quarta-feira, agosto 09, 2017

a geração perdida ou a geração fanta guaraná ¹

Resultado de imagem para logomarcas de redes sociais


Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem por quê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos  de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.
*a triste geração que tudo idealiza mas nada realiza por marina melz, na revista pazes. 
nota do blog: esta geração fanta-guaraná¹  é do piorio, bem mas bem pior que a geração coca-cola

quarta-feira, agosto 02, 2017

o inversamente proporcional só não basta

fundamentalmente um bom criador publicitário é aquele que desenvolve a capacidade de enxergar até onde vai o grau máximo da estupidez humana e passa a utilizar isso com um mínimo de inteligência em favor do que anuncia. chega a dar pena. mas o que acontece é justamente o em contrário ou seja: com um mínimo de inteligência avança sobre os brocados com o máximo de estupidez. e só o fato de ter de explicitar isto mostra a quantas anda a compreensão da sua inteligência.

* hoje creio que piorou. julgo que não tenho estupidez emocional para achar inteligência na maioria da publicidade dirigida aos teens. e não porque não mais o seja. é que na grande maioria dos casos ou cases, hoje em dia, para se ser gênio é preciso ser estupido. e como não sou uma coisa nem outra, sigo outsider. p.s. fanta guaraná, e o que é que tem ? cérebro é que não, pelo menos em sua comunicação.

terça-feira, julho 25, 2017

o pavãozinho de curitiba - ou moro não entende um caralho *


Na lista, não aparece o “bem” que resultou em sua condenação, o triplex no Guarujá. Nem sítio algum. O triplex foi confiscado na condenação, mas a Justiça ainda não achou o dono para comunicá-lo do fato — detalhe irrelevante. Portanto, ele continua lá, onde sempre esteve, e vazio, como sempre esteve.
Não sei bem o que o magistrado pretende com esse confisco, além de dar sequência a uma perseguição abominável ao seu alvo predileto, seu objeto de onanismo, o combustível que lhe faz levantar todos os dias pela manhã para dar o nó na gravata preta sobre a camisa idem.
Mas me chamou a atenção o desprezo por um dos veículos do ex-presidente, que como chefe do maior esquema de corrupção da história do planeta conseguiu amealhar patrimônio decididamente invejável: além de três apês e um terreno no ABC, um incrível Ômega, uma possante Ranger e uma… INACREDITÁVEL PICAPE FORD F1000 1984!!!!
Caralho, uma F1000! E 1984! DIESEL, PORRA!!!! IGUAL A ESSA AÍ EMBAIXO!!!!
Não sei o estado dela, porém. Tomara que esteja linda como essa da foto que achei na internet.
De fato, Lula roubou muito. É notória a preferência, na história dos grandes larápios de dinheiro público do planeta, por apês em Bernô e terrenos no Riacho Grande, assim como por caminhonetes usadas.
Aliás, queria dizer uma coisa. Esse negócio de avião, helicóptero, casa de 20 mil metros nos Jardins (com muros imaculados e IPTU sonegado), mansão em Campos do Jordão (com terreno invadido para colocar o gerador), apartamento em Miami (não declarado), estúdio em Paris, cobertura na Vila Olímpia, contas na Suíça, joias, Porsches, Ferraris, Lamborghinis, iates, lanchas… Sério, alguém acha que isso pode ser fruto de dinheiro sujo? Isso é coisa de jeca, mesmo, de novo-rico que curte um Romero Britto, sua arte.
Roubalheira de gente grande resulta em uma F1000 1984, que o pavãozinho de Curitiba, inclusive, decidiu não confiscar. No seu despacho de sexta-feira, que veio à tona hoje, está lá, com todas as letras: “A constrição do veículo Ford F1000, de 1984, indefiro pela antiguidade do veículo, sem valor representativo”.
Gostaria de me ater a este rasgo de generosidade do togado do rosto quadrado, uma vez que é área na qual milito, a dos automóveis e afins.
COMO ASSIM, UMA F1000 NÃO TEM VALOR REPRESENTATIVO? DE QUE PLANETA VEIO ESSE CIDADÃO? COMO PODE DIZER ISSO DE UM CLÁSSICO DA FORD, QUE VEIO PARA DESBANCAR A D10 DA CHEVROLET E FEZ DAS PICAPES UM SONHO DE CONSUMO DOS JOVENS URBANOS, TIRANDO-AS DAS ESTRADAS POEIRENTAS DO BRASIL?
Nota-se que o meritíssimo não entende um caralho de carro, entre outras coisas.
* no facebook do flávio gomes

domingo, julho 23, 2017

hoje, diria que está mais para ass book. mas continua valendo para qualquer face

publicitários e putas tem muito e mais em comum do que podem pensar certos pensamentos sórdidos que não passam disto.
ambos são prestadores de serviços. o que é sempre, em qualquer atividade, uma tarefa muito complicada. sempre cheia de frustrações na maioria dos casos, significando trabalho duro e parcamente remunerado, quiçá compreendido, apesar das exceções que impigem o contrário. e quase nunca obtendo orgasmo perfeito, apesar do seu arcabouço, fingido ou não, o configurar.
porém há uma diferença, putas para dar cabo do seu trabalho tem de imperiosamente abrir as pernas, ficar de quatro ou engolir sacos. já o publicitário não. ele tem sempre a opção de não fazer nada disto. se o faz, é porque está na profissão errada. e não adianta descambar com deslumbramentos para o lado das putas, porque lá amadores não tem vez, sequer para limpar penicos quanto mais para um lambe-cus.

quarta-feira, junho 28, 2017

respondendo a pergunta(no facebook*) se ainda vale a pena fazer o curso de publicidade?

na origem o curso de publicidade era uma piada - de mau gosto. depois tornou-se stand up, tal como o curso de jornalismo. não há a visão pluralizada que solidificou os patamares da nossa propaganda, oriunda de staffs repletos de gente de formações diversas(acadêmicas ou não) e que encontrava na publicidade a oportunidade de expandir horizontes - romper barreiras mesmo - para além dos títulos empostados e factoides. há uma azáfama em ser moderno, em ver o mundo apenas como digital&cia , o que é válido, mas não como princípio único, esquecendo que somos um pais de terceiro mundo - com uma elite publicitária que finge ser de primeiro muito bem, até dar de cara com o varejo - e onde uma parcela substancial do mercado ainda depende de serviço de alto-falantes, de serviços de som montados em bicicletas, de "mosquitos" (pequenos folhetos) e placas pregadas em poste, de rádios não digitais, de recursos que os alunos e professores destes cursos, sequer conhece, ou prefere esquecer. não se trata de defender o atraso. mas não existem alfas sem alcateias. e, se quem dirige as alcateias, só rosna por um caminho, a coisa empaca. o mercado brasileiro é imenso - muito maior do que pensa ser são paulo - há gente que vai tomar briefing dentro da floresta. e estes são os caras que cutucam onça com vara curta(coisa que quem ganha leão não faz). então, curso sim, mas curso também não. a única obrigatoriedade deveria ser a de fazer boa publicidade. mas isto ultimamente, nem obrigado, ou seria não obrigado?

sim, cursos de publicidade prometem fazer você enxergar mais longe, mas não passam de lunetas tapa-olho. e cá pra nós: o formato fálico do canudo, tá te querendo dizer alguma coisa. portanto, abra os olhos, pra depois não ficar ardido por outras vias.



* quem reclama de textão é porque não sabe ler e escrever(coisa em que muito publicitário atualmente é meste).

segunda-feira, junho 26, 2017

uma das razões pelas quais a maça é mordida apenas de leve

Resultado de imagem para simbolo macintosh


steve jobs disse: “não faz sentido contratar pessoas inteligentes para depois lhes dizer o que fazer".

ao que parece, donos de agência - que julgam-se coronéis pítons do asfalto(na verdade são corre-campos) - não dão muita trela para os dizeres de job. sim, eles adoram equipar\ornar, agências com macs. mas na hora de estabelecer princípios gerais e particulares de gestão, fincam pé nos manuscritos do mais do mesmo, e fazem" todo mundo" engolir goela a dentro suas cuspidas e, quando não raramente, suas cagadas,

como afirmei, certa vez, a vesicular dono de agência(que até hoje pensa que é publicitário - todo dono de agência se acha publicitário, e brilhante,o que na maioria das vezes é justamente o contrário) que diretor dirige, não é dirigido. portanto, se contrata um diretor de criação, ele deve ser senhor da sua seara, cabendo a ele protagonizar sua eleição.

queria com isto dizer que ia fazer o que me desse na telha e nos pentelhos? obviamente que não. toda estrutura tem seu dna. e o jogo a ser jogado, leva em consideração tais premissas. cabe ao diretor de criação, estabelecer os critérios de atuação em que a criação será pensada e efetivada, discutindo eventualmente pormenores de certas ações. é assaz espantoso que isso não seja dado internalizado nas agências em 2017.

o fato é que, se a cada meio de expediente, por uma indigestão qualquer, o dono da agência adentra o ambiente e modifica o que foi traçado(ou na calada) se ele assim o faz, não se comporta como diretor geral, presidente, ceo, ou que denominação use, e sim como aquilo que é: dono. e agência que tem dono, ao contrário do que diz o ditado popular, nestes termos, a única coisa que engorda é a estupidez e a mediocridade - você conhece vários exemplos, isto se não estiver metido até o pescoço em um deles.

então, se assim o é, das duas uma(o melhor é que fosse nenhuma) ou o diretor contratado é incompetente criativa, moralmente e organizacionalmente falando, ou o dono assina em embaixo que monta o time como dono da bola, e neste caso perneta.

criativamente, é sempre um gol contra. mas é a tal coisa: jobs, há muitos. steve, apenas um.

quarta-feira, junho 14, 2017

aos governantes e governados mas, principalmente, aos desgovernados

Resultado de imagem para brecht

Todos os dias os ministros dizem ao povo 

Como é difícil governar. Sem os ministros 
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. 
Nem um pedaço de carvão sairia das minas 
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda 
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra 
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol 
Sem a autorização do Führer? 
Não é nada provável e se o fosse 
Ele nasceria por certo fora do lugar. 

2. 
E também difícil, ao que nos é dito, 
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão 
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. 
Se algures fizessem um arado 
Ele nunca chegaria ao campo sem 
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, 
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que 
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? 
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 

3. 
Se governar fosse fácil 
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. 
Se o operário soubesse usar a sua máquina 
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas 
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. 
E só porque toda a gente é tão estúpida 
Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 

4. 
Ou será que 
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira 
São coisas que custam a aprender? 

(Dificuldade de Governar Bertolt Brecht)