o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência. comunicação, marketing, publicidade, jornalismo, política. crítica de cultura e idéias. assuntos quentes tratados sem assopro. bem vindo, mas cuidado para não se queimar. em último caso, bom humor é sempre melhor do que pomada de cacau.
quarta-feira, julho 06, 2011
pura dismenorréia
no jornalismo a coisa não fica atrás. neste 03 de julho, o diário de pernambuco, na sua edição dominical do sábado ou seria a edição vespertina do sábado com data do domingo, uma ou outra um chute no saco da deontologia e acribologia, deu provas do que nos reserva o futuro de pior: NEYMARTA, era um dos seus guide-lines no "melhor" estilo foto-legenda travestida de criativa pontuada.
é triste. muito triste que um jornal pra lá de sesquicentenário - e que tanto decanta suas responsabilidades por tal( por ironia decantar também significa fazer a separação pelo método da preguiça deixando para o fundo as impurezas que neste caso tornaram-se bolha vinda à superfície) - se amofine diante da sua responsabilidade e nos saia com esta. editor, diretor de redação, secretário, são figuras meramente decorativas e que servem de outros interesses, que não os do leitor e do bom uso da língua e dos recursos das ferramentas jornalísticas de estilo,que cada vez mais é provado independem da tão defendida(não por mim) obrigatoriedade de diploma para a função. tempos de diploma, e lá se foram os pilares de atuação em que secretário de redação ilustre corrigia o copy do redator que teimava em escrever o " via de regra". " via de regra é menstruação" , bradava o ilustre secretário, em tempos onde a coragem de conteúdo era forjada pari passu a do estilo contudente sem deixar de ser refinado, marca do jornalismo brasileiro.
o diário de há muito não tem uma coisa nem outra. neymarta é dismenorréia pura.
quarta-feira, novembro 24, 2010
cadernos de bacalhoada
jornalismo é oposição. o resto é armazem de secos e molhados. franz paul trannin da matta heilborn( paulo francis) .o diário conseguiu enfim inovar uma velha máxima do jornalismo. aquela onde se diz que nada mais velho do que um jornal de ontem.
pois bem: o diário se reinventou: nada mais velho do que um jornal do amanhã enfim. é o que consegue com esta definição de posicionamento de jornal do amanhã. conceito mais do que ultrapassado. e que para piorar, é assinado por quem engrupa e comete estelionato a cada fim de semana(vende no sábado o jornal do domingo) contra os seus leitores e o próprio jornalismo em nome da rentabilização operacional que prefere servir peixe frio tratado no cardápio como frito. waal! o diário é a toyota dos jornais, com a diferença que seu just in time é uma completa inversão do conceito e do conceito de jornalismo. busca enxugar tanto os custos que cada matéria já vem com recall franzido, falando-se da edição dominical, onde outra inovação também faz registro: se jornal só serve para embrulhar peixe no dia seguinte, o jornal do domingo já no próprio pode ter a serventia, pois já é passado no presente que não tem futuro a não ser para quem tresanda a bacalhau mas nem isso, quedando-se pirarucu, que no caso dos filhotes(aqui pe) inova ainda mais vendendo como peixe do gosto popular o podre, sendo ele próprio conteúdo e envoltório.
assim, em lugar de tantos focos de artifício, menos. que se acendam mais velas de pesar a credibilidade destes 185 anos mais ladinos do que nunca.
domingo, abril 19, 2009
sacrificado em praça pública, que ainda por cima levava o seu nome
Gestão da Marca ou Branding é uma disciplina acadêmica nova, mas seus fundamentos sempre foram praticados. Ícones como Harley Davidson ou Coca-cola, Wikipedia ou Greenpeace, exercem impacto imediato em nossas mentes, são logomarcas tatuadas na cabeça de milhões de pessoas!
O valor deste reconhecimento ou brand awareness é incomparável com lojas de tijolo e cimento ou outros assets off-line. A novidade, hoje, é a organização desta matéria de forma sistemática, sendo incluída em bons cursos de graduação em Marketing, Design e Administração de Empresas, ou como especialização.
Um ponto que chama atenção é a franca oposição com grande parte das práticas tradicionais da publicidade, são visões bem diferentes e pouco entendidas.
A boa notícia é que: Branding is Free!* Não custa nada! E o tempo de implantação pode ser, assim, imediato!
Como em qualquer relacionamento entre pessoas, pode ser amor à primeira vista tipo: I-Phone e Twitter ou pode durar gerações como Intel ou a cidade de Paris.
Uma Marca adquire valor e conquista seu espaço na medida que se posiciona com clareza, diz a que veio, e assume esta identidade, tem um posicionamento firme ao longo do tempo e suas ações reforçam esta visão.
O oposto disto é o imediatismo, a promoção vazia, a repetição, a interrupção, que empurra preço baixo e crediário, sempre com seus benefícios mágicos, tudo feito para se vender uma única vez, mas, sem entregar valor real o cliente não volta, não se cria um ciclo produtivo positivo, são só mais coisas ou serviços empurrados goela abaixo do mercado.
Empresas com produtos ou serviços de valor precisam se destacar em seu ramo, devem ser lembradas pelos clientes, e o Branding bem implantado pode ser o meio de conquistar este lugar merecido, é a premiação do SER no lugar de apenas APARECER.
* O sucesso na implantação da Gestão de Marcas deve muito aos conceitos e práticas da Gestão da Qualidade de Phillip Crosby, do "Quality is Free".
(branding is free, do luiz pryzant - imasters)
e por falar em branding, quanto você acha que custaria fazer de um logradouro público, com nome centenário, o nome da sua marca/produto? eu não estou falando daquelas ações de aparecer, como fazem algumas agências da cidade - a especialidade delas é mesmo o auto-aparecimento, e não o acontecimento ou o ser dos clientes que atendem - que patrocinam a manutenção de praças sem a menor importância, junto daquela que ganhou o nome de um produto pela boca do povo que refletiu o momento histórico da denominação em algum momento que consciente ou inconscientemente batizou o logradouro.
estou falando da praça da república que para sempre?, agora não se sabe mais, será a pracinha(de plus ainda o diminutivo carinhoso) do diário. quanto isto custaria para se fazer à vera com qualquer marca desta cidade? jogado fora,conquistado que foi de "graça", pela graça e vênia de toda uma cidade, para não dizer de um estado.
bom, para os brand strategists do diário, isso não deve valer nada, pois abandonaram à sorte a sede que é um marco-espelho do seu produto incrustado no emocional sensorial,geográfico e porque não dizer, racional orientativo da cidade. vão dizer que operacionalmente a saída foi determinada por circunstâncias que na verdade revelam apenas a mentalidade do capitalismo burro de gestão de custos e operação, que nesta hora, para um veículo que diz praticar o marketing moderno, vai para as cucuias. troca da sede do diário na pracinha do diário pelas instalações da cruz cabugá foi a troca da "cabeça de praia" pela guarita da modorra, onde os novos recrutas vigiam o general de pijama fazendo xixi no próprio.
qual o custo maior? manter a sede do diário na pracinha, como guardião do pedaço e de pedaço e um todo de séculos,uma redação de projetos especiais ou perdê-la em nome da lucratividade bolha de sabão habitando uma sede sem marca e com nome de cruz?
a história das marcas está cheia delas em cemitérios(apesar de toda verba gasta e ou economias feitas) e muito poucas, ou quase nenhuma, erguida em praça pública pela mente apaixonada e reverente dos consumidores de maneira free.
esse valor diário é o valor do seculae seculorum que os gestores do diário trocaram por tostões, ou pior ainda, feijões.
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sábado, janeiro 31, 2009
slow blog, swamp advertising ou porque será que pra muita gente eu não valho um tostão

"os grandes talentos são os que conhecem profundamente o básico, enxergam o óbvio, executam bem as coisas essenciais e tornam simples o que é complexo"
a frase acima não é de nenhum guru publicitário, marketeiro ou gestor de sucesso.
é uma frase do eduardo gonçalves de andrade, que quase ninguém conhece. mas que conhece como o tostão. excerto exemplar que faz pensar(a quem ainda pensa) sobre as mais diversas razões do sucesso(aparente) ou do fracasso(verdadeiro) de muitos profissionais em nosso negócio. e que não está aqui obviamente por acaso.
vou reproduzir parte da coluna do tostão, publicada hoje, também no diário de pernambuco, em parte pelo delay do post swamp advertising(que ainda está in progress, sim senhor), e muito mais pela preciosidade das palavras do tostão, que vale um milhão(desculpem não resisti) muito bem jogadas numa crônica de futebol(na verdade sobre) e que por ser de craque, extrapola o campo, adentra o nosso, e vai a outros com sobra, coisa que muito redator de "mala direta" não consegue.
por outro lado, o cemgrauscelsius, passa a adotar o conceito de slow blog. ou seja, vamos postar mais pausadamente os nossos "martelos". não tanto como a pausa de agora, que foi além de trinta dias. mas o tempo necessário para aumentar os posts autorais, a pedido dos amigos e inimigos, como bem prova o acesso diferenciado aos posts (este pessoal gosta mesmo de sangue, apesar de querer sempre esconder a ferida).
isto, posto, vamos ao tostão:
"dias atrás, escutei em um programa de rádio um "especialista" enumerar as dez características de um vencedor. não tenho nenhuma delas. não sou um vencedor,nem quero ser, no sentido de ser um objetivo de vida.
apesar de não ter nenhuma das dez características, acho que fui bem nas minhas atividades de atleta profissional, médico, profissional de medicina, comentarista de TV e de rádio e colunista de jornais. não fui melhor porque não tenho nem tive outras virtudes, que não estão entre as dez citadas.
vivemos uma época de pressa, de simulações, de coisas espetaculosas, exageradas, do desperdício(a farra vai diminuir com a crise financeira) e também dos especialistas de coisas óbvias que querem criar manuais para tudo(assinalo aqui a minha redundância ao comentário do tostão, que já é bem claro, mas para relembrar os manuais e cursos de como ser redator, como ser diretor de arte, como ser publicitário; - a moda agora é escolas para criativos). com frequência , existe um especialista dizendo na TV que o segredo para administrar bem o dinheiro é não gastar mais do que ganha. eureca!
no futebol, os especialistas de motivação, de autoajuda, adoram dizer que se alguém mentalizar bastante, pode conseguir coisas que não imagina. citam sempre pessoas que deram a volta por cima, como se todos fossem iguais. cada um faz do seu jeito. há várias maneiras de ser um vencedor e um perdedor "
portanto, escolha a sua, porque eu já escolhi muito bem a minha. e disso nunca abri mão.
p.s. escrever blogs como este não dão fama, nem emprego, nem geram simpatias. mas é um dos preços de se escrever de verdade, a verdade, por mais que pareça mentirinhas de fim de feira.
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domingo, agosto 24, 2008
efeito elba ramalho: a nova diagramação do diário de pernambuco
longevidade por si só, não é garantia – e muitas vezes nem é sinônimo - de mais longevidade e ou respeitabilidade. e muito menos de share: of mind, market e, acima de tudo, heart. ou seja: para ser uma marca querida na memória dos leitores, para alem da liderança numérica e mnemônica, é preciso bem mais que séculos, cuja referencia, se não transformados em relacionamento emocional profundo, torna-se tão significativa quanto um jornal de ontem.
talvez por isso mesmo, pela inabilidade de lidar com seu patrimônio único de mercado, tira-se da cartola uma “reforma gráfica”, estampada por auto-elogios mas que tem cara de lift realizado em clínica de subúrbio(é nisto que dá usar serviços de um não-especialista) aparentemente determinada pela necessidade de modernização e vá lá que seja, para seguir os acórdãos do momento relativos aos ditos procedimentos de facilitação de leitura e valorização de espaços.
a idéia da modernidade e da jovialidade de fora para dentro costuma ser um desastre. ainda mais na mãos de quem não parece ter habilidade, conhecimento e sensibilidade necessária para realizar algo que quando não bem feito, torna-se a emenda pior que o soneto. daí um diário com cara da elba a nos contristar, senão pior.
jornais centenários não tem que ser modernos só na aparência. isto é, se é que tem que ser modernos no sentido pueril da palavra. quem nasce para ser clássico não se preocupa com a modernidade das aparências, vide os exemplos mundiais que classicamente tornaram-se referencia. a reforma do diário buscou o caminho inverso. tornou-o modernoso. síndrome que afeta toda uma geração que se diz antenada mais é expert em envelhecer no carbureto. esta reforma está muito longe dos padrões de modernidade aplicada a quem tem história e obra feita, e não a chuta para o balde, o que acontece quanto a modernidade visa o conteúdo e não a forma tão somente. lendo-se as justificativas de tal reforma, percebe-se que o equívoco foi levado a sério. e isto é algo que tem se repetido no panorama do mercado de propaganda e comunicação, pernambuco em destaque: esmero no discurso e fragilidade sem volta no projeto, campanha ou ação. tais bull-shits tem a ver com uma concepção distorcida de planejamento: planejamento neste mercado não vem a priori. vem a posteriori para "justificar" o injustificável. e a julgar pelo que se vê, a competência neste tipo de planejamento vai longe.
pra começar a reforma capou um caderno que não comprometia a leitura, em troca de um revistinha que de tão chinfrim vai acusar complexo dos encartes do varejo. não precisava ser uma new yorker. mas a qualidade é tão tosca em tudo: papel, projeto, editorial, conteúdo fotográfico) que não há justificativa que a salve.
já a escolha tipográfica que sinaliza a tal reforma, é outro sinal do equívoco cometido enquanto destruição de sua identidade. o lettering utilizado na identidade é aquele tipo de lettering que vai envelhecer muito antes que o ano acabe e já com endereço certo ao museu de falsas novidades(lettering inclusive marca de identidade visual de uma agência de publicidade lá para as bandas do parnamirim).
para além disso, há uma mistura de famílias cujo objetivo não é buscar o equilíbrio pela enarmonia da mistura, algo que poucos conseguem. é enarmônico mesmo por ignorância a princípios básicos onde salta a vista como um pedregulho a falta de continuidade na rubrica imóveis identificada por outra família. o diário hoje apresenta uma salada tipográfica que somada a "edição de arte" configurada pela diagramação utilizada, pede mais que vinagre balsâmico.
uma das provas maioria dos que se querem modernos é cair no erro pra lá de antigo de achar que ao utilizar fontes "novas" dá-se o efeito da juventude no todo. na maioria das vezes é justamente o inverso, como agora. acontece que só mesmo os grandes profissionais sabem que muitas vezes as tipologias clássicas costumam ser mais modernas do que as modernas sonham ser. principalmente se inseridas num espaço onde o arejamento e o desenho tipográfico da página leva em consideração o conteúdo enquanto formulação na sintaxe da impressão do todo.
no caso do diário, causa estranheza que se faça uma reforma onde o contexto seja amarrado tão frouxamente, inclusive apresentando o recurso de colchetes gráficos de uma pobreza estética lamentável e reveladora da falta de princípios que por sua vez levaram a capitulações que vão alem do recurso gráfico. e olhe que referências não faltam. na vizinha paraíba um outro associado dá o norte, por exemplo, para não falar do exemplo de a união.
assim, nem lift nem luxo. esta reforma só empobrece diariamente um veículo que cada vez mais descaracteriza-se retomando um passado na sua pior forma. e que a continuar assim nunca será um jornal graficamente moderno e atraente como por exemplo o são seus contemporâneos que não distorcem as suas plásticas, mostrando que não são raras as vezes que para ser moderno, principalmente atualmente e graficamente, é preciso saber cultivar o passado na sua projeção do futuro.
com esta reforma o diário reflete o mesmo pensamento que descaracterizou o patrimônio que o fez” pracinha” de uma cidade, para se tornar vizinho de igrejas universais.
e isto não merece, decididamente, primeira página. no máximo a notinha da coluna social que quando elogia registra justamente o contrario, tal como as belezas reformadas que andam por lá.
que o diário tenha voz para segurar a cara que se não fosse a sua não seguraria a de elba.
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