasil.
É bem verdade que devemos esse cochilo ao Ministro Franklin Martins, atual alvo de preocupação das poderosas empresas de comunicação que perseguem o fantasma do controle da mídia representado pelo jornalista. Empenhados nessa inócua tarefa, os verdadeiros controladores da mídia no Brasil esquecem que as agências de planejamento representam ao modelo da propaganda brasileira o mesmo “risco” que as agências de mídia. Mas como não há risco algum em nenhuma das iniciativas e as agências de mídia só são vetadas no sistema brasileiro para que a hegemonia dos meios se perpetue, deixem os “meninos do planejamento” montarem suas estruturas.
As agências full service não dão mais conta do recado. São gigantescos birôs de mídia, travestidos de outros serviços e que agora não contam mais com a excelência do planejamento, cansado de ser coadjuvante em um cenário onde, verdadeiramente, só se pensa em mídia e incentivos. BV`s para os iniciados.
Se de fato conseguirem aproveitar o sono do gigante e prosperarem em seu objetivo de conferir aos anunciantes brasileiros um planejamento de qualidade desvinculado das estruturas de mídia em que se transformaram as chamadas agências convencionais, o mercado brasileiro da propaganda terá dado um grande passo para romper o preconceito.
Diante dessa perspectiva é estimulante prever que a proibição de funcionamento de birôs de mídia no Brasil provoca um fenômeno na contramão da história, mas de impacto similar: serviços como o planejamento e a criação tendem a migrar para estruturas autônomas e independentes, transformando as atuais estruturas em agências exclusivamente de mídia.
É a decadência do modelo brasileiro de propaganda. Ainda bem!


( a decadência do modelo brasileiro de propaganda, do andré porto alegre ).


como de decadência eu entendo mais do que muita gente decaída, reafirmo que é preferível o "velho modelo" full agency, tocado obviamente por gestores de talentos do que a fragmentação de planejamento e coisas do tipo 360 que não passam de muita merdance pra piniquinhos de mba´s. a questão não é o modelo. é a falta de caráter e consistência de quem desafina o modelo por questões outras que também são a atividade de traficância de espaço.

quarta-feira, novembro 24, 2010

cadernos de bacalhoada

jornalismo é oposição. o resto é armazem de secos e molhados. franz paul trannin da matta heilborn( paulo francis) .

o diário conseguiu enfim inovar uma velha máxima do jornalismo. aquela onde se diz que nada mais velho do que um jornal de ontem.

pois bem: o diário se reinventou: nada mais velho do que um jornal do amanhã enfim. é o que consegue com esta definição de posicionamento de jornal do amanhã. conceito mais do que ultrapassado. e que para piorar, é assinado por quem engrupa e comete estelionato a cada fim de semana(vende no sábado o jornal do domingo) contra os seus leitores e o próprio jornalismo em nome da rentabilização operacional que prefere servir peixe frio tratado no cardápio como frito. waal! o diário é a toyota dos jornais, com a diferença que seu just in time é uma completa inversão do conceito e do conceito de jornalismo. busca enxugar tanto os custos que cada matéria já vem com recall franzido, falando-se da edição dominical, onde outra inovação também faz registro: se jornal só serve para embrulhar peixe no dia seguinte, o jornal do domingo já no próprio pode ter a serventia, pois já é passado no presente que não tem futuro a não ser para quem tresanda a bacalhau mas nem isso, quedando-se pirarucu, que no caso dos filhotes(aqui pe) inova ainda mais vendendo como peixe do gosto popular o podre, sendo ele próprio conteúdo e envoltório.
assim, em lugar de tantos focos de artifício, menos. que se acendam mais velas de pesar a credibilidade destes 185 anos mais ladinos do que nunca.

segunda-feira, novembro 22, 2010

o zeca pagodinho das motos


o hulk subitamente deixou de ser amarelo para ser vermelhinho.
pudor de meter o nariz onde não devia?
parece que não. o garotinho propaganda responsável pelo lançamento das motos dafra no brasil - mais que isso da carga institucional da marca - agora resurge serelepe anunciando a fase verdinha da honda.
deste menino luciano ninguém tasca o troféu óleo de peroba. e o pior, é que o mais que nunca esverdeado ainda" vai de taxi pra casa".


p.s. no site reclameaqui, a dafra e o luciano estão mais sujos do que o óleo que andou vazando das motos. será por isto que ele mudou de cor? ah! então tá bom. o que seria do verde se todos gostassem do amarelo não é mesmo cambada?

sexta-feira, novembro 05, 2010

enfim um(publicitário)português de coragem ou a utopia sonhada vem à cabeça sim para ser praticada


DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA

Depois de mais de uma década ao serviço dos grandes grupos publicitários deste mundo, Omnicom e WPP, chegou a altura de proclamar a minha independência.

Proclamo independência das estruturas de tonelagem superior ao sustentável, do trabalho em comité e das realidades pseudo-modernas onde até se sistematiza o uso do chinelo. Proclamo independência de processos inventados, e bem, por grandes homens como Bill Bernbach, que eram óptimos quando ainda nem se vislumbrava a possibilidade de existir tecnologia que nos liga a tudo e todos deste mundo. Proclamo independência de duplas e triplas e de reuniões placebo com equipas e 76.754 pontos de situação que não deixam a situação evoluir. Proclamo independência de pessoas que trabalham nesta área, mas não têm o talento indispensável para o fazer. Proclamo independência dos misteriosos senhores das folhas de Excel que decidem os nossos destinos de uma forma muito estranha e sempre irrefutável. Proclamo independência do servilismo que é insistentemente confundido com serviço ao cliente. Proclamo independência dos fees e dos overheads, das margens e das comissões de agência e de cobrar tudo menos o verdadeiro produto do nosso trabalho, que são as ideias. Proclamo independência de todos os negócios parasitas que se arrastam atrás destas imutáveis e imanobráveis comitivas. Proclamo independência da mediocridade, da falta de personalidade, dos posicionamentos todos iguais, do constante mais-do-mesmo e da dificuldade para fazer diferente. Proclamo independência da publicidade que não funciona, que apenas serve para encher o espaço inútil que o cliente pré-negociou para o ano inteiro. Proclamo independência da bullshit, das apresentações vazias e dos tão reais 360 graus, pelos quais tudo fica exactamente como estava. Proclamo independência de todos os que insistem em encarar esta actividade, que tem tudo para ser nobre, como um supermercado de clichés e de todas as cópias de loja do chinês que por aí vão aparecendo. Acima de tudo, proclamo independência de todas as complicações inventadas para cobrar o incobrável e para disfarçar a incrível falta de talento que tanto abunda neste nosso mundinho, que tem tudo para ser o melhor mundinho do mundo.

Adoro a minha actividade profissional e em todas as agências por onde passei fiz centenas de amigos para a vida, aprendi muito e passei momentos tão bons que não os trocaria por nada. Mas todos os que privaram comigo também sabem que, no meu entender, esta maravilhosa indústria tem vindo a cair num vórtice de inseguranças que não acompanham a saudável mudança que está a ocorrer no nosso mundo e na sociedade. Essas inseguranças e alguma gente com poder e sem talento – que, infelizmente, também existe na nossa actividade – têm vindo aos poucos a envenenar, temo que de modo irreversível, as grandes agências, heranças de pessoas geniais que decerto não gostariam nada de presenciar algumas situações que acontecem em empresas que ostentam os seus nomes.

Não proclamo independência de todas as pessoas e coisas boas que existem na indústria da publicidade. Só proclamo independência do mau para fazer crescer o bom e vou arriscar tudo e tentar fazer essa agência de publicidade onde sempre sonhei trabalhar e que só se podia chamar Lalaland.

Como gesto simbólico desta proclamação de independência, começo por leiloar o meu último cartão de visita da JWT em http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=160499458245 e convido-vos para serem cidadãos honorários desta terra sem fronteiras e com poucas regras em www.facebook.com/lalalandpage e em breve em www.lalaland.pt

(enquanto isto no nordeste - e claro no centro-sul) a covardia sempre acoplada a mediocridade grassa como dengue. não é a toa que o publicitário do ano, "por exemplo", em pernambuco, é prócer de agência que se autodenomina como ampla mas faz," por exemplo", no varejo um trabalho mais restringido ao faturamento, e tão só, impossível. isso, só "por exemplo", é o pior exemplo ao que nos reduz a covardia que eleva a mediocridade a referência, que por sua vez nos que leva a falta de independência, que por sua vez mata, e marca, de forma indelével, a morte das idéias, e das imensas possibilidades de uma atividade que, por mais contraditória que seja, traz em sí o melhor dos mundos e o pior dos mundinhos).