sábado, dezembro 29, 2012

continua ou melhor está cada vez pior



Até que ponto a crise da propaganda brasileira se deve à revolução tecnológica, a qual detonou e fragmentou a mídia em tantos pedaços que não dá mais para se ter uma visão do conjunto? Tenho minhas dúvidas.

Acho que muita coisa mudou, sim. Muitas para pior. Por exemplo, será que ninguém percebe quanto dinheiro as empresas multinacionais estão jogando fora, por causa da discutível noção de que é mais barato criar e produzir uma só campanha, em Peoria, Illinois – ou em Londres ou Paris – e tentar traduzi-la e veiculá-la pelo mundo a fora?

Grandes e belos anunciantes – como a Shell, a IBM ou o Citibank –, os quais se destacaram por campanhas que se tornaram referência na propaganda brasileira, hoje veiculam, na TV, filmes dublados, incompreensíveis e irreconhecíveis, que certamente nada vendem nem contribuem para a imagem institucional que construíram no Brasil durante mais de meio século.

Empresas tradicionais, no Brasil, como a Nestlé (suíça) e a Philips (holandesa) chegaram ao cúmulo de usar, na sua comunicação, slogans em inglês – "Good Food Good Life" e "Sense and Simplicity". Assim, abriram mão de serem meramente entendidos pelos 90% da nossa população que é monoglota.

Mas os estrangeiros e o tolo "alinhamento" de agências, que asfixia as agências locais, não são os únicos culpados.

Por necessidade de trabalho, assisto a muita TV, que ainda é a mídia líder para se falar com o consumidor brasileiro, e morro de saudades dos comerciais das Almap, DPZ, Artplan, das agências baianas, e até da Standard, dos anos 70 e 80.

Parece-me que metade de todos os comerciais produzidos para qualquer produto ou serviço, atualmente, no Brasil, recorrem a uma criança supostamente engraçadinha (mas, de fato, "ardida") para vender automóveis, iogurte, telefonia, convenções em Recife, livros, medicamentos, roupa, tudo.

A outra metade parece ser de comerciais de varejão, tipo hard sell. E muitos agridem o consumidor, como os balbucios para Pepsi e para Brahma; o pai com nariz de palhaço, atacado pela família; o gago retardado da Intelig... uma tristeza.

Não veremos, de novo, tão cedo, um orelhão assassinado ou um primeiro sutiã. Acho que nem mesmo outra série dos Mamíferos. Chegamos à Terra Indesejada.

E não é só a TV. O rádio insiste em veicular trilhas da TV, que ninguém entende, para o cliente não gastar dois tostões a mais e a agência ter menos trabalho. Muitos planos de mídia parecem feitos por maníacos compulsivos.

A maioria dos sites da internet parecem ser o resultado de uma conspiração entre o diretor financeiro, a pessoa de RH e o chefe da manutenção elétrica.

Nenhuma sensibilidade para as emoções do consumidor, nenhum marketing, nenhuma propaganda, daquela antiga e boa, a qual levava em consideração que dos dois lados do processo comunicante há gente, pessoas, seres humanos que nada mudaram em 600 séculos de civilização.

Envolvi-me pessoalmente na elaboração da edição da Revista da ESPM, sobre "A nova Propaganda e as novas formas de Comunicação", durante cerca de três meses e cheguei ao seu fechamento com uma certeza, adquirida nesses três meses e outros 50 anos ou mais: no mundo da nova propaganda, haverá ainda muito espaço para talento, dedicação, esforço, seriedade e conhecimento.

 

( a nova propaganda anda ruim. do j.roberto whitaker penteado, escrito em 2006) 

o mais grave é que a cada ano que passa piora, todo mundo sabe disso, ninguém confessa mas sabe, e a atividade perde-se em falsas grandezas por não cultivar as de verdade, a começar da própria. e claro, há sempre a figura do early adopters dizendo que os mais velhos não se conformam com as mudanças tecnológicas. não é a mudança que nos torna inconformados. é o gosto de merda, simples assim. devolvam o sabor da propaganda bem temperada e até podemos tomar todas na mesma mesa. por enquanto fede de longe e mais ainda de perto.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

aos mortos-vivos ou àqueles que ainda respiram ideias

O mundo não acabou, mas o consumidor morreu




Liberte-se a dispensa de comida enlatada e liofilizada. Bebam-se os garrafões e as banheiras de água potável e rasguem-se os planos A, B e C de fuga para a aldeia onde temos aquele pedaço precioso de horta. Sofia, podes guardar o teu dente de ouro porque não vais precisar de o trocar pela entrada num abrigo nuclear. O dia 21 começou e o mundo não acabou. Parece que afinal quem morreu foi o do costume, para nos servir daqui a uns dias: o perú. Esse e o Consumidor. Com certeza que todos já deram pelo seu desaparecimento.

Deste acontecimento apocalíptico que é a morte do Consumidor e que marca o fim de uma era nas marcas, assistimos a duas formas distintas de expressão. Muitas ainda tentam desesperadamente alimentar-se do cadáver. Ainda o abanam na esperança que dê mais um fôlego. Ainda lhe encostam a cabeça ao peito a chorar. Mas existem aquelas outras, as poucas, as gotas, que se dirigem ao novo Ser que nasce das cinzas para começar uma nova era: a pessoa.

Ainda vemos muitos ataques de nostalgia (por vezes com toques tão poéticos de saudosismo que nos fazem acreditar que ainda vivemos nesses tempos) em folhas de briefings, em bocas de clientes e em línguas que falam marketês fluentemente. O Consumidor era aquele que podia ser designado do sexo feminino, que tinha entre 25 a 55 anos, activo, classe média/média alta. Lembram-se? Aquele que ía ao ginásio 2 ou 3 vezes por semana e que conhecia perfeitamente bem as suas marcas. Aquele que não tinha vida mas sim lifestyle, que era naturalmente curioso e que estava sempre na moda.

Já uma pessoa, ou tem 25, ou 55 anos. Ou é uma rapariga, ou uma mulher. É muitas vezes mais activa do que gostaria, paga um ginásio que não frequenta há pelo menos 6 meses e não percebe 80% dos anúncios que vê (porque 80% não são para elas, mas sim para os Consumidores), e isto quando algum tem, pelo menos, o crédito de lhe chamar a atenção. Uma pessoa sabe que a curiosidade não se manipula, desperta-se.

Nos seus últimos tempos de vida, o Consumidor era homem-mulher, e que, como era refém da crise, só olhava para promoções e não fazia compras de impulso. O consumidor não lia. O consumidor era convencido a consumir novelas não pelo prazer de uma boa história, mas sim para ganhar jipes e barras de ouro. Já uma pessoa, fala de um canal chamado TNT, que fez uma acção muito gira chamada "push do add drama". Uma pessoa não só fala dessa história como partilha esse vídeo que correu o mundo e que tem como assinatura um número de likes tão elevado que uma pessoa não sabe pôr em palavras. Uma pessoa junta 600 euros para comprar um telemóvel lindo, mesmo que só ganhe 600 euros por mês. Uma pessoa gosta de coisas bonitas e de romances. Tem paixão por fotografia e não por um photoshop impossível. O consumidor é razão. A pessoa é emoção.

O consumidor queria falar que nem um pato, apesar de uma pessoa até ser feita mais para ouvir, e de simplesmente não perceber o que isso quer dizer. (E note-se que uma pessoa passa o dia a ler).

Os anúncios para consumidores eram divididos em argumentos racionais e/ou emocionais. Já a comunicação feita para uma pessoa é feita com inteligência emocional. Essa capacidade para reconhecer, compreender, ouvir e lidar com os sentimentos e emoções das pessoas.
O consumidor topava-se com estudos de mercado. Já os hábitos de consumo de uma pessoa vêem-se numa ida ao supermercado. O consumidor movia-se pelo verbo consumir. Já o passatempo preferido de qualquer pessoa é rir. O consumidor era boa cábula para vender campanhas. Uma pessoa é um bom desafio para criar boas ideias.

Mesmo antes do final dos tempos, o consumidor já era burro. Era diferente do cliente e do criativo.

A pessoa não. Uma pessoa é naturalmente criativa, mesmo quando essa consciência era abafada pelos consumidores que ainda governavam o país. O consumidor era para satisfazer. Uma pessoa é para surpreender. O consumidor não tinha dúvidas que o seu negócio era dinheiro. Já uma pessoa sabe que o negócio de qualquer empresa, mesmo (e principalmente) se for um governo ou um banco, são pessoas.

Os consumidores que geriam marcas morreram. Minto. Ainda se encontram alguns a respirar como peixes fora de água. Outros mataram-se, quais Maias que voluntariamente sacrificaram os seus aos deuses, tentando evitar o fim dos seus recursos. Deixaram que a ideia de que todos os consumidores estavam reunidos num só aquário os consumisse e atiraram-se para o facebook mesmo sem saberem nadar. E qual não foi a sua surpresa quando aterraram na 1ª colónia feita de pessoas. Engoliram um pirolito fatal quando viram que não estavam no lugar onde o consumidor as pudesse encontrar e automaticamente gostar, mas sim num sítio onde as pessoas gostam de conversar. Uma comunidade e não um media, onde só se partilha aquilo que se quer. Que loucura a do consumidor. É difícil de imaginar que já foi assim.

Até se dizia que o consumidor do futuro iria consumir digital e que os meios iriam ser outros que não mensagens. Que desde que se tivesse bons gadgets, não era preciso boas ideias. E isto tudo porque, como bom consumidor sabia, o avanço da tecnologia iria ser bom porque se falaria mais barato. E barato era a palavra que fazia ferver o sangue do consumidor. Não admira que tenha morrido. E ainda bem.

Ainda bem que o consumidor morreu para uma pessoa poder apreciar optimus momentos de entretenimento na televisão, feitos de optimus budgets. Ainda bem que as dissertações sobre o "digital" não mataram a aldeia global. Ainda bem que ainda há provas de que as pessoas percebem ideias e que gostam delas como do licor de Portugal. Ainda bem que os meios dos costume não são entraves para ideias que rebentam a escala de qualquer moldura. Ainda bem que a Era em que era suposto agradar a manadas de consumidores e que se queimava dinheiro para dizer tudo sem dizer nada acabou. E ainda bem que já tivemos a sorte de assistir a uma pequena demonstração do brilhantismo que pode ser esta nova era das pessoas e feita neste país onde diziam que não se fazia nada.

O consumidor morreu. Morreu pela sua definição: usou-se; gastou-se; desfez-se. E com ele o publicitário. Morreu o gostinho só por ideias possíveis. E ainda bem. Estão pela hora da morte os que procuram conforto seja em campanhas ou em plafonds de automóveis. Chegou a Era das pessoas e com ela a dos criativos.

Se não acredita não faz mal. É um sintoma típico de visão toldada pelo desespero da sobrevivência, que não deixa que se vejam os sintomas necessários ao optimismo. Mas saiba que o sucesso sempre esteve naquele que acredita. E aquele que acredita, é o que acredita quando mais ninguém o faz. E já que agora falamos com pessoas, e ainda bem, recorro a uma frase de um louco chamado Pessoa para lhe deixar a minha mensagem: (sobre)viver não é necessário. O que é necessário é criar.


(susana lourenço, criativa, presumo, em portugal)

sexta-feira, dezembro 07, 2012

não é assim que a banda toca?

primeiro era a solo, quase masturbativo. depois a dupla( sim senhor! já nos anos 50). aí tinham que inventar moda: trinca. e a moda passa. e tome quadras ou quinas ao que chamavam de grupos integrados de criação ou gigs ou jigs se você não sabe se é gerimum ou jerimum. e não me pergunte porque o diminutivo ficou assim.

mas fato é fato e não facto - se você é português vá se acostumando com a dupla grafia quando não significação e o fim das consoantes mudas nesta reforma ortográfica que vai nos deixar ainda mais com a instalaçã trocada - nada substituiu - para melhor - a dupla de criação. uma dupla afiada e bem afinada, é como baixo e bateria. cordas e bom bombão ali na exatidão dos compassos. nada de firulas que tiram o brilho da marcação simples e segura, que revela-se brilhante justamente porque a linha é exata entre harmonia, pegada e sutil improvisação.nada de espalha brasa porque isso é coisa de fantasma para festival.

porém, não é sempre assim que a banda toca. se não há correspondência qualitativa entre a dupla - desnível entre copy, vá lá redator e diretor de arte - a coisa atravessa. e hoje justamente é que mais acontece.

dizem que a palavra morreu. que o copy já era. mas pelo visto a direção de arte também já era. nada na publicidade de hoje lembra os bons tempos de peças stop power: cheias de emoção mas repletas -e bota repletas nisto - de muita técnica e conhecimento acumulado à duras penas por décadas a fio de formação do profissional. hoje, muito acrílico, neón, titânio( que me lembra titanic) mas nada que arrepie. nada que não lhe faça pensar que o resultado equivale a lambança que qualquer nerdzinho de merda faria (logomarca,papelaria e logotipo então, minha nossa, é merda a quilo a preço de chié, que não nos esqueçamos alimenta-se de bosta também).

mas todo este prepúcio é para finalizar com o seguinte: se a dupla é desnivelada - dizem os estudos, na dupla o pior puxa para baixo(na trinca, dizem, os mais fracos seguem o melhor, o que não bate com a teoria do afogamento) - convém ao redator não esboçar vôos(ainda tem acento isto? ou nunca teve;) de parapente se o diretor de arte não salta de escada. certamente a peça vai ficar capenga e com aquele tom de texto mal flambado e um cheirinho assaz peculiar. se o redator é fraco, então não tem jeito. entorne-se daqueles leiautes de foto lambida e logomarca mal parida na colocação(o texto elimine, neste caso é míster, porque justaposição de palavras não é texto mesmo,muito menos publicitário).

de um jeito ou de outro, não se iluda. se a dupla não está a altura - dois mediocres juntos fazem melhor que desnivelados - dê um jeito de procurar outro no seu andaime. caso contrário é queda, geralmente fatal, com multiplas fraturas expostas na obra com cicatrizes na pasta - se é que você ainda tem isso( eu só dental ou melhor dentifrício, para não perder o elã do advertising)

p.s. se o desnivelado for sócio acionista ou parente da direção. peça demissão. vai ser a última rima ruim da sua vida. mas esta vale a pena. agora não insinue que estou afirmando que bom texto rima. não rima. reme contra a maré.

in tempo: uma dupla harmônica - o resultado final é o que importa, os métodos de açoitamento e açodamento são detalhes sórdidos que ninguém precisa saber - ainda é a forma mais perfeita de se chegar ao estágio da banda que toca sem partitura ampliando as possibilidades que o autor sequer imaginara. afinal, criar não é apenas imaginar. é ir muito além do que ou do quem se ou lhe fode.

p.s 2. a ilustração já traz "malandramente" o crédito( em terra de piranha jacaré nada de costas) mas não custa nada reforçar a origem: http://wagnertamanaha.blogspot.com.br/2010_04_01_archive.html onde curiosamente o wagner aborda o tema e sua visão da necessidade da volta da dupla em uníssono. depois de escrever a zonzice acima fui atrás de uma ilustração. detesto aipadis. mas para não parecer agente da sansung deixei passar. sinceramente, não creio que a dupla vá funcionar assim. no cuspe a coisa sempre vai melhor.o que não significa abominar- de todo - novas tecnologias.
 

domingo, novembro 25, 2012

trocando em miúdos

encontro um criativo publicitário, como eu mais ou menos. ele me pergunta onde estou e o que ando fazendo. respondo que não estou. mas estou fazendo. ou pelo menos estou tentando não fazer merda. ele sem pestanejar crava: - então estás desempregado. tás na merda. frila e olhe lá, não é mesmo?  tás fudido não tás? ainda mais com esta idade, heim? quanto é mesmo, 58?

diante de tal argumentação na bôca do estômago, engulho e recolho-me a minha mediocridade. resta-me perguntar: - e você? tudo bem, como vão as coisas? ele, um tanto ou quanto atingido nos ovos de pronto: bem, tô bem. a agência não é lá estas coisas. só temos feito merda. meu diretor de arte é um monolito. a puta do atendimento não vai com a minha cara e o diretor de criação é um viado que só aprova o que faz o estagiário bombado. mas tô bem. parece que vamos aprovar um campanha até que legalzinha. é de varejo. não vai dar cannes. mas acho que pego um neurônio, um colunista, um pernambuco de propaganda. fora isto, sabe com é, a merda de sempre. vou te dizer, é preciso ser herói para trabalhar numa agência feito aquela. caralho! tem horas em que penso que só eu penso naquela porra. ninguém tem uma ideazinha que preste. e quando tem, que sou eu, vem o dono da agência e diz que eu tô perdendo o foco. mas já tenho umas propostas em vista. quando eu for embora eles vão ver o que estão perdendo. ai vão querer que eu volte. só se for como diretor de criação. mas agora tenho que ir. marquei com uma produtora de som pra ouvir o rolo deles. o trabalho é fraquinho, mas a contato se bobear eu como no assovio. té mais. te cuida cara. vê se arranja logo uma vaguinha numa agência que é pra tu sair da merda. na minha não dá, porque só há vaga para um cara bom. e eu já tô lá(rí muito).

e eu digo. o.k. valeu. obrigado pela força. o que é muito sincero da minha parte. afinal, nada como conversar com publicitários do mercado para fortificar a minha auto-estima, cada vez mais convicta de que vale mais estar na merda, fora do mercado, do que atolado nele até o pescoço, quer dizer, até a cabeça. e o salário ó;). mas se você achar isto aqui um afresco de auto-piedade, vai lá na agência do cara quem tem vaga(passo o nome da agência em private). ele acaba de me ligar me informando que "saiu" e se eu "soube" de alguma vaga por ai. 

go ahead! eis uma chance de trocar de merda.



domingo, novembro 18, 2012

como alguém já disse, não é o tamanho da varinha, no caso título, que faz a mágica. mas que impressiona, impressiona. agora marca?


Há nomes de cargos muito estranhos. “Brand voice concept creator” (o título que pode ler aqui mesmo em cima, logo a seguir ao nome) é um deles. “O que é que isso quer dizer na prática?”, pergunta você, pessoa do meio ou curioso da vida... e pergunta muito bem. Eu pego na sua pergunta e junto-lhe outra: porque é que alguém, como eu, que era copy (ou copywriter, o criativo publicitário especializado em escrita) abdica de um título tão simples e famoso e escolhe outro, mais longo e esquisito, se não for por masoquismo?

Ultimamente toda a gente fala de emigração. Eu vou falar-lhe de migração. Uma migração parecida com a das zebras e dos búfalos em África, mas mais cinzenta, porque se passa nas células do mesmo nome.

Em 2006, comecei a sentir que o criativo publicitário clássico estava a enfiar-se num guetto. Repare que falei em “sentir” e não em “saber”. Saber, já eu e toda a gente sabia. Os dados estavam à vista. E todos nós os líamos. Era mais uma peça a juntar ao gigantesco comboio de informações que temos a circular cá dentro. Só que, de vez em quando, e por razões que nos escapam, o nosso corpo faz parar o comboio, tira uma informação da carruagem e promove-a a algo mais complexo, a que damos o nome de sentimento. E é então que a coisa se complica, porque um sentimento é uma criança mimada e obriga-nos a lidar com ele. Foi o que me aconteceu.

Ser “copy”, essa coisa mágica que me tinha orientado durante 13 anos da minha vida profissional, de repente passou a saber a pouco. Como “copy” tinha aprendido a criar para 4 meios (televisão, imprensa, rádio, cartazes exteriores), que entretanto tinham perdido relevância e ganho um ar coçado e batido. Melhorá-los era como tentar melhorar uma máquina de escrever.

Estes ex-“fab four” tinham sido tomados de assalto por um tsunami de novos meios, filhos da internet e das novas tecnologias, já neste século. E para esses meios, os criativos tradicionais não sabiam criar. Parecia que só uma nova estirpe de criativos, nascida sob o signo destes meios, podia oferecer a resposta. Só que essa estirpe estava num estágio de pensamento criativo muito embrionário. Até podiam saber criar para um meio específico, mas depois faltava-lhes a capacidade de dar unidade a dezenas de ideias diferentes, para que a marca ganhasse consistência como um todo. Além disto, havia qualquer coisa de profundamente errada em presumir que todo o conhecimento acumulado, ao longo de cento e tal anos de criação, não servia para nada.

O que é que os criativos publicitários tinham, então, de relevante a oferecer a este mundo novo vocacionado para marcas?

Duas coisas fundamentais (que não dependiam de meios específicos): impacto e conceitos. Criativos sempre tiveram uma obsessão absoluta com chamar a atenção das pessoas – uma metodologia muito saudável e muito útil, nesta era em que envolver as marcas com os consumidores se tornou uma questão de vida ou de morte. E sempre tiveram um talento único para criar aquela “cola“ entre ideias a que chamamos “conceito“. Essa cola que faz com que cada nova ideia, nascida num meio diferente, se integre na marca e lhe dê mais força.

Seguindo este fluxo, tornou-se óbvio que os criativos publicitários deviam mudar de posicionamento: de "criadores de campanhas para tv, imprensa, outdoor e rádio" para "criadores de conceitos", algo mais relevante para o futuro das marcas.

Daqui nasceu o "brand concept creator". É na criatividade do pensamento e não na criatividade de um meio específico que está o nosso futuro. No entanto, como um conceito precisa de ideias concretas para descer à terra, o “brand concept creator” intervém também na criação de centenas de pontos de contacto entre a marca e os consumidores.

Ao “brand concept creator” juntou-se o “voice” (a palavra que faltava ao título compridão) porque, na minha agência, faço parte do departamento de brand voice: os “copies” da voz da marca. Aqui também se fazem (de vez em quando) campanhas clássicas, mas faz-se muito mais. Pega-se na marca desde o começo e leva-se até onde se puder (acredite, o gozo está aqui). Começa-se no nome, na voz, na personalidade, na imagem, mas, quando damos por nós, estamos a criar histórias com personagens, enredos, geografias. Seja em sites, jogos online, apps, redes sociais… onde fizer sentido a marca cruzar-se com as pessoas que ela escolheu para conviver.

Éramos criadores de fragmentos da vida da marca e agora somos criadores da vida toda da marca. De atores passamos a autores. Se a função muda, não me parece que o nome que nos define possa ficar igual.

Ou seja e respondendo à pergunta inicial: o “brand voice concept creator” é o criador de conceitos para a voz das marcas. Por enquanto pode soar estranho, mas o futuro soa sempre assim.

brand voice concept quê ? do RICARDO MIRANDA - brand voice concept creator NA BRANDIA CENTRAL ora pois, pois,.queriam que ele se denominasse o quê? 

misterwalk não resiste e comenta: como alguém já disse, não é o tamanho da" varinha", no caso título ou titulação, que faz a "mágica". mas que impressiona, impressiona. agora marca? gosto do artigo. gosto do autor. mas não gosto da titulação. e não se lhe atribuo a culpa. é que no espaço da publicidade ou da comunicação do marketing de marcas(até nisso complicaram) é tanta treta, tanta necessidade de se mostrar moderno e pós, que sempre se tem a sensação de ih! lá vem mais uma(já chega de 360º (o remake do full agency) por exemplo, sem falar da quantidade de titulações em inglês, num pais(portugal) que costuma ser castiço com a língua mas onde todo gajo de 20 anos chama para si um título/intertítulo in english, of course). quanto a mim, ainda que digam datado, prefiro ser chamado de copy(que não é mero anglicismo)pois que é algo mais que redator. um bom copy já seria pedir demais, eu sei, muito embora faça força para isso. mas força, como títulos, não é o bastante. então fiquemo-nos por profissional de criação. porque se é profissional mesmo, e de criação, o que vier traça -  sempre foi assim. um pouco mais de habilidade para um meio ou outro mas tudo que se espera de um "publicitário" se você é capaz de ter ideias. e por favor não confunda a polpuda e choldra masturbação visual virtual com boas ideias e tampouco furor uterino em urticária com domínio de ativação/ação/especificidade. a web ainda é um território onde há mais imagem de flores do que flores ou frutos(deve ser a quantidade de esterco em demasia). e muito do seu alarde deve-se ao nosso subdesenvolvimento, profissional inclusive, e do emprego de mão de obra infantil( o que na vida jurídica é crime mas na publicitária ou brand não sei mais o quê é percebido, erroneamente, como atestado de conhecimento e eficiência. hum!. boas ideias tem voz. falarão mais alto que os títulos e autores. e até mais do que as próprias marcas. porque elas estarão sempre para além da existência das próprias. sem querer plastificar, acho que nos perdemos quando achamos que estamos au complet a serviço das marcas. deveríamos estar a serviço do humano. marcas, por mais que se diga que não, são apêndices. podemos viver sem elas. já elas, se precisam de um brand voice concept creator, também precisam de algo mais que titulações.

quinta-feira, novembro 15, 2012

quase mantra. não confundir com montra, que é vitrine em portugal

quem quer alcançar objetivos, tem que ter metas.

quem tem metas tem que ter e ser objetivo.

objetivamente falando, metas pressupôem investimento com uso de money, tempo e esforço para valorizar o investimento.

investimentos tomam/sugam parte de nossas vidas - e das pessoas que estão em volta -  e do nosso dinheiro - e das pessoas que estão em volta - que são alimentados pelo tempo que se investe no próprio tempo - incluindo o das pessoas que estão em volta. 

parte do nosso dinheiro e das nossas vidas, seja muito ou seja pouco - neste caso o pouco nunca é pouco - não podem ser desperdiçadas em alcançar metas se o objetivo não é ganhar tempo e dinheiro - ou se quem está por trás ou a frente da meta é frouxo para com o tempo e o dinheiro.

em suma: não seja frouxo ou indisciplinado quando se trata de investimento em dinheiro, tempo, vida, metas e objetivos. só há vagas para os fortes. e os fortes não descansam aos sábados, domingos, feriados, natal, ano novo e os escambau e nunca dormem antes da meia noite nem acordam depois do sol.

resumindo mais uma vez: quem quer alcançar objetivos e estabelece metas para isso corre contra o tempo, a falta de dinheiro, a falta de disciplina e, sobretudo, contra a falta de vontade ou a falsa vontade de chegar lá. e esta corrida não é sprint de cem metros. é maratona, e na maioria dos casos - vencedores ou perdedores -  corrida a vida inteira, sempre de olho no relógio e no coração, que regula a respiração, inspiração, transpiração.

a meta é o objetivo e não o objetivo a meta.

para entender isso e chegar lá ou você tem um coração de ferro ou não tem coração.

homens de bom coração não vencem maratonas. aliás não vencem corrida nenhuma. estão sempre parando para ajudar alguém - ou coitadinhos de sí próprio - o que é muito pouco objetivo e completamente fora da meta objetiva de chegar aonde se quer chegar e não aonde deu pra chegar o que não serve nem como prêmio de consolação.

então chega desta conversa de estar de corpo, alma e coração dedicados à meta que é o objetivo da mudança se a mudança está correndo atrás de você - e não ao seu lado - e você está correndo para alcançá-la no sentido inverso, o que é completamente sem sentido. 

porque a mudança, quando realmente é praticada, começa mudando o corredor e sua forma de encarar a corrida. caso contrário é perseguir a meta e o objetivo com um plano de corrida que não deu certo até agora - e porque subitamente iria dar? porque você achou bacaninha dizer que está em processo de mudança?

temos cincoenta mil bacaninhas na são silvestre, na maratona de nova york e nenhum deles mudará o seu lugar na corrida. apenas correrá atrás da linha de frente que é minimamente onde interessa estar e minimamente objetivo ainda assim fora da meta, porque na linha de frente, sim há muitos perdedores e somente um vencedor.

então a sua meta objetivamente falando é: ser o primeiro entre os últimos ou ser o primeiro entre os primeiros?

p.s. se parou pra pensar dois segundos que seja, você já dançou porque meia dúzia já lhe passou a frente enquanto você sequer conseguiu mudar o discurso e as desculpas que usa para justificar o seu empenho nesta corrida.

portanto, voltando ao lugar da partida, que é entre os últimos, antes de dar a largada: objetivos, meta, tempo, dinheiro, empenho, coração, inspiração... ah! cansei.


(excertos de email enviado a pessoas bacaninhas que querem mudar a sua empresa mas não saem do sprint)

segunda-feira, novembro 05, 2012

o mercado publicitário mostra o que é ou a sua noção "ética" de mercado


O assunto concorrência pela conta publicitária, notadamente do Governo Federal, foi assunto em alguns momentos do V Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação, realizado no último mês de maio em São Paulo, e novamente neste mês de outubro durante o Maximídia.

O que levou os executivos de algumas agências a pensarem num pacto naqueles eventos é o fato de há no mercado muita concorrência predatória, ameaçando os resultados das agências. Daí a recomendação para um pacto para as grandes agências não participem de concorrências consideradas “predatórias”. E a reação verificada no Maximidia por parte das entidades como Fenapro e CENP, mostra que o assunto é delicado.

Fenapro
A Federação das Agências de Propaganda, por intermédio de seu vice presidente, Humberto Mendes, afirmou que “o pacto reuniria poucas agências, e estamos em um mercado com 17 mil empresas”. O dirigente lembrou que já existe um manual de relações agência-cliente, que responde a muitas questões e dúvidas sobre concorrências.

CENP
Caio Barsotti, presidente doi Cenp, também tem reservas para a tentativa de criação desse pacto. Segundo ele, as agências precisam ter liberdade para decidir de quais concorrências elas participam. Já existem balizamentos no mercado e as agências precisam escolher de acordo com seus próprios critérios. O pacto não seria algo irreal, mas não é recomendável tratar de acordos só a partir de algumas poucas partes envolvidas. O Cenp é o fórum mais democrático para que agências e anunciantes possam discutir maneiras de harmonizar a situação, respeitando algumas bases como a liberdade de mercado e o respeito à propriedade do trabalho de criação e mídia.

Santa Catarina também é contra
A presidente do Sinapro/SC, Rosa Estrella, que participou do V Congresso, também manifestou-se contrária ao pacto. “É preciso que nos lembremos da existência do manual criado pela Abap. Nosso Sindicato está trabalhando em uma versão adaptada às realidades regionais. O documento vai se chamar ‘Diretrizes para seleção de agências de propaganda’”, revela Estrella.

Dependência e submissão
O blog Tudo Comunica, editado pelo publicitário Emílio Cerri, reproduz um artigo de autoria de Francisco Madia, um dos ícones da Comunicação e Marketing no Brasil – já trabalhou em agências e anunciantes – que faz um alerta grave às agências de propaganda com o título “Dependência e submissão”. Leia atentamente o texto a seguir e manifeste-se, compartilhe e contribua para as boas práticas na e com a publicidade brasileira

Dependência e submissão
Francisco Alberto Madia de Souza*
O assunto do momento é o muro da lamentação das agências de propaganda que se sujeitam, se submetem e tornam-se dependentes de concorrências perversas, burras e lamentáveis. Como nos ensinou a primeira dama americana, Eleanor Roosevelt, “Ninguém pode fazer com que te sintas inferior sem o seu consentimento”. Em 1971 fui contratado para montar a primeira área de marketing de uma instituição financeira no Brasil: a do hoje Itaú. Na entrevista com Olavo Setubal ele me contou sobre seus planos de crescimento, e seu sonho de um dia ser o maior banco privado do país. Comecei, com um pequeno exército “Brancaleone”, e tendo com parceiros Alfredo Rosa Borges e Valter Bueno, mais a supervisão de Alex Thiele, a construir o Marketing & Branding Plan capaz de criar as bases mínimas e necessárias em consonância com os sonhos do “Dr. Olavo”, como era chamado.
Diante do desafio, decidimos escolher uma nova agência de propaganda para cuidar da comunicação do Itaú. Selecionamos 4 – McCann, Standard, Lince (que atendia o banco), e DPZ. Visitamos as agências, conhecemos o portfólio de todas, convivemos com seus executivos e equipes, e não pedimos absolutamente nada de trabalho porque tínhamos consciência do absurdo e burrice de semelhante solicitação. Escolhemos a DPZ. Que continua cuidando do ITAÚ, 41 anos depois. Mais para frente repeti semelhante processo para outra instituição financeira. E jamais me arrependi. Sempre tive ao meu lado e de minha equipe, profissionais fantásticos e seres humanos extraordinários, que nos ajudaram na construção de marcas da melhor qualidade.
Em 1980 abri o Madiamundomarketing. Em 1987 fomos procurados pela Sul América Seguros, na pessoa de seu diretor Felice Foglietti, para organizar o processo de seleção de uma nova agência para a seguradora. Fomos contratados, orientamos na seleção das agências, e, também – caso contrário não participaríamos – não pedimos qualquer trabalho às agências concorrentes. Venceu a W/Brasil. Nos 32 anos do Madiamundomarketing já fomos chamados mais de 60 vezes para processos semelhantes. Para aceitar o trabalho colocamos duas condições. Primeira, confirmar o briefing, ver se, verdadeiramente, o problema é a agência. E a segunda, jamais pedir qualquer trabalho às concorrentes. Mas, se a empresa decidir pedir, só continuaremos o processo se remunerar, com justiça, respeito e generosidade, todas as convidadas participantes e que não forem escolhidas.
Assim, e de cada 10 empresas que nos contrataram, e depois de checarmos o briefing, concluímos: em 7, o problema não estava na agência, e sim, no marketing do cliente. Salvamos da degola dezenas de agências inocentes. E em todas as concorrências que participamos – todas sem exceção –, e que o cliente insistia na burrice de pedir trabalhos, só prestamos nossos serviços porque todas as agências participantes, com exceção da vencedora que levou a conta, foram merecida e dignamente remuneradas. No correr dos anos outros profissionais passaram a prestar esses serviços. Mais recentemente empresas formadas por profissionais que foram executivos e donos de agência também ingressaram nesse território, com princípios e comportamentos que, definitivamente, passam a quilômetros de distância de nossas crenças e da ética como conduzimos nossos serviços de consultoria.
Em paralelo, alguns pavões donos de agências, e incapazes de suportar um melhor desempenho de concorrentes no território estritamente profissional, para reter ou conquistar um novo cliente, “flexibilizavam” o preço. Alguns, inclusive, propondo-se a trabalhar de graça durante algum tempo. E, desde então, agências ingressaram num circo de horrores, submetendo-se a todas as humilhações e barganhas, e emprestando legitimidade a um processo deplorável, que não leva a nenhum outro resultado, que não seja o apequenamento e submissão cada vez maiores das agências de propaganda. E ainda, e depois, aceitam negociar o preço com as mesas de compras das empresas, entre vendedores de papel higiênico, feijão, melancia, cola, prego, parafuso, tomate e amendoim. Como nos ensinou Eduardo Alves da Costa, num poema durante anos atribuído a Maiakóvski, “na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada…” Até quando, agências?… “conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta e já não podemos dizer nada”… Até quando, agências?

(originalmente publicado no acontecendo aqui, florianópolis)

sábado, novembro 03, 2012

espírito empreendedor

encontro empresários: dono de agência e dono "normal" de negócio tipo comum. não coincidentemente sou "ex-de ambos". e a ambos deixei porque queriam que fizesse o que sob o ponto de vista profissional era, no mínimo, ridículo, desvio que todo publicitário que se preze - espécie cada vez mais rara - deve evitar, no mínimo.

exercitam o seu não engulo de deixados comentando a inauguração do shopping rio mar, cravando indiretas sob o sentido pragmático da ação no que respondo que é muito ruim tudo o que foi feito e respondo com aquela sensação de que perdi a oportunidade, que nunca deve ser desperdiçada, de ficar calado ante imbecis que se julgam, pelo poder da grana, iluminados.

suas respostas me confirmam que ambos não mudaram em nada(nem eu): "ah! mas aquilo ali foi feito só para constar. porque nem precisava anunciar. o empreendimento faz comunicação por si próprio. aquilo(sic!) é uma esfinge. tão grandioso que faz mais sucesso do que pirâmide. não viu o sucesso de público", assentam um ao outro, esboroando o café.

ora, se era só para constar? para que fazê-lo então? e se não? porque não fazê-lo algo mais que esfinge?, contraponho, no que recebem como se tivesse cuspido nos seus cafés - o que não deixa de ter sido.

concluo, já longe dos empresários, que talvez por pensar deste jeito, a esfinge sou eu. mas logo eu que não falo(e nem faço) por enigmas ou pra constar? talvez por isso mesmo, talvez.



terça-feira, outubro 30, 2012

encaixa como um a luva na turma que acha que é publicitário porque tem diploma


12 DE ABRIL DE 2009

Diário da Fonte
VERBOS DO EGO NA PUBLICIDADE


Por serem repetidos a cada cinco segundos, todos sabem quais são:

EU QUERO - Os bobalhões dos anúncios aparecem caminhando a passos rápidos e largos (o marketing da pressa) dizendo que querem banda mais larga, portabilidade nas Bahamas, andar de skate em Machu Picchu, telefonar do Himalaia, tudo isso sem fronteiras no Brasil, porque pode ter fronteira no mundo todo, menos por aqui. Fronteira atrapalha os bandos de quero-queros dos reclames.

EU MEREÇO - Ninguém mais merece, só o que diz “eu mereço”. Conheço um que disse numa reunião: “Eu só faço o que é justo”. Claro, os outros só fazem o que é injusto. Merecer é ter acesso a tudo, sem nenhuma responsabilidade, e serve de vingança contra a grande injustiça no mundo que é a existência dos outros. Merecer é ter nascido para isso sem ter feito nada para merecer de fato.

EU POSSO – O cara pode tudo, ver futebol na lua-de-mel, usar o cartão a fundo perdido, ser recebido com sorrisos no banco mesmo sem ter visto jamais uma fatura de cartão de crédito (na publicidade a cobrança nunca aparece, só o usufruto). As novas favelas americanas estão cheias de gente que tudo podiam antes de os espertalhões da ciranda financeira rasparem os dólares realmente existentes (que é o lucro), deixando o passivo de trilhões de dólares reais (que é a dívida realmente existente dos trouxas).

EU CUIDO - Banco que lucra vinte quaquilhões por dia agora convoca pessoas de todas as raças para segurar uma árvore da Amazônia. A indústria de cosméticos que usa tudo que é insumo artificial nos seus produtos “naturais” canta como índio. Quem polui mesmo investe em propaganda mentirosa dizendo que preserva o meio ambiente. Nos anúncios, terceiriza essa virtude para os babacas que assistem. Você cuida, você pode, você merece, você quer.

EU VIVO - Viver todo mundo sabe o que é: basta jogar os cabelos recém lavados com xampu no ar cheio de flores, correr cem mil quilômetros sorrindo sem nunca ter um enfarte, passar margarina no pão rodeado da família padrão numerosa, saltar em câmara lenta de terno e gravata, sorrir de lado com o buzanfan bem instalado num carro milionário, trafegando em ruas vazias, ou seja, em que ninguém mais existe. Sem esquecer que viver é agora, entende? Antes e depois não existem.

EU TORÇO – Fazer parte da tchurma, abraçar-se a multidões de sovacos, enrolar-se em bandeiras, beijar camisetas, cruzar ajoelhado o campo, pedir autógrafo para analfabeto, decorar letras hediondas (“eu amoooo, você tem que vir aquiii, ó meu Deus quanta loucuraaaa, porquêêêê, só eu sinto por vocêêêê...”), tudo isso faz parte do verbo torcer, que é para identificar grupos de compradores compulsivos.

EU IGNORO – O melhor verbo de todos. Sua indiferença é a satisfação do consumo e a roda que gira o mundo. Serve não apenas para passar por cima de todo mundo como para cobrar virtudes nos outros, pois a coisa mais funda de ignorar é achar que só o ego é perfeito e que o resto não passa de um monte de sangueruim gente má pontafrouxa. Ignorar é viver, torcer, cuidar etc.

RETORNO - Imagem desta edição: Narciso, de Caravaggio.

segunda-feira, outubro 29, 2012

já não se fazem mais revolucionários como antigamente

todo mundo achando do caralho o fato(agora se diz ação) da gillete cujo móbile foi fazer o nilo(o personagem ou o ator josé de abreu?) tirar a barba.

juizinho e aplauso cu. eis a aqui a diferença entre uma ação bunda e uma ação revolucionária.

uma agência do caralho pensava, tentava e conseguia, fazer o fidel tirar a barba. agora a do nilo? basta ver a repercussão.

este é o problema do atualmente, infelizmente: o antigamente era melhor, tanto que ainda esta a frente.

como diria o bardo: hay que ser pragmático pero sin perder la actitud revolucionária jamás. pois quem se contenta com menos não faz mais.

e ideias de oportunidade como estas nem se pode chamar mais de oportunistas tamanha a falta de escanhoamento do pensamento.

segunda-feira, outubro 15, 2012

sêneca, o patrono(quer dizer, deveria) dos criativos


Tempos difíceis estes. Mas é curioso perceber o que é que isso quer dizer exatamente. E que implicações pode ter no nosso dia a dia, para além dos óbvios, como ter (muito) menos dinheiro e viver num clima de (muito) baixo astral. Não é fácil, porque nós ocidentais vemos o tempo como uma coisa neutra. Para nós, o tempo é quantitativo. Tem-se “muito tempo” ou “pouco tempo” para fazer um trabalho ou para viver e ficamo-nos por aí. O tempo é uma linha, que vem do passado e se prolonga no futuro, onde vamos pondo “toppings” (jantaradas, idas ao cinema, reuniões, paixões, impostos...). Sim, às vezes falamos de “quality time” se nos queremos referir ao (pouco) tempo que temos para passar com os nossos filhos, mas é uma exceção, uma nota de rodapé... mais um “topping”.

Um povo, no entanto, não pensava assim. E pode ajudar-nos a refletir sobre a forma como vivemos este tempo presente. Para os judeus da Bíblia havia dois tipos de tempo, que se opunham. Um tempo de abertura e expansão. Um tempo de contenção e recessão. Até aqui nada de novo. Nós também dizemos coisas destas. Mas as implicações desta conceção são originais. Já vai perceber porquê.

Para os judeus não havia maior calamidade do que tentar viver ao contrário do seu tempo. Rir em tempos de choro não era sinal de esperança, era ser louco. Curar em tempos de morte não era louvável, era um crime. Amar em tempos de ódio, uma inconsciência. Investir em tempos de recessão, um absurdo. Para eles, era o mesmo que plantar cereais no outono. Não se fazia. O tempo era, se quiser, um país com regras próprias que não podiam ser violadas. Uma espécie de “em Roma, sê romano” com roupagem hebraica. O tempo era psicológico e impunha-se à “psicologia” das pessoas que o viviam.

Saber em que tempo se vivia era, assim, um bem de 1ª necessidade. Para isso existiam os profetas, diz-nos Albert Nolan no magnífico “Jesus antes do Cristianismo”. Indivíduos com dons especiais capazes de ler os sinais de Deus, o Senhor do Tempo. As palavras dos profetas diziam às pessoas o “tipo de tempo” em que viviam, o que lhes permitia adequar o seu comportamento e o seu tom de voz ao momento vivido. São João Batista e Jesus Cristo – para citar os mais conhecidos – viveram no mesmo tempo “histórico”, mas pregaram tempos radicalmente diferentes. João anunciava tempos de abstinência e arrependimento. Jesus, que lhe sucedeu, mesmo se nascido apenas 2 anos depois dele, veio anunciar novos tempos de libertação e amor.

Tempos difíceis estes, para criativos. Não porque haja menos dinheiro (menos orçamento, mais imaginação), mas porque a criatividade genuína corre o risco de ser vista como uma anomalia.

No reino da criatividade ao serviço das marcas, a filosofia sempre foi de gerar pensamento novo, que crie insights novos, que deem origem a conceitos novos, que façam disparar ideias novas, que permitam pôr na rua (e na net) ações e campanhas novas, que deem vida nova às marcas, que as liguem ainda mais às pessoas, porque lhes dão estímulos novos. No entanto, fica no ar a terrível sensação de que, sem termos consciência, paira sobre nós uma nuvem bíblica. Existe a possibilidade de nós – aqueles criativos que sentem repulsa física por copy-pastes, aqueles criativos que só sentem a pupila dilatar com trabalho que traga algo de novo para as marcas – estarmos simplesmente a viver no tempo errado. Um tempo onde oferecer uma visão nova para uma marca é visto como uma imprudência que deve ser paga com desprezo ou ódio ou indiferença. Uma espécie de racismo anti-criativo, não maldoso ou mal intencionado, não fruto do pensamento de alguém em particular, mas simplesmente sinal dos tempos.

Se assim for, teremos apenas que dar tempo ao tempo. Se o tempo, como vem na Bíblia, for psicológico, ele acabará por mudar. Basta-nos prestar atenção às palavras dos profetas. Um dia ele chega. Se for amanhã, tanto melhor.

("tempo de profetas", do Ricardo Miranda, brand voice concept creator na brandia central- juro que quando souber o que é isso eu traduzo para os leitores - ) 



misterwalk não resiste comentar : o tempo bíblico não nos salvará, já que ele é antítese à criação verdadeira. a salvação, como sempre, virá dos iconoclastas, dos malditos que assim chamamos, porque nos oferecem a saída que ora recusamos pelas vias da nossa mediocridade, aquela que custeia a nossa(falsa)segurança; ora a "permitimos", enquanto nos convém, para logo-logo dar azo ao nosso bom mocismo que trata logo de pô-los no ostracismo que é a mais cruel e segura maneira de trancafiá-los, salvando a sociedade destes elementos distópicos. os resultados que cultuamos - os falso resultados - não resistem a confrontação com o saldo que só a verdadeira criatividade consegue - na propaganda, no marketing ou em qualquer área da vida. com diria o filósofo(que não era profeta mas enxergava o que os deuses querem encobrir e bem antes destes citados) as coisas não ficam ruins porque ousamos ou seja porque buscamos caminhos diferenciados(criativos) as coisas ficam ruins - e os tempos - porque não ousamos. o resto é bull-shit ou conversa bíblica para a boiada dormir.

segunda-feira, outubro 08, 2012

para quem dá valor ou simplesmente quer copiar ou o abandono do leão de de vitória de santo antão

http://www.welovead.com/en/bookshelf/details/cannes_lions_2012/
todos os trabalhos vencedores de cannes 2012, basta fazer cadastro(é de graça).

Leão é cego, tem dificuldades de locomoção e pode ser sacrificado / Foto: Marcelo Soares/JC Imagem

enquanto isto o leão de vitória de santo antão, cego e com dificuldades para andar está a beira de ser sacrificado. os publicitários que tanto gostam de leão sequer mexerem um dedinho para fazer uma campanha sobre aquele que é um símbolo para as suas vidas. salvar o leão de carne e osso, muito embora mais pele do que carne, não dá estatueta pois não:  talvez haja explicação para o fato. publicitários só se importam com leões fantasmas. quando a coisa é de verdade eles pulam fora ou viram as costas tão ocupados com o ser  fake das suas vidas.


segunda-feira, outubro 01, 2012

para os adoradores de máquinas.


la fotografía no ha cambiado desde su origem excepto en sus aspectos técnicos, que para mí no son de importancia principal.

la fotografía parece ser una actividad fácil; de hecho, es um proceso variado e ambíguo, donde el único denominador común entre sus practicantes es su instrumento. lo que surge de esta máquina de registro no escapa a las restricciones economicas de um mundo de derroche, de tensiones, que se hacen cada vez más intensas y de consecuencias ecológicas dementes.

la fotografia "manufacturada" o escenificada no me interessa. y si formulo un juício.sólo puedo hacerlo a un nível psicológico o sociológico. hay quienes salen a descubrir lal imagen y apesarla. para mí, lá cámara es un libro de bocetos, un instrumento de intuicíon y de espontaneidad, el amo del instante que, en términos visuales, simutáneamente pregunta y decide. para "dar um sentido" al mundo, hay que sentir-se submergilo en lo que uno enmarca a través del objetivo. esta actitud requiere concentración, una disciplina mental, sensibilidad y u n sentido de la geometría. es por medio de una gran economía de medios como se lhega a la simplicidad de la expresión. uno debe siempre tomar fotos con el mayor respeto por el tema y por uno mismo.

tomar fotografías es retener el aliento cuando todas las facultades convergen frente a la realidad fugitiva. es en ese momento cuando dominar a una imagem se convierte en un gran goce físico e intelectual.

tomar fotografias significa reconocer - simultáneamente y dentro de una fracción de segundo - tanto el hecho mismo con la rigurosa organización de formas visualmente percibidas que le dan sentido. es poner la cabeza. el ojo, el corazón sobre un mismo eje.

en lo que a mi se refiere, tomar fotografias es um medio de comprensíon que no puede ser separado de otros medios de espresíon visual. es una forma de gritar, de liberarse, no pode poner a prueba o ratificar la propria originalidad. es una manera de vída.

cartier-bresson in diálogo con la fotografia, de paul hill/thomas cooper.

sábado, setembro 29, 2012

deontologia pulverizada

a campanha política atual, nomeadamente a disputa para a prefeitura do recife, mostra bem de que são capazes as almas boas e laboriosas que querem dar um jeito na cidade, e qual é realmente a essência do caráter e a matéria fecal e purulenta de que é feito o seu discurso de boas intenções quando a subida de um candidato nas prévias passa a incomodar o coronelato de plantão. e mostra mais ainda: mostra do que são capazes as mentes publicitárias ao seu serviço, instigadas por uma ideologia de oportunismo financeiro que os acelera à prática iníqua que configura toda a maladie dos pistoleiros de plantão alugados ao serviço da comunicação dos coronéis de sempre. nesta hora o glamour da carreira publicitária revela todo o seu esplendor de merda,chorume e azinhavre. 

sexta-feira, setembro 14, 2012

"Para alguns a vida é demasiado longa"

Encontro TBWA em Paris. "A vida é demasiado curta para se ser medíocre" - Dinheiro Vivo
(click acima e veja matéria completa)

enquanto isto, na paraíba,ó pequenina, agência que se pretende mui criativa, realiza uma ofiSINa(sic!) dita assim como para aprimorar o relacional/organizacional. a julgar pelo trocadilho denominador a vida desta moçada deve ser demasiado longa.

segunda-feira, setembro 10, 2012

os donos do mundo ou em suma: donos sempre causam danos

donos de agência de publicidade,propaganda ou comunicação,como queiram, nunca vão aprender que há uma diferença brutal entre ser dono e ser líder.

no geral a maioria dos líderes não é dono. donos até podem contratar líderes mas não para que eles liderem, ainda que seja este o seu discurso no momento da contratação. dura uma uma quinzena, um mês, se muito. e a  quase maneira mórbida de exercer o poder de ser dono, ainda que seja para o mal da própria agência da qual eles dizem querer o bem, e de cuja liderança dependem na maioria da vezes para sobreviver ou, no mínimo, mudar a imagem de covil da pilhéria,se manifestar em geral numa explosão de ira ou sibilosa má educação sem abrir mão do indefectível brado: eu sou o dono! coisa que todo mundo sabe mas parece que ele não, e que destarte precisa dizer isso a sí mesmo, muito mais do que aos outros, a toda hora.

portanto, é um grave erro confundir dono com líder. idem, dono com publicitário, se bem que há sim donos publicitários - também com o baixo nível que anda por aí - e publicitários que são donos, o que teoricamente deixaria os contratados em melhor situação. mas há uma espécie de maldição do dono que também os afeta. é quando deixam de pensar em coletivo ,de pensar a marca que estampam na fachada da sua agência para imprimir a sua marca pessoal,a quem atribuem o sucesso. mas um sucesso, de modo geral, a duras penas para o convívio inteligente, para a estética, para o pensamento diferenciado e, não muito raro, até para o próprio caixa, sem falar que a agência torna-se um inferno, inclusive para o próprio dono que não se acha mefistófeles(antes assumisse) mas sim deus.

ser dono do negócio em propaganda/comunicação costuma gerar ao final uma certa distrofia que acomete donos. e a tal ponto que mais do que os donos do mundo, querem ser donos não só das pessoas mas das suas vontades, transformando seus egos em não mais expressões de sua personalidade mas, ainda mais danosamente, em seus próprios donos o que,ironicamente,não é a libertação mas sim a mais completa redução a servidão absoluta do dono que não é dono nem de sí mesmo.


segunda-feira, setembro 03, 2012

vale para um mercado de carros e bicicletas de som ?

O investimento publicitário acerta no alvo ou é vesgo? O que pensa e faz a forward generation?

 

Abaixo a geração da televisão

Talvez a explicação para se investir tanto dinheiro em publicidade que falha – porque ninguém se lembra dela ou porque não atinge os grupos a que se destina – tenha a ver com o facto de a maior parte dos gestores dos grandes anunciantes pertencer à geração da televisão. Quando eles pensam em anunciar, pensam logo em fazer um filme e comprar espaço na TV. Pensam mal. É um defeito geracional.

Muitos lembrar-se-ão da geração anterior, a dos jornais, que não entendia a televisão como meio digno. “Marcas decentes não precisavam de televisão”,  era coisa para produtos de grande consumo. Foi há algum tempo, mas não assim há tanto tempo. Depois, rejuvenesceram-se os boards com a geração da televisão e esta gente nova começou a usar, e bem, o meio: bancos, seguradoras, privatizações, tudo o que era empresa respeitável lá seguiu para a TV. Foi a época das campanhas de imagem e reputação sem expectativa de retorno comercial imediato.

Hoje os boards das grandes empresas, os quadros dos grandes anunciantes, as empresas de compra de espaço por atacado e até os próprios grupos de comunicação são geridos pela geração da televisão. Hoje, que o consumo dos media é fragmentado e que o consumidor é director de programas e editor da sua grelha pessoal, hoje que a comunicação é multiplataforma e que os modelos das últimas décadas –  programação, planificação, criação de conteúdos – estão ultrapassados, os anunciantes e os seus fornecedores de media e de marketing  ainda vivem no passado. Um estudo da Simulmedia nos Estados Unidos tem vindo a alarmar os grandes anunciantes ao pôr em evidência que grandes campanhas de TV falham largamente o alvo. De acordo com o relatório, uma campanha de 6,3 milhões de dólares da Unilever para o Axe falhou 60% do alvo. Milhões gastos para nada.

(do pedro bidarra, um dos publicitários mais odiados - mas competente, e talvez por isso mesmo -  de portugal).

* misterwalk: lembraria o bardo que desde o século passado afirmou: "metade do que se gasta em propaganda é desperdiçado. a questão é que não se sabe aonde." saberemos agora?

segunda-feira, agosto 20, 2012

comunicação às trumbicadas

A comunicação do varejo não é atrativa e não motiva a compra nas categorias de têxtil, hipermercado e eletrodoméstico. A falta de um planejamento adequado que faça o consumidor entender uma marca e, a partir daí, se identificar com a linguagem usada por ela é falha no Brasil. A conclusão faz parte da pesquisa “O que funciona e o que não funciona na comunicação de varejo”, da Officina Sophia, apresentada na Brazilian Retail Week em 2012.Varejo,pesquisa,comunicação,Brazilian Retail Week 2012,hipermercado,têxtil,eletrodomésticos

Boa parte dos grupos dialoga com seu público-alvo de duas formas: primeiro na construção e exposição da imagem da marca e, em seguida, na mobilização da compra por meio de ofertas e ações promocionais. O problema é que a linguagem utilizada pelas empresas concorrentes para se destacarem é praticamente a mesma e a diferenciação pouco se nota.

Comunicação do varejo não é atrativa nem motiva compra


Para o estudo, a Officina Sophia avaliou na categoria têxtil as redes C&A, Marisa, Renner e Riachuelo. A falta de discernimento é constatada a partir dos filmes feitos para a divulgação das coleções: 63% dos consumidores ouvidos na pesquisa não identificaram a marca que assinava o vídeo. “Se a comunicação não é bem trabalhada no sentido de mostrar os diferenciais daquela loja, para aquele target, a tendência é de distanciamento dos consumidores. O ponto de venda pode ter posicionamento muito claro, mas sem eficiência na comunicação, haverá uma lacuna entre marca e público”, avalia Valéria Rodrigues, Diretora da Officina Sophia, em entrevista ao Mundo do Marketing.
Na categoria hipermercado, a instituição avaliou o Carrefour, o Extra e o Walmart. Ainda que haja confusão entre as marcas, ela é menor, com 65% de identificação. A categoria eletrodomésticos, com Casas Bahia, Magazine Luiza e Ponto Frio, também têm índices menos negativos, com 62% de reconhecimento por parte dos consumidores.
 
Elementos necessários

Mais do que oferta e ações agressivas que nem sempre alcançam o esperado, o essencial para um planejamento de comunicação é o posicionamento claro de quem é a marca e o que ela quer transmitir. O estudo da Officina Sophia indica, por exemplo, que 87% dos brasileiros entrevistados não se sentem atraídos para consumir e 86% não se sentem motivados por não se reconhecerem nas estratégias de Marketing das redes analisadas.
Varejo,pesquisa,comunicação,Brazilian Retail Week 2012,hipermercado,têxtil,eletrodomésticosA pasteurização que o mercado de varejo enfrenta hoje poderia ser atenuado com elementos que funcionem independentemente de ofertas ou ações promocionais. O personagem Sebastian, da C&A, é um case de sucesso neste sentido. Por 20 anos à frente de comerciais e estratégias da marca e encerrando a parceria em 2010, o dançarino permanece no imaginário do brasileiro.
Considerado garoto propaganda, o ator foi além em sua participação, transformando-se em um elemento de identificação da C&A. “O Sebastian tinha tudo a ver com a imagem que a marca queria passar. Moderno, jovem, antenado, ele personificava isso e personifica até hoje, ainda sendo exemplo de uma lembrança positiva e com aderência. O que não significa que todas as marcas precisem de personagens. Um slogan, cores bem definidas, ações de sustentabilidade são exemplos de elementos. Sem eles, os grupos acabam não conversando com os consumidores”, afirma Valéria.
 
Pensar além

Segundo meio de comunicação com capacidade de atrair e mobilizar consumidores, as vitrines são esquecidas pelas marcas. De acordo com o estudo, 90% dos consumidores não sentem vontade de entrar nos estabelecimentos de nenhuma das categorias estudadas ao se depararem com as vitrines e 89% não sentem motivação para comprarem a partir delas.
A identificação também é pouco assimilada: 80% não conseguem perceber qual é a rede apenas olhando uma vitrine. Para os entrevistados, não há entendimento do motivo que levam as lojas a taparem os produtos com preços em grandes formatos ou ainda cartazes que poluem a visualização dos mesmos. Estratégias como colocar looks completos ou apresentar peças com sobreposições e acessórios, na opinião dos consumidores, desmitificaria a funcionalidade do vestuário e, ao mesmo tempo, daria autenticidade à marca.

Foco das marcas nas liquidações e reduções de preço prejudicam identificação por parte consumidor. Para ele, em diversas categorias todas são iguais ou muito parecidas

A não compreensão do uso das vitrines como mídia, tanto pelos grupos como pelas próprias agências criadoras de ações de Marketing, deixam uma grande oportunidade para trás e contribuem para a pasteurização. “Diariamente as marcas gastam dinheiro em mídias tradicionais ou online e não pensam na construção da imagem. Cada empresa deve ter seu posicionamento e usar isso para falar com o consumidor. Se as marcas deixarem de se comunicar, o distanciamento vai se tornar maior e a indiferenciação e comoditização também. Para o consumidor, tanto fará e tudo tem levado para esse caminho”, pontua a Diretora da Officina Sophia ao portal.

(por isa souza, no mundo do marketing)

quinta-feira, agosto 16, 2012

no geral e no particular


três expressões são fundamentais na performance publicitária em todos os sentidos e departamentos. e nenhuma destas três expressões não são, e nunca o serão, ensinadas em nenhuma faculdade de publicidade, no que daí aumenta o meu notório descrédito a estes filisteus do ensino.

são elas: do caralho, vai dar merda e fudeu. que se torna fodeu nos casos ainda mais graves.

quando as coisas estão na esfera do caralho, tudo ou quase tudo, está em má dieta ou seja acima das normas. e bem longe das outras duas expressões(vai dar merda e fodeu). é o título do caralho,o texto do caralho,o leiaute do caralho,a campanha do caralho, o cliente do caralho, o fornecedor do caralho, a secretária do caralho,o filme do caralho.do caralho é bom.muito bom, claro que há as coisas ainda melhores, as do grande caralho.é bom, mas há ressalvas quanto ao caralho do atendimento/planejamento.aliás,nunca vi um atendimento do caralho(nem planejamento). muito embora algumas vezes iso se diga em tom de gozação, principalmente com as atendimentos, na verdade assistentes, boas pra caralho(e só).na enorme maioria das vezes, uma enormidade do caralho, sobrava para o atendimento o caralho enviesado. mudar o título um caralho!, o cliente pediu é o caralho, planejamento é o caralho ou, vai-te pro caralho, no que se depreende que caralho e atendimento se dão bem às avessas.

já vai dar merda,é um sinal amarelo.que, como o dito cujo, ninguém respeita. são incontáveis as vezes que alguém pressente - até o motoqueiro da agência - que vai dar merda. qual o quê. segue-se em frente e isto vai desembocar na terceira e das mais terríveis expressões da publicidade. a expressão que finda o trabalho e a história de tanta gente. porque depois desta não há caminho de volta, exceto para os que possuem um talento - ou lábia - do caralho. quando fodeu,fodeu; quando dá merda, ainda dá-se um jeito. e onde o vai dar merda acontece quase sempre?  nas segundas e nas sextas, nas sessões de fotos com a modelo, quase nunca profissional, que é amante do cliente - supermercados de bairro adoram isto - nas revisões de ofertas do varejo, nas festas de aniversário de fim de ano, nas filmagens na praia, nas reuniões de pauta, nas apresentações da agência para clientes estrangeiros,nos spots de rádio entregues a estagiários, nas campanha para  repartição pública, no assédio a estagiária teen, na campanha política, no teste de aprovação de atores, na gravação de comerciais urbanos. enfim: em tudo ou nada do que já se sabia estava incubado no ar da pretensão, da covardia e do amadorismo, o que inclui a soberba de alguns que se julgam acima dos deuses da profissão, que mais desgraçam do que salvam. mas mesmo assim, as merdas são feitas. pois são atávicas à profissão.

e se deu merda, fudeu. quando alguém diz fudeu!, é bom sair de perto, pois invariavelmente sobra pra você e aí, quando sobra, fodeu.

quando o fudido é bom de foda, ele escapa momentaneamente. mas não se engane. logo logo ele estará  no rol dos fudidos e mal pagos. e quando se dá o tão fudido e famigerado fodeu?

como alguém disse antes, o fodeu, grau maximo do fudeu, começa quando não se escuta o aviso - muitas vezes interior - do vai dar merda. se vai dar merda, então já é meia foda.

fodeu quando contas são perdidas - o passaralho costuma vir junto beliscar o seu piloro - fodeu porque cheio dos ares de criativo e artista, mais para woody allen do que para  brad pitt, você comeu a mulher ou a filha - do diretor da agência. ou quando você ignorou o aviso de reservado para a diretoria e porrou o porsche do diretor financeiro com seu jeep velho de guerra( se for numa agência menor, baixe o status dos carros- o jeep continua -e aumente o peso do fodeu. e aí entenda: quem se fodeu, literalmente, foi você e o porsche. o jeep não se fode(só a nossa paciência).fodeu quando você foi contratado porque disse que vindo para a agência os clientes vinham com você e não vieram - muitas vezes eles fazem isso para lhe fuder mesmo - fodeu quando você chupou conceito do anúncio daquele anuário que segundo você ninguém nem lê. fodeu quando você colocou peças de outro no seu portfólio. fodeu quando sua ida a cannes foi cortada com uma desculpa de merda. fodeu quando você faz noitadas para caralho e alguém está fodendo sua mulher ou seu marido em seu lugar. fodeu quando você chega a conclusão de que é muito foda viver assim e que não aguenta mais ser tão fudido.

contudo, se ainda assim fodido - menos por violação de direitos autorais, esta fudição é eterna - você achar que esta é uma profissão do caralho, então és mesmo um fudido com algumas boas chances de ser um fudido do caralho.  até porque muita gente antes de botar pra foder(alguns botam pra foder em muita gente e só) e se tornarem uns publicitários do caralho, do grande caralho, fuderam-se pelo menos umas duas ou três vezes por mais que soubessem que não iam dar em merda.

de merda que seja,eu,por exemplo,me fodo pra caralho até hoje. e olhe que nem fiz tanta merda assim - também nao fiz tanta coisa do caralho. e do grande caralho, fiz mas me fudi, porque meu nome não podia ser divulgado associado as peças - e tampouco aos prêmios. mas, mesmo os prêmios do caralho eu nem faço assim uma questão do caralho. então, modesto, pra caralho of course, posso dizer que me basta saber um fodido do grande caralhinho ou um fodidinho do caralho. o grande ainda não me cabe. mas publicitários não costumam fazer auto-criticas do caralho. e do grande caralho, menos ainda.

(p.s. quando comecei a escrever isto aqui eu sabia que ia dar em merda. agora fodeu).




quinta-feira, agosto 09, 2012

eles sempre foram bons nisso, e não é de agora


o mundo e publicidade eram bem melhores porque não tínhamos a quantidade de pulhas que temos agora. e, de certa maneira, a maioria dos publicitários na criação, ainda era criança.


terça-feira, agosto 07, 2012

da série manual dos ordenamentos idiotas

direçãodearteésutilezaantesdetudo
um dos mais costumeiros e crassos erros cometidos pelos gestores de agência(que se dizem tão sagazes e inteligentes em matéria de pessoal) e, no caso especificamente da criação - por extensão também aplicado a outros departamentos - é a agência contratar alguém sem o necessário empuxo para tocar tarefas, como por exemplo exigir de um diretor de arte formado no "varejo" que produza sofisticação em layouts uma vez desprovido de ferramentas estéticas e emocionais condizentes com o requinte da empreitada. há uma máxima que deveria ser sempre respeitada. quem ganha salarío mínimo não poderá nunca dar o máximo do que justamente não tem.

e se a questão é custo, eis aqui o nó górdio: é daqueles casos em que sequer o barato sai caro. não sai nada.  o único acerto é que toda tentativa é erro. e horrosamente a prova manchada de tempo e dinheiro desperdiçado, atestado por cestas de lixo abarrotadas do nada que se salve. como o tempo é das falácias da sustentabiidade, é antiecológico também. acredite, talento e sensibilidade não é questão de sorte. é de formação. é de berço. é de onde se potencializa a cobra criada. não é bem o caso do pau que nasce torto morre torto. é que uma vez entortado o pau, na vida e na propaganda, não desentorta nem com vitamina e. e qualquer cirurgia, diminui o dito cujo e o quantun do valor do trabalho. em suma: contrate sempre alguém que possa exceder o que vai ser necessário. mesmo que ele exceda seu orçamento. a médio prazo as coisas equilibram-se. já contratar por menos, será, indubitavelmente o caso do menos que não satisfaz. dores de cabeça já a curto prazo.
fechemos então a botica e o manual por hoje.

quinta-feira, agosto 02, 2012

o pulo da besta

fundamentalmente um bom criador publicitário é aquele que desenvolve a capacidade de enxergar até onde vai o grau máximo da estupidez humana e passa a utilizar isso com um mínimo de inteligência em favor do que anuncia. chega a dar pena. mas o que acontece é justamente o em contrário ou seja: com um mínimo de inteligência avança sobre os brocados com o máximo de estupidez. e só o fato de ter de explicitar isto mostra a quantas anda a compreensão da sua inteligência.

sábado, julho 28, 2012

um pouco mais de carinho, e cuidado, com os mestres. aliás com todos.




independentemente do seu valor intrínseco, um homem que sempre trabalhou merece sem dúvida ser lembrado por algo mais que uma frase que, no meu entendimento suado, é pra lá de infeliz. principalmente quando potencializada a totem no contexto do business publicitário.


como já dizia o bardo, há que se ter cuidado com os epitáfios elogiosos e homenagens pós falecimento. na maioria das vezes só fazem depor contra o morto e ou apenas engrossam a vaidade dos vivos, dos muito vivos, principalmente.


feito o registro, digo que a primeira imagem de um publicitário que vi na vida não retratava nenhum glamour. queiroz investido em camisa social branca a arregaçar as mangas daquelas que recomenda o bom gosto careta nunca o devem, tal e qual, depois vi, como bill bernabach, outro mantenedor do look arregaçado, principalmente nas ideias. pano de fundo: porta pantográfica de elevador chinfrin. local da visão: edifício zigmunt katz. agência: lab/abaeté. endereço: rua da aurora. quando? começo dos anos 70. 
e também lá estavam schettini( o pai psicólogo/publicitário do filho psicólogo, pressuponho),o erly, endiabrado mídia vindo da lab são paulo e, complementando a comissão de frente, um tal de ernesto na direção de criação, que disto não sabia, genro do queiroz, muito mais para o arnesto do adoniran.  uns "meninos do banorte", ao que parecem irmãos, um deles o israel wanderley, completavam o time da criação para o qual fui indicado  por obra e graça da minha inquietude estudantil. 


se tudo é comunicação, como diz umberto eco, aquele gesto de arregaçar as mangas, quer seja tomado como simbolo, ícone, índice, sinal, como queiram os da semiótica de arrasto,  não importa se significante de uma verdade ou não, para mim o foi. teve peso. solava as representações dândi a que costumamos relacionar os da atividade. e fazia do gesto uma marca de quem não se fia neste clube de amigos dos 50%.


assim, o que ficou para mim indelevelmente foi: trabalhe. trabalhe a 100%. se puder, trabalhe mais. pois esta é uma atividade onde os amigos que hoje lhe parecem dividir meio a meio tudo com você, serão os mesmos que lhe darão as costas por 5% a mais, muitas vezes até por menos do que isso. 


uma visão da atividade amarga e inoportuna para o momento? talvez. mas é a mesma que todos vivemos, queiroz* inclusive. então deixemo-nos de tretas e façamos nós o nosso próprio trabalho de arregaçar as mangas por inteiro sem esperar pelos amigos. pois quem espera que os amigos o façam, amigo não é.


* o chamei de queiroz, desde então, e nenhum desrespeito havia nisto. muito pelo contrário. colocar um seu, senhor ou doutor na frente de um nome, é fraudar o mérito próprio do nome dado ou construído, desrespeitoso por demasia, ao contrário do pensam os que engrossam a prática do desvio.