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terça-feira, abril 07, 2015

"livre pensar, é só pensar" *



Nós somos @s #JornalistasLivres.
Quem Somos nós?


#JornalistasLivres somos uma rede de coletivos originada na diversidade.
Existimos em contraponto à falsa unidade de pensamento e ação do jornalismo 
praticado pela mídia tradicional centralizada e centralizadora. Pensamos com nossas 
próprias cabeças, cada um(a) de nós com sua própria cabeça. Os valores que nos 
unem são o amor apaixonado pela democracia e a defesa radical dos direitos humanos.

#JornalistasLivres nos opomos aos estratagemas da tradicional indústria 
jornalística (multi)nacional, que, antidemocrática por natureza, despreza 
o espírito jornalístico em favor de mal-disfarçados interesses empresariais 
e ideológicos, comerciais e privados, corporativos e corporativistas.

#JornalistasLivres não agimos orientad@s por patrão, chefe, editor, marqueteiro ou censor. 
Somos noss@s própri@s patrões/patroas, somos noss@s própri@s empregad@s. 
Almejamos viver em liberdade e vivemos na busca incessante por liberdade.

#JornalistasLivres produzimos REPORTAGEM. Lamentamos o confinamento a que a 
indústria midiática relegou o mais nobre dos gêneros jornalísticos e trabalhamos para 
reduzir o abismo de desequilíbrio. A matéria-prima de nossas reportagens é HUMANA. 
Almejamos um jornalismo humano, humanizado e humanizador, ancorado principalmente 
em personagens da vida real (não só em estatísticas), na frondosa diversidade da vida 
dentro da floresta (não à distância robocop das tomadas aéreas panorâmicas),
 na fortuna das histórias (não dos cifrões).

#JornalistasLivres lutamos pela democratização da informação, da comunicação e da vida 
em sociedade, contra a ditadura de pensamento único instalada dentro das redações 
convencionais. Agimos por espírito público, jamais por interesses privados. Produzimos reportagem, crônica, análise, crítica, nunca publicidade ou lobby privado. Somos jornalistas-cidadãs 
e jornalistas-cidadãos, comprometid@s a informar sob a égide da cidadania e do 
combate às desigualdades. Trazemos notícias d@s frac@s e oprimid@s, sabendo 
que individualmente também somos frac@s e oprimid@s,
 mas TOD@S JUNT@S SOMOS FORTES.

#JornalistasLivres acreditamos que a história da qual participamos, todos os dias, precisa ser 
contada a partir de muitos pontos de vista. Somos ambicios@s a respeito das narrativas 
do nosso tempo. Fazemos o registro da história e das histórias e não aceitamos que 
a realidade seja registrada somente pelos que detêm o poder econômico, político e cultural.

#JornalistasLivres não observamos os fatos como se estivéssemos deles distantes e alienad@s. 
Sabemos que a mídia, o jornalismo e @s jornalistas interferem diretamente naquilo 
que documentamos, reportamos e interpretamos. Não nos anulamos, não nos apagamos 
das fotografias, não nos escondemos atrás dos fatos para manipulá-los. Nos assumimos 
como participantes ativ@s dos fatos que reportamos. Participamos da realidade como cidadãos 
e cidadãs movid@s pelo interesse coletivo: transparentes, franc@s, abert@s, democrátic@s.

#JornalistasLivres não competimos entre nós. #JornalistasLivrescolaboramos uns com 
as outras e com a sociedade a que nos apresentamos como trabalhadoras e trabalhadores.

#JornalistasLivres abominamos a hierarquia, o autoritarismo, o patrimonialismo, o patriarcalismo. #JornalistasLivres prezamos a descentralização em uma sociedade horizontal, igualitária, fraternal. 
Sob o guarda-chuva d@s #JornalistasLivres cabemos VOCÊ e brasileir@s de todos 
os quadrantes, dos interiores e dos litorais, das florestas e dos sertões, das roças e das cidades, 
das periferias e dos centros, além de tod@s @s brasileir@s expatriad@s e @s não-brasileir@s 
que adotaram o Brasil como sua casa.

#JornalistasLivres somos uma rede que funciona a partir do conceito de rede distribuída, não tem 
centro, não tem intermediários. Tod@s @s#JornalistasLivres somos pontos importantes em um 
mesmo nível de acesso à informação, manifestação, ação, decisão e responsabilidade. 
Apostamos na multiplicação de nós mesm@s e no livre compartilhamento do que produzimos, salvaguardados o compromisso ético e os direitos individuais de autoria. Convidamos tod@s 
a se somarem na construção desse processo colaborativo, a organizer seus próprios coletivos 
em seus estados, cidades, bairros, comunidades, a ser #JornalistasLivres.

#JornalistasLivres nos horrorizamos diante de quaisquer preconceitos e vivemos para 
combatê-los. Somos mulheres, homens, cisgêneros, transexuais, não-binári@s, negr@s, 
branc@s, amarel@s, mestiç@s, indígenas, quilombolas, caiçaras, lésbicas, gays, homossexuais, 
bissexuais, heterossexuais, polissexuais, assexuais, religios@s, ateus, agnostic@s, pobres, 
remediad@s, ric@s, velh@s, jovens, de meia-idade, experientes, novat@s, alun@s, professores, arraigad@s, nômades, cigan@s, INDECIS@S. Existimos para trazer notícias desses povos, 
de todos os povos.Combatemos frontalmente a misoginia, o racismo, a homofobia, a lesbofobia, 
a transfobia, as fobias, os preconceitos de origem social, o fascismo, a desigualdade, o ódio 
à democracia e à coexistência democrática. Defendemos a liberdade religiosa individual como 
defendemos a laicidade do Estado. Somos libertári@s e prezamos a memória, a verdade, 
a justiça, a solidariedade.

#JornalistasLivres nos indignamos profundamente com a desigualdade racial vigente neste país 
de maioria afrodescendente que teima em afirmar que “não somos racistas”. Afirmamos 
a urgência do combate à discriminação racial e social, ao genocídio da população negra, 
à desumanidade carcerária.

#JornalistasLivres sabemos que escutar é o maior dom d@s jornalistas.#JornalistasLivres 
falamos e nos expressamos, mas acima de tudo ESCUTAMOS a polifonia de vozes ao nosso 
redor (e, inclusive, dentro de nós mesm@s). Praticamos um diálogo, uma algazarra polifônica, 
jamais um monólogo.

#JornalistasLivres não carregamos certezas. Não sabemos mais do que VOCÊ. Não somos 
don@s da verdade, de nenhuma verdade. Pedimos a VOCÊ que, a um só tempo, acredite 
e duvide do que escrevemos, falamos, gravamos, reportamos. Queremos disseminar ideias 
e, entre elas, a ideia de que o que produzimos serve ao diálogo e ao debate, nunca para 
decretar a ninguém o que pensar ou como agir.

#JornalistasLivres temos lado (cada uma de nós tem seus próprios lados). Individualmente, 
não somos neutr@s, isent@s, apartidári@s, branc@s ou nul@s. Nossa pluralidade 
é resultado do agrupamento de todos nós, não da ruptura interna de nossos corpos 
e mentes individuais.

#JornalistasLivres sabemos que tod@ cidadã e cidadão se torna um(a) jornalista quando 
está munid@ de sua rede social, de seu blog, de seu telefone celular, de sua câmera filmadora, 
de suas próprias ideias. Estamos convict@s de que a realidade lá fora é a soma complexa, 
desierarquizada e contraditória de todos os nossos olhares, escutares e falares aqui dentro.

#JornalistasLivres acreditamos no jornalismo como fonte de conhecimento transformador, 
de superação das desigualdades e de construção de um mundo menos autoritário e menos 
concentrado nas mãos de um poderio militar, econômico e midiático. #JornalistasLivres 
não toleramos manipulações midiáticas, impérios, ditaduras.#JornalistasLivres queremos 
os povos unidos, fortes e soberanos — em especial os da América Latina, porque aqui vivemos.

#JornalistasLivres amamos a cultura, a arte, a cidadania, a política, a memória, a história, 
o cotidiano, o convívio. #JornalistasLivres amamos, não odiamos — mas sabemos enfrentar 
os que odeiam. #JornalistasLivrespraticamos a observação do cotidiano e o senso crítico 
sob o prisma do SIM, mais do que o do NÃO. Nosso jornalismo é afirmativo, jamais reativo ou reacionário. Não somos jornalistas contra (tudo e todos), somos jornalistas a favor (da justiça, do aprimoramento humano, da convivência em sociedade, da troca, da alegria, da felicidade, 
da sexualidade, da paixão, do amor, da luta por um planeta mais limpo para as gerações que virão).

Nós somos @s #JornalistasLivres.

* millor fernandes

quarta-feira, março 25, 2015

sim, o maléfico anda fazendo escola

gladiadores do altar da igreja universal. 
qualquer semelhança com a ideologia nazi-fascista-imperialista-midiática 
seria mera coincidência?

























 “Quando se estuda jornalismo na faculdade é para se formar redatores iguais. O que importa é o marketing, que sejam lidos”, disse. A formação seria então mais comercial do que profissional. O resultado, para Savio, é que a imprensa trata de eventos, não de processos. Assim, produz-se coberturas sem contextualização e que não dão conta da complexidade do mundo(Roberto Savio, presidente da agência italiana Inter Press Service).


misterwalk comenta: e  o que dizer então de publicitários formados nestas formas de gelo destas mesmas faculdades? são estes que vão produzir diferenciação, rupturas, disrupturas na comunicação de marketing de marcas? 

ah! conta outra. não me faça rir como aquela agência que diz ser diferenciada por instinto e em suas contas apresenta um repeteco de perfil que desmente toda e qualquer diferenciação anunciada ou melhor, neste caso, renunciada. 

o mal da maioria esmagadora das agências é que elas querem se diferenciar pelo que é produzido por seus intestinos( e chama isto de genial) e não pelo cérebro, corroborando a ideia, dominante na prática, da sustentabilidade do negócio baseado no fato sólido porém de resultados aquosos que merda dá dinheiro. então pra que mudar? diferenciação? apenas na tentativa do disfarçe o cheiro, onde nem nisso há diferenciação. é sempre a mesma cantilena do pensamento estratégico, de mais um termo em inglês, das pesquisas, do digital. bom você,se publicitário, minimamente ativo, conhece o repertório passivo como ninguém. 

ao fim e ao cabo, toda unificação é maléfica. mas o mal do mau é que até ele pode ser bem feito, o que no caso da formação publicitária atual não acontece. mas que causa tanto mal como mal maior seria se esta formação conseguisse formar algo mais que gladiadores de mais do mesmo.

p.s. se você acha que não, cito  o desastre de comunicação do governo ao produzir mais do mesmo sem a menor ideia do que seja timing, já que não havia ideia nenhuma em sua comunicação que não fosse repetição de outras cópias. nem precisou a oposição produzir material. o fogo amigo resolveu tudo de uma vez só. deve ser isso que se aprende na faculdade. como dar tiro no pé com metralhadora para demonstrar poder de fogo(leia-se criatividade;efetividade).

quarta-feira, janeiro 14, 2015

bad news, good news? maybe not, maybe yes ou je suis é o caralho!

Mantive, durante anos, na sala do meu escritório uma capa da revista Time retratando centenas de corpos espalhados no chão de Ruanda, vítimas do genocídio perpetrado pela maioria hutu contra a minoria tutsi em 1994. Nela, pessoas procuram por parentes e aves procuram por almoço.
O título era algo como “Este é o início dos últimos dias, o apocalipse'' – talvez uma tentativa de chamar a atenção dos Estados Unidos e Europa para o massacre através de um elemento simbólico que está no alicerce de sua fundação: o julgamento final do Novo Testamento.
Mas não era o começo do fim, apenas mais um expurgo – tanto que, após os 800 mil mortos em Ruanda, tivemos tempo de matar mais 400 mil no Sudão.
Essa capa era um lembrete para me empurrar para fora da zona de conforto. E também uma verdade incômoda. Em 1998, quando estava cobrindo a guerra pela independência de Timor Leste, onde o exército indonésio matou – de bala ou de fome – mais de 30% da população da ilha, um vendedor me disse, ao saber de onde eu era, que ficava feliz pelo Brasil, visto como um grande irmão lusófono, apoiar a luta.
Não tive coragem de dizer a ele que o meu país nem sabia de sua existência e que se aqueles mauberes pardos vivessem ou morressem, praticamente nenhuma ruga de preocupação seria produzida. Duvido que entre vocês, leitores, muitos tenham ouvido falar do Massacre do Cemitério de Santa Cruz, em Dili, capital de Timor. Imagine quantos massacres mais, mundo afora, acontecem invisíveis.
Por que relatamos tão pouco mortes nesses locais? A discussão faz parte de alguns debates acalorados em jornalismo. Isso é de interesse público? Do nosso público? As pessoas se interessam em saber sobre isso? Como as pessoas vão se interessar sobre isso se não as informamos com a devida importância? É possível ter opinião formada (não preconceito de internet) sobre aquilo do qual nunca se ouviu falar? Enfim, “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais''?
Some-se a isso alguns elementos. Na teoria, a Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que todos temos direito à dignidade por termos nascido humanos. Na prática, a vida de não brancos vale menos que a vida de brancos. E a vida de ricos vale mais que a vida de pobres. E as das mulheres menos que as dos homens. Simples assim. Se essa vida for de religião que cause estranhamento aos olhos ocidentais, pior ainda.
Outro elemento é a justificativa cultural, de que mortes em Nova Iorque, Roma, Paris e Londres causam mais impacto porque estão mais “próximas'' de nós. Elas aconteceriam no mesmo “caldo cultural'' em que estamos inseridos, com o qual temos uma histórica troca e convivência mútua e através do qual construímos nossa sociedade.
Sabemos quem são e como vivem e trabalham os moradores dessas cidades. E, a partir desse conhecimento, geramos empatia: nos projetamos no outro, entendemos a sua dor e conseguimos até senti-la.
Sim, mas se dividimos elementos simbólicos com a “metrópole'' também temos elos com as outras “colônias'', que passaram por processos históricos semelhantes aos nossos e, como nós, têm que pagar, até hoje, seus tributos. Seus problemas econômicos e sociais são semelhantes e, não raro, suas dores também. Mas damos as costas ao Sul e nos projetamos apenas ao Norte, sonhando, talvez um dia, em sermos reconhecidos como parte da mesma civilização ocidental da qual não fazemos parte.
Não é inato um jovem brasileiro se interessar mais por Miami do que por La Paz. Ele aprende isso. Da mesma forma que aprende que a África, boa parte da América Latina e o Sul da Ásia são locais em que a vida não vale muita coisa, em que selvagens se matam desde sempre, como se as marcas da colonização e os processos políticos e econômicos globais, somados à ignomínia dos seus líderes locais, não valessem de nada.
Se eles tivessem oportunidade de conhecer o outro, as coisas seriam diferentes.
Uma menina-bomba, com cerca de dez anos de idade, teria se explodido, neste sábado (10), levando 20 pessoas consigo em um mercado na cidade de Maiduguri, norte da Nigéria, área de atuação do Boko Haram – milícia fundamentalista que deturpa os ensinamentos do islamismo em sua luta por poder. Ganhou pouca atenção no noticiário.
Da mesma forma, provavelmente você nunca ouviu falar de Ricky.
Tive o prazer de conhecê-lo há alguns anos. Sua história é incrível. Ele foi raptado e escravizado quando criança pelo Exército de Resistência do Senhor, em Uganda – um grupo fundamentalista que deturpa os ensinamentos do cristianismo em sua luta por poder, liderado por Joseph Kony, que se dizia porta-voz de Deus. Os meninos passavam por lavagem cerebral para se tornar soldados e, as meninas, para servir de escravas sexuais. Ele conseguiu fugir, graduou-se e criou a Friends of Orphans, uma organização não-governamental que luta para reintegrar esses jovens à sociedade.
Disse-me que não há como alguém conhecer uma criança que foi escravizada para matar e morrer e aquilo não mudar a vida dessa pessoa definitivamente. Porque o relato levaria a perceber que todos aqueles que matam em nome de Alá ou Jeová, na verdade, não acreditam neles. E que mesmo esses “combatentes'' não são bestas-feras, mas pessoas transformadas em máquinas de guerra. Às vezes em nome daquilo que enche o tanque de nossos carros, às vezes em nome daquilo que brilha em dedos e pescoços.
Entramos na rede e, em um pé de página, a Anistia Internacional denuncia que os açougueiros do Boko Haram podem ter matado centenas, em sua maioria mulheres, crianças e idosos, na Nigéria. Faltam braços para apurar e checar a informação ocupados com outros assuntos . Alguns importantes e que também são de interesse público. Outros, nem tanto.
Temos afinidade com aquilo que nos é mais próximo ou que desperta determinados sentimentos. Entendo que a libertação de 150 escravos que sangram na Amazônia para produzir boi que muitos nem sabem como vira bife choca menos que o resgate de um jovem sequestrado em nossa cidade.
Mas todos sabem o que é uma criança. É duro, portanto, imaginar que não desperte sentimentos. Talvez isso ocorra por banalização dessa violência. Talvez por um ato de fuga consciente ou inconsciente diante da crença na incapacidade de fazer qualquer coisa para resolver o problema – mesmo que a indignação com a história de vida daquela criança africana possa te levar a ajudar na melhoria da qualidade de vida das crianças que estão ao seu lado.
Talvez a resposta resida no fato de que uma criança nua, exausta e com olhar perdido numa cama na beira de estrada depois de uma hora de sexo forçado ou coberta de sangue após um dia de confronto armado ou explodida em mil pedaços após um ataque suicida não é uma coisa fofa de se ver. Pelo contrário, para muitos é tão repugnante a ponto de transferirem a culpa pelo ocorrido para a própria vítima que “se deixou ficar naquela situação deplorável''.
A discussão não é apenas sobre a distante África, mas também sobre as periferias de nossas cidades que ficam logo ali. Em São Paulo, no Rio e em tantas outras, há uma matança de jovens, negros e pobres – segundo as estatísticas do poder público. Mas desde que seu sangue não respingue nos outros, tudo bem.
Não estou comparando tragédias pelo número de mortes, uma vez que uma única morte pode compor uma tragédia. Mas a indignação por algo não exclui a indignação por outra coisa. E jogar para baixo do tapete os incômodos que também dizem respeito a todos nós, não fazem eles desaparecerem.
Portanto, busquem informação na internet para além de sua zona de conforto. E exijam de nós, jornalistas, que tenhamos coragem de oferecer informação que as pessoas não querem ler a despeito da audiência, da circulação e de outras formas de “medir'' o interesse público.
Por fim, dei de presente a capa da revista para uma amiga que estava em seus primeiros passos no jornalismo. Não que eu não precise mais do lembrete, a ética é o exercício diário da memória. Mas aquilo é muito forte para ficar na memória de uma pessoa só. Torço para que a geração dela, inspirada em nossos erros e acertos, seja melhor que a nossa.
Em tempo: Há boas coberturas com olhar brasileiro sobre essas regiões do planeta. Sem demérito aos demais colegas, destaco as reportagens sobre a epidemia de ebola em Serra Leoa, tocadas pela repórter especial Patrícia Campos Mello e pelo repórter fotográfico Avener Prado, ambos da Folha de S.Paulo.
(por que há tragédias e mortes que dão audiência e outras não ? no blog do sakamoto)

segunda-feira, setembro 01, 2014

da série rápidas e rasteiras ou curta e se não engrosse V

túnel do tempo da web é cruel.indo e vindo dos anos 70, me desencanto cada vez mais:como pudemos regredir tanto, em tudo? política,sexo,cultura, idem jornalismo, publicidade e até no rock ´n´ roll. talvez porque na época bosta era bosta e não cult.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

triste espetáculo

                                                                    foto domingos peixoto/afp
 "Aliás, um dos problemas da observação da imprensa nestes tempos de grandes mudanças é justamente a mistura de jornalismo e imprensa: nem sempre o que a imprensa faz é jornalismo, e, cada vez com mais frequência, o jornalismo costuma ser encontrado fora do sistema que chamamos de imprensa." 

A sequência do noticiário sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, causada pela explosão de um morteiro, lança o leitor atento em uma enorme confusão. Mesmo levando-se em conta o turbilhão emocional provocado por eventos desse tipo, do qual nem repórteres experientes estão isentos, o conjunto das informações, análises, palpites e iniciativas descreve uma sociedade atônita, sem noção da realidade, crédula ao nível da carolice e ao mesmo tempo cética diante de informações avalizadas pela imprensa.
Mas não é a sociedade que está aturdida: é a versão midiatizada da sociedade que nos parece à beira de um ataque de nervos. A diferença entre o ambiente social e sua representação na mídia tem sido marcada em estudos recentes sobre comunicação e cultura, mas em geral eles se concentram em reflexões sobre o funcionamento do chamado espaço informativo, ou espaço informacional.
A sociedade é a expressão das relações conscientes entre as pessoas, com objetivo do bem comum. A sociedade midiatizada é a expressão do interesse de quem media essas relações. Essa curta e certamente pobre contextualização pode ser útil para lembrar que nem tudo que sai na imprensa é exatamente jornalismo.
Aliás, um dos problemas da observação da imprensa nestes tempos de grandes mudanças é justamente a mistura de jornalismo e imprensa: nem sempre o que a imprensa faz é jornalismo, e, cada vez com mais frequência, o jornalismo costuma ser encontrado fora do sistema que chamamos de imprensa.
Vejamos, então, alguns dos elementos desse conjunto de informações que compõem o noticiário sobre a morte de Santiago Andrade, com os quais tentaremos pintar um quadro mais ou menos compreensível.
Primeira dificuldade: entender o que vem a ser o tal Black Bloc. Sem uma estrutura visível, caracterizada apenas por uma disposição permanente para a violência, essa coisa tem sido apresentada ora como horda, ora como massa de manobra, ora como organização política de orientação anarquista. Segunda dificuldade: situar nesse contexto os dois jovens apontados como coautores da morte do cinegrafista da TV Bandeirantes.
Mídia e sociedade
Há outras dificuldades presentes na tarefa de encontrar um significado nessa maçaroca de notícias, opiniões e palpites. Por exemplo, muitos jornalistas ativos nas redes sociais duvidam que o jovem acusado de acender o petardo, identificado como Caio Silva de Souza, seja o mesmo homem que aparece de costas, na cena do crime.
Preso na madrugada desta quarta-feira (12/2), ele confessou ter acendido o artefato, mas disse pensar que se tratava de uma bomba comum, do tipo conhecido como "cabeça de negro", e que se surpreendeu quando o projétil saiu voando.
A polícia identificou e prendeu o autor da detonação a partir da descrição que foi feita pelo jovem que portava o morteiro, não pelas fotografias, e fica sem explicação a imagem do homem que aparece nas cenas do protesto, e que certamente não se parece com o jovem esquálido que confessa ter participado do incidente.
Esclarecido que Fábio Raposo, de 22 anos, entregou o rojão a Caio Silva, de 23 anos, desfaz-se a dúvida sobre a dupla autoria, mas surgem questionamentos sobre a anunciada periculosidade dos dois jovens e a eventual participação de uma terceira pessoa. Nos arquivos da polícia, a única coisa que existe é a suspeita, sem provas, de que um deles foi acusado de portar drogas há três anos. O ato que cometeram se aproxima mais da irresponsabilidade, do crime culposo, do que da ideia de uma ação terrorista que excitou o Congresso Nacional.
Da mesma forma, fica registrado o esforço feito pelo jornal O Globo e pela TV Globo para incriminar o deputado Marcelo Freixo, do PSOL, com mais um episódio de manipulação dos fatos por parte da imprensa.
Registre-se também a profusão de artigos, entre eles o texto de autoria de um professor de Ciência Política da USP, que expressam um sentimento de pânico onde se misturam ações do crime organizado, depredações de ônibus e manifestantes mascarados, num retrato de uma sociedade que estaria, segundo essa visão, insatisfeita "com tudo isso que está aí".
Ora, pode-se afirmar que o mal-estar está presente, de forma generalizada, no ambiente da sociedade midiatizada, mas isso não quer dizer que o mesmo sentimento domina a sociedade real.
O que sai na imprensa é, na melhor das hipóteses, apenas uma versão da realidade.
A mais espetaculosa.
(luciano martins costa para o observatório da imprensa in comentário para o programa radiofônico)

p.s para misterwalk, soa no mínimo esquisito entidades de classe pedirem a proteção da polícia, e do estado, para o exercício da atividade do jornalismo. ora bolas, jornalismo sempre foi uma atividade perigosa - durante algum tempo a mais perigosa do mundo. o próprio santiago havia feito um curso defensivo destinado a preparar jornalistas para coberturas de risco. por outro lado, só mesmo se fosse um gênio da física e da balística alguém acender o artefato com a intenção precípua de atingir o repórter cinematográfico. não se discute estupidez ou malevolência mas sim a santa inocência que leva o leitor a creditar ou acreditar no que diz a grande imprensa só porque ela é grande. pois é: a realidade é feita de minúcias que sempre escapam ao grandes. quiçá não por descaso ou desatenção mas ai sim, por orquestração. neste ponto a grande imprensa tem funcionado como música. ora caixinha, ora cage.