sábado, setembro 28, 2013

para os homens, e mulheres, do mercado (do qual também faço parte)

 

Mujica: "humanidade ocupou o templo com o deus mercado"

 

Destoando dos discursos feitos pelos seus pares durante a 68ª Assembleia Geral da ONU, o presidente uruguaio José Mujica criticou veementemente o consumismo e defendeu que “enquanto o homem recorrer à guerra quando fracassar a política, estaremos na pré-história".É através da ciência e não dos bancos que o planeta deve ser governado. “Pensem que a vida humana é um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico é acima de todas as coisas, impulsionar e multiplicar a vida. Deveríamos ter um governo para a humanidade que supere o individualismo e crie cabeças políticas”.

O presidente uruguaio Pepe Mujica voltou a surpreender o mundo com o seu discurso desassombrado na última terça-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas. Aos jornais uruguaios, Mujica prometera um “discurso exótico” e de fato fugiu do protocolo ao dizer que “tem angústia pelo futuro” e que a nossa “primeira tarefa é salvar a vida humana”.

“Sou do Sul e carrego inequivocamente milhões de pessoas pobres na América Latina, carrego as culturas originárias esmagadas, o resto do colonialismo nas Malvinas, os bloqueios inúteis a Cuba, carrego a consequência da vigilância eletrônica, que gera desconfiança que nos envenena inutilmente. Carrego a dívida social e a necessidade de defender a Amazônia, nossos rios, de lutar por pátria para todos e que a Colômbia possa encontrar o caminho da paz, com o dever de lutar pela tolerância.”

A humanidade sacrificou os deuses imateriais e ocupou o templo com o “deus mercado, que organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir. E quando não podemos, carregamos a frustração, a pobreza, a autoexclusão”. No mesmo tom, sublinhou o fracasso do modelo adotado no capitalismo: “o certo hoje é que para a sociedade consumir como um americano médio seriam necessários três planetas. A nossa civilização montou um desafio mentiroso”.
Para o chefe de Estado, que já havia surpreendido o mundo com o seu discurso durante a cúpula Rio+20, criamos uma “civilização que é contra os ciclos naturais, uma civilização que é contra a liberdade, que supõe ter tempo para viver, (…) é uma civilização contra o tempo livre, que não se paga, que não se compra e que é o que nos permite ter tempo para viver as relações humanas”, porque “só o amor, a amizade, a solidariedade, e família transcendem”. “Arrasamos as selvas e implantamos selvas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com remédios. E pensamos que somos felizes ao deixar o humano”.

Mujica defendeu a utilidade da produção de recursos no mundo: temos que “mobilizar as grandes economias não para produzir descartáveis com obsolescência programada, mas para criar coisas úteis para a população mundial. Muito melhor do que fazer guerras. Talvez nosso mundo necessite de menos organismos mundiais, destes que organizam fóruns e conferências. E que no melhor dos casos ninguém obedece”. “O que uns chamam de crise ecológica é consequência da ambição humana, este é nosso triunfo e nossa derrota”.

E defendeu que é através da ciência e não dos bancos que o planeta deve ser governado.

Paz e guerra

“A cada 2 minutos gastam-se 2 milhões de dólares em orçamentos militares. As investigações médicas correspondem à quinta parte dos investimentos militares”, criticou o presidente ao sustentar que ainda estamos na pré-história: “enquanto o homem recorrer à guerra quando fracassar a política, estaremos na pré-história”, defendeu o mandatário ao criticar a política da guerra.

Assim, criamos “este processo do qual não podemos sair e causa ódio, fanatismo, desconfiança, novas guerras; eu sei que é fácil poeticamente autocriticarmos. Mas seria possível se firmássemos acordos de política planetária que nos garanta a paz”. Ao invés disso, “bloqueiam os espaços da ONU, que foi criada com um sonho de paz para a humanidade”.

O uruguaio também abordou a debilidade da ONU, que “se burocratiza por falta de poder e autonomia, de reconhecimento e de uma democracia e de um mundo que corresponda à maioria do planeta”.

“Nosso pequeno país tem a maior quantidade de soldados em missões de paz e estamos onde queiram que estejamos, e somos pequenos”. Dizemos com conhecimento de causa, garantiu o mandatário, que “estes sonhos, estes desafios que estão no horizonte implicam lutar por uma agenda de acordos mundiais para governar nossa história e superar as ameaças à vida”. Para isso é “preciso entender que os indigentes do mundo não são da África, ou da América Latina e sim de toda humanidade que, globalizada, deve se empenhar no desenvolvimento para a vida”.

“Pensem que a vida humana é um milagre e nada vale mais que a vida. E que nosso dever biológico é acima de todas as coisas, impulsionar e multiplicar a vida e entendermos que a espécie somos nós” e concluiu: “a espécie deveria ter um governo para a humanidade que supere o individualismo e crie cabeças políticas”.


(da vanessa silva, no portal vermelho)

sexta-feira, setembro 20, 2013

o yahoo que não está mais para yaba daba doo

Uma das batalhas mais sangrentas entre as profissões modernas ganhou mais um episódio “interessante” este  mês com a chegada da nova logo do Yahoo! ao mundo. Nova?

Mês passado, a CEO do Yahoo! e mais quatro designers da empresa — sendo um estagiário — se trancaram no escritório durante um sábado e um domingo e saíram de lá com a nova logomarca da gigante finalizada. Marissa Mayer, que recentemente completou um ano no mais alto cargo da companhia, tem feito um ótimo trabalho desde então, salvando o Yahoo! dos apertos financeiros que tem passado nos últimos anos. Mas ela cometeu um dos mais comuns e perigosos erros do marketing: o “deixa que eu faço”. Marissa que ocupava o cargo de VP de Novos Produtos do Google antes de chegar ao concorrente, passou por várias funções em seus 13 anos de empresa, e praticamente viu a empresa nascer. Lá trabalhou como programadora, designer e gerente de produto antes de chegar a vice-presidência. Tendo trabalhado direta ou indiretamente com design todos esses anos, Marissa não apenas adquiriu conhecimento, como se apaixonou pela área. Ela escreveu em seu blog:

No campo pessoal, eu adoro marcas, logos, cores, design e, acima de tudo, Adobe Illustrator. Eu acho que é um dos programas mais incríveis já feitos. Não sou profissional, mas sei o suficiente para ser perigosa. :)

Uma das batalhas mais sangrentas entre as profissões modernas ganhou mais um episódio “interessante” este  mês com a chegada da nova logo do Yahoo! ao mundo. Nova?
Mês passado, a CEO do Yahoo! e mais quatro designers da empresa — sendo um estagiário — se trancaram no escritório durante um sábado e um domingo e saíram de lá com a nova logomarca da gigante finalizada. Marissa Mayer, que recentemente completou um ano no mais alto cargo da companhia, tem feito um ótimo trabalho desde então, salvando o Yahoo! dos apertos financeiros que tem passado nos últimos anos. Mas ela cometeu um dos mais comuns e perigosos erros do marketing: o “deixa que eu faço”. Marissa que ocupava o cargo de VP de Novos Produtos do Google antes de chegar ao concorrente, passou por várias funções em seus 13 anos de empresa, e praticamente viu a empresa nascer. Lá trabalhou como programadora, designer e gerente de produto antes de chegar a vice-presidência. Tendo trabalhado direta ou indiretamente com design todos esses anos, Marissa não apenas adquiriu conhecimento, como se apaixonou pela área. Ela escreveu em seu blog:
No campo pessoal, eu adoro marcas, logos, cores, design e, acima de tudo, Adobe Illustrator. Eu acho que é um dos programas mais incríveis já feitos. Não sou profissional, mas sei o suficiente para ser perigosa. :)
A paixão pessoal desacompanhada de conhecimento técnico profissional tornou Marissa uma ameaça real para a marca do Yahoo!, assim como empreendedor  pessoa que tente desenhar sua própria logo. Quando falo em “marca”, me refiro a muito mais do que uma combinação de cores, formas e símbolos, mas à estratégia, valor e objetivos do negócio. Como escreveu o designer Oliver Reichenstein em um artigo sensacional , “a logo é apenas uma parte de um quebra-cabeças de 1.000 peças”. Fato é que qualquer pessoa que tenha um conhecimento razoável em design gráfico e sabe usar o Illustrator –ou pior, o Corel– pode criar uma marca. E mesmo que você venha de uma grande corporação na qual foi designer no começo da carreira e trabalhe em conjunto com um grupo de talentosos designers, criar uma nova logo para uma empresa de bilhões de dólares em um final de semana é simplesmente falta de profissionalismo. Só porque você pode, não significa que você deve. Esse é um dos mais importantes conselhos que um gestor de marketing pode receber.
Porém, criar a nova logo com a participação do diretor da empresa e um estagiário em dois dias não foi o único erro no processo de criação. Antes de começar, o Yahoo! fez uma enquete com os funcionários perguntando se a logo deveria mudar e o que deveria mudar. 87% disseram querer a mudança, sutil ou radical. E eles deram algumas dicas:
  • Fonte sem serifa
  • Tamanhos variáveis das letras
  • Baseline irregular
  • Ponto de exclamação irregular
  • A maioria das logos favoritass usavam letras maiúsculas
Não há problema nenhum em perguntar, mesmo que as pessoas respondam com base em gostos pessoais em vez de aspectos técnicos, é interessante saber o que o público interno pensa a respeito. O problema está se essas “opiniões” se tornarem “orientações” ou pior, “obrigações”. Segundo Marissa, ela e a equipe não viram isso como requisitos, mas o resultado final acabou contemplando vários desses pontos, meio sem querer. Sei… O designer Oliver, autor do ótimo artigo que mencionei, tem uma sugestão: “Por que ela não faz o mesmo com a estrutura do servidores do Yahoo!? Pergunta a todos sobre qual é a melhor configuração então repassa o relatório aos administradores de rede?”
Na criatividade, poucas coisas são mais nocivas do que as opiniões alheias. Uma crítica pode matar uma ideia em minutos e esterilizar a criatividade de um indivíduo instantaneamente. Por isso, muitos estudos e a história de grandes artistas apontam que menos pessoas levam a melhores resultados. Já pensou se tivesse alguém ao lado de Da Vinci enquanto ele pintava a Monalisa? Jamais teria sido aprovado e a obra não conquistaria a metade da fama que tem hoje.
Encontrei o gráfico acima em algum blog algum tempo atrás e achei interessante. Ele mostra a relação Pessoas x Qualidade na criação do design. Adoro a expressão “design por comitê” e o ditado popular que diz que o camelo era inicialmente um cavalo, mas que de tanto “pitaco” (do comitê) virou  um animal corcunda e babão. Um trabalho artístico deve ser desenvolvido por uma, talvez duas pessoas e decidido por um número igualmente pequeno. Permitir que várias pessoas com mesmo poder de decisão se envolvam no projeto é uma ótima maneira de tornar o genial em banal.
Empresários e gestores com pouco conhecimento de marketing costumam cometer dois pecados graves com frequência quando se trata de criação gráfica:
1) Querem rápido.
2) Envolvem muitas pessoas.
O Yahoo! cometeu essas duas falhas amadoras e o resultado foi uma logo sem novidade, sem graça e que não parece representar a imagem de uma empresa de tecnologia preparada para o futuro. O resultado seria certamente diferente se os três designers tivessem trabalhado 15 dias, sem a presença do estagiário e da diretora. Talento e experiência é vital no processo, mas seus benefícios minguam quando o prazo é curto demais ou há muitas pessoas envolvidas no processo.
Logos podem ser criadas em 1 hora ou em 1 mês. Uma grande logo é resultado de um processo e não de uma mera combinação visual. Já ouvi histórias de clientes que reclamaram por pagar uma grana preta em um trabalho que durou apenas algumas horas. Mas quantas milhares de horas foram necessárias para que esse profissional conseguisse criar algo bom em menos tempo que você leva para comer um brownie? Paula Scher precisou de décadas de trabalhos e sabe-se lá quantas logos, cursos, “nãos” e cafés na madrugada para conseguir desenhar a logo do Citigroup em um guardanapo durante um almoço. Quando a perguntaram como uma empresa bilionária poderia definir toda sua identidade em questão de segundos, Paula respondeu: “é um segundo em 34 anos”. Tempo é dinheiro, mas talento, experiência e criatividade são mais caros.
O que Paula teve foi um insight poderoso, algo raro até mesmo para profissionais do nível dela. Criar uma logo pode ser rápido, demorado, complexo, simples, caro ou barato. Pode ser o que você quiser, para quando quiser e todo mundo pode arcar com uma. Há freelancers que enviam quantas opções você quiser por $30 dólares e outros que criam apenas uma por $500. O que diferencia quem sabe usar o Illustrator de profissionais é a bagagem que se constrói com os anos. O que realmente importa em uma logo é se ela faz sentido para o negócio, se ela transmite a mensagem, passa confiança, se é compatível com valores profissionais e culturais, se ela se encaixa no quebra-cabeça de 1.000 peças da gestão de uma marca. É o gestor quem decide se sua empresa merece o melhor ou qualquer um serve, e lembre-se: você também é qualquer um nesse meio. No fim, a decisão cai sobre uma só pessoa, e se ela não tiver essa visão, nem 100 horas de trabalho de Paula Scher resultarão em uma boa logo.
A resposta para a pergunta com quantas pessoas se faz uma logo é simples: uma, o cliente.


A paixão pessoal desacompanhada de conhecimento técnico profissional tornou Marissa uma ameaça real para a marca do Yahoo!, assim como empreendedor  pessoa que tente desenhar sua própria logo. Quando falo em “marca”, me refiro a muito mais do que uma combinação de cores, formas e símbolos, mas à estratégia, valor e objetivos do negócio. Como escreveu o designer Oliver Reichenstein em um artigo sensacional , “a logo é apenas uma parte de um quebra-cabeças de 1.000 peças”. Fato é que qualquer pessoa que tenha um conhecimento razoável em design gráfico e sabe usar o Illustrator –ou pior, o Corel– pode criar uma marca. E mesmo que você venha de uma grande corporação na qual foi designer no começo da carreira e trabalhe em conjunto com um grupo de talentosos designers, criar uma nova logo para uma empresa de bilhões de dólares em um final de semana é simplesmente falta de profissionalismo. Só porque você pode, não significa que você deve. Esse é um dos mais importantes conselhos que um gestor de marketing pode receber.

Porém, criar a nova logo com a participação do diretor da empresa e um estagiário em dois dias não foi o único erro no processo de criação. Antes de começar, o Yahoo! fez uma enquete com os funcionários perguntando se a logo deveria mudar e o que deveria mudar. 87% disseram querer a mudança, sutil ou radical. E eles deram algumas dicas:

  • Fonte sem serifa
  • Tamanhos variáveis das letras
  • Baseline irregular
  • Ponto de exclamação irregular
  • A maioria das logos favoritass usavam letras maiúsculas
Não há problema nenhum em perguntar, mesmo que as pessoas respondam com base em gostos pessoais em vez de aspectos técnicos, é interessante saber o que o público interno pensa a respeito. O problema está se essas “opiniões” se tornarem “orientações” ou pior, “obrigações”. Segundo Marissa, ela e a equipe não viram isso como requisitos, mas o resultado final acabou contemplando vários desses pontos, meio sem querer. Sei… O designer Oliver, autor do ótimo artigo que mencionei, tem uma sugestão: “Por que ela não faz o mesmo com a estrutura do servidores do Yahoo!? Pergunta a todos sobre qual é a melhor configuração então repassa o relatório aos administradores de rede?”
 

Na criatividade, poucas coisas são mais nocivas do que as opiniões alheias. Uma crítica pode matar uma ideia em minutos e esterilizar a criatividade de um indivíduo instantaneamente. Por isso, muitos estudos e a história de grandes artistas apontam que menos pessoas levam a melhores resultados. Já pensou se tivesse alguém ao lado de Da Vinci enquanto ele pintava a Monalisa? Jamais teria sido aprovado e a obra não conquistaria a metade da fama que tem hoje.



Encontrei o gráfico acima em algum blog algum tempo atrás e achei interessante. Ele mostra a relação Pessoas x Qualidade na criação do design. Adoro a expressão “design por comitê” e o ditado popular que diz que o camelo era inicialmente um cavalo, mas que de tanto “pitaco” (do comitê) virou  um animal corcunda e babão. Um trabalho artístico deve ser desenvolvido por uma, talvez duas pessoas e decidido por um número igualmente pequeno. Permitir que várias pessoas com mesmo poder de decisão se envolvam no projeto é uma ótima maneira de tornar o genial em banal.


Empresários e gestores com pouco conhecimento de marketing costumam cometer dois pecados graves com frequência quando se trata de criação gráfica:
 
1) Querem rápido.
2) Envolvem muitas pessoas.

O Yahoo! cometeu essas duas falhas amadoras e o resultado foi uma logo sem novidade, sem graça e que não parece representar a imagem de uma empresa de tecnologia preparada para o futuro. O resultado seria certamente diferente se os três designers tivessem trabalhado 15 dias, sem a presença do estagiário e da diretora. Talento e experiência é vital no processo, mas seus benefícios minguam quando o prazo é curto demais ou há muitas pessoas envolvidas no processo.

Logos podem ser criadas em 1 hora ou em 1 mês. Uma grande logo é resultado de um processo e não de uma mera combinação visual. Já ouvi histórias de clientes que reclamaram por pagar uma grana preta em um trabalho que durou apenas algumas horas. Mas quantas milhares de horas foram necessárias para que esse profissional conseguisse criar algo bom em menos tempo que você leva para comer um brownie? Paula Scher precisou de décadas de trabalhos e sabe-se lá quantas logos, cursos, “nãos” e cafés na madrugada para conseguir desenhar a logo do Citigroup em um guardanapo durante um almoço. Quando a perguntaram como uma empresa bilionária poderia definir toda sua identidade em questão de segundos, Paula respondeu: “é um segundo em 34 anos”. Tempo é dinheiro, mas talento, experiência e criatividade são mais caros.

O que Paula teve foi um insight poderoso, algo raro até mesmo para profissionais do nível dela. Criar uma logo pode ser rápido, demorado, complexo, simples, caro ou barato. Pode ser o que você quiser, para quando quiser e todo mundo pode arcar com uma. Há freelancers que enviam quantas opções você quiser por $30 dólares e outros que criam apenas uma por $500. O que diferencia quem sabe usar o Illustrator de profissionais é a bagagem que se constrói com os anos. O que realmente importa em uma logo é se ela faz sentido para o negócio, se ela transmite a mensagem, passa confiança, se é compatível com valores profissionais e culturais, se ela se encaixa no quebra-cabeça de 1.000 peças da gestão de uma marca. É o gestor quem decide se sua empresa merece o melhor ou qualquer um serve, e lembre-se: você também é qualquer um nesse meio. No fim, a decisão cai sobre uma só pessoa, e se ela não tiver essa visão, nem 100 horas de trabalho de Paula Scher resultarão em uma boa logo.


A resposta para a pergunta com quantas pessoas se faz uma logo é simples: uma, o cliente.
 
(artigo do sylvio ribeiro publicado no "pequeno guru" www.pequenoguru.com.br)

misterwalk observa: se aconteceu com o yahoo imagine o que não deve acontecer com você que é um merdinha, segundo seus clientes.

sábado, setembro 07, 2013

faça sua marca(não tire casquinha com ou na dos outros)





























é cacoete, pérfido, da profissão. morre alguém que vale a pena, e por falsa pena ou vá lá sentimento de perda sem sentido, deserdados assomam na busca dos tais 15 minutos - ou segundos - de fama. e tomem anúncios de oportunismo(anúncio de oportunidade é outra coisa),depoimentos de convivência feitos aos moldes de intimidades duvidosas, algo tal como se conviver com alguém de talento fosse medida do seu e sabe-se lá o que se resgata para dar a ideia de que o resgatador também é um valor.

pois bem. petit foi-se. é redundante falar da sua importância para quem com ele conviveu e ou conheceu o trabalho que ofuscou gerações. para os mais novos, principalmente aos pretensos diretores de arte que nunca ouviram, de que adiantaria falar? não valem a pena, digo.

da minha parte, creio que a melhor homenagem a petit é, no mínimo, ler - ou reler - seus livros, privilegiando propaganda ilimitada. lá, entre outros achados, não se envergonhe(isso pode)de apropriar-se de enunciado que deveria ser o leit-motiv de quem quiser fazer o máximo pela memória do diretor de arte e da profissão. principalmente os de agora que o desprezavam pela idade ou ignoram por desconhecimento, leviandade ou simplesmente pela mediocridade do que chamam arte e dos desvios de caráter que a alcunha de diretor propicia.

" o que tem de ser moderno é a ideia. e não o layout". isto posto, me é impossível não arrematar: sabem quantos diretores de arte, seguindo este princípio, hoje são modernos?

pois é. não foi petit que envelheceu e morreu. foi a direção de arte. sublimada/sufocada em profusões de imagens sem sentido, de efeitos sem conceito, de concessões no lugar de soluções, de aparências em vez de pertinência, em suma: absolutamente desfigurada na ânsia de querer se mostrar antenada.

" o p de pirelli virou marca de sapatos". o p de petit não precisou virar mais nada. marcou sendo apenas o que era: um puta diretor de arte, como já não se fazem mais. ou, pelo menos, se tenta.

domingo, agosto 25, 2013

vamos tratar da saúde






Eu prefiro ser tratado por médicos brasileiros, embora 54,5%  dos 2400 formandos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de SP não atingiram a nota mínima. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas. Mesmo assim vão poder exercer a profissão e atender aos infelizes que caírem em suas reprovadas mãos. Mas eu não moro em São Paulo.

Prefiro médicos brasileiros, porque eles são coisa nossa. Por exemplo, a gente liga pra marcar consulta e a telefonista do doutor pergunta: - é particular ou plano? Se for plano, empurram sua consulta lá pra frente. Particular, eles dão um jeitinho. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque quando chego ao consultório, fico esperando mais de uma hora pra ser atendido. É porque eles são bonzinhos, gostam de atender a todo mundo, e sabem que ali, no calor apertado da sala de espera, sempre pode rolar uma conversa agradável sobre sintomas e padecimentos com outros médicos. E a socialização é muito importante. Sem contar que podemos adquirir informação, com a leitura daquela Veja em que Airton Senna e Adriane Galisteu ainda estão namorando. Ah, tempo bom! É coisa nossa.
Prefiro médicos brasileiros, porque quando a consulta é particular, eles fazem questão de não dar recibo, ou então a recepcionista pergunta se vou querer a nota fiscal, porque aí o preço é diferente. Não é sonegação, claro que não. É porque eles têm vergonha de espalhar quanto cobram pela consulta. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque eles vivem chorando miséria, mas, mesmo assim, no estacionamento dos médicos nos hospitais só tem carrão importado. Parece até pátio de delegacia de polícia. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque você faz todo o acompanhamento de sua doença com o doutor do seu plano de saúde, mas na hora da cirurgia, embora ela seja coberta pelo plano, o doutor sempre pede um por fora, pra ele e equipe. Inclusive o anestesista, aquele médico que não é médico, não tem plano, não obedece a sindicatos nem nada. É sempre por fora. É coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque várias vezes você chega ao posto de saúde, a uma emergência ou ao hospital e ele simplesmente não foi trabalhar, e usa de sua criatividade, inventando até dedinhos de silicone, para receber aquele salário que eles dizem que é uma merreca. Mas, isso é mentira, na verdade eles não vão trabalhar porque os hospitais, ambulatórios, as emergências e postos de saúde não dão condições. Eles só não largam o emprego porque têm pena dos pacientes que vão deixar na mão - embora não trabalhem. Pelo menos é o que dizem. Coisa nossa.

Só escrevo este texto, porque tenho vários amigos médicos e, infelizmente, não vejo nenhum deles se levantar contra esse hediondo corporativismo, contra essa maluquice generalizada de que seus colegas cubanos (que trabalham no mundo inteiro) são despreparados e, pior, vão espalhar a ideologia comunista pelo Brasil. Esses médicos que acham que municípios sem médicos têm que continuar assim, enquanto não tiverem infraestrutura, como naquela história da época da ditadura, de que era preciso primeiramente fazer crescer o bolo para depois dividi-lo.

Se os médicos estivessem defendendo seu mercado de trabalho... Mas, não, os médicos estrangeiros só estão vindo ocupar vagas que foram recusadas por seus colegas brasileiros, que não querem trabalhar e também não querem que outros trabalhem. O paciente... ah, o paciente. Ele não é mais paciente, agora é cliente.

Claro que temos ótimos médicos. E muitos deles já se declararam a favor da vinda de seus colegas do exterior.

Temos ótimos médicos, repito. Vários deles trabalhando em condições precárias. Temos muito o que melhorar, e a presidenta Dilma reconheceu o problema em seu pronunciamento na TV:

Quero propor aos senhores e às senhoras acelerar os investimentos já contratados em hospitais, UPAs e unidades básicas de saúde. Por exemplo, ampliar também a adesão dos hospitais filantrópicos ao programa que troca dívidas por mais atendimento e incentivar a ida de médicos para as cidades que mais precisam e as regiões que mais precisam. Quando não houver a disponibilidade de médicos brasileiros, contrataremos profissionais estrangeiros para trabalhar com exclusividade no Sistema Único de Saúde.
Neste último aspecto, sei que vamos enfrentar um bom debate democrático. De início, gostaria de dizer à classe médica brasileira que não se trata, nem de longe, de uma medida hostil ou desrespeitosa aos nossos profissionais. Trata-se de uma ação emergencial, localizada, tendo em vista a grande dificuldade que estamos enfrentando para encontrar médicos, em número suficiente ou com disposição para trabalhar nas áreas mais remotas do país ou nas zonas mais pobres das nossas grandes cidades.

Sempre ofereceremos primeiro aos médicos brasileiros as vagas a serem preenchidas. Só depois chamaremos médicos estrangeiros. Mas é preciso ficar claro que a saúde do cidadão deve prevalecer sobre quaisquer outros interesses. O Brasil continua sendo um dos países do mundo que menos emprega médicos estrangeiros. Por exemplo, 37% dos médicos que trabalham na Inglaterra se graduaram no exterior. Nos Estados Unidos, são 25%. Na Austrália, 22%. Aqui no Brasil, temos apenas 1,79% de médicos estrangeiros. Enquanto isso, temos hoje regiões em nosso país em que a população não tem atendimento médico. Isso não pode continuar. Sabemos mais que ninguém que não vamos melhorar a saúde pública apenas com a contratação de médicos, brasileiros e estrangeiros. Por isso, vamos tomar, juntamente com os senhores, uma série de medidas para melhorar as condições físicas da rede de atendimento e todo o ambiente de trabalho dos atuais e futuros profissionais.

Ao mesmo tempo, estamos tocando o maior programa da história de ampliação das vagas em cursos de Medicina e formação de especialistas. Isso vai significar, entre outras coisas, a criação de 11 mil e 447 novas vagas de graduação e 12 mil e 376 novas vagas de residência para estudantes brasileiros até 2017.  [Fonte]

Mas, o que estamos vendo é que existe um grupo de médicos para quem os cidadãos brasileiros de municípios sem médicos devem sofrer calados ou pegar um ônibus, barca, trem, o que seja, para procurar uma cidade onde um senhoríssimo doutor (brasileiro) o atenda, quando der. A esses lembro que Deus é ironia, e eles podem amanhã ou depois sofrer um acidente, numa pequena cidade, um pequeno município daqueles que ninguém jamais ouviu falar, eu gostaria de saber o que sentiriam ao ouvir alguém lhe falar assim:

- Necesita de ayuda, señor?

(Texto retirado do blog do mello que também sugere a leitura do texto abaixo, do  Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa)


O que move as entidades médicas


Uma leitura cuidadosa dos principais jornais brasileiros de circulação nacional mostra que há uma tendência da imprensa a desqualificar o programa Mais Médicos, pelo qual o governo federal procura suprir a falta de profissionais de saúde em bairros periféricos das grandes cidades e nos municípios distantes dos grandes centros.
De modo geral, o noticiário abre com informações aparentemente equidistantes da polêmica central sobre o assunto, mas a hierarquia das notícias e as escolhas das análises priorizam opiniões contrárias à iniciativa do governo.
Nas edições de sexta-feira (23/8), a exceção é a Folha de S. Paulo, que dá espaço para um artigo esclarecedor sobre a questão. No Estado de S. Paulo, o principal destaque vai para dados factuais, como o número de cidades paulistas que vão receber médicos selecionados na primeira fase do programa. Nesse texto está inserida a defesa do projeto, sem um destaque especial. As opiniões contrárias estão separadas em dois outros textos, um deles informando que as entidades representativas dos médicos brasileiros e partidos de oposição vão recorrer ao Ministério Público do Trabalho para impedir que se consolide a contratação de estrangeiros.
Abaixo da reportagem principal também é publicado o resultado de uma pesquisa que supostamente mostra que o programa Mais Médicos é rejeitado pela maioria da população. No entanto, esse texto peca pela falta de precisão e acuidade. Por exemplo, não informa de quem é a iniciativa da consulta, feita por um tal Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ). Também omite que o ICTQ é uma empresa de educação continuada que é apoiada pela indústria farmacêutica, oferecendo cursos para profissionais do setor.
A “pesquisa” é referendada por um dirigente do Conselho Federal de Medicina, que usa as informações para reforçar a campanha da entidade contra o programa do governo. Trata-se, portanto, de uma daquelas artimanhas do jornalismo segundo a qual um suposto dado objetivo, como o resultado de uma pesquisa, é apresentado como fato comprovador de uma opinião preexistente, omitindo-se do leitor o contexto que lhe permitiria relativizar a informação – no caso, o interesse específico da indústria farmacêutica.
A serviço das farmacêuticas
O Globo nem mesmo se dá ao trabalho de dissimular sua posição: abre a página explorando contradições entre integrantes do governo sobre o salário que os médicos cubanos irão efetivamente receber. No quadro em que o jornal costuma emitir sua opinião, fica claro que seus editores se alinham com o viés mais reacionário das entidades médicas: o texto afirma que “como existe um eixo Havana-Brasília, assentado em simpatias ideológicas, é preciso atenção redobrada na qualidade da prestação de serviço dos companheiros cubanos”.
Assim, em linguagem quase chula, o jornal carioca apoia a ideia de que os médicos cubanos estão sendo trazidos para fazer “pregação comunista”, como entende o presidente do Conselho Federal de Medicina.
A Folha de S. Paulo se destaca por abrir um pouco mais o leque de alternativas do leitor, informando na reportagem principal que o Ministério Público do Trabalho vai investigar as condições da contratação de médicos cubanos. Em outra página, também com destaque, publica a posição do governo brasileiro, manifestada pelo secretário nacional de Vigilância Sanitária e pelo ministro das Relações Exteriores. Há também um perfil dos médicos cubanos que já atuam no Brasil, material acompanhado por um infográfico que mostra a distribuição desses profissionais em todos os estados.
Mas o diferencial da Folha é uma análise produzida pelo jornalista Marcelo Leite (ver aqui), na qual ele observa que Cuba forma milhares de médicos por mês, “como produto de exportação”. O autor explica que o governo cubano montou uma verdadeira indústria de profissionais de saúde, a maioria deles com especialização em medicina preventiva. Esse seria o segredo principal das realizações do regime cubano na área da saúde, como uma taxa de mortalidade infantil inferior à dos Estados Unidos. A ilha comandada pelos irmãos Castro desde 1959 produziu a partir de então 124.789 médicos e se destaca pela prevenção de doenças, diz o articulista.
Esse é o ponto central da polêmica: ao trazer 4 mil médicos de Cuba, o governo brasileiro está sinalizando que sua estratégia para suprir as deficiência da saúde nos lugares mais pobres vai se basear no atendimento preventivo, que reduz sensivelmente os custos do sistema e diminui a dependência em relação às empresas do setor farmacêutico.
O articulista da Folha dá a pista de onde vêm os interesses contrários ao programa do governo, ao afirmar que “na medicina preventiva, sua especialidade, é possível que [os médicos cubanos] se revelem até mais eficientes que os do Brasil, cuja medicina tem outras prioridades”.
Some-se isso com aquilo e... bingo! O leitor já sabe a serviço de quem estão as entidades que se opõem ao programa Mais Médicos.
 

quinta-feira, agosto 08, 2013

bundamolismo e a falsa esperteza da geração publicitários de espuma




Em viagem de férias pelo Nordeste, vi este cartaz em tudo quanto é biboca de beira de estrada em Pernambuco e Alagoas. Me senti profundamente indignada, não só porque é o milionésimo anúncio de cerveja que usa a mulher como chamariz para vender álcool. Trata-se de uma propaganda imoral pelas seguintes razões:

1. O trocadilho utilizado a título de “humor” vulgariza a primeira vez sexual de alguém, ao associá-la ao consumo de álcool. Transar pela primeira vez é um acontecimento inesquecível, único, e me parece triste e repulsivo que seja utilizado para vender cerveja.

2. Se você não pensar em sexo, só em cerveja, o anúncio continua a ser imoral por escancarar o apelo da indústria de bebidas para que o jovem se inicie no álcool cada vez mais cedo. Só isso já seria o suficiente para proibir o anúncio, mas infelizmente, em nosso país, a publicidade de bebidas é permitida em todas as mídias.

3. Subliminarmente, é um anúncio degradante da condição feminina, porque dá a entender que a atriz está se oferecendo para transar com o consumidor em troca de cerveja.
Mas o que mais me intriga é o fato de uma mulher famosa e influente ter aceitado participar de algo tão abusivo quando, há menos de dois meses, celebridades se juntavam às pessoas nas ruas para pedir ética na política. Eu pergunto à bela atriz Alinne Moraes, que protagoniza o anúncio: querida, você acha mesmo ético ajudar a atrair jovens para a bebida? Você sabia que causa enorme preocupação no Brasil, hoje, o fato de os adolescentes beberem cada vez mais cedo? Não é antiético receber dinheiro para incentivar isso? Ou só políticos precisam ter ética?

A cada hora vejo, na TV, jornais, revistas e na internet, celebridades brasileiras, ao mesmo tempo que se engajam em campanhas contra os políticos, sem vergonha alguma de aceitar dinheiro para propagandear produtos questionáveis como instituições financeiras, construtoras, produtos de limpeza, remédios ou empresas de telefonia. É o caso do “bom moço” Luciano Huck, garoto-propaganda de uma infinidade de produtos e pai de três filhos, que não acha antiético anunciar suplementos vitamínicos cuja necessidade a ciência questiona, nem fazer propaganda de uma empresa de celular, a Tim, quando ao que tudo indica é usuário de outra, a Vivo (leia aqui). É ético mentir para vender um produto? Ou mentir só é condenável quando se trata de políticos?

O que dizer então da cantora Ivete Sangalo, que aceitou cachê de 650 mil reais do governo do Ceará para se apresentar na inauguração de um hospital que na verdade ainda se encontra em obras? Aliás, convenhamos que fazer show em inauguração de hospital, em si, já é uma aberração. “Mas a culpa é de quem a contratou.” Desculpa, não só. Se você é uma artista multimilionária que gosta de apontar o dedo para os malfeitos dos políticos, poderia muito bem passar uma peneira nos eventos para os quais é contratada. Ou será que, como os políticos que critica, está interessada mesmo é na grana?
Quando se trata de ética, não dá para ter dois pesos e duas medidas. A ética é uma só, na política e fora dela. Só vou deixar de fazer muxoxo para o engajamento de artistas em protestos contra a classe política no dia em que eu vir algum deles encampando, por exemplo, a defesa do projeto de lei que circula na Câmara dos Deputados restringindo a propaganda de bebidas no país. A mesma que rende ao mercado publicitário mais de um bilhão de reais por ano, parte deles embolsado pelas celebridades que protagonizam as campanhas. Ou quando vir famosos dizendo que se recusam a participar do anúncio de alguns produtos.

Até lá, para mim, eles serão tão demagogos quanto os políticos que acusam.

Em tempo: não adianta acionar o Conar contra a publicidade imoral da Devassa. O órgão “auto-regulatório” já absolveu a campanha, denunciada por consumidores pela “associação da cerveja à iniciação sexual” e  por estimular jovens a “assumir um comportamento de risco”.

(não são só os políticos que precisam de aulas de ética, da "socialista morena" - cynara menezes no seu blog na carta capital)


criar comercial de cerveja criativo é coisa pra quem gosta de macho e não para quem gosta de bunda.

domingo, julho 21, 2013

é assim que se faz "publicidade" - e se aprova - hoje em dia. eis mais um homicidio qualificado da atividade



Imagem de menino assassinado há 29 anos é usada em cartaz do festival de Montreux.
Desavisado, designer (que não era francês) jogou 'criança' no Google e escolheu uma foto do garoto cuja morte chocou o país nos anos 80

No pé da contracapa, o anúncio divulgava o espaço infantil do festival com o rosto do menino Grégory ao fundo (Obs.: o "Nossa!", estampado na capa, é para a cantora de axé Claudia Leitte, presente na 47ª edição do evento)
O cliente pediu um anúncio. Coisa simples. Uma imagem de fundo com um filtro qualquer, além de alguns parágrafos explicando o serviço oferecido. O designer, desavisado, digitou “criança” no Google Imagens. Mais tarde, veio a gafe: no cartaz de divulgação do tradicional Festival de Jazz de Montreux, a foto do menino Grégory Villemin, assassinado na França em 1984, aos 4 anos de idade. Detalhes: o crime chocou o país e teve imensa repercussão midiática nos anos oitenta; o autor, que mandava cartas anônimas aos pais do menino, nunca foi encontrado. O caso — uma espécie de versão francesa do igualmente misterioso sumiço da menina inglesa Madeleine McCann, também de 4 anos — permanece sem solução.
Acompanhe a Revista Sameuel pelo Facebook e Twitter.

Fotografia original do garoto Grégory Villemin data de 1984, ano em que foi encontrado morto na França
O erro do publicitário estrangeiro que escolheu a foto sem saber quem era Grégory também passou despercebido pelos editores do periódico Montreux Jazz Chronicle, publicação oficial do festival, distribuída gratuitamente ao público que acompanha atualmente os shows na Suíça. O anúncio foi impresso na contracapa do jornal e informava aos espectadores que haveria um espaço infantil para deixar as crianças durante o festival. Uma espécie de creche.
Quem primeiro notou a mensagem — mais para mórbida do que subliminar — foi um usuário do Twitter. “Que senso de humor mais bizarro eles têm no Festival de Jazz de Montreux”, tuitou o internauta, reproduzindo o anúncio.
Diante da gafe, a organização do festival se apressou em pedir desculpas, logo substituiu o anúncio e retirou os mais de 2 mil exemplares “contaminados” de circulação. “Um erro lamentável”, declarou um porta-voz do evento à agência AFP.


Na versão online, o jornal Montreux Jazz Chronicle corrigiu a gafe e trocou a arte do anúncio
O enredo e os personagens
Conhecido simplesmente como “Affair Grégory”, o crime continua um mistério para as autoridades francesas após quase trinta anos.
Em 16 de outubro de 1984, o garoto Grégory Villemin foi encontrado morto às margens do Vologne, um rio no leste da França. Seus pés e mãos estavam amarrados com uma corda.
No dia seguinte, uma carta anônima chegou aos pais da criança: “Espero que você morra de desgosto. O seu dinheiro não vai trazer de volta seu filho. Essa é a minha vingança, seu miserável”. O autor, que ficou conhecido como “o Corvo” — em função de uma expressão francesa em referência a quem manda correspondências anônimas — permanece sem identidade. Em outras mensagens, cartas e telefonemas, “o Corvo” já havia entrado em contato com a família Villemin e assumido a autoria do assassinato.
O primeiro suspeito do crime foi Bernard Laroche, tio do menino Grégory. O julgamento que o absolveu das acusações foi marcado por uma série de erros procedimentais dos promotores. Em função disso, diversas provas foram descartadas e Laroche foi libertado.
Quem não acreditou na inocência de Laroche foi Jean-Marie, pai da criança. Com um tiro de espingarda, matou o próprio primo, certo de que fazia justiça com as próprias mãos.
Mais tarde, Christine Villemin, mãe do garoto, também foi considerada suspeita. Testemunhas a viram nos correios no dia em que uma das cartas anônimas do “Corvo” foi enviada à família. Ela foi investigada, mas liberada algum tempo depois.
Quase três décadas após a consumação do crime, a Justiça francesa decidiu reabrir o caso Grégory — um gesto que faria inveja à série Cold Case. Usando técnicas desconhecidas à época, peritos acreditaram ter conseguido isolar traços do DNA contidos nas cartas anônimas.
Até o momento, no entanto, as investigações não chegaram a lugar algum. O material genético encontrado pela perícia não corresponde a nenhum dos 150 investigados no caso.

(matéria do felipe amorim, para a revista samuel, caso hajam leitores funcionais que não tenham percebido)


in tempo: claudia leitte como atração do festival, mostra que o desnível descambou em todos os sentidos para a matança geral do que quer que seja que um dia valorizou este festival. ah! claude nobs: o que estão fazendo no teu festival é também pra te fazer morrer de novo).

sábado, julho 20, 2013

lugar comum

diferenciação começa na maneira de pensar. se você pensa igual a todo mundo - sede, roupa, carro, apresentação, projeto,etc - você nunca será diferenciado.
se você pensa diferente, você tem de ser bom no que faz. para se destacar, muito bom. para botar pra foder; tem que ser melhor que o ótimo. mas ai você também tem de assumir os riscos de ser considerado louco
(misterwalk)

terça-feira, junho 25, 2013

mírdia premium

a trilha sonora do prêmio midiático da globo nordeste resume por si só a qualificação do evento que para além dos prêmios costuma aliciar e propinar os mídias com incentivos não-fiscais para além das franjas dos bê-vês.

e quando o ápice ressalta a banda kitara, conclui-se o período: ser publicitário hoje em dia - e mídia principalmente - não é só uma vergonha, assumida por todos, se considerarmos a quantidade de sorrisos amarelos apesar do branqueamento: é um vexame em que todos gozam sem mexer.

preconceito com a trilha sonora ? -  numa terra que se diz panóplia de ícones culturais sem igual e de tantos talento musicais que ao contrário da simploriedade do lixo apresentado são sabidamente mais sofisticados no auge da sua simplicidade? não,apenas bom gosto de quem não se apetece a ir a festas de comes-comes onde o critério de escolha da "rainha(argh!)dos mídias" parece ser o mesmo para todas e quaisquer outras premiações.

como diria o bardo: prêmio se a gente ganha é justo. se não, é sacanagem. neste caso, ganhar é que é a grande sacanagem. e aceitar, configurar ainda mais o maior desrespeito que se tem a si e a profissão cada vez mais embrulhada para descarte.


domingo, junho 23, 2013

num mundo de calangos um abstrato que se tornou concreto até ceder. ou não?

rango é um calango?(e só?)



Vou fechar O Calango Abstrato. É uma decisão difícil, mas preciso repensar muita coisa ainda. Não tenho mais tempo, saco ou ânimo para continuá-lo. Vou focar na pós-graduação. Estou abandonando o blogue porque o Brasil se transformou em nitroglicerina muito rápido, e temo que os estilhaços da explosão me atinjam. Foi o protesto de ontem que me fez tomar essa decisão, que já vinha protelando há um tempo.

Esses últimos dias vi o povo em convulsão social. Vi baderneiros e gente pacífica. Vi polícia batendo e polícia apoiando. Vi cartazes focados no problema e cartazes desfocados do problema. Ouvi gritos pró-democracia e pró-ditadura. Vi manifestos com bandeiras e manifestos sem bandeiras. Li opiniões a favor e opiniões contrárias. Estava acompanhando tudo de fora, por internet, por televisão, mas precisei estar dentro do movimento para perceber o quando ele está ainda alienado. O quanto as reivindicações desfocadas são perigosas.

Apesar do que dizem os movimentos, e isso pode me deixar com fama de reacionário, ou o que quer que seja, afirmo e reafirmo que o gigante não acordou! O gigante estava dormindo, enquanto o mundo à sua volta girava. Ele ouviu um barulho na casa no meio da noite, em decorrência do giro do mundo. Deu um sopapo no meio da noite, viu o ambiente, se cansou com o giro do mundo e voltou a dormir. Esse é o gigante brasileiro que acordou. Digo isso porque até quando o gigante acordou, ele permaneceu dormindo para muita coisa. Deixou que determinados discursos entrassem nos movimentos, proibiu bandeiras, gritou por apartidarismo, deu gritos de guerra pelofim dos partidos políticos. O gigante percebeu que estava insatisfeito, mas criou para si mesmo uma grande ilusão. Por isso, o gigante não acordou de fato. Teve só aquele estado assim que se acorda, mas o corpo voltou a relaxar e adormeceu novamente. Assim está o país. As manifestações eram pra ter dois focos: 1) Passe livre nos ônibus, 2) Protesto contra a violência no Sul-Sudeste do país. O foco devia ser os 10 centavos que o prefeito daqui deu, e à desproporcionalidade da ação policial em São Paulo. E só. Outras manifestações deviam ser permitidas, assim como permitidas bandeiras de partidos. Na manifestação de ontem, dia 20, em João Pessoa, correu tudo bem. Estava correndo tudo bem. Foram 22 mil pessoas presentes. Eu mesmo cheguei a comprar e preparar dez cartazes. Seis cartazes focavam no passe livre e no preço das passagens. Esses distribuí entre os manifestantes no começo. Guardei quatro pra mim, sobre corrupção, copa do mundo, violência. Esses dei aos meus amigos. Nesse caso, não deixei de falar outras coisas, mas foquei na ideia do protesto: passe livre. Era uma coisa focada. Pelo menos de minha parte. No foco numa coisa, não significa que outras coisas não possam ser tematizadas. Daí a proporção dos cartazes. Porém, o que vi na passeata foi algo estranho, esquisito. Muita gente ali tinha a politização de uma formiga-operária, e a compreensão do nosso estado político de um neanderthal. Queriam o impeachmant de Dilma, esquecendo quem seriam os próximos a assumir o governo: Temer, Sarney, Calheiros etc. Querem mesmo isso?

Além do mais, os mesmos apolitizados vinham com cartazes de brincadeira. Era um oba-oba generalizado, sem direção, sem foco. Não era um protesto, era um bloco de carnaval fora de época que brigava até pra decidir seus trajetos. Tudo bem que muitos gritos na garganta vieram de vez, mas vamos organizar as pautas, né galera? Alguns cartazes me fizeram rir pra não chorar. Comentei entre gargalhadas na hora, mas hoje, depois de uma boa noite de sono, sofri ao ver as verdades por trás deles. Cartazes como "Eu relaxo e gozo", "As esferas do dragão foram reunidas", "Chupa que é de uva", "Pelo direito de foder em pé" estavam espalhados aqui e ali. Por isso que digo: o gigante não acordou. Repito e reitero porque é o foco quem diz se estamos acordados ou dormindo. O povo ainda está entorpecido, e, infelizmente, até grandes mestres da arte do estar desperto foram apanhados desprevenidos pela onda dormente. Me deixou profundamente assustado os gritos de "Viva os militares! Que volte a ditadura!", seguido de aplausos. A multidão estava empolvorosa. Nesse momento, precisei mentir. Quando meus companheiros do lado me perguntavam o que era aquilo, eu mentia, dizia que eram pessoas gritando em apoio ao Movimento Passe Livre. Quem fez gritos pró-ditadura nem mesmo se toca o que foi aquela merda toda, por isso me assusta ver pessoas que a defendem em uma passeata que promove a democracia. Me espantei com o grito de "vamos nos armar e derrubar a Globo". Quem conclama o povo a se armar esquece que já fomos desarmados, e de onde acham que viriam as armas? Teríamos de contrabandeá-las. E por que o ataque tinha de ser contra a Globo?

Isso está tão surreal que está parecendo a promulgação do Império Galáctico em Star Wars. As pessoas, principalmente os baderneiros, estão ignorando o inciso I do artigo 137 da Constituição Federal de 1988, que é a ordem 66 do nosso Imperador Palpatine brasileiro.

Por isso, deixarei o blogue às moscas e, possivelmente, venha futuramente a deletá-lo. O Brasil está entrando em um momento em que a opinião é necessária, mas o opinador recebe ônus negativo. Não é o momento certo para falar. Meu silêncio torna-se então meu melhor protesto. Agradeço a todos os que leram e acompanharam este blogue por tantos anos, e agradeço especialmente a todos que me apoiaram ou me desapoiaram, que elogiaram e criticaram, que comentaram aqui ou em outros lugares. Foi a interação com todos que manteve este blogue vivo. Porém, diante do atual estado de coisas, temo que o silêncio seja a melhor opção por hora.
 
(anúncio de encerramento do calango abstrato - que não é editado por mim, e só de ter de acentuar isso, dá uma certa razão ao autor - "calangos" em geral assentam com a cabeça(ou com a bunda) em quase todas as situações de tensão. quando mexem o rabo é porque o que está por detrás é fria mesmo para um ser chegado ao calor das discussões)

quarta-feira, junho 12, 2013

pedra no sapato ou arrasta a sandália nega

....Mestre Kinji Baba,uma das maiores autoridades do kendô no Japão,veio ao Brasil em 2003. Na volta de uma excursão a Parati,um dos instrutores brasileiros me pediu para perguntar sobre a existência de ninjas. Perdão,sensei,mas o meu aluno pergunta se no Japão existem ninjas.Um dos universitários japoneses que integrava a comitiva não acreditou no que ouviu e, não se contendo, caiu em gargalhadas. O que disse o mestre? - pergunte a ele se no Brasil se come gente. E mudou de conversa. Jorge Kishikawa in Shinhagakure (pensamentos de um samurai moderno).



celso furtado, economista paraibano que fundou a sudene, cérebro do tempo em que publicitários percebiam algo de economia para além do tatibate de que a apple é a empresa mais valiosa do mundo, certa vez afirmou que o nordestino tenta compensar o seu complexo de inferioridade tentando ser super. tal pensamento é o joanete mental que descambou para o comercial da esposende - muito bem trabalhado pela assessoria de imprensa - urdido pela black(argh!)ninja,tendo a "fanática carrie"(eu prefiro a outra, a estranha) como protagonista pela "afinidade" entre sua tara personada em sapatos e uma suposta correspondência como mulher que tem no acessório o fetiche que todos gostariam de ter porque a admiram.

e quando um publicitário inicia uma apresentação e/ou defesa(se o comercial é bom não precisa defesa, já dizia outro, que hoje anda mais em sapatos altos do que a cria o que lhe levou até lá) - prefaciando que foi a pesquisa que apontou ou detectou o caminho escolhido,está mais do que na hora de você soltar peidinhos,que não devem ser discretos em odor porque o ambiente já estará incensado em merda.

mas o "beja-mãos" não se faz de rogado. e alicerça a escolha - como a maioria das agências hoje em dia, daí tanto comercial sem graça, como o dito cujo - planificada em pesquisas testes e pré-testes, como se isto fosse garantia e ou resultasse automaticamente em superior expressão qualitativa da ideia ou conceito dai sabugado.

mas vamos ao que interessa:sarah jessica parker no acting é uma espécie de ingrid guimarães piorada ou tão ruim quanto a dita cuja num certo comercial sabão(de tão monocórdica ingrid sequer faz espuma). a desenvoltura que viram na jessica(ah! joão alberto, é tão impossível assim tirar o sebo da sua coluna?) não passa de pastiche. de paródia que se quer ideia. não se vê o aplomb que em tese justificaria a sua contratação, e que tanto fundamenta a abordagem inspiracional que regula uma das falas publicitárias preferidas - salvo pela questão apontada pelo celso furtado.o roteiro é um primor de nulidade, com uma gag déjà-vu pálida até para gente que nunca viu, por exemplo, woody allen a por com diapasão,diálogos entre a tela e o telespectador. a produção em si, é medíocre sem destaques em linguagem narrativa, cast ou o que quer que seja, pois nela também faltou ideia a luzir.

e isto justamente num timing de veiculação(a reboque portanto) em que temos, a mais que nunca bündchen a extrapolar a tela com charme que baste e, até nas falas, o que comprova do que é capaz um bom texto/roteiro,pois usualmente(via de regra é menstruação)gisele falando é baixa pau. já calada despoleta o priaprismo. soa a dor de corno(ou o tal complexo de inferioridade) a utilização da parker em toda sua "grandiloquência e espetacularidade (é assim que foi construida sua contratação) e "inusitância", acabando por trazer resultado de esferográfica. para isso chamassem a claudia leitte, hours concours em vácuo, pois o alcançe é potencializado justamente pela sanha do sub que quer ser super devidamente replicado pelo "espalhafato", neste caso mais dos "superiores do que dos inferiores". são os sinais de sucesso nesta colônia subdesenvolvida chamada nordeste, onde publicitário palita os dentes depois da refeição japonesa juntamente com seu cliente dobradinha. a contratação de uma atriz americana para comercial de varejo destinado a praça regional incensa o chulé da falta de criatividade. e assim sendo, não é case, é topada, é atalho que aborta as possibilidades de um caminho mais rico para além do cachê,verdadeiramente percuciente a ideia que se quisesse sem complexos na sua expressão e que portanto deveria ser realmente criativa e nunca mimética.

ainda que seja pedante usar esta expressão para demonstrar sarcasmo - last but not least - eis a questão final para fazer a moçada descer do salto: a direção de arte do comercial traz o decalque(seria um recalque?)em seu caleidoscópio de sandálias que nos faz imediatamente lembrar a direção de arte das havaianas, classuda chinelada que ultrapassou fronteiras sem "catapultas", e que também foi pensada e realizada há muito tempo atrás. e como tudo que é realmente bem feito e ou original neste e noutros mundos acaba por dar ganas de copia aos mequetrefes do fumê e das esquadrias. nestes casos diz-se, se o salto descolar, que esta seria uma tendência visual. aliás, é o que acontece quando se deixa de pensar com profundidade: só vem a cabeça referências. ai a falta de caráter leiauta e muda a tipologia ,se muito.

resumo da ópera: contratar uma big-star(na verdade menos, bem menos) norte-americana para uma campanha na aldeia, acaba por revelar o contrário do que é dito: não se trata de uma ação determinada pelo vetor do pensamento estratégico-criativo e da ação sociológica de quebra de paradigmas. é apenas cacoete dos colonizados - afinal é a terra dos celebs não se esqueçam - concebida por um tipo de esperteza que é capaz de promover tal ação mas não elevá-la a categoria de ideia radiante ou irradiante.tanto que o uso ferrenho da divulgação via press-releases busca amplificar o comercial massificando justamente aquilo que se diz deveria ser quebrado:o fato de não ser corriqueira a contratação de nomes para além do secundário da novela no gritante varejo, fazendo disto o destaque do comercial e não a ideia(que não há mesmo)o que acaba por ser um contra-senso pois não é a ideia que brilha. é a protagonista. e não por sua atuação mas apenas pela operação de sua contratação o que, quanto a mim, se fosse publicitário envolvido ou seria destemido? causaria imenso mal estar.

isto posto, mestre baba, respondo-lhe que sim mestre: no brasil se come gente.e muito provavelmente a começar por partes do cérebro.se assim não o fosse não haveriam ninjas em ação.

p.s. se não há ninjas no japão,imagine o que é ter ninjas(e ainda por cima blacks) por aqui?



 





domingo, abril 07, 2013

a família que controla a verba, o verbo e esse tal de BV


Chega de falar apenas em Roberto Marinho (morto há dez anos) e Ali Kamel (capataz dos patrões). A Globo tem 3 donos: João Roberto, Roberto Irineu e José Roberto. Eles mandam. Eles botam dinheiro no bolso. Eles interditam o debate.

É hora de espalhar a foto dos três, e dizer ao povo brasileiro: eles ficaram bilionários, graças ao monopolio da informação – que concentra verbas e verbo. Precisamos colocar os três no centro do debate.  Eles precisam rolar na lama da comunicação em que fazem o Brasil chafurdar.

Dilma acha importante reduzir juros. E está certíssima. Mas Dilma acha que não é hora de falar em ”Democratização da Mídia”. E aí Dilma erra feio. Os monopólios da mídia, construídos ao arrepio do que diz a Constituição, e na base de BV– Bônus de Volume  (veja texto abaixo publicado por PH Amorim), impedem um debate correto sobre redução dos juros. Parceiros dos bancos, os monopólios da mídia não querem juros baixos. Querem travar o Brasil. E constroem a fortuna bilionária de João, Irineu e José.

Na foto acima, eles aparecem (João, Irineu e José – da esquerda para a direita), com semblante de felicidade contida. Na época, o papai deles (ao centro da foto) ainda mandava. O patriarca fez a fortuna graças à parceria estabelecida com a ditadura militar. Roberto era apenas um milionário. Os filhos são bilionários, segundo a última lista da Forbes. Graças (também) ao BV. Graças ao monopólio.
Passamos anos na blogosfera dizendo que “ninguém sabe quem são os filhos de Roberto Marinho”. Está na hora de saber. Pra eles, é ótima essa situação. Discretos, poderosos, bilionários. Mas e para o Brasil?

Os três porquinhos da comunicação  são os donos do BV. Os três mandam processar quem critica a Globo. Hora de botar a carinha dos três pra circular. Eles sao inimigos da Democracia.
Está na hora – também – de questionar no STF a legalidade do BV. Joaquim Barbosa usou o BV para construir a tese de “corrupção” no julgamento do “Mensalão”. O BV serve pra condenar petistas. Mas o BV da Globo é intocável? Mais que isso: é ético que agências de publicidade recebam esse dinheiro – espécie de propina oficializada pelo mercado?

Se você não sabe direito o que é o tal BV, calma! Quase ninguém sabe. O BV é um segredo que constrói fortunas. E constrói o poder da Globo. Poder que trava a Democracia, trava  debate sobre juros, e permite que o capataz de João, José e Irineu use uma concessão pública para praticar um jornalismo de bolinhas de papel.
Leia abaixo a entrevista de um conhecido publicitário escocês que explica a PH Amorim o que é o BV…
(extraído do Conversa Afiada)

– É a bonificação por volume, essa propina que o Brasil legalizou, o BV.

– Explica isso ao nosso leigo navegante, Mestre, por favor.

– Leigo navegante, é assim. Quanto mais uma agência de publicidade programar a Globo, mais bônus, grana, ela tem. Você sabia que o BV da Globo é o maior item do faturamento das QUARENTA maiores agências de publicidade do país ?

– Que horror !, Mestre. Que horror ! Ou seja, independente da vontade do cliente, a agência vai lá e põe anúncio na Globo para ter bônus.
– Por aí, meu filho. Mas, o diabólico não é isso.

– É que a Globo transformou isso em lei.
– Mais diabólico, ainda.

– O que, Mestre ?

– É que a Globo ANTECIPA o pagamento do BV.

– E daí, Grande Mestre ?

– A agência recebe em janeiro por conta do que ela vai programar na Globo em dezembro.

– É que a Globo é generosa.

– Não, meu filho, é que a Globo prende a agência num cabresto. Obriga a agência a programar a Globo para cumprir a meta e receber o bônus inteiro. Entendeu ?

– É a cenoura. Para obrigar a agência a correr atrás da verba, pelo dinheiro que JÁ recebeu.

– Você é esperto, meu filho.

– Sim, Mestre, mas isso a Globo conseguiu aprovar no Congresso.

– Mas o Supremo rasgou a Lei …

– Sim, disso eu me lembro. Para encanar o Pizollatto e o Dirceu, o Supremo decidiu que o BV da Visanet era do Banco do Brasil e, não, das agências do Marcos Valeriodantas.

– Exatamente ! E isso rasga a Lei ?

– É claro ! O Supremo rasgou tudo para condenar o Dirceu. Por que não iria rasgar o BV ?

– Porque o BV do Pizolatto não é o BV da Globo, Mestre… É óbvio, desculpe.

– Sorry, meu filho. Você não alcançou a dimensão da questão.

– Qual a dimensão, caro Mestre ?

– Um dia, um tresloucado parlamentar, um Procurador ou um blogueiro sujo …

– Você sabe aí na Escócia da existência de blogueiros sujos …

– Meu filho, quem não lê o Azenha ?

– A Dilma por exemplo, ela não lê…

– Lê, meu filho. Lê e não conta … (Clique aqui para ler “Dilma perdeu boa oportunidade de defender o Azenha. Kamel celebra !!!”)
– Bom, vamos lá … Um dia, um blogueiro sujo … o que que é que tem ?

– Um dia um blogueiro sujo entra na Justiça com uma ação de prevaricação, de improbidade contra a SECOM por não recolher ao Banco do Brasil, à Petrobrás, à Caixa e ao Governo Federal o BV que, hoje, fica com a Globo e as agências que nela programaram.

– E o Banco do Brasil, a Caixa, o Governo Federal, a Petrobrás, esse pessoal programa mesmo é a Globo.

– Eles adoram a Globo ! Ouvem o plim-plim e abanam o rabim …

– Mestre, o senhor já foi melhor do que isso.

– Desculpe, mauvais moment …

– Bom, Mestre, se o Globope não medir certo a audiência e se o BV do Banco do Brasil tiver que ser do Banco do Brasil … o Governo Federal, que é um grande anunciante, está jogando o dinheiro do contribuinte no lixo.

– No lixo, não, meu filho, na Globo ! Não é exatamente a mesma coisa.

– É por isso que o senhor diz que o BV é mais importante do que a Ley de Medios.

– You got it, baby !

– Xiii, isso pode dar uma confusão …

– Confusão, não, meu filho. Pode dar cana … Olha o Pizollatto …
Pano rápido.

(artigo do rodrigo viana para a caros amigos) 

misterwalk avisa: mãe: eu não tou na globo.

quinta-feira, março 14, 2013

filosofia na alcova ou culo de mal asiento

para resguardar-me das inúmeras, e muito pouco ou demasiadamente criativas, ciladas que a profissão nos apresenta, elegi uma máxima, que sintetiza meus valores de conduta na propaganda ou como queira você chamar a atividade: se não dá prazer, caio fora. porque, não tenha dúvida: sem prazer e ou diversão, e não só na propaganda, toda profissão/profissional acaba se prostituindo e, pior do que isso, tornando- deletério. são mesmo muitos poucos os que se sustentam na putaria sem vilipendiar a profissão.

confesso que ao guiar-me por tal máxima, sou quase ermitão. uma vida solitária, muita masturbação, e quase nada de realização. mas onde encontrar prazer, hoje, a dois? a três? não conheço um só relato de suruba feliz na atualidade, em contraste com as orgásticas reuniões onde os membros confabulavam espumantes: leia-se cliente, agência, veículos, fornecedores. claro que todo mundo estava ali querendo comer o cu dos outros. mas sem decair na baixaria mantendo os parâmetros de elegância que só um canalha bem formado é capaz de praticar. e a boa conversa? sim, porque não encontro mais ninguém capaz de me passar uma boa conversa. querem logo ir direto ao cuzinho, seja na forma do salário proposto, seja na diretiva do que me é passado a fazer. e o que me deixa mais fulo, é que prometem até beijo na boca,o que todo mundo sabe é pratica que as putas renegam para resguardar, nem que seja simbolicamente, uma lasca de conduta não corrompida ou corrompedora o que representaria o mais puro amadorismo, o que neste negócio, é tiro no pé.

por isso não me arrependo de seguir a tal máxima. até porque na prostituição são muito raras e episódicas as exceções de gente que viveu e morreu feliz em atividade. afinal, como todo mundo sabe, puta não goza. abstem-se do prazer real como parte da construção do prazer estigmatizado para "dar nas vistas".

e como eu ainda tenho muita tesão - o que independe do tamanho do pau, idade, ou leia-se agência - se você foi uma leitora adjetive com as suas formas - não pretendo viver a vida e muito menos trabalhar sem gozar. 

que não seja um gozo quantitativo - dar cinco seis sem tirar de dentro é lenda na vida e na propaganda(ou você já ouviu falar de propaganda tântrica?) -  e que passe longe da ejaculação precoce mas pelo menos uma vez por mes que tal o prazer de dar uma boa esporrada na cara da concorrência que seja ou dos bundões que dentro da agência usam as ditas cujas apenas para grudar-se nos seus cargos empalados que já estão pela falta de uma filosofia de trabalho - e trabalho é vida, se não é, não é trabalho(é emprego) - que não renegue o prazer de tentar tudo que possa passar ao largo do papai e mamãe ou da boca cheia porra nenhuma. 

quanto aos finalmente, desconfio que só há uma coisa que dá menos prazer do que ser puta: é ser dono do bordel. você pode até foder o estoque  - de um jeito ou de outro, e vangloriar-se por isso - mas obterá sempre um prazer no mínimo duvidoso, tal e qual as palmadinhas nas costas e os elogios que não se sustentam nas paredes(menos ainda as contas que julga serem suas para sempre).

portanto, gozar hoje mesmo,só goza quem,literalmente,não deve(e quem não deve,ao talento,não teme). quem deve, ajoelha e reza enquanto enche a boca de outras falas. 


 

quinta-feira, março 07, 2013

bus stop

não boto fé em publicitário que não anda de ônibus.

mas também não faço nenhuma fé em publicitário que só anda de ônibus.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

a outra face da propaganda: a que funciona




estão vendo a face nada faceira do tipo acima? mas para dono de funerária, membro da opus dei ou no encaixe de almoxarife de alguma repartição pública? e que em nada lembra o estereótipo do criativo descolado, antenado, up-to-date ou o bull-shit que seja? pois bem, nada mais nada menos que um dos melhores redatores da propaganda brasileira(não vou fazer figura dizendo que é o maior apesar de seu metro e sessenta, que isso não é coisa que redator de propaganda escreva - apesar de muitos que se dizem fazerem a tal gracinha -)

o homem de apucarana, que você pode descobrir quem é no http://www.minicronicas.com.br 
pertence a uma geração que sabia escrever em todos os sentidos. e, despretenciosamente, como o é toda comunicação eficiente, criteriosa e urdida com talento, desfia neste endereço crônicas impagáveis trabalhadas por sua habilidade para contar histórias que é fundamental para quem quer ser um bom profissional de convencimento, comunicação, chamemos aqui de propaganda. 

em tempos onde o texto foi abolido pela conveniência do analfabetismo funcional, que grassa dentro e fora da agência, seja de fora para dentro ou de dentro para fora, estas crônicas resgatam a propriedade que fez a grandeza da nossa atividade: a de com palavras ou frases não se prover a imaginação de mil imagens mas sim da imagem própria e circunstanciada que se quis suscitar - sem a necessidade de recorrer ao tédio dos bancos de imagens redundantes e dos efeitos por si só castrados emulados por programas de computação que impressionam apenas sub-desenvolvidos e toda uma geração já geneticamente comprometida com o desuso do cérebro.

esqueça os manuais de redação que andam a venda por ai. aprende-se a escrever - e criativamente - lendo. e lendo muito quem o faz assim como se não parecesse querer nada e no entanto ainda quer -e pode - tudo.

não?

então tá bom. manda ai uma crônica destes que se dizem redatores do digital e o que mais lhe chame. o que recebo via web, of course, só comprova uma coisa: não sabem escrever nada. sequer uma chamada que me convença a abrir um email, que nada mais é que uma mala direta. como já dizia o bardo, os suportes mudam mas não há quem suporte a falta de talento. 

e se a falta de talento é cara do futuro eu prefiro estar de volta para o futuro onde se sabia redigir um texto. porque já houve um tempo em que para ser redator era fundamental saber escrever o que quer que seja que fosse pedido.