quarta-feira, julho 20, 2016

deus, esse cara abusado ou, porquê sou um cara desabusado


O Abuso de Deus  (por Márcia Tiburi*)


Intolerância e Democracia religiosas no tempo das novas mistificações

Deus sempre foi usado por pessoas e instituições como uma espécie de verdade que tudo justifica. Barbaridades e maldades foram feitas em nome de Deus.
Violências físicas e simbólicas são até hoje realizadas pelas mais diversas pessoas e religiões em nome de Deus.
Podemos citar exemplos históricos envolvendo intolerância religiosa, algo que se dá sempre em nome de Deus. Judeus, cristãos e muçulmanos de tempos em tempos massacram uns aos outros tendo como base a ideia de que o Deus único no qual creem está mais para o seu lado do que do lado dos outros. A caça às bruxas medieval, a perseguição a ateus e apostatas, não difere muito da contemporânea perseguição às mulheres e à homofobia das quais algumas Igrejas – instituições reconhecidas por sua misoginia – ainda estão cheias. Muitos dos crimes motivados pelo preconceito e pelo ódio tem como base ideias religiosas e obscurantistas sobre supostas verdades acerca da natureza humana e da natureza divina. Deus desde sempre é um tema que, como política e futebol, tem o poder de reunir fanáticos e separar cidadãos. Deus pode ser um perigo.
Para evitar guerras e violências é que se defende um Estado laico, um Estado sem religião oficial e que sustente a democracia religiosa, ou seja, o direito de cada um exercer sua crença respeitando a do outro. Democracia religiosa é algo que só um Deus amoroso pode desejar. Mas nem todo mundo usa um Deus bacana, um Deus do bem, para fazer religião, muita gente quando faz religião nem lembra que um bom Deus possa existir.
Assim é que se usa Deus – que nem imagina o que pode estar sendo feito em seu nome. Podemos dizer que, em nossa época, “Deus” está baratinho, pode ser vendido em qualquer esquina, basta alguém resolver explorá-lo como se explora uma criança na rua ou uma mulher sexualmente. A cafetinagem de Deus sempre foi um bom negócio.
É assim que, no Brasil, as igrejas crescem como nunca. O poder religioso exercido pelas igrejas é poder como outro qualquer: violência, força, dominação, controle para sua própria manutenção. O poder religioso não vem sozinho, ele implica o poder do dinheiro com o qual as três grandes religiões sempre estiveram envolvidas. Riqueza e pobreza defendida por uns e outros em tempos e contextos diversos serve ao poder econômico de poucos, como sempre. Qualquer igreja, de um modo geral, nada mais faz do que administrar a fé no contexto do capitalismo. A fé é usada como Deus é usado. Capitalismo é religião mesmo quando nenhum outro deus além do capital está em jogo, mas sempre que o capital se confunde com Deus, quando Deus é o próprio capital, então esse poder é levado a uma potência indescritível.

Diz-me o que fazes com teu Deus e dir-te-ei quem és

Deus é usado e constantemente abusado. Deus pode ser uma ideia boa quando se faz um bom uso dela. Mas quando se faz um mau uso, essa ideia causa muitos problemas. Justamente porque Deus é uma ideia incrível e todo mundo quer usar uma ideia incrível. A ideia de uma Deus único, patriarcal, soberano, que tudo sabe, que tudo escolhe, que tudo decide, combina muito com a sociedade humana. Todo mundo quer ficar do seu lado e ter sua proteção.
Porém, nesse contexto, Deus é instrumentalizado pelas religiões que o usam como uma espécie de poder absoluto. E quem não obedece ao padre ou pastor, que defende algo em nome de Deus, pode se dar muito mal, acusado de herege ou banido da comunidade em que a questão religiosa está dada como fundamental para o convívio e a participação. É como ser vegetariano em um churrasco.
As liberdades democráticas se exercem de muitos modos, e a religião necessariamente é uma delas. Isso nos faz pensar que a intolerância religiosa é um mecanismo de controle social. O fanatismo religioso, nesse sentido, é sempre muito útil. Muito fácil submeter os outros aos desejos e à necessidade autoritária que o fanático faz sua. Muito fácil usar o “meu Deus” como desculpa para todo tipo de violência simbólica ou física.
No Brasil o fundamentalismo religioso está em voga. Se novas igrejas de todo tipo surgem em cada esquina, é porque isso é permitido no contexto do Estado laico. Ao mesmo tempo, cresce a intolerância e outros vícios comuns às religiões. Isso significa que as igrejas que surgem não têm feito muito bem o seu papel sempre prometido de levar Deus – que deveria ser uma coisa boa – às pessoas.
Atualmente vemos um elogio das novas igrejas neopentecostais que dariam um lugar de reconhecimento ao povo invisibilizado. Alega-se que aquele sujeito invisibilizado por sua condição de classe tem um lugar de reconhecimento na igreja que ele procura ao deixar seu posto de trabalhador ou subtrabalhador. As pessoas abandonadas pelo estado e pela sociedade encontrariam um lugar na igreja. Aqueles abandonados pelas igrejas tradicionais também. Quem defende esse tipo de ideia tem toda a razão, o desamparo faz crescer a religião. Mas é uma razão precária e perigosa porque rebaixa o sentido do reconhecimento. Um trabalhador invisibilizado, uma pessoa desamparada, tem que ser reconhecido como sujeito de direitos e não como um pobre coitado que tem que agradecer ao sacerdote que vai extorqui-lo por chamá-lo pelo nome e lhe dar um olhar como esmola.
Pensa-se nesse tipo de teoria na base do sentimento de pena para com aqueles cidadãos que são rebaixados pelo sistema, e pelo discurso dos intelectuais que teriam compreendido o sentimento do povo, a pobres coitados dos quais pelo menos a igreja se ocupa. Ora, a igreja sempre usa os pobres para ter poder, como um dia usou os indígenas, como usa as mulheres, como usa as pessoas que sofrem dando-lhes em troca, quando convém, alguma migalha do seu poder.
Não estou pregando a impiedade, mas pondo em questão que o “reconhecimento” como categoria política não pode ser usada para fins perversos. Respeitar o sofrimento e a dor alheia, ou seja, ter compaixão, não pode ser tratado como mera piedade que só se sustenta enquanto muitos são rebaixados a pobres coitados.

Deus, um jogo de linguagem

A ideia de um deus único está envolta em muitos jogos de poder. Hoje em dia sabemos que jogos de poder são sempre jogos de linguagem. Jogos de linguagem implicam usos da linguagem.
Deus é um assunto que precisa ser analisado também nesse sentido, como um dispositivo de poder inserido em um jogo de linguagem. Nossa questão tem que ser “como se usa Deus” em um jogo de linguagem.
Se Deus existe ou não é uma questão falsa usada com fins específicos de mistificação. Todas as vezes em que alguém que acredita em Deus pergunta a um outro se ele acredita ou não em Deus, é provável que espere uma resposta positiva. Sempre me neguei a participar desses jogos. Todas as vezes em que me perguntaram se acredito ou não em Deus, preferi analisar a pergunta do que oferecer uma resposta.
Para certos crentes, sobretudo para os fundamentalistas religiosos, a hipótese de que Deus não exista não é muito boa. Para um crente fanático, a ideia de que o outro não acredita em Deus é devastadora. O crente fundamentalista não suporta que outros não acreditem nele. Porque “seu” Deus não vale para a sua alma, para os fins da sua subjetividade, mas sim como peça essencial em um jogo de poder no qual se usa a outra pessoa por meio de Deus. E, ao fazer isso, o que se faz é usar Deus, é instrumentalizá-lo mais uma vez.

Má fé e ideologia de Deus como abuso

Atualmente, no contexto do mau uso que se faz de Deus, pastores de igrejas neopentecostais ocupam o poder político no Brasil. Os pastores parlamentares são, de um modo geral, contrários a todos os avanços democráticos e aos direitos fundamentais e individuais. Como políticos muitas vezes são obscurantistas e oportunistas, capazes de desprezar direitos humanos e minorias e de, ao mesmo tempo, usarem esse espaço de debate e de poder como sendo sua propriedade.
A bancada evangélica no Congresso brasileiro cresce a cada eleição. Praticamente não há político, mesmo não sendo evangélico, que não leve em conta o peso do voto dos fiéis evangélicos em seus processos eleitorais.
A sustentação do Estado laico deveria ser cuidadosa com a candidatura e a eleição de líderes religiosos, de sacerdotes em geral, padres, pastores. Do mesmo modo que funcionários da mídia deveriam ser inelegíveis já que, de antemão, tem o capital espetacular e midiático que sempre pode se converter em votos fáceis.
A reflexão sobre a religião – que deve ser levada a sério para ajudar a diminuir a intolerância religiosa – não deve ser confundida com a crítica objetiva aos pastores evangélicos que passam a fazer política partidária e, com ela, buscam mudar os rumos do Estado laico que faz bem a uma sociedade de religiosidade plural. O que vale para juízes, a proibição de se dedicar à política partidária com vistas à eleição para cargos, deveria valer também para quem participa do poder religioso, ele mesmo, como todo poder, essencialmente político.
A relação entre religião e política implica a instrumentalização de uma pela outra. Isso quer dizer que os fins religiosos justificam os meios políticos, e os fins políticos justificam os meios religiosos. A ética, como reflexão sobre a ação, como preocupação com o outro, é jogada no lixo da história nesse arranjo.
As teorias e práticas obscurantistas de parcela dos pastores evangélicos em sua bancada cada vez mais poderosa, têm influenciado fortemente a mentalidade nacional e tem prejudicado a vida de muita gente. Mulheres, minorias religiosas, sexuais, étnicas, sem falar nas minorias de classe exploradas economicamente pelas próprias igrejas, estão na mira do que se configura como o mal radical realizado em nome da própria religião. Por mal radical define-se o mal que tem como objetivo simplesmente fazer o mal contra os outros. Uma espécie de mal profundo, um mal que se oculta em palavras mistificatórias, que não deseja a felicidade dos outros, que objetifica o outro como uma coisa, é disso que estou falando. O fiel é reduzido a alguém que se pode usar, seja para pagar o dízimo, seja para angariar o voto. O que está em cena é o mal pelo uso da fé que é a má fé.
Muitas igrejas sempre usaram de má fé para controlar o povo. Ao mesmo tempo, contam com a boa fé do povo e a manipulam como se as pessoas fossem incapazes de perceber o que se passa com elas. A isso podemos chamar de ideologia da fé. A fé usada para enganar, a fé manipulada, a fé transformada em mercadoria. E Deus servindo a isso tudo como se fosse um simples fiador. Mas é nisso que ele é transformado.
Se lembrarmos de propostas tais como a da “cura gay” ou do vem sendo chamado de “Ideologia de Gênero”, a gravidade da questão fica clara. As falas homofóbicas, os discursos misóginos (a ponto de se chegar a falar de estupro em potencial), a guerra contra a legalização do aborto como guerra contra as mulheres, não inova em nada a velha caça às bruxas da igreja que odeia as mulheres e homossexuais e que odeia a palavra gênero porque ela é uma palavra que desmistifica, que desmascara, que faz pensar. O que os pastores evangélicos têm proposto em diversos aspectos é simplesmente diabólico. Vindo de gente que se diz da fé, a coisa é ainda mais preocupante.
Essas práticas produzem um evidente controle da vida das pessoas e pode ser definida como oportunismo ideológico. As igrejas sempre fizeram isso, não é novidade o que pastores oportunistas das igrejas contemporâneas do mercado fazem. Apenas reeditam a mistificação e, num golpe de populismo por ignorância, abusam do povo e, para fazer vingar o seu abuso, usam Deus como ideologia.
Abusam, portanto, de Deus, mas como Deus não deve existir para elas, ou existe apenas como mercadoria, não há problema de consciência e eles seguem praticando o mal.

* Marcia Tiburi, graduada em filosofia e artes, mestre e doutora em filosofia. Publicou diversos livros de filosofia, entre eles “As Mulheres e a Filosofia” (Ed. Unisinos, 2002), Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004); “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero” (EDUNISC, 2008), “Filosofia em Comum” (Ed. Record, 2008), “Filosofia Brincante” (Record, 2010), “Olho de Vidro” (Record 2011), “Filosofia Pop” (Ed. Bregantini, 2011) e Sociedade Fissurada (Record, 2013). Publicou também romances: Magnólia (2005), A Mulher de Costas (2006) e O Manto (2009), Era meu esse Rosto (Record, 2012). É autora ainda dos livros Diálogo/desenho, Diálogo/dança, Diálogo/Fotografia e Diálogo/Cinema (ed. SENAC-SP).
É professora do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da revista Cult.

quinta-feira, dezembro 24, 2015

so where the bloody hell are you?*


o papa-mor do marketing (se você não sabe quem, deve andar ainda no mingau) já assinalava que um dos (mais graves) problemas das empresas de sucesso é não saber administrar o seu crescimento.

é o caso da GVT em questão. e que me fez ausentar-me por aqui – que também será por um tempo indeterminado, e onde as postagens, quando houver, hão de estar na mesma velocidade prometida por ela – assim como a assistência (e prazo) a problemas recorrentes, a tal ponto que chega a ser estelionato.

mas como eu não vendo nada, nem a mim mesmo – muito pelo contrário – não há estelionatos, alias nunca houve, nem há o que reclamar.

então faça ou desfaça-se como eu. aproveite mais a vida - e melhor o seu tempo - sem internet. por pior que ela seja, a vida(a internet é uma bosta mesmo, já dizem seus criadores) ainda é muito melhor do que quer que seja ou haja na internet – em qualidade e intensidade, sexo inclusive.

nos veremos por ai, ainda que menos por aqui.

e para não passar em branco, ainda que com delay, a entrevista do serpa pós out da almap, para a trip http://revistatrip.uol.com.br/trip/entrevista-com-marcello-serpa-nas-paginas-negras que, sem querer ser cabotino, acaba por condensar uma série de posicionamentos colocados aqui mas que, claro, ditos por mim, ninguém levou a sério(ainda bem que não tenho mania de perseguição).

ou vai duvidar do marcelo porque agora estando ele fora da propaganda não precisa mais ser “lambe-cuzado” para ficar bem (ou achar que fica) na fita?

cemgrauscelsius continua sem fazer fita e lamber cus de quem quer que seja.


*(onde diabos afinal esta você?).

sexta-feira, agosto 14, 2015

quando rir já não é o melhor remédio

diversão, eis a palavra que sumiu da propaganda atual. e nem falo da extra-muros. mas principalmente da intra-muros. encontre-me um publicitário feliz, hoje, leia-se divertindo-se com o que faz, e eu te darei meu reino de fracassos risíveis e sucessos improváveis.





p.s: ao contrário das hienas, a quem erroneamente se atribui o riso quando no ato de acasalar - apenas uma vez por ano - elas produzem o som similar ao riso humano quase sempre. a sua semelhança com o riso publicitário de hoje é que o principal motivo do "riso" emitido pelo animal é a frustração. a similaridade é ainda maior se considerarmos que as hienas(e os publicitários, of course) riem conforme sua posição dentro do grupo. as(os) que conseguem posições de liderança acabam emitindo um som mais grave e baixo, bem diferente da risada aguda e alta da dominadas/dos. em situações de competição, os animais de posição inferior na hierarquia riem muito mais. então, ao que parece, tanto no caso das hienas quanto no dos publicitários, é literalmente um riso para não chorar. contudo, muitos publicitários também riem quando estão fodendo alguém ou sendo fodidos

sem que se deem ou deem por isto(esqueça o ato sexual) o que os diferenciam das hienas que não fodem ninguém por mera vaidade ou desejo de "phoder".

in tempo: se fui feliz na propaganda? sim, muito até. como não? bons salários, boas doses de liberdade - conquistadas com muito trabalho duro: éramos workaholicos sem o saber - e sem sentir, e sem reclamar(ganhávamos bem para isto) - e bons clientes dispostos ao risco de acertar. outros e bons tempos onde as hienas não se reproduziam tanto. até porque os leões da época, bem mais camaradas, e sem maiores preocupações com a juba, não davam muito espaço para os que não cultivavam o bom humor, que era farto e que justificava as verdadeiras razões do riso.

saudosista eu? nem um pouco. como diria o bardo, há coisas que deixam de ser boas quando duram mais do que o efêmero, como yo por exemplo;)

quarta-feira, agosto 12, 2015

se você não pensar/pronunciar latão eu dou a cara a tapa


o naming, você já sabe ?  é aquela "ciência" que aprofunda a maximização da denominação ou o nome de batismo ou rebatismo da marca e ou produtos, através da escolha e ou construção/fabricação/criação de um "naming" que assim, por isso mesmo, e mais alguns salamaleques muito bem vendidos, vestidos e apresentados, torna-se cem por cento favorável ao sucesso, da eufonia potencializadora dos reminders, partilha e o que mais constar em termos de multiplicação de variáveis empáticas e tilintosas para caixa registradora, sem esquecer a parafernália do lettering bem como dos frus-fru-frus da psicodinâmica das cores e mais algumas serifas das quais vou lhes poupar. ufa!

então, conho! se latan é tudo isso - e dizem mais um pouco - isto quer dizer 
que a espreguiçadela do óbvio vale mais do que qualquer exercício do tal disruption que a tantos encanta e desencanta com a mesma perplexidade? não sei você, mas assomam-me dúvidas que conseguiria fazer algo tão ruim quanto isto.

algo realmente mudou no universo da propaganda ou comunicação de marketing de marcas. por muito menos do que isso já vi muita gente ser demitida e execrada pelo resto da vida de um lado e de outro da mesa (o bullyng publicitário faz os outros parecerem passagens do pequeno príncipe) e olhe que enchiam mais os olhos e ouvidos do que esta que considero um peido de segunda-feira.

há que se louvar "os senhores" que "criaram" ou produziram tal artefato? e apresentaram no suporte digital de última geração e daqueles que do outro lado, com seus i-phodes da mesma, aprovaram, e dado o congraçamento geral, deram asas a tamanha estultície que será levada muito a sério e que pelo empuxo da verba investida ainda acaba cult.

depois, não reclamem quando o preço das tarifas subir para compensar este gasto. é que para decolar este troço, dois terços da força das turbinas e da verba do combustível serão necessários para, ao menos no começo, tirá-los da "rota de colisão".

dizem que o céu de brigadeiro é o perfeito para se voar. é o que o trabalho profissional de naming deveria fazer para uma companhia aérea, ainda mais nestes tempos tão bicudos. e por falar em bicudo, este naming me fez lembrar que o ornitorrico é a justaposição de várias características num só ser que acaba não sendo uma coisa nem outra fazendo até que se duvide que ele é ele mesmo e só. não fosse o animal(ele também) um símbolo australiano, calhava de ser a estrela do logotipo pois latan não traduz o empuxo que se imagina ou se propôe juntando  a lan e tan deste mal jeito. 

ornitorrinco está aqui mesmo para nos reavivar que nem tudo que é justaposto está junto e ou justo, assim como nem tudo que tem bico é ave, que tem pata é pato e assim por diante. muito embora, como todos sabemos nada disso adiante diante do que esta posto.

                                           


domingo, agosto 09, 2015

por que nenhum publicitário pensou nisto (já que falam tanto em "brands actions" ?

porque a propaganda perdeu completamente a noção de loucura focada naquilo que realmente faz a diferença. e assim tudo o que fazem é fake(mesmo quando parece ser engajado nas tais causas sociais)


https://vimeo.com/121231152

sábado, agosto 01, 2015

a quem tem uma certa vontade de escrever* (mas que não tem preguiça, que é o que todos tem, demais da conta, hoje em dia)

“Não pense. Pensar é o inimigo da criatividade. É auto-consciente, e qualquer coisa auto-consciente é ruim. Você não pode tentar fazer as coisas. Você simplesmente tem de fazer as coisas.”
“O problema com muitas pessoas que tentam escrever é que elas intelectualizam sobre isso. Isso vem depois. O intelecto é dado a nós por Deus para testar as coisas uma vez que elas estejam prontas, não para nos preocuparmos com as coisas antes do tempo.”
“O que nós escritores podemos aprender com os lagartos, levados pelas aves? Na rapidez está a verdade. Quanto mais rápido você diz sem pensar, mais rapidamente você escreve, mais honesto você é. Na hesitação está o pensamento. No adiamento vem o esforço por um estilo, em vez de pular em cima da verdade, que é o único estilo que vale a pena capturar.”
“Eu sei que você já ouviu isso milhares de vezes antes. Mas é verdade – o trabalho duro compensa. Se você quer ser bom, você tem que praticar, praticar, praticar. Se você não ama algo, então não o faça.”
“Nós somos copos, constantemente e silenciosamente sendo preenchidos. O truque é saber como nos inclinar e deixar as coisas bonitas saírem.”
“Eu não preciso de um despertador. As minhas ideias me acordam.”
“Simplesmente escreva todos os dias de sua vida. Leia intensamente. Então veja o que acontece. A maioria dos meus amigos que são colocados nessa dieta têm carreiras muito agradáveis.”
“Você fracassa somente se parar de escrever.”
“Eu sempre digo aos alunos, me dê quatro páginas por dia, todos os dias. Isso é 300 ou 400 mil palavras por ano. A maioria delas será lenga-lenga, mas o resto…? Vai salvar a sua vida!”
“Não fale sobre isso, escreva.”
“Você vai ter que escrever e botar de lado ou queimar um monte de material antes de estar confortável neste meio. Você bem que pode começar agora e ter o trabalho necessário pronto. Pois eu acredito que, eventualmente, a quantidade levará à qualidade. Como assim? A quantidade dá experiência. Apenas a partir da experiência a qualidade pode surgir. Todas as artes, grandes e pequenas, são a eliminação de movimentos desperdiçados em favor da declaração concisa. O artista aprende o que deixar de fora. Sua maior arte, frequentemente, será o que ele não diz, o que ele deixa de fora, a sua capacidade de exprimir simplesmente com clara emoção, do jeito que ele quer seguir. O artista deve trabalhar tão duro, tão longamente, que um cérebro se desenvolve e vive, por si só, em seus dedos.”
“Você não pode aprender a escrever na faculdade. É um lugar muito ruim para escritores, porque os professores sempre acham que sabem mais do que você – e eles não sabem. Eles têm preconceitos. Eles podem gostar de Henry James, mas e se você não quiser escrever como Henry James? Eles podem gostar de John Irving, por exemplo, que é o maior chato de todos os tempos. Um monte de gente cujos trabalhos eles têm ensinado nas escolas nos últimos 30 anos, eu não consigo entender por que as pessoas os leem e por que eles são ensinados.”
“Um escritor é um ímã passando por um mundo factual, pegando o que ele precisa.”
“A história deve ser como um rio, fluindo e nunca parando, os seus leitores-passageiros em um barco movendo-se rapidamente rio abaixo através do cenário em constante mudança e renovação.”
“Os meus leitores devem se tornar o personagem principal. Em Dial Double Zero [Disque Zero-Zero] eles devem ser Tom, confrontado por um milagre, tentando entender… a voz misteriosa que continua chamando-o pelo telefone.”
“O verdadeiro medo não é de rejeição, mas de que não haverá tempo suficiente em sua vida para escrever todas as histórias que você tem dentro de si.”

* do roy - que não é cadbury, mas que dá um chocolate no texto - bradbury, direto do updateordie,postado pelo wagner brenner, com o devido thanks ao adalberto d´alembert.

sexta-feira, julho 24, 2015

parece que bebes leslya ;)

Lesya: "você tem o melhor trabalho do mundo"
 Sua agência te odeia e você nem desconfia*

Todos nós já estivemos nesse lugar. 


Você brifou a sua agência, esperou uma eternidade e finalmente chega o dia 

em que você verá o maravilhoso trabalho que levará a sua agência à 

grandeza. O que acontece é um grande borrão e a próxima coisa que você 

sabe é que está dizendo “isso tudo é um lixo, volte e me dê mais ideias”.

Não importa quão charmoso você seja ou o quão gentilmente você diga isso. 

Eu posso garantir que eles te odeiam. Falando nisso, provavelmente a 

culpa é sua, não deles.

Ao longo dos anos, eu fiquei fascinada ao assistir meus colegas de agência 

fazerem um trabalho fantástico em fingir que gostavam de alguém da minha 

equipe que eles realmente, realmente não gostavam. É o trabalho deles. E 

não é difícil saber o porquê. O trabalho deles é fazer funcionar. Então eles 

precisam encontrar uma maneira de chegar à linha de chegada e com a 

melhor cobertura. Eu conheço pessoas que desistiram de toda a indústria 

por causa de uma pessoa.

Uma pessoa. Por favor, garanta que essa pessoa não seja você.

Assim como em um bom jogo de pôquer, você está procurando por algumas 

pistas e, às vezes, você vai ter que prestar muita atenção. Eu acredito muito 

no fato de que todos que estão interagindo com você estão te avaliando. E, 

como ao comprar um par de sapatos, eles estão pensando se você é uma 

garota preguiçosa ou uma garota Converse, e o trabalho deles irá refletir isso.

É difícil. Muito difícil. Então, mesmo que eu talvez nunca tenha a certeza de 

que a minha agência não me odeia secretamente (eu já trabalhei com ótimos 

jogadores de pôquer), aqui vai o que eu aprendi e que acho que me ajudou a 

ser um cliente melhor.


1. Diga a sua agência seus problemas

Você pediu a ajuda deles por uma razão, então para quê fingir que você tem 

resposta? Eles são especialistas em resolver problemas. E especialistas 

criativos, o que você provavelmente não é. Na minha experiência, muitas 

pessoas de marcas sentem que estão falhando se não têm todas as 

repostas. Na sala de reunião da diretoria, precisa parecer que você sabe das 

coisas. Mas com o time da sua agência, você deve ser honesto. E, oras, por 

que não ser totalmente maluco e realmente perguntar o que eles pensam?


2.Deixe que a agência te ajude a definir o briefing

Você sabe que não importa o que você deu para a agência, isso muda quando 

o time criativo é brifado, certo? Então, não se importe com o template, os 

boxes e a decoração da vitrine. Apenas defina de sete a dez palavras que o 

time criativo vai usar para criar. Às vezes um briefing criativo está certo na 

estratégia, mas não vai conectar as boas ideias. Olhe para os criativos nos 

olhos como se você fosse o Larry David e tenha certeza de que eles gostam 

disso de verdade. O briefing para o anúncio “Gorilla”, do chocolate Cadbury 

(que fez o negócio crescer 8%, aliás) foi “Faça com que eu me sinta da 

maneira como eu me sinto quando estou comendo esse chocolate”. E nem 

estava no papel.



3.Conheça os seus criativos pessoalmente

Vamos admitir: os criativos são muito mais legais do que a gente. Eles 

podem usar camiseta para uma apresentação criativa. Eles provavelmente 

são sócios de alguma companhia de arte. Você mora no subúrbio e leva os 

seus filhos para o treino de futebol. Não me diga que isso não conta na 

dinâmica de não querer dizer para as crianças moderninhas que nem falavam 

com você no colegial que você não gosta da ideia delas. Eu amo interagir com 

os criativos. Eu os acho verdadeiros, engraçados e super talentosos em 

algo que eu nunca poderia fazer. Se você pode superar a fase de se 

sentir intimidado, você talvez acabe achando o mesmo.



4.Na reunião, diga para eles o que você acha de verdade

Tenha certeza de que você vai dar uma direção clara para os criativos. 

Repetindo: direção clara. Isso significa escolher uns dois cavalos no começo 

da corrida e não fazer com que eles voltem e trabalhem em tudo. Descubra 

se tem um grãozinho de alguma boa ideia que talvez tenha sido executada 

de forma errada. Se você não tem essa sensibilidade (você provavelmente 

não tem – é por isso que a gente não trabalha em agências), encontre 

alguém no seu time que tenha e o ouça. Muitas vezes eu estive em uma 

situação em que a pessoa mais iniciante gostou de uma execução que mais 

ninguém gostou e ela acabou sendo a vencedora.

Ah, e pelo amor de Deus, dê a eles a sua reação instintiva. Reaja, ria, faça 

uma careta, qualquer coisa. Não dê a eles a sua resposta educadinha. Se 

você disser “amei a três, odiei a dois e a um tem um potencial”, eles vão te 

dar um beijo. Se você não sabe, diga que não sabe e diga o porquê. Alguém 

me disse que os melhores clientes são aqueles que, se alguém entra na sala, 

não sabe diferenciá-los do pessoal da agência. Procure isto.


5.Escolha as suas batalhas

Uma vez eu comecei uma nova tarefa e descobri que um dos planos de mídia 

tinha sofrido 45 mudanças em um prazo de seis meses. Outro sócio de 

agência me contou que alguém do meu time tinha mandado de volta para a 

agência um post do Facebook quarenta vezes. Quarenta vezes! 

Provavelmente é o suficiente para desistir de toda a indústria, certo?


Um último conselho: divirta-se. Você tem o melhor trabalho do mundo, 

mesmo que você não possa usar shorts no trabalho. Você é parte da

criação de algo. E isso é muito legal.



* Lesya Lysyj, no Advertising Age, com tradução de Odhara Caroline Rodrigues para o 

Meio&Mensagem.Lesya é ex-CMO da Heineken, ex-presidente da Weight 

Watchers North America com passagens pelo marketing da Mondelez International e 

da Cadbury.