quinta-feira, setembro 14, 2017

nunca a nosso publicidade foi tão educativa(leia-se deseducativa) *



Sempre criticamos a Publicidade por esconder suas secretas pretensões sob camadas de retórica, mitologias, tons pastéis, cores suaves e a atmosfera de um eterno comercial de produtos matinais. Esqueça tudo isso! Em tempos atuais de crise econômica e milhões de desempregados para os quais a solução inevitável apontada são o empreendedorismo, “pejotização”, precarização profissional e trabalho intermitente, a Publicidade brasileira foi convocada para educar as massas através de comerciais francos, duros e agressivos. Ivete Sangalo flerta com “losers” em pontos de ônibus para promover ensino à distância; Luciano Huck e Rodrigo Faro em peças publicitárias de universidades explicitamente afirmam que a profissão de professor é um bico para “aumentar a sua renda”; campanhas do Uber defendem a “uberização” para você ter mais tempo de “fazer o que gosta”; e o banco Santander assertivamente diz que a carteira de trabalho já era e que no lugar ficou uma maquininha de pagamentos com cartões. Bem vindo ao “Brave New World” da publicidade atual.

Houve tempos em que a Publicidade figurava o mundo em tons pastéis como se todo comercial fosse um eterno vídeo de cereais e matinais: “Oh Happy days!”... “Be Happy!” ou qualquer música folk bacana para começar com otimismo o café da manhã.

Professores, intelectuais, pesquisadores ou militantes de esquerda mobilizavam todo um arsenal teórico (linguístico, semiótico, freudo-marxista etc.) para desconstruir e desmascarar as maquinações ideológicas e imperialistas por trás de toda dessa positividade da sociedade de consumo.

 Mas, pelo menos na publicidade brasileira, isso está mudando. Nos tempos atuais de todas as reformas (trabalhistas, previdenciárias, políticas etc.) a toque de caixa e turbinada pelo governo do desinterino Temer em tempos bicudos de crise, inicia-se uma tendência inédita na criação publicitária de abandonar o característico mundo em tons pastéis para partir para os “finalmentes” – e sem mais qualquer firula retórica, semiótica ou sofística. 
Esqueça o mundo em tons pastéis da velha publicidade!

Uma nova tendência, por assim dizer, realista, crua, cortante, como se preparasse o consumidor para a dureza da vida ou para dias piores que estão por vir. Sai os tons pastéis e suaves para entrar cores quentes e com fortes contrastes.

Esqueça os antigos esforços intelectuais para desconstruir mensagens ocultas. A nova tendência é ir direto ao ponto: agora você é desempregado! Agora viverás de bicos! Agora terás que procurar algo que complemente sua renda! Sua carteira de trabalho já era! E seu trabalho doravante é uberizado, intermitente, descontínuo... se tiver!

Estamos nos referindo a cinco peças publicitárias, alinhadas ao atual zeitgeist (o “espírito do tempo”) de empurrar goela abaixo a receita neoliberal que pulveriza o trabalhismo para impor o cada um por si do darwinismo social.

Ivete Sangalo em pontos de ônibus e espelhos lançando olhares amorosos para losers que precisam subir na vida através de cursos de EAD da Laureate Universities; Luciano Huck sugerindo a alunos universitários uma segunda graduação na Faculdade Anhanguera para ser professor e “aumentar a sua renda”; o apresentador Rodrigo Faro dando a mesma sugestão, dessa vez pela UNIPAR; a campanha do aplicativo UBER que afirma que dirigir é a melhor forma para ter tempo para fazer tudo aquilo que você gosta; e por último, mas não menos importante, o comercial da “vermelhinha” do banco Santander, maquininha de cartões apresentada como “a sua nova carteira de trabalho”.


1. Ivete Sangalo flerta com perdedores que querem vencer


Dois vídeos publicitários da EAD Laureate. No primeiro, um assustado e apalermado jovem em um ponto de ônibus vê em um cartaz comercial da Laureate a imagem de Ivete Sangalo ganhar vida e exortá-lo a fazer o EAD da rede de universidades para a “sua carreira decolar”. O ônibus chega e o ainda assustado rapaz sobe os degraus, olha para trás e vê a cantora dar uma última e malandra piscadinha.

E outro vídeo, com outro apalermado loser que acorda assustado com o alarme do rádio-relógio, olha para o espelho e toma um susto: ao invés do seu reflexo, vê a indefectível Ivete Sangalo com a mesma mensagem.

Bem diferente dos antigos vídeos publicitários da EAD Laureate com fábulas edificantes sobre jovens com sonhos que se realizam com a determinação ( embalados com os infalíveis temas musicais ao piano), agora é curto e grosso: você está no ponto de ônibus ou estressado com o alarme do rádio relógio, com olho arregalado e assustado com eventos paranormais. Por isso, você é um loser que precisa subir na vida.

Também é emblemático uma estrela do entretenimento, Ivete Sangalo, ser a garota-propaganda de uma rede de universidades. Sangalo virou uma espécie de equivalente geral da publicidade – já vendeu de tudo, de cosméticos e remédios a carros e marcas de cerveja... e agora educação.

Além de uma questão qualitativa (o entretenimento promovendo a educação), a urgência da mensagem publicitária não está na qualidade do “serviço” educacional. Mas no desespero de você estar no fundo do poço - no ponto de ônibus ou estressado pelo alarme do rádio-relógio.


2. Para Luciano Huck e Rodrigo Faro dar aulas é “bico”


E por falar em entretenimento, Luciano Huck (outro equivalente geral publicitário) e Rodrigo Faro (aspirante a equivalente geral) exortam os jovens a fazer uma segunda graduação de Formação Pedagógica para a atividade de professor ajudar a “aumentar sua renda”.

A reação nas redes sociais em relação às peças publicitárias foi negativa – sugere menosprezo à profissão de professor ao reduzi-la a um bico para aumentar a renda do mês. Tanto a Anhanguera como a UNIPAR divulgaram pedidos de desculpas protocolares (aliás, idênticos) pela “mensagem equivocada” e reafirmando que a docência “é o caminho para o desenvolvimento social e econômico”.

Uma “mensagem equivocada” (ou ato falho?) que sincronicamente é cometida no momento da destruição da CLT, a proposta de uberização da educação (clique aqui para a notícia) e a perspectiva generalizada de trabalho intermitente, “pejotização” e terceirizações radicais.

Mais um exemplo da publicidade brasileira atual atravessando agressivamente os umbrais da sinceridade: no final, o ato falho da peça publicitária revela o projeto secreto de grupos como Kroton e da norte-americana Laureate Universities – a gestão educacional por planilhas na estrita filosofia da relação custo-benefício.


3. “Uberização” é questão de ter tempo


E por falar em uberização, nada mais explícito do que as peças publicitárias do Uber – afinal, o modelo universal das futuras relações trabalhistas para todas as profissões: precarização, trabalho desregulamentado, salários miseráveis e patrões invisíveis escondidos pelas plataformas tecnológicas e transações econômicas misteriosas na sombra do espaço digital.

“Dirijo para me dedicar a música”, diz um jovem segurando um violão; “Dirijo para cuidar da minha família”, afirma uma sorridente mulher madura. São algumas peças publicitárias colocadas em pontos de ônibus (claro, é ali que os “losers” refletem sobre sua própria miséria, como a Laureate nos ensina) para eufemisticamente fazer o elogio dos bicos profissionais.

Mas que atmosfera respira essa sinceridade bruta das atuais peças publicitárias? Certamente a do sentimento de terra arrasada, o mesmo sentimento que fez milhões de brasileiros correrem para sacar contas inativas do FGTS.

O pensamento da sobrevivência no curto prazo, de viver um dia de cada vez sem pensar no amanhã. Precarizado e sem garantias sociais, o futuro será similar com o que ocorre em países como Japão e Coréia do Sul: idosos morrendo sozinhos pelo empobrecimento e desigualdade por simplesmente terem sido deixados para trás na luta darwinista social.


4. Para o Santander carteira de trabalho já era!


Mas talvez a sinceridade mais brutal esteja na peça publicitária do banco Santander – afinal, o sistema financeiro é a entidade com a lógica mais fria e agressiva, sob a sombra da tecnologia digital.

Criado pela agência Talent Marcel, o comercial promove a maquininha de cartões (a “vermelhinha”) da Getnet, empresa de tecnologia de meios de pagamento do grupo Santander - veja o vídeo abaixo.   

Nas primeiras imagens, uma surrada carteira de trabalho sendo jogada no fundo de uma gaveta. Por que? “Pode ser pela vocação, falta de um empurrãozinho, a crise, uma puxada de tapete... mas o fato é que você virou EMPREENDEDOR!”, e a gaveta é fechada como se ali o passado fosse encerrado e esquecido.

O eufemismo é explícito: desempregados viraram “empreendedores”. Solução? A vermelhinha para fechar mais negócios com cartões. E decreta de uma forma sinistra sob uma narração com um tom entre o sarcasmo e agressividade: “não importa o que te trouxe até aqui... essa é a sua nova carteira de trabalho!”.

São exemplos de uma tendência publicitária atual sem retórica, com alguns eufemismos, mas direta, agressiva, como fosse a nova pedagogia para as massas em tempos ainda mais difíceis que se avizinham. Uma publicidade que parece ter perdido a vergonha ou pudores. Não tem mais tons pastéis ou “Oh Happy days!” para dourar a pílula. Agora vai a seco!

Definitivamente, é o zeitgeist contemporâneo no qual, por exemplo, nazifascistas perderam a vergonha e dão às caras de forma franca nas ruas e redes sociais. E até elegem presidentes...

 

*Publicidade brasileira convocada para educar as massas no "Brave New World", por wilson roberto vieira ferreira, em seu cinegnose


sexta-feira, setembro 01, 2017

cada qual deve lutar de sua trincheira, mesmo que ela seja uma banheira - se ela é furada ou não isto é por sua própria conta e risco

nicanor parra, poeta, matemático, físico e intelectual chileno, em sua casa, em santiago 1995
ao expor sua luta entre o " seu estado de intelectual burguês e sua profunda simpatia pelo proletariado como a luta entre o prazer e o dever"*nicanor expõe a fratura de muitos de nós ditos de esquerda(sim, de esquerda, aquilo que hoje parece ser um desvio social, pelo menos se você der ouvidos aos comentários de redes e a bancada da bala, da bíblia e do boi " ("povo marcado, povo feliz")

ainda segundo ele," sua vida são os livros, as viagens, a ciência; mas por outro lado percebe que seu dever é, inevitavelmente, se identificar com o proletariado, e todos os seus esforços levam a essa meta: “ainda estou longe de dar um sentido à vida, mas estou me aproximando disso, e em meus últimos poemas há uma espécie de janela que se abre para essa posição que é crítica, mas que também diz algo”.

”parra sustenta que sua poesia reflete sua posição ambígua entre duas classes sociais, o proletariado e a burguesia: “é a poesia da classe média chilena, do pequeno burguês consciente. eu me declaro marxista, mas não sou um comunista militante, e não sou porque estou ‘apoltronado’. não sirvo para a luta, para comícios, nem para sair com um cartaz numa manifestação. eu só posso lutar da minha poltrona de intelectual. porém, meu amor está no proletariado”.

considerando estas palavras vindas de uma entrevista dos anos 60, muitas ilações podem ser feitas, inclusive a de que a esquerda brasileira atual não morre de amores pelo proletariado - pelo menos não tanto como a dos anos 60 - não sem antes amar a si própria, com certa timidez, e como se pudesse existir entre livros, viagens, e o intelecto, distante do povo que nem sempre a compreende - também pudera o discurso é ininteligível à "populéia"(a recíproca é verdadeira), sem ter a consciência do peso pequeno burguês que carrega, neste brasil, onde o povo anda-a corneando a chifres e passos largos para o abismo social que se nos apresenta, cuja culpa não pode ser tão-somente creditada aos desvios e erros da esquerda mas a uma desconcertante superioridade da direita para conspurcar até mesmo as ações de esquerda que muitos reconhecem bem intencionadas (de boa intenção, a esquerda estaria agora vazia ?) 

a questão não é nova, e diversos teóricos - se você não os leu, não vai valer a pena serem citados. e se leu, e não lembra, fodeu -  já abordaram o tema, que permanece renitente quando as ações do homo politicus do pequeno burguês de esquerda, esbarra na encruzilhada que não une, mas sim divide, o sentimento de solidariedade e simpatia(muitas vezes demagógicas) pela classe e o compromisso de classe propriamente dito, que nem a própria classe respeita, já que o nosso proletariado muitas vezes não se reconhece como tal, até quando se asfixia com a votação na direita;

derivações à parte, talvez pretexto para aqui chegar, a poesia de nicanor, considerado um mestre da anti-poesia, não deixa dúvidas de que lado ele está.

a dúvida está em de que lado está agora aqueles em que nós confiamos, incluindo a nos próprios(se não confiamos em nós próprios, fodeu).


agora, um pouco da poesia(ou anti-poesia, como queiram) de parra, que só agora, aos 103 anos(sim o poeta está vivo)  foi traduzido para o brasil, apesar de várias vezes indicado ao nobel, um premio pequeno burguês, como todo premio - e de sua irmã, violeta no vídeo mais abaixo.


A MONTANHA RUSSA
Durante meio século

A poesia foi

O paraíso do tonto solene

Até que vim eu

E me instalei com minha montanha russa.

Subam, se lhes parece.

Claro que não respondo se descerem

Vertendo sangue pela boca e nariz.




ADVERTÊNCIAS 

Proíbe-se rezar, espirrar,
Cuspir, elogiar, ajoelhar,
Venerar, grunhir, expectorar.

Neste recinto é proibido dormir
Inocular, falar, excomungar
Compor, fugir, interceptar.

Rigorosamente proíbe-se correr.
É proibido fumar e fornicar.
(tradução de frank morais)

PAI NOSSO

Pai nosso que estás no céu
Cheio de todo tipo de problemas
Com o cenho franzido
Como se fosses um homem vulgar e comum
Não penses em nós.

Compreendemos que sofres
Porque não podes consertar as coisas.
Sabemos que o Demônio não te deixa tranquilo
Desconstruindo o que constróis.

Ele se ri de ti
Mas nós choramos contigo:
Não te preocupes com suas risadas diabólicas.

Pai nosso que estás onde estás
Rodeado de anjos desleais
Sinceramente: não sofras mais por nós
Tens de perceber 
Que os deuses não são infalíveis
E que nós perdoamos tudo.
(tradução de carlos machado)
                                                              






             

*trechos aspeados fazem parte de entrevista transcrita in opera mundi(brasil)e publicada originalmente na revista ercília(chile)

terça-feira, agosto 29, 2017

sinal fechado *


Nossa geração teve pouco tempo
começou pelo fim
mas foi bela a nossa procura
ah! moça, como foi bela a nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta. 

(idílica estudantil, alex polari)

como já dizia uma velha canção do rádio, de um antigo compositor cearense, "eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens"(imagine para os velhinhos).

logo eles, que queimaram, furaram, avançaram, sobre todos os sinais que se tornaram monumentos de nossa parte nos erros e acertos; se tornaram os controladores do nosso ir e vir - sentimental, inclusive - sexual já nem falo, dada a mortandade que explode em níveis de guerras mundiais, mas acima de tudo econômico, para nos fazer desistir do mundo que achávamos ser melhor que assim não fosse, atuando no enfraquecimento das crianças, na dormência dos jovens, e na execução por morte civil dos nossos velhinhos.

já não formamos barricadas com nossas jaquetas azuis. nosso espírito foi desarmado, entorpecido, amordaçado, confiscado, trocado por delações vantajosas e vantagens de pequeno porte, que também significam cooptação a um modelo de vida que nos sufoca pelas nossas próprias mãos. e pela compressão das ideias que um dia levantaram nossas cabeças e nossos ombros.

o espírito de batalha dos nossos blue jeans, que um dia foram manchados de sangue, e ainda mais torturados que em suas lavagens originais, ainda resistiram, aqui e ali, mesmo que em baus de sonhos e cabides relegados a porões de brechós de quinta. nós não. somos mercado e mercadoria de shoppings. nossa preocupação agora é encontrar vaga no estacionamento. e não em pegar a estrada.

nossa música foi dispersada, maldita. nossos ídolos já não são os mesmos, apesar de ainda serem o que foram, e o que são. e os hits de cavalgaduras que se dizem cavaleiros ocupam todo o espaço que um dia foi só poesia e canção. por cima de queda, coice.

a mediocridade prima-irmã da insanidade e violência clama ainda mais pelo sinal verde. o mesmo que fardado um dia quis nos obrigar a rezar em ordem unida, altivando-se em dizer que ali estava para combater o vermelho. e tivemos um dos mais vermelhos período de nossas curtas vidas perdidas e desaparecidas naqueles anos de chumbo líquido sobre nosso sexo.

e mesmo assim, cá estamos nós. neste exato momento ainda parados diante do sinal fechado. não o da ruas; porque nesse, se parar-mos, morremos na hora. mas no stop do pensamento onde há um não que assedia um sim, que teima em nos dizer que é possível desembainhar a inteligência, como arma, a coragem, como veículo, e a ousadia, de se reinventar estratégias de luta, para por abaixo tudo que ai de novo volta para nos fechar o sinal.

ainda que a terra ande cada vez mais cinza, e os ainda combatentes cada vez mais grisalhos, num planeta de ar cada vez mais irrespirável, nós que fizemos nossa parte, também deixando de fumar, ainda cabemos no feitio de torná-la azul mais uma vez. mas desta vez não basta vestir o blue-jeans novamente . desta vez, se quisermos mesmo conseguir, vamos ter de fazer mais. bem mais até que uma luta armada.

porque depois do sinal fechado, ainda restam as barreiras. e são estas que tem que ser definitivamente eliminadas.

caso contrário. sinal fechado, porteira fechada, vida encerrada, política morta, sexo idem. escravidão oficializada novamente. e os poucos que resistirem, executados no acostamento, novamente sem direito a passagem pelo IML.

enquanto isso, na viatura policial, sirene no volume máximo, amplificador do rádio idem. enquanto soldados se divertem pra ver quem se esgoela mais que os mais novos sertanejos universitários do pedaço. sirene, viatura, rádio, amplificador, soldados, sertanejos universitários, todos unidos no cumprimento do seu papel, do seu dever, com direito a claque e louvores a jesus.

eis o resumo da ópera daltônica: enquanto adormecido o pensamento, empacados os moinhos, empacada a grande roda da história. empacados os cadáveres mortos ou vivos.

por isso baby, não compre os (tele)jornais. eles também estão fechados para nós.


               

      * publicado originalmente no misterwalk.blogspot.com e no celsomunizpress.blogspot.com

segunda-feira, agosto 28, 2017

no geral e no particular *




três expressões são fundamentais na performance publicitária em todos os sentidos e departamentos. e nenhuma destas três expressões não são, e nunca o serão, ensinadas em nenhuma faculdade de publicidade, no que daí aumenta o meu notório descrédito a estes filisteus do ensino.

são elas: do caralho, vai dar merda e fudeu. que se torna fodeu nos casos ainda mais graves.

quando as coisas estão na esfera do caralho, tudo ou quase tudo, está em má dieta ou seja acima das normas. e bem longe das outras duas expressões(vai dar merda e fodeu). é o título do caralho,o texto do caralho,o leiaute do caralho,a campanha do caralho, o cliente do caralho, o fornecedor do caralho, a secretária do caralho,o filme do caralho.do caralho é bom.muito bom, claro que há as coisas ainda melhores, as do grande caralho.é bom, mas há ressalvas quanto ao caralho do atendimento/planejamento.aliás,nunca vi um atendimento do caralho(nem planejamento). muito embora algumas vezes isso se diga em tom de gozação, principalmente com as atendimentos, na verdade assistentes, boas pra caralho(e só).na enorme maioria das vezes, uma enormidade do caralho, sobrava para o atendimento o caralho enviesado. mudar o título um caralho!, o cliente pediu é o caralho, planejamento é o caralho ou, vai-te pro caralho, no que se depreende que caralho e atendimento se dão bem às avessas.

já vai dar merda,é um sinal amarelo.que, como o dito cujo, ninguém respeita. são incontáveis as vezes que alguém pressente - até o motoqueiro da agência - que vai dar merda. qual o quê. segue-se em frente e isto vai desembocar na terceira e das mais terríveis expressões da publicidade. a expressão que finda o trabalho e a história de tanta gente. porque depois desta não há caminho de volta, exceto para os que possuem um talento - ou lábia - do caralho. quando fodeu,fodeu; quando dá merda, ainda dá-se um jeito. e onde o vai dar merda acontece quase sempre?  nas segundas e nas sextas, nas sessões de fotos com a modelo, quase nunca profissional, que é amante do cliente - supermercados de bairro adoram isto - nas revisões de ofertas do varejo, nas festas de aniversário de fim de ano, nas filmagens na praia, nas reuniões de pauta, nas apresentações da agência para clientes estrangeiros,nos spots de rádio entregues a estagiários, nas campanhas para  repartição pública, no assédio a estagiária teen, na campanha política, no teste de aprovação de atores, na gravação de comerciais urbanos. enfim: em tudo ou nada do que já se sabia estava incubado no ar da pretensão, da covardia e do amadorismo, o que inclui a soberba de alguns que se julgam acima dos deuses da profissão, que mais desgraçam do que salvam. mas mesmo assim, as merdas são feitas. pois são atávicas à profissão.

e se deu merda, fudeu. quando alguém diz fudeu!, é bom sair de perto, pois invariavelmente sobra pra você e aí, quando sobra, fodeu.

quando o fudido é bom de foda, ele escapa momentaneamente. mas não se engane. logo logo ele estará  no rol dos fudidos e mal pagos. e quando se dá o tão fudido e famigerado fodeu?

como alguém disse antes, o fodeu, grau maximo do fudeu, começa quando não se escuta o aviso - muitas vezes interior - do vai dar merda. se vai dar merda, então já é meia foda.

fodeu quando contas são perdidas - o passaralho costuma vir junto beliscar o seu piloro - fodeu porque cheio dos ares de criativo e artista, mais para woody allen do que para  brad pitt, você comeu a mulher ou a filha - do diretor da agência. ou quando você ignorou o aviso de reservado para a diretoria e porrou o porsche do diretor financeiro com seu jeep velho de guerra( se for numa agência menor, baixe o status dos carros- o jeep continua -e aumente o peso do fodeu. e aí entenda: quem se fodeu, literalmente, foi você e o porsche. o jeep não se fode(só a nossa paciência).fodeu quando você foi contratado porque disse que vindo para a agência os clientes vinham com você e não vieram - muitas vezes eles fazem isso para lhe fuder mesmo - fodeu quando você chupou conceito do anúncio daquele anuário que segundo você ninguém nem lê. fodeu quando você colocou peças de outro no seu portfólio. fodeu quando sua ida a cannes foi cortada com uma desculpa de merda. fodeu quando você faz noitadas para caralho e alguém está fodendo sua mulher ou seu marido em seu lugar. fodeu quando você chega a conclusão de que é muito foda viver assim e que não aguenta mais ser tão fudido.

contudo, se ainda assim fodido - menos por violação de direitos autorais, esta fudição é eterna - você achar que esta é uma profissão do caralho, então és mesmo um fudido com algumas boas chances de ser um fudido do caralho.  até porque muita gente antes de botar pra foder(alguns botam pra foder em muita gente e só) e se tornarem uns publicitários do caralho, do grande caralho, fuderam-se pelo menos umas duas ou três vezes por mais que soubessem que não iam dar em merda.

de merda que seja,eu,por exemplo,me fodo pra caralho até hoje. e olhe que nem fiz tanta merda assim - também nao fiz tanta coisa do caralho. e do grande caralho, fiz mas me fudi, porque meu nome não podia ser divulgado associado as peças - e tampouco aos prêmios. mas, mesmo os prêmios do caralho eu nem faço assim uma questão do caralho. então, modesto, pra caralho of course, posso dizer que me basta saber um fodido do grande caralhinho ou um fodidinho do caralho. o grande ainda não me cabe. mas publicitários não costumam fazer auto-criticas do caralho. e do grande caralho, menos ainda.

(p.s. quando comecei a escrever isto aqui eu sabia que ia dar em merda. agora fodeu).

* originalmente publicado aqui no cemgraus em 16 ago 2012 e republicado agora só pra chatear os sacripantas do storytelling. pilantras fodidos do caralho.

quinta-feira, agosto 24, 2017

em qual realidade o seu canal sintetiza a imagem que você sintoniza, ou melhor que sintoniza com você ? *

Três didáticos casos sobre o alcance da atual guerra híbrida que a esquerda parece fingir que não existe, encastelada na sua “estratégia política” ao dar corda para o desinterino Temer supostamente se enforcar: o porquê das panelas não baterem mais; o “conto maravilhoso” do ex-executivo que virou sem teto; e a minissérie da TV Globo “Sob Pressão”. Três pequenos casos exemplares de como as bombas semióticas, mobilizadas pela guerra híbrida, constroem a atual mitologia meritocrática que vige no País legitimando as reformas do ensino, trabalhista e previdenciária – uma mitologia que não nega a realidade, mas a pontua através da ficção, despolitizando o debate e normatizando a crise como fosse mais um desses desafios que surgem em nossas vidas, somente superados pelo esforço pessoal.


.

Em postagem anterior (clique aqui) este humilde blogueiro abordou um aspecto bem particular da atual guerra híbrida travada no Brasil: a construção do perfil etnográfico urbano que chamo de “simples descolados” – a nova e sustentável versão do antigo “coxinha” de camisetas polo Lacoste do século passado.

Principalmente como esse perfil cresceu num momento de radicalização e polarização política a partir de 2013 no sistemático processo de esfacelamento da democracia brasileira.

Dentro da guerra simbólica o “simples descolado” foi uma resposta ao neo-desenvolvimentismo dos governos trabalhistas e a inserção da classe C no consumo, enquanto os “simples descolados” começavam a resgatar como “chic” tudo que era “popular”, “de raiz”, por meio de eufemismos como o “orgânico”, o “sustentável” etc.

 E como a grande mídia criou uma nova “mitologia gastronômica”, combinando o “despretensioso” e a “simplicidade” com o ideário meritocrático e empreendedor – preparando o terreno para o momento atual no qual desempregados destituídos de direitos trabalhistas veem como única saída o “empreendedorismo”: a fé religiosa no momento em que a força de trabalho se converta em capital – assim como na Eucaristia o pão e o vinho se transubstanciam no corpo e sangue de Cristo.

A postagem recebeu algumas críticas de leitores de esquerda: “punheta retórica sem sentido”... “não admira que a esquerda tenha perdido o apoio do povão”... “deixa o povo cozinhar, gozar...” entre outras “observações”.

Ele já sabia...

“A gente vai se livrar dessa raça”


Em 2005 o senador catarinense Jorge Bornhausen, em meio ao início da crise política do mensalão que culminaria 11 anos depois no impeachment de Dilma, foi profético: “porque a gente vai se livrar dessa raça, por, pelo menos, 30 anos”. Parece que o senador já sabia de antemão dos planos traçados pela guerra híbrida - cuja tecnologia de ação direta e midiática foi importada diretamente do Departamento de Estado dos EUA.

“Observações” como as citadas acima parecem comprovar que até agora a esquerda não conseguiu entender que o golpe político, a imposição da atual agenda da destruição dos direitos e o possível adiamento das eleições de 2018 (sentida pelos “balões de ensaio” jogados aqui e ali no noticiário, principalmente econômico) não ocorreu no vácuo. E muito menos por “erro de cálculo” político ou “de estratégia” dos governos petistas.

 Em postagens passadas, vimos como as bombas semióticas detonadas pela guerra híbrida alimentaram as hostes do neoconservadorismo por meio da criação de um novo conjunto de perfis etnográficos urbanos: “simples descolados”, “novos tradicionalistas”, “coxinhas 2.0”, “rinocerontes” etc. Novos hábitos de consumo, atitudes, valores etc. que combinavam a “sustentabilidade sustentável” do ecologicamente correto com as velhas teses neoliberais da Escola de Chicago e Austríaca de Friedman e Hayek.

Enquanto a “sombra das maiorias silenciosas” assistiu e assiste bestializada a tudo (clique aqui), nas classes médias cresceu essa “massa crítica” neoconservadora que bateu panelas, vestiu camisas amarelas da CBF enquanto black blocs performavam a ensaiada tática (onde será que eles ensaiaram?) de ação direta nas ruas.

Por devoção à paciência e didatismo, este Cinegnose vai apresentar três pequenos e educativos exemplos de como funciona a guerra híbrida e detonação de bombas semióticas no campo de batalha da opinião pública: o porquê das panelas não bateram mais, mesmo com o escárnio diário das ações do desinterino Michel Temer para se blindar das acusações do Ministério Público Federal; a pequena fábula do ex-executivo morador de rua e a minissérie da TV Globo Sob Pressão.  


1. Por que as panelas não batem mais?


As esquerdas acusam os paneleiros de “hipócritas” e “envergonhados”. Não batem mais panelas supostamente por vergonha, arrependimento: “olha no que deu!”...

Para as esquerdas, essa é uma percepção conveniente. Com isso, viram as costas à questão da guerra híbrida que não querem enfrenta-la. E resumem a questão do “silêncio das panelas” a “paneleiros massas de manobra”. A eles a imputação moral da culpa e vergonha.

Mas a guerra híbrida não é uma questão de moralidade mas de logística e pragmatismo, como apresenta de uma forma extremamente didática o filme Mera Coincidência (Wag The Dog, 1997).

Para quem não se lembra ou nunca assistiu ao filme, Meera Coincidência acompanha os problemas do presidente dos EUA que, na reta final da campanha à reeleição, envolve-se num escândalo sexual com uma adolescente.

O presidente convoca um conselheiro especializado em contra ações de marketing (Robert De Niro) que precisa reverter a agenda a poucos dias do final da campanha: contrata um produtor de Hollywood (Dustin Hoffman) para produzir uma guerra fictícia contra um país supostamente promotor do terrorismo internacional, a Albânia. Heróis, jingles, campanhas cívicas, vídeo clipes etc., uma verdadeira campanha promocional é criada para que a mídia morda a isca.

A certa altura, o produtor inventa o drama de um soldado norte-americano mantido prisioneiro pelos albaneses, o sargento William Schumann. Como o sobrenome rima com “shoe” (sapato), inventaram uma ação de marketing para criar um apoio melodramático ao suposto drama do militar americano mantido em cativeiro - assista a sequência abaixo.


Robert De Niro e Dustin Hoffman saem no meio da noite para jogar sapatos velhos nos fios e postes. Um menino observa curioso, e Hoffman fala: “espalhe para os outros garotos”. Pronto! Em pouco tempo, toda América jogava sapatos velhos na fiação urbana como apoio simbólico ao sargento “old shoes”, prisioneiro dos malignos terroristas albaneses.

Panelaços começaram dessa maneira no Chile em 1971 como estratégia de guerra híbrida para a derrubada do governo de Salvador Allende. E com o mesmomodus operandi: bateções de panelas repercutidos pela grande mídia. Para quê? Para criar o efeito de imitação através da chamada “espiral do silêncio” – a compulsão mimética do indivíduo querer fazer parte de uma suposta maioria.

A esquerda racionalizou, ou melhor, tentou colocar o fenômeno dos panelaços brasileiros, dentro de uma narrativa: é a luta dos “ricos contra os pobres”.

Na verdade, os ricos ganharam muito dinheiro na era Lula. Quem batia panela eram as classes médias cujo psiquismo é por essência conformista e louco para participar de “ondas” – Freud via por trás adesão a uma suposta maioria o medo da solidão: pior que a morte, o que o indivíduo mais teme é a solidão. Aderir à maioria seria uma forma de atrair o amor e a aprovação dos outros para si.

Panelaços não mais acontecem porque simplesmente o contexto passou (como uma “ola” em um estádio) e a logística da guerra híbrida deixou em stand byessa ação de marketing. Enquanto a esquerda ideologiza, a direita é pragmática – quando quer, a qualquer momento, liga o motor da espiral do silêncio.

Foto: Mauro Pimentel/AFP

2. O conto maravilhoso do executivo que virou sem teto  


Perdido em um portal de notícias, a edificante história de um ex-executivo, gerente de Recursos Humanos de várias empresas, que vive há um ano meio na ruas do Rio de Janeiro sem dinheiro para pagar aluguel. Perdeu o emprego em 2015 e hoje dorme em frente ao aeroporto Santos Dumont e deixa seus pertences em uma agência bancária na qual tem conta – clique aqui.

Analisa ofertas de trabalho em seu laptop graças ao Wi-Fi do aeroporto. A matéria descreve que ele traja “camisa social e tênis moderno” e “não aparenta ser um dos milhares de sem-teto da cidade”.

Segundo o texto, o ex-executivo acredita “que isso é algo passageiro e se esforça para não deixar a peteca cair” e diz preferir “ficar isolado porque se me juntar com outros sem-teto posso conviver com coisas como drogas e sujeira”. E ainda descreve que ele “tem perfil no Facebook onde aparece de terno e gravata”.

O texto é um primor de narratologia que lembra a chamada Morfologia do Conto Maravilhoso do pesquisador Vladimir Propp (1895-1970): a separação brutal(crise, desemprego), morte simbólica (ex-executivo sem-teto) e renascimento simbólico (não deixar a “peteca cair” – “faz exercícios físicos, lê em cafés e livrarias”, não se deixar contaminar por “drogas e sujeira” etc.).

Tudo para elevar a moral da tropa através da mitologia do mérito e do esforço pessoal. A crise, que deveria ser o momento de crítica e reflexão, é normatizada através dessas fábulas de esforço e superação.

Como o semiólogo francês Roland Barthes observava, a operação linguística básica das mitologias é esvaziar a História (a estrutura política e social) para transformá-la em Natureza – naturalmente dificuldades sempre existirão na vida. E estas existem para serem superadas.

Pegue uma notícia (um ex-executivo sem-teto) em um contexto atual (14 milhões de desempregados) transforme em um conto maravilhoso de superação no qual uma pessoa (transformada em personagem exemplar) se sobrepõe aos milhões de desempregados.

Resultado: tudo parece decorrer da natureza das coisas, uma estranha normalidade tranquilizadora na qual o esforço pessoal (ele não se deixa contaminar por drogas e sujeira) é mais importante do que qualquer questionamento do porquê repentinamente surgem milhões de desempregados.

Mais uma bomba semiótica normatizadora do conto maravilhoso com uma importante lição de moral despolitizadora: “fiquem tranquilos, é tudo passageiro! Só depende do esforço e mérito individual.


3. Sob Pressão


Em meio às notícias diárias da extinção de farmácias populares e de hospitais públicos fechando setores como maternidade ou pronto-socorro por falta de insumos hospitalares mais básicos, eis que a atenta teledramaturgia da TV Globo entra em ação com a sua estratégia semiótica de sempre pontuar as mazelas nacionais com a ficção televisiva.

Com a minissérie Sob Pressão, a emissora transforma a atual crise que gera milhões de desempregados e desmanche da saúde pública em thriller hospitalar.

Segundo a Globo o seriado “expõe a realidade da saúde pública por meio de dilemas vivido pelo protagonista, o médico cirurgião Evandro (Júlio Andrade), e por outros médicos como Carolina (Marjorie Estiano)”.

Evandro é quase um MacGyver que lida com a falta de tudo para salvar vidas – como, por exemplo, a falta de drenos para um paciente, resolvida com uma mangueira que encontra pelo hospital, corta em pedaços, desinfeta e faz dela os drenos que precisa.

Claro que nesse drama todo dos pacientes em hospitais públicos sob a política geral de desmanche, sobrepõem-se as tensões das relações pessoais, afetivas e amorosas, dos próprios médicos.


Normatizar a realidade por meio da ficção: a “crise” é uma dessas vicissitudes da vida que de repente cai sobre nossas cabeças para nos desafiar – só depende de nós a superação e o esforço.

A minissérie Sob Pressão é mais um “conto maravilhoso” dentro do atual evangelho meritocrático que atualmente vige no País – narrativa que legitima a atual agenda de mandar às favas todas garantias e direitos sociais por meio de “reformas” trabalhistas, previdenciárias e políticas.

Esses três pequenos exemplos são apenas amostras do alcance da atual guerra híbrida. Ela é insidiosa porque paradoxalmente não nega a realidade. A guerra híbrida não censura ou mente: ela mostra a realidade, porém sob a narrativa ficcional que se transformam em mitologias que esvaziam a História e despolitiza o debate. OCinegnose chama isso de “bombas semióticas”.

Logística semiótica diante da qual a esquerda parece virar as costas, acreditando que tudo será resolvido por “estratégias políticas”, como, por exemplo, “soltar a corda para o Temer se enforcar”. E que nas próximas eleições tudo será sanado.

Sabendo-se que o atual Congresso já deu reiteradas provas de que não conhece limites e pudores, é questão de se colocar sob risco a possibilidade de eleições para o ano que vem...

* Três didáticos casos de guerra híbrida e bombas semióticas que a esquerda finge não ver, do wilson roberto vieira ferreira, in http://cinegnose.blogspot.com.br


se você gostou, discordou, ou encafifou leia mais(basta clicar)