Domingo, Janeiro 29, 2012

certezas da dúvida


houve tempo em que não duvidei de que o talento era insumo de alguma importancia para a publicidade. enfim, para a atividade de comunicação. fosse ela de marketing ou não, era fundamental, tive esta certeza.

hoje, tenho a certeza de que não. o talento é minimamente necessário e olhe lá quem o vir, pedir, empregar ou o possuir. basta a atitude para você passar de ano. e por média, sem dúvida.

tudo que o talento faz hoje, quando há - é raro, mas sobrevive, em guetos e outras periferias, afetado que seja -  é para face-bookear tão-somente o seu "talento de atitude" (ou seria altitude?), performance que difere muito, mais muito mesmo, e bota muito nisto, do talento visceral, que se manifesta na penumbra dos jobs, sem as vaidades dos ciclos e do círculo de atitudes( e altitudes) cuja relação final com a qualidade resulta em fuga pela escada de incêndio quando ela se torna necessária no cotidiano para além dos paradigmas dos prêmios.

a atitude de um talento propriamente dito, é vista agora como ultrapassada e não só: é também romântica, burra e portanto não se encaixa.incomoda até. onde já se viu isto? só porque tem talento, pensa que pode sair do chão? e assim ficou trancado no poço do elevador ou rolou escada abaixo empurrado, decerto, por algum estagiário mais preocupado com o visual de seu novo tablet, que é como demonstra in loco para a chefia, o seu mais desta atitude sem latitude da qual falamos(só não pode ter um tablet melhor do que o da chefia, porque ai, se fudeu!) sim, o talento falso, lambe-cu como ninguém. é mestre de bastidores, encenações e futricas, urdidas nem sempre com o mesmo talento de totem.

já o talento nato, ainda só não desapareceu porque alguns prédios, talvez por serem antigos,onde funcionam algumas agências de publicidade e comunicação, tem ainda a figura do zelador, aquele que mal vemos e cumprimentamos, tamanha a azáfama de sua insignificância, inserida em  macacões escuros, sanduicheira, chaves e vassouras nas mãos, sempre ocupadas com anúncios rabiscados dos jornais de ontem ou caderninhos de palavras cruzadas do amanhã. e que sem medo da existência do que quer que seja, socorre e liberta o verdadeiro talento(quem já não ouviu falar em histórias de fantasmas em prédios velhos e vozes e gritos saídos do poço do elevador?) senão rumo ao topo, para outros becos sem saída, que agora se chamam tendências. uma denominação assaz talentosa - que assim se insinua -  para modismos do nada e outros mamados memes à bordo, para os quais o talento real não se imola.


Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

social, até certo ponto

fui almoçar com um amigo, publicitário, que há bastante tempo não via. 
almoço agradável. se fosse um ser publicitário como os outros, diria agradabilíssimo. publicitário, não sei se você sabe, adora os superlativos e hipérboles - principalmente no que diz respeito ao seu talento e seu salário. referência sempre maior ao talento do que ao dim-dim propriamente dito.aliás quanto menor o talento, maior a hipérbole sobre o excesso de e nunca sobre a falta de, isto em sua auto-crítica. não posso dizer que seria assim inversamente proporcional, porque existem realmente os talentosos, que ainda assim, ou talvez por causa disso mesmo, não dispensam a hipérbole. deve ser por isso que durante muito tempo falou-se que o melhor negócio do mercado era comprar um publicitário(ou homem de marketing, primo filho de casamento entre primos de primeiro grau) pelo preço que ele vale e vendê-lo pelo preço que ele acha que vale. os poucos publicitários modestos que conheci, traziam a modéstia no sobrenome de família ou no apelido, na maioria das vezes jocoso. e os que realmente eram, não o são mais: ou porque morreram ou porque deixaram a profissão. quanto a mim, a modéstia me impede de fazer qualquer comentário. quanto a ele, deixemos por conta da sobremesa que ficou para outro dia, quem sabe daqui a mais um ano.

mas voltemos ao almoço. agradável como disse. e talvez porque o ambiente nos lembrava um país que tanto gostamos, e onde trabalhamos por parte significativa de nossas vidas, não foi um almoço cusco. traduzindo o termo : onde não ficamos a dizer mal de ninguém(quer dizer não tão mal); a coscuvilhar a vida dos outros, a sexual principalmente; não nos deixamos levar pelas futricas e baixios de uma profissão que cada vez mais se presta a comentários, digamos assim, desniveladamente construtivos, tal o alto-nível baixo praticado à sorrelfa, e a descoberto, num exercício de auto-combustão que é hoje a atividade. publicitário adora falar mal de publicitário. isto não é novidade, o falar mal, em nenhum tipo de atividade. mas publicitário, claro, adora falar mal pensando que só ele faz isso. e que ninguém faz tal melhor do que ele. estando em pernambuco, deve-se acrescentar: ninguém no mundo melhor do que ele.

voltando mais uma vez ao almoço, além das recordações e saudades sinceras da terrinha, incluindo principalmente as gastronômicas e paisagísticas, servidas com os comentários entristecidos sobre a definhada economia portuguesa, que já do nosso tempo era franzina, apesar das loas - na época - a entrada do portugal claudicante e suplicante a comunidade européia, o que quase já nos faz mais portugueses do que os joaquins e manueles e nos quases-quases mais do que o dono do restaurante, por aqui há décadas. a ponto de já ter-se tornado por demais brasileiro. o que sentimos no sotaque, não da língua, mas no verdadeiro calão( sim, calão é gíria ou palavrão, lembram da expressão luso-brasileira, palavras de baixo-calão?)que é transformar o outrora bolinho de bacalhau referencia em batatatau por excelência, no que deixamos recado ao próprio e não a ementa, quer dizer no cardápio. isto acabou por render reminiscências também sem lágrimas de parte-a-parte, e boas risadas que apesar de boas não as deixamos barato a preencher a falta de bacalhau nos bolinhos - se tívessemos visto a conta antes, com certeza não nos ririamos tanto. e já agora, mais uma vez, entendemos porque ele se ria bastante mais do que nós, e da nossa autêntica bestialidade em contar anedotas onde os parvos são eles, os portugueses, e não nós, que sempre achamos sempre e sempre que estamos sempre a levar vantagem, até sobre nós mesmos, quando a história mostra que não é bem assim, mesmo hoje quando portugal embica a proa - não se esqueçam que quem é do mar não enjoa.

isto posto, falamos sobre o futuro, o que com certeza também nos diferenciou da malta do presente que tem uma certa experiência no só ficar no passado pra trás. e como o futuro a zeus pertentece, hora do batente, para ele, pra mim do dormente, nos despedimos. e o almoço só não foi completo porque não finalizamos com um bom expresso - que não há em recife, por mais que se vangloriem as deltas de cá - e um moscatel, que é coisa de quem sabe que o vinho do porto só vai até certo ponto da garganta em seco.

abraços sinceros e uma despedida onde improviso provocativo: voltei recife, foi a desgraça que me trouxe pelo braço( a truca só vale para quem conhece o hino da volta ao recife, argh!) gargalhamos e assim como começamos o almoço, nos despedimos com a amizade preservada até o próximo almoço que quanto mais distante melhor.

almoçassemos nós todos os dias e seríamos inimigos, sequer cordiais. a natureza humana do publicitário não vai além disto.


Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

o buraco de woody allen é mais em cima. o nosso, nem acima nem abaixo: de tão arrombado foi tapado

nos anos dourados da publicidade. coisa dos anos sessenta. um famoso publicitário, da área de atendimento, inclusive, ousou dizer, e há controvérsias que fosse em tom de facécia, ou chiste, como queiram, que a propaganda até que era um bom negócio, o que atrapalhava era o cliente.

muito tempo depois e muita água idem, rolada  por baixo e por cima  da ponte, já que agora somos o país das enchentes e como não somos dos diques, holandeses, graças a nossa eterna mania de tapar buracos com as mãos grandes e não resolver os problemas como se deve, o  mercado parece finalmente ter evoluído ou melhor dizendo mudado o papel dos atores.  

agora, publicitários não precisam mais se preocupar com o atrapalho dos clientes. são eles mesmo que atrapalham - e como!. aliás ninguém atrapalha mais que os publicitários. finalmente aconteceu o que ninguém jamais pensou ser possível, nem em brief para estagiário,  publicitários todos unidos. e olhe que publicitário unido era algo impensável até em filme da sessão da tarde, fazendo a coisa como não se deve: ninguém a favor da boa propaganda e  todos a favor da derrição do negócio. um roteiro de woody allen não faria melhor.

aliás, a grande falha de meia noite em paris é que não tem um buraco para o contigente em defeso, e indefeso, mui pequetito diga-se de, e por esta passagem, de publicitários não derricidas. de modo - e não de moda - a que nele se metessem para sair do buraco que estamos, reaparecendo nos tais anos dourados , lá  onde se podia deixar a causa dos problemas aos clientes, como sempre foi, e para nós o papel da solução.

como tal não acontece, ficamos então batendo cabeças, e também na parede, literalmente.
tal e qual batedores de carteira no metro, a espera de novos incautos da composição seguinte. frustrados - mas sem perder a pose, ó a pose de publicitário, jamais perdida, mulheres ricas perdem feio - por aquilo que julgávamos ser e ter de mais esperto e especial  do, e de quem quer que fosse, sem saber que estavámos transformando nosso negócio na pescadinha que morde o rabo, loop que simboliza o nosso flop, o que ninguém imaginou por mais inteligente e chico-esperto que fosse que aconteceria, e em tão pouco tempo.

pois bem: dizem alguns que isto é simbolo de renovação( bicho que come o próprio rabo, eu hein!)para os chineses, principalmente. não dúvido, pois está sendo. mas para nós e o nosso negócio, permitam-me duvidar de todo e qualquer tapado que quer cavar um buraco apenas para se esconder enquanto torce para que a onda passe, enquanto outros simplesmente aproveitam a desgraça para intrujar o butim.

não há nada de zen nesta onda. é o trem descarrilhado passando ai bem ao teu lado, se não em cima do teu próprio rabo, neste momento que está enfiado até o gargalo na tua boca.





Sábado, Janeiro 21, 2012

luisa é uma moeda de duas faces: a cara do momento é fake. a verdadeira é a coroa.

luisa rabello
luiza helena trajano
memes são como eletrons fujões. e na esmagadora maioria estão a serviço de uma movimentação ideológica que intensifica o contágio da estupidificação e idiotia que grassa na sociedade brasileira neste momento.

dirão alguns que uns raros desafetos estão tratando o tema com demasiado rigor. atribuirão inveja, azedume, neurose, ausência de sense of humor. mas o momento não está para brincadeiras. ainda mais quando o meme em causa, é um avatar virótico que invade o senso comum e destrói valores que já andam de mal a pior no brasil, a saber: a cultura ( a erudita ou popular verdadeira ), o senso estético refinado, e os valores éticos e de honorabilidade em relação ao valor da inteligência e tenacidade para com o trabalho em qualquer atividade.

luisa que está no canadá tornou-se um hit  gerado pura e simplesmente através da manifestação da imponderabilidade, cujo start deu-se a partir da conjunção, sempre malévola, da mediocridade com o arrivismo, da jequice absoluta com o société empertigado(temos aqui um pleonasmo, pois não?) mas que não foram reunidos por acaso, dado o histórico dos envolvidos. sejam cliente, agência, e os personagens.

para quem tem uma vivência mínima da paraíba, ,joão pessoa no caso,sabe muito bem que o contexto em que urdiu-se o "menos a luisa que está no canadá" não é o de pura e simplesmente justificativa en passant da ausência de um membro da família para manter a  "unidade lógica do roteiro do comercial". e as negativas de que a frase soou pedante mas que assim não o era para ser, é tão risível - e perigosa - quanto o comercial. luisa, agora todos sabem, é filha do colunista social gerardo rabello. e o colunismo social, para não perder a viagem, e suas páginas, como alguém já disse, é o que está mais perto da página policial. na paraíba então, o colunismo social acerba a simbiose colunáveis-colunistas com uma característica bem peculiar ao nordeste. ao contrário de outras cidades, lá os maiores alpinistas sociais são justamente os colunistas e não as pretensas socialites que a todo custo querem se auto-promover. o que não significa que isto também lá não exista. colunistas, dos mais enganalados aos menos cotados - colunista  é o que não falta para uma boca livre seja do que for -  são artífices do comercio leviano, para além do comércio gerado pelas aparências em suas colunas, e criam os mais diversos "produtos de "marketing" para dar sustentabilidade e visibilidade a vida de regalos - fúteis, mas regalos - que de outra maneira não conseguiriam ter. basta acessar os sites e ver as manobras utilizadas para tal. portanto o meme originou-se sim a partir da pretensa afirmação de distinção social  pelo fato de ter uma filha estudando no estrangeiro. assim como  a auto-promoção do aniversario do colunista comemorado em paris e sua auto-documentação na coluna o que se coaduna com o conceito exclusivo do " altiplano nobre".

mas a questão maior não é esta. tampouco o é a má qualidade do comercial. isto para não falar que apartamentos a este preço não necessitam de midia de massa para sua comercialização. mas isso seria acabar com a boquinha dos veiculos que "dão" um lustro na vaidade do cliente(eh! joão pessoa!) que ainda por cima aprova comerciais de maquete. a versão estrelada pela luisa então, não passaria por quem tenha o mínimo de senso profissional. só confirma a jequice indisfarçável da qual todos querem tirar partido e sua contribuição aética ao país do "não importa como, todo mundo quer comer e se dar bem". e aqui reside o busílis da questão: a fomentação sob a tônica da sorte do ideário do sucesso pela via da "famosidade" na qual agora todos concentram seus esforços(entenda-se por esforço, o rosto bonitinho, a bunda apetitosa, o tórax sarado, a gag rasteira e por aí vai). intelecto pra quê ? foda-se então o foco no trabalho. foda-se a obstinação pela busca do melhor, foda-se ,e bota foda nisto, a qualidade. e por conta disto foi subvertido o guide line: o único lugar onde a palavra sucesso vem antes do trabalho é  no dicionário. para muitos, isto é uma conquista. para a sociedade no seu todo, é uma tara suicida.

luisa, ainda que seja um fenômeno passageiro - no futuro todos teremos os tais 15 minutos de lama, ad eternun( é lama mesmo. e não fama) - assomou o universo virtual de uma maneira avassaladora para os que se tornaram vassalos para sempre da risota que os mantém ajoelhados. aqueles que tem como objetivo de vida a riqueza ou o sucesso, escuso que seja, acontecido em um clique, que é o que vai se injetando no cerebelo da sociedade cada vez que tal acontece. e para isto os argumentos e práticas são\vão, do aparentemente non sense inocente, as teses pseudo fundamentadas. tal como expressas no caso do fenômeno da vez passada, quando um colunista de um famoso portal(confira no post a fama pelos fundos, aqui no cemgraus) justificou como queixumes do complexo vira-lata o repúdio a qualidade musical do michel teló. justificando que o medianeiro havia conquistado o mundo anglo-saxão, coisa que nem o rei roberto havia conseguido. o que é ainda mais perigoso, pois alimenta o ciclo combustivo de rebaixamento e esgarçamento de valores estéticos, de memória, do que realmente tem qualidade e o que não passa de lixo, ainda por cima com inverdades históricas e espirituais. e para arrematar os que já gostam de tirar o pé no chão, e desestabilizar a memória, é bom lembrar que hoje exportamos michel teló. mas antes, exportamos carmem miranda, bola sete, tom jobim, joão gilberto, e a bossa nova, que a partir do célebre conserto no carnegie hall conquistaram não só o mundo anglo-saxão como o mundo todo, e para sempre, sem esquecer sérgio mendes, almir deodato, flora purin-e até mesmo sivuca a dar aquele plus na discografia de paul simon. agora michel teló: tenha dó.como bem o disse o nascimento, não o capitão, o apresentador, nós já fomos mais inteligentes.

a luisa de agora representa o fake, a ilusão delusiva dos rabello - até no gap entre as fotos montadas e a aparência atual, tsk!tsk! é a antítese da luiza helena trajano. a luiza do magazine luiza; que começou a trabalhar aos 12 anos como balconista(a loja ainda se chamava a cristaleira, fundada em 1957 em franca, são paulo);que se tornou um case de marketing inovador e internacional, estudado por pesquisadores mundo afora; que foi convidada para ser ministra de dilma; que opera desde 1992 sem nenhum tipo de prejuizo; que foi pioneira na operação de lojas virtuais;que dá emprego a mais de 21 mil pessoas em mais de 600 lojas e que chegou ao nordeste e a  paraíba através da compra das lojas maia)

esta é a outra face da moeda e da história que passa desapercebida para a maioria da vassalagem memética da luisa fake. apesar de em quase toda grande cidade - e não só - dos livros, e das dezenas e dezenas de reportagens, e do seu nome estar nas fachadas sob a forma de magazine. esta sim é uma história de trabalho, de esforço, de obstinação, de foco, de inteligência aplicada, de muito trabalho para a quase chegada ao topo (a quarta maior rede de varejo do brasil, prestes a se tornar a terceira). e isto não caiu a tiracolo dos bordões estéreis. aconteceu com base nos fundamentos do trabalho. fundamentos que são hoje desprezados pela esmagadora maioria de um povo que se masturba em memes e que caracteriza cada vez mais o trabalho como burrice, minando a força da realização que só o trabalho possibilita. e que é o que faz a diferença entre uma grande nação e uma nação grande.

a nossa esperteza deixou de ser inteligente no momento em o que mal feito, a cagada, seja ela acidental ou intencional, tornou-se risível pela paródia  que somos hoje e que pensamos jamais ser um dia de verdade já sendo no entanto.

a luisa  fake não se sustenta para além do espirro, pum ou pura diarréia. vai pro ralo tão logo acabe a ressaca dos memes espumantes.

e viva o carlos nascimento!.

in tempo: blog do magazine luisa, parece também ter sido vitimado pelo senso de oportunismo que atingiu a todos no afã de querer faturar, aparecer, resultar fácil, com a fake, criando uma promoção(até que orgânica ao contrário das tuias que foram feitas por ai) que utiliza o meme. mas o que diria luiza, a do magazine disto? que agora já são duas moedas que tem a mesma face?



Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

esqueceram de mim ou: tá todo mundo aqui,inclusive a luiza, menos a marca que foi pro cafundó

a construção de marcas objetivando diferenciação e através dela a consolidação de produtos, bens ou serviços, ou delas mesmas é, ou deveria ser, o objetivo de toda ação de comunicação de marketing(publicidade, r.p., assessoria de imprensa,ativação, e por aí vai) seja tradicional, digital e os escambau.

contudo, isso parece ser o que menos importa. principalmente quando equívocos como o "menos a luisa que está no canadá" são alçados pelo lado cafuçu da internet a hit do momento.

não se trata de uma visão cristalizada de marketing. se assim o fosse diria que quem teria de virar meme seria o nome do empreendimento, a construtora, o agente de vendas, e para muito além deste lançamento em si, configurando à marca um aumento significativo de share: of mind,market e heart. desculpem a pronúncia, mas se um marketeer não fala assim ninguém respeita, não é verdade? mas alguém respeita um marketeer? (ainda mais na paraíba?).

ao que tudo indica, o comercial bombou e babou justamente quem não deveria aparecer para além da sua função de escada: luisa e gerardo rabelo,  o que aconteceu ainda mais na esteira da ação a partir do "youentubas". 

gerardo, que já é um mestre sem cerimônias em aparecer, tipico do colunismo social que se pratica na paraiba, aquele que faz de um tudo para manter-se em evidência - lá isso é opção existencial e meio de vida -  é que acaba sendo o grande beneficiado do comercial e da repercussão, ainda que passageira. e justiça seja feita: não se pode dizer que isto foi arquitetado por ele deliberadamente. era este o objetivo? alçar a mídia nacional e sabe-se mais o quê, gerardo e luisa? se foi, foi um golpe de mestre. se não, apenas um golpe de sorte ou apenas mais um golpe. pode-se argumentar que o frenesi gerado por acaso - se alguém me provar que foi intencional nem assim eu acredito -  levaria por indução à procura - o que necessariamente não se traduz em venda - e muito menos ainda em valor agregado a produto, marcas e empresas envolvidas no lançamento. mais pobres ainda foram os anúncios ditos de oportunidade,mas que não passam de oportunistas, corroborando como é rasa a temporada de veraneio da publicidade paraibana(e não só). ninguém foi capaz de aproveitar o tema, de cometer a paródia, sem ser também vitima da chiste, do complexo paraíba, que ao fim e ao cabo é o que é - e não passa disto - o hashtag da hora.

o que é mais sem graça disto tudo, em meio a risota geral - tá todo mundo rindo de você e não com você  - o que não é apenas um detalhe sórdido é muito mais -  é a chamada markeopia, a míopia de marketing, que está achando e alçando tudo isto a um máximo, quando na verdade a repercussão deve-se a falta do senso do ridículo na construção da situação e no arquetipo utilizado para a realização do comercial, que assina em baixo a jequice social que é uma das marcas, esta sim, bem posicionada dos colunistas e colunáveis da sociedade local - alguém reparou no "achado" de guetificaçao do comercial criando um altiplano nobre ? para um bairro de tradições outras? e que agora pretende-se que seja o endereço perfeito para a sociedade paraibana? que efeito demolidor. é a consumação das açoes para a ocupação vertical do bairro que durante anos foram interditadas(ou tentou-se). mas a nobreza venceu. isso é que é nobre, não é mesmo? bota nobreza nisto. e quando a nobreza vence, sai de baixo que lá vem, mais, literalmente e simbólicamente falando, merda.

o mercado paraibano, e certamente quem criou o comercial deve estar em frenesi. mas a falsa modéstia os alijou desbragadamente do youtuba? ou de quaisquer outras motores de fusca? nada de trending topic sobre os rapazes ou moçoilas da ficha técnica? ninguém fala da agência ou dos criadores, o que é sempre suspeitíssimo em publicidade(este digamos low profile não reativo) e confirma as suspeitas de que o tiro saiu pela culatra ou no mínimo atiraram no que viram e acertaram no que não viram. afinal, a genialidade da publicidade "paraibana" extrapolou as fronteiras de bayeux e santa rita, obtendo visibilidade ímpar mas que não chega a 0,5 % dos rabello. ainda assim não é pouca água, pois o ribombo até então não foi alcançado por ninguém. mesmo passando o chapéu de couro a ouro, com jurados mais famosos que os trabalhos inscritos, programados para dar mais visibilidade(credibilidade é outra coisa) aos resultados. agora fala sério: é deste(mau) jeito pelo qual o mercado e seus players quer ser reconhecido? publicitários estes? nunca serão senhores, jamais serão.

resta um consolo. como todo material desta ordem, não dura o tempo de se roer um pirulito. por mais delicia que seja a lulu, vai ser bom não foi?o michel teló que o diga, já foi!(tarde).

assim será com mais este hit. luisa volta, volta luisa, volta pro canada. e volta logo antes que o rafinha bastos te comente.

in tempo: se você é dos a favor( eu sou dos contra muito pelo contrário) pegue seu passaporte e adira ao facebook do movimento, liderado pelo mano - família ê, família á - para a recepção a luisa no aeroporto castro pinto, pequeno, por sinal, para o tamanho da repercussão da menina. cafuçus 2012 já tem musa. quem sabe em bloco vão pro canadá.















Quarta-feira, Janeiro 18, 2012

toda revolução é romântica. mas nem toda(ou todo) romântica é revolucionária.


“não é o que você diz que estimula as pessoas, é como você diz”. bill bernbach.


bernbach não inventou a publicidade, ele a reposicionou(ele não iria gostar nem um pouco deste termo, desculpa bill). um visionário,ainda há quem o desdenhe, estigma com o qual sempre se atacha aqueles que saem do lugar comum. principalmente os falhados, o que não é o caso dele. muito em contrário.

bill, não se encaixava na pasmaceira publicitária da sua época - da nossa então, xííííí. com argumentos de força(muito presunçosos diriam outros tantos) peitou o mercado e dentro dele clientes e os próprios publicitários, pois não se conformava com a mediocridade. e assim sendo causou a revolução criativa que marcou a década de 60, principalmente com os trabalhos realizados para a volkswagen, entre eles aqueles que você certamente conhece e que são reconhecidos como a melhor campanha do século XX. sim, provavelmente você deve, se conhece algo para além dos controles do seu ipad,ipod,iphone, achá-los coisa de museu. praticamente só tem texto. mas responda cá, na lata: você conhece alguma campanha de automovéis atuais que tenha pelo menos metade da sagacidade( você sabe o que significa sagacidade não sabe? eu sou otimista e assim espero que o tio google lhe ajude) das dita cujas bernbachianas? ah! sim, muito visual, photoshop a dar com pau,efeitos especiais de fazer inveja a bollywood? mas eu tô falando de idéias, conceitos,? bom deixa pra lá, porque só temos campanhas de merda mesmo. ao que parece os publicitários de hoje eles entendem o think small do bill na forma literal, afinal, publicitário de hoje em dia não sabe conceituar. só photoshopar e chamar quem pensa de desantenado com as tendências da hora.

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

"muita gente concorda que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente sabe que a década de 70 não. marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo tempo, rival da publicidade. a chegada do conceito “posicionamento” criada por al ries levou a publicidade das empresas de volta a sem graceira da década de 50. empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentativa de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada. os comerciais haviam perdido sua graça. um exemplo do embate entre estratégia X publicidade é o do refrigerante 7UP: na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. isso foi antes de ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número.  

e o que isso tem a ver com bill? uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. e bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

"bill bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “a boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. há cinquenta anos atrás bill trombava como mercado afirmando que publicidade meramente vendedora e sem brilho era ruim para o cliente e para o mercado como um todo." (o homem era o júlio verne da propaganda, não deu outra).( ah! eu sempre me esqueço do quociente intelectual da geração publicitária atual: júlio verne, corre logo para o google, era escritor francês de ficção científica no século XIX(19)(viagem ao centro da terra, vinte mil léguas submarinas) previu com uma margem de trezentos metros o local onde o homem viria pousar na lua, chute? c´est possible mes amis. mas,a boa publicidade também se faz com alguns bons chutes, mas como o futebol hoje também deixa a desejar o resultado de tanta bola fora tai mesmo)

parece que todos concordamos que "esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. 

resta saber quem será " românticamente revolucionário" para tornar este legado um legado padrão para além das leituras* e salas de estudos.

afinal, por menos que pareça,"consumidores são espertos. siga o exemplo deles".


* boa parte deste artigo,incluindo as citações e alguns trechos, foi copidescado a partir do blog pequeno guru, que afirma textualmente que é apenas um entusiasta do marketing e não o que quer dizer o nome, assim disse sylvio ribeiro, o que talvez soe pretensamente humilde para além da conta. .


(1) medíocres e famosos, sejam do ramo ou não, incluindo os professores, ah! os "professores" de publicidade, gostam muito de citar o bill mas sempre ressalvando que ele fez isso no tempo em que a propaganda era uma atividade romântica. caberia aqui o calão e mal-dizer que romântica é o caralho?

(2) outra coisa, ia me esquecendo. atentem para o visual do bill. imagem não é tudo. não é porque o cara era da criação que teria de se vestir como o james dean. as idéias dele e que estavam vestidas assim. e isso foi o que fez a diferença.

Terça-feira, Janeiro 17, 2012

só dói quando nós rimos

durante muito tempo circulava uma tirada gaiata que dizia ser o salário de publicitário, os valores obviamente, a segunda maior mentira do mundo - a primeira, naquele tempo, década de 80, era a sexista  "só vou botar a cabecinha".

evoluimos. somos mais abertos, somos? não fazemos mais afirmações de sentido e salário duvidoso.  salário de publicitário agora é salário de trabalhador escravo(da carga horária as chicotadas das pressões) se disser-mos que é um dos, ou o segundo pior do mundo, não vai ser mais visto nem como a primeira ou segunda maior mentira do mundo. podem acreditar que é a mais pura verdade. e a verdade, como diria o filósofo, dói, ou melhor dizendo, como exprime-se a rafaméia: arromba. isso para quem ainda ganha salário. pois cada vez mais e mais  na profissão ganha-se menos em espécie e mais em experiência. o que por si só já é uma - entre tantas - péssima experiência.
agora os donos de agência - não confunda dono de agência com publicitário - continuam contando mentiras cada vez maiores, principalmente para o pessoal da criação.e estas estão entre as primeiras ou segundas maiores do mundo, globalizado que seja.

Segunda-feira, Janeiro 16, 2012

na falta de perspectiva

a homenagem, eu não discuto a justeza. afinal, vivemos num pais onde no panteão de heróis nacionais tem um duque matador de criancinhas e sabe-lá mais o que fizeram nossos barões, princesas e marquesas, tão homenageados que foram, até em dinheiro, moeda que vai onde pessoas de certas qualidades não deveriam estar.
agora que o resultado construído da arquitetura do parque dona lindú é de fazer corar o neymar, quer dizer o niemeyer, isso não há como negar. ´e um estampido na cara. só de helicóptero o prédio adquire algum volume estético aos olhos. aliás, perspectiva não é algo que os arquitetos estudam? não se pode ter uma visão com os pés na terra do parque, quer dizer de parque não há nada, das construções, porque só de dentro d´água se alcança a distância mínima para " volumar" o que de perto mais se parece com duas manilhas gigantes(sem a serventia delas).
falo isso agora porque querem fechar o centro niemeyer em espanha. que fechem estão o lindu e levem a velha senhora para nominar o centro. e fica o mal feito pelo bem feito e pronto.

p.s. eu nunca vi algo inacabado ser inaugurado tantas vezes como foi o parque dona lindu. a cara de pau dos inauguradores de plantão superou as expectativas desta vez.

Domingo, Janeiro 15, 2012

paralaxe

é voz corrente que publicitário gosta de aparecer - até fizeram anúncio, ruim, sobre isso.
mas trata-se evidentemente de uma injustiça. aparecer? só? qual nada. publicitário gosta mesmo é de parecer. e, os melhores, fazem disso a vida toda.
o a foi simplesmente um erro de revisão.

Sábado, Janeiro 14, 2012

ledo engano

anunciamos para breve ser a quarta economia do mundo e nosso "maior" produto de exportação do momento é o michel teló.

anunciamos para breve ser o quarto mercado automobilístico do mundo e por aqui são vendidos como extra - ou apresentados com ofertaço - bancos de couro, ar condicionado, ou até mesmo jantes de liga leve e os acionadores elétricos de vidros e travas e outros babilaques mais que até carro chinês oferece em dobro, enquanto os itens de segurança são menosprezados tanto como a qualidade da nossa gasolina.

e no negócio do marketing e da propaganda, frente a estas possibilidades, anunciamos que vamos crescer em milhões ou bilhões ( há aqui muito de fraude nestas contas estejam elas acima ou abaixo das aparências) que se espera- sejam movimentados com este crescimento de quarta,  afinal partem da premissa do trabalho escravo de estagiotário, e publiciotários idem, que são remunerados em condições iguais ou piores do que os terceirizados da zara.

mas quem se importa com isto? o importante é manter o negócios como está.de anúncios que não se sustentam, business que vive cada vez mais de aparências e dormências, que se repetem nas notícias de contas conquistadas e daqueles que dão as cartas - e as  caras -  em festas onde também tudo é aparentado.

a hipertrofia do nosso subdesenvolvimento nos leva a um crescimento cada vez mais relativo e esvaziado.e se assim o é movimentado por aqueles que se dizem experts em marcas e alavancas que seria de nós se assim não o fosse ?