sexta-feira, maio 21, 2010

país de cardeais

De uma hora para outra eu passei de herói a irresponsável, com direito a tratamento de bandido.
Corria a década de setenta e eu, na Norton, recebi a incumbência de cuidar de

um produto de limpeza da Cyanamid. A verba era pequena, e o concorrente era

Fúria, que veiculava uma agressiva campanha, cujo conceito era o furacão

branco.

Com aquilo na cabeça, fui ao cinema. Vi, então, um documentário onde duas

pessoas, com enorme dificuldade e enfrentando um baita perigo, lavavam o

Cristo Redentor. Bingo, pensei. Vou promover a lavação dele, com o produto da

Cyanamid.

Mas como?

Fácil, imaginei. Lembrei-me de que naquela época Sílvio Santos promovia, com

grande sucesso, uma gincana entre entidades filantrópicas: quem completasse a

tarefa em primeiro lugar, ganhava um baita prêmio. Foi só juntar as coisas.

Junto com a produção do programa criamos e colocamos em execução um

plano. O programa faria o desafio, a Agência se entenderia com a administração

do Cristo Redentor e ambos tomariam todas as medidas necessárias de

segurança.

As providências foram tomadas e as coisas iam às mil maravilhas. Dentro da

agência o ambiente era de entusiasmo e eu tratado como gênio. A notícia

chegou nos Estados Unidos e a diretoria matriz avisou que viria ao Brasil só

para assistir ao evento.

Aí aconteceu o imprevisível. O cardeal que na ocasião das tratativas estava

viajando, retornou. E informado do fato não gostou. Nem um pouquinho:

“O que¿ Cristo transformado em garoto propaganda¿ Não admitido.

Cancelem!”

Cancelaram. Quase em cima da hora. O cliente ameaçou tirar a conta da agência

e eu, ex-herói, fui colocado na geladeira.

“Irresponsável! Como você foi ter uma idéia maluca dessas¿”


Por força das minhas responsabilidades na área pedagógica, adquiri o hábito de recortar anúncios publicados em jornais em revistas do país. Chamo isto de dissecar cadáveres.

Como se faz nos Cursos de Medicina, procuro descobrir, através deles, as doenças. A saúde também, embora não esteja certo de que naqueles Cursos essa ação esteja voltada para sacar a saúde dos cadáveres.

Não sei se isso está me fazendo bem. Tenho visto tanta peça, tanta campanha ruim, tanto lugar comum, tanta repetição de cenas, tanto anúncio ilegível, tanta droga que me sinto mal.

Outro dia me disseram:

“Os tempos mudaram. Hoje, os clientes interferem mais.”

Engano: os clientes interferem, ou tentam interferir, como sempre. A questão é: as defesas do trabalham não convencem.

E não convencem por falta de argumentos. Ou por covardia.

Quem cria, quem planeja, quem apresenta o trabalho ao Cliente, tem de ser macho, ainda que a apresentação seja feita por alguém do sexo feminino. Tem de assumir o risco, se estiver apresentando uma boa idéia. E assumir as consequências, se não der certo.


Se a idéia revolucionária que apresentou não der certo, você pode ser chamado de irresponsável. Até perder o emprego. Paciência.


Sua consciência estará em paz. E seu valor será reconhecido logo em frente, talvez até pela mesma agência que o(a) demetiu. E pelo cliente que recusou o trabalho.

(de mocinho a bandido, do eloy "enciclopédia" simões, no acontecendo aqui.

quinta-feira, abril 22, 2010

como meter um pinguim numa fria, ou numa gelada, o que dá no mesmo


As pessoas revelam-se impressionadas com seus números. Sua capacidade de preservar e consolidar sua liderança é reconhecida. As conquistas de suas lideranças são decantadas em prosa e verso. Os autores da proeza são referenciados e reverenciados nos principais cursos de administração do país: em quase todos, não em todos. Muitos jovens executivos em início de carreira sonham em serem descobertos pela empresa; a grande maioria dos outros executivos não quer nem ouvir mencionar seu nome. E agora, divulga os dados referentes a 2009. Um porre de sucesso.


Um lucro líquido de R$ 6 bilhões – 16,9% em relação a 2008 -, um ebtida de R$ 10,5 bilhões – 15,8% sobre 2008 -, receita líquida de R$ 23,2 bilhões – 12,0% a mais que 2008 – volume de vendas 15,5 bilhões de litros – 5,1% sobre 2008 – e por aí vai. 70% de participação no mercado de cervejas, investimentos previstos para 2010 da ordem de R$ 2,0 bilhões, 15% de aumento em sua capacidade de produção, e 44 mil novos empregos diretos e indiretos. Seus números brilham, sua saúde econômica é exuberante, e poderia continuar descrevendo toda a sua magnitude e esplendor e ainda seria pouco.

Não obstante tudo isso, é vista com respeito, mas não admiração. Chama a atenção por suas conquistas, mas não emociona. Ao se movimentar tromba, machuca, derruba – os de fora e muitos dos de dentro – gera pânico. Não distingue pessoas de números. Não desperta simpatia, não provoca inveja, não constrói relacionamentos verdadeiros, é incapaz de amar, desconhece o que é paixão, não tem admiradores, seguidores, evangelizadores, apóstolos.

No território do BRANDING conseguiu uma proeza única e, provavelmente insuperável. CONSRUIU UMA MARCA GELADA.

Assina AMBEV.

(francisco madia, especial no madiamundomaketing)

terça-feira, abril 20, 2010

dura lex não vem de sedex


Anúncio de página inteira publicado nos jornalões brasileiros, no dia 6/4, exalta os supostos benefícios da propaganda. Assinado por entidades de anunciantes e de agências de publicidade ele tenta reagir às iniciativas em favor da existência de um controle público sobre a propaganda. Trata-se de uma vitória dos movimentos sociais e das entidades empenhadas na luta por uma regulação mais rígida sobre essa atividade. Mostra, pelo menos, que elas começam a incomodar quem se julgava intocável.

Não fossem ações como as do Instituto Alana, com o seu projeto “Criança e Consumo”, por exemplo, e os publicitários jamais deixariam de lado o atendimento de suas ricas contas para preparar e publicar um texto incrivelmente enganoso, aliás como muitas de suas peças publicitárias.

Depois de exaltarem a importância da propaganda na disputa pelo mercado chegam a uma conclusão inédita: “a grande maioria das pessoas gosta de propaganda”. Não dizem de onde tiraram tal conclusão. De que pesquisa saíram os dados para sustentar afirmativa tão cabal. É só mais um slogan, tão a gosto do meio.

Mas não ficam por aí. No final do texto está a resposta ao Instituto Alana e aos parlamentares comprometidos com uma legislação mais moderna para o setor. Diz o anúncio: “E quando alguém não gosta (da propaganda), faz o óbvio: muda de canal na hora do intervalo, troca a estação de rádio, deixa de ler o anúncio publicado no jornal”. Simples, não? Ou simplista demais?

Claro que quem escreveu esse texto sabe que isso não é verdade. Eles mesmos produzem os merchandisings que campeiam à solta nas novelas, programas de auditório, transmissões esportivas e são veiculados de forma a impossibilitar a tal mudança de canal na hora do anúncio. Sabem também que ninguém vai girar o botão do rádio quando começa um comercial que o ouvinte, obviamente, nem sabe ainda do que se trata. E é difícil fechar os olhos para uma página inteira de jornal como essa publicada sob o patrocínio das entidades das agências de propaganda e dos anunciantes.

Afinal a missão desses profissionais é fazer de tudo para que o telespectador, o ouvinte e o leitor não desgrudem da mensagem e introjetem o seu conteúdo. É um contra-senso pedir para que eles fujam de algo embalado pelos publicitários para conquistá-los. Em novela recente, em meio à fantasia, a madame entra no carro novo sob o olhar de cobiça da empregada e ressalta, entre as várias qualidades do veículo, o fato de ele ter o piso alto, ficando imune às enchentes. Focalizava-se com destaque a marca do carro e passava-se a mensagem de que, com ele, o problema social das enchentes estaria resolvido. Individualmente, para quem pudesse comprar o tal carro. Aos demais a lama ou o afogamento.
Mas voltando ao anúncio publicado nos jornais. A frase final, referindo-se a possibilidade de mudar de canal, de emissora ou de página, é primorosa: “É impressão nossa ou isso é o direito de escolha levado a sério?”. Direito de escolha? Escolher entre o que? Entre emissoras que transmitem programas iguais, veiculam os mesmos anúncios e não dão nenhuma alternativa aos hábitos consumistas, individualistas e anti-sociais? E mais, que violam a lei sem cerimônia ao ultrapassar o limite máximo de 25% da programação permitidos para propaganda no rádio e na TV. Com a conivência silenciosa de agências e anunciantes.

Quando dirigida às crianças, os efeitos da publicidade tornam-se ainda mais perversos. A presidente do Instituto Alana, Ana Lucia Vilela, conta que até em áreas carentes de cidades como São Paulo já é possível perceber esse fenômeno. A partir de um projeto social desenvolvido pela instituição na zona leste da cidade constatou-se que “crianças cujas famílias dependem de cestas básicas não saem de casa sem passar batom. Que acham que a maior felicidade do mundo é ter cabelos longos e loiros iguais aos da Barbie. Meninas que vestem micro-saias e ficam grávidas na adolescência. Meninos que insultam mulheres e tomam cerveja. Mães que, depois de muito choro e muita insistência dos filhos, gastam todo seu dinheiro para comprar um boneco Power Ranger. Filhos que depois de ganhar um Power Ranger, brincam dois dias, abandonam o boneco e começam a pedir a próxima novidade anunciada na televisão. Ou ainda garotos que falam que agora sim os pais podem comprar tudo o que querem porque determinado banco oferece crédito acompanhado de alguns bonequinhos de brinde. Crianças e adolescentes brasileiros repetindo diariamente o nome de inúmeras marcas, que algumas vezes estão entre as dez primeiras palavras de seu recém-formado vocabulário”.

Diz ainda que “do Rio Grande do Sul ao Amapá, das periferias dos grandes centros urbanos ao interior da Bahia, eles querem se vestir e comer da mesma forma. Querem marcas – usar o tênis Nike, comer Fandangos e ter a mochila da Hello Kitty. Preferem não ir à praia ou ao campo porque sabem que lá não encontrarão tevê ou videogame. Trocam o suco de mexerica por Coca-Cola, e arroz, feijão e couve, por Big Mac com batata frita”.

Para Ana Lucia “os pais não são os únicos responsáveis pelos filhos que não param de pedir produtos vistos na tevê, que são obesos, sexualmente precoces ou com comportamentos violentos. A responsabilidade maior está nas empresas e agências de publicidade que apostam no mercado infantil, procurando a vulnerabilidade de cada faixa etária da infância e adolescência para criar consumidores fiéis: as crianças de consumo”.

O anúncio dos publicitários e dos anunciantes publicado nos grandes jornais é uma reação à denúncias como essa, aos projetos de lei tramitando no Congresso para por limites nessa farra e ao aumento das pesquisas científicas mostrando os males da propaganda. Reação de quem se acha acuado e percebe que o tempo dos privilégios está acabando.

(a propaganda com medo da lei,do laurindo lalo leal filho, sociólogo e jornalista, é professor de jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “a tv sob controle – a resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

sexta-feira, abril 16, 2010

como se (de)formam redatores(e diretores de arte) num tempo onde as imagens são ricas em não ter idéias


Volta e meia aparecem nas mídias os erros crassos de alunos nos vestibulares. Normalmente, eles são coletados nas redações e se referem ao uso da língua e ao domínio de conhecimentos básicos e especializados. A chacota e a estupefação substituem um exame mais sério do problema. Ora, eles deveriam saber, se não sabem é porque são “burros”, isto é, incapazes de aprender, tal como animais! Este modo de ver e comunicar o que ocorre, encontrável em múltiplas fontes, é levado ao paroxismo e serve de explicação absolutamente falsa, derivada de preconceitos típicos visíveis na sociedade brasileira. As redações geniais e os textos sem erros apreciáveis jamais são midiatizados. Um desavisado pode imaginar que todos os estudantes sofrem da mesma dificuldade, o que é um absurdo lógico. Espetaculariza-se o erro, talvez, para esconder os acertos.

A fala de políticos oriundos das camadas populares é objeto do mesmo tratamento. Seus erros de concordância, de acordo com a norma culta da língua, são muito freqüentes e servem para armar os que odeiam os pobres e não fazem qualquer esforço para compreendê-los. A imprecisão vocabular, o uso de comparações estapafúrdias e conceitos inadequados são tratados como sinônimo de incapacidade e de falta de inteligência. Se alguém não sabe se comunicar, tal como a elite branca e letrada, também não saberá governar! Isto significaria uma tragédia para o país. Curiosamente, é comum que os acusadores sejam portadores dos mesmos problemas dos acusados. Repetem como papagaios o que ouviram em algum espaço social ou nas mídias, reafirmando práticas odiosas de discriminação racial e social. Esquecem que já viveram situações onde os governantes eram letrados e se diziam poliglotas e nada disso impediu a corrupção e a tomada de medidas contra os trabalhadores.

O fato de ser formalmente letrado não exclui a possibilidade de ‘errar’ no português culto e muito pior do que isto demonstrar incrível incapacidade de compreensão de rudimentos básicos das ciências e das artes eruditas e populares. O porte de diplomas pode ser uma arma de distinção, usada para a ascensão social e para a manutenção de empregos e de privilégios. Entretanto, isto não garante o domínio da norma culta da língua e nem mesmo do conhecimento especializado que é objeto da diplomação. Não são poucos os falantes do ‘javanês’ completamente e corretamente portadores das láureas formais dos canudos de papel. É possível chegar ao grau máximo – o doutorado* – sem que se tenha um grau mínimo de verdadeiro saber. Sem deixar de lembrar, que o conhecimento acadêmico jamais substituirá àquele vivenciado por cada um, o que os distingue do ponto de vista humano, para o bem e para o mal. Nenhuma academia pode garantir a humanidade positiva de cada um de seus alunos.

Obviamente, não há santidade no desconhecimento lingüístico e na ignorância técnica, científica e artística. Na política, ninguém é santo por pouco saber. Todavia, muito pior do que a inexistência do domínio dos elementos básicos do conhecimento acumulado pela humanidade é o ato de vendê-la aos interesses do capital. Uma frase capenga com erros de construção gramatical consiste em um erro social praticado por um indivíduo que teve problemas para estudar desde sua infância. Trata-se de um problema político, contra o qual não se devem medir esforços para impedir que se repita melancolicamente no mesmo país. O que dizer dos que estudaram, dos doutores que se omitem, dos que se calam frente a qualquer iniqüidade, dos que aceitam a guerra, a fome e a miséria como fatos naturais e inelutáveis, dos corruptos diplomados na ladroagem oficial e oficiosa.

A simples leitura dos comentários dos leitores das grandes mídias indica, em profusão, a existência do mesmo problema. Na era da Internet, surgiram novas formas de comunicação escrita usadas por anônimos que adoram comentar o que lêem e, mais ainda, o que vêem, na forma de imagens fixas e em movimento. Há uma forte vontade pública de se dizer o que se pensa, mesmo que o espaço seja pequeno e a prosa seja igualmente limitada. Os leitores superaram o espaço das antigas cartas mandadas para os jornais. Eles participam em uma espécie de fórum eletrônico, onde comentam o que outros escreveram. Nas mídias de menor alcance social, como nesta onde escrevo, a tendência é a de existir um maior cuidado. Todavia, os mesmos problemas também se repetem.

Em vários programas e sítios ditos de ‘relacionamento social’, podem-se captar tendências formais de uso da língua e domínio de conteúdo especializado ou de amplo interesse público escritos do mesmo modo de sempre. Obviamente, que existem inúmeras variações e exceções. Parte-se do princípio que são os jovens os seus principais usuários, certamente, isto não é inteiramente verdadeiro. É difícil mensurar com maior precisão as faixas etárias, a origem, posição social e o local de acesso dos envolvidos. Aparentemente, esta forma de comunicação é usada principalmente pelo público adolescente e por pessoas com menos de trinta anos. Entretanto, o acesso é possível a qualquer um que possa usar um computador no sentido de tempo e de meios materiais disponíveis.

As dificuldades hegemônicas de uso da língua e de domínio dos demais conhecimentos humanos consistem em um problema político a ser enfrentado. A melhoria do nível geral de acesso ao saber possibilitaria a construção de pessoas mais dificilmente domesticáveis e, conseqüentemente, mais aptas para a construção de uma verdadeira cidadania. Em todo o mundo, quem foi capaz de ampliar e diversificar a instrução das multidões foi o sistema público de ensino. Sem ele, fica difícil imaginar que a educação seja algo além do que uma simples mercadoria ou um simulacro do verdadeiro saber. O problema é que a educação isoladamente não faz milagres. Não adianta, ter escolas com salários de fome para seus professores e com alunos que vivem em condições precárias de vida que os impossibilitam aprender. Uma política educacional, para não ser demagógica, deve considerar todos os problemas que enfrentam os entes que dela participam.

No Brasil contemporâneo, atingiu-se ao que alguns críticos chamam de videoesfera, isto é, o predomínio de uma comunicação feita por meio de imagens, inclusive as relativas às palavras, produzidas, ouvidas e lidas nos artefatos do tempo presente. A chegada a esta era foi muito rápida, tendo atropelado a escala, vivida em outros países, da grafoesfera. Passou-se para a imagem, sem se ter bem vivenciado a palavra escrita, sempre reduzida a pequenos círculos sociais. Um dos sintomas disto é o fato de haver no país a publicação anual de centenas de livros, em sua maioria, em pequenas edições, muitas vezes, alcançando não mais do que 1000 exemplares. O número dos que escrevem vem se aproximando velozmente da quantidade real de leitores. Estes, em muitos casos, jamais conheceram o livro, como objeto essencial de suas vidas. Os livros que mais vendem são os escritos por personas midiáticas e/ou os que forem amplamente publicizados nas grandes mídias, vendidos como se fossem pastas de dente ou sabonetes. Não importa a qualidade do produto e, sim, a publicidade e a sintonia com as modas e outras ligações com o espírito de época.

A era da videoesfera reforçou a velha oralidade, onde quase tudo é resolvido por meio da fala, com uma intervenção mínima da palavra escrita. Por isso, a escrita reaproximou-se da fala. Neste cenário, não é difícil compreender a inexistência de qualquer respeito à norma culta da língua. Aliás, esta é um problema porque impede qualquer modernização simplificadora que capture mais leitores e escritores. Foi construída para uma pequena minoria, desconsiderando a necessidade de se instruir às maiorias. O mesmo mecanismo permite compreender o recuo, fortemente preconceituoso, à tradição e aos sensos comuns primários que se postam contra qualquer conhecimento técnico, científico e artístico mais complexo.

Os jovens são muito afetados por todo este processo, porque já ‘estudaram’ em escolas que foram fortemente atingidas pela força dos meios de comunicação do tempo presente. Com exceção das elites mais cultas e politizadas, eles tendem a pensar o mundo com muitas imagens e poucas letras, pior ainda, com pouquíssimas idéias.

(língua conhecimento e crítica, do luís carlos Lopes, professor e autor do livro "tv, poder e substância: a espiral da intriga", dentre outros.)

* há, ainda, o pósdoutorado(com hifem ou sem) que padecem do mesmo mal(o grifo é do cemgraus)

quarta-feira, março 17, 2010

o conar é que precisa de uma devassa, para não dizer que agências e anunciantes idem


Felizmente, os professores de ética atuais não são os filósofos éticos gregos que, com seu comportamento, faziam a filosofia se espraiar e criavam discípulos. Caso fossem, correríamos o risco de ver não só um grupo de estudantes de Filosofia saindo às ruas contra a cerveja, mas, talvez, todo um partido de militantes dessa nova postura ascética. Então, uma boa parte da indústria de bebidas entraria em colapso, causando desemprego.

Esses estudantes seriam os discípulos do professor de ética Renato Janine Ribeiro. Para comentar a proibição da propaganda da cerveja Devassa, ele iniciou fazendo profissão de fé na sua aptidão para o gosto sofisticado quanto à bebida e ao sexo (ver "A devassa da devassa"). Poderia ter iniciado seu texto falando da proibição, mas não, ele precisou, antes, falar de como perdeu o gosto, de uma vez, pela cerveja Devassa quando a viu associada ao nome de uma atriz pornô. Cito a passagem que, confesso, achei hilária:

"Provei a cerveja Devassa num dia no aeroporto. Mas, quando vi na TV sua propaganda com uma norte-americana rica que deve a fama a um vídeo pornô que circulou na internet, achei de mau gosto e perdi a simpatia pela bebida. Ponto. Agora, quando o Conar retirou a propaganda do ar, vale a pena discutir um pouco o assunto" (Folha de S.Paulo, 07/03/2010).

Muito sexo e pouco erotismo

Qual o objetivo de, em um texto sobre a censura, antes de tudo se colocar como alguém que está acima de Paris Hilton e de cervejas que podem estar ligadas, nas propagandas, a mulheres? E será que a forma com que Janine Ribeiro falou do assunto "vale a pena discutir um pouco o assunto"?

O texto do professor de ética segue, então, de maneira ziguezagueante: usa vários parágrafos para titubear e, ao fim, não conseguir condenar o que foi, claramente, um ato de censura. Envolve discussões não cabíveis sobre "mulher objeto" (a essa altura do campeonato?) e suas relações com a "sensibilidade" do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, órgão privado). Fala, fala e não diz nada.

Pode ser que Renato Janine Ribeiro ainda esteja traumatizado por conta das reações a seus últimos artigos. Um deles, em que deixou escapar um possível gosto (nada sofisticado, diga-se de passagem) pela pena de morte, lhe deu boa dor de cabeça. Teve de enfrentar um Jô Soares que, como um professor mais velho, puxou sua orelha dizendo "o que se passou nessa sua cabecinha, Renato?". Isso sem contar os artigos anteriores, de defesa envergonhada do governo mensaleiro, quando ele ainda era membro da Capes. Pode-se lembrar, também, o artigo sobre a garota hostilizada na Uniban em que ele, de modo muito estranho, poupou a escola em um momento em que todos apontavam para o descaso para com o ensino em uma universidade como aquela. Sim, tudo isso pode ter deixado o professor de ética sem jeito.

Todavia, lá pelo final do artigo, Janine Ribeiro parece encontrar o eixo: ele faria, sim, uma objeção à propaganda: ela ligaria sexo e bebida de um modo a não fomentar a imaginação, uma vez que seria uma propaganda sem erotismo. Ah, então aí começamos a entender a razão de Janine ter começado retratando o seu próprio gosto sofisticado. Ele é adepto do erotismo e, em nossa sociedade, há muito sexo e pouco erotismo. Ou seja, há uma perda da imaginação.

Voyeurismo em cenas belíssimas

Ora, dito assim, eu endossaria a afirmação de Janine. A geração dele, mais que a minha até, foi leitora de Herbert Marcuse. Talvez não ele, que não vem da tradição frankfurtiana da qual eu venho, mas como jovem dos anos 1960 ele sem dúvida soube bem absorver a crítica da época: vivemos uma civilização que, para ser civilização, cortou os pulsos de Eros. Tenho dito isso até hoje. Quanto mais há a venda de Viagra e quanto mais precisamos de propaganda para consumo de pornografia, mais isso denota que estamos apáticos, que não nos erotizamos mais, que nos deixamos sucumbir pelos ditames da "sociedade do trabalho" (Karl Marx), da "sociedade administrada" (Theodor Adorno) ou coisa parecida. Sim, mas será que é isso que Janine quis dizer?

Penso que há em Janine, na verdade, menos sofisticação do que ele quer fazer parecer e, talvez, um rabicó de puritanismo. Convido o leitor para concordar ou discordar de mim. Vejamos, vamos ao que nos interessa: a propaganda.

Quem viu a propaganda da Devassa pode simplesmente dizer: foi a propaganda menos apelativa ao sexo que já vi em relação a bebidas. Foi, sem sombra de dúvidas, na comparação com outras, em que partes sexuais da mulher são enfatizadas (principalmente as nádegas), uma propaganda que mostra o voyeurismo do fotógrafo em cenas belíssimas. Nada de "devassidão". Muito menos de pornografia. A propaganda é um elogio ao trabalho fotográfico do erotismo de algo nível.

Guerra econômica por mercado

Renato Janine Ribeiro ou não viu a propaganda, o que é gravíssimo para um professor que escreve comentando sobre ela, ou simplesmente viu e, por conta de algum drama psicológico, não conseguiu fazer a distinção entre o erótico e o pornográfico, entre o que faz a imaginação andar e o que faz a imaginação parar.

O que faz a imaginação andar na literatura expressa em livros é uma coisa. As possibilidades da TV são outras. Quando criticamos a TV por ela não provocar a imaginação que o livro pode fomentar, cometemos uma injustiça, além da burrice implícita na comparação. A TV é imagem e som, e de modo rápido. Fazer TV imaginativa implica reconhecer os limites e as possibilidades desse meio por ele mesmo, e não em comparação a outros.

O publicitário da Devassa acertou a mão. A propaganda é boa e nada tem de ofensiva – não há nem mesmo cena de nudez ou qualquer gesticulação pornográfica. Assim, talvez tenhamos de ir menos pelo saber superficial de lições de ética e mais pelo conhecimento filosófico amplo. Um filósofo deveria antes desconfiar de algo que é um segredo de Polichinelo: o Conar não cedeu a qualquer imperativo ético novo ou velho; ele certamente se viu no interior da guerra econômica por mercado – e isso, sim, foi a devassidão que caiu sobre a Devassa. O resto é frescura – infelizmente, frescura que não vem do sabor da Devassa ou de qualquer outra cerveja.

Bem, abram uma cerveja, brindem a Epicuro e esqueçam falsas lições de ética!

(cerveja e hipocrisia, devassa na boca do professor de filosofia, do pauldo ghiraldelli jr.)

terça-feira, março 02, 2010

para os atrasados,de sempre, na história





Li em umartigo assinado pelo biólogo Fernando Reinach, publicado no Estadão em 24.12.2009:



Nossa ilusão de que vegetais não se comunicam e não têm mecanismos sofisticados para resistir à morte se deve ao fato de eles se comunicarem não por sons ou gestos, mas por meio de moléculas químicas, cheiros e hormônios que muitas vezes sinalizam seu desconforto ou tentam repelir ataques. Recentemente foi elucidada a sofisticada comunicação entre uma couve-de-bruxelas, uma borboleta que adora devorar suas folhas e uma vespa que se alimenta das larvas da borboleta.”



“A couve-de-bruxelas (Brassica oleracea) está feliz tomando sol em seu jardim quando pousa sobre ela uma linda borboleta branca (Pieris brassicae). A borboleta deposita sobre as folhas seus ovos fecundados – uma ameaça para a couve, pois os ovos se transformarão em larvas famintas. No terceiro dia, como por milagre, os ovos são localizados por uma vespa altamente especializada.”



“Essa vespa (Trichogramma brassicae) injeta seus ovos dentro dos ovos da borboleta. As larvas da vespa se alimentam do conteúdo dos ovos da borboleta, matando-os. O resultado é que a couve de safou. A morte passou perto.”



2. Há algumas décadas o mercado publicitário foi apanhado de surpresa: a MPM (então do Mafuz, do Petrôneo e do Macedo) primeira no ranking das agências, havia sido adquirido pela inglesa Lintas, a sétima ou oitava, se bem me lembro.


“A nova agência será gigantesca”, concluiu-se.



Não foi. As contas foram saindo, a agência minguando, minguando, e em pouco tempo ficou menor do que a Lintas, antes da aquisição.



3.No começo da década de 60, aconteceu o contrário.


Um dia, uma bomba sacudiu o mercado: a Willys Overland do Brasil tinha entregue sua conta, uma das mais polpudas do país e até então dividida entre duas ou três agências, ao jornalista Mauro Salles.


A reação foi imediata: as entidades do setor, lideradas pela ABAP, botaram a boca no mundo. Inutilmente.



Mauro comprou uma pequena agência carioca, entregou a direção do escritório ao ex-dono, veiculou através dela os primeiros anúncios e montou a Mauro Salles, depois Salles Publicidade. Aí, sentindo que faltava representatividade à agência, trabalhou em duas direções: aproximou-se das entidades patronais da publicidade inclusive da ABAP, que acabou presidindo, e comprou a Interamericana, uma das mais conceituadas do país.



Instalou o antigo dono, empresário de grande prestígio no mercado, em luxuosa sala do escritório do Rio de Janeiro. Cercou-o de todas as honras. E isolou-o da operação. Ao mesmo tempo, executou um cuidadoso processo de demissão que atingiu quase todo o pessoal da Interamericana.



Completando a operação, e para demonstrar ao mercado que sua intenção de manter a agência adquirida, deu à dele o nome de Salles Interamericana.


4. Na década de oitenta, outra surpresa.


Young & Rubicam, uma gigante, e Fischer & Justus, agência média, anunciaram sua fusão. Surpresa maior: a Fischer comandaria a nova agência, que se chamaria Fischer, Justus, Young & Rubicam.



Fui contratado para dirigir a operação da agência, quando o processo já estava concluído. Minha primeira missão: fazer uma análise da atuação da agência, que naquela altura encontrava dificuldade para deslanchar.



Três meses depois apresentei meu relatório: a Fischer, Justus, Young & Rubicam não era uma agência: eram duas, com filosofias de trabalho diferentes, que se chocavam permanentemente, uma atrapalhando o trabalho da outra.



Fui vaiado.



Você não entendeu nada,”disse-me meu chefe. “Chegou ontem aqui e acha que sabe das coisas.”



Mas eu estava seguro das minhas conclusões. Tão seguro que passei a sugerir à diretoria que promovesse uma convenção de dois dias com a participação de toda agência, para uma discussão sobre o futuro dela.



Insisti tanto que a diretoria concordou. Com uma condição:



“Você participa se quiser, mas se participar será como mero assistente. Não pode dar um pio.”



Contratou um psicólogo e um sociólogo para conduzir os trabalhos e apresentar suas conclusões em relatório.



Conclusão deles: o grupo está rachado. De um lado, a turma da Young, de outro, a da Fischer.



Coincidentemente ou não, meu chefe me demitiu em seguida.



Pouco tempo depois, as agências se separaram.



Um dia, em encontro casual, o Cláudio Carillo, que trabalhava na agência no mesmo período que eu, me disse:



“A Fischer e a Young deviam lhe dar um prêmio, porque teve a coragem de mostrar que elas deviam se separar porque a Fischer, Justos, Young & Rubicam estava irremediavelmente rachada. Juntas, iam se matar.”


5. Também na década de oitenta a McCann convocou a imprensa especializada para apresentar um grupo de profissionais que havia acabado de contratar. Ele eles, um diretor de criação – um dos maiores nomes da época.



Na época eu dirigia a redação da Revista Propaganda. E ao invés de mandar um repórter, fiz questão de ir.



O presidente da agência fez apresentação de cada um e anunciou orgulhoso, quando foi falar do novo diretor de criação:



“Com ele, a McCann entra em uma era: a da criatividade.”



Terminada a apresentação, perguntei:



“Além de contratar um brilhante diretor de criação, o que a Agência está fazendo para permitir que ele dê a anunciada virada criativa¿”



Expliquei, então, que havia trabalhado lá, e sabia das dificuldades - que enumerei – para realizar um trabalho criativamente diferenciado.



Ele não gostou. Deu uma resposta seca e encerrou a coletiva.



6. Semana passada este Acontecendoaqui anunciou uma provável adquisição da W pela McCann. Não sei se, enquanto escrevo, o negócio evoluiu. Mas aqui, sentado nos meus calcanhares, laptop em nos joelhos, fico pensando: será que vai dar certo?



De um lado, temos uma agência conservadora, que já fez antes um negócio frustrado, parecido, com a Ênio. De outro, temos um criativo brilhante e inquieto, embora pareça ultimamente mais interessado em escrever livros e comentar viagens, gastronomia, música.



Acho que não vai dar, porque no interior das agências as coisas funcionam como a descrita pelo Fernando Reinach: um gesto, uma palavra, um jeito de ser, pode ajudar ou destruir outro.



Mas isso é só um palite. Que, aliás, não foi pedido.




McCann e W: quando uma coisa puxa a outra, do eloy simões, confirmando que a história quando se repete, ainda mais nestes casos, não é comédia mas apenas mais uma farsa tragédia.





sexta-feira, janeiro 22, 2010

mostarda no dos outros(a falta)é refresco, para eles

- todo ano, depois do final de ano, falta mostarda, saracoteia o encarregado da secção, no hiperbompreço de olinda.
- mas nem pra remédio? balbucio, arriscando-me a levar com resposta cuja acidez não vai trazer sabor aos pratos pensados.
então isto é o primor do marketing brasileiro? a ausência sequer do menos cacuete de bandeja - cuja palavra mais requentada e em falta na prática das prateleiras chama-se planejamento - da produção a distribuição - que só azeda ainda mais se acrescida do afixo estratégico.
meu cacete! se todo o fim de ano falta mostarda - mas não falta salsicha, linguiças e outros enchidos, que disputam com os pães formatos fálicos, ardidos com ou sem mostarda - porque raios não se planeja a produção para suprir a tal da demanda? onde os tais cérebros privilegiados que sentam na mostarda com seus mbas de planejamento, e que talvez por isso mesmo, para janeiro sem mostarda é como se fosse um vácuo destinado a enfiar para lember os dedos sem o com, de condimento, of course.
e assim, lá se vão quase 25 dias sem reposição de estoque. e viva a ausência da mostarda verde coco de bêbe ou marrom cor da diarréia dos excessos e das faltas dos dezembros janeiros onde a falta revela isto mesmo: o excesso de bull-shit de homens de marketing que ao fim e ao cabo são tal e qual a mostarda que falta evidenciando as faltas de tempero em profissionais cujo planejamento é ausência própria da prática que a prateleira vazia teima em exibir como vazio discurso.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

duro de matar 5 ou,duro avatar, a saga continua

e chegamos a 2010.

para começar o ano de bem, nada de falar que a má resultante da atividade publicitária - vamos desfiar a partir dos próximos posts o rescaldo que mais parece chorume, pelo visto do odor e consistência - que em pernambuco, e não só, atingiu aos píncaros do mau gosto, da inexpressividade, da irrelevância, da não pertinência, é fruto de um mercado subdesenvolvido, econômica, cultural e socialmente falando. e que tenta se portar como se não o fosse. o fato é - publicitários fazem questão de não ter memória, ainda mais quando isto não lhes interessa - nunca tivemos um alto-nível-baixo com tamanha maestria em buscar reluzir a mediocridade. mérito da geração diploma? quiçá, talvez.
há vida inteligente na atividade publicitaria local? os meios demostram que muito pelo contrário. o que já não é supresa dados os fins. há quem diga que se não for assim, não pagaria as prestações da veneziana cabeça de porco em boa viagem. não seria melhor, menos na moradia, e mais nas prestações da qualidade do trabalho?
então afirmo que o nosso subdesenvolvimento é tão simplesmente ainda mais canhestro porquê é puramente de caráter. o estilo que se impôs atropelou a postura ética-profissional, os parâmetros de decência(pelo menos estética) e os valores morais - que andam tão baixos como os salários, negociações e remunerações - de imberbes e acochambrados, redundando no pensamento arrivista que solapa tudo e todo aquele que se faz, e se projeta, neste mundinho que ainda cultiva, e adora, a nota paga ao colunista social que configura a caricatura do negócio.
e haja arigatô. quando haraquiri deveria ser a palavra geral que consistência contivesse para além da metáfora.

quarta-feira, novembro 11, 2009

pérolas aos porcos

"não vivemos a era da criatividade, mas sim da relevância".

sérgio valente, presidente da dm9, após sua agência produzir um fantasma sem criatividade alguma e de uma relevância que abriu um rombo nos pés torados barro da dm9.
para completar - o valente tem topete - saiu-se com esta, chamando a atenção para a importância de se trabalhar a inteligência(sic!) na propaganda e não somente a tecnologia, que é classificada como ajudante no processo de construção de valores de marca. ah! bom. foi isso que se viu na tal peça de um inteligência de "brutucu" para trincar a marca de uma agência que já soube aprontar melhores sem ser pega com a mão na cumbuca.

"propaganda brasileira precisa estar mais perto do povo"

ruy linderberg, vp da leo burnett, diretamente do el ojo, e que está mais para oscar freire do que para a mooca.


"festival de new york agora é da hora"

não faz muito tempo para se ser juri de um festival, nomeadamente o de nova iorque, era preciso ter um trabalho de relevância consistente marcadamente internacional, que muitas vezes ultrapassava as suspeições de premiações, até mesmo no próprio, quanto mais em cannes. agora não. agora é a hora dos da hora até por sobrenome. afinal, nem mais relevância - a palavra da moda - de trabalho, sequer local, é exigida. as igrejinhas estão subvertendo até dostoievski.
chega-se ao universal sem retratar o que quer que seja da província dissociado da memória do seu povo.

respingo

seguindo o conselho do insuspeitíssiomo sérgio valente, haja vista a estultície acima,
para os que acham que tem que fazer, seja para aparecer ou para apaziguar o complexo de nordestino emergente, faça fantasma, mas não seja burro.mas além de tudo evite o ainda pior:
não copie a cópia do fantasma.

quarta-feira, novembro 04, 2009

linguagem do estelionato

a faculdade mauricio de nassau soltou um mosquito eletrônico, leia-se comercial chanfrado em caracteres, sobre sua propalada eficiência no campo do ensino, do saber já não se sabe, pois se o comercial, com um lettering e uma diagramação mas cocoricó não há, que exalta em discurso - textinho vagaba que até redator de nula categoria faria melhor e uma estética de chita surrada - sua excelência no ensino, por quê então não se vê na criação e execução da peça algo mais que o pífio refluxo do volvo universitário a corresponder a matéria que se encontra nos rios e canais que maurício pensou diferentes?

casa de ferreiro espeto de pau ou o faça o que eu ensino mas não faça o que eu faço, ou o flerte com o em cima da hora, também não lhe salva a metaparódia presa na linguagem do endosso dequem cobra os tubos no dizer de proficiência qualitativa mas que borra-se na expressão quantitativa do quantun devido.

o cacoete do mau varejo desta representação pastiche - o ensimesmado de períodos, o encavalamento de vocábulos e a síncope do mete mais onde não cabe menos - não se precisa de diploma universitário para fazer-se peça pior que o ruim do já pésssimo que se fez normal, o que já é anormal que baste.

mas o que esperar do pensamento que norteia o "universo universitário", cuja expressão ícone dos tempos em que vivemos é a grita que revela a verdadeira moral da história que não resiste ao pensamento de quem, tendo ou não, mostra o rabo e as belas coxas, ou o que seja, e é linchada física e moralmente por uma turba tal e qual a que se esconde no zé ninguém do reich que ninguém escuta.

putz! mas a que ponto chegamos: universitário, nem punheta sabe bater mais, quanto mais fazer comerciais.

sexta-feira, outubro 23, 2009

o key da publicidade atual

a porrinhola - aquelas bicicletas com caixas de som no bagageiro,e que costumam destilar surdez para além do condutor, revelam-se cada vez mais a mídia pipoca que funciona muito mais que qualquer tuitada em frangaços nas periferias que cada vez mais balançam o aperto da nossa urbanidade selvagem - mas deixa o comentário sociológico pra lá e se liga que a porrinhola meneia ao som de kelly key: "vem cá meu cachorrinho a sua dona tá chamando ". volta e meia após, nos apostrofa o texto: procura-se cadelinha poodle que atende pelo nome tal e qual. oferece-se recompensa. obrigado. paulo.
se você só vê a dessemelhança onde vejo a semelhança com a nossa atual produção publicitária - o mesmo raciocínio que empregam anunciantes de porte, como wal-mart que, por exemplo(mau exemplo) taca um exagerado de fundo para estabelecer o link com a idéia de descontos exagerados, sem o menor escopo ou intenção de chanfrar a intenção que se confunde com idéia ou vá lá mote, você tá mais perdido que a poodle - ou o latino que ainda não se achou de traulitada e meia para cada arrebitada que se lhe pôe ou tira o pedaço.
e assim vai a nossa propaganda, na base do tudo rima e tudo pode, onde sequer a idéia que assim se pensa em sua toscacidade aflui trabalhada.
(a trilha para o post fica por sua conta).

quarta-feira, outubro 14, 2009

mal du siècle

que a propaganda, e as atividade correlatas, vão mal no brasil desde o fim do século passado, não é nenhuma novidade. o que so é corroborado, com um início de século desastroso sob todos os pontos de vista, incluindo-se o criativo, ético e a mensuração pelo parâmetro mais afirmativo de todos: o índice de felicidade. aliás, mostre-me um publicitário feliz - a exceção daqueles que andam com os ovos- dos outros-na bôca, como se fossem novos babilaques, e eu passarei a acreditar no prêmio nobel da paz.

a derrocada de uma atitude responsável para com a nossa atividade - responsabilidade não tem nada a ver com sisudice - tem muito porra-louca(talentoso) que fez mais pela profissão(em todos os sentidos)que a tal geração emebeemeizada, configurando a cereja podre nos dias atuais, que espreme-se em peidos abafados em passaportes lusos-fuscos.

a geração diploma, e a publicidade feita de publicitário para publicitários - olha como eu sou fodão - acabaram com a pertinência de uma geração de publicitários que: justamente por não se levar muito a sério - nem os tais ícones de seriedade - mas levando seríssimamente a postura e a atitude profissionais, que configuraram a atividade eficiência e eficácia com aplomb - ou se preferir com muito bom humor, o que só é possível quando se rí de sí mesmo - o que hoje sequer chega ao pastiche de quando se fazia história criando personagens que eram sempre maiores do que os criadores, o que hoje é inversamente proporcional.

como já diria o bardo, hoje só rimos quando choramos, e nem sequer isso dói mais, o que é o pior índice de todos.

terça-feira, outubro 13, 2009

o jornalismo do joio e o trigo(que pode ser cultivado sem lucro?)

Não faz mais nenhum sentido chamar de Jornalismo o que fazem as corporações de mídia. Quem se preocupa com o lucro em primeiro lugar não é uma instituição jornalística. Não pode ser. Quando uma empresa passa a ter como principal meta o lucro, essa empresa pode ser tudo, menos uma instituição jornalística. E aí não importa a quantidade de estrutura e dinheiro disponível, pois a prática jornalística é de outra natureza.

Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato. Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia.
Essas podem dispor de toda a grana do mundo, de carro com motorista, dos gravadores mais caros, das melhores rotativas, de alta tiragem e de toda a publicidade que o dinheiro pode comprar. No entanto, se não forem instituições jornalísticas, elas dificilmente se aproximarão da realidade da favela, isso quando não a distorcem completamente.

Existem outros exemplos para além da questão da favela. É o caso dos venenos produzidos pelas Monsantos da vida, que nunca são denunciados pelas corporações de mídia. Ou da retomada dos movimentos de libertação na América Latina, vistos como “ditatoriais”; a perseguição aos movimentos sociais e aos trabalhadores em geral; a eterna criminalização da política, de modo a manter as instituições públicas apequenadas frente ao poder privado. Enfim, você pode olhar sob qualquer ponto de vista que não vai enxergar Jornalismo.

Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Pra que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: “somos democráticas”, “únicas com capacidade de fazer jornalismo”, “imparciais” e por aí vai. Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional:

“A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade”.

Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra “dignidade”.

Mas por que o Jornalismo é tão importante para uma sociedade? Porque hoje, devido ao avanço tecnológico dos meios de comunicação – são praticamente onipresentes nas sociedades contemporâneas –, a mídia assume uma posição privilegiada no tocante à produção de subjetividades. Ou seja, a mídia, mais do que outras instituições, adquire enorme poder de produzir e reproduzir modos de sentir, agir e viver. Claro que somos afetados por outras instituições poderosas, como Família, Escola, Forças Armadas, Igreja, entre outras, mas a mídia é a única que atravessa todas as outras.

Fica claro, portanto, que uma sociedade será melhor ou pior dependendo dos equipamentos midiáticos nela inseridas. Se forem instituições jornalísticas sólidas e competentes, mais informação, dignidade, mais direitos humanos, mais cidadania, mais respeito, mais democracia. Se forem corporações pautadas pelo lucro, ou seja, entidades não-jornalísticas, menos informação, menos dignidade, menos direitos humanos, menos cidadania, menos respeito, menos democracia.

É por isso que eu sempre digo aqui, neste modesto, porém Jornalístico espaço: as corporações de mídia precisam ser destruídas, para o bem da humanidade! Em seu lugar vamos construir instituições jornalísticas. Ponto.


( é preciso reconceituar o jornalismo, na carta capital, do marcelo salles, coordenador da caros amigos no rio de e editor do www.fazendomedia.com.)

sexta-feira, outubro 09, 2009

o ululante do óbvio ou o algo mais das entrelinhas

1. Zé Marreta estava intrigado, aquele dia. Tinha ouvido falar, no rádio, num tar de socialismo, e não sabia o que era isso.

No fim do dia, sentado na calçada para a conversa tradicional de fim do dia, resolveu perguntar pro Zesperto.

“Cumpadre, o que é esse tar de socialismo¿”

Zesperto não tinha esse apelido por acaso. Era esperto mesmo, e como tal resolveu se aproveitar da ocasião.

“Vou expricá, cumpadre. Tem paia pra cigarro aí¿ Me dá uma.”

Zé Marreta deu, e enquanto o outro alisa a palha, continuou:

“Tem fumo¿”

“Só fumo de rolo.”

“Num faz mar, me arranja um pedaço.”

Zesperto pegou o fumo, comentou,

“Esse é do bão!”

Pediu:

“Me empresta o canivete¿”

Zesperto pegou o canivete, picou o fumo, enrolou-o calmamente, passou na boca, colou as bordas da palha. Estava pronto o cigarro. Aí, pediu de novo:

“Mempresta o fórfio¿

Acendeu o cigarro, deu uma gostosa baforada, explicou:

“Isso é socialismo, cumpadre”

“E o que eu faço nele¿

“Mecê cospe.”

(Mais ou me senos como foi contado pelo Rolando Boldrin, no Sr. Brasil, da TV Cultura)

2. Meu Caro Diretor de arte,

Não sei se você leu matéria publicada dia 23 de setembro no caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo. Ali, logo na primeira página, ela diz que “em plena era da internet, a venda de livros porta a porta surpreende o mercado editorial e, em três anos, quase triplica sua participação. Um em cada sete livros é vendido em casa.” Devia ler, para crer.

Acreditar, meu caro diretor-de-arte, que tem gente que gosta de ler. Muita gente.

Há os malucos, que nem eu, que lêem qualquer coisa. Há os que só lêem o que lhes interessa. E os que lêem, se o objeto da leitura for colocado diante dos seus olhos.

Como está sendo constatado pelas editoras de livros, estes são a maior parcela de leitores.

E você, cuja criação deve alcançar todo mundo, inclusive os comodistas, tem de estar atento. Lembrar-se de que a primeira obrigação de qualquer peça publicitária é chamar a atenção. A segunda, se fazer entender. E facilitar a vida do consumidor.

Por isso, você tem de tornar seu layout fácil de ler. Com tipos cuidadosamente escolhidos para se tornarem legíveis em qualquer circunstância. Com fundos que não se misturem e anulem o texto. Com uma escolha criteriosa dos tipos.

Sei, você deve estar dizendo que isso é o óbvio na publicidade.

É o óbvio, mas, ultimamente você não está dando atenção pra ele. Você se esqueceu de que cada tipo tem sua própria linguagem. De que é importante blocar cada parágrafo, para o texto ficar mais gostoso. De que o título é, junto com a ilustração, o laço de pegar consumidor me que para tanto, tem de ter o devido destaque..

Claro, há idéias brilhantes que dispensam texto. Que contam toda história quando nascem. Mas isso, meu caro, é raro, muito raro. Só tem uma coisa: texto que não dá pra ler, é texto que não existe.

Você me passa a impressão de acreditar que as pessoas não lêem¿ Se pensa assim, não está sendo nem um pouco original. Ouço essa história desde que comecei na profissão. Faça um teste, como eu fiz: erre, no próximo anúncio que criar, em uma informação importante. Ou simplesmente, coloque uma palavra com erro na ortografia. E agüente as consequências.

Quando me deparo com as barbaridades que andam saindo por aí, penso em você. E me lembro do Zé Marreta, o que não sabia o que é o socialismo. E do Zesperto, que enrolava quem não sabia.

(entre o socialismo e o anúncio, do eloy simões, para quem sabe ler o algo mais das entrelinhas)

terça-feira, outubro 06, 2009

os vendilhões do templo

na atual fase da publicidade, geração diploma, o sintoma gargalo é que são todos vendidos e nenhum ou quase vendedores. o arrivismo, em uma de suas piores formas, o utilitarismo que deforma e enleva-se sob pecha de emebeático e performático, assumiu o formato dominante. a universidade, antes celeiro de talentos e provocateurs doscentes e discentes cedeu a tendência - publicitário chinfrim adora seguir tendências - cada vez mais da formação de mão-de-obra arrivista por excelência, do piorio até não poder mais. como querer então uma publicidade e publicitários memoráveis se na origem da dor não está a idéia mas sim a letargia da contas?

domingo, setembro 27, 2009

superando as expectativas

no marketing e na propaganda, e também no jornalismo - não será supresa que mesmo fazendo as coisas certas acabe tudo dando errado.
o que também já não é surpreendente, muito embora o seja sempre, é como ao fazer tudo errado, tem tanta gente, empresa, dando tão certo - ao menos sob o ponto de vista de "faturamento" - o que, evidentemente, apenas para uns poucos , induz a questionamentos de ordem ética e moral, profissionalmente e existencialmente falando.
fracasso de papo? o que é sucesso e fracasso, nesta profissão, tomando com base atitudes profissionais e a falta delas? - como o diz, steve jobs, no livro a cabeça do próprio, acho que valho muito mais pelo que não fiz do que pelo que fiz.
assim, ao fazer tanta coisa para alcançar visibilidade ou "lucro", você pode acabar não valendo nada, apesar de estar na crista do chorume, que é exatamente onde está grande maioria dos publicitários de antão(ou de oitão).
quanto a mim, acho que já fiz, e não fiz, principalmente, muita coisa que mesmo dando errado valeu muito pena, por pior que seja o saldo bancário ou de memórias.

sexta-feira, setembro 25, 2009

oi, está é com você

velox, oferecendo internet ultra-mega-rápida.
só se for de gozação, mais uma vez, com os passivos internautas brasileiros.
ora, uma empresa que não consegue sequer oferecer internet, que não seja a passo de cágado(isso quando está "rápida") como é que vai prestar serviços que não sejam de "espirro"? em caráter de mega velocidade (esta eu não pago para ver)?
a comunidade internáutica brasuca, dita tão descolada, antenada e up, vem levando dedadas discadas por anos a fio, sob a tarja de banda larga, sem manifestar-se num movimento sequer de repúdio a tal desrespeito e consideração para com o consumidor. afinal, nem no mundo da web tão easy para a realização de movimentos ninguém se dispôe - a exemplos de outros países - a gerar um movimento do não-espirro?
se, como já dizia o ditado, analógico, "quem cala, consente", a velox vai continuar a oferecer serviços onde contratualmente já se precavê do contra-esturro afirmando que garante apenas dez por cento do que promete, e muitas vezes nem isto consegue, o que é um absurdo em alfa-beta-gama.
aos empalados boquiabertos com a lentidão ou o embolo incrustado nos vácuos(causadores dos espirros) resta a complacência da afirmação empolada de que véio é muito rápido mesmo.
e tome atchim no atachment ou seria establishment?

sábado, setembro 19, 2009

menos,menos,mas é verdade

1. Duas mulheres se encontram na rua, uma delas saindo do cabeleireiro:
Mulher 1: Oi, querida!!! Você cortou o cabelo?
Mulher 2: Cortei amor! Você não imagina com quem... o Anderson, aquele mago da tesoura.
Mulher 1: Maaaraaaviiilhooosooo. Ficou 10 anos mais moça. Essas mechas, que bárbaro! Vou mandar fazer igualzinho. Foram luzes?
Mulher 2: Não menina, é uma técnica nova de clareamento que ele trouxe da Itália. Imagina que...

(Meia hora depois..)

Mulher 1: Então tá bom querida. Corre pra casa que teu namorado vai morrer de orgulho da mulher que tem.
Mulher 2: Ai amiga, te adoro! Beijinhos!

Mulher 1 sai pensando: Como essa perua ficou ridícula! Será que ela não se enxerga? Não sei como aquele gato do namorado dela aguenta. Se der mole eu agarro ele.
Mulher 2 sai pensando: Essa galinha deve estar morrendo de inveja do meu visual. Ainda quer fazer igual, vê se pode! Com aquele cabelo que parece um arame. Nem com implante!

Dois Homens se encontram na rua, um deles saindo do barbeiro:

Homem 1: Opa! E aí seu filha-da-puta? Tava cortando o cabelo não é?
Homem 2: Não jacu... tirei pra lavar, aproveitei e deixei a orelha crescer!
Homem 1: Que merda de corte, hein? Tu ta parecendo um viado. O cabeleireiro entendeu PRA BICHA ao invés de CAPRICHA, não é?
Homem 2: É, mas tua mãe gostou.
Homem 1: Falou então!...ah, manda um beijo pra aquela gostosa da tua irmã, viu?
Homem 2: Vai se foder, seu corno! Até mais!

Homem 1 sai pensando: Esse cara é gente finíssima!
Homem 2 sai pensando: Legal esse cara... Gente boa pra cacete...
2. Texto bom tem de ter ironia?, como o que eu transcrevi semana passada, perguntaram-me outro dia. Não. Texto, para ser bom, tem de ter coerência, ter começo meio e fim. Precisa transpirar sinceridade, ter ritmo, fazer com que cada palavra tenha sentido e falar a linguagem da pessoa a quem se dirige, porque Consumidor é quem os personagens que descrevi lá em cima. Se não estiver convencido, mas sob pressão, diz uma coisa, pensa e faz outra muito diferente. O pessoal de pesquisa sabe bem isso.
3. Veja este aqui, da W, assinado pela Braskem:
É PRECISO AMADURECER PARA SER VERDE
A Braskem, a empresa líder da indústria química na América Latina, está com prometida, desde sua formação, a atuar de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.
Estamos acompanhando e participando das discussões empresariais relativas ao mais importante problema ambiental da atualidade: a mudança climática. Entendemos que já há informação e conhecimento suficientes, decorrentes dos inúmeros estudos científicos e consolidados pelo IPCC (International Panel of Climate Change), que nos permitem afirmar que o ser humano tem contribuído para a mudança do clima.
O quarto relatório do IPCC explicita o aumento da temperatura em mais de 0,7º.C desde o início da era industrial e analisa as graves consequências que essa tendência pode trazer para o futuro do planeta e, principalmente, para nós, seres humanos, como escassez da água, aumento de problemas de saúde, fome, entre outros.
A possível meta, que está sendo negociada em nível internacional, de manter em, no máximo 2º.C, o aumento da temperatura, irá demandar que as emissões globais regridam entre 50% e 85% dos níveis de 2000 até 2050. Em função disso, o IPCC recomenda ações urgentes por parte de todos os setores da sociedade.
Pela característica dos agentes de mudança, os gases efeito estufa, e pela amplitude das suas conseqüências, temos um problema de complexidade econômica, política e social sem precedentes. Os gases se dispersam por toda atmosfera e, ao mesmo tempo, se acumulam por um bom tempo nela. Ou seja, o que percebemos hoje, seja no Brasil, seja em qualquer outro lugar, é consequência das emissões atuais e históricas de todos os países do mundo.
Em outras palavras, estamos todos sofrendo pela forma de desenvolvimento escolhida pelos países industrializados e iremos sofrer mais se essa forma de desenvolvimento não mudar.
A situação do Brasil é peculiar. A nossa estratégia de desenvolvimento, baseada muito mais em energia renovável, nos coloca em uma posição muito positiva.
Segundo a Resenha Energética do Ministério de Minas e Energia de 2006, mais de 45% da matriz energética brasileira decorre de energia renovável enquanto nos países da OCDE (desenvolvidos) esse número é cerca de 6%. Ou sejam o que precisa ser feito pelos países desenvolvidos, que é limpar sua matriz energética, nós já fizemos.
Por outro lado, o desmatamento e as queimadas são os grandes responsáveis pelas emissões do CO2 no Brasil.
No último inventário de emissões de gases efeito estufa, de 1944, esse item era responsável por cerca de 75% das emissões, e os 25% restantes eram atribuídos ao transporte, à geração de energia e aos processos industriais. O controle do desmatamento, que já está na pauta do governo brasileiro, nos permite reduzir as emissões como país, sem trazer qualquer problema ao nosso crescimento econômico.
Essas condições nos permitem fortalecer o papel do Brasil como líder no processo de negociação global para a solução do problema e também nos dão legitimidade para reforçar o conceito das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, estabelecido em Quioto, em que se assume que todos os países têm responsabilidade na questão, porém com intensidade diferenciada, cabendo aos países desenvolvidos assumir o ônus maior.
No Brasil, ainda que a indústria não seja a principal emissora, a dimensão do problema merece nossa atenção.
No nosso setor, o químico, podemos nos orgulhar de ter reduzido em 15% a intensidade das emissões de CO2 entre 2001 e 2007. Essa é uma contribuição concreta do setor para minimizar o problema.
Tudo isso de forma voluntária, garantindo a obtenção do lucro sustentável, ou seja, aquele que garante os resultados econômicos mas, ao mesmo tempo, melhora os impactos sociais e ambientais.
Na Braskem nos consideramos parte da solução do problema. Temos fortalecido o domínio sobre nossas emissões e investido em tecnologia e novos processos e produtos capazes de minimizar as emissões de gases efeito-estufa com um olhar abrangente para nossa cadeia de valores.
Desde 2006 estamos conduzindo inventários de emissões, e nosso último relatório anual publicou esses dados. Recentemente, inauguramos uma fábrica de ETBE, um aditivo para gasolina feito a partir de matéria-prima renovável, e estamos investindo mais 500 milhões de reais na nossa primeira fábrica de polietileno verde, feito também a partir de matéria-prima renovável, o álcool. Juntas, essas plantas vão contribuir com a redução de mais de 750 mil toneladas de CO2. Isso é equivalente a 10% das nossas emissões. Estas contribuições também são concretas.
Uma nova oportunidade surge para orientar nossos próximos passos, a partir do entendimento do benefício que o uso dos nossos produtos causam para a minimização das emissões de gases efeito estufa.
Em recente relatório do ICCA (Conselho Internacional de Associações da Indústria Química) preparado pela consultoria Mckinsey e verificado ela instituição alemã Ôko-Institut, que analisou o ciclo de vida de mais de 100 produtos químicos no mundo, chegou-se à conclusão que o uso de produtos plásticos para isolamento térmico, embalagens, nos automóveis, em tecidos sintéticos e em tubulações, por exemplo, contribui para a redução das emissões de gases efeito estufa na cadeia na ordem de 2.1 a 6 toneladas de CO2 a 2.6 toneladas de CO2 e para cada tonelada de CO2 emitida pela indústria química.
A Braskem quer ser um exemplo de empresa com estratégia comprometida com uma economia de baixo carbono, reconhecida por ações eficazes na aplicação de soluções que representem impactos reais na redução da intensidade de emissões de carbono por produto e em soluções inovadoras.
4. Comprido, né? Pois eu tenho uma surpresa para você: mais cedo ou mais tarde vai cair na sua mesa a missão de escrever um texto assim. Nessa hora, não há como fugir – ou você faz, ou será considerado incompetente. Por mais prestígio que tenha. Então, fique preparado. E quando tiver de fazer, não tenha preguiça. Coloque nele todo o seu talento. A maior sinceridade. E boa sorte.

(mudando de conversa, do eloy simões, no acontecendo aqui, na sua campanha, que encampamos, de acabar com as fraudes anti- textuais ou textualmente falando. parece muito, mas a verdade é que são poucos os redatores, mesmo os premiados, que conseguem escrever um texto como este. textos que conferem a realidade e mostram o universo de fantasmas e pulhas que existem neste e em todos os outros mercados. talvez o maior sintoma do vazio que enfrentamos é que a maioria dos publicitários parece acreditar na mentira que eles mesmo inventam, a começar da intentada a partir da sua própria imagem.

quinta-feira, setembro 17, 2009

ouro de tolo

Era um cara bom. Um puta diretor de arte. Mexia bem com design e tinha até uns desenhos bacanas na gaveta. Grudou nos grandes mestres, aprendeu tudo o que pôde, fez os contatos certos. Não demorou pra começar a botar o trabalho na rua. Adorava mídia exterior, tinha trabalhos por toda a cidade. Cidade que, aliás, não era o melhor mercado do país, mas era cheia de gente boa. Não tinha jeito: mais cedo ou mais tarde, ia pintar uma proposta legal.
E pintou. Uns caras de outra cidade estavam com um trabalho bom e apostaram no talento dele. Dava até pra ir pra casa nos fins de semana. Então juntou suas coisas e se mudou, cheio de gás. Seguiu o caminho de todo grande profissional.
Primeira reunião de briefing. Aquele mesão enorme, a sala bem iluminada e bem decorada. “Putz, lá em casa não tem nada disso”, pensou, quando viu os executivos chegando com roupas caríssimas. Cada um mais cheio da grana que o outro. Ajeitou-se na cadeira, puxou o caderninho e começou a ouvir:
− Negócio é o seguinte: estamos com um problema de fluxo de público. Fizemos quanti, quali, discussões em grupo. Contratamos consultores, analisamos a concorrência. E o que precisamos fazer é um painel.
Painel? Logo ele que não tinha tanta experiência assim em painel… Mas sem grilo, tudo bem. Desafio sempre foi com ele. Enfim, continuou anotando: impactante, puxando mais pro emocional e, acima de tudo, fidelizar os clientes. De referência pra ele criar deram um calhamaço. Até livro tinha. A verba era boa e o prazo… Bem, alguém aí já viu algum prazo ideal?
Começou o trabalho. Montou uma equipe, distribuiu cronograma. Virou noite. Ficou sábado, domingo e até feriado. Encheu o saco, se estressou. Dispensou todos os assistentes. Recomeçou do zero. De tanto trabalho, teve até um problema no olho. Ficou besta e resolveu só ir apresentando pro diretor geral. Não queria cliente bisbilhotando o trabalho antes de ficar pronto. Só que a pressão dos acionistas foi maior que ele, e acabou tendo que mostrar. Nem precisa dizer que não deu muito certo.
− Olha, você tem que entender que somos uma empresa tradicional. Não dá pra mudar nossa percepção de marca assim de uma hora pra outra. O nível do target é muito baixo, tem gente que mal sabe ler. Além disso, tá muito ousado, muito moderno. Pode ir colocando mais roupa nesses modelos.
Esperneou, mas fez o que pediram. E, cansado, desgastado, envelhecido e dizem que até meio maluco, entregou o trabalho. Foi um estrondo. Influenciou toda uma geração, mudou o rumo do mercado. Mesmo não levando nenhum Leão em Cannes, a idéia virou uma referência unânime. Volta e meia aparece chupada em alguma camiseta ou marquinha. Até hoje tem gente que vai lá só pra ficar admirando.
E, se você quiser, pode ir, também. Tem que comprar passagem, esperar na fila e não pode tirar foto. Mas ficar uma tarde inteira olhando para aquele painel da Capela Sistina vale a pena. Não dá raiva, inveja e muito menos aquela história de como é que eu não pensei nisso antes. Só dá pra ficar com a cabeça pra cima em reverência, pensando em como o Michelangelo conseguiu fazer tudo aquilo sem um Macintosh.

( o primeiro job da história, do joão vereza, no jornalirismo)

o interessante deste texto "tolo" é demonstrar as virtudes de um copy quando ele é copy, e domina gancho, fluência e desfecho. nada que se compare as dezenas de besteiras escritas, por exemplo, no gogojob, onde pretensos redatores claudicantes arrulham conselhos com base em experiências fraturadas a reboque de empresas de soluços(que muita gente confunde com soluções, sejam famosas ou não) mas excipientes a começar da fraqueza do texto que dá cãimbra
no mais persistente leitor. mas é a tal coisa, que fariam eles sem um macintosh?

quinta-feira, setembro 10, 2009

a tv que você diz que não vê

Será lançado no dia 17 de setembro, às 20 horas, em Brasília, o livro “TV, poder e substância: a espiral da intriga”, de Luís Carlos Lopes. O evento ocorrerá no Restaurante Carpe Diem, localizado no SCLS 104, Bl. D, Loja 1. A obra analisa vários aspectos da existência da TV aberta no Brasil. É fruto de centenas de horas de pesquisa sobre os seus conteúdos e significados, constituindo-se em um esforço de interpretação deste meio de comunicação fundamental e hegemônico do conjunto das mídias técnicas brasileiras. A obra parte do princípio que só se pode falar desse meio, considerando suas imbricações com a vida política e cultural do país. O trecho, abaixo reproduzido, dá algumas pistas do que esperar do seu conteúdo. O livro estará proximamente disponível nas boas casas do ramo.“A veiculação dos artefatos publicitários está na origem da TV brasileira, concebida como a mais eficiente máquina de vender produtos e idéias, jamais imaginada. Ao contrário do que os sensos comuns dizem, a programação usual é o intervalo dos reclames cada vez mais sofisticados e capazes de atrair milhões de consumidores. Esta máquina ainda não foi superada pelas mais recentes, no que se refere a sua capacidade de vender e convencer. Por isto, nela se concentram investimentos massivos que estão longe de optar pelo seu abandono ou substituição. Este processo vem sendo continuado na TV por assinatura e experimentado, com características similares, pela Internet. A TV, portanto, teve que desenvolver parâmetros de sintonização com as culturas pré-existentes, antes de ser a principal entidade produtora da cultura nacional. Absorveu o que existia, devolvendo ao público uma programação compreensível e capaz de atrair o gosto popular, sem se desgastar junto aos interesses políticos e publicitários a que estava e ainda está ligada. Hoje, no mundo da cultura das mídias, ela já pode se autorreproduzir, citando a si próprio repetidamente e de modo incansável. Desenvolveu-se de modo monstruoso e sem muitas possibilidades de autocrítica, devido seu imenso sucesso empresarial e sua forte ligação com inúmeras fontes de poder.”