segunda-feira, agosto 09, 2010

elixir da juventude


O médico saiu pra caminhar e viu essa velhinha da foto sentada num banco, fumando um cigarrinho.

Aproximou-se e perguntou: "Se nota que é tão feliz.....qual é seu segredo??

Ela respondeu:

"Sou publicitário, durmo às 4 da manhã fazendo planejamento, atendendo clientes, criando campanhas plantas e me levanto às 6 da manhã.

Nos fins de semana não pratico esportes, não me divirto.

Nos sábados, domingos, nos feriados, também.

Não tomo café, não almoço e nem janto porque não dá tempo.”

Apanhado de surpresa, o doutor exclamou:

- "Mas isso é extraordinário. Quantos anos a senhora tem??

- 39, respondeu-lhe a velhinha


2. Recebi, outro dia, o seguinte anúncio:

ESTÁGIO EM RELAÇÕES PÚBLICAS

Empresa de Tecnologia seleciona estagiário de Marketing com foco em relações públicas.

Requisitos: graduando do curso de Jornalismo a partir da 2ª Fase
Desejável: Conhecimentos em Microsoft Dreamweaver/ Conhecimentos em Lime Survey ; Conhecimentos em Inglês

Benefícios: bolsa de até R$ 450,00 (dependendo da fase) + Vale alimentação + Auxílio transporte
Carga Horária: 20:00h semanais
Período: a negociar

Trocando em miúdos: a empresa queria um Relações Públicas para estagiar em marketing que esteja estudando jornalismo a partir da segunda fase.

Confusão total!

3. Confusão, aliás é o que não falta no nosso terreno. Que, aliás, começa na área das agências, passa por outras empresas do setor e chega lá na ponta, onde os mais ou menos leigos não conseguem divisar quem é quem. Quem faz o que.

“E agora, pra onde vamos¿”, é o que mais se ouve.

Outro dia, o Rodrigo, dono de uma agência de Tubarão, deu uma luz:

“As agências estão seguindo o mesmo caminho dos médicos. Deixarão de ser generalistas para serem especialistas.”

Ele lembrou:

“Antigamente, era comum o médico da família, que atendia a todos sobre tudo. Raramente mandava consultar um especialista. Hoje a conversa é outra.”

4. Especialistas ou não, está na hora de as agências e os profissionais discutirem seriamente o seu futuro. Ao invés de “descobrirem” que o dono tem de ser um gestor – como aconteceu no evento do Rio de Janeiro realizado pela ABAP – encararem o futuro de frente. Corajosamente. E anteciparem-se a ele.

Já não dá mais para repetir que a publicidade é importante porque ajuda as empresas e o país a crescer. Isso já virou carne de vaca. Caiu no ridículo. Cansou.

5. O momento, nós sabemos, é atordoante. E para quem, como os profissionais e as agências, está no olho do furacão, é complicado ter uma visão total do processo. Mas tem muita gente que pode ajudar.

Agora, mais do que nunca, é preciso as agências enfiarem a mão no bolso. Contratarem uma consultoria. Ou uma Universidade. Eles têm condições de equacionar e propor solução para o setor.

Da mesma forma, é o momento de os profissionais deixarem de brincar com coisa séria. De se reunirem. De fortalecerem suas entidades para que elas tenham força de liderar esse processo de transformação.

Caso contrário, profissionais e agências vão ficar que nem a jovem da história. Trabalhando 24 horas por dia, mas completamente envelhecidos muito antes da hora.

(antes que seja tarde demais, do eloy simões, para o acontecendo aqui, ali e em todo lugar)

p.s. ou faça, como dizia aquele antigo cartaz da almap em obras: arranje um trabalho que você gosta e você nunca estará trabalhando. agora contratar universidade, não tenho dó, nem paciência.)

sábado, agosto 07, 2010

duro de roer ou não vou me adaptar


Sancho Pança é o fiel escudeiro do Dom Quixote. Muita gente sabe disso, mesmo sem ter lido o livro “O engenhoso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha”. O que muitos não sabem, pois isso escapa aos resumos dessa obra, é que Sancho, em suas falas, é muito dado à utilização de ditos populares, é um mestre das frases feitas, o que irrita profundamente a Dom Quixote, que é homem letrado e adepto dos longos discursos argumentativos – que, mesmo dentro do universo de sua loucura, são muito bem construídos e esbanjam força persuasiva.

(Abro parêntesis para comentar como vale a pena ler o Quixote. Embora os acadêmicos já tenham destrinchado e continuem destrinchando a obra-prima de Cervantes, sacando daí mirabolantes interpretações, o livro é de uma simplicidade exemplar. Aquém das teses dos estudiosos, que acabam conferindo ao livro a imagem de complexidade – infelizmente afugentando muitos leitores –, O engenhoso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha pode também ser lido apenas como uma história divertidíssima de um maluco que pensa que é um nobre cavaleiro andante e que sai com seu escudeiro em busca de aventuras pelos confins de La Mancha, na Espanha).

Mas voltemos ao que eu estava falando antes. Sancho Pança é o cara das frases curtas e bem colocadas. Está sempre pronto para lançar a fala certa no momento certo. Tem sempre um pequeno texto que cai como uma luva em cada situação. E se o dito popular não se encaixa perfeitamente, ele o adapta. É o cara das “sacadas” rápidas, como se diria em uma agência. Mas, se Sancho Pança fosse um redator, ele se sairia bem? Em parte, pode ser que sim. Para títulos de anúncios, por exemplo, o estilo Pança poderia funcionar. Para outdoors também. Para qualquer peça que necessitasse uma sacada ágil e engraçadinha, justa pra o momento, o redator-Pança daria conta do recado.

Mas e se Sancho tivesse que pensar em um roteiro de um minuto ou em todo o conteúdo de um site? E se fosse convocado a participar de uma reunião pra discutir conceitos e estratégias de comunicação? E se nas mãos de Sancho caísse um briefing para um anúncio de jornal que necessitasse a concatenação de vários argumentos em dois ou três parágrafos? Aí talvez o redator-Pança tivesse que pedir ajuda ao redator-Quixote:

- Ô, Quixote, eu faço o título e você escreve o resto, tá?

Nas salas de aula dos cursos de publicidade (e nas agências também!) aparecem sempre muitos candidatos a redatores-Pança. No maior estilo repentista, o sujeito solta uma frase mágica e se dá por satisfeito, achando que o trabalho do redator acaba por aí. E o Quixote fica lá, trabalhando no “resto” do texto: constrói frases, destrói frases, as conecta de formas diferentes e tenta incansáveis outras opções de construção; troca palavras, lê em voz alta, percebe o ritmo e a sonoridade; tira dúvidas no dicionário e na gramática, consulta referências, ajusta a pontuação; enfim, trabalha para deixar seu texto enxuto, elegante e criativo, e certamente se orgulha do resultado, que entra pro seu portfólio e que vai encher os olhos de qualquer diretor de criação sério que analise a sua pasta.

Não critico os Sanchos Pança da vida, desde que se esforcem para ter a consistência dos redatores-Quixote. Mais do que ser engraçadinho, o redator tem que mostrar raciocínio coerente, capacidade de organização das idéias, domínio de sua ferramenta (o idioma) e visão estratégica. O ideal mesmo é que o redator incorpore as qualidades tanto de Pança quanto de Quixote: que tenha sim as fundamentais sacadas, mas que, depois, se debruce sem preguiça em seus textos para lapidá-los até que pareçam perfeitos. Quem sente prazer neste trabalho suado com o texto – não são muitos – são os que têm o verdadeiro perfil de redator.


(sancho pança, redator publicitário, do sérgio calderaro, no acontecendo aqui.artigo publicado originalmente no “Perdi Essa Aula” – www.perdiessaaula.com – em 07.06.10)


Sérgio Massucci Calderaro (São Paulo, 1971). Publicitário e escritor. Atuou no mercado de comunicação de Florianópolis durante 11 anos (Gás Multiagência, QUO Graphis, DZigual, Editora Insular, Editora Expressão, entre outras). Foi professor de Redação Publicitária da Faculdade Estácio de Sá. Atualmente vive na Espanha, onde é assistente de Imprensa e Divulgação da Embaixada do Brasil e cursa o doutorado "La lengua y
la literatura en relación con los medios de comunicación", da Universidad Complutense de Madrid.



Cassio Morais disse:

Sérgio,
até hoje sou um redator muito mais pança do que Quixote, talvez mais por causa do modelo de propaganda atual mesmo. Está difícil achar por aí consumidores que tenham curiosidade (vontade) de ler os textos com atenção até o final. Com a velocidade do mundo em que vivemos a maior parte das pessoas lê apenas os títulos mesmo e, se formos ver, é um grande desafio dizer tudo em uma linha. Trabalhei com um redator que já ganhou ouro em cannes e escrevia longos textos, para isso levava bastante tempo também - e consumia boa parte do layout tornando o visual desinteressante. Resultado: durou um mês aqui. No meu caso, hoje, pela prática, já sou muito mais Quixote do que era, mas continuo Pança na essência. E não vejo outro caminho: ou nos adaptamos ao mundo em que vivemos, ou ficamos lamentando. Os redatores estão perdendo um pouco a importância nessa sociedade da imagem. Como diria Woody Allen: a realidade é dura, mas ainda é o único lugar onde se pode comer um bom bife.

quinta-feira, agosto 05, 2010

de ratos a leões e seus vermes


o cada vez mais alto nível baixo da atividade publicitária em pernambuco estampa-se em toda sua maladie - de caráter e alma - no artigo de um "publicitário mala de sucesso", e lider de uma associação de propaganda que, diga-se de passagem, não se sabe a que veio, ou melhor, faz um mal imenso aos bons espíritos que preferem outras vias a quem lavadrazes de plantão costumam chamar de românticas, esquivando-se da chamada aptidão para o business is business que inclui a compra-venda-troca de prêmios, favores, prostituição no ato e no fato para muito mais além. comentários embevecidos ao tal artigo - pro domo sua - onde o tal, tal e qual, gaba-se de comprar leões em brexós de maças, big of course, colocando-os a disposição para a prática da apalpação não menos indébita da pernamcocada subdesenvolvida e rastejante, revela que a furunculose moral imiscui-se de vez nos valores já pra lá de baixios da chamada(digamos que sou eufemista) geração diploma.
se prêmio ganho com suor - fantasmas também suam - já não vale cêntimos da punhetação do espermatozóide peidão que o originou, o que dizer do espisódio?

p.s. publicitário com dor de cotovêlo, eu? bem, continuo pianista de bordel e tocando de ouvido, por que a partitura original - mas olha só que concidência - foi roída.

quarta-feira, julho 28, 2010

evidências da decadência

. Os dois velhinhos passaram a noite enchendo a cara. Como nos temos em que eram jovens. E como naqueles tempos, resolveram encerrar a noite na zona do meretrício.

Mais pra lá do que prá cá, entraram numa daquelas casas com luz vermelha na frente e, excitados, foram direto à cafetina.

Que por sinal, justo naquela madrugada, não estava a fim de muita conversa. Chamou a “secretária” e cochichou:

“Vá aos dois primeiros quartos e coloque uma boneca de inflar em cada cama Não estou a fim de aturar velhos e bêbados. Nem de sacrificar minhas meninas com eles. Isso aqui não é asilo. No estado em que estão, eles não vão notar a diferença.”

Ordem rigorosamente cumprida, os velhinhos foram encaminhados para os quartos. Lá, tentam fazer o dever de casa.

Já na rua, de volta pra casa, eles se gabam do feito:

“Acho que a mulher que estava comigo, quando viu a minha espada, enorme e dura, teve um enfarto e desmaiou.”

“Desmaiou? Porque você acha isso?”

“Ela ficou fria, não se moveu um instante, não falou nada enquanto eu comia ela.”

“Pior aconteceu comigo”, disse o outro.

“Acho que a mulher era uma bruxa!”

“Uma bruxa!!! Por que cargas d'água você acha isso?”


“Bem, eu estava nas preliminares e dei uma mordida na bunda dela. Daí, compadre, o caos tomou conta do quarto.”


“Ela peidou na minha cara e saiu voando pela janela com ainda a minha dentadura presa na bunda.”


2. “A performance histórica do Brasil no Festival de Cannes este ano, com 57 Leões conquistados, em boa parte reflete também um aumento significativo na distribuição de troféus nas 12 premiações do evento. Foram nada menos que 890 estatuetas, número 32% maior do que no ano anterior, diante de um aumento de apenas 7% nas inscrições.”

890 estatuetas! Quando li essa notícia na capa da Meio & Mensagem do dia 05 deste mês,eu me lembrei.

3. Lembrei-me do encerramento do evento durante os anos – muitos atrás - em que freqüentei o Festival. Então, havia um Leão de Ouro em disputa. Acho que tinha também o de Prata e o de Bronze, não tenho certeza, além dos diplomas. E o nome da peça vencedora era guardado debaixo do mais absoluto segredo. Ninguém, nem mesmo os jurados, sabia quem era o vencedor.

Você há de imaginar o suspense que nos dominava. As emoções e os fofocas que percorriam a platéia, antes e depois que o nome do premiado era revelado, em sessão de gala por ocasião do encerramento do evento. E tinha o orgulho de quem tinha vencido o certame. Era, pelo menos naquele instante, o campeão do mundo.

Durante toda a semana do Festival, diariamente, a gente não despregava o olho do telão. Queria ver todos os comerciais inscritos, e para tanto enfrentava sessões que começavam logo cedo e terminavam no fim da tarde. Durante as sessões aplaudia os bons e vaiava os ruins. E à noite nos reuníamos em algum bar para discutir e tentar adivinhar quem seria o vencedor.

3. Li a notícia e fiquei triste: 890 estatuetas! O Festival de Cannes foi vulgarizado. O Leão deixou de ser a conquista inesquecível de um contra o mundo. Passou a ser mais um.

Cannes cedeu à cobiça e se transformou em uma máquina de ganhar muito dinheiro. Em compensação perdeu o antigo valor. Agora é mais um prêmio. Uma pena.

Agora, quem vai a Cannes age como os dois velhinhos bêbados: embriaga-se com a beleza da França e com as atrações do evento,e ao invés de transar gostosamente com o que há de melhor no mundo em talento, contenta-se com qualquer coisa. Aí, quando tem sorte - porque quem ganha pelo menos um de tantos prêmio só precisa de um pouco de sorte – e traz pra casa uma boneca, digo, um leão decaído, que já não tem o valor de outrora. Afinal, além dele outros 889 estão passeando por aí. Segurando os papéis de uma prateleira qualquer.

(a decadência de cannes, do eloy simões, que para os ganhadores de leão de hoje é que seria um decadente. será?)

quinta-feira, julho 08, 2010

é o fim(ou seria um novo começo?)do que não é justo com as crianças

Alex Bogusky, sócio fundador da agência Crispin Porter & Bogusky, surpreendeu o mercado publicitário mundial esta semana ao anunciar sua saída da publicidade e seu objetivo de "participar da revoluçao cultural que está acontecendo em sua maior parte fora da publicidade". Na semana anterior, no entanto, durante o Festival de Publicidade de Cannes, Bogusky publicou em seu blog um longo post contra a publicidade para crianças. Abre seu texto propondo a criação de um novo prêmio no Festival, mais importante que todos os outros, para destacar a empresa que decidir parar de usar o poder da publicidade contra as crianças.

Bogusky argumenta que as crianças não estão prontas para lidar com a publicidade em função do estágio de desenvolvimento em que estão. "Seus cérebros são fundamentalmente diferente (dos adultos), a principal diferença é que o desenvolvimento do lado direito do cérebro não começa realmente antes dos 12. Isso é importante porque sem o lado direito envolvido, todas as decisões e conceitos são muito ou preto ou branco", descreve. As crianças dividem as coisas entre boas e ruins, diz ele, não entendem o cinza, e por isso não estão equipadas para entender a publicidade da mesma maneira que um adulto.

Segue imaginando o que aconteceria se a publicidade para crianças simplesmente acabasse. Sugere que o relacionamento entre pais e filhos melhoraria, já que não haveria mais a publicidade levando as crianças a fazer pressão para os pais comprarem isso ou aquilo. "Mais de 10% das crianças de 12 a 13 anos admitem pedir mais de 50 vezes aos seus pais para comprarem produtos que viram em anunciados. Só isso já basta para fazer todos os pais assinarem uma petição". Bogusky acredita também que sem a publicidade, as crianças melhoraria sua auto-estima. "Mais da metade das crianças pesquisadas (53%) disseram que comprar certos produtos fazem com que elas se sintam melhor sobre si mesmas", diz.

E o que aconteceria com, por exemplo, os canais de TV para crianças? Cartoon e Nickelodeon desapareceriam, imagina Bogusky. A garotada lamentaria, mas conseguiria conviver com isso. "As crianças seriam forçadas a levantar do sofá e pensar em novas maneiras de se divertir. Algumas dessas brincadeiras poderiam até mesmo incluir atividade física", propõe, sem esquecer que o computador e os videogames também seriam uma opção ("pelo menos têm um pouco de interação").

E o mercado publicitário, como fica? O dinheiro destinado a publicidade para crianças não some, ele migra para outras ações, prevê. Mas para quem tem negócio especializado em publicidade para crianças, Bogusky avisa - "seu negócio será uma baixa". Segundo ele, uma estimativa moderada de quanto o marketing para crianças movimenta chega a US$ 15 bilhões por ano. "É chocante descobrir que isso é 250% mais do que era em 1992. Para mim, esses números são assustadores". Cita os países europeus onde a publicidade para o público infantil foi proibida, em especial a Suécia, que tomou a decisão por considerar que anunciar para elas "não é justo" em função do estágio de desenvolvimento do cérebro. "Eu concordo", diz ele.

Bogusky passa pela questão da ética vs lucro e sugere que seria mais interessante para os lobistas da indústria do fast food defenderem a proibição da publicidade para crianças. Afinal, se for criada uma legislação nesse sentido, a indústria do fast food ganharia em imagem por estar "do lado certo" da questão. "Talvez nosso próprio mercado (publicitário) possa fazer lobby para isso. Deus sabe que os publicitários precisam aparecer positivamente na mídia", ironiza.

A proposta final de Bogusky é transformar em índice a maneira como as empresas lidam com a ética e o uso equilibrado da publicidade. Já que as companhia são avaliadas por seus impactos na saúde, sustentabilidade, ética no tratamento dos funcionários e até dos animais, por que não serem avaliadas também por sua ética em relação às crianças. "Qual sua pontuação na prática ética e justa da publicidade? Isso pode ser mensurado e quantificado e pode se tornar parte da decisão de compra. Não apenas para quem tem filhos, mas para todos os consumidores", defende.

Publicitário premiado, Bogusky encerra seu post afirmando que ganhar troféu por deixar de anunciar para crianças seria uma maneira de levar o mercado a defender essa idéia. "Minha esperança para o prêmio Cannes Crystal 2011 é que alguma agência trabalhe junto ao seu cliente para encerrar toda a publicidade para crianças e leve para casa o Cannes Crystal Grand Prix Lion em seu ano de estréia. E isso seria o fim da questão. Porque assim que passar a existir um prêmio para isso, todos nós publicitários estaremos brigando por ele".

(não é justo com as crianças, no crianças e mídia, da elisa araújo).

quarta-feira, junho 16, 2010

responda quem souber


Dentre as campanhas publicitárias dos anos 80 pontifica a da revista Rolling Stone que acabou sendo copiada, referenciada e multiplicada pelos quatro cantos do mundo.

Não obstante o enorme sucesso da campanha, muitas empresas não entenderam a verdade contida em seu tema: que no marketing, como na vida, a PERCEPÇÃO É A REALIDADE. As pessoas compram o que percebem e acreditam, e não, necessariamente, o que é, de verdade.

E assim caminhava a humanidade quando um articulista de FORTUNE fez um artigo primoroso oferecendo importante contribuição para o melhor entendimento do tema.

Ele se chama ANDREW FERGUSON, e inventou, com muito talento e sensibilidade, a LFM – Lei da Futilidade Marginal. Que é exatamente o oposto da Lei da Utilidade Marginal, ensinadas nos livros e escolas de economia.

A Lei da Utilidade Marginal é a satisfação adicional derivada do consumo de uma unidade adicional de produto ou serviço. Já a LFM – Lei da Futilidade Marginal é a satisfação adicional derivada do não consumo de uma unidade adicional de produto ou serviço.

Confiram agora como FERGUSON sacou, na época, sua Lei da Futilidade Marginal: “Meu primeiro contato com essa Lei foi no colégio, quando um colega rico me convidou para visitar sua casa. Era um verdadeiro palácio, com 8 suítes, 4 Jacuzzis, 2 cozinhas, 3 quartos para os empregados, e muito mais. Assim que chegamos na casa, e antes de entrarmos, meu amigo me disse que seus pais tinham acabado de redecorá-la, contratando o melhor decorador da cidade, pela bagatela de US$ 200.000. Aí entramos na casa e quase caí de costa. O decorador defendia e praticou o estilo “clean”. A casa estava praticamente vazia. Um pequeno lustre no centro da sala, uma cadeira num dos cantos, sem tapetes e cortinas. E o mesmo “despojamento” em todas as demais dependências. Ou seja, estavam pagando uma grana para quase ‘não decorarem’ a casa…”.

Segundo FERGUSON, uma boa definição da Lei da Futilidade Marginal é “Pagar mais, para ter menos”. Ou, mais custos, menos benefícios, e ampla e irrestrita satisfação emocional.

FERGUSON disse, também, que esse comportamento estava se disseminando pelo mundo inteiro, muito especialmente nos EUA: “Em nosso país as pessoas pagam 75 cents de dólar por uma mistura de água com gás, açúcar, e uma infinidade de outros ingredientes, embalados numa lata onde se apõe a marca COKE. Essas mesmas pessoas pagam 3 vezes mais só pela água com gás numa mesma lata onde se apõe a marca PERRIER.

E ainda conta que recentemente fez uma viagem com sua mulher e diante de duas alternativas de hotéis, uma por US$ 99 a diária com tudo, inclusive refeições, e outra de US$450 com nada incluído mas com uma linda vista e o oxigênio da montanha optou pela segunda… E que nos restaurantes da moda, hoje, “quanto menor a porção, maior o cheque”…

É isso amigo. Se na sua empresa ainda não entenderam que as pessoas compram percepções não realidades, tente fazê-los entender usando a divertida, criativa, e verdadeira LFM – Lei da Futilidade Marginal. Criada em 1984 e mais que válida até hoje.

( lei da futilidade marginal, do francisco madia)

p.s. quando clientes contratam agências, como as que temos no mercado, eles estão usando a LFM? (pagando para não ter nada mais que puxa saquismo, modorra e estupidez aloprada? ou a idéia é esta mesmo, pagar para receber uma trouxa de nada em troca. em vez de conteúdos? é sempre bom lembrar, para os que argumentam que paga-se muito pouco hoje em dia, que mesmo o quase nada é muito para quem o recebe em troca. como diria o júlio ribeiro, quem quer custo zero em propaganda acaba por ter o mesmo denominador como retorno- pessoalmente, acho que o estrago, para além do prejuízo, é ainda maior. mas, como diria o bardo, a inteligência tem limites, a estupidez não. e tome prêmio para as idéias fúteis, mas esta é outra história para outro dia ainda mais fútil, ou seria estúpido?


segunda-feira, junho 07, 2010

diferenças entre a puta idéia e idéia de puta ou o dia em que olivetto teve uma idéia de dunga

washington olivetto não é mais aquele? depois de andar mal das pernas, com a w mais parecendo banheiro de rodoviária, após malfadadas tentativas de globalizaçao, resurrge alvissareiro, " por cima da carne seca". braços dados com a mccann,marca que definitivamente não casa bem com a idéia de puta, seja ela puta ou não. como demonstra sua história de grandeza absoluta, construida com base numa visão formalizada da propaganda - com raras execeções de algumas unidades asiáticas, por exemplo - sempre pregou em nosso mercado o "futebol eficiência" e jamais se destacou pelo uso da criatividade, da tal puta idéia, como drible elástico que não outro para se encastelar no trono do faturamento que tanto exibiu como orgulho, e pela força do qual buscou tantas vezes empastelar agências criativas, tratando-as como peladeiros de subúrbio e, portanto, não capazes de participar do campeonato de atendimento de grandes contas.

já washington, de há muito perdeu o espírito do discurso que soa pra lá de fake após uma década de franca decadência criativa ou como diria um colunista observador, tornando-se mais encantado por restaurantes e futebolidades outras. aliás cada vez mais publicitários tem discurso para tudo, justificam tudo, menos a falta de puta idéias, como pode ver qualquer um mal ensaboado pela mediocridade que bate a nossa porta analogica ou digitalmente.

assim, com um discurso que não faz jus ao seu mais mediocre título washington usa e abusa do poder de geração de "factotuns", a começar do estardalhaço de festas de lançamento, onde a idéiaé o que menos conta e mais as "celebridades" e o show de ex-ministros, de proximidades conquistadas pelo lugar que ocupou graças as idéias, sejam elas putas ou não. fato concreto é que todos os nossos grandes criativos - assim como o nizan, o fábio fernandes - perderam-se num ideal de grandeza que transformou as sandálias do pescador nas tais sandálias de milhares de reais, coisa que só mesmo puta(de luxo usa). no fundo, é isto que todos ambicionam quando pregam pela puta idéia, apenas uma idéia de puta, voltada para a manutenção do faturamento rasteiro não importa a altura que ele atinja.

abaixo o artigo do olivetto entitulado de puta idéia,

" Neste mundo globalizado e digitalizado, para uma agência de publicidade ser realmente fora de série, ela precisa ser uma espécie de Maria Sharapova das agências: grande e sexy. Presente na maioria dos países, associada a uma das maiores redes, forte na América Latina, (no Brasil, principalmente) confiável para gerir contas locais, regionais e globais, com capacidade de monitorar as áreas de interesse dos clientes e descobrir o que pode trazer verdadeiras vantagens competitivas.

Mais do que isso, tem que saber detectar, testar e entender novas soluções e serviços, ter capacidade de criar encontros personalizados, trazendo os seus mais brilhantes talentos mundiais para junto dos clientes locais e buscar soluções inovadoras.

Deve também ser capaz de contar com uma plataforma que acione digitalmente os seus melhores cérebros, para gerar respostas rápidas a desafios que necessitem de uma solução imediata. A Maria Sharapova das agências tem ainda que ter especialistas em construção de marcas, planejamento de mídia, soluções digitais, ativação, eventos, pontos de venda e relações públicas.

Tem que ter uma ferramenta própria de ROI (Retorno sobre Investimento), que simule milhares de variáveis e saiba responder qual ponto de contato traz mais resultados entre todas as alternativas existentes e qual combinação de pontos de contato garante maior retorno.

Tem também que saber detectar os hábitos e valores dos públicos-chave, saber como se comportam os construtores de identidades (adolescentes), os construtores de carreira (jovens adultos), os construtores de família (jovens casais) e os construtores de uma nova vida (pessoas na maturidade). Saber as escolhas e preferências do consumidor de alta renda, descobrir para onde vai a classe C e antecipar quais são as novas tendências que estão prestes a virar comportamento de massa. Esses são, basicamente, alguns dos ingredientes para uma agência ser fora de série, mas só eles somados ainda não são suficientes.

Sem grandes criadores, capazes de gerar ideias surpreendentes, nenhuma agência chega a ser uma Maria Sharapova, mesmo contando com grande aparato intelectual e tecnológico. Chega no máximo, a ser uma Maria Vai com as Outras, particularmente aquelas outras que também são grandes, mas não são sexy. A verdade é que, apesar de todas as mudanças que aconteceram no quadro social e no universo da comunicação, uma coisa continua absolutamente igual. Só a grande ideia continua tendo o poder de seduzir, porque só a grande ideia é sexy.

Só a grande ideia é capaz de produzir "excelence in advertising". A grande ideia ("puta ideia", para os íntimos) é a origem e a razão dessa profissão. Foi assim na idade do "lay" lascado, é assim nestes tempos de iPads ambicionados e será assim no futuro, que a nós pertence."

sábado, junho 05, 2010

cada vez mais todo mundo chupando dedo

Primeiro, ele achou que ela queria pedir alguma coisa: assim que terminasse de preparar aquele coquetel que estava fazendo, iria atendê-la.
Depois, observou: ela não tirava os olhos dele. Era uma loira linda, muito sensual. Sem dúvida, a mais bonita do bar. E parecia estar dando bola pra ele. Então, terminou rapidamente o que estava fazendo e foi o lugar onde ela estava sentada.
“Pois não, senhorita.”
Ela não disse nada. Para surpresa dele, começou a acariciá-lo. Desabotoou-o ali mesmo, passou-lhe a mão pelo corpo. Depois, acariciou-lhe o rosto, e enfiou-lhe os dedos na boca. Ele sentiu um cheio esquisito, mas correspondeu, chupou-os. Estava bom demais. O bar estava completamente vazio e ela a cliente demonstrava uma baita tensão. Ele não viu nada demais em ceder.
Aí, ela puxou o rosto dele bem pra perto do dela. Ele estava excitadíssimo, achou que ia ganhar um beijo na boca. Então, ela sussurrou:“Você é o dono?”
Envergonhado, ele respondeu:
“Não, sou apenas o barman.”
“E o dono está aí?”
“Não, ele ainda não chegou.”
Nesse momento ela o afastou e deixou recado:
“Então, diga pra ele que o banheiro não tem papel higiênico e as torneirasestão secas.”
Aí ele percebeu de onde vinha aquele cheiro.
Não sei quantas vezes assisti – muitas até participei – das cenas:
. Primeira – O Cliente passa um brief para a agência.
. Segunda – Na Agência, a criação se mata para encontrar uma boa idéia e para convencer o atendimento a apresentá-la.
. Terceira – O cliente acha que entende de comunicação e começa a modificar o assunto: “ao invés dessa palavra, ponha....”; “aumente a assinatura”...; ‘. “diminua a ilustração”...; “o texto está muito grande...”; “acrescente......no texto.
. Quarta – O atendimento vai para a criação, layout todo rabiscado, e determina: “o cliente quer desse jeito.” A criação obedece. O anúncio fica com aquele cheirinho esquisito dos dedos da loira.
. Quinta – O cliente se lambuza, sem perceber a merda que lambeu.

( o cheiro da loura, do eloy simões)

sexta-feira, maio 28, 2010

propaganda tal e qual ou o design velho do primo novo


novo uno, novo tudo. os novidadeiros publicitários de plantão estão em pulgas. mas como há muito não temos nada de novo no front, o renaul "twingô"- o carro mais chupado dos últimos tempos, foi a vítima desta vez. a fiat, pra começar, xerocou as três entradinhas mais pra baixo, o fox, da vw, raposa velha, apossou-se do novidadeiro sistema de bancos deslizantes, e por aí vai, para não haver mais desmontes. como todo bom carro que se preza, em nosso mercado, o twingô acabou por não fazer sucesso no brasil, terra onde o tucson, cuja glória é ter passado a perna no jeca ou eca-ford(suv mais fake não há, que blasfêmia à cherokee) mas que perde de lambada no subaru forester, por exemplo, que não vende nada por aqui, apesar de uma tração contínua 4x4 pra lá de cult no mercado americano e europeu, inclusive expressão da perfeição do equilíbrio do motor boxer, coisa que os koreanos ainda tem muito que copiar, lá e cá.

e é assim na base do uni-duni-tê, o escolhido foi você, que vai se fazendo propaganda dos inovados no brasil.

por essas e outras, eu prefiro os clássicos: nos carros e na publicidade, pois eles sim ainda são novos em tudo, principalmente quando se compara com este pensamento de retroz que anda costurando o marketing e a comunicação do mercado automóvel.


terça-feira, maio 25, 2010

o estágio atual da profissão


O mercado vive comentando o desempenho das agências de propaganda brasileiras nos prêmios internacionais. Mas por que não olhamos para nosso próprio umbigo? Longe dos holofotes, outra questão há muito se faz presente na rotina dos criativos. Cá entre nós, quem foi que inventou que estágio de propaganda é profissão não-remunerada?

É por essas e outras que o nosso país é um dos líderes em desigualdade social. Enquanto muitos diretores de criação vão para as agências dirigindo carros importados, pensando no próximo Leão, o famigerado e cobiçado prêmio, estagiários estão aí, sonhando apenas com um vale-transporte. E são os pais, quando há, que pagam o pato, e também a passagem, o almoço e até o cursinho de portfólio.

A Paris Hilton vestiu um microvestido, pegou uma cerveja na geladeira e ganhou mais de um milhão. A Tessália fez (supostamente) um polêmico blowjob em rede nacional e vai faturar uma bolada – sem duplo sentido – da Playboy.

Até quem doa sangue ganha pelo menos um lanchinho ao final. Só o maltrapilho do estagiário é que continua de mãos abanando. Tudo bem que alguns não fazem nada, mas sejamos francos: contratou, tem que pagar.

Tenho uma sugestão. Não é original, mas vai ajudar. Nossa própria seleção feminina de rúgbi já fez isso. Vamos juntar vários estagiários, de diferentes áreas, da criação, mídia, produção, atendimento, esta última, principalmente.

Com todos reunidos, faremos um calendário no melhor estilo “nu artístico”, recheado de peitos, bundas e outras coisas bem menos suntuosas. Assim, levantaríamos algum dinheiro e, de quebra, a galera da agência ganharia doze páginas bastante sugestivas para folhear.

No final do ano, faríamos uma promoção para queimar o estoque. Comprou um anuário, levou um calendário. Na época, um redator famoso ficaria encarregado de fazer um título sem essa rima pavorosa.

No ano seguinte, a mesma coisa. Centenas de recém-formados prontos para tirar a beca (só tomem cuidado quando forem jogar os canudos) e posar para as novas fotos que vão dividir as prateleiras com os anuários. Os estagiários finalmente vão poder mostrar em casa o que fizeram na agência. Mesmo que isso não seja nenhum motivo de orgulho.

Será que esse tal mercado da propaganda não tem condições de garantir o mínimo possível para seus estagiários? Será que as agências vão continuar adotando essa prática tão mesquinha e exploradora? Será que a única maneira de um profissional mostrar seu talento é ficando de barriga e bolsos vazios?

Chega de serás. Já passou da hora de mudar de atitude. Para terminar, quero deixar claro que minha intenção não é fazer nenhuma apologia à pornografia, mas trabalhar de graça, por si só, já é uma puta sacanagem.

(seguindo o exemplo, do marcelo fernandes, para o jornalirismo)

pessoalmente, acho que a grande sacanagem, nem é o estágio não ou mal remunerado. é que os estagiários agora vão aprender o quê, com quem? a fazer esta merda fofa que esta aí? a colect of truques e atalhos para pendrives de meio giga? antes não se ganhava nada, mas aprendia-se pra caralho, inclusive a hora climax de mandar donos de agência chupar outra tetinha. era a glória, por exemplo, lavar(sem sacanagem) os "pincéis do benício" - sim, antes de se denominar diretor de arte, o estagiário durante pelo menos um ano lavava pincéis, e olhe que já haviam "rafeado" arrôbas de leiautes, e arriscado mais pinturas que os dez primeiros volumes dos gênios da pintura. os redatores por sua vez, já haviam lido metade da biblioteca, dentro e fora da agência(sim, na agência havia biblioteca) e produzido quase dúzias de livros(que felizmente não lançaram). havia um aprendizado de sentido universal - a chamada cultura geral - que foi exterminada para e por pela geração diploma(de publicidade). não conto nos dedos da mão nomes de formandos que realmente tenham feito algo de relevante para a profissão(que está sepulta muito embora ainda a julguem catapulta. isso que está aí é enganação pura, sequer é punheta de propaganda, e estagiáriamente e profissionalmente falando, a começar do preço que paga-se pelo curso e pelo curso que a vida segue a partir deste mesmo curso, que formata o estudante a ser um eterno estagiotário, o que seria muito bem feito também para papais e mamães que, ou amam ou odeiam demais os filhos para darem-lhes fundos para tais faculdades se estas não tornassem, cada vez mais, o mercado esta mata de ralabundos soerguidos a bestas e pavões. e tome os mbas ou seriam amebas?

sexta-feira, maio 21, 2010

país de cardeais

De uma hora para outra eu passei de herói a irresponsável, com direito a tratamento de bandido.
Corria a década de setenta e eu, na Norton, recebi a incumbência de cuidar de

um produto de limpeza da Cyanamid. A verba era pequena, e o concorrente era

Fúria, que veiculava uma agressiva campanha, cujo conceito era o furacão

branco.

Com aquilo na cabeça, fui ao cinema. Vi, então, um documentário onde duas

pessoas, com enorme dificuldade e enfrentando um baita perigo, lavavam o

Cristo Redentor. Bingo, pensei. Vou promover a lavação dele, com o produto da

Cyanamid.

Mas como?

Fácil, imaginei. Lembrei-me de que naquela época Sílvio Santos promovia, com

grande sucesso, uma gincana entre entidades filantrópicas: quem completasse a

tarefa em primeiro lugar, ganhava um baita prêmio. Foi só juntar as coisas.

Junto com a produção do programa criamos e colocamos em execução um

plano. O programa faria o desafio, a Agência se entenderia com a administração

do Cristo Redentor e ambos tomariam todas as medidas necessárias de

segurança.

As providências foram tomadas e as coisas iam às mil maravilhas. Dentro da

agência o ambiente era de entusiasmo e eu tratado como gênio. A notícia

chegou nos Estados Unidos e a diretoria matriz avisou que viria ao Brasil só

para assistir ao evento.

Aí aconteceu o imprevisível. O cardeal que na ocasião das tratativas estava

viajando, retornou. E informado do fato não gostou. Nem um pouquinho:

“O que¿ Cristo transformado em garoto propaganda¿ Não admitido.

Cancelem!”

Cancelaram. Quase em cima da hora. O cliente ameaçou tirar a conta da agência

e eu, ex-herói, fui colocado na geladeira.

“Irresponsável! Como você foi ter uma idéia maluca dessas¿”


Por força das minhas responsabilidades na área pedagógica, adquiri o hábito de recortar anúncios publicados em jornais em revistas do país. Chamo isto de dissecar cadáveres.

Como se faz nos Cursos de Medicina, procuro descobrir, através deles, as doenças. A saúde também, embora não esteja certo de que naqueles Cursos essa ação esteja voltada para sacar a saúde dos cadáveres.

Não sei se isso está me fazendo bem. Tenho visto tanta peça, tanta campanha ruim, tanto lugar comum, tanta repetição de cenas, tanto anúncio ilegível, tanta droga que me sinto mal.

Outro dia me disseram:

“Os tempos mudaram. Hoje, os clientes interferem mais.”

Engano: os clientes interferem, ou tentam interferir, como sempre. A questão é: as defesas do trabalham não convencem.

E não convencem por falta de argumentos. Ou por covardia.

Quem cria, quem planeja, quem apresenta o trabalho ao Cliente, tem de ser macho, ainda que a apresentação seja feita por alguém do sexo feminino. Tem de assumir o risco, se estiver apresentando uma boa idéia. E assumir as consequências, se não der certo.


Se a idéia revolucionária que apresentou não der certo, você pode ser chamado de irresponsável. Até perder o emprego. Paciência.


Sua consciência estará em paz. E seu valor será reconhecido logo em frente, talvez até pela mesma agência que o(a) demetiu. E pelo cliente que recusou o trabalho.

(de mocinho a bandido, do eloy "enciclopédia" simões, no acontecendo aqui.

quinta-feira, abril 22, 2010

como meter um pinguim numa fria, ou numa gelada, o que dá no mesmo


As pessoas revelam-se impressionadas com seus números. Sua capacidade de preservar e consolidar sua liderança é reconhecida. As conquistas de suas lideranças são decantadas em prosa e verso. Os autores da proeza são referenciados e reverenciados nos principais cursos de administração do país: em quase todos, não em todos. Muitos jovens executivos em início de carreira sonham em serem descobertos pela empresa; a grande maioria dos outros executivos não quer nem ouvir mencionar seu nome. E agora, divulga os dados referentes a 2009. Um porre de sucesso.


Um lucro líquido de R$ 6 bilhões – 16,9% em relação a 2008 -, um ebtida de R$ 10,5 bilhões – 15,8% sobre 2008 -, receita líquida de R$ 23,2 bilhões – 12,0% a mais que 2008 – volume de vendas 15,5 bilhões de litros – 5,1% sobre 2008 – e por aí vai. 70% de participação no mercado de cervejas, investimentos previstos para 2010 da ordem de R$ 2,0 bilhões, 15% de aumento em sua capacidade de produção, e 44 mil novos empregos diretos e indiretos. Seus números brilham, sua saúde econômica é exuberante, e poderia continuar descrevendo toda a sua magnitude e esplendor e ainda seria pouco.

Não obstante tudo isso, é vista com respeito, mas não admiração. Chama a atenção por suas conquistas, mas não emociona. Ao se movimentar tromba, machuca, derruba – os de fora e muitos dos de dentro – gera pânico. Não distingue pessoas de números. Não desperta simpatia, não provoca inveja, não constrói relacionamentos verdadeiros, é incapaz de amar, desconhece o que é paixão, não tem admiradores, seguidores, evangelizadores, apóstolos.

No território do BRANDING conseguiu uma proeza única e, provavelmente insuperável. CONSRUIU UMA MARCA GELADA.

Assina AMBEV.

(francisco madia, especial no madiamundomaketing)

terça-feira, abril 20, 2010

dura lex não vem de sedex


Anúncio de página inteira publicado nos jornalões brasileiros, no dia 6/4, exalta os supostos benefícios da propaganda. Assinado por entidades de anunciantes e de agências de publicidade ele tenta reagir às iniciativas em favor da existência de um controle público sobre a propaganda. Trata-se de uma vitória dos movimentos sociais e das entidades empenhadas na luta por uma regulação mais rígida sobre essa atividade. Mostra, pelo menos, que elas começam a incomodar quem se julgava intocável.

Não fossem ações como as do Instituto Alana, com o seu projeto “Criança e Consumo”, por exemplo, e os publicitários jamais deixariam de lado o atendimento de suas ricas contas para preparar e publicar um texto incrivelmente enganoso, aliás como muitas de suas peças publicitárias.

Depois de exaltarem a importância da propaganda na disputa pelo mercado chegam a uma conclusão inédita: “a grande maioria das pessoas gosta de propaganda”. Não dizem de onde tiraram tal conclusão. De que pesquisa saíram os dados para sustentar afirmativa tão cabal. É só mais um slogan, tão a gosto do meio.

Mas não ficam por aí. No final do texto está a resposta ao Instituto Alana e aos parlamentares comprometidos com uma legislação mais moderna para o setor. Diz o anúncio: “E quando alguém não gosta (da propaganda), faz o óbvio: muda de canal na hora do intervalo, troca a estação de rádio, deixa de ler o anúncio publicado no jornal”. Simples, não? Ou simplista demais?

Claro que quem escreveu esse texto sabe que isso não é verdade. Eles mesmos produzem os merchandisings que campeiam à solta nas novelas, programas de auditório, transmissões esportivas e são veiculados de forma a impossibilitar a tal mudança de canal na hora do anúncio. Sabem também que ninguém vai girar o botão do rádio quando começa um comercial que o ouvinte, obviamente, nem sabe ainda do que se trata. E é difícil fechar os olhos para uma página inteira de jornal como essa publicada sob o patrocínio das entidades das agências de propaganda e dos anunciantes.

Afinal a missão desses profissionais é fazer de tudo para que o telespectador, o ouvinte e o leitor não desgrudem da mensagem e introjetem o seu conteúdo. É um contra-senso pedir para que eles fujam de algo embalado pelos publicitários para conquistá-los. Em novela recente, em meio à fantasia, a madame entra no carro novo sob o olhar de cobiça da empregada e ressalta, entre as várias qualidades do veículo, o fato de ele ter o piso alto, ficando imune às enchentes. Focalizava-se com destaque a marca do carro e passava-se a mensagem de que, com ele, o problema social das enchentes estaria resolvido. Individualmente, para quem pudesse comprar o tal carro. Aos demais a lama ou o afogamento.
Mas voltando ao anúncio publicado nos jornais. A frase final, referindo-se a possibilidade de mudar de canal, de emissora ou de página, é primorosa: “É impressão nossa ou isso é o direito de escolha levado a sério?”. Direito de escolha? Escolher entre o que? Entre emissoras que transmitem programas iguais, veiculam os mesmos anúncios e não dão nenhuma alternativa aos hábitos consumistas, individualistas e anti-sociais? E mais, que violam a lei sem cerimônia ao ultrapassar o limite máximo de 25% da programação permitidos para propaganda no rádio e na TV. Com a conivência silenciosa de agências e anunciantes.

Quando dirigida às crianças, os efeitos da publicidade tornam-se ainda mais perversos. A presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Vilela, conta que até em áreas carentes de cidades como São Paulo já é possível perceber esse fenômeno. A partir de um projeto social desenvolvido pela instituição na zona leste da cidade constatou-se que “crianças cujas famílias dependem de cestas básicas não saem de casa sem passar batom. Que acham que a maior felicidade do mundo é ter cabelos longos e loiros iguais aos da Barbie. Meninas que vestem micro-saias e ficam grávidas na adolescência. Meninos que insultam mulheres e tomam cerveja. Mães que, depois de muito choro e muita insistência dos filhos, gastam todo seu dinheiro para comprar um boneco Power Ranger. Filhos que depois de ganhar um Power Ranger, brincam dois dias, abandonam o boneco e começam a pedir a próxima novidade anunciada na televisão. Ou ainda garotos que falam que agora sim os pais podem comprar tudo o que querem porque determinado banco oferece crédito acompanhado de alguns bonequinhos de brinde. Crianças e adolescentes brasileiros repetindo diariamente o nome de inúmeras marcas, que algumas vezes estão entre as dez primeiras palavras de seu recém-formado vocabulário”.

Diz ainda que “do Rio Grande do Sul ao Amapá, das periferias dos grandes centros urbanos ao interior da Bahia, eles querem se vestir e comer da mesma forma. Querem marcas – usar o tênis Nike, comer Fandangos e ter a mochila da Hello Kitty. Preferem não ir à praia ou ao campo porque sabem que lá não encontrarão tevê ou videogame. Trocam o suco de mexerica por Coca-Cola, e arroz, feijão e couve, por Big Mac com batata frita”.

Para Ana Lucia “os pais não são os únicos responsáveis pelos filhos que não param de pedir produtos vistos na tevê, que são obesos, sexualmente precoces ou com comportamentos violentos. A responsabilidade maior está nas empresas e agências de publicidade que apostam no mercado infantil, procurando a vulnerabilidade de cada faixa etária da infância e adolescência para criar consumidores fiéis: as crianças de consumo”.

O anúncio dos publicitários e dos anunciantes publicado nos grandes jornais é uma reação à denúncias como essa, aos projetos de lei tramitando no Congresso para por limites nessa farra e ao aumento das pesquisas científicas mostrando os males da propaganda. Reação de quem se acha acuado e percebe que o tempo dos privilégios está acabando.

(a propaganda com medo da lei,do laurindo lalo leal filho, sociólogo e jornalista, é professor de jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “a tv sob controle – a resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

sexta-feira, abril 16, 2010

como se (de)formam redatores(e diretores de arte) num tempo onde as imagens são ricas em não ter idéias


Volta e meia aparecem nas mídias os erros crassos de alunos nos vestibulares. Normalmente, eles são coletados nas redações e se referem ao uso da língua e ao domínio de conhecimentos básicos e especializados. A chacota e a estupefação substituem um exame mais sério do problema. Ora, eles deveriam saber, se não sabem é porque são “burros”, isto é, incapazes de aprender, tal como animais! Este modo de ver e comunicar o que ocorre, encontrável em múltiplas fontes, é levado ao paroxismo e serve de explicação absolutamente falsa, derivada de preconceitos típicos visíveis na sociedade brasileira. As redações geniais e os textos sem erros apreciáveis jamais são midiatizados. Um desavisado pode imaginar que todos os estudantes sofrem da mesma dificuldade, o que é um absurdo lógico. Espetaculariza-se o erro, talvez, para esconder os acertos.

A fala de políticos oriundos das camadas populares é objeto do mesmo tratamento. Seus erros de concordância, de acordo com a norma culta da língua, são muito freqüentes e servem para armar os que odeiam os pobres e não fazem qualquer esforço para compreendê-los. A imprecisão vocabular, o uso de comparações estapafúrdias e conceitos inadequados são tratados como sinônimo de incapacidade e de falta de inteligência. Se alguém não sabe se comunicar, tal como a elite branca e letrada, também não saberá governar! Isto significaria uma tragédia para o país. Curiosamente, é comum que os acusadores sejam portadores dos mesmos problemas dos acusados. Repetem como papagaios o que ouviram em algum espaço social ou nas mídias, reafirmando práticas odiosas de discriminação racial e social. Esquecem que já viveram situações onde os governantes eram letrados e se diziam poliglotas e nada disso impediu a corrupção e a tomada de medidas contra os trabalhadores.

O fato de ser formalmente letrado não exclui a possibilidade de ‘errar’ no português culto e muito pior do que isto demonstrar incrível incapacidade de compreensão de rudimentos básicos das ciências e das artes eruditas e populares. O porte de diplomas pode ser uma arma de distinção, usada para a ascensão social e para a manutenção de empregos e de privilégios. Entretanto, isto não garante o domínio da norma culta da língua e nem mesmo do conhecimento especializado que é objeto da diplomação. Não são poucos os falantes do ‘javanês’ completamente e corretamente portadores das láureas formais dos canudos de papel. É possível chegar ao grau máximo – o doutorado* – sem que se tenha um grau mínimo de verdadeiro saber. Sem deixar de lembrar, que o conhecimento acadêmico jamais substituirá àquele vivenciado por cada um, o que os distingue do ponto de vista humano, para o bem e para o mal. Nenhuma academia pode garantir a humanidade positiva de cada um de seus alunos.

Obviamente, não há santidade no desconhecimento lingüístico e na ignorância técnica, científica e artística. Na política, ninguém é santo por pouco saber. Todavia, muito pior do que a inexistência do domínio dos elementos básicos do conhecimento acumulado pela humanidade é o ato de vendê-la aos interesses do capital. Uma frase capenga com erros de construção gramatical consiste em um erro social praticado por um indivíduo que teve problemas para estudar desde sua infância. Trata-se de um problema político, contra o qual não se devem medir esforços para impedir que se repita melancolicamente no mesmo país. O que dizer dos que estudaram, dos doutores que se omitem, dos que se calam frente a qualquer iniqüidade, dos que aceitam a guerra, a fome e a miséria como fatos naturais e inelutáveis, dos corruptos diplomados na ladroagem oficial e oficiosa.

A simples leitura dos comentários dos leitores das grandes mídias indica, em profusão, a existência do mesmo problema. Na era da Internet, surgiram novas formas de comunicação escrita usadas por anônimos que adoram comentar o que lêem e, mais ainda, o que vêem, na forma de imagens fixas e em movimento. Há uma forte vontade pública de se dizer o que se pensa, mesmo que o espaço seja pequeno e a prosa seja igualmente limitada. Os leitores superaram o espaço das antigas cartas mandadas para os jornais. Eles participam em uma espécie de fórum eletrônico, onde comentam o que outros escreveram. Nas mídias de menor alcance social, como nesta onde escrevo, a tendência é a de existir um maior cuidado. Todavia, os mesmos problemas também se repetem.

Em vários programas e sítios ditos de ‘relacionamento social’, podem-se captar tendências formais de uso da língua e domínio de conteúdo especializado ou de amplo interesse público escritos do mesmo modo de sempre. Obviamente, que existem inúmeras variações e exceções. Parte-se do princípio que são os jovens os seus principais usuários, certamente, isto não é inteiramente verdadeiro. É difícil mensurar com maior precisão as faixas etárias, a origem, posição social e o local de acesso dos envolvidos. Aparentemente, esta forma de comunicação é usada principalmente pelo público adolescente e por pessoas com menos de trinta anos. Entretanto, o acesso é possível a qualquer um que possa usar um computador no sentido de tempo e de meios materiais disponíveis.

As dificuldades hegemônicas de uso da língua e de domínio dos demais conhecimentos humanos consistem em um problema político a ser enfrentado. A melhoria do nível geral de acesso ao saber possibilitaria a construção de pessoas mais dificilmente domesticáveis e, conseqüentemente, mais aptas para a construção de uma verdadeira cidadania. Em todo o mundo, quem foi capaz de ampliar e diversificar a instrução das multidões foi o sistema público de ensino. Sem ele, fica difícil imaginar que a educação seja algo além do que uma simples mercadoria ou um simulacro do verdadeiro saber. O problema é que a educação isoladamente não faz milagres. Não adianta, ter escolas com salários de fome para seus professores e com alunos que vivem em condições precárias de vida que os impossibilitam aprender. Uma política educacional, para não ser demagógica, deve considerar todos os problemas que enfrentam os entes que dela participam.

No Brasil contemporâneo, atingiu-se ao que alguns críticos chamam de videoesfera, isto é, o predomínio de uma comunicação feita por meio de imagens, inclusive as relativas às palavras, produzidas, ouvidas e lidas nos artefatos do tempo presente. A chegada a esta era foi muito rápida, tendo atropelado a escala, vivida em outros países, da grafoesfera. Passou-se para a imagem, sem se ter bem vivenciado a palavra escrita, sempre reduzida a pequenos círculos sociais. Um dos sintomas disto é o fato de haver no país a publicação anual de centenas de livros, em sua maioria, em pequenas edições, muitas vezes, alcançando não mais do que 1000 exemplares. O número dos que escrevem vem se aproximando velozmente da quantidade real de leitores. Estes, em muitos casos, jamais conheceram o livro, como objeto essencial de suas vidas. Os livros que mais vendem são os escritos por personas midiáticas e/ou os que forem amplamente publicizados nas grandes mídias, vendidos como se fossem pastas de dente ou sabonetes. Não importa a qualidade do produto e, sim, a publicidade e a sintonia com as modas e outras ligações com o espírito de época.

A era da videoesfera reforçou a velha oralidade, onde quase tudo é resolvido por meio da fala, com uma intervenção mínima da palavra escrita. Por isso, a escrita reaproximou-se da fala. Neste cenário, não é difícil compreender a inexistência de qualquer respeito à norma culta da língua. Aliás, esta é um problema porque impede qualquer modernização simplificadora que capture mais leitores e escritores. Foi construída para uma pequena minoria, desconsiderando a necessidade de se instruir às maiorias. O mesmo mecanismo permite compreender o recuo, fortemente preconceituoso, à tradição e aos sensos comuns primários que se postam contra qualquer conhecimento técnico, científico e artístico mais complexo.

Os jovens são muito afetados por todo este processo, porque já ‘estudaram’ em escolas que foram fortemente atingidas pela força dos meios de comunicação do tempo presente. Com exceção das elites mais cultas e politizadas, eles tendem a pensar o mundo com muitas imagens e poucas letras, pior ainda, com pouquíssimas idéias.

(língua conhecimento e crítica, do luís carlos Lopes, professor e autor do livro "tv, poder e substância: a espiral da intriga", dentre outros.)

* há, ainda, o pósdoutorado(com hifem ou sem) que padecem do mesmo mal(o grifo é do cemgraus)

quarta-feira, março 17, 2010

o conar é que precisa de uma devassa, para não dizer que agências e anunciantes idem


Felizmente, os professores de ética atuais não são os filósofos éticos gregos que, com seu comportamento, faziam a filosofia se espraiar e criavam discípulos. Caso fossem, correríamos o risco de ver não só um grupo de estudantes de Filosofia saindo às ruas contra a cerveja, mas, talvez, todo um partido de militantes dessa nova postura ascética. Então, uma boa parte da indústria de bebidas entraria em colapso, causando desemprego.

Esses estudantes seriam os discípulos do professor de ética Renato Janine Ribeiro. Para comentar a proibição da propaganda da cerveja Devassa, ele iniciou fazendo profissão de fé na sua aptidão para o gosto sofisticado quanto à bebida e ao sexo (ver "A devassa da devassa"). Poderia ter iniciado seu texto falando da proibição, mas não, ele precisou, antes, falar de como perdeu o gosto, de uma vez, pela cerveja Devassa quando a viu associada ao nome de uma atriz pornô. Cito a passagem que, confesso, achei hilária:

"Provei a cerveja Devassa num dia no aeroporto. Mas, quando vi na TV sua propaganda com uma norte-americana rica que deve a fama a um vídeo pornô que circulou na internet, achei de mau gosto e perdi a simpatia pela bebida. Ponto. Agora, quando o Conar retirou a propaganda do ar, vale a pena discutir um pouco o assunto" (Folha de S.Paulo, 07/03/2010).

Muito sexo e pouco erotismo

Qual o objetivo de, em um texto sobre a censura, antes de tudo se colocar como alguém que está acima de Paris Hilton e de cervejas que podem estar ligadas, nas propagandas, a mulheres? E será que a forma com que Janine Ribeiro falou do assunto "vale a pena discutir um pouco o assunto"?

O texto do professor de ética segue, então, de maneira ziguezagueante: usa vários parágrafos para titubear e, ao fim, não conseguir condenar o que foi, claramente, um ato de censura. Envolve discussões não cabíveis sobre "mulher objeto" (a essa altura do campeonato?) e suas relações com a "sensibilidade" do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão privado). Fala, fala e não diz nada.

Pode ser que Renato Janine Ribeiro ainda esteja traumatizado por conta das reações a seus últimos artigos. Um deles, em que deixou escapar um possível gosto (nada sofisticado, diga-se de passagem) pela pena de morte, lhe deu boa dor de cabeça. Teve de enfrentar um Jô Soares que, como um professor mais velho, puxou sua orelha dizendo "o que se passou nessa sua cabecinha, Renato?". Isso sem contar os artigos anteriores, de defesa envergonhada do governo mensaleiro, quando ele ainda era membro da Capes. Pode-se lembrar, também, o artigo sobre a garota hostilizada na Uniban em que ele, de modo muito estranho, poupou a escola em um momento em que todos apontavam para o descaso para com o ensino em uma universidade como aquela. Sim, tudo isso pode ter deixado o professor de ética sem jeito.

Todavia, lá pelo final do artigo, Janine Ribeiro parece encontrar o eixo: ele faria, sim, uma objeção à propaganda: ela ligaria sexo e bebida de um modo a não fomentar a imaginação, uma vez que seria uma propaganda sem erotismo. Ah, então aí começamos a entender a razão de Janine ter começado retratando o seu próprio gosto sofisticado. Ele é adepto do erotismo e, em nossa sociedade, há muito sexo e pouco erotismo. Ou seja, há uma perda da imaginação.

Voyeurismo em cenas belíssimas

Ora, dito assim, eu endossaria a afirmação de Janine. A geração dele, mais que a minha até, foi leitora de Herbert Marcuse. Talvez não ele, que não vem da tradição frankfurtiana da qual eu venho, mas como jovem dos anos 1960 ele sem dúvida soube bem absorver a crítica da época: vivemos uma civilização que, para ser civilização, cortou os pulsos de Eros. Tenho dito isso até hoje. Quanto mais há a venda de Viagra e quanto mais precisamos de propaganda para consumo de pornografia, mais isso denota que estamos apáticos, que não nos erotizamos mais, que nos deixamos sucumbir pelos ditames da "sociedade do trabalho" (Karl Marx), da "sociedade administrada" (Theodor Adorno) ou coisa parecida. Sim, mas será que é isso que Janine quis dizer?

Penso que há em Janine, na verdade, menos sofisticação do que ele quer fazer parecer e, talvez, um rabicó de puritanismo. Convido o leitor para concordar ou discordar de mim. Vejamos, vamos ao que nos interessa: a propaganda.

Quem viu a propaganda da Devassa pode simplesmente dizer: foi a propaganda menos apelativa ao sexo que já vi em relação a bebidas. Foi, sem sombra de dúvidas, na comparação com outras, em que partes sexuais da mulher são enfatizadas (principalmente as nádegas), uma propaganda que mostra o voyeurismo do fotógrafo em cenas belíssimas. Nada de "devassidão". Muito menos de pornografia. A propaganda é um elogio ao trabalho fotográfico do erotismo de algo nível.

Guerra econômica por mercado

Renato Janine Ribeiro ou não viu a propaganda, o que é gravíssimo para um professor que escreve comentando sobre ela, ou simplesmente viu e, por conta de algum drama psicológico, não conseguiu fazer a distinção entre o erótico e o pornográfico, entre o que faz a imaginação andar e o que faz a imaginação parar.

O que faz a imaginação andar na literatura expressa em livros é uma coisa. As possibilidades da TV são outras. Quando criticamos a TV por ela não provocar a imaginação que o livro pode fomentar, cometemos uma injustiça, além da burrice implícita na comparação. A TV é imagem e som, e de modo rápido. Fazer TV imaginativa implica reconhecer os limites e as possibilidades desse meio por ele mesmo, e não em comparação a outros.

O publicitário da Devassa acertou a mão. A propaganda é boa e nada tem de ofensiva – não há nem mesmo cena de nudez ou qualquer gesticulação pornográfica. Assim, talvez tenhamos de ir menos pelo saber superficial de lições de ética e mais pelo conhecimento filosófico amplo. Um filósofo deveria antes desconfiar de algo que é um segredo de Polichinelo: o Conar não cedeu a qualquer imperativo ético novo ou velho; ele certamente se viu no interior da guerra econômica por mercado – e isso, sim, foi a devassidão que caiu sobre a Devassa. O resto é frescura – infelizmente, frescura que não vem do sabor da Devassa ou de qualquer outra cerveja.

Bem, abram uma cerveja, brindem a Epicuro e esqueçam falsas lições de ética!

(cerveja e hipocrisia, devassa na boca do professor de filosofia, do pauldo ghiraldelli jr.)

terça-feira, março 02, 2010

para os atrasados,de sempre, na história





Li em umartigo assinado pelo biólogo Fernando Reinach, publicado no Estadão em 24.12.2009:



“Nossa ilusão de que vegetais não se comunicam e não têm mecanismos sofisticados para resistir à morte se deve ao fato de eles se comunicarem não por sons ou gestos, mas por meio de moléculas químicas, cheiros e hormônios que muitas vezes sinalizam seu desconforto ou tentam repelir ataques. Recentemente foi elucidada a sofisticada comunicação entre uma couve-de-bruxelas, uma borboleta que adora devorar suas folhas e uma vespa que se alimenta das larvas da borboleta.”



“A couve-de-bruxelas (Brassica oleracea) está feliz tomando sol em seu jardim quando pousa sobre ela uma linda borboleta branca (Pieris brassicae). A borboleta deposita sobre as folhas seus ovos fecundados – uma ameaça para a couve, pois os ovos se transformarão em larvas famintas. No terceiro dia, como por milagre, os ovos são localizados por uma vespa altamente especializada.”



“Essa vespa (Trichogramma brassicae) injeta seus ovos dentro dos ovos da borboleta. As larvas da vespa se alimentam do conteúdo dos ovos da borboleta, matando-os. O resultado é que a couve de safou. A morte passou perto.”



2. Há algumas décadas o mercado publicitário foi apanhado de surpresa: a MPM (então do Mafuz, do Petrôneo e do Macedo) primeira no ranking das agências, havia sido adquirido pela inglesa Lintas, a sétima ou oitava, se bem me lembro.


“A nova agência será gigantesca”, concluiu-se.



Não foi. As contas foram saindo, a agência minguando, minguando, e em pouco tempo ficou menor do que a Lintas, antes da aquisição.



3.No começo da década de 60, aconteceu o contrário.


Um dia, uma bomba sacudiu o mercado: a Willys Overland do Brasil tinha entregue sua conta, uma das mais polpudas do país e até então dividida entre duas ou três agências, ao jornalista Mauro Salles.


A reação foi imediata: as entidades do setor, lideradas pela ABAP, botaram a boca no mundo. Inutilmente.



Mauro comprou uma pequena agência carioca, entregou a direção do escritório ao ex-dono, veiculou através dela os primeiros anúncios e montou a Mauro Salles, depois Salles Publicidade. Aí, sentindo que faltava representatividade à agência, trabalhou em duas direções: aproximou-se das entidades patronais da publicidade inclusive da ABAP, que acabou presidindo, e comprou a Interamericana, uma das mais conceituadas do país.



Instalou o antigo dono, empresário de grande prestígio no mercado, em luxuosa sala do escritório do Rio de Janeiro. Cercou-o de todas as honras. E isolou-o da operação. Ao mesmo tempo, executou um cuidadoso processo de demissão que atingiu quase todo o pessoal da Interamericana.



Completando a operação, e para demonstrar ao mercado que sua intenção de manter a agência adquirida, deu à dele o nome de Salles Interamericana.


4. Na década de oitenta, outra surpresa.


Young & Rubicam, uma gigante, e Fischer & Justus, agência média, anunciaram sua fusão. Surpresa maior: a Fischer comandaria a nova agência, que se chamaria Fischer, Justus, Young & Rubicam.



Fui contratado para dirigir a operação da agência, quando o processo já estava concluído. Minha primeira missão: fazer uma análise da atuação da agência, que naquela altura encontrava dificuldade para deslanchar.



Três meses depois apresentei meu relatório: a Fischer, Justus, Young & Rubicam não era uma agência: eram duas, com filosofias de trabalho diferentes, que se chocavam permanentemente, uma atrapalhando o trabalho da outra.



Fui vaiado.



“Você não entendeu nada,”disse-me meu chefe. “Chegou ontem aqui e acha que sabe das coisas.”



Mas eu estava seguro das minhas conclusões. Tão seguro que passei a sugerir à diretoria que promovesse uma convenção de dois dias com a participação de toda agência, para uma discussão sobre o futuro dela.



Insisti tanto que a diretoria concordou. Com uma condição:



“Você participa se quiser, mas se participar será como mero assistente. Não pode dar um pio.”



Contratou um psicólogo e um sociólogo para conduzir os trabalhos e apresentar suas conclusões em relatório.



Conclusão deles: o grupo está rachado. De um lado, a turma da Young, de outro, a da Fischer.



Coincidentemente ou não, meu chefe me demitiu em seguida.



Pouco tempo depois, as agências se separaram.



Um dia, em encontro casual, o Cláudio Carillo, que trabalhava na agência no mesmo período que eu, me disse:



“A Fischer e a Young deviam lhe dar um prêmio, porque teve a coragem de mostrar que elas deviam se separar porque a Fischer, Justos, Young & Rubicam estava irremediavelmente rachada. Juntas, iam se matar.”


5. Também na década de oitenta a McCann convocou a imprensa especializada para apresentar um grupo de profissionais que havia acabado de contratar. Ele eles, um diretor de criação – um dos maiores nomes da época.



Na época eu dirigia a redação da Revista Propaganda. E ao invés de mandar um repórter, fiz questão de ir.



O presidente da agência fez apresentação de cada um e anunciou orgulhoso, quando foi falar do novo diretor de criação:



“Com ele, a McCann entra em uma era: a da criatividade.”



Terminada a apresentação, perguntei:



“Além de contratar um brilhante diretor de criação, o que a Agência está fazendo para permitir que ele dê a anunciada virada criativa¿”



Expliquei, então, que havia trabalhado lá, e sabia das dificuldades - que enumerei – para realizar um trabalho criativamente diferenciado.



Ele não gostou. Deu uma resposta seca e encerrou a coletiva.



6. Semana passada este Acontecendoaqui anunciou uma provável adquisição da W pela McCann. Não sei se, enquanto escrevo, o negócio evoluiu. Mas aqui, sentado nos meus calcanhares, laptop em nos joelhos, fico pensando: será que vai dar certo?



De um lado, temos uma agência conservadora, que já fez antes um negócio frustrado, parecido, com a Ênio. De outro, temos um criativo brilhante e inquieto, embora pareça ultimamente mais interessado em escrever livros e comentar viagens, gastronomia, música.



Acho que não vai dar, porque no interior das agências as coisas funcionam como a descrita pelo Fernando Reinach: um gesto, uma palavra, um jeito de ser, pode ajudar ou destruir outro.



Mas isso é só um palite. Que, aliás, não foi pedido.




McCann e W: quando uma coisa puxa a outra, do eloy simões, confirmando que a história quando se repete, ainda mais nestes casos, não é comédia mas apenas mais uma farsa tragédia.





sexta-feira, janeiro 22, 2010

mostarda no dos outros(a falta)é refresco, para eles

- todo ano, depois do final de ano, falta mostarda, saracoteia o encarregado da secção, no hiperbompreço de olinda.
- mas nem pra remédio? balbucio, arriscando-me a levar com resposta cuja acidez não vai trazer sabor aos pratos pensados.
então isto é o primor do marketing brasileiro? a ausência sequer do menos cacuete de bandeja - cuja palavra mais requentada e em falta na prática das prateleiras chama-se planejamento - da produção a distribuição - que só azeda ainda mais se acrescida do afixo estratégico.
meu cacete! se todo o fim de ano falta mostarda - mas não falta salsicha, linguiças e outros enchidos, que disputam com os pães formatos fálicos, ardidos com ou sem mostarda - porque raios não se planeja a produção para suprir a tal da demanda? onde os tais cérebros privilegiados que sentam na mostarda com seus mbas de planejamento, e que talvez por isso mesmo, para janeiro sem mostarda é como se fosse um vácuo destinado a enfiar para lember os dedos sem o com, de condimento, of course.
e assim, lá se vão quase 25 dias sem reposição de estoque. e viva a ausência da mostarda verde coco de bêbe ou marrom cor da diarréia dos excessos e das faltas dos dezembros janeiros onde a falta revela isto mesmo: o excesso de bull-shit de homens de marketing que ao fim e ao cabo são tal e qual a mostarda que falta evidenciando as faltas de tempero em profissionais cujo planejamento é ausência própria da prática que a prateleira vazia teima em exibir como vazio discurso.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

duro de matar 5 ou,duro avatar, a saga continua

e chegamos a 2010.

para começar o ano de bem, nada de falar que a má resultante da atividade publicitária - vamos desfiar a partir dos próximos posts o rescaldo que mais parece chorume, pelo visto do odor e consistência - que em pernambuco, e não só, atingiu aos píncaros do mau gosto, da inexpressividade, da irrelevância, da não pertinência, é fruto de um mercado subdesenvolvido, econômica, cultural e socialmente falando. e que tenta se portar como se não o fosse. o fato é - publicitários fazem questão de não ter memória, ainda mais quando isto não lhes interessa - nunca tivemos um alto-nível-baixo com tamanha maestria em buscar reluzir a mediocridade. mérito da geração diploma? quiçá, talvez.
há vida inteligente na atividade publicitaria local? os meios demostram que muito pelo contrário. o que já não é supresa dados os fins. há quem diga que se não for assim, não pagaria as prestações da veneziana cabeça de porco em boa viagem. não seria melhor, menos na moradia, e mais nas prestações da qualidade do trabalho?
então afirmo que o nosso subdesenvolvimento é tão simplesmente ainda mais canhestro porquê é puramente de caráter. o estilo que se impôs atropelou a postura ética-profissional, os parâmetros de decência(pelo menos estética) e os valores morais - que andam tão baixos como os salários, negociações e remunerações - de imberbes e acochambrados, redundando no pensamento arrivista que solapa tudo e todo aquele que se faz, e se projeta, neste mundinho que ainda cultiva, e adora, a nota paga ao colunista social que configura a caricatura do negócio.
e haja arigatô. quando haraquiri deveria ser a palavra geral que consistência contivesse para além da metáfora.

quarta-feira, novembro 11, 2009

pérolas aos porcos

"não vivemos a era da criatividade, mas sim da relevância".

sérgio valente, presidente da dm9, após sua agência produzir um fantasma sem criatividade alguma e de uma relevância que abriu um rombo nos pés torados barro da dm9.
para completar - o valente tem topete - saiu-se com esta, chamando a atenção para a importância de se trabalhar a inteligência(sic!) na propaganda e não somente a tecnologia, que é classificada como ajudante no processo de construção de valores de marca. ah! bom. foi isso que se viu na tal peça de um inteligência de "brutucu" para trincar a marca de uma agência que já soube aprontar melhores sem ser pega com a mão na cumbuca.

"propaganda brasileira precisa estar mais perto do povo"

ruy linderberg, vp da leo burnett, diretamente do el ojo, e que está mais para oscar freire do que para a mooca.


"festival de new york agora é da hora"

não faz muito tempo para se ser juri de um festival, nomeadamente o de nova iorque, era preciso ter um trabalho de relevância consistente marcadamente internacional, que muitas vezes ultrapassava as suspeições de premiações, até mesmo no próprio, quanto mais em cannes. agora não. agora é a hora dos da hora até por sobrenome. afinal, nem mais relevância - a palavra da moda - de trabalho, sequer local, é exigida. as igrejinhas estão subvertendo até dostoievski.
chega-se ao universal sem retratar o que quer que seja da província dissociado da memória do seu povo.

respingo

seguindo o conselho do insuspeitíssiomo sérgio valente, haja vista a estultície acima,
para os que acham que tem que fazer, seja para aparecer ou para apaziguar o complexo de nordestino emergente, faça fantasma, mas não seja burro.mas além de tudo evite o ainda pior:
não copie a cópia do fantasma.

quarta-feira, novembro 04, 2009

linguagem do estelionato

a faculdade mauricio de nassau soltou um mosquito eletrônico, leia-se comercial chanfrado em caracteres, sobre sua propalada eficiência no campo do ensino, do saber já não se sabe, pois se o comercial, com um lettering e uma diagramação mas cocoricó não há, que exalta em discurso - textinho vagaba que até redator de nula categoria faria melhor e uma estética de chita surrada - sua excelência no ensino, por quê então não se vê na criação e execução da peça algo mais que o pífio refluxo do volvo universitário a corresponder a matéria que se encontra nos rios e canais que maurício pensou diferentes?

casa de ferreiro espeto de pau ou o faça o que eu ensino mas não faça o que eu faço, ou o flerte com o em cima da hora, também não lhe salva a metaparódia presa na linguagem do endosso dequem cobra os tubos no dizer de proficiência qualitativa mas que borra-se na expressão quantitativa do quantun devido.

o cacoete do mau varejo desta representação pastiche - o ensimesmado de períodos, o encavalamento de vocábulos e a síncope do mete mais onde não cabe menos - não se precisa de diploma universitário para fazer-se peça pior que o ruim do já pésssimo que se fez normal, o que já é anormal que baste.

mas o que esperar do pensamento que norteia o "universo universitário", cuja expressão ícone dos tempos em que vivemos é a grita que revela a verdadeira moral da história que não resiste ao pensamento de quem, tendo ou não, mostra o rabo e as belas coxas, ou o que seja, e é linchada física e moralmente por uma turba tal e qual a que se esconde no zé ninguém do reich que ninguém escuta.

putz! mas a que ponto chegamos: universitário, nem punheta sabe bater mais, quanto mais fazer comerciais.