sexta-feira, junho 22, 2018

mercado enganador

o sujeito acha que é bom - principalmente em publicidade - quando engana a todos, inclusive a si mesmo. mas não é, é engano.

domingo, maio 13, 2018

quando o filho ingrato finalmente se torna grato - e sua mãe deixa de ser gratinada

quando vejo o nível a que chegaram os comerciais do dia das mães, penso que por mais putas que elas tenham sido, não mereciam, neste dia das mães - filho da puta, of course - o trabalho que lhes deram filhos que se dizem publicitários por tais criações. é a tal coisa: mãe merece respeito: até de publicitário.
por conta disto mesmo, quem sabe talvez, fizemos um trato - minha mãe, e eu, que já fui, ou vá lá que seja, sou publicitário - que desde já explicito: extirpamos do calendário, o segundo domingo de maio. sem alíneas ou quaisquer parágrafos de isenção. defenestramos o tal dia das mães, já que comemorar nunca comemoramos mesmo. em compensação, doravante, durante os demais dias do ano, seremos filho e mãe de verdade, sem pose, nem afetação de comerciais. não tem plim-plim mas terá bombom.








domingo, janeiro 21, 2018

é mais que urgente deseducar as crianças*

IDEIAS

Claudio Naranjo: “A educação atual produz zumbis”

O psiquiatra chileno diz que investir numa didática afetiva é a saída para estimular o autoconhecimento dos alunos e formar seres autônomos e saudáveis

Claudio Naranjo, psiquiatra chileno, fala sobre a educação atual  (Foto: Divulgação)
ÉPOCA – O senhor é psiquiatra e desenvolveu teorias importantes em estudos de personalidade. Hoje trabalha exclusivamente com educação. Por que resolveu se dedicar a esse tema?
Claudio Naranjo – 
Meu interesse se voltou para a educação porque me interesso pelo estado do mundo. Se queremos mudar o mundo, temos de investir em educação. Não mudaremos a economia, porque ela representa o poder que quer manter tudo como está. Não mudaremos o mundo militar. Também não mudaremos o mundo por meio da diplomacia, como querem as Nações Unidas – sem êxito. Para ter um mundo melhor, temos de mudar a consciência humana. Por isso me interesso pela educação. É mais fácil mudar a consciência dos mais jovens.
ÉPOCA – Quais os problemas do modelo educacional atual na opinião do senhor?
Naranjo – 
Temos um sistema que instrui e usa de forma fraudulenta a palavra educação para designar o que é apenas a transmissão de informações. É um programa que rouba a infância e a juventude das pessoas, ocupando-as com um conteúdo pesado, transmitido de maneira catedrática e inadequada. O aluno passa horas ouvindo, inerte, como funciona o intestino de um animal, como é a flora num local distante e os nomes dos afluentes de um grande rio. É uma aberração ocupar todo o tempo da criança com informações tão distantes dela, enquanto há tanto conteúdo dentro dela que pode ser usado para que ela se desenvolva. Como esse monte de informações pode ser mais importante que o autoconhecimento de cada um? O nome educação é usado para designar algo que se aproxima de uma lavagem cerebral. É um sistema que quer um rebanho para robotizar. A criança é preparada, por anos, para funcionar num sistema alienante, e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.
ÉPOCA – Como é  possível mudar esse modelo?
Naranjo –
 Podemos conceber uma educação para a consciência, para o desenvolvimento da mente. Na fundação, criamos um método para a formação de educadores baseado em mais de 40 anos de pesquisas. O objetivo é preparar os professores para que eles se aproximem dos alunos de forma mais afetiva e amorosa, para que sejam capazes de conduzir as crianças ao desenvolvimento do autoconhecimento, respeitando suas características pessoais. Comprovamos por meio de pesquisas que esse é o caminho para formar pessoas mais benévolas, solidárias e compassivas. Hoje a educação é despótica e repressiva. É como se educar fosse dizer faça isso e faça aquilo. O treinamento que criamos está entre os programas reconhecidos pelo Fórum Mundial da Educação, do qual faço parte. Já estive com ministros da Educação de dezenas de países para divulgar a importância dessa abordagem.
ÉPOCA – E qual foi a recepção? 
Naranjo –
 A palavra amor não tem muita aceitação no mundo da educação. Na poesia, talvez. Na religião, talvez. Mas não na educação. O tema inteligência emocional é um pouco mais disseminado. É usado para que os jovens tomem consciência de suas emoções. É bom que exista para começar, mas não tem um impacto transformador. A inteligência emocional é aceita porque tem o nome inteligência no meio. Tudo o que é intelectual interessa. Não se dá importância ao emocional. Esse aspecto é tratado com preconceito. É um absurdo, porque, quando implementamos  uma didática afetuosa, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo. Os ministros da Educação me recebem muito bem. Eles concordam com meu ponto de vista, mas na prática não fazem nada. Pode ser que isso ocorra por causa da própria inércia do sistema. O ministro é como um visitante que passa pelos ministérios e consegue apenas resolver o que é urgente. Ele mesmo não estabelece prioridades. Estou mais esperançoso com o novo ministro da Educação de vocês (Renato Janine Ribeiro). Ele me convidou para jantar, para falarmos sobre minhas ideias. É a primeira vez que a iniciativa parte do lado do governo. Ele é um filósofo, pode fazer alguma diferença.
"Quando há amor na forma de ensinar, o aluno aprende mais facilmente qualquer conteúdo"
 
ÉPOCA – Para quem decidiu ser professor, não seria natural sentir amor, compaixão e vontade de cuidar do aluno?
Naranjo –
 Uma vez dei uma aula a um grupo de estudantes de pedagogia na Universidade de Brasília. Fiquei muito decepcionado com a falta de interesse. Vendo minha expressão, o coordenador me disse: “Compreenda que eles não escolheram ser educadores. Alguns prefeririam ser motorista de táxi, mas decidiram educar porque ganham um pouco mais e têm um pouco mais de segurança. Estão aqui porque não tiveram condições de se preparar para ser advogados ou engenheiros ou outra profissão que almejassem”. Isso acontece muito em locais em que a educação não é realmente valorizada. Quem chega à escola de educação são os que têm menos talento e menos competência. Não se pode esperar que tenham a vocação pedagógica, de transmitir valores, cuidar e acolher.
>> Brasil fica em 60° lugar em ranking mundial de educação em lista com 76 países

ÉPOCA – O senhor diz que o sistema de educação atual desperdiça talentos, rotulando-os com transtornos e distúrbios. Pode explicar melhor esse ponto?
Naranjo – 
Humberto Maturana, cientista chileno, me contou que a membrana celular não deixa entrar aquilo que ela não precisa. A célula tem um modelo em seus genes e sabe o que necessita para construir-se. Um eletrólito que não lhe servirá não será absorvido. Podemos usar essa metáfora para a educação. As perturbações da educação são uma resposta sã a uma educação insana. As crianças são tachadas como doentes com distúrbios de atenção e de aprendizado, mas em muitos casos trata-se de uma negação sã da mente da criança de não querer aprender o irrelevante. Nossos estudantes não querem que lhe metam coisas na cabeça. O papel do educador é levá-lo a descobrir, refletir, debater e constatar. Para isso, é essencial estimular o autoconhecimento, respeitando as características de cada um. Tudo é mais efetivo quando a criança entende o que faz mais sentido para ela.
ÉPOCA – Por que a educação caminhou para esse modelo?
Naranjo –
 Isso surgiu no começo da era industrial, como parte da necessidade de formar uma força de trabalho obediente. Foi uma traição ao ideal do pai do capitalismo, Adam Smith, que escreveu A riqueza das nações. Ele era professor de filosofia moral e se interessava muito pelo ser humano. Previu que o sistema criaria uma classe de pessoas dedicadas todos os dias a fazer só um movimento de trabalho, a classe de trabalhadores. Previu que essa repetição produziria a deterioração de suas mentes e advertiu que seria vital dar a eles uma educação que lhes permitisse se desenvolver, como uma forma de evitar a maquinização completa dessas pessoas. Sua mensagem foi ignorada. Desde então, a educação funciona como um grande sistema de seleção empresarial. É usada para que o estudante passe em exames, consiga boas notas, títulos e bons empregos. É uma distorção do papel essencial que a educação deveria ter.
ÉPOCA – Há algo que os pais possam fazer?
Naranjo – 
Muitos pais só querem que seus filhos sigam bem na escola e ganhem dinheiro. Acho que os pais podem começar a refletir sobre o fato de que a educação não pode se ocupar só do intelecto, mas deve formar pessoas mais solidárias, sensíveis ao outro, com o lado materno da natureza menos eclipsado pelo aspecto paterno violento e exigente. A Unesco define educar como ensinar a criança a ser. As Constituições dos países, em geral, asseguram a liberdade de expressão aos adultos, mas não falam das crianças. São elas que mais necessitam dessa liberdade para se desenvolver como pessoas sãs, capazes de saber o que sentem e de se expressar. Se os pais se derem conta disso, teremos uma grande ajuda. Eles têm muito poder de mudança. 
( por flávia yuri oshima, revista época em 31/05/2015)
(*como sabemos, a educação - em todos os sentidos - piorou ainda mais)

segunda-feira, dezembro 18, 2017

a felicidade tem o tamanho das suas ideias. e nunca da sua conta bancária

“Não vejo ninguém feliz em agências”
Alexandre Gama confessa que não acredita mais no modelo das grandes holdings e fala que preferiu ver a Neogama acabar do que presenciar a operação perder sua identidade criativa

Alexandre Gama: “Não gosto de jogos corporativos” (Crédito: Arthur Nobre)

Embora tenha oficializado sua saída da Neogama no início de dezembro, Alexandre Gama há havia iniciado o processo de separação da agência que fundou e liderou por 17 anos desde 2012, quando a companhia foi vendida ao Publicis Groupe.


Meio & Mensagem: Quando você retornou ao Brasil para assumir a Neogama, no final de 2015 (após a agência ter saído da rede BBH) já havia a intenção de deixar a operação algum tempo depois? Quando que, de fato, essa decisão de deixar a Neogama foi tomada?

Alexandre Gama: intenção de deixar a Neogama ocorreu automaticamente no momento da venda da agência para o Publicis Groupe em 2012. Já estava definida há 6 anos atrás e era só uma questão de quando. Nada intempestivo portanto. É uma decisão empresarial. Tanto que os outros dois sócios que a agência tinha também já saíram e bem antes de mim. A razão é obviamente a própria venda, já que permanecer executivo do negócio onde se foi o dono é algo que não se sustenta no tempo. Vários amigos e outros empresários me perguntavam constantemente o que eu ainda estava fazendo ali. Mas a saída efetiva de um acionista majoritário da empresa que fundou e dirige, nunca acontece no tempo de um executivo ou funcionário por exemplo. Há uma série de mecanismos contratuais ligados principalmente ao “earn out” que fazem parte da equacão da venda. Sair não é um ato – é um processo. E da intenção e decisão, até à implementação, muita água rola embaixo da ponte. O fato é que o planejado e escrito foi seguido à risca e os passos foram sendo dados na direção da liberdade empresarial. Há também pessoas que nem sabiam e outras que já tinham até se esquecido que eu havia vendido a agência há quase seis anos. Talvez, também por isso tenha parecido surpreendente eu sair agora. Mas devia ser longe de uma surpresa. A surpresa seria eu ficar ainda mais tempo. Importante: as pessoas não se deram conta talvez de que quando fiz a exposicão “Ideia e Forma – Alexandre Gama” em 2014 no MAB- Museu de Arte Brasileira, eu já estava fechando o capítulo Neogama. O livro da exposição tem prefácio, meio e epílogo. E tudo dessa fase de existência da agencia é sumarizado ali.

M&M: Quais foram os fatores que pesaram na sua decisão de deixar a agência que fundou? O atual cenário do mercado de comunicação teve algum peso nessa decisão?

Gama: Tenho veia empresarial, gosto de empreender. Gosto de independência e liberdade de atuação. Gosto de trabalhar do meu jeito e foi por isso que criei meu negócio. Era natural portanto, sair quando já não fosse mais meu. Não gosto de jogos corporativos nem da dinâmica da vida executiva. E não acredito na qualidade de governança da maioria das agências que se tornaram corporações com múltiplos níveis hierárquicos e estrutura inchada, lenta e burocrática. Quando criei a Neogama via as coisas muito diferente disso e queria construir uma cultura própria de trabalho em comunicação. Fiz. Está feito. Pronto. Foi sucesso e a venda dessa criação – mais de um ano depois da venda do meu outro sócio, a BBH – foi uma das transações de maior valor do mercado brasileiro até então. Missão cumprida. A saída me deixa livre para empreender de novo. E estou me sentindo muito feliz e motivado com essa possibilidade.

M&M: Nesses últimos dois anos em que você passou no comando da Neogama, como preparou o terreno para a sua saída?

Gama: Do lado empresarial, cumpri os requisitos estabelecidos no processo de venda que são bem claros e específicos. Além disso, também trouxe clientes novos para a carteira da agência como Boticário e Ypê por minha conta – mesmo a agência não sendo mais minha e não havendo nenhum incentivo do Publicis Groupe para isso. Meu objetivo foi deixar a agência bem e fazendo jus à sua reputação. E este ano foi assim: crescimento de quase 20%,três Leões em Cannes, dois Effie Awards de eficácia em comunicação para trabalhos para a Renault, e margem em ascensão na casa dos dois dígitos maior que algumas agências do Grupo, por exemplo. Além de uma série de prospects e concorrências em andamento. Saio deixando o terreno arado. Se querem adubar ou fazer uma queimada, é direito e escolha do dono.

M&M: Você teve influência na decisão do Publicis Groupe de fundir a agência com a Leo Burnett Tailor Made? O que achou da solução?

Gama: Não e nem gostaria de ter. Conversou-se por quase dois anos sobre o que poderia ser feito no futuro, quando da minha saída, e avisei claramente no começo de 2017- e diretamente em reunião em Cannes em junho com o grupo – que começaria 2018 fora da agência, empreendendo novamente. Jogo abertíssimo do meu lado. Além do que, tenho outros negócios como a participação acionária na BAC na Inglaterra, o VIOLAB e outras iniciativas que não envolvem o mundo da comunicação e aos quais quero dar mais foco a partir deste novo ano. Mas é fácil entender o caminho que eles escolheram quando decidi sair. Como o grupo tem viés financeiro forte, consolidação será sempre o caminho preferencial. Acho que quem compra um ativo pode fazer o que quiser com ele. Tem esse direito. No caso, a solução é previsível: fundir ativos entre si. Distribuir contas aqui e ali nas agências do grupo em que couberem. Nada novo portanto. E nada que o mercado já não tenha visto acontecer antes com várias agências. Holdings de comunicação não são criativas nesses casos. Elas estão em última instância sempre de olho no valor da ação global. Que vem caindo, a propósito. O problema é que no ramo de serviços, quem determina esse valor são os clientes. E são eles que escolhem por quem querem ser atendidos. Sempre.

M&M: Que legado você acredita que deixou para a Neogama e para o mercado publicitário nacional?

Gama: Honestamente, nunca tive a vaidade ou interesse de deixar um legado. O que construí e construo tem compromisso com o momento presente e com minha visão de negócio e serviço. Uma empresa tem que ser um produto de seu tempo. E se renovar constantemente na mesma crença se quiser continuar sendo relevante. Em 17 anos de Neogama, esse foi o norte. O que ela deixou foi um exemplo de sucesso, difícil de ser seguido porque o exemplo é: somos assim, sem concessões. Mas serei ainda mais sincero nessa questão: Depois que vendi a Neogama em 2012, sempre passava um filme de zumbi na minha cabeça: eu deixando o corpo da agência que fundei quando terminasse o período de permanência contratual e ela – por obra de um vudú financeiro – continuando a andar pelo mercado – uma entidade sem a vida original, como tantas que ainda existem com o nome, mas sem a alma criadora. Acho que o encerramento da Neogama é um atestado da total independência que ela sempre teve. E de certa forma um alívio para mim. Porque acho que tudo que é verdadeiramente vivo tem um começo, um meio e tem que ter um fim. A Neogama foi uma pessoa jurídica animada integralmente pela visão, crença e independência de uma pessoa física. Corpo e alma. E é isso que fez dela o sucesso que foi como agência à sua própria maneira. A cultura que construí dentro desse corpo (que foi projetado totalmente do zero para materializar a crença) foi produto desses valores e gerou um jeito distinto e próprio de criar comunicação. Quando decidi deixar a agência agora no final do ano, para iniciar um ciclo novo, sabia que se ela seguisse pela mão de outra orientação, não continuaria existindo da mesma maneira que antes. Seria apenas mais um “ativo” de portfólio como tantas e estaria destinada a ser algo que nunca foi. Talvez até a antítese do que era. Encerrar uma agência tão independente como a Neogama é o certo na minha visão. E nesse caso, se quiserem ver um legado nesse gesto ele é: não acredite em zumbis.

M&M: Falando sobre futuro: quais são seus planos a partir de agora?

Gama: Tem tanta gente boa querendo o novo, tantas mentes brilhantes que vêem as coisas como eu estou vendo, tanta gente que acredita na independência de pensamento e ação. E tanta gente querendo fazer coisas conjuntamente, sem a necessidade de seguir os modelos que estão aí sofrendo. Estou na fase de ouvir e ver – e quem quiser ser visto e ouvido com suas ideias, tem em mim agora uma porta aberta. Neste momento estou em Londres conversando com gente interessante. Em março estarei no South by SouthWest como delegado e tenho uma série de encontros no Brasil e fora. Se posso resumir, é assim: o Gama está saindo para buscar o “Neo”.

M&M: Você cogita a possibilidade de voltar a gerir uma agência de comunicação?

Gama: Não acho que essa definição se aplica mais ao tipo de serviço a ser prestado no mercado. Vamos ser claros: não vejo ninguém feliz dentro das agências, principalmente nesse modelo de holding e grupos. As pessoas estão saindo em peso dessas estruturas e se algúem for ver quantas já deixaram os grupos nesses últimos anos, ficará chocado. Poderia-se dizer que os grupos estão renovando, mas a verdade é que as lideranças de saída é que estão renovando sua visão de trabalho e não querendo mais operar de dentro de um modelo tão engessado e financeiramente restritivo. O talento não está feliz e os grupos de comunicação podem perder cada vez mais gente de talento. É uma pena, Mas, por outro lado, um ciclo novo se abre com empreendedorismo independente. E essa é a beleza da coisa. Acho que há muito espaço novo para David nesse jogo antigo de Golias.

M&M: Na entrevista que você concedeu ao Meio & Mensagem em 2016, você disse que tinha outros projetos paralelos à publicidade. Como estão esses projetos?

Gama: Música, conteúdo, design, entretenimento, cinema, inovação, tecnologia, está tudo no meu horizonte neste momento. Na parte de música, lanço um trabalho inédito dos principais nomes da música instrumental de violão no país. De Yamandú Costa a Ulisses Rocha, os principais nomes do instrumento já gravaram e vou lançar esse trabalho pelo Violab (plataforma digital dedicada ao violão) logo no começo do ano. A BAC- empresa britânica de carros da qual sou sócio também vai bem e estarei mais perto dela em 2018. Essas e outras iniciativas nas áreas que mencionei acima, serão o escopo do meu ano. Estou super animado.

 M&M: Alguns dos líderes de agência de sua geração também já deixaram seus postos e passaram o comando para outras pessoas. Como você vê esse movimento de renovação dos líderes das agências brasileiras?

Gama: Não sei bem. Não deixei um “posto” na verdade. Estou deixando uma empresa que criei e vendi não para me aposentar ou ir esquiar, surfar ou qualquer outra coisa – com total respeito às escolhas das pessoas. Mas sim para criar e cuidar de outras empresas e iniciativas que quero ter. Meu foco é empresarial e não profissional. Além disso, adoro problema e desafio intelectual. Não sou do sabático, sou do “segundático”. De qualquer forma, a renovação, a meu ver, não está em ter líderes novos em empresas e modelos velhos. Mesmo que pareça que isso renova as empresas, essa é uma leitura ilusória e míope da verdadeira mudança e da revolução que está em curso e que é mais profunda que uma maquiagem apenas. A verdadeira renovação está mesmo em criar empresas novas, com novos modelos e novas propostas de atuação, com alma e valores fortes e independentes, coisas que não se consegue com fusões dentro de grupos. É nelas que os novos talentos querem trabalhar a meu ver.  Acho que funciona mais ou menos como no filme Field of Dreams (Campo dos Sonhos), onde Ray o personagem do Kevin Costner – um agricultor do Iowa- ouve uma voz misteriosa durante a noite vinda do seu milharal que diz: “Se você construir, eles virão”. 
(bárbara sacchitiello, para o m&m)

segunda-feira, dezembro 04, 2017

deu no facebook (mas já faz tempo)

no dia mundial da propaganda - nem chega a ser data de almanaque - faça um favor a sí mesmo se for publicitário( se não for, o favor é maior ainda): fique quietinho e caladinho. não pense, que o desastre é maior ainda. não se meta a fazer anúncio para mostrar a sua criatividade, tampouco a da sua agência. guarde suas ideias maravilhosas, leia-se mirabolantes, e use para o restante do ano. ôôôôppps! esqueci-me que você já vem usando. daí, olha a merda que é a propaganda de todos os dias. dá um dia de descanso pra gente vai.

quinta-feira, novembro 16, 2017

quando a falsa limpeza se torna um assédio ou: caminho mais curto(e melhor) para se chegar não é o que se apresenta como reto

@Poeta_ManoeldB
"Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas. Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros."



quando se tem uma geração de publicitários que não leem poetas - de verdade - o resultado é o que se vê abaixo. não posso dizer a célebre frase: " ainda bem que não vivi para ver isto". mas posso dizer que mandei, a puta que os pariu, quem pensou que poderia me contratar para fazer isto.


          


depois as mulheres vem falar em (argh!) "empoderamento". a estupidez destes comerciais, cuja "base estratégica mercadológica", é mostrar que "as meninas(modernas of course) entendem de limpeza,  é algo que considero um assédio moral(e sexual) à minha inteligência, e também sensibilidade.


        

        

como diria o não poeta: no cu pardal. enquanto mulheres se prestarem para isto
continuaram fodidas e mal pagas(por maior que tenha sido o cachê).

agora podem chover(no molhado) as adjetivações de machista,  misógino, o caralho a quatro. deste ariticun, eu não pasto, pois passo longe.

quarta-feira, novembro 08, 2017

ferve aqui e ferve no facebook(só para lembrar que a a banda que toca aqui é outra)

agência quando quer ser moderna( e democrática) é uma merda - não importa qual. depois da choldra espumante da portuguesa fuel, agora a áfrica bota candidatos a estagiário para dançar, cantar, circar, ciscar, micar, mijar, como modo de selecionar pela melhor performance. porra! não é melhor logo mandar ajoelhar e fazer o boquete? teste do sofá também já revelou muita bunda boa. agora publicitário que preste nunca vi nenhum(a).

terça-feira, outubro 17, 2017

as novas fazendas dos mesmos fazendeiros * ou como agências cultivam perfis falsos para construir e desconstruir reputações

Aquele argumento que seres humanos só se relacionam com até 150 pessoas é quase tão velho quanto as redes sociais. Um papo chato, sem dúvida, mas que serve de ponto de partida para uma questão importante: muitos dos seus amigos no Facebook, Twitter, Instagram e até WhatsApp podem não ser de verdade mesmo. E não se trata do fake óbvio com fotinha de pizza sorridente. São, na verdade, personagens bem construídos, mantidos por longos períodos de tempo e administrados por equipes especializadas com o objetivo de influenciar uma rede de contatos e captar informações sobre grupos específicos.
Este é um expediente antigo, mas que veio à tona com força no ano passado durante a eleição americana, quando também se popularizou o termo "fake news". Além das notícias falsas em si, a expressão engloba todos os aspectos de operações de informação e desinformação motivadas por interesses políticos, como ataques coordenados contra reputação de adversários, exércitos de bots e os próprios perfis falsos com maior nível de sofisticação.

Ainda que ilegais, as fazendas de bots no Facebook ajudam políticos e marcas a ganharem relevância em troca de milhares de reais.

Com a repercussão negativa da prática nos EUA, o Facebook publicou no final de abril um documento em que descreve como a empresa está mudando diretrizes de segurança. No processo de combate a processos abusivos, criaram uma terminologia para classificar estratégias e peças utilizadas nesse jogo. Dentre elas, estão os "false amplifiers": contas falsas usadas para defender um discurso, espalhar boatos, inflar o número de participantes e seguidores de grupos e páginas e, se tiver sucesso, mudar a opinião dos amiguinhos. 
A grande preocupação do Facebook é o emprego desses perfis falsos em um contexto político, mas eles não se limitam a isso. Esse tipo de ferramenta é muito usada na publicidade para influir na reputação de marcas – para o bem e para o mal. "A publicidade percebeu que uma pessoal real é muito mais formadora de opinião do que a marca falando", me conta uma publicitária que pediu para não ser identificada. "Daí veio o boom dos influenciadores digitais e, hoje, os microinfluenciadores. E o microinfluenciador pode ser qualquer um. Não precisa ter milhões de seguidores. Pode ser eu ou você."
É nessa parte de criação rotineira que mora a "ciência do perfil fake". Os detentores dos perfis devem se esforçar todos os dias para manter o usuário ativo. Criam imagens, posts e, por fim, a parte mais importante: as infiltrações nos grupos de discussão. "Por meio destes usuários fakes criamos uma linguagem própria, com cases que favorecem a imagem da marca, seja para avaliações, defesa em uma discussão. É uma pessoa que defende, sutilmente, a marca nas redes. Tudo com bom senso para não ser desmascarado, claro."
Segundo a publicitária, a atividade é feita com planejamento. "Esse tipo de atividade é feita a longo prazo, com contratos extensos", diz. "Não consigo fazer isso com um contrato de 6 meses, por exemplo. Isso serve para marcas que querem reverter uma imagem de reputação, seja por serviço ou produto, mas a longo prazo. E, algumas vezes, dependendo da negociação, quando o contrato acaba, 'entregamos' os perfis criados à empresa."
Na surdina
É difícil estimar o quanto práticas como essa são disseminadas. Como é de se imaginar, é tudo feito na baixa. Conversei com o número grande profissionais que trabalham com redes sociais, e a maioria deles disse desconhecer estratégias do tipo. "O primeiro trampo que eu fiz assim, pirei. A gente fica meio louco na real. E é total sigiloso, não dividimos isso nem com toda a equipe da agência", conta a mesma publicitária.
Aqui e ali, no entanto, casos aparecerem. Alguns inocentes, outros nem tanto. Há perfis utilizados para incentivar o começo de discussão em posts corporativos, perfis utilizados para entrar em grupos de condomínios se passando por morador e coletar informações para a construtora, e por aí vai. Em consenso, ninguém envolvido nesse tipo de ação parece curtir muito.
"É patético", diz outra publicitária que,apesar de não administrar perfis falsos, trabalhou com isso de perto. "Essas páginas acabam virando semi-fakes, pois as pessoas ficavam praticamente o dia todo usando a rede por estes perfis. A ordem vinha de cima, não partia do próprio funcionário, mas acabava virando rotina com o passar dos dias. A rotina era entrar nas páginas dos próprios clientes ou de concorrentes e comentar os posts falando que o produto era muito bom com elogios e marcações ou reclamações no caso dos concorrentes, ou sugerindo o produto das marcas da agência", conta.
A mesma publicitária conta que, hoje, os fakes são usados até para sugerir compras de modo direto. "Estes fakes também estavam muito em grupos fechados, por exemplo, grupos relacionados a decoração. As pessoas estavam lá falando sobre um assunto 'x' e esse fake entrava nos comentários sugerindo produto 'y' ou 'z', engatando uma conversa com as pessoas que tinham interesse naquele post, sugerindo produtos da marca 'x'", explica. Para ela, estratégias como esta são pouco eficientes, já que o custo não se traduz em vendas, por exemplo, e o impacto na reputação não é tão relevante.
Pesquisadores e acadêmicos, por sua vez, condenam a prática. "É uma relação desleal que se constrói", diz Fabio Gouveia, um dos coordenadores do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). "Há uma questão ética, a estratégia cria uma relação falsa sem existir uma finalidade de proximidade entre as pessoas, mas sim comercial."
Para Fabio, no entanto, ainda que o uso dessas estratégias na publicidade seja preocupante e levante desafios futuros para a regulamentação do setor, não é tão prejudicial como na política. "No consumo, é mais factível enxergar essas práticas. Na política, é mais difícil e o impacto real dessa falsidade ideológica é difícil de mensurar", diz.

O baile todo

Em junho, a empresa de segurança da informação Trend Micro publicou o estudo "The Fake News Machine: How Propagandists Abuse the Internet and Manipulate the Public". A pesquisa detalha como funciona o comércio de ferramentas de influência em redes sociais nos mercados do Oriente Médio, da China, da Rússia e, de maneira geral, dos países anglófonos. 
Dentro desse levantamento estão inclusos softwares que automatizam a ganhada de likes no Facebook ou Instagram, assim como aqueles que permitem que bots superem testes de autenticidade como captchas e influenciem em votações ou pesquisas de opinião de maneira automatizada e os que são orquestrados para derrubar determinado conteúdo em uma rede social.
Para exemplificar como essas ferramentas podem ser utilizadas em conjunto em campanhas de desinformação, a Trend Micro criou alguns estudos de caso. Num deles, sugere que é possível fazer um protesto acontecer com US$ 200 mil. O primeiro passo, diz a empresa, seria criar 20 grupos para discutir tópicos ligados ao tema e encher cada um deles com mil membros de alta qualidade, ou seja, perfis falsos mais complexos que bots. Só isso custaria em torno de US$ 40 mil dólares. Ainda dentro dessa hipótese, que também conta com a disseminação de notícias falsas para incitar os ânimos, a campanha atingiria uma audiência de dois milhões de pessoas. Se 1% desse povo aparecesse no protesto, já seriam 20 mil cabeças – não enche a Paulista, mas saí bonita a foto em frente ao Masp.
"Na realidade, uma das grandes dificuldades que temos é avaliar como esse tipo de movimento na internet afeta o mundo real. Um problema é que a imprensa se concentra em parâmetros de audiência e então a importância de um número, mesmo que falso, é inflacionada", explica o pesquisador do Labic. 
Para combater a movimentação de perfis falsos, Fabio conta que existem estratégias como estudar características de postagens e sistematizar dados como semântica das mensagens escritas, repetições de ideias, horários em que são feitas, identificação de padrões, entre outros. "Em um primeiro momento isso era mais simples, mas hoje esse ambiente se tornou complexo. Há usuários reais de redes sociais que agem de maneira semelhante a bots ou contas falsas", conta.
De fato, o Facebook tem tentado melhorar seus algoritmos de identificação de contas falsas ou que só reproduzem conteúdos suspeitos – o que às vezes resulta em exclusão e noutras em perda de relevância dos posts daquela conta, ou seja, ficam escondidos nas profundezas da barra de rolagem. 
Perguntei mais detalhes sobre essa estratégia e como ela se aplicava aos perfis utilizados para promoção de marcas, mas a empresa deu a costumeira resposta protocolar. "Nossos padrões de comunidade proíbem contas falsas, e removemos essas contas assim que ficamos cientes delas. Além de contar com nossa comunidade para denunciar contas falsas, usamos tecnologia para identificar padrões de comportamento de contas falsas e toda a atividade relacionada a elas", disseram, em comunicado.
Vale lembrar que esse expediente de contas falsas já foi importante na eleição de 2014, como bem detalhado nessa reportagem da Pública, assim como esteve presente durante a turbulência política que levou ao impeachment. "Esse movimento ressurge em grandes momentos eleitorais", afirma Fabio Gouveia. "Vamos ver o quanto isso vai se reverter em ativismo real e qual poder esses microinfluenciadores falsos vão ter nessa transição."
* a ciência do fake. como agências cultivam perfis falsos para construir e destruir reputações, do joão paulo vicente, no motherboard(vice)

sexta-feira, outubro 13, 2017

a pseudo propaganda* acaba sendo mais verdadeira do que a pseudo própria


"Pseudo-Advertising: incrível projeto de arte de rua de Alexandros Vasmoulakis, no qual o artista coloca em diálogo visual o muralismo artístico do graffiti e a propaganda feita em outdoors.
Combinando imagens dos dois campos e criando obras gigantescas que poderiam ser descritas como anúncios ou como peças de arte urbana, seu objetivo é colocar em questão as características distintivas de um mural – definição dada pelo próprio artista.
Neste trabalho, toda a perfeição e coerência dos anúncios publicitários dão lugar a imperfeições e lacunas que dão tônica crítica às obras. O mashup de imagens ainda contribui com uma aura esquizóide, que tornam os murais obras únicas de arte". 

Tel Aviv, Israel

Shenzen, China

Berlim, Alemanha

Liubliana, Eslovênia
Abaixo você vê outros trabalhos de Vasmoulakis: