segunda-feira, agosto 21, 2017

quando nem tudo é, ou corre, ou voa, às mil maravilhas *

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Quando eu era criança, assim como inúmeras outras mulheres da minha geração que cresceram assistindo programas de tv americanos (mesmo quando dublados em árabe), eu costumava girar e girar, tentando alcançar super poderes como os da Mulher Maravilha. Eu queria contrair o meu nariz e magicamente transformar tudo ao meu redor, como Samantha de Bewitched.
Essas personagens femininas eram exceções entre as doces donas de casa, as secretárias eficientes e as donzelas em perigo que dominavam a mídia popular da minha época. A Mulher Maravilha e Samantha tinham o poder de mudar as próprias vidas, mesmo se esses poderes precisassem permanecer escondidos, sempre mantidos em segredo.
Eu sabia que as aquelas personagens não era reais, que os poderes delas eram mera fantasia feita para o entretenimento. Mas eu não parei de acreditar que talvez, apenas talvez, eu poderia ter poderes em algum lugar dentro de mim. Não importava se girar só me deixava tonta e se torcer o nariz não completava magicamente minhas tarefas domésticas. Eu continuava tentando.
Eu estou com 40 e poucos anos agora e o mundo mudou muito desde da minha juventude, quando o jornal impresso, o rádio e a televisão só mostravam às mulheres como serem esposas obedientes e agradáveis, boas mães e donas de casa eficientes.
Naturalmente, eu estava empolgada quando ouvi falar que finalmente Hollywood estava produzindo um filme da Mulher Maravilha com grande orçamento, depois de múltiplas interações de Batman, Homem-Aranha, Super Homem e outros filmes com super heróis homens. E, melhor ainda, o filme seria dirigido por uma diretora mulher.
Então, veio o choque e a traição.
Veio a tona que a Mulher Maravilha (ao menos nesta versão hollywoodiana) é uma sionista declarada e líder de torcida de crimes de guerra. Gal Gadot, a atriz do papel principal, foi um soldado ativo no exército quando Israel invadiu a bombardeou o sul do Líbano em 2006.
Em 2014, Gadot enviou uma mensagem de apoio para os soldados israelenses no momento que eles estavam abatendo mais de 2.100 seres humanos presos em uma praia sem nenhum lugar para se esconder ou chance de escapar. Vizinhanças inteiras foram bombardeadas, famílias inteiras ficaram soterradas dos escombros das suas próprias casas. Por 52 dias, eles fizeram a morte chover do céu, da terra e do mar nos cidadãos indefesos do lugar mais densamente povoado do planeta.
Aqueles que não foram assassinados, foram mutilados ou feridos de um jeito ou de outro. O bombardeio não parou até o pouco que sobrou da infraestrutura construída em Gaza depois da chacina anterior ser destruído de novo, incluindo hospitais, eletricidade, tratamento de água, agricultura, negócios, estradas, escolas e barcos de pesca.
Israel tem um dos exércitos mais mortíferos do mundo, com máquinas de guerra da mais avançada tecnologia, e usam esse poder na maioria das  vezes e com mais frequência principalmente contra populações desarmadas sem possibilidade alguma de se defender. O que Israel fez com a Palestina, e com a Faixa de Gaza em particular, é incontestável. É uma das piores formas de opressão e injustiça e, atualmente, já virou antiga.
Ainda, poucas mas preciosas opiniões tentaram examinar qual o significado de elencar uma Sionista para uma personagem feminina icônica. As reações da mídia tradicional foram, na maioria das vezes, laudatórias. A maioria da crítica focou na incongruência de colocar no elenco um mulher bonita para refletir uma imagem de poder feminino. Onde a ideologia de Gadot era mencionada, era no sentido de tentar reprimir a indignação pública quando veio a tona que ela era uma Sionista.
A defesa é familiar: Israel está lutando contra terroristas. Estão só se protegendo, tentando manter seus judaísmo iluminado no meio da barbárie da região não judaica. Isso é a mesma narrativa que o apartheid da África do Sul teve quando prendeu Nelson Mandela, quando cortou crianças de escolas em Soweto, ou quando massacrou protestantes em Sharpeville. Eles, também, estavam se defendendo contra as pessoas nativas que não gostavam de ser oprimidas.
E se Hollywood fizesse esse filme nos anos 1980s e colocasse no elenco uma militante do aphartheid para o papel de Mulher Maravilha? A mídia dos EUA iria focar no talento da atuação dela e na sua beleza, ao invés de no fato dela abertamente e com orgulho afirmar seu direito, enquanto mulher branca, de subjugar as pessoas do seu próprio país?
O que é mais desconcertante é que Gadot vem sendo chamada de feminista (por sua própria reivindicação), e, notavelmente, vista como uma mulher de cor. Queen Latifah se encaixa e teria feito um papel excelente de Mulher Maravilha, mas estou divagando.
A família de Gal Gadot veio para Palestina como colonizadora e conquistadora. Como a maioria dos Sionistas, a maioria de seus familiares mudou o nome Greenstein, para “indigenizar” eles mesmos. Mas isso não mudou quem realmente são. A posição de privilégio de Gadot na vida está baseada no desespero, desapropriação, roubo e destruição da sociedade indígena do lugar onde ela vive. Sobre isso, ela não oferece vergonha ou desculpas, mas sim orgulho.
Os debates feministas sobre esse filme têm ignorado esse fato crucial sobre ela. Eles têm omitido os aplausos da atriz sobre matanças desonestas que tiraram a vida de 547 crianças em menos de dois meses. No lugar disso, o foco das discussões vem sendo nas impossíveis proporções físicas dela. Essa é apenas mais uma maneira de como a destruição está normalizada na nossa sociedade.
Mas, não errem.
Não há conciliação entre Sionismo e feminismo. Esse feminismo imperialista antiquado pertence a outra era, quando as feministas lutavam pelo direito ao voto, mas apenas para as mulheres brancas.
Nas palavras de Jaime Omar Yassin, “O feminismo não pode ser Sionista, assim como não pode ser  neonazista. Feminismo que não tem um entendimento de como ser interseccional com as opressões raciais e étnicas é simplesmente uma diversificação da supremacia branca.”
Eu não vi o filme e nem pretendo. Mas milhões de meninas assistiram ou vão, incluindo garotinhas Palestinas, como uma versão mais nova de mim mesma. Elas vão ver superpoderes femininos simbolizados numa super heroína que tem desdém, desrespeito e desprezo por vidas Palestinas. É uma pintura dolorosa de ser contemplada. Eu só posso agradecer ao Líbano e a Tunísia – e as pessoas individualmente no mundo todo – por boicotarem o filme.

*A maravilha do feminismo imperialista
Ou como a Mulher Maravilha virou de heroína à apoiadora de crimes de guerra.

Por Susan Abulhawa
*Susan Abulhawa é uma escritora palestina. Autora do livro best-seller internacional “Morning in Jenin” (Bloomsbury, 2010). Ela também é a fundadora do Playgrouds for Palestine, uma ONG para crianças.
Texto publicado originalmente em inglês no site do Aljazeera.
Tradução de Carolina Braga.
Nota da tradutora 1: Essa tradução foi publicada com a autorização da autora.
Nota da tradutora 2:
Enquanto mulher feminista que defende um feminismo intersec, negro e classista, resolvi traduzir esse texto de Sandra Abulhawa buscando ampliar a possibilidade de debate. Quero deixar registrado, por fim: feminismo que cola com opressões étnico-raciais não é feminismo, é supremacia branca.
Carolina Braga é pernambucana, feminista, jornalista, historiadora e mestranda em História Social na UFF.

quarta-feira, agosto 09, 2017

a geração perdida ou a geração fanta guaraná ¹

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Demorei sete anos (desde que saí da casa dos meus pais) para ler o saquinho do arroz que diz quanto tempo ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo estar “al dente”, muito arroz empapado dizendo que “foi de propósito”. Na minha panela esteve por todos esses anos a prova de que somos uma geração que compartilha sem ler, defende sem conhecer, idolatra sem por quê. Sou da geração que sabe o que fazer, mas erra por preguiça de ler o manual de instruções ou simplesmente não faz.

Sabemos como tornar o mundo mais justo, o planeta mais sustentável, as mulheres mais representativas, o corpo mais saudável. Fazemos cada vez menos política na vida (e mais no Facebook), lotamos a internet de selfies em academias e esquecemos  de comentar que na última festa todos os nossos amigos tomaram bala para curtir mais a noite. Ao contrário do que defendemos compartilhando o post da cerveja artesanal do momento, bebemos mais e bebemos pior.
Entendemos que as BICICLETAS podem salvar o mundo da poluição e a nossa rotina do estresse. Mas vamos de carro ao trabalho porque sua, porque chove, porque sim. Vimos todos os vídeos que mostram que os fast-foods acabam com a nossa saúde – dizem até que tem minhoca na receita de uns. E mesmo assim lotamos as filas do drive-thru porque temos preguiça de ir até a esquina comprar pão. Somos a geração que tem preguiça até de tirar a margarina da geladeira.

Preferimos escrever no computador, mesmo com a letra que lembra a velha Olivetti, porque aqui é fácil de apagar. Somos uma geração que erra sem medo porque conta com a tecla apagar, com o botão excluir. Postar é tão fácil (e apagar também) que opinamos sobre tudo sem o peso de gastar papel, borracha, tinta ou credibilidade.
Somos aqueles que acham que empreender é simples, que todo mundo pode viver do que ama fazer. Acreditamos que o sucesso é fruto das ideias, não do suor. Somos craques em planejamento Canvas e medíocres em perder uma noite de sono trabalhando para realizar.
Acreditamos piamente na co-criação, no crowdfunding e no CouchSurfing. Sabemos que existe gente bem intencionada querendo nos ajudar a crescer no mundo todo, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais, fechamos a janela do carro na cara do mendigo e nunca oferecemos o nosso sofá que compramos pela internet para os filhos dos nossos amigos pularem.
Nos dedicamos a escrever declarações de amor públicas para amigos no seu aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Não nos ligamos mais, não nos vemos mais, não nos abraçamos mais. Não conhecemos mais a casa um do outro, o colo um do outro, temos vergonha de chorar.
Somos a geração que se mostra feliz no Instagram e soma pageviews em sites sobre as frustrações e expectativas de não saber lidar com o tempo, de não ter certeza sobre nada. Somos aqueles que escondem os aplicativos de meditação numa pasta do celular porque o chefe quer mesmo é saber de produtividade.
Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar. Mas não vai ter feito muita coisa porque estava com fome e não sabia como fazer arroz.
*a triste geração que tudo idealiza mas nada realiza por marina melz, na revista pazes. 
nota do blog: esta geração fanta-guaraná¹  é do piorio, bem mas bem pior que a geração coca-cola

quarta-feira, agosto 02, 2017

o inversamente proporcional só não basta

fundamentalmente um bom criador publicitário é aquele que desenvolve a capacidade de enxergar até onde vai o grau máximo da estupidez humana e passa a utilizar isso com um mínimo de inteligência em favor do que anuncia. chega a dar pena. mas o que acontece é justamente o em contrário ou seja: com um mínimo de inteligência avança sobre os brocados com o máximo de estupidez. e só o fato de ter de explicitar isto mostra a quantas anda a compreensão da sua inteligência.

* hoje creio que piorou. julgo que não tenho estupidez emocional para achar inteligência na maioria da publicidade dirigida aos teens. e não porque não mais o seja. é que na grande maioria dos casos ou cases, hoje em dia, para se ser gênio é preciso ser estupido. e como não sou uma coisa nem outra, sigo outsider. p.s. fanta guaraná, e o que é que tem ? cérebro é que não, pelo menos em sua comunicação.

terça-feira, julho 25, 2017

o pavãozinho de curitiba - ou moro não entende um caralho *


Na lista, não aparece o “bem” que resultou em sua condenação, o triplex no Guarujá. Nem sítio algum. O triplex foi confiscado na condenação, mas a Justiça ainda não achou o dono para comunicá-lo do fato — detalhe irrelevante. Portanto, ele continua lá, onde sempre esteve, e vazio, como sempre esteve.
Não sei bem o que o magistrado pretende com esse confisco, além de dar sequência a uma perseguição abominável ao seu alvo predileto, seu objeto de onanismo, o combustível que lhe faz levantar todos os dias pela manhã para dar o nó na gravata preta sobre a camisa idem.
Mas me chamou a atenção o desprezo por um dos veículos do ex-presidente, que como chefe do maior esquema de corrupção da história do planeta conseguiu amealhar patrimônio decididamente invejável: além de três apês e um terreno no ABC, um incrível Ômega, uma possante Ranger e uma… INACREDITÁVEL PICAPE FORD F1000 1984!!!!
Caralho, uma F1000! E 1984! DIESEL, PORRA!!!! IGUAL A ESSA AÍ EMBAIXO!!!!
Não sei o estado dela, porém. Tomara que esteja linda como essa da foto que achei na internet.
De fato, Lula roubou muito. É notória a preferência, na história dos grandes larápios de dinheiro público do planeta, por apês em Bernô e terrenos no Riacho Grande, assim como por caminhonetes usadas.
Aliás, queria dizer uma coisa. Esse negócio de avião, helicóptero, casa de 20 mil metros nos Jardins (com muros imaculados e IPTU sonegado), mansão em Campos do Jordão (com terreno invadido para colocar o gerador), apartamento em Miami (não declarado), estúdio em Paris, cobertura na Vila Olímpia, contas na Suíça, joias, Porsches, Ferraris, Lamborghinis, iates, lanchas… Sério, alguém acha que isso pode ser fruto de dinheiro sujo? Isso é coisa de jeca, mesmo, de novo-rico que curte um Romero Britto, sua arte.
Roubalheira de gente grande resulta em uma F1000 1984, que o pavãozinho de Curitiba, inclusive, decidiu não confiscar. No seu despacho de sexta-feira, que veio à tona hoje, está lá, com todas as letras: “A constrição do veículo Ford F1000, de 1984, indefiro pela antiguidade do veículo, sem valor representativo”.
Gostaria de me ater a este rasgo de generosidade do togado do rosto quadrado, uma vez que é área na qual milito, a dos automóveis e afins.
COMO ASSIM, UMA F1000 NÃO TEM VALOR REPRESENTATIVO? DE QUE PLANETA VEIO ESSE CIDADÃO? COMO PODE DIZER ISSO DE UM CLÁSSICO DA FORD, QUE VEIO PARA DESBANCAR A D10 DA CHEVROLET E FEZ DAS PICAPES UM SONHO DE CONSUMO DOS JOVENS URBANOS, TIRANDO-AS DAS ESTRADAS POEIRENTAS DO BRASIL?
Nota-se que o meritíssimo não entende um caralho de carro, entre outras coisas.
* no facebook do flávio gomes

domingo, julho 23, 2017

hoje, diria que está mais para ass book. mas continua valendo para qualquer face

publicitários e putas tem muito e mais em comum do que podem pensar certos pensamentos sórdidos que não passam disto.
ambos são prestadores de serviços. o que é sempre, em qualquer atividade, uma tarefa muito complicada. sempre cheia de frustrações na maioria dos casos, significando trabalho duro e parcamente remunerado, quiçá compreendido, apesar das exceções que impigem o contrário. e quase nunca obtendo orgasmo perfeito, apesar do seu arcabouço, fingido ou não, o configurar.
porém há uma diferença, putas para dar cabo do seu trabalho tem de imperiosamente abrir as pernas, ficar de quatro ou engolir sacos. já o publicitário não. ele tem sempre a opção de não fazer nada disto. se o faz, é porque está na profissão errada. e não adianta descambar com deslumbramentos para o lado das putas, porque lá amadores não tem vez, sequer para limpar penicos quanto mais para um lambe-cus.

quarta-feira, junho 28, 2017

respondendo a pergunta(no facebook*) se ainda vale a pena fazer o curso de publicidade?

na origem o curso de publicidade era uma piada - de mau gosto. depois tornou-se stand up, tal como o curso de jornalismo. não há a visão pluralizada que solidificou os patamares da nossa propaganda, oriunda de staffs repletos de gente de formações diversas(acadêmicas ou não) e que encontrava na publicidade a oportunidade de expandir horizontes - romper barreiras mesmo - para além dos títulos empostados e factoides. há uma azáfama em ser moderno, em ver o mundo apenas como digital&cia , o que é válido, mas não como princípio único, esquecendo que somos um pais de terceiro mundo - com uma elite publicitária que finge ser de primeiro muito bem, até dar de cara com o varejo - e onde uma parcela substancial do mercado ainda depende de serviço de alto-falantes, de serviços de som montados em bicicletas, de "mosquitos" (pequenos folhetos) e placas pregadas em poste, de rádios não digitais, de recursos que os alunos e professores destes cursos, sequer conhece, ou prefere esquecer. não se trata de defender o atraso. mas não existem alfas sem alcateias. e, se quem dirige as alcateias, só rosna por um caminho, a coisa empaca. o mercado brasileiro é imenso - muito maior do que pensa ser são paulo - há gente que vai tomar briefing dentro da floresta. e estes são os caras que cutucam onça com vara curta(coisa que quem ganha leão não faz). então, curso sim, mas curso também não. a única obrigatoriedade deveria ser a de fazer boa publicidade. mas isto ultimamente, nem obrigado, ou seria não obrigado?

sim, cursos de publicidade prometem fazer você enxergar mais longe, mas não passam de lunetas tapa-olho. e cá pra nós: o formato fálico do canudo, tá te querendo dizer alguma coisa. portanto, abra os olhos, pra depois não ficar ardido por outras vias.



* quem reclama de textão é porque não sabe ler e escrever(coisa em que muito publicitário atualmente é meste).

segunda-feira, junho 26, 2017

uma das razões pelas quais a maça é mordida apenas de leve

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steve jobs disse: “não faz sentido contratar pessoas inteligentes para depois lhes dizer o que fazer".

ao que parece, donos de agência - que julgam-se coronéis pítons do asfalto(na verdade são corre-campos) - não dão muita trela para os dizeres de job. sim, eles adoram equipar\ornar, agências com macs. mas na hora de estabelecer princípios gerais e particulares de gestão, fincam pé nos manuscritos do mais do mesmo, e fazem" todo mundo" engolir goela a dentro suas cuspidas e, quando não raramente, suas cagadas,

como afirmei, certa vez, a vesicular dono de agência(que até hoje pensa que é publicitário - todo dono de agência se acha publicitário, e brilhante,o que na maioria das vezes é justamente o contrário) que diretor dirige, não é dirigido. portanto, se contrata um diretor de criação, ele deve ser senhor da sua seara, cabendo a ele protagonizar sua eleição.

queria com isto dizer que ia fazer o que me desse na telha e nos pentelhos? obviamente que não. toda estrutura tem seu dna. e o jogo a ser jogado, leva em consideração tais premissas. cabe ao diretor de criação, estabelecer os critérios de atuação em que a criação será pensada e efetivada, discutindo eventualmente pormenores de certas ações. é assaz espantoso que isso não seja dado internalizado nas agências em 2017.

o fato é que, se a cada meio de expediente, por uma indigestão qualquer, o dono da agência adentra o ambiente e modifica o que foi traçado(ou na calada) se ele assim o faz, não se comporta como diretor geral, presidente, ceo, ou que denominação use, e sim como aquilo que é: dono. e agência que tem dono, ao contrário do que diz o ditado popular, nestes termos, a única coisa que engorda é a estupidez e a mediocridade - você conhece vários exemplos, isto se não estiver metido até o pescoço em um deles.

então, se assim o é, das duas uma(o melhor é que fosse nenhuma) ou o diretor contratado é incompetente criativa, moralmente e organizacionalmente falando, ou o dono assina em embaixo que monta o time como dono da bola, e neste caso perneta.

criativamente, é sempre um gol contra. mas é a tal coisa: jobs, há muitos. steve, apenas um.

quarta-feira, junho 14, 2017

aos governantes e governados mas, principalmente, aos desgovernados

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Todos os dias os ministros dizem ao povo 

Como é difícil governar. Sem os ministros 
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima. 
Nem um pedaço de carvão sairia das minas 
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda 
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra 
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol 
Sem a autorização do Führer? 
Não é nada provável e se o fosse 
Ele nasceria por certo fora do lugar. 

2. 
E também difícil, ao que nos é dito, 
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão 
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem. 
Se algures fizessem um arado 
Ele nunca chegaria ao campo sem 
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem, 
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que 
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural? 
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas. 

3. 
Se governar fosse fácil 
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer. 
Se o operário soubesse usar a sua máquina 
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas 
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários. 
E só porque toda a gente é tão estúpida 
Que há necessidade de alguns tão inteligentes. 

4. 
Ou será que 
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira 
São coisas que custam a aprender? 

(Dificuldade de Governar Bertolt Brecht)

segunda-feira, abril 17, 2017

crianças com menos de 1 ano são viciadas na coca pelos pais, quem mais ?



e não adianta mamar que a coca alimenta o peito entupido da mesma coca
e outras drogas (cancerígenas inclusive) mais
A MAIOR EPIDEMIA INFANTIL DA HISTÓRIA
Os dados são mesmo alarmantes: 56% das crianças brasileiras com menos de um ano bebem refrigerante – até mesmo em mamadeira.
https://t.dynad.net/pc/?dc=5550001577;ord=1492382079440Um pacote de biscoito recheado equivale a oito pães franceses. Em cada cinco crianças obesas, quatro serão obesas no futuro.
A maior parte das crianças brasileiras passa mais tempo em frente à televisão do que na escola.
Redes de fast-food, em suas informações nutricionais, trocam a palavra “açúcar” por “carboidrato”.
O filme Muito Além do Peso fala justamente não só sobre o problema da obesidade infantil, mas do sobrepeso – 30% das crianças brasileiras estão acima do peso. E de como isso pode interferir na saúde e no futuro desta geração.
Dirigido por Estela Rener e Marcos Nisti, o documentário estreou na semana anterior e encontra-se em cartaz no Rio de Janeiro, no cinema Arteplex.
“Obesidade e sobrepeso carregam com eles outras doenças muito graves, que só víamos em adultos até então: diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer, doenças do coração, pulmão, entre outros”, diz a diretora.
“É preciso sacudir as pessoas em relação a esse assunto. Os pais sabem que seu filho está com colesterol alto, mas acreditam que vai passar, que sempre vai acontecer a fase do estirão”, raciocina.
Um dos maiores problemas é que muitos acreditam – erroneamente – que a genética é a grande vilã e que seus esforços de alimentar seus filhos serão em vão.
“Poucos sabem que o fator genético ocupa somente 10% dos casos e que a obesidade e o sobrepeso podem também ser domados com uma reeducação alimentar”, defende Estela, que, também ao lado de Marcos Nisti, dirigiu Criança, a Alma do Negócio.
O documentário ainda chama a atenção para hábitos rotineiros que ajudam a piorar o quadro geral: horas em frente à televisão e computadores, maus hábitos alimentares e a negociação do afeto ou da obediência por meio da comida.
Algumas cenas são emblemáticas, como a da birra em que uma criança só se acalma e para de chorar compulsivamente quando recebe a guloseima que tanto deseja – obviamente, recheada de calorias.
O filme, que levou dois anos para ser concluído, fez a equipe entrevistar famílias de norte a sul, leste a oeste do Brasil: de grandes cidades a pequenos municípios, comunidades rurais e até aldeias indígenas.
Há várias situações inusitadas, entre elas a de um cacique que é adepto do macarrão instantâneo e de crianças que não identificam uma batata ou uma cebola.
“O Brasil é um país enorme, mas os problemas alimentares das crianças, em geral, são os mesmos, independentemente de onde ou como vivem”, ressalta a cineasta.
“Tanto a criança do Amazonas quanto a do Rio Grande do Sul não sabe o que é um mamão e não lembra quando foi a última vez que comeu uma manga. E todas adoram e consomem salgadinhos e refrigerantes“, conta Estela.
Além das entrevistas com as famílias e dos dados pesquisados, o filme ouviu uma série de especialistas nacionais e internacionais da medicina, da nutrição, do direito, da psicologia, da publicidade, entre outros.
Entre eles, Frei Betto; Enrique Jacoby, médico da Organização Mundial de Saúde; o chef Jamie Oliver e Amélio Fernando de Godoy Matos, do Instituto de Diabetes e Endocrinologia.
“As pesquisas, segundo Jamie Oliver, indicam que a criança de hoje viverá 10 anos a menos que seus pais por causa do ambiente alimentar que criamos em volta dela”, alerta a diretora. E defende, como prevenção, uma campanha para a TV aberta nacional.
Os especialistas defendem a regulamentação da composição do produto por parte do governo, como também sobretaxar alimentos que vão gerar custo para a saúde pública depois – como fazem com o cigarro, no caso de produtos muito ricos em açúcares, gordura e sal.
A educação alimentar nas escolas deve entrar como parte do currículo escolar das crianças. Eles também apontam como fundamental as campanhas de mídia alertando para o que se deve e o que não se deve oferecer para o seu filho no cotidiano.
Além disso, não se pode esquecer de aparelhar pais e mães para que eles possam ter e também dar uma educação alimentar no ambiente doméstico.
“É preciso regulamentar a publicidade dirigida às crianças urgentemente. Não podemos mais deixar que os pais sozinhos enfrentem esta batalha só porque eles são os pais das crianças. Os pais precisam de ajuda porque as crianças precisam de ajuda”, defende Estela.
Em sua opinião, as cenas dos bebês tomando refrigerante antes do primeiro ano de vida são as mais chocantes.
“Um dos nossos primeiros contatos com o mundo é por meio do aleitamento materno, e é um momento fundamental de reconhecimento e formação da relação mãe e filho. Além de chocante do ponto de vista da saúde, acho muito simbólico, do ponto de vista das relações que estamos criando, ter um produto tão cheio de químicos já intrometido entre mãe e filho”.
Depois do filme, até a equipe de produção mudou os hábitos alimentares. “Você convive com isso por quase dois anos, e naturalmente não tem mais coragem de colocar na boca uma coisa que tem um corante proibido na Europa porque provoca câncer”, conclui a cineasta.
Quem assistir ao filme Muito Além do Peso, com certeza, vai mudar.
por mariana claudino, extraído do pensar contemporâneo.

sexta-feira, março 31, 2017

e agora jesuses, mharias, josésis ?

A publicidade alinhada com os meios de comunicação tem mais de um terço de probabilidade de gerar lucro para
os anunciantes e 85% mais de atrair novos consumidores. A conclusão é do consultor de marketing Peter Field e da empresa Newsworks.

De acordo com o consultor, que analisou os dados do IPA Effectiveness, prêmios da indústria dos media, para estudar a eficácia do marketing no atual panorama de comunicação, concluiu que os meios de comunicação, enquanto marca, são uma "bênção" para a eficácia, lucro e penetração dos anunciantes.

Assim, campanhas que recorrem aos meios de comunicação têm mais 43% de probabilidade de gerar "uma grande" participação do mercado, sendo ainda duas vezes mais propensas de reduzir a sensibilidade ao preço e aumentar a fidelidade dos clientes.

O consultor concluiu ainda que a eficácia dos meios impressos está a florescer, contrariamente à narrativa dominante que prevê o fim da imprensa. A análise de Peter Field mostra que, ao contrário da ideia de que os canais digitais são melhores para conquistar novos clientes, são os meios impressos que se mostram cada vez mais eficazes a fazê-lo.


(fonte:  
briefing@briefing.pt )

quarta-feira, março 15, 2017

os caras do (neuro) marketing - e do google e do facebook - não vão gostar

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O que convence um cliente – e um consumidor, são os feromônios da paixão.

Perceber que suas mãos, suas pernas e seu tino atendem à sua vontade e não ao navegar imprevisível dos sonhos, é um alívio. Mas cada vez que ele, seu ego, quer botar a cabeça para fora da maré do mundo e dos outros, não basta reafirmar essa vontade, é preciso entregar-se, vulnerável e inocente, ao imprevisível. À paixão.
O ego e a paixão são os doces venenos que te arrancam da cama, todos os dias.
A comunicação, apesar das pretensões e das invenções, é uma das mais inexatas das faculdades humanas. 80% é ótimo, mas se cair nos 20%, é ruim.
Podemos fazer todas as pesquisas do mundo, todas as previsões possíveis, invocar tendências, fazer cálculos preditivos com os mais extraordinários computadores, ainda assim – e ainda bem – toda mensagem depende de quem comunica e de quem interpreta.
Portanto, a quantidade de variáveis é enorme e incontrolável: e se meu produto? E se meu concorrente? E se meu chefe? E se meu público? E se o governo? E se São Pedro? E se o chefe do meu chefe? E se?
Quando um cliente entra numa sala de reunião, ele finge o tempo todo: finge saber, finge gostar e finge não gostar. Mesmo que ele esteja sentado numa pilha de números irrefutáveis-mas-nem-tanto.
Pois o trabalho de um publicitário, o verdadeiro trabalho, não é de levantar hipóteses irrefutáveis-mas-nem-tanto. O trabalho do isso-e-aquilo é o sintoma da pior coisa que um publicitário pode ser: o evangelista do consenso.
Mas o ego afirmativo é condição necessária mas não suficiente.
Na vida, podemos terminar todas as nossas conversas com um “te amo” e encher nossas mensagens de pontos de exclamação. Podemos também decorar fórmulas de ênfase, carregar de superlativos e clichês nossos argumentos. Mas as palavras são pobres traduções das emoções.
Um olhar, um gesto ou um silêncio podem ser muito mais eloquentes que mil emoticons e vídeo-cases. Comunicar-se não é uma questão de semântica lógica. Não é uma questão da tradução técnica de códigos.
Comunicar-se é uma questão de energia. O publicitário do se-isso-então-aquilo é a segunda pior coisa que ele pode ser: o matemático da obviedade.
O que convence um cliente – e um consumidor, são os feromônios da paixão.
* ao trabalho do publicitário, no webinsider, do fernand alphen