Proposta polêmica do homem mais rico de Portugal coloca a operadora de telefonia móvel do Brasil num momento de decisão
Chama-se Belmiro de Azevedo o empresário português que chacoalhou o mundo corporativo na semana passada. O homem mais rico de Portugal, dono de uma fortuna de 1 bilhão de euros e proprietário do grupo Sonae, império que atua nas áreas de varejo, construção e telecomunicações, sacou US$ 12,8 bilhões para fazer uma oferta
hostil pela Portugal Telecom, líder da telefonia em seu país e sócia aqui no Brasil da Telefonica na operadora Vivo. O lance deixou boquiabertos os portugueses, mexeu com as bolsas – em Lisboa e Nova York – provocou discussões acaloradas no
meio político, irritou os acionistas da PT e lançou vários pontos de interrogação: Como ficará a operação Brasil? Qual o futuro da Vivo se Belmiro comprar a PT? E se não comprar? O que a Telefonica pretende fazer? Perguntas que se tornaram mais inquietantes na quarta-feira 8, quando, em entrevista coletiva na cidade do Porto, Belmiro foi taxativo: com a Portugal Telecom em suas mãos, sairá do Brasil. “Se alguém aqui for acionista da Portugal Telecom pergunte, na próxima assembléia, o que é que a empresa tem ganhado no Brasil”, desafiou ele. Qualquer que seja o desfecho, o
setor de telecomunicações no Brasil será fortemente chacoalhado nesse processo.
A primeira reação da PT, liderada pelo executivo Miguel Horta e Costa, foi rejeitar a proposta. Nos corredores da sede da companhia, em Lisboa, o espírito era de
revolta diante da proposta de Belmiro. “Oportunista” e “aventureira” eram os adjetivos preferidos para qualificar a pretensão do dono do Sonae. Para executivos da PT, ele teria escolhido a dedo o momento de trazer sua oferta a público. A Vivo
encontra-se no período de silêncio obrigatório antes da divulgação de seus resultados anuais e, assim, não poderia rebater com números as críticas de Belmiro. A
PT também enfrenta um “momento de transição”. Em dezembro do ano passado, os mandatos dos membros do conselho de administração e da diretoria executiva chegaram ao fim. A assembléia destinada a escolher os novos ocupantes dos cargos ocorrerá apenas em 21 de abril – ou seja, os dirigentes vivem uma espécie de mandato-tampão, o que os deixa fragilizados para tomar decisões estratégicas.
Passada a surpresa inicial, diretores da empresa deram início à reação. Uma de suas apostas é que dificilmente os órgãos de defesa da concorrência portugueses aprovariam a união de duas operadoras que, juntas, deteriam 63% da telefonia móvel no país. A revolta também se estendia ao preço oferecido pela Sonae, algo em torno de 9,5 euros por ação. Um relatório do Citigroup que circulava nas mesas da sede
da PT mostrava um preço-alvo para o papel equivalente a 11 euros. As críticas do empresário à Vivo foram tratadas com ironia. “Ele diz que venderá a empresa e
já começa a depreciá-la. É como colocar um carro à venda e declarar que seus pneus estão carecas”, afirma um consultor que trabalha para a PT.
Talvez Belmiro esteja comparando coisas diferentes. Na Europa, mercado consolidado, a PT apresenta bom desempenho. No Brasil, mercado com uma concorrência "embriagada”, nas palavras de um especialista, todas as operadoras sofrem com margens anêmicas e a Vivo não é exceção, embora tenha algumas vantagens em relação aos demais competidores. A empresa é hoje a maior operadora da telefonia celular brasileira, com 30 milhões de usuários. Nos últimos tempos, perdeu espaço com o avanço das concorrentes TIM, Oi e Claro. Em 2004, o prejuízo chegou a R$ 490 milhões, para uma
receita líquida de R$ 7,3 bilhões. As dívidas somaram R$ 3,8 bilhões. Por outro lado, a receita média por usuário, importante indicador do setor, é de R$ 28 por
mês – maior que a da Claro (R$ 21) e da TIM (R$ 26). “O maior desafio da Vivo é a falta de convergência entre a telefonia fixa, móvel e internet, o que reduziria os custos”, avalia Anderson Ramirez, gerente da Price Waterhouse especialista em telecomunicações.
E se Belmiro não levar a PT, como fica a Vivo? A própria PT já andava pensando em dissolver a parceria com os espanhóis – embora negue publicamente qualquer
movimento nesse sentido. Nesse caso, ela sairia da parceria, mas não deixaria o Brasil. “Não é de hoje que a PT se mostra interessada na Telemar. A Vivo precisa da integração e a Telemar já fez com sucesso a convergência entre as três divisões”, afirma Manoel Horácio, presidente do Banco Fator e ex-presidente da
Telemar. E quem ficaria com a Vivo nesse caso? A Telefônica seria a candidata mais óbvia. O descaso demonstrado por Belmiro poderia ser visto como um “sossega leão” nos espanhóis. Afinal, a Telefonica é a maior acionista individual da PT, com 9,9% de
participação. Sem seu apoio, dificilmente a oferta hostil de Belmiro prosperará. Ciente de que seria um grande negócio para a Telefonica ficar com a
totalidade da Vivo, o empresário foi logo dizendo que queria sair do Brasil. Os espanhóis estão com o caixa vazio após a compra da operadora inglesa O2 por US$ 32
bilhões, mas poderiam usar o dinheiro da venda de sua participação na PT para financiar a parte da PT na Vivo, avaliada em US$ 3 bilhões. Trata-se de uma
análise é muito “local”, acredita-se na sede da PT. Espanhóis e portugueses têm uma parceria estratégica que vai além das fronteiras brasileiras. “Por que
aceitariam vender as ações por um valor abaixo do real?”, pergunta o consultor da PT.
O descaso de Belmiro pela Vivo pode ter motivo mais emocional: sua declarada aversão ao Brasil, depois dos tombos que tomou por aqui. Seu braço varejista, por exemplo, naufragou. O Sonae chegou a ter 148 supermercados no País. Vendeu-os para Carrefour e
Wal-Mart por menos do que comprou. Belmiro também foi o principal alvo da CPI do leite, instalada em 2002 no Paraná – isso porque ele era o principal distribuidor
do produto na região sul e os produtores se queixavam do preço pago por ele. No Paraná, ele investiu numa fábrica de compensados de madeira, que contaria com
incentivos fiscais negociados com o governo Jaime Lerner. Seu sucessor, Roberto Requião, cortou os subsídios e Belmiro fechou a fábrica. Restou ao grupo,
no País, a parte imobiliária, com ativos de R$ 500 milhões. Seu faturamento por aqui bate em R$ 55,7 milhões – um troco na fortuna de Belmiro. “Ele é rei em Portugal.
Mas aqui no Brasil é só mais um investidor português”, diz o consultor da PT. “Ele
sentiu falta do tapete vermelho no Brasil”. A melhor definição do homem mais rico de Portugal partiu de um analista brasileiro: “Ele tem o poder financeiro de Antônio Ermírio de Moraes, a influência política de Jorge Gerdau, a auto-suficiência de Abílio Diniz e o estilo de negociação de Daniel Dantas.”
Belmiro tem até o dia 26 para formalizar sua proposta. A partir daí, o conselho da PT teria oito dias para aceita-la ou não. Em sua ofensiva, Belmiro apelou para o espírito patriótico dos lusitanos. Com ele, diz, a PT ficaria em mãos portuguesas, livrando-se das garras de uma possível ofensiva espanhola por parte da
Telefonica. Curioso! Belmiro recorreu a empréstimos do espanhol Santander para fazer a proposta. E sua empresa de telefonia, a Optimus, é parceria da France Telecom. Na quinta-feira 9, surgiram rumores de que o Banco Espírito Santo (dono de 8,4% da PT) poderia financiar grupos portugueses interessados em fazer uma proposta de mais de US$ 13 bilhões pelo controle da PT. Façam suas apostas.
por joaquim castanheira e darcio oliveira para a isto é dinheiro.
o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência. comunicação, marketing, publicidade, jornalismo, política. crítica de cultura e idéias. assuntos quentes tratados sem assopro. bem vindo, mas cuidado para não se queimar. em último caso, bom humor é sempre melhor do que pomada de cacau.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
dichionário
belmiro, passou o maior perrengue no brasil. não sabia ele que brasil não é país para amadores. mesmo que sejam raposas velhas. resultado: sambou legal sem nunca ter sambado. sambar, no sentido de sambou. sambou legal, quer dizer: deu-se mal, passou do ponto. derrapou.
meteu-se numa lhada sem tamanho. perrengue é um problema, uma encrenca, uma dificuldade. alhada é uma fria, quase um beco sem saída, com suas operações no brasil.
por conta disso, ganhou aversão, ojeriza, antojo ou entojo ao brasil e quer se vingar da pior maneira. que é da maneira como ele se vinga à portuguesa. o que funciona em portugal, quando se é o rei, o homem mais rico do país, mas por aqui, reis perdem a majestade. e viram tema de carnaval como furibundos, palavra que existe no dicionário nos dois lados do atlãntico
belmiro é um grunho. dizem outros, nunca deixou de ser pato-bravo. e, uns mais ousados ou desafetos do self-made-man, que é um morcão, apesar de toda riqueza que não se lhe discute o mérito, já os métodos...
um grunho seria um tapado, um grosso. pato bravo dizem de muito noveau riche. aliás, mercedes em portugal, o carro, para além de ser taxi, durante muito tempo quase exclusividade - que grande paradoxo, um dos países mais pobres da europa, usava como táxi o benz, enquanto nós íamos de fusca- é também carro de pato bravo, ou “engenheiro”, pelo menos alguns modelos de gama media. isso dito, no mínimo de forma chistosa. e morcão, digo eu, é um grunho à moda do porto, meio babaca, meio bundão.
babaca é um idiota, bobão, meio por sobre o auto-suficiente. o bundão, é um zé-mané, vai do frouxo ao covarde, passando pelo vacilão. ambos costumam ser metidos a chico-esperto, o que no brasil equivale a malandro-agulha. aquele que quer dar tanta volta nos outros, que acaba enredado. volta, pode ser dar o calote, enrolar os outros com procedimentos pra lá de malandro dos bons tempos – hoje não temos mais malandros, a bandidagem acabou com os malandros tinham uma certa decência.
não acho que belmiro seja bundão, tão pouco babaca ou morcão. muito pelo contrário. afinal a sua história revela tino e obstinação. mas belmiro pisou no tomate se esperava tapete vermelho no brasil.
gama média é um carro de preço e apetrechos medianos. um carro topo de gama é o que chamamos de topo de linha no brasil.
belmiro, como empresário, em portugal é topo de gama. no brasil, dê-se por contente em ser de gama média.
no fundo ele ficou chateado porque a wal-mart o tratou nem como isso. o que para a wal, é verdadeiramente o que ele é.
coisas do jogo que ele está acostumado a jogar em portugal. só que lá ele dá as cartas. no brasil não tem cacife.
meteu-se numa lhada sem tamanho. perrengue é um problema, uma encrenca, uma dificuldade. alhada é uma fria, quase um beco sem saída, com suas operações no brasil.
por conta disso, ganhou aversão, ojeriza, antojo ou entojo ao brasil e quer se vingar da pior maneira. que é da maneira como ele se vinga à portuguesa. o que funciona em portugal, quando se é o rei, o homem mais rico do país, mas por aqui, reis perdem a majestade. e viram tema de carnaval como furibundos, palavra que existe no dicionário nos dois lados do atlãntico
belmiro é um grunho. dizem outros, nunca deixou de ser pato-bravo. e, uns mais ousados ou desafetos do self-made-man, que é um morcão, apesar de toda riqueza que não se lhe discute o mérito, já os métodos...
um grunho seria um tapado, um grosso. pato bravo dizem de muito noveau riche. aliás, mercedes em portugal, o carro, para além de ser taxi, durante muito tempo quase exclusividade - que grande paradoxo, um dos países mais pobres da europa, usava como táxi o benz, enquanto nós íamos de fusca- é também carro de pato bravo, ou “engenheiro”, pelo menos alguns modelos de gama media. isso dito, no mínimo de forma chistosa. e morcão, digo eu, é um grunho à moda do porto, meio babaca, meio bundão.
babaca é um idiota, bobão, meio por sobre o auto-suficiente. o bundão, é um zé-mané, vai do frouxo ao covarde, passando pelo vacilão. ambos costumam ser metidos a chico-esperto, o que no brasil equivale a malandro-agulha. aquele que quer dar tanta volta nos outros, que acaba enredado. volta, pode ser dar o calote, enrolar os outros com procedimentos pra lá de malandro dos bons tempos – hoje não temos mais malandros, a bandidagem acabou com os malandros tinham uma certa decência.
não acho que belmiro seja bundão, tão pouco babaca ou morcão. muito pelo contrário. afinal a sua história revela tino e obstinação. mas belmiro pisou no tomate se esperava tapete vermelho no brasil.
gama média é um carro de preço e apetrechos medianos. um carro topo de gama é o que chamamos de topo de linha no brasil.
belmiro, como empresário, em portugal é topo de gama. no brasil, dê-se por contente em ser de gama média.
no fundo ele ficou chateado porque a wal-mart o tratou nem como isso. o que para a wal, é verdadeiramente o que ele é.
coisas do jogo que ele está acostumado a jogar em portugal. só que lá ele dá as cartas. no brasil não tem cacife.
à seco
as notas sobre vinhos publicadas nas quartas ah portuguêsa agora são publicadas no foodsequiser.blogspot.com que é atualizado semanalmente.
por aqui, de líquido agora, só a cachaça de sempre.
por aqui, de líquido agora, só a cachaça de sempre.
visto de saída
precisamos esquecer o brasil!
tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
o brasil não nos quer. está farto de nós.
nenhum brasil existe. E por acaso existem os brasileiros ?
drummond – brejo das almas
tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
o brasil não nos quer. está farto de nós.
nenhum brasil existe. E por acaso existem os brasileiros ?
drummond – brejo das almas
terça-feira, fevereiro 14, 2006
conar
a publicidade só não é a melhor profissão do mundo, porque nela caráter, inteligência e responsabilidade, nem sempre são imprescindíveis.
mas também já é querer demais pedir tudo isso num anúncio, não ?
mas também já é querer demais pedir tudo isso num anúncio, não ?
as frases podem tudo
O poder das frases é quase o mesmo de uma estocada certeira ou um tiro, com largas vantagens. Se for das boas, a lâmina da frase deixa sua lembrança para sempre na carne da memória. Em relação ao tiro, a
frase prescinde do escandaloso estampido, da inconveniência da pólvora e da aparência repulsiva do sangue. Só palavras. No meio da testa.
É por essas e outras que há frases que a gente guarda pra sempre, queira ou não queira. O sujeito vai no banheiro, ela vai atrás. Não sai na urina nem vai aos pés. O sujeito vai pra cama, ela vem que nem amante no cio. O sujeito sonha, ela surge tipo presságio. Frase
boa gruda no sujeito, que nem verbo de ligação.
Em Bonitinha mas ordinária, do bravíssimo Nelson Rodrigues, tem uma frase repetidamente citada do início ao fim. É o verdadeiro lema dos mineros. Quem lia Paulo Francis, no século passado, podia não concordar com ele, mas como não se divertir com a mistura de sarcasmo, deboche e plutônio num mesmo petardo. Só uma dele, pra matar a saudade rindo e muito: Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo. (E sem aspas nas citações, por favor.) Diogo Mainardi segue seus passos à risca. Ofensas curtas e grossas, uma atrás da outra, de preferência injustas, até acertar uma pérola nos textículos do adversário. Uma pérola do tamanho de uma bola de
boliche. Macartistas adoram o exagero. Frasistas, também.
Aliás, a palavra não aparece no Aurélio. Frasista é o cara que faz as ditas cujas. E não são poucos. Formam uma legião universal. Bilhões de citações sendo arremessadas sem papas na língua. Mas, para sintetizar, o rei da síntese. Millôr Definitivo, o livro, é a bíblia das frases em português. Todo metido a criador de orações
provocativas tem que jurar com a mão em cima. Viver é desenhar sem borracha. Sexo causa gente. Bons tempos aqueles em que o faroeste era nos Estados Unidos. Feliz é o que você vai perceber que era, algum tempo depois. Todos os países são difíceis de governar. Só o
Brasil é impossível. Roube hoje! Amanhã pode ser ilegal. Por aí.
Duailibi tem o seu famoso Phrase Book. Frases que, segundo ele, cutucam a criação. Deus não tinha phrase book, mas o melhor frasista de todos os tempos como dupla.
Ruy Castro fez uma série de livros só com elas. O melhor do mau humor foi o primeiro. Sim, porque grande parte das frases são filhas adúlteras do mau humor. O mau humor incentiva muito mais a criação do que o bom. Este é bom pra pele. Aquele, para as vísceras. Juremir soltou uma nada acadêmica: Chico Buarque é o Felipe Dylon das quarentonas. E foi o Verissimo quem disse: Só acredito no que possa tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
Tem a famosa perco o amigo, mas não perco a piada, que mostra uma outra faceta das frases. Piada condensada. Não precisa ir até o menu. Tecla shift. A tecla aí é meramente ilustrativa. E como se faz a frase de uma palavra só, como o samba?
E o que dizer do epitáfio, a última frase, que fica lá no mármore provocando gargalhadas e lágrimas entre flores esquecidas?
Frases soltas, oba, coisa boa. Frases boas compõem diálogos inesquecíveis. Estão fazendo falta em nossos spots. Talvez os redatores de hoje não acreditem no poder criativo e rejuvenescedor
do mau humor. Ou os que estão por sobre eles, no coito diário da criação.
Por falar nisso, a publicidade está abandonando as boas frases, os títulos, sacadas. Os textos têm ido parar na frente do pelotão de fuzilamento das imagens. Lamentável.
As frases estão em todos os lugares. O sujeito vai no mercado da esquina e de repente uma delas surge do meio das bananas. Mas ainda tem propaganda que imita a vida, embora boa parte dela prefira copiar a Archive. Nada contra a grande publicação alemã, mas como uma frase puxa a outra e por falar em Alemanha, lembramos
o irrelevante futebol: frase é drible. Ronaldinho, grande frasista. Pelé-Maradona.
Orações provocativas substantivas adjetivadas, do André Martins.
frase prescinde do escandaloso estampido, da inconveniência da pólvora e da aparência repulsiva do sangue. Só palavras. No meio da testa.
É por essas e outras que há frases que a gente guarda pra sempre, queira ou não queira. O sujeito vai no banheiro, ela vai atrás. Não sai na urina nem vai aos pés. O sujeito vai pra cama, ela vem que nem amante no cio. O sujeito sonha, ela surge tipo presságio. Frase
boa gruda no sujeito, que nem verbo de ligação.
Em Bonitinha mas ordinária, do bravíssimo Nelson Rodrigues, tem uma frase repetidamente citada do início ao fim. É o verdadeiro lema dos mineros. Quem lia Paulo Francis, no século passado, podia não concordar com ele, mas como não se divertir com a mistura de sarcasmo, deboche e plutônio num mesmo petardo. Só uma dele, pra matar a saudade rindo e muito: Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo. (E sem aspas nas citações, por favor.) Diogo Mainardi segue seus passos à risca. Ofensas curtas e grossas, uma atrás da outra, de preferência injustas, até acertar uma pérola nos textículos do adversário. Uma pérola do tamanho de uma bola de
boliche. Macartistas adoram o exagero. Frasistas, também.
Aliás, a palavra não aparece no Aurélio. Frasista é o cara que faz as ditas cujas. E não são poucos. Formam uma legião universal. Bilhões de citações sendo arremessadas sem papas na língua. Mas, para sintetizar, o rei da síntese. Millôr Definitivo, o livro, é a bíblia das frases em português. Todo metido a criador de orações
provocativas tem que jurar com a mão em cima. Viver é desenhar sem borracha. Sexo causa gente. Bons tempos aqueles em que o faroeste era nos Estados Unidos. Feliz é o que você vai perceber que era, algum tempo depois. Todos os países são difíceis de governar. Só o
Brasil é impossível. Roube hoje! Amanhã pode ser ilegal. Por aí.
Duailibi tem o seu famoso Phrase Book. Frases que, segundo ele, cutucam a criação. Deus não tinha phrase book, mas o melhor frasista de todos os tempos como dupla.
Ruy Castro fez uma série de livros só com elas. O melhor do mau humor foi o primeiro. Sim, porque grande parte das frases são filhas adúlteras do mau humor. O mau humor incentiva muito mais a criação do que o bom. Este é bom pra pele. Aquele, para as vísceras. Juremir soltou uma nada acadêmica: Chico Buarque é o Felipe Dylon das quarentonas. E foi o Verissimo quem disse: Só acredito no que possa tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.
Tem a famosa perco o amigo, mas não perco a piada, que mostra uma outra faceta das frases. Piada condensada. Não precisa ir até o menu. Tecla shift. A tecla aí é meramente ilustrativa. E como se faz a frase de uma palavra só, como o samba?
E o que dizer do epitáfio, a última frase, que fica lá no mármore provocando gargalhadas e lágrimas entre flores esquecidas?
Frases soltas, oba, coisa boa. Frases boas compõem diálogos inesquecíveis. Estão fazendo falta em nossos spots. Talvez os redatores de hoje não acreditem no poder criativo e rejuvenescedor
do mau humor. Ou os que estão por sobre eles, no coito diário da criação.
Por falar nisso, a publicidade está abandonando as boas frases, os títulos, sacadas. Os textos têm ido parar na frente do pelotão de fuzilamento das imagens. Lamentável.
As frases estão em todos os lugares. O sujeito vai no mercado da esquina e de repente uma delas surge do meio das bananas. Mas ainda tem propaganda que imita a vida, embora boa parte dela prefira copiar a Archive. Nada contra a grande publicação alemã, mas como uma frase puxa a outra e por falar em Alemanha, lembramos
o irrelevante futebol: frase é drible. Ronaldinho, grande frasista. Pelé-Maradona.
Orações provocativas substantivas adjetivadas, do André Martins.
talento e coisa parecida não se misturam
1.O dono da agência estava desolado. Recebeu, com a maior pompa de que foi capaz, o novo diretor de marketing do cliente. Passeou com ele pela agência, mostrou como ela está bem instalada, demonstrou que possui equipamento de última geração, e nada: o ilustre visitante limitou-se a observar – “e a sua equipe? Quero conhece-la.”
O dono da agência ainda tentou desconversar. Há dias fizera – como, aliás, era seu hábito – uma “limpeza” na agência. Botou quase todo mundo na rua, e ainda estava tentando contratar. O que não era fácil, porque todo mundo sabia o que, periodicamente, ocorria por ali.
O diretor de marketing insistiu: “cadê o diretor de criação? Quero cumprimenta-lo. Tem feito um excelente trabalho pra mim.”
O dono da agência não pode atender: o elogiado criativo também tinha sido demitido. O diretor de marketing ouviu uma explicação qualquer – que explicava mas não justificava.
A visita terminou em um ambiente gelado. A relação cliente-agência começava a ser interrompida ali.
2. Uma notícia surpreendeu, recentemente, o mundo dos negócios: a Disney comprou, por 7,4 bilhões de dólares, a Pixar, do lendário Steve Jobs. Duas outras surpresas ocorreram quando mais detalhes do negócio foram revelados: Jobs, apesar de vendedor, passou a ser sócio,com 6% das ações da Disney; e assumiu a chefia da área de animação dessa empresa.
É bom lembrar: a Disney possui parques temáticos, redes de televisão (ABC e ESPN, inclusive) , emissoras de rádio, estrutura estúdio de animação, para distribuição de filmes e produtos derivados, além de uma fantástica imagem que começa a ser arranhada pelo fraco desempenho da empresa e um faturamento anual de 30 bilhões de dólares. Perto dela, a Pixar era uma anã: tinha apenas um estúdio que faturou ano passado 273 milhões de dólares.
3. Se é assim, o que levou a poderosa Disney a desembolsar 7,4 bilhões de dólares, tornar Jobs dono de parte das ações da empresa e ainda nomeá-lo chefe da área de animação?
Talento.
Talento que, infelizmente, boa parte dos donos de agência menospreza ao remunerar mal quem o tem e, em muitos casos, a demitir de forma indiscriminada. E que, por isso, perdem excelentes negócios.
Talento que Jobs considera tão importante que já determinou: a Pixel passa a ser da Disney, mas as equipes de uma e outra não se misturam. Trabalharão separadamente, porque é preciso permanecer imaculado.
e o talento engoliu a tecnologia, do eloy simões
O dono da agência ainda tentou desconversar. Há dias fizera – como, aliás, era seu hábito – uma “limpeza” na agência. Botou quase todo mundo na rua, e ainda estava tentando contratar. O que não era fácil, porque todo mundo sabia o que, periodicamente, ocorria por ali.
O diretor de marketing insistiu: “cadê o diretor de criação? Quero cumprimenta-lo. Tem feito um excelente trabalho pra mim.”
O dono da agência não pode atender: o elogiado criativo também tinha sido demitido. O diretor de marketing ouviu uma explicação qualquer – que explicava mas não justificava.
A visita terminou em um ambiente gelado. A relação cliente-agência começava a ser interrompida ali.
2. Uma notícia surpreendeu, recentemente, o mundo dos negócios: a Disney comprou, por 7,4 bilhões de dólares, a Pixar, do lendário Steve Jobs. Duas outras surpresas ocorreram quando mais detalhes do negócio foram revelados: Jobs, apesar de vendedor, passou a ser sócio,com 6% das ações da Disney; e assumiu a chefia da área de animação dessa empresa.
É bom lembrar: a Disney possui parques temáticos, redes de televisão (ABC e ESPN, inclusive) , emissoras de rádio, estrutura estúdio de animação, para distribuição de filmes e produtos derivados, além de uma fantástica imagem que começa a ser arranhada pelo fraco desempenho da empresa e um faturamento anual de 30 bilhões de dólares. Perto dela, a Pixar era uma anã: tinha apenas um estúdio que faturou ano passado 273 milhões de dólares.
3. Se é assim, o que levou a poderosa Disney a desembolsar 7,4 bilhões de dólares, tornar Jobs dono de parte das ações da empresa e ainda nomeá-lo chefe da área de animação?
Talento.
Talento que, infelizmente, boa parte dos donos de agência menospreza ao remunerar mal quem o tem e, em muitos casos, a demitir de forma indiscriminada. E que, por isso, perdem excelentes negócios.
Talento que Jobs considera tão importante que já determinou: a Pixel passa a ser da Disney, mas as equipes de uma e outra não se misturam. Trabalharão separadamente, porque é preciso permanecer imaculado.
e o talento engoliu a tecnologia, do eloy simões
claro como água sanitária
A mensagem parece clara - os brasileiros de baixa renda também possuem um alto nível de desejo associado ao consumo, assim como os de melhor poder aquisitivo.
em artigo do luiz marinho, hoje no bluebus sobre cartões de crédito.
faltou dizer que estes mesmos brasileiros também tem ou podem ter um alto nível de decodificação das mensagens publicitárias. agora, se os emissores das mensagens os consideram indigentes a tal ponto que só mereçam cartões e cartelas - e sua lógica, extendida a outros movimentos - e não crédito para responderam a outras mensagens, temos 64% de contigente economicamente ativo tratados pela maioria dos publicitários como estúpidos e sem direito a trôco.
sorte dos publicitários. mas até quando ?
em artigo do luiz marinho, hoje no bluebus sobre cartões de crédito.
faltou dizer que estes mesmos brasileiros também tem ou podem ter um alto nível de decodificação das mensagens publicitárias. agora, se os emissores das mensagens os consideram indigentes a tal ponto que só mereçam cartões e cartelas - e sua lógica, extendida a outros movimentos - e não crédito para responderam a outras mensagens, temos 64% de contigente economicamente ativo tratados pela maioria dos publicitários como estúpidos e sem direito a trôco.
sorte dos publicitários. mas até quando ?
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
play the game
propaganda, d´après los hermanos, a gente faz é brincando. que é a coisa mais séria da vida.
fazê-la a sério, é brincadeira.
de mau gôsto. e só.
fazê-la a sério, é brincadeira.
de mau gôsto. e só.
rga, sinapro e abap: o rescaldo das malas correntes
no site da One/WG, www.onewg.com.br , uma das grandes de florianópolis, com trabalho de qualidade e efetividade reconhecido nacionalmente, no capítulo quem somos, encontramos:
Nossos princípios:
1 - Uma agência onde o cliente pode negociar a mídia diretamente como veículo.
Aqui na one/wg, nós cuidamos do dinheiro do cliente como se ele fosse nosso. o compromisso que nós assumimos é fazer sempre a melhor negociação, buscando otimizar da melhor forma possível o investimento na mídia. mas, em última análise, o dinheiro não é nosso. Por isso, nós consideramos natural que um cliente queira fazer esta negociação e conduzir pessoalmente a compra do seu espaço publicitário. Isso é transparência. Isso é comprometimento com o resultado. Isso é One/WG.
2- Uma agência onde o cliente pode escolher o seu fornecedor e negociar diretamente com ele.
Confiança é a palavra-chave. Quando um cliente pôe o seu dinheiro na mão de um fornecedor. Por isso, aqui na One/WG, nós não temos qualquer objeção em trabalhar com os fornecedores que nossos clientes recomendam. Afinal, se um cliente considera que nós somos a agência certa para ele, nos acreditamos que, no mínimo, ele sabe
escolher bem os parceiros que vão trabalhar a sua comunicação.
3 - Uma agência onde o cliente pode decidir a melhor forma de remuneração.
A One/WG é uma agência totalmente voltada para o resultado de seus clientes. E a a maior prova disso é que ele oferece uma forma de remuneração em que a agência só ganha se o seu trabalho gerar resultados. Em outras palavras: nós confiámos tanto em nosso trabalho que assumimos o risco junto com nossos clientes. Esta é uma forma de parceria mais autêntica e transparente que uma agência poderia oferecer.
como se vê, o imbróglio criado em torno do "anúncio" da RGA é coisa de cafuçú. de quem tem rabo preso: agência que aceita fee de shopping em valores alí pelos mil e poucos reais tem por acaso algum compromisso com a manutenção do negócio difícil(sic!) ? e os que nem isso cobram? e quem foi que mandou a lei 4.680 pro cacete em pernambuco? não foram os mesmos que hoje choram lágrimas de crocodilo. ora façam-me o favor. balancem a pança mas não chorem a comilança.
num mercado onde competência em diferenciação não é requisito indispensável para o estabelecimento no negócio da comunicação de marketing de marcas - isso se o negócio fosse esse, porque o negócio mesmo é de tráfico de espaço - a única competência que se vê é nos lobbys, nos arranjadinhos, nas chorumelas, nos aparecimentos nas colunas sociais, em dumpings. isso há, e muita. esbanjada até nao mais ver. causa por isso mesmo do rangir de dentes a menor possibilidade que os atemoriza.
à grita em relação a RGA é deveras sintomática. é o status cú torando alfinete pensando que é prego, por muito, muito pouco. afinal, como se vê, não há diferenciação nenhuma no que a RGA propôs enquanto discurso de prospect.
por outro lado, se todo mundo então é tão competente assim, que medo é este de três mosqueteiros que nem d´ artagnan ao seu lado tem ? pra quê o chilique, o pití ?
se a One/WG ou outra qualquer se estabelecesse aqui e publicasse seus princípios, a sinapro e abap iam contratar capangas para abatê-los ?
é só o que falta. o mercado, que não é de maomé, é uma caricatura, porque nele aconteçem coisas de deixar os cabelos em pé. e que não são as chorumelas listas.
ao fim ao cabo, tout est bien qui finit bien , um convite para a RGA sentar-se na academia e afiliar-se à sua parte.
comovente: qual seria a trilha, senta aqui, do fábio júnior ?
Nossos princípios:
1 - Uma agência onde o cliente pode negociar a mídia diretamente como veículo.
Aqui na one/wg, nós cuidamos do dinheiro do cliente como se ele fosse nosso. o compromisso que nós assumimos é fazer sempre a melhor negociação, buscando otimizar da melhor forma possível o investimento na mídia. mas, em última análise, o dinheiro não é nosso. Por isso, nós consideramos natural que um cliente queira fazer esta negociação e conduzir pessoalmente a compra do seu espaço publicitário. Isso é transparência. Isso é comprometimento com o resultado. Isso é One/WG.
2- Uma agência onde o cliente pode escolher o seu fornecedor e negociar diretamente com ele.
Confiança é a palavra-chave. Quando um cliente pôe o seu dinheiro na mão de um fornecedor. Por isso, aqui na One/WG, nós não temos qualquer objeção em trabalhar com os fornecedores que nossos clientes recomendam. Afinal, se um cliente considera que nós somos a agência certa para ele, nos acreditamos que, no mínimo, ele sabe
escolher bem os parceiros que vão trabalhar a sua comunicação.
3 - Uma agência onde o cliente pode decidir a melhor forma de remuneração.
A One/WG é uma agência totalmente voltada para o resultado de seus clientes. E a a maior prova disso é que ele oferece uma forma de remuneração em que a agência só ganha se o seu trabalho gerar resultados. Em outras palavras: nós confiámos tanto em nosso trabalho que assumimos o risco junto com nossos clientes. Esta é uma forma de parceria mais autêntica e transparente que uma agência poderia oferecer.
como se vê, o imbróglio criado em torno do "anúncio" da RGA é coisa de cafuçú. de quem tem rabo preso: agência que aceita fee de shopping em valores alí pelos mil e poucos reais tem por acaso algum compromisso com a manutenção do negócio difícil(sic!) ? e os que nem isso cobram? e quem foi que mandou a lei 4.680 pro cacete em pernambuco? não foram os mesmos que hoje choram lágrimas de crocodilo. ora façam-me o favor. balancem a pança mas não chorem a comilança.
num mercado onde competência em diferenciação não é requisito indispensável para o estabelecimento no negócio da comunicação de marketing de marcas - isso se o negócio fosse esse, porque o negócio mesmo é de tráfico de espaço - a única competência que se vê é nos lobbys, nos arranjadinhos, nas chorumelas, nos aparecimentos nas colunas sociais, em dumpings. isso há, e muita. esbanjada até nao mais ver. causa por isso mesmo do rangir de dentes a menor possibilidade que os atemoriza.
à grita em relação a RGA é deveras sintomática. é o status cú torando alfinete pensando que é prego, por muito, muito pouco. afinal, como se vê, não há diferenciação nenhuma no que a RGA propôs enquanto discurso de prospect.
por outro lado, se todo mundo então é tão competente assim, que medo é este de três mosqueteiros que nem d´ artagnan ao seu lado tem ? pra quê o chilique, o pití ?
se a One/WG ou outra qualquer se estabelecesse aqui e publicasse seus princípios, a sinapro e abap iam contratar capangas para abatê-los ?
é só o que falta. o mercado, que não é de maomé, é uma caricatura, porque nele aconteçem coisas de deixar os cabelos em pé. e que não são as chorumelas listas.
ao fim ao cabo, tout est bien qui finit bien , um convite para a RGA sentar-se na academia e afiliar-se à sua parte.
comovente: qual seria a trilha, senta aqui, do fábio júnior ?
independência é morte ?
não é bem assim não. no contexto de globo, achatado, mais globalizado, a cantoria é que agências independentes não podem dar o grito de independência ou morte, porque morrem.
por um lado, multis como lowe, começam a enxugar e reduzir suas unidades em busca de uma eficiência operacional criativa, libertando-se do jugo da standartização. caminho inverso é feito quando o grupo wpp, compra a sra.rushmore(já recomendei um pulinho ao site - www.srarushomore.com) para agregar espírito indomável? a seu portfólio de agências( a sra.rushmore papou a conta da coca-cola nas olímpiadas de barcelona).
ainda assim, ainda não, independentes ou "hot-shops", não deixam de ser independentes, mesmo quando se aproximam, demais, de clientes tido como austeros e conservadores como a procter & gamble. será que jã não se fazem mais conservadores como antigamente - só mesmo no nordeste ? - bom, chorar eles choram como ninguém. trabalhar que é bom...
o fato é que a independente "Wieden & Kennedy ganhou mais um pedaço da conta da Procter & Gamble, linha Old Spice. Desde junho passado, ela já atendia a linha Eukanuba e um projeto de Ivory para o Canadá. Com essa adição, a agência com sede em Portland passa a ter uma participação importante junto ao maior anunciante do mundo. Outro aspecto relevante dessa operação é que a parte de planejamento e compra de mídia nos Estados Unidos também ficou a Wieden, revertendo a política dominante de gestão de mídia da P&G."
enquanto tem gente que vende a mãe e passa recibo para crescer, inchar ou sei lá o quê, gente tem ainda que prefere a qualidade a quantidade e, ao contrário de muita lágrima de crocodilo, vai bem com seus vinténs.
é só não querer bmw e land rover no estacionamento, casas de campo, praia e inverno, e amantes que achem que os melhores amigos de uma mulher são diamantes.
a melhor amiga da propaganda ainda é a criatividade mesmo quando ela usa um certo sapatinho de salto alto (tem gente que pensa que a croisette é aqui).
por um lado, multis como lowe, começam a enxugar e reduzir suas unidades em busca de uma eficiência operacional criativa, libertando-se do jugo da standartização. caminho inverso é feito quando o grupo wpp, compra a sra.rushmore(já recomendei um pulinho ao site - www.srarushomore.com) para agregar espírito indomável? a seu portfólio de agências( a sra.rushmore papou a conta da coca-cola nas olímpiadas de barcelona).
ainda assim, ainda não, independentes ou "hot-shops", não deixam de ser independentes, mesmo quando se aproximam, demais, de clientes tido como austeros e conservadores como a procter & gamble. será que jã não se fazem mais conservadores como antigamente - só mesmo no nordeste ? - bom, chorar eles choram como ninguém. trabalhar que é bom...
o fato é que a independente "Wieden & Kennedy ganhou mais um pedaço da conta da Procter & Gamble, linha Old Spice. Desde junho passado, ela já atendia a linha Eukanuba e um projeto de Ivory para o Canadá. Com essa adição, a agência com sede em Portland passa a ter uma participação importante junto ao maior anunciante do mundo. Outro aspecto relevante dessa operação é que a parte de planejamento e compra de mídia nos Estados Unidos também ficou a Wieden, revertendo a política dominante de gestão de mídia da P&G."
enquanto tem gente que vende a mãe e passa recibo para crescer, inchar ou sei lá o quê, gente tem ainda que prefere a qualidade a quantidade e, ao contrário de muita lágrima de crocodilo, vai bem com seus vinténs.
é só não querer bmw e land rover no estacionamento, casas de campo, praia e inverno, e amantes que achem que os melhores amigos de uma mulher são diamantes.
a melhor amiga da propaganda ainda é a criatividade mesmo quando ela usa um certo sapatinho de salto alto (tem gente que pensa que a croisette é aqui).
propaganda institucional
voudejeg.blogspot.com
o blog para quem gosta de carros além das quatro rodas
atualizado neste domingo. o voudejeg é atualizado uma vez por semana para não causar superaquecimento.
foodsequiser.blogspot.com
o blog do fast food, slow food & food tudo
também atualizado neste domingo.
o foodsequiser é atualizado uma vez por semana para não dar indigestão.
o misterwalk.blogspot.com
o blog que coleciona joanetes em busca da reflexologia podal
é atualizado diariamente. assim como o cemgrauscelsius.blogspot
o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência.
estes são atualizados diariamente sem razão aparentemente maior que as aparências.
e em breve, o blog para quem gosta de sexo de graça sem ter de pagar por isto.
então, aproveitem enquanto dura.
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domingo, fevereiro 12, 2006
histórias que nossos papás não contam
a história do brasil não é a mesma no paraguai.
millor fernandes
millor fernandes
o tempo não pára
quando reservei parte dos domingos para incrustar no cemgrauscelsius uma produção jornalísitica descontínua e outsider, como sempre o fui e, auto-condenando-me, serei, temia pela desatualização dos textos. além do peso dos artigos de fundo. estes que contrariam a lógica blogueira das estocadas curtas e leves. encontráveis no misterwalk.blogspot.com e aqui raramente presentes. e que pelo peso em muito dos arquivos não sei se mais palatável durante a semana ou se no domingo, " dia consagrado à preguiça ". o peso e característica vertical do cemgrauscelsius, algodão doce aqui você não encontra, não me preocupam tanto, é dna do endereço. mas a desatualização sim.
de certo modo, preço a pagar pelo registro particular daquelas páginas de jornal que me custaram um pouco da juventude etária. escritas num tempo onde frases tortas podiam dar em torturas, e que se deterioram nos meus arquivos e também no arquivo muncipal do recife. que sabe-se lá como resiste ele, e seu acervo ao tempo, espero bem que melhor do que eu.
estava enganado ao que parece, quando por exemplo, releio o texto de hoje, bem como os de outros. continuamos com mortes no campo e trabalho escravo ( e a imprensa, acobertando nomes); é preciso que chavez – este e o outro – nos venha ensinar quem é abreu e lima e sua importância – já que nem na cidade a quem deu o nome sabem quem é, e que foi – continuamos com corrupção em altos escalões. o personagem corruptus do jô soares consegue ser mais atual do que o programa. e uma miríade em série de fatos e acontecimentos que culminam desde a incerteza de quem realmente pisou-nos primeiro(cabral ou pinzón?) a degradação do ensino, cujos livros continuam impregnados de lorotas oficiais.
isto posto, dão-me a triste impressão de que quase nada mudou. que os textos continuam atuais. e que muito do que mudou, mudou pra muito pior. o que me dá uma ferida em cortes de não poder mudar naquilo que sou pois o tempo também não colabora para que eu me torne um sujeito, como direi, mais acessível ?
se o tempo não pára, por certo, o trem da história fez baldeação e não trocou os vagões.
continuamos nós, como lenha, a impulsionar a maria fumaça. que arfa dormente a dormente num rasgo de força enquanto nos garfa ?
bom domingo — o que quer dizer mesmo isso ? mesmo no que ele tenha de pior.
de certo modo, preço a pagar pelo registro particular daquelas páginas de jornal que me custaram um pouco da juventude etária. escritas num tempo onde frases tortas podiam dar em torturas, e que se deterioram nos meus arquivos e também no arquivo muncipal do recife. que sabe-se lá como resiste ele, e seu acervo ao tempo, espero bem que melhor do que eu.
estava enganado ao que parece, quando por exemplo, releio o texto de hoje, bem como os de outros. continuamos com mortes no campo e trabalho escravo ( e a imprensa, acobertando nomes); é preciso que chavez – este e o outro – nos venha ensinar quem é abreu e lima e sua importância – já que nem na cidade a quem deu o nome sabem quem é, e que foi – continuamos com corrupção em altos escalões. o personagem corruptus do jô soares consegue ser mais atual do que o programa. e uma miríade em série de fatos e acontecimentos que culminam desde a incerteza de quem realmente pisou-nos primeiro(cabral ou pinzón?) a degradação do ensino, cujos livros continuam impregnados de lorotas oficiais.
isto posto, dão-me a triste impressão de que quase nada mudou. que os textos continuam atuais. e que muito do que mudou, mudou pra muito pior. o que me dá uma ferida em cortes de não poder mudar naquilo que sou pois o tempo também não colabora para que eu me torne um sujeito, como direi, mais acessível ?
se o tempo não pára, por certo, o trem da história fez baldeação e não trocou os vagões.
continuamos nós, como lenha, a impulsionar a maria fumaça. que arfa dormente a dormente num rasgo de força enquanto nos garfa ?
bom domingo — o que quer dizer mesmo isso ? mesmo no que ele tenha de pior.
a inversão do genocídio no dever de casa
genocídio americano – a guerra do paraguai – júlio chiavennato – brasilense - segunda edição – 188 pp – Cr$ 130,00.
(texto disponível no hayquetenercojones.blogspot.com)
(texto disponível no hayquetenercojones.blogspot.com)
sábado, fevereiro 11, 2006
deus e o diabo na terra do marketing
Na fase do cinema brasileiro denominada Cinema Novo, o filme Deus e o diabo na terra do sol , do cineasta Glauber Rocha, aborda a dualidade entre o bem e o mal, onde os personagens ora representavam o Diabo, ora representavam Deus. Porém, todos tinham Deus e o Diabo dentro de si e externavam ambos em determinadas situações da trama, desenrolada em pleno sertão brasileiro.
Sim, mas o que isto tem haver com marketing? Lembrei do filme por conta de minhas inquietações a respeito da percepção das pessoas sobre marketing. Em conversas, assistindo a reportagens, lendo jornais e sites na internet, sempre me deparo com opiniões sobre o marketing que o distorcem de seus princípios básicos, geralmente, abordando o assunto por um único ponto de vista. E, na maioria das vezes, ele é tratado como o vilão da história – o mal.
Acontecimentos recentes divulgados pela imprensa colaboraram para que as atividades de marketing e publicidade fossem percebidas por grande parte da sociedade brasileira como "ferramentas do Diabo". Bem, quando não se conhece algo tende-se a generalizar seu entendimento por meio do pouco do que se já ouviu falar sobre ele. É o que aparentemente esta acontecendo com o marketing e seus instrumentos de ação, como a propaganda, as ações promocionais, o merchandising e demais aplicações mercadológicas. Geralmente, o estereotipo sobre o marketing que é mostrado pela grande mídia de massa ajuda a fortalecer essa percepção por parte da sociedade. Porém, pouco se percebe que o "marketing" existia bem antes da Revolução Industrial e que não é invenção do capitalismo, embora o capitalismo o tenha aprimorado.
O marketing, em sua essência, existe desde que o homem sentiu necessidade de consumir algo que não poderia coletar da natureza ou produzir; a partir desse momento o homem precisou procurar em sua aldeia ou tribo alguém que possuísse o que ele necessitava e então tentar suprimir essa necessidade, a princípio, por meio de um processo de troca, hoje em dia conhecida como permuta. Portanto, marketing tem haver com pessoas e suas necessidades de consumo.
Já na complexa sociedade contemporânea os processos de troca evoluíram, a territorialidade do consumo passou da pequena aldeia ao universo virtual. Dependendo do tipo de necessidade, o consumidor pode optar por comprar o que vai consumir na esquina de sua casa ou pela internet. As relações sociais e profissionais exigem que o homem contemporâneo desempenhe vários papeis, portanto, suas necessidades aumentaram em relação ao homem da aldeia.
Objetivo e ética
Como necessidades são problemas a serem resolvidos, as pessoas se servirão muito mais do marketing do que o consumidor de antigamente. Podemos concluir então que é praticamente impossível viver no mundo moderno sem o marketing. Tudo que está ao nosso redor, literalmente, é fruto de uma (ou mais) ação de marketing. Alguém ou alguma organização teve que identificar uma necessidade, estimar a demanda, desenvolver um produto ou serviço, fabricá-lo e comercializá-lo, para que ele esteja suprindo a nossa necessidade.
Por isso, torna-se inevitável a desmistificação do marketing como algo negativo, já que todos de uma forma ou outra se beneficiam dele. É importante que a sociedade perceba o lado positivo do marketing, sua contribuição para a sobrevivência de todos os tipos de organizações, ou será que organizações como o Greenpeace, a Cruz Vermelha, a Rede Feminina de Combate ao Câncer, a Caminhada da Fraternidade e Órgãos Governamentais não precisam planejar e executar ações de mercado voltadas para seu público-alvo?
Será que um profissional liberal de sucesso consegue prescindir de uma boa estratégia mercadológica? Assim como um avião que pode transportar pessoas em menos tempo e também ser arremessado contra um aranha-céu, matando milhares de seres inocentes, o marketing pode contribuir para o bem e para o mal, dependendo do objetivo e da ética de quem o pratique.
ricardo vernieri de alencar
(*) professor universitário, administrador e mestre em administração
os marqueteiros é que são grande problema do marketing. antes vendessem " banha de cobra" , as soluções ferramentadas em função de resultados que de antemão sabem discursivos ou não sabem paliativos como fazer para consegui-los. aliás, agora todo mundo é marqueteiro, com carteirinha de MBA. aí dá no que dá. menos empulhação, mas simplicidade. como diz o provérbio árabe; confia em alá, mas amarra teu camelo. o diabo é que os deuses nascem do estômago, ali, pertinho do bolso.
Sim, mas o que isto tem haver com marketing? Lembrei do filme por conta de minhas inquietações a respeito da percepção das pessoas sobre marketing. Em conversas, assistindo a reportagens, lendo jornais e sites na internet, sempre me deparo com opiniões sobre o marketing que o distorcem de seus princípios básicos, geralmente, abordando o assunto por um único ponto de vista. E, na maioria das vezes, ele é tratado como o vilão da história – o mal.
Acontecimentos recentes divulgados pela imprensa colaboraram para que as atividades de marketing e publicidade fossem percebidas por grande parte da sociedade brasileira como "ferramentas do Diabo". Bem, quando não se conhece algo tende-se a generalizar seu entendimento por meio do pouco do que se já ouviu falar sobre ele. É o que aparentemente esta acontecendo com o marketing e seus instrumentos de ação, como a propaganda, as ações promocionais, o merchandising e demais aplicações mercadológicas. Geralmente, o estereotipo sobre o marketing que é mostrado pela grande mídia de massa ajuda a fortalecer essa percepção por parte da sociedade. Porém, pouco se percebe que o "marketing" existia bem antes da Revolução Industrial e que não é invenção do capitalismo, embora o capitalismo o tenha aprimorado.
O marketing, em sua essência, existe desde que o homem sentiu necessidade de consumir algo que não poderia coletar da natureza ou produzir; a partir desse momento o homem precisou procurar em sua aldeia ou tribo alguém que possuísse o que ele necessitava e então tentar suprimir essa necessidade, a princípio, por meio de um processo de troca, hoje em dia conhecida como permuta. Portanto, marketing tem haver com pessoas e suas necessidades de consumo.
Já na complexa sociedade contemporânea os processos de troca evoluíram, a territorialidade do consumo passou da pequena aldeia ao universo virtual. Dependendo do tipo de necessidade, o consumidor pode optar por comprar o que vai consumir na esquina de sua casa ou pela internet. As relações sociais e profissionais exigem que o homem contemporâneo desempenhe vários papeis, portanto, suas necessidades aumentaram em relação ao homem da aldeia.
Objetivo e ética
Como necessidades são problemas a serem resolvidos, as pessoas se servirão muito mais do marketing do que o consumidor de antigamente. Podemos concluir então que é praticamente impossível viver no mundo moderno sem o marketing. Tudo que está ao nosso redor, literalmente, é fruto de uma (ou mais) ação de marketing. Alguém ou alguma organização teve que identificar uma necessidade, estimar a demanda, desenvolver um produto ou serviço, fabricá-lo e comercializá-lo, para que ele esteja suprindo a nossa necessidade.
Por isso, torna-se inevitável a desmistificação do marketing como algo negativo, já que todos de uma forma ou outra se beneficiam dele. É importante que a sociedade perceba o lado positivo do marketing, sua contribuição para a sobrevivência de todos os tipos de organizações, ou será que organizações como o Greenpeace, a Cruz Vermelha, a Rede Feminina de Combate ao Câncer, a Caminhada da Fraternidade e Órgãos Governamentais não precisam planejar e executar ações de mercado voltadas para seu público-alvo?
Será que um profissional liberal de sucesso consegue prescindir de uma boa estratégia mercadológica? Assim como um avião que pode transportar pessoas em menos tempo e também ser arremessado contra um aranha-céu, matando milhares de seres inocentes, o marketing pode contribuir para o bem e para o mal, dependendo do objetivo e da ética de quem o pratique.
ricardo vernieri de alencar
(*) professor universitário, administrador e mestre em administração
os marqueteiros é que são grande problema do marketing. antes vendessem " banha de cobra" , as soluções ferramentadas em função de resultados que de antemão sabem discursivos ou não sabem paliativos como fazer para consegui-los. aliás, agora todo mundo é marqueteiro, com carteirinha de MBA. aí dá no que dá. menos empulhação, mas simplicidade. como diz o provérbio árabe; confia em alá, mas amarra teu camelo. o diabo é que os deuses nascem do estômago, ali, pertinho do bolso.
quando meia garrafa valia uma vida inteira
quem não conhece ou conheceu paulo francis acha diogo mainardi o caramurú. é não. tá mais para cara de cú mesmo.
muito espaço pra pouco peido, o que é muito diferente dos petardos com inteligentzia, blefados ou não do franz, concordasse também você ou não.
na mesma época de francis, 75 kg de músculos e fúria - e bem mais do isso - saídos de porto alegre enchiam o rio via território de ipanema inventado o pasquim com assombro e rasgos de gênio do tempo que o jornalismo não é era esta bosta gasososa - e requentada, o que é muito pior, de agora.
"A maior revolução na imprensa, nos costumes, na sociedade e na linguagem que o brasileiro que sabe ler já viu foi o semanário "O Pasquim", invenção de Tarso de Castro concretizada com o apoio e talento de craques como Jaguar, Sérgio Cabral, Luis Carlos Maciel, Fortuna, Ziraldo,Paulo Francis e outros. O uso sem rodeios de expressões cretinas ou chulas nas colunas informativas é prerrogativa de Tarso de Castro; a reformulação da Folha Ilustrada, a criação do Folhetim e do Enfim, o renascimento da Careta e do Nacional são obras de Tarso de Castro; e, provavelmente, também Tarso de Castro tenha sido uma invenção febril de Tarso de Castro."
tarso de castro é o nome do cara que bebeu tudo o que podia, comeu todas que podia, e ainda fazia jornalismo contra tudo e contra todos, tornando-se" lenda do jornalismo de idéias e humor" com socos certeiros também em sentido literal. tom cardoso faz um livro sobre ele, pela planeta, e todos dizem que ficou devendo, que "tá mais pra perfil do que para biografia porque o cadáver tá recente", na dúvida vou ler de favor na cultura.
"Tarso, que nas palavras de Otto Lara Resende era o menos convencional dos homens e parecia ter um pacto com a felicidade, foi responsável pelo surgimento do único sopro criativo da imprensa brasileira na virada dos anos 60, O Pasquim. Recrutados praticamente todos em mesas de bar, Jaguar, Sergio Cabral, Ziraldo, Fortuna, Luiz Carlos Maciel, Paulo Francis, Paulo Rangel e Millôr Fernandes fizeram o que seria 'a piada do ano', na previsão furada de Millôr - um jornal feito só por jornalistas, e de humor, em pleno AI-5. 'O Pasquim era a revolução dentro da revolução. Ali se deflagram todos os movimentos. A revolução do jornalismo, a libertação do coloquial, a viabilização do esquerdismo, a libertação do humor e do feminismo, a explosão da contra-cultura, o desatamento do movimento gay. Era a imagem e semelhança de seu criador, Tarso de Castro', compara Tom Cardoso. Mas, assim como sua passagem pela Folha de S. Paulo, Zero Hora e pelos jornais que criou, como O Pasquim e Enfim, sua vida foi agitada mas curta. Durante anos, os amigos tentaram, inutilmente, convencê-lo a parar de beber. Luiz Carlos Maciel o levou ao Alcoólicos Anônimos (AA). Seu argumento para não freqüentar as reuniões foi convincente - 'prefiro a morte ao anonimato'. Palmério Doria pediu que ele parasse ao menos de beber de manhã. A resposta estava na ponta da língua - 'prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira a viver a vida inteira bebendo pela metade'. Na ultima internação, no Hospital das Clínicas, seduziu todas as enfermeiras e as convenceu - sabe-se lá como - de que era importante ele ter duas garrafas de uísque debaixo da cama. Em 1991, morreu vitima de cirrose hepática."
as putas, sabe o escritor, é que sabem das coisas
não é o melhor libro de garcia marquez, dizem, mas memória de minhas putas tristes, record, do gabriel, vale pela página em que o velho dialoga com a puta jovem após zelar por seu sono passagens inteiras. veja o trecho abaixo na resenha de paulo salles
escrita inexorável de um homem rondando os noventa anos como a morte lhe ronda na contra-dança ?
"A narrativa acompanha as reminiscências de um homem irremediavelmente solitário que, no aniversário de seus 90 anos, decide se dar de presente uma noite de amor com uma virgem. Jornalista ordinário, crítico de música de estilo antiquado e amante da atmosfera mundana dos prostíbulos, o personagem se insere no panteão de tipos sorumbáticos que habitam diversos romances de Márquez, sendo o principal deles Florentino Ariza, de O amor nos tempos do cólera, romance com o qual Memória de minhas putas tristes dialoga constantemente. Ambos empreendem um olhar delicado e afetivo sobre os labirintos da velhice. É quando o sexo se torna muitas vezes um fardo, e mesmo assim merece ser desfrutado. Quando a vida é feita de lembranças e se despe de sonhos.
Após entrar em contato com uma velha cafetina, Rosa Cabarcas, o velho consegue sua virgem. Mas a relação entre ambos é apenas de contemplação. A garota, nua, embrenha-se no breu do sono, e ele vela seus sonhos e pesadelos no recesso da alcova. São noites e noites observando os pés, o colo, os seios de adolescente de Degaldina. Até que, pela primeira vez em nove décadas de uma existência oca, apaixona-se inapelavelmente. Através dessa história singela e por vezes melancólica, Márquez faz uma ode ao ocaso.
Um trecho, já ao final do livro, é particularmente tocante: "Não resisti mais. Ela sentiu, viu meus olhos úmidos de lágrimas, e só então deve ter descoberto que eu já não era o que fui e sustentei seu olhar com uma coragem da qual nunca me achei capaz. É que estou ficando velho, disse a ela. Já ficamos, suspirou ela. Acontece que a gente não sente por dentro, mas de fora todo mundo vê". Impossível não vislumbrar, nos devaneios do nonagenário, pensamentos do próprio García Márquez, já às voltas com a proximidade da extinção.
Memória de minhas putas tristes poderia ser comparado a O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ambos são novelas escritas na maturidade, curtas e repletas de simbolismos. Não se ombreiam às obras-primas de seus respectivos autores, e de certa forma refletem suas obsessões. A luta do pescador Santiago contra o marlim gigante era uma metáfora da batalha - inglória e inútil - travada pelo próprio Hemingway contra a decadência física e a inspiração que se esvaía.
A obra de Márquez também medita sobre a derrocada do corpo, mas, ao contrário de Hemingway, o colombiano constrói uma parábola essencialmente otimista sobre o prazer de sobreviver a si mesmo. Como afirma, no parágrafo final, o velho jornalista: "Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos".
escrita inexorável de um homem rondando os noventa anos como a morte lhe ronda na contra-dança ?
"A narrativa acompanha as reminiscências de um homem irremediavelmente solitário que, no aniversário de seus 90 anos, decide se dar de presente uma noite de amor com uma virgem. Jornalista ordinário, crítico de música de estilo antiquado e amante da atmosfera mundana dos prostíbulos, o personagem se insere no panteão de tipos sorumbáticos que habitam diversos romances de Márquez, sendo o principal deles Florentino Ariza, de O amor nos tempos do cólera, romance com o qual Memória de minhas putas tristes dialoga constantemente. Ambos empreendem um olhar delicado e afetivo sobre os labirintos da velhice. É quando o sexo se torna muitas vezes um fardo, e mesmo assim merece ser desfrutado. Quando a vida é feita de lembranças e se despe de sonhos.
Após entrar em contato com uma velha cafetina, Rosa Cabarcas, o velho consegue sua virgem. Mas a relação entre ambos é apenas de contemplação. A garota, nua, embrenha-se no breu do sono, e ele vela seus sonhos e pesadelos no recesso da alcova. São noites e noites observando os pés, o colo, os seios de adolescente de Degaldina. Até que, pela primeira vez em nove décadas de uma existência oca, apaixona-se inapelavelmente. Através dessa história singela e por vezes melancólica, Márquez faz uma ode ao ocaso.
Um trecho, já ao final do livro, é particularmente tocante: "Não resisti mais. Ela sentiu, viu meus olhos úmidos de lágrimas, e só então deve ter descoberto que eu já não era o que fui e sustentei seu olhar com uma coragem da qual nunca me achei capaz. É que estou ficando velho, disse a ela. Já ficamos, suspirou ela. Acontece que a gente não sente por dentro, mas de fora todo mundo vê". Impossível não vislumbrar, nos devaneios do nonagenário, pensamentos do próprio García Márquez, já às voltas com a proximidade da extinção.
Memória de minhas putas tristes poderia ser comparado a O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ambos são novelas escritas na maturidade, curtas e repletas de simbolismos. Não se ombreiam às obras-primas de seus respectivos autores, e de certa forma refletem suas obsessões. A luta do pescador Santiago contra o marlim gigante era uma metáfora da batalha - inglória e inútil - travada pelo próprio Hemingway contra a decadência física e a inspiração que se esvaía.
A obra de Márquez também medita sobre a derrocada do corpo, mas, ao contrário de Hemingway, o colombiano constrói uma parábola essencialmente otimista sobre o prazer de sobreviver a si mesmo. Como afirma, no parágrafo final, o velho jornalista: "Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos".
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
filisteus!
os maiores inimigos da publicidade não são os críticos ou os amadores. são os publicitários que abusam dela.
lie to me
mote da semana é a vinheta do gustavo krause usada pela tv universitária.
riffs da faixa do primeiro cd do johnny lang.
autorização de quem ? da puta que o pariu ?
riffs da faixa do primeiro cd do johnny lang.
autorização de quem ? da puta que o pariu ?
tudo em famiglia
safra de agências criadas em torno de nomes da criação mais parece cadeia de pizzas.
depois ainda ficam dizendo que o pessoal da criação não entende ou não sabe gerir negócios.
se não sabe, então foram as outras partes que desaprenderam ?
depois ainda ficam dizendo que o pessoal da criação não entende ou não sabe gerir negócios.
se não sabe, então foram as outras partes que desaprenderam ?
geração cola e cola
Eu tinha 22 anos quando comecei no jornalismo. Estava ainda na faculdade, já tinha largado outras duas, ambas de Arquitetura. Como todo filho de classe média, tive que fazer um curso de datilografia. E foi assim que comecei na profissão, "batucando nas pretinhas", como a gente falava no meio, pelo som metálico e abafado da máquina de escrever, e evidente, pelas teclas pretas.
Estou completando neste ano 21 anos como profissional de comunicação, uma maioridade que me deu oportunidade de transitar – literalmente – entre as tecnologias. A primeira vez à frente de um teclado de computador a gente nunca esquece, é como o primeiro esporro do editor, a primeira manchete, o primeiro furo nacional...
Eu que cheguei a passar reportagens à Veja por telex e usar laudas de papel, rabiscadas, corrigidas por velhas canetas Bic, todas mascadas nas pontas, quando ganhei minha primeira "marmita" [ laptop primitivo ] no Estado de S.Paulo foi uma alegria só comparável ao dia em que pude dizer adeus à faculdade. Aquele projeto de laptop, da Toshiba, não tinha sequer HD. Tudo era feito em disquete.
Chorei muito sobre a "mardita", como a "marmita" ficou conhecida com o tempo. Acabava a bateria, a energia elétrica ou "dava pau" no disquete e lá ia a reportagem inteira para o espaço – creio que para um lugar chamado de ciber, essa dimensão paralela que facilitou e complicou tanto a vida do jornalista de agora.
Sem saudades
Como os repórteres bem mais afeitos à tecnologia cibernética, eu fui um dos primeiros a receber o máximo em modernidade. Um 486 da HP, com pasta, cabos e os diabos. Aquilo era exclusividade dos correspondentes internacionais, de Reale Júnior, de William Waack, de Zeca Santana... e tinha um negócio chamado internet. Aquilo foi o delírio. Enfim eu podia falar com o mundo, eu seria gente no universo hi-tech, pois teria um e-mail.
Logicamente que a conexão era feita por linha discada, demorava uma centena de anos para conseguir sinal e navegar. Mas era um novo mundo, admirável e inexplorado. Fizemos um curso no Estadão (eu e os demais repórteres nacionais) para aprender a operar. Mas nunca pensei que essa facilidade traria às gerações atuais o jornalista copia & cola . Nunca mesmo.
Com o passar do tempo, comecei a ver que pouquíssimos dos novos jornalistas escreviam. Todos procuravam textos já prontos, geralmente no AltaVista (não havia o Google na época) e depois davam uma ajeitada para dizer que aquela produção era deles. Também comecei a estranhar que vários recebiam mensagens e davam aquelas informações como verdades absolutas, embarcavam em histórias das mais absurdas possíveis por pura negligência, ou por entender que num ambiente cibernético inexistiam mentiras, contos da carochinha e um saco de bobagens imprestáveis.
Não tenho saudades da minha velha Olivetti, mas ainda consulto meus livros, dicionários e apontamentos. Quem sabe eu seja um dos últimos de uma geração transitória.
júlio ottoboni, no seu: profissional copia & cola e a geração transitória(*) *pós-graduado em jornalismo científico.
os copia&cola também andam a solta na publicidade. tanto que dia destes uma diretora de criação perguntou a um dos seus pupilos após ler o seu texto — muito bom! você tirou isto da internet onde ? no coments.
Estou completando neste ano 21 anos como profissional de comunicação, uma maioridade que me deu oportunidade de transitar – literalmente – entre as tecnologias. A primeira vez à frente de um teclado de computador a gente nunca esquece, é como o primeiro esporro do editor, a primeira manchete, o primeiro furo nacional...
Eu que cheguei a passar reportagens à Veja por telex e usar laudas de papel, rabiscadas, corrigidas por velhas canetas Bic, todas mascadas nas pontas, quando ganhei minha primeira "marmita" [ laptop primitivo ] no Estado de S.Paulo foi uma alegria só comparável ao dia em que pude dizer adeus à faculdade. Aquele projeto de laptop, da Toshiba, não tinha sequer HD. Tudo era feito em disquete.
Chorei muito sobre a "mardita", como a "marmita" ficou conhecida com o tempo. Acabava a bateria, a energia elétrica ou "dava pau" no disquete e lá ia a reportagem inteira para o espaço – creio que para um lugar chamado de ciber, essa dimensão paralela que facilitou e complicou tanto a vida do jornalista de agora.
Sem saudades
Como os repórteres bem mais afeitos à tecnologia cibernética, eu fui um dos primeiros a receber o máximo em modernidade. Um 486 da HP, com pasta, cabos e os diabos. Aquilo era exclusividade dos correspondentes internacionais, de Reale Júnior, de William Waack, de Zeca Santana... e tinha um negócio chamado internet. Aquilo foi o delírio. Enfim eu podia falar com o mundo, eu seria gente no universo hi-tech, pois teria um e-mail.
Logicamente que a conexão era feita por linha discada, demorava uma centena de anos para conseguir sinal e navegar. Mas era um novo mundo, admirável e inexplorado. Fizemos um curso no Estadão (eu e os demais repórteres nacionais) para aprender a operar. Mas nunca pensei que essa facilidade traria às gerações atuais o jornalista copia & cola . Nunca mesmo.
Com o passar do tempo, comecei a ver que pouquíssimos dos novos jornalistas escreviam. Todos procuravam textos já prontos, geralmente no AltaVista (não havia o Google na época) e depois davam uma ajeitada para dizer que aquela produção era deles. Também comecei a estranhar que vários recebiam mensagens e davam aquelas informações como verdades absolutas, embarcavam em histórias das mais absurdas possíveis por pura negligência, ou por entender que num ambiente cibernético inexistiam mentiras, contos da carochinha e um saco de bobagens imprestáveis.
Não tenho saudades da minha velha Olivetti, mas ainda consulto meus livros, dicionários e apontamentos. Quem sabe eu seja um dos últimos de uma geração transitória.
júlio ottoboni, no seu: profissional copia & cola e a geração transitória(*) *pós-graduado em jornalismo científico.
os copia&cola também andam a solta na publicidade. tanto que dia destes uma diretora de criação perguntou a um dos seus pupilos após ler o seu texto — muito bom! você tirou isto da internet onde ? no coments.
retiro dos artistas
o que você quer ser quando ficar velho?
— um velho maluco, a maneira de rochefoucauld.
os velhos malucos são mais malucos que os jovens.
principalmente os de hoje em dia. ô geraçãozinha bunda mole sô!
— um velho maluco, a maneira de rochefoucauld.
os velhos malucos são mais malucos que os jovens.
principalmente os de hoje em dia. ô geraçãozinha bunda mole sô!
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
diz costas
as coisas mais desagradáveis que os nossos piores inimigos nos dizem pela frente não se comparam com as que nossos amigos dizem de nós pelas costas.
alfred de musset
alfred de musset
tele-prompter
inocêncio de oliveira é condenado por trabalho escravo.
(para ser lido pelo próprio, com a mesma frequência com que ele nos despeja suas mensagens de aproveitamento dos feitos dos suores d´outros).
(para ser lido pelo próprio, com a mesma frequência com que ele nos despeja suas mensagens de aproveitamento dos feitos dos suores d´outros).
a idéia do que é diferenciado é que não se remunera ?
o mercado pernambucano é um feudo. de resto, de todo o nordeste o é. mas não seria também nos ditos grandes mercados?
quipropó azeitado já a caminho dos panos quentes foi causado pela RGA, a mais nova senhora do destino de rique e associados. via mala direta ousaram incomodar os senhores feudais por ação de prospect mais ou menos agressiva respaldada pelo pinçamento da meia frase “ remuneração diferenciada”.
danou-se! foi o que bastou para os senhores da capitania saltarem das tamancas e estrebucharem a corruptela da falta de respeito ao sério trabalho(sic!) que siglas vem fazendo em prol da dura dificuldade de sobrevivência do negócio, devidamente atachadas pela semi-gangue da ética, do respeito, etc, etc, blá, blá, blá. e tome circulares ao senhores das tríades.
ou seja quem tá dentro, pode. quem não tá, ora não fode. tanta grita pela tal remuneração diferenciada – subentendida como concorrência desleal branida pela ferramenta preço – quando se sabe que é praticada pela quase totalidade da maioria que se enquadra em tais situações, revela que o paroxismo da hipocrisia anda à cata de premiação modalidade titanium.
quanto a RGA, ao basear-se em tal DNA, não causa espanto. demonstra que a moçada aprendeu o dever de casa rapidinho na escola em que se formou.
quando aparecerá agência que prometa, e cumpra, idéias diferenciadas ?
pra remuneração diferenciada o mercado de trôco tem trôco.
quipropó azeitado já a caminho dos panos quentes foi causado pela RGA, a mais nova senhora do destino de rique e associados. via mala direta ousaram incomodar os senhores feudais por ação de prospect mais ou menos agressiva respaldada pelo pinçamento da meia frase “ remuneração diferenciada”.
danou-se! foi o que bastou para os senhores da capitania saltarem das tamancas e estrebucharem a corruptela da falta de respeito ao sério trabalho(sic!) que siglas vem fazendo em prol da dura dificuldade de sobrevivência do negócio, devidamente atachadas pela semi-gangue da ética, do respeito, etc, etc, blá, blá, blá. e tome circulares ao senhores das tríades.
ou seja quem tá dentro, pode. quem não tá, ora não fode. tanta grita pela tal remuneração diferenciada – subentendida como concorrência desleal branida pela ferramenta preço – quando se sabe que é praticada pela quase totalidade da maioria que se enquadra em tais situações, revela que o paroxismo da hipocrisia anda à cata de premiação modalidade titanium.
quanto a RGA, ao basear-se em tal DNA, não causa espanto. demonstra que a moçada aprendeu o dever de casa rapidinho na escola em que se formou.
quando aparecerá agência que prometa, e cumpra, idéias diferenciadas ?
pra remuneração diferenciada o mercado de trôco tem trôco.
amigos, amigos: negócios à parte
É possível fazer amigos trabalhando em publicidade?
Uma metáfora recorrente com relação ao maravilhoso mundo da publicidade é a que estabelece a comparação directa com o futebol. Não há nada de mais verdadeiro. São duas actividades extremamente competitivas. Nas duas não se joga sozinho. Em ambas, as carreiras são muito curtas, as vitórias são fugazes e as derrotas custam a sair da memória. Tanto numa como noutra, fala-se muito em equipa, vestir a camisola* e há muito clubismo. Isso acaba por se reflectir nas relações entre os "atletas". Pergunte para um futebolista se ele tem muitos amigos entre os jogadores do seu clube. Ele vai quase de certeza olhar para o lado e fugir da questão. Falará que o que importa é a união do grupo, que o fundamental é o trabalho que acontece no campo, que no relvado* é mais importante a articulação entre os parceiros do que quem vai com quem tomar uns copos depois do jogo. Ele está a ser sincero, mas está a disfarçar o incómodo de, sim, não pode chamar de amigo mais do que um ou dois outros jogadores de futebol. E mesmo assim, eles jogam em equipas adversárias. E, provavelmente, noutro pais. Na publicidade é mais ou menos o mesmo. Vivemos do que fazemos e o que fazemos é sempre difícil. Estamos sempre a querer controlar a bola e ela está sempre a nos fugir. Vai para um lado e para outro, nem sempre entra no golo. E, quando isso acontece, a culpa é sempre do outro. Não é que os publicitários sejam todos inimigos. Mas, como num clube, vivemos tão intensamente cada jogo que as relações acabam sempre por rapidamente se desgastar. Sem falar que quase toda gente quer jogar no ataque, poucos acreditam na função do meio campo e lá atrás, na defesa, costuma ser um deserto. Assim, o que não falta é cabeçada na grande área, auto-golo*, brigas entre os da mesma cor, cenas de pugilato no balneário* e recorrentes expulsões. Quando muito, de vez em quando, acontece de aparecer uma equipa muito unida e bem organizada, fruto quase sempre da liderança de um treinador um pouco mais durão. Essa equipa ganha muitos campeonatos, todos vivem em estado de comemoração. Mas aí chovem os convites para outras equipas. O próprio treinador sai e vai encarar outros desafios. A equipa desintegra-se. Companheiros de sempre tornam-se inimigos de infância. Isso não é mau nem é bom. Apenas é assim. Talvez seja mais fácil fazer e manter amigos a trabalhar como bombeiro. Ou como voluntário na Ajuda de Berço. Não sei, não posso responder. Só sei que em décadas a trabalhar nessa área vi poucas amizades verdadeiras a começar e a resistir. Curiosamente, vi muitos casamentos. Vá lá perceber-se o porquê. Talvez porque entre os casais há mais tolerância com as diferenças do outro. Talvez porque entre os casais há um outro objectivo comum (manter a relação) que é maior e mais importante se este ou aquele anúncio saiu melhor e mais bonito. Ou como diria o meu Tio Olavo:
"Amigo é aquela pessoa que conhece todos os nossos defeitos. E, mesmo assim, continua a gostar da gente".
o texto acima, escrito em sintaxe lusa, é do publicitário, redator, edson athayde, edson das neves athayde, carioca da periferia e que já trabalhou em pernambuco, na extinta gravatahy.
ex vp de criação da Y&R para a península ibérica(espanha e portugal),ex-presidente e cco da edson/FCB portugal e ex-administrador do grupo lusomundo, após um período sabático, está de volta a publicidade como diretor criativo da ogilvy portugal. premiado internacionalmente por mais de 600 vezes, no recife foi chamado de incompetente pelo “ serjão”. enquanto isso mercado, e o próprio, vide campanha do D.P., esbanjam competência, pois não?
texto originalmente publicado no semanário português especializado meios&publicidade.
* camisola, camiseta. relvado, gramado. balneário, vestiário. auto-golo, gol contra.
in tempo: eu já fui amigo do edson.
mais edson athayde no tioolavo.blogspot.com
Uma metáfora recorrente com relação ao maravilhoso mundo da publicidade é a que estabelece a comparação directa com o futebol. Não há nada de mais verdadeiro. São duas actividades extremamente competitivas. Nas duas não se joga sozinho. Em ambas, as carreiras são muito curtas, as vitórias são fugazes e as derrotas custam a sair da memória. Tanto numa como noutra, fala-se muito em equipa, vestir a camisola* e há muito clubismo. Isso acaba por se reflectir nas relações entre os "atletas". Pergunte para um futebolista se ele tem muitos amigos entre os jogadores do seu clube. Ele vai quase de certeza olhar para o lado e fugir da questão. Falará que o que importa é a união do grupo, que o fundamental é o trabalho que acontece no campo, que no relvado* é mais importante a articulação entre os parceiros do que quem vai com quem tomar uns copos depois do jogo. Ele está a ser sincero, mas está a disfarçar o incómodo de, sim, não pode chamar de amigo mais do que um ou dois outros jogadores de futebol. E mesmo assim, eles jogam em equipas adversárias. E, provavelmente, noutro pais. Na publicidade é mais ou menos o mesmo. Vivemos do que fazemos e o que fazemos é sempre difícil. Estamos sempre a querer controlar a bola e ela está sempre a nos fugir. Vai para um lado e para outro, nem sempre entra no golo. E, quando isso acontece, a culpa é sempre do outro. Não é que os publicitários sejam todos inimigos. Mas, como num clube, vivemos tão intensamente cada jogo que as relações acabam sempre por rapidamente se desgastar. Sem falar que quase toda gente quer jogar no ataque, poucos acreditam na função do meio campo e lá atrás, na defesa, costuma ser um deserto. Assim, o que não falta é cabeçada na grande área, auto-golo*, brigas entre os da mesma cor, cenas de pugilato no balneário* e recorrentes expulsões. Quando muito, de vez em quando, acontece de aparecer uma equipa muito unida e bem organizada, fruto quase sempre da liderança de um treinador um pouco mais durão. Essa equipa ganha muitos campeonatos, todos vivem em estado de comemoração. Mas aí chovem os convites para outras equipas. O próprio treinador sai e vai encarar outros desafios. A equipa desintegra-se. Companheiros de sempre tornam-se inimigos de infância. Isso não é mau nem é bom. Apenas é assim. Talvez seja mais fácil fazer e manter amigos a trabalhar como bombeiro. Ou como voluntário na Ajuda de Berço. Não sei, não posso responder. Só sei que em décadas a trabalhar nessa área vi poucas amizades verdadeiras a começar e a resistir. Curiosamente, vi muitos casamentos. Vá lá perceber-se o porquê. Talvez porque entre os casais há mais tolerância com as diferenças do outro. Talvez porque entre os casais há um outro objectivo comum (manter a relação) que é maior e mais importante se este ou aquele anúncio saiu melhor e mais bonito. Ou como diria o meu Tio Olavo:
"Amigo é aquela pessoa que conhece todos os nossos defeitos. E, mesmo assim, continua a gostar da gente".
o texto acima, escrito em sintaxe lusa, é do publicitário, redator, edson athayde, edson das neves athayde, carioca da periferia e que já trabalhou em pernambuco, na extinta gravatahy.
ex vp de criação da Y&R para a península ibérica(espanha e portugal),ex-presidente e cco da edson/FCB portugal e ex-administrador do grupo lusomundo, após um período sabático, está de volta a publicidade como diretor criativo da ogilvy portugal. premiado internacionalmente por mais de 600 vezes, no recife foi chamado de incompetente pelo “ serjão”. enquanto isso mercado, e o próprio, vide campanha do D.P., esbanjam competência, pois não?
texto originalmente publicado no semanário português especializado meios&publicidade.
* camisola, camiseta. relvado, gramado. balneário, vestiário. auto-golo, gol contra.
in tempo: eu já fui amigo do edson.
mais edson athayde no tioolavo.blogspot.com
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
visto de entrada
poucas coisas no mundo fomentam tantos ódios e tantos crimes como as religiões.
salman rushdie, escritor anglo-indiano. e, digo eu, contas bancárias
salman rushdie, escritor anglo-indiano. e, digo eu, contas bancárias
quarta ah portuguesa: o que nos aproxima e o que nos distancia
O cerco
Já faltou mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catálogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d’alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir à pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar «reintegrar» as «minorias» instaladas na assistência pública, como os ciganos, os drogados, os artistas de várias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, à medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que «a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudências e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso.
Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exército heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofóbico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público» porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirição sobre escutas na Assembleia da República, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou «machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, como me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distância num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição sobre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e até já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadamente à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «tóxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil», vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito às balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais.
Agora vêm-nos com esta história dos «cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num país democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arábia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comércio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões públicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a srª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos «cartoons» profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica!
A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, onde uma polícia de costumes varre as ruas em busca de sinais de «imoralidade» privada, onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adúlteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita?
Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não.
É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância.
(Miguel Sousa Tavares no "Expresso" de 4 de Fevereiro de 2006)
Não aos necrófilos
Senhor de idade com certa experiência jornalística, ouso afirmar que temo uma catástrofe de proporções mundiais graças aos líderes políticos da nossa banda, ou seja, a colonizada pelos Estados Unidos e sua medíocre cultura que se supõe eterna. No romance Catch 22 (lançado no Brasil como Ardil 22 ), de Joseph Heller, o velho dono de um bordel romano onde mocinhas de 18 anos baixam calcinhas de algodão por uma de nylon, presente dos vitoriosos soldados americanos, diz o seguinte:
- Você são ricos, mas vão ser derrotados e morrer.
O oficialzinho americano que quer converter uma das jovens ao american way of life , acha que o velho está maluco. Responde:
- Nós somos o exército mais poderoso do mundo, nunca perdemos uma guerra e acabamos de derrotar os fascistas e os nazistas.
- Por isso mesmo. Nós já fomos um império. Temos três mil anos e aprendemos a perder guerras. Nós aprendemos a nos curvar com o vento e por isso não quebramos. Na primeira derrota vocês quebrarão e serão mortos.
Belo choque cultural!
O americano não entendeu nada. Hoje as coisas mudaram. Para pior. Depois da Guerra Fria, das ditaduras oficiais na América Latina, da vitória do Vietnã, da queda do muro, da Perestroika e das suas conseqüências macdonalescas , jovens líderes ocidentais (doutrinados por velhos patifes) que não pegaram nem a guerra da Coréia, aderiram de corpo e alma (?) à única religião que realmente acreditam: o mercado nas mãos das poucas transnacionais. Temendo a previsão do velho cafifa, Bush e seus satélites jogaram-se sobre o mundo com o apetite e a arrogância de adolescentes. Os políticos transformaram-se em executivos e o mapa em corporações financeiras. Tudo que dá lucro não é crime. Como o oficialzinho em Roma, julgam que a história se cristaliza em anos ou décadas quando em verdade ela se move lentamente. A Macedônia, que já foi dona do universo conhecido, hoje é um país nanico menor que a cidade do Rio. A Boêmia, que foi sede do Sacro Império Romano, hoje é um bairro da República Tcheca. As culturas são difíceis de serem destruídas como provam alguns índios amazonenses que insistem em não morrer e nem todo o mundo quer se chamar Jane ou Joe; nem todos querem champignons for breackfast , nem todos estão dispostos a aceitar que acabem com sua cultura como o Brasil. Convenhamos, só um país liderado por adolescentes executivos malucos destruiria o berço da humanidade como os gringos estão fazendo no Iraque e acham que vão fazer no Irã, ou seja com aqueles persas que tanto trabalho deram aos gregos.
Há religiões - e quem vos fala é um homem que já se desligou de qualquer laço religioso há muito tempo - que podem parecer ridículas aos olhos ocidentais. Isso não nos dá direito de impor-lhes a nossa. Para os não-cristãos pode ser ridículo que comamos a carne e bebamos o sangue de nosso Deus. Os hinduístas têm um deus macaco e uma seita protestante americana leva cobras para a culto a fim de adorá-las. De uma coisa, porém, eu tenho certeza: a religião ocidental que se chama neoliberalismo quer acabar com todas as culturas com exceção da do mercado. O neoliberalismo precisa emburrecer o mundo através de uma cultura televisiva ( Big brothers e casos homossexuais entre caubóis) porque, burro, o sujeito que não tem cultura compra o que lhe for ordenado. O espírito independente e revolucionário compra aquilo de que precisa.
A imprensa ocidental comportou-se diante da vitória do partido Hamas na Palestina como se o diabo houvesse triunfado. O Globo deu em manchete ''Hamas toma o poder'' e não ''Hamas vence as eleições'' como seria correto. Poderiam acrescentar: ''Vence democraticamente, sem fraudes, segundo Jimmy Carter''. Em vez de aceitar, como o fariam adultos preocupados com o destino do mundo, o fato de o povo palestino preferir, por ora, o partido mais radical e tentar descobrir o porquê, os americanos e seus aliados agem como se os hunos houvessem dominado o planeta.
Está na hora desse pessoal começar a agir de modo conseqüente. Não há nada no mundo que eu odeie mais do que a censura e a hipocrisia, irmãs siamesas. Logo, não posso ser favorável à grita do mundo árabe em relação a uma caricatura de Maomé publicada por um jornal inofensivo como o Jullens Post , da Jutlândia. Devo, porém, levar em consideração que os árabes são mais religiosos que os cristãos e eles veneram Maomé como os cristãos veneram Jesus. O que fariam os americanos se a imprensa árabe publicasse uma caricatura do marine Jesus, baioneta nas mãos, matando crianças palestinas? Jamais como hoje o mundo esteve tão perto de seu fim. Em vez de insuflar o ódio, porque não refletir seriamente sobre quem realmente quer a guerra?
Fausto Wolf , 07,02,06, no Jornal do Brasil.
Já faltou mais para que um dia destes tenha de passar à clandestinidade ou, no mínimo, tenha de me enfiar em casa a viver os meus vícios secretos. Tenho um catálogo deles e todos me parecem ameaçados: sou heterossexual «full time»; fumo, incluindo charutos; bebo; como coisas como pezinhos de coentrada, joaquinzinhos fritos e tordos em vinha d’alhos; vibro com o futebol; jogo cartas, quando arranjo três parceiros para o «bridge» ou quando, de dois em dois anos, passo à porta de um casino e me apetece jogar «black-jack»; não troco por quase nada uma caçada às perdizes entre amigos; acho a tourada um espectáculo deslumbrante, embora não perceba nada do assunto; gosto de ir à pesca «ao corrido» e daquela luta de morte com o peixe, em que ele não quer vir para bordo e eu não quero que ele se solte do anzol; acredito que as pessoas valem pelo seu mérito próprio e que quem tem valor acaba fatalmente por se impor, e por isso sou contra as quotas; deixei de acreditar que o Estado deva gastar os recursos dos contribuintes a tentar «reintegrar» as «minorias» instaladas na assistência pública, como os ciganos, os drogados, os artistas de várias especialidades ou os desempregados profissionais; sou agnóstico (ou ateu, conforme preferirem) e cada vez mais militantemente, à medida que vou constatando a actualidade crescente da velha sentença de Marx de que «a religião é o ópio dos povos»; formado em direito, tornei-me descrente da lei e da justiça, das suas minudências e espertezas e da sua falta de objectividade social, e hoje acredito apenas em três fontes legítimas de lei: a natureza, a liberdade e o bom senso.
Trogloditas como eu vivem cada vez mais a coberto da sua trincheira, numa batalha de retaguarda contra um exército heterogéneo de moralistas diversos: os profetas do politicamente correcto, os fanáticos religiosos de todos os credos e confissões, os fascistas da saúde, os vigilantes dos bons costumes ou os arautos das ditaduras «alternativas» ou «fracturantes». Se eu digo que nada tenho contra os casamentos homossexuais, mas que, quanto à adopção, sou contra porque ninguém tem o direito de presumir a vontade «alternativa» de uma criança, chamam-me homofóbico (e o Parlamento Europeu acaba de votar uma resolução contra esse flagelo, que, como está à vista, varre a Europa inteira); se a uma senhora que anteontem se indignava no «Público» porque detectou um sorriso condescendente do dr. Souto Moura perante a intervenção de uma deputada, na inquirição sobre escutas na Assembleia da República, eu disser que também escutei a intervenção da deputada com um sorriso condescendente, não por ela ser mulher mas por ser notoriamente incompetente para a função, ela responder-me-ia de certeza que eu sou «machista» e jamais aceitaria que lhe invertesse a tese: que o problema não é aquela deputada ser mulher, o problema é aquela mulher ser deputada; se eu tentar explicar por que razão a caça civilizada é um acto natural, chamam-me assassino dos pobres animaizinhos, sem sequer quererem perceber que os animaizinhos só existem porque há quem os crie, quem os cace e quem os coma; se eu chego a Lisboa, como me aconteceu há dias, e, a vinte quilómetros de distância num céu límpido, vejo uma impressionante nuvem de poluição sobre a cidade, vão-me dizer que o que incomoda verdadeiramente é o fumo do meu cigarro, e até já em Espanha e Itália, os meus países mais queridos, tenho de fumar envergonhadamente à porta dos bares e restaurantes, como um cão tinhoso; enfim, se eu escrever velho em vez de «idoso», drogado em vez de «tóxicodependente», cego em vez de «invisual», preso em vez de «recluso» ou impotente em vez de «portador de disfunção eréctil», vou ser adoptado nas escolas do país como exemplo do vocabulário que não se deve usar. Vou confessar tudo, vou abrir o peito às balas: estou a ficar farto desta gente, deste cerco de vigilantes da opinião e da moral, deste exército de eunucos intelectuais.
Agora vêm-nos com esta história dos «cartoons» sobre Maomé saídos num jornal dinamarquês. Ao princípio a coisa não teve qualquer importância: um «fait-divers» na vida da liberdade de imprensa num país democrático. Mas assim que o incidente foi crescendo e que os grandes exportadores de petróleo, com a Arábia Saudita à cabeça, começaram a exigir desculpas de Estado e a ameaçar com represálias ao comércio e às relações económicas e diplomáticas, as opiniões públicas assustaram-se, os governantes europeus meteram a viola da liberdade de imprensa ao saco e a srª comissária europeia para os Direitos Humanos (!) anunciou um inquérito para apurar eventuais sintomas de «racismo» ou de «intolerância religiosa» nos «cartoons» profanos. Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os «cartoons», mas de quem os publica!
A Dinamarca não tem petróleo, mas é um dos países mais civilizados do mundo: tem um verdadeiro Estado Social, uma sociedade aberta que pratica a igualdade de direitos a todos os níveis, respeita todas as crenças, protege todas as minorias, defende o cidadão contra os abusos do Estado e a liberdade contra os poderosos, socorre os doentes e os velhos, ajuda os desfavorecidos, acolhe os exilados, repudia as mordomias do poder, cobra impostos a todos os ricos, sem excepção, e distribui pelos pobres. A Arábia Saudita tem petróleo e pouco mais: é um país onde as mulheres estão excluídas dos direitos, onde a lei e o Estado se confundem com a religião, onde uma oligarquia corrupta e ostentatória divide entre si o grosso das receitas do petróleo, onde uma polícia de costumes varre as ruas em busca de sinais de «imoralidade» privada, onde os condenados são enforcados em praça pública, os ladrões decepados e as «adúlteras» apedrejadas em nome de um código moral escrito há quase seiscentos anos. E a Dinamarca tem de pedir desculpas à Arábia Saudita por ser como é e por acreditar nos valores em que acredita?
Eu não teria escrito nem publicado «cartoons» a troçar com Maomé ou com a Nossa Senhora de Fátima. Porque respeito as crenças e a sensibilidade religiosa dos outros, por mais absurdas que elas me possam parecer. Mas no meu código de valores - que é o da liberdade - não proíbo que outros o façam, porque a falta de gosto ou de sensibilidade também têm a liberdade de existir. E depois as pessoas escolhem o que adoptar. É essa a grande diferença: seguramente que vai haver quem pegue neste meu texto e o deite ao lixo, indignado. É o seu direito. Mas censurá-lo previamente, como alguns seguramente gostariam, isso não.
É por isso que eu, que todavia sou um apaixonado pelo mundo árabe e islâmico, quanto toca ao essencial, sou europeu - graças a Deus. Pelo menos, enquanto nos deixarem ser e tivermos orgulho e vontade em continuar a ser a sociedade da liberdade e da tolerância.
(Miguel Sousa Tavares no "Expresso" de 4 de Fevereiro de 2006)
Não aos necrófilos
Senhor de idade com certa experiência jornalística, ouso afirmar que temo uma catástrofe de proporções mundiais graças aos líderes políticos da nossa banda, ou seja, a colonizada pelos Estados Unidos e sua medíocre cultura que se supõe eterna. No romance Catch 22 (lançado no Brasil como Ardil 22 ), de Joseph Heller, o velho dono de um bordel romano onde mocinhas de 18 anos baixam calcinhas de algodão por uma de nylon, presente dos vitoriosos soldados americanos, diz o seguinte:
- Você são ricos, mas vão ser derrotados e morrer.
O oficialzinho americano que quer converter uma das jovens ao american way of life , acha que o velho está maluco. Responde:
- Nós somos o exército mais poderoso do mundo, nunca perdemos uma guerra e acabamos de derrotar os fascistas e os nazistas.
- Por isso mesmo. Nós já fomos um império. Temos três mil anos e aprendemos a perder guerras. Nós aprendemos a nos curvar com o vento e por isso não quebramos. Na primeira derrota vocês quebrarão e serão mortos.
Belo choque cultural!
O americano não entendeu nada. Hoje as coisas mudaram. Para pior. Depois da Guerra Fria, das ditaduras oficiais na América Latina, da vitória do Vietnã, da queda do muro, da Perestroika e das suas conseqüências macdonalescas , jovens líderes ocidentais (doutrinados por velhos patifes) que não pegaram nem a guerra da Coréia, aderiram de corpo e alma (?) à única religião que realmente acreditam: o mercado nas mãos das poucas transnacionais. Temendo a previsão do velho cafifa, Bush e seus satélites jogaram-se sobre o mundo com o apetite e a arrogância de adolescentes. Os políticos transformaram-se em executivos e o mapa em corporações financeiras. Tudo que dá lucro não é crime. Como o oficialzinho em Roma, julgam que a história se cristaliza em anos ou décadas quando em verdade ela se move lentamente. A Macedônia, que já foi dona do universo conhecido, hoje é um país nanico menor que a cidade do Rio. A Boêmia, que foi sede do Sacro Império Romano, hoje é um bairro da República Tcheca. As culturas são difíceis de serem destruídas como provam alguns índios amazonenses que insistem em não morrer e nem todo o mundo quer se chamar Jane ou Joe; nem todos querem champignons for breackfast , nem todos estão dispostos a aceitar que acabem com sua cultura como o Brasil. Convenhamos, só um país liderado por adolescentes executivos malucos destruiria o berço da humanidade como os gringos estão fazendo no Iraque e acham que vão fazer no Irã, ou seja com aqueles persas que tanto trabalho deram aos gregos.
Há religiões - e quem vos fala é um homem que já se desligou de qualquer laço religioso há muito tempo - que podem parecer ridículas aos olhos ocidentais. Isso não nos dá direito de impor-lhes a nossa. Para os não-cristãos pode ser ridículo que comamos a carne e bebamos o sangue de nosso Deus. Os hinduístas têm um deus macaco e uma seita protestante americana leva cobras para a culto a fim de adorá-las. De uma coisa, porém, eu tenho certeza: a religião ocidental que se chama neoliberalismo quer acabar com todas as culturas com exceção da do mercado. O neoliberalismo precisa emburrecer o mundo através de uma cultura televisiva ( Big brothers e casos homossexuais entre caubóis) porque, burro, o sujeito que não tem cultura compra o que lhe for ordenado. O espírito independente e revolucionário compra aquilo de que precisa.
A imprensa ocidental comportou-se diante da vitória do partido Hamas na Palestina como se o diabo houvesse triunfado. O Globo deu em manchete ''Hamas toma o poder'' e não ''Hamas vence as eleições'' como seria correto. Poderiam acrescentar: ''Vence democraticamente, sem fraudes, segundo Jimmy Carter''. Em vez de aceitar, como o fariam adultos preocupados com o destino do mundo, o fato de o povo palestino preferir, por ora, o partido mais radical e tentar descobrir o porquê, os americanos e seus aliados agem como se os hunos houvessem dominado o planeta.
Está na hora desse pessoal começar a agir de modo conseqüente. Não há nada no mundo que eu odeie mais do que a censura e a hipocrisia, irmãs siamesas. Logo, não posso ser favorável à grita do mundo árabe em relação a uma caricatura de Maomé publicada por um jornal inofensivo como o Jullens Post , da Jutlândia. Devo, porém, levar em consideração que os árabes são mais religiosos que os cristãos e eles veneram Maomé como os cristãos veneram Jesus. O que fariam os americanos se a imprensa árabe publicasse uma caricatura do marine Jesus, baioneta nas mãos, matando crianças palestinas? Jamais como hoje o mundo esteve tão perto de seu fim. Em vez de insuflar o ódio, porque não refletir seriamente sobre quem realmente quer a guerra?
Fausto Wolf , 07,02,06, no Jornal do Brasil.
dichionário
miguel souza tavares, jornalista consagrado e escritor a caminho disso(seus livros estão sendo lançados num crescendo no brasil) é um reacionário dilettante – abrir o peito as balas não transforma isso - com um texto ferozmente muito bem construido. nos bons tempos diria que ele seria o vasco pulido d´o público, escrevendo com a outra mão. mais estou longe-perto e não quero fazer caricaturas que o momento é de escritas a ferro e fogo e não de grafite.
não me imagino a comer joaquinzinhos com o miguel – nem ele comigo, por certo - o que por cá seria o equivalente a agulhinhas ou manjubinhas, tampouco, tordos a vinha d´alhos, que são passarinhos quase pássaros.
mas ficaria com tentado pelos pezinhos de coentrada, pés de porco ao coentro, até a hora que o fumo, fumaça do seu cigarro, viesse a lume, lume que em portugal é fogo.
fico-me então, solitário, antes só e bem acompanhado, a tomar um cimbalino, que é o cafezinho no porto e que em lisboa seria bica. confesso que coisa que nunca fiz foi tomar um café com perfume – não se toma cimbalino com perfume, bica pode – que é café com pinga, com a “ mardita”, café com água que não se dá de beber para passarinho.
e, bate-me uma sensação de imigrante, se não mais poder voltar a portugal , que será de mim se findar-me apenas caricatura de saudades?
pensando assim saio do boteco a chutar caricas, as nossas tampinhas de cerveja e refigerantes procurando um cão tinhoso, que tinha é pior que lepra, mas tinhoso também é esperteza diabólica, para dividir com ele meu último pedaço de panado, empanado ou à milanesa.
não me imagino a comer joaquinzinhos com o miguel – nem ele comigo, por certo - o que por cá seria o equivalente a agulhinhas ou manjubinhas, tampouco, tordos a vinha d´alhos, que são passarinhos quase pássaros.
mas ficaria com tentado pelos pezinhos de coentrada, pés de porco ao coentro, até a hora que o fumo, fumaça do seu cigarro, viesse a lume, lume que em portugal é fogo.
fico-me então, solitário, antes só e bem acompanhado, a tomar um cimbalino, que é o cafezinho no porto e que em lisboa seria bica. confesso que coisa que nunca fiz foi tomar um café com perfume – não se toma cimbalino com perfume, bica pode – que é café com pinga, com a “ mardita”, café com água que não se dá de beber para passarinho.
e, bate-me uma sensação de imigrante, se não mais poder voltar a portugal , que será de mim se findar-me apenas caricatura de saudades?
pensando assim saio do boteco a chutar caricas, as nossas tampinhas de cerveja e refigerantes procurando um cão tinhoso, que tinha é pior que lepra, mas tinhoso também é esperteza diabólica, para dividir com ele meu último pedaço de panado, empanado ou à milanesa.
visto de saída
a religião teve um triunfal retorno. católicos e protestantes, muçulmanos e judeus — todos demonstraram seu amor a deus massacrando-se uns aos outros
tony parson, para a revista, inglesa,“elle”.
tony parson, para a revista, inglesa,“elle”.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
mania de perseguição
a igreja – vale para o islã, também - reclama das perseguições quando não lhe é permitido perseguir. luis de zulueta
respingando pra todo lado
Veja = bosta
IstoÉ = bosta
CartaCapital = bosta, depois que virou panfleto contra o Daniel Dantas
Época = bosta, já nasceu bosta
Revista semanal no Brasil é sinônimo de bosta. Só os anunciantes ainda não perceberam.
sérgio faria, no seu catarroverde. junto dele eu sou um gentlman. e eu nao sou não uai ? vocês é que são uns bostas.
IstoÉ = bosta
CartaCapital = bosta, depois que virou panfleto contra o Daniel Dantas
Época = bosta, já nasceu bosta
Revista semanal no Brasil é sinônimo de bosta. Só os anunciantes ainda não perceberam.
sérgio faria, no seu catarroverde. junto dele eu sou um gentlman. e eu nao sou não uai ? vocês é que são uns bostas.
dormi jornalista e acordei sem profissão
A volta do diploma.
O título desse artigo é uma paráfrase da célebre frase do filósofo e teólogo Erasmo de Roterdã, por ocasião da Reforma Protestante do século 16: "Dormi católico e acordei protestante". Realmente, sou jornalista, trabalho com carteira assinada, edito um jornal, tenho a profissão como minha principal fonte de renda e, de repente, do dia para a noite, tornei-me um cidadão sem profissão e pior, impedido de trabalhar naquilo que é o meu ofício, de acordo com o Decreto-Lei 972/69 da ditadura militar.
Com a caça às bruxas, digo aos jornalistas com registro precário, promovida pela Fenaj e sindicatos de jornalistas de todo o país, a situação, além de insustentável, tornou-se um verdadeiro paradoxo. Explico: Se os registros estão sendo cassados pelo fato de os precários não terem a qualificação adequada para o exercício da profissão (falta do diploma), então, como estão trabalhando em redações e assessorias? Ora, nenhum patrão, por mais amigo que fosse, contrataria alguém incapaz para sua empresa.
O paradoxo reside aí. Se o que qualifica o jornalista é o diploma subtende-se que os que não têm o referido diploma são incapazes para o exercício da profissão, e os diplomados, sim. Entretanto, a realidade contradiz isso. Estar trabalhando e no exercício pleno da atividade é prova inconteste da qualificação. Repito: nenhum patrão contrataria um profissional desqualificado, mais ainda, nenhum leitor, telespectador ou ouvinte perderia tempo em ouvir ou ler algo de alguém que não domine o ofício. Esta é a meu ver a condição sine qua non , que determina quem é apto e quem não é para o exercício da profissão de jornalista.
Além dos argumentos expostos acima, há ainda a questão legal que pesa contra a obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo. Não preciso aqui relembrar os artigos 5º, inciso IX e 220º da Constituição Federal e nem me reportar à Lei de Imprensa, que em momento algum cita a obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão e nem exige que jornais, revistas e periódicos tenham jornalistas formados como responsáveis por estas publicações. Parece-me que está havendo um total desconhecimento das leis que regem o jornalismo no Brasil e uma explícita má intenção da Fenaj e sindicatos em impor uma reserva de mercado insustentável num país como o Brasil.
Questão mais ampla
Pior, como pode o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, determinar o cancelamento dos registros precários, se a questão ainda não se esgotou! Não houve direito de defesa dos prejudicados, no caso, os jornalistas com registros precários. Não chegamos ainda ao STF, e cabe recurso em instâncias superiores. Um decreto-lei, promulgado num período excepcional, assinado por três militares das forças armadas, não pode de maneira alguma prevalecer sobre a Constituição Federal e outras leis que garantem o livre exercício do jornalismo. O Decreto-Lei 972/69 deve ser extinto, primeiro porque é um decreto promulgado por um Estado excepcional de governo que não existe mais, segundo, porque a Constituição de 88 não o recepcionou e terceiro, porque é ilegítimo.
Não se está propondo a extinção dos cursos de Jornalismo (se é esse o medo dos pró-diploma) e sim a derrubada do decreto-lei da ditadura, que é uma afronta à liberdade de expressão e do pensamento. Mais ainda, é uma mordaça contra a criatividade e cheira mal como os fétidos porões do regime totalitário de 1964.
A questão do diploma de jornalista é uma questão mais ampla, que precisa ser discutida com toda a sociedade e não somente com os assessores de imprensa que dominam a Fenaj e os sindicatos de jornalistas do país. Lutamos por uma imprensa livre e democrática e pela liberdade de expressão, que é direito inalienável de todo ser humano.
Haroldo Mendes (*) (*) Jornalista, editor do jornal Tribuna Cristã , vice-presidente da diretoria provisória da União Brasileira de Jornalistas, movimento contra a exigência do diploma de jornalista.
é por causa de artigos como este que estamos adiando o nosso artigo, prometido para janeiro - diploma dá caráter ? ou o caráter do diploma. de janeiro não passa.
só para adiantar, eu tenho diploma de jornalista mas já escrevia muito antes da faculdade. e se você me perguntar pra que me serviu a faculdade ? eu vou lhe dizer que nem pra comer a mulherada, que na minha turma, pra além de dedo duro, e josé pimentel com aquela cara de cristo, só tinha lambisgóia, mocréia e tribufú. provocação? espere pelo artigo,
O título desse artigo é uma paráfrase da célebre frase do filósofo e teólogo Erasmo de Roterdã, por ocasião da Reforma Protestante do século 16: "Dormi católico e acordei protestante". Realmente, sou jornalista, trabalho com carteira assinada, edito um jornal, tenho a profissão como minha principal fonte de renda e, de repente, do dia para a noite, tornei-me um cidadão sem profissão e pior, impedido de trabalhar naquilo que é o meu ofício, de acordo com o Decreto-Lei 972/69 da ditadura militar.
Com a caça às bruxas, digo aos jornalistas com registro precário, promovida pela Fenaj e sindicatos de jornalistas de todo o país, a situação, além de insustentável, tornou-se um verdadeiro paradoxo. Explico: Se os registros estão sendo cassados pelo fato de os precários não terem a qualificação adequada para o exercício da profissão (falta do diploma), então, como estão trabalhando em redações e assessorias? Ora, nenhum patrão, por mais amigo que fosse, contrataria alguém incapaz para sua empresa.
O paradoxo reside aí. Se o que qualifica o jornalista é o diploma subtende-se que os que não têm o referido diploma são incapazes para o exercício da profissão, e os diplomados, sim. Entretanto, a realidade contradiz isso. Estar trabalhando e no exercício pleno da atividade é prova inconteste da qualificação. Repito: nenhum patrão contrataria um profissional desqualificado, mais ainda, nenhum leitor, telespectador ou ouvinte perderia tempo em ouvir ou ler algo de alguém que não domine o ofício. Esta é a meu ver a condição sine qua non , que determina quem é apto e quem não é para o exercício da profissão de jornalista.
Além dos argumentos expostos acima, há ainda a questão legal que pesa contra a obrigatoriedade de diploma para exercer o jornalismo. Não preciso aqui relembrar os artigos 5º, inciso IX e 220º da Constituição Federal e nem me reportar à Lei de Imprensa, que em momento algum cita a obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão e nem exige que jornais, revistas e periódicos tenham jornalistas formados como responsáveis por estas publicações. Parece-me que está havendo um total desconhecimento das leis que regem o jornalismo no Brasil e uma explícita má intenção da Fenaj e sindicatos em impor uma reserva de mercado insustentável num país como o Brasil.
Questão mais ampla
Pior, como pode o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, determinar o cancelamento dos registros precários, se a questão ainda não se esgotou! Não houve direito de defesa dos prejudicados, no caso, os jornalistas com registros precários. Não chegamos ainda ao STF, e cabe recurso em instâncias superiores. Um decreto-lei, promulgado num período excepcional, assinado por três militares das forças armadas, não pode de maneira alguma prevalecer sobre a Constituição Federal e outras leis que garantem o livre exercício do jornalismo. O Decreto-Lei 972/69 deve ser extinto, primeiro porque é um decreto promulgado por um Estado excepcional de governo que não existe mais, segundo, porque a Constituição de 88 não o recepcionou e terceiro, porque é ilegítimo.
Não se está propondo a extinção dos cursos de Jornalismo (se é esse o medo dos pró-diploma) e sim a derrubada do decreto-lei da ditadura, que é uma afronta à liberdade de expressão e do pensamento. Mais ainda, é uma mordaça contra a criatividade e cheira mal como os fétidos porões do regime totalitário de 1964.
A questão do diploma de jornalista é uma questão mais ampla, que precisa ser discutida com toda a sociedade e não somente com os assessores de imprensa que dominam a Fenaj e os sindicatos de jornalistas do país. Lutamos por uma imprensa livre e democrática e pela liberdade de expressão, que é direito inalienável de todo ser humano.
Haroldo Mendes (*) (*) Jornalista, editor do jornal Tribuna Cristã , vice-presidente da diretoria provisória da União Brasileira de Jornalistas, movimento contra a exigência do diploma de jornalista.
é por causa de artigos como este que estamos adiando o nosso artigo, prometido para janeiro - diploma dá caráter ? ou o caráter do diploma. de janeiro não passa.
só para adiantar, eu tenho diploma de jornalista mas já escrevia muito antes da faculdade. e se você me perguntar pra que me serviu a faculdade ? eu vou lhe dizer que nem pra comer a mulherada, que na minha turma, pra além de dedo duro, e josé pimentel com aquela cara de cristo, só tinha lambisgóia, mocréia e tribufú. provocação? espere pelo artigo,
de conto infantil a conto de terror: como aconteceu
Professor especializado em Islã, o blogueiro Juan Cole levantou o histórico da confusão com as charges.
Em 16 de setembro passado, um escritor de livros infantis dinamarquês reclamou que não conseguia alguém para ilustrar sua história do profeta Maomé. Então o jornal Jyllands-Posten decidiu convocar um concurso para cartunistas – o objetivo era mostrar que, na Dinamarca, qualquer coisa podia ser publicada. Doze caricaturas saíram em 30 de setembro.
Ao longo de outubro, clérigos muçulmanos dinamarqueses protestaram, deram queixa na polícia. Até o dia 20, embaixadores de países árabes mais Paquistão, Irã, Bosnia-Herzegovina e Indonésia escreveram para o premiê Anders Rasumssen em protesto. Ele limitou-se a responder que o governo não podia interferir com o que saía na imprensa local e lavou as mãos. Então, 5.000 muçulmanos que vivem no país foram às ruas em protesto.
Atormentado com o aumento de popularidade da Irmandade Muçulmana, o governo egípcio decidiu forçar o discurso. O regime Mubarak é uma ditadura laica – a defesa do Islã pegaria bem, avaliou-se. Em novembro, o ministro das relações exteriores, Ahmed Abul-Gheit, fez ele mesmo um protesto oficial que fez a notícia circular com ênfase particular em seu país.
A imprensa egípcia é uma das que mais repercute no mundo islâmico e fez com que a notícia circulasse. No dia 4 de dezembro, o grupo fundamentalista Jamaat-e-Islami, do Paquistão, ofereceu um prêmio de 8.000 dólares pela morte a quem matasse um dos cartunistas.
Com a notícia de que já havia ameaças de morte, lentamente, outros jornais europeus começaram a pescar a história e, para ilustrá-la, alguns republicaram os cartuns. E assim a crise escalou.
publicado in nomínimo.
Em 16 de setembro passado, um escritor de livros infantis dinamarquês reclamou que não conseguia alguém para ilustrar sua história do profeta Maomé. Então o jornal Jyllands-Posten decidiu convocar um concurso para cartunistas – o objetivo era mostrar que, na Dinamarca, qualquer coisa podia ser publicada. Doze caricaturas saíram em 30 de setembro.
Ao longo de outubro, clérigos muçulmanos dinamarqueses protestaram, deram queixa na polícia. Até o dia 20, embaixadores de países árabes mais Paquistão, Irã, Bosnia-Herzegovina e Indonésia escreveram para o premiê Anders Rasumssen em protesto. Ele limitou-se a responder que o governo não podia interferir com o que saía na imprensa local e lavou as mãos. Então, 5.000 muçulmanos que vivem no país foram às ruas em protesto.
Atormentado com o aumento de popularidade da Irmandade Muçulmana, o governo egípcio decidiu forçar o discurso. O regime Mubarak é uma ditadura laica – a defesa do Islã pegaria bem, avaliou-se. Em novembro, o ministro das relações exteriores, Ahmed Abul-Gheit, fez ele mesmo um protesto oficial que fez a notícia circular com ênfase particular em seu país.
A imprensa egípcia é uma das que mais repercute no mundo islâmico e fez com que a notícia circulasse. No dia 4 de dezembro, o grupo fundamentalista Jamaat-e-Islami, do Paquistão, ofereceu um prêmio de 8.000 dólares pela morte a quem matasse um dos cartunistas.
Com a notícia de que já havia ameaças de morte, lentamente, outros jornais europeus começaram a pescar a história e, para ilustrá-la, alguns republicaram os cartuns. E assim a crise escalou.
publicado in nomínimo.
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
pelas barbas do profeta
Como o crescente furor internacional sobre 12 caricaturas dinamarquesas demonstra, muitos muçulmanos no mundo islâmico não vêem a liberdade da mesma maneira.
Quatro meses atrás, um jornal dinamarquês publicou charges que mostravam Maomé com variados graus de irreverência, incluindo uma na qual ele veste uma bomba em forma de turbante na cabeça, com um pavio.
Tal caricatura é compreensivelmente ofensiva a devotos muçulmanos. O Alcorão desencoraja imagens artísticas no geral, e a tradição islâmica proíbe descrições de Maomé e outros respeitados como profetas. A charge do turbante-bomba conduz um insulto adicional: a implicação que o Islã em sua essência é violento e terrorista.
Se somente os muçulmanos ofendidos pudessem protestar para o jornal – e deixar por isso mesmo.
Ao invés disso, muitas pessoas através de muito do mundo islâmico têm se expressado furiosamente contra toda a nação da Dinamarca, boicotando seus produtos e – em poucos lugares – ameaçando cidadãos. A fúria agora foi estendida para a Noruega, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Suíça, onde outros jornais imprimiram as mesmas caricaturas em solidariedade com a publicação dinamarquesa.
Nos territórios palestinos, a Brigada dos Mártires de al-Aqsa alertou suecos e dinamarqueses para deixarem Gaza e a Margem Ocidental – “ou mais”. Homens armados em Gaza ameaçaram seqüestrar franceses, noruegueses, dinamarqueses e alemães ao menos que seus governos peçam desculpas pelas charges.
Perderam eles a ironia? Em alguns países árabes, judeus são rotineiramente descritos em impressões como criaturas sub-humanas ou diabólicas. A preocupação sobre sensibilidades ofendidas pode ser notavelmente unilateral nesse mundo.
A caricatura ilumina profundas diferenças entre o Ocidente e tradicionais sociedades islâmicas. Os muçulmanos protestantes consideram nações inteiras como responsáveis pelas ações dos jornais. Em muito do Oriente Médio, isso pode fazer sentido, porque os governos dessa região freqüentemente controlam a imprensa. Em lugares como Dinamarca e França, entretanto, isso simplesmente não ocorre.
Mais fundamentalmente, liberdade de imprensa no Ocidente vence tabus de religiões sobre expressão. Na Europa Ocidental, assim como na América, cidadãos gozam de um alto grau de liberdade religiosa. Mas isso não inclui um direito de nunca ser ofendido ou ter a crença de alguém desafiada. Enfaticamente, isso não inclui ter uma religião privilegiada em detrimento das outras. Em um país livre, até mesmo discurso de blasfêmia é protegido – e o assunto, a ser contradito por fiéis.
Sociedades islâmicas tendem a rejeitar tal ilimitada liberdade de expressão. Isso é assunto deles. Mas exigir que nações ocidentais rejeitem isso, também, é um passo em direção a um perigoso novo solo.
12 caricaturas que estão abalando o mundo, editorial do new york times em 04,02,06.
Quatro meses atrás, um jornal dinamarquês publicou charges que mostravam Maomé com variados graus de irreverência, incluindo uma na qual ele veste uma bomba em forma de turbante na cabeça, com um pavio.
Tal caricatura é compreensivelmente ofensiva a devotos muçulmanos. O Alcorão desencoraja imagens artísticas no geral, e a tradição islâmica proíbe descrições de Maomé e outros respeitados como profetas. A charge do turbante-bomba conduz um insulto adicional: a implicação que o Islã em sua essência é violento e terrorista.
Se somente os muçulmanos ofendidos pudessem protestar para o jornal – e deixar por isso mesmo.
Ao invés disso, muitas pessoas através de muito do mundo islâmico têm se expressado furiosamente contra toda a nação da Dinamarca, boicotando seus produtos e – em poucos lugares – ameaçando cidadãos. A fúria agora foi estendida para a Noruega, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha e Suíça, onde outros jornais imprimiram as mesmas caricaturas em solidariedade com a publicação dinamarquesa.
Nos territórios palestinos, a Brigada dos Mártires de al-Aqsa alertou suecos e dinamarqueses para deixarem Gaza e a Margem Ocidental – “ou mais”. Homens armados em Gaza ameaçaram seqüestrar franceses, noruegueses, dinamarqueses e alemães ao menos que seus governos peçam desculpas pelas charges.
Perderam eles a ironia? Em alguns países árabes, judeus são rotineiramente descritos em impressões como criaturas sub-humanas ou diabólicas. A preocupação sobre sensibilidades ofendidas pode ser notavelmente unilateral nesse mundo.
A caricatura ilumina profundas diferenças entre o Ocidente e tradicionais sociedades islâmicas. Os muçulmanos protestantes consideram nações inteiras como responsáveis pelas ações dos jornais. Em muito do Oriente Médio, isso pode fazer sentido, porque os governos dessa região freqüentemente controlam a imprensa. Em lugares como Dinamarca e França, entretanto, isso simplesmente não ocorre.
Mais fundamentalmente, liberdade de imprensa no Ocidente vence tabus de religiões sobre expressão. Na Europa Ocidental, assim como na América, cidadãos gozam de um alto grau de liberdade religiosa. Mas isso não inclui um direito de nunca ser ofendido ou ter a crença de alguém desafiada. Enfaticamente, isso não inclui ter uma religião privilegiada em detrimento das outras. Em um país livre, até mesmo discurso de blasfêmia é protegido – e o assunto, a ser contradito por fiéis.
Sociedades islâmicas tendem a rejeitar tal ilimitada liberdade de expressão. Isso é assunto deles. Mas exigir que nações ocidentais rejeitem isso, também, é um passo em direção a um perigoso novo solo.
12 caricaturas que estão abalando o mundo, editorial do new york times em 04,02,06.
o equívoco do humor não se compraz, nunca, ao equívoco do terror
ao noticiar os protestos com a ressalva de que não publicava as charges em respeito a religião muçulmana, a rede globo cagou-se de medo – e não fez assepsia editorial por respeito a valores religiosos coisa nenhuma.
ao contrário, diversos jornais europeus que republicaram as charges em solidariedade ao hebdomatário dinamaquês e a liberdade de expressão, o que foi considerado por articulista do observatório da imprensa como ainda mais detraqué, no que concorda o editorial do the guardian ao afirmar que: não é porque temos a lberdade de o fazer que podemos ou devemos fazer.
a igreja, ataca de bentinho, caricato como todo papa, só que ainda mais embolorado emitiu nota afirmando que o conceito de liberdade de expressão não englobava a falta de respeito aos símbolos religiosos, o que não causa surprêsa em quem ferveu no azeite bem passado muita gente que sequer fez croqui de caricatura, quando não os empalou e sabe-se bem o que mais em seus requintes de terror.
como sou do tempo em que os próprios marroquinos,libaneses, enfim, a república arabe independente da rua do saara, no rio de janeiro fazia piada de sí mesmo o ano inteiro e não só no carnaval, onde as fantasias extrapolavam, digo o seguinte: maomé, tem chulé.
respeito para com as diferenças. concordamos todos é a base do primado do aperfeiçoamento da experiência humana da convivência. mas é impossível concordar com as manifestações que vem num crescente abominável a partir de um fato acontecido em setembro. nenhum desrespeito, nenhuma blasfêmia justifica tamanha reação.
e, lamentavelmente, de novo pelo medo, o jornal dinamarquês pede desculpas. não o deveria.
afinal, os praticantes do olho por olho dente por dente, não pedirão pelo que fizeram, de tão caricatos que foram.
ao contrário, diversos jornais europeus que republicaram as charges em solidariedade ao hebdomatário dinamaquês e a liberdade de expressão, o que foi considerado por articulista do observatório da imprensa como ainda mais detraqué, no que concorda o editorial do the guardian ao afirmar que: não é porque temos a lberdade de o fazer que podemos ou devemos fazer.
a igreja, ataca de bentinho, caricato como todo papa, só que ainda mais embolorado emitiu nota afirmando que o conceito de liberdade de expressão não englobava a falta de respeito aos símbolos religiosos, o que não causa surprêsa em quem ferveu no azeite bem passado muita gente que sequer fez croqui de caricatura, quando não os empalou e sabe-se bem o que mais em seus requintes de terror.
como sou do tempo em que os próprios marroquinos,libaneses, enfim, a república arabe independente da rua do saara, no rio de janeiro fazia piada de sí mesmo o ano inteiro e não só no carnaval, onde as fantasias extrapolavam, digo o seguinte: maomé, tem chulé.
respeito para com as diferenças. concordamos todos é a base do primado do aperfeiçoamento da experiência humana da convivência. mas é impossível concordar com as manifestações que vem num crescente abominável a partir de um fato acontecido em setembro. nenhum desrespeito, nenhuma blasfêmia justifica tamanha reação.
e, lamentavelmente, de novo pelo medo, o jornal dinamarquês pede desculpas. não o deveria.
afinal, os praticantes do olho por olho dente por dente, não pedirão pelo que fizeram, de tão caricatos que foram.
décima terceira caricatura
o islã protesta contra as charges porque não sabe fazer rir, só sabe fazer chorar. e seu respeito para com a fé dá-se pela imposição da não fé através da reza forte do medo, prática em que a igreja católica também foi mestra.
a grande caricatura geral é que sob o pretexto de serem ofendidos ao serem representados como terroristas, certo que é que nem todo muçulmano é terrorista, as ações de protesto dos adeptos de maomé, desencadearam-se como verdadeiras caricaturas de , demonstrando que o riso, mesmo de escárnio, o que soa para muçulmanos as 12 charges publicadas, cada vez mais aproxima-se da verdade. são eles que estão transformando uma paródia em realidade a beira de tornar-se sangrenta.
os grandes espíritos, louvam o humor mesmo quando deles não se comprar. ou seria isto apenas um cacoete da cultura ocidental dos infiéis ?
a grande caricatura geral é que sob o pretexto de serem ofendidos ao serem representados como terroristas, certo que é que nem todo muçulmano é terrorista, as ações de protesto dos adeptos de maomé, desencadearam-se como verdadeiras caricaturas de , demonstrando que o riso, mesmo de escárnio, o que soa para muçulmanos as 12 charges publicadas, cada vez mais aproxima-se da verdade. são eles que estão transformando uma paródia em realidade a beira de tornar-se sangrenta.
os grandes espíritos, louvam o humor mesmo quando deles não se comprar. ou seria isto apenas um cacoete da cultura ocidental dos infiéis ?
domingo, fevereiro 05, 2006
na contra-mão da cultura ou a não sinalização dela
material agora disponível no dulcora.blogspot.com
sábado, fevereiro 04, 2006
chic todo
George Clooney não é o último dos liberais, como se costuma dizer. Mas é o primeiro de uma nova cepa. É o maior agitador em atividade em Hollywood, mas não faz piquetes nem acena com uma carreira política. Com sete indicações ao Oscar, o ator e diretor prova que nada é mais chique do que ter opinião.
chamada da veja para sua rubrica de cinema esta semana.
minha nossa como eu sou chic e não sabia.
chamada da veja para sua rubrica de cinema esta semana.
minha nossa como eu sou chic e não sabia.
sucata
da ford a campanha inteira. da fiat, o “bee gees”, para o doblò. da volkswagen? manjadinhos manjadinhos. ainda assim, há graça na tellinha graças a estas marcas.
mas o que se passa então com os comerciais das concessionárias locais entregues a agencias que se dizem primor de criatividade e posicionamento estratégico?
a “criatividade” neles embarcada parece ter sofrido influência do design do “lada zé do caixão” acrescida da coordenadas de uma derrapada rumo ao desmanche.
mas o que se passa então com os comerciais das concessionárias locais entregues a agencias que se dizem primor de criatividade e posicionamento estratégico?
a “criatividade” neles embarcada parece ter sofrido influência do design do “lada zé do caixão” acrescida da coordenadas de uma derrapada rumo ao desmanche.
infindável estoque, de asneiras, infelizmente
50% de desconto que é para acabar com o estoque (sic).
quando um shopping adota uma tag line destas tudo o mais não se precisa dizer.
apenas que o boa vista não decepciona. e nos brinda uma vez mais com a obtusidade de quem atua na gerência de marketing como se ainda vendesse loja. o que o faz devidamente escudada pela impropriedade da sua direção.
se o shopping da cidade quer acabar com o estoque, deve adotar uma providencia infalível de vez, se não é o que já está fazendo: cometer suicídio na calada de sua comunicação, de uma estupidez gritante.
quando um shopping adota uma tag line destas tudo o mais não se precisa dizer.
apenas que o boa vista não decepciona. e nos brinda uma vez mais com a obtusidade de quem atua na gerência de marketing como se ainda vendesse loja. o que o faz devidamente escudada pela impropriedade da sua direção.
se o shopping da cidade quer acabar com o estoque, deve adotar uma providencia infalível de vez, se não é o que já está fazendo: cometer suicídio na calada de sua comunicação, de uma estupidez gritante.
mortos-vivos
Este artigo foi inspirado na notícia de que a Fischer América decidiu extinguir a área de Atendimento
Há 50 anos, no dia 1º. de fevereiro de 1956, um menino de 15 anos começava no seu primeiro emprego, como office-boy na filial brasileira de uma agência de publicidade que, historicamente, tinha inventado a Publicidade como categoria profissional: JWT. Endereço: Rua Boa Vista, 51, centro da cidade de São Paulo. Extasiado com aquele mundo novo, ele percorre os vários andares em que a agência estava instalada. Caminhando pelos corredores, chamou a sua atenção a palavra Media, escrita numa placa - mais tarde lhe explicarem o seu significado, plural latino de Médium, meio, e mais tarde, “naturalizada” como Mídia.
O menino não poderia imaginar que, depois de breve passagem pelo departamento de Expedição, onde ficavam os office-boys, ele mesmo iria se iniciar, profissionalmente, na Mídia. Mas no andar que percorreu a seguir, outra palavra mais acessível chamou a sua atenção: Representantes. O que significaria? Logo nas primeiras semanas ele percebeu que a palavra usada pra designar os representantes era Contacto, com esse c esquisito. Anos depois, o Contacto virou Homem de Atendimento (mulheres, em geral, ocupavam o cargo de secretárias, telefonistas,etc).
Para encurtar a história, aquele menino, o signatário, depois de breve passagem pela Mídia da JWT e depois Almap, migraria, definitivamente, para o Atendimento. Na época, um verdadeiro upgrade profissional, pois desde os primórdios da atividade publicitária em nosso país, até meados da década de cinqüenta, o Atendimento era a área de maior importância e prestígio dentro das agências de publicidade, exercendo hegemonia sobre as demais. Durante todo esse longo período, o Atendimento detinha o monopólio da ligação “Cliente-Agência”.
No Atendimento, fui testemunha da evolução técnica da Criação nos anos setenta. Logo a seguir, da evolução técnica da Mídia. No final da década de setenta (1978) a área de Atendimento reconhece que estava ficando para trás e procura também o caminho da qualificação técnica. Sinalizando essa nova consciência, cria o Grupo de Atendimento em São Paulo para congregar os profissionais da área.
Em abril de 1978, no III Congresso Brasileiro de Propaganda, o Grupo de Atendimento apresenta uma tese sobre a necessidade imperiosa de reciclar-se a área e de atribuir-lhe novos papéis profissionais, sob pena de ter a sua importância cada vez mais questionada pelos outros companheiros. Visto por outro ângulo, também eles são Atendimento, uma vez que a essência do nosso negócio é atender o Cliente.
Que novos papéis o Atendimento reivindicava em 1978 para estar à altura da Criação e da Mídia?
Vale reproduzir aqui as seis conclusões propostas na tese apresentada pelo signatário em nome do Grupo de Atendimento de São Paulo no III Congresso e que deveriam nortear o comportamento dos profissionais da área nas quase três décadas que nos distanciam daquele evento máximo da categoria, momento histórico da Publicidade Brasileira.
1ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento precisa estar preparado profissionalmente para uma nova era de intensa competitividade comercial dos Clientes e conseqüente elevação do grau de exigência profissional das Agências e do setor de Atendimento em especial;
2ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento será convocado, já nos próximos dez anos, a assumir, gradativamente, um novo e importante papel junto aos seus Clientes na medida em que as técnicas e procedimentos de Marketing vão sendo assimilados e mais amplamente aplicados pelas empresas ainda infensas a essa mentalidade comercial;
3ª. Conclusão:
O novo Profissional de Atendimento será mais capacitado tecnicamente na medida em que ele continuará a ser o principal Assessor do Cliente na área de Comunicação;
4ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento deverá aprimorar-se nas técnicas de Planejamento, pois esta função é, historicamente, uma função inalienável do Atendimento;
5ª. Conclusão:
O setor de Atendimento defende o princípio de que o trabalho dentro da Agência é atividade essencialmente de equipe. Coerente com essa postura, rejeita quaisquer tentativas de hegemonia de uma ou outra área da Agência;
6ª. Conclusão:
A exemplo de outras categorias (áreas técnicas), o Atendimento acredita ser legítima e válida a união dos elementos da área em torno de uma entidade representativa. No caso dos profissionais de Atendimento [de São Paulo] essa entidade, embora incipiente, é o Grupo de Atendimento, que precisa ser fortalecido em benefício do próprio setor.
Para finalizar: não acredito na extinção da área de Atendimento das Agências de Publicidade. Em primeiro lugar porque é preciso um profissional generalista para coordenar internamente o trabalho dos especialistas – Criação, Mídia, Produção,etc. E aqui vale lembrar aquele argumento incontestável de que o Atendimento é como um Maestro de uma Orquestra: ele não precisa tocar todos os instrumentos, mas precisa conhecê-los, ter o domínio dos mesmos.
Em segundo lugar, no meu entendimento, o Atendimento não poderá ser extinto ou substituído em suas funções por uma razão muito simples: nem o Planejamento e muito menos a Criação têm vocação e condições efetivas de coordenar a miríade de fios que interligam a relação Cliente-Agência.
Quanto à necessidade, cada vez mais imperiosa, de reciclagem, de aprimoramento técnico-profissional, as seis conclusões de 1978 reproduzidas acima merecem, de parte dos inovadores e dos profissionais de Atendimento, apesar do tempo decorrido, ao menos uma leitura e reflexão.
O Atendimento não morreu. E nunca morrerá. por " Chico" Francisco Socorro, Ex Profissional de Atendimento, hoje Consultor de Comunicação e Marketing
Observação do autor:
A denominação Homem de Atendimento, do texto original da tese apresentada no III Congresso em 1978 foi substituída neste artigo pela expressão Profissional de Atendimento, cargo hoje ocupado, majoritariamente, por competentes mulheres.
Há 50 anos, no dia 1º. de fevereiro de 1956, um menino de 15 anos começava no seu primeiro emprego, como office-boy na filial brasileira de uma agência de publicidade que, historicamente, tinha inventado a Publicidade como categoria profissional: JWT. Endereço: Rua Boa Vista, 51, centro da cidade de São Paulo. Extasiado com aquele mundo novo, ele percorre os vários andares em que a agência estava instalada. Caminhando pelos corredores, chamou a sua atenção a palavra Media, escrita numa placa - mais tarde lhe explicarem o seu significado, plural latino de Médium, meio, e mais tarde, “naturalizada” como Mídia.
O menino não poderia imaginar que, depois de breve passagem pelo departamento de Expedição, onde ficavam os office-boys, ele mesmo iria se iniciar, profissionalmente, na Mídia. Mas no andar que percorreu a seguir, outra palavra mais acessível chamou a sua atenção: Representantes. O que significaria? Logo nas primeiras semanas ele percebeu que a palavra usada pra designar os representantes era Contacto, com esse c esquisito. Anos depois, o Contacto virou Homem de Atendimento (mulheres, em geral, ocupavam o cargo de secretárias, telefonistas,etc).
Para encurtar a história, aquele menino, o signatário, depois de breve passagem pela Mídia da JWT e depois Almap, migraria, definitivamente, para o Atendimento. Na época, um verdadeiro upgrade profissional, pois desde os primórdios da atividade publicitária em nosso país, até meados da década de cinqüenta, o Atendimento era a área de maior importância e prestígio dentro das agências de publicidade, exercendo hegemonia sobre as demais. Durante todo esse longo período, o Atendimento detinha o monopólio da ligação “Cliente-Agência”.
No Atendimento, fui testemunha da evolução técnica da Criação nos anos setenta. Logo a seguir, da evolução técnica da Mídia. No final da década de setenta (1978) a área de Atendimento reconhece que estava ficando para trás e procura também o caminho da qualificação técnica. Sinalizando essa nova consciência, cria o Grupo de Atendimento em São Paulo para congregar os profissionais da área.
Em abril de 1978, no III Congresso Brasileiro de Propaganda, o Grupo de Atendimento apresenta uma tese sobre a necessidade imperiosa de reciclar-se a área e de atribuir-lhe novos papéis profissionais, sob pena de ter a sua importância cada vez mais questionada pelos outros companheiros. Visto por outro ângulo, também eles são Atendimento, uma vez que a essência do nosso negócio é atender o Cliente.
Que novos papéis o Atendimento reivindicava em 1978 para estar à altura da Criação e da Mídia?
Vale reproduzir aqui as seis conclusões propostas na tese apresentada pelo signatário em nome do Grupo de Atendimento de São Paulo no III Congresso e que deveriam nortear o comportamento dos profissionais da área nas quase três décadas que nos distanciam daquele evento máximo da categoria, momento histórico da Publicidade Brasileira.
1ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento precisa estar preparado profissionalmente para uma nova era de intensa competitividade comercial dos Clientes e conseqüente elevação do grau de exigência profissional das Agências e do setor de Atendimento em especial;
2ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento será convocado, já nos próximos dez anos, a assumir, gradativamente, um novo e importante papel junto aos seus Clientes na medida em que as técnicas e procedimentos de Marketing vão sendo assimilados e mais amplamente aplicados pelas empresas ainda infensas a essa mentalidade comercial;
3ª. Conclusão:
O novo Profissional de Atendimento será mais capacitado tecnicamente na medida em que ele continuará a ser o principal Assessor do Cliente na área de Comunicação;
4ª. Conclusão:
O Profissional de Atendimento deverá aprimorar-se nas técnicas de Planejamento, pois esta função é, historicamente, uma função inalienável do Atendimento;
5ª. Conclusão:
O setor de Atendimento defende o princípio de que o trabalho dentro da Agência é atividade essencialmente de equipe. Coerente com essa postura, rejeita quaisquer tentativas de hegemonia de uma ou outra área da Agência;
6ª. Conclusão:
A exemplo de outras categorias (áreas técnicas), o Atendimento acredita ser legítima e válida a união dos elementos da área em torno de uma entidade representativa. No caso dos profissionais de Atendimento [de São Paulo] essa entidade, embora incipiente, é o Grupo de Atendimento, que precisa ser fortalecido em benefício do próprio setor.
Para finalizar: não acredito na extinção da área de Atendimento das Agências de Publicidade. Em primeiro lugar porque é preciso um profissional generalista para coordenar internamente o trabalho dos especialistas – Criação, Mídia, Produção,etc. E aqui vale lembrar aquele argumento incontestável de que o Atendimento é como um Maestro de uma Orquestra: ele não precisa tocar todos os instrumentos, mas precisa conhecê-los, ter o domínio dos mesmos.
Em segundo lugar, no meu entendimento, o Atendimento não poderá ser extinto ou substituído em suas funções por uma razão muito simples: nem o Planejamento e muito menos a Criação têm vocação e condições efetivas de coordenar a miríade de fios que interligam a relação Cliente-Agência.
Quanto à necessidade, cada vez mais imperiosa, de reciclagem, de aprimoramento técnico-profissional, as seis conclusões de 1978 reproduzidas acima merecem, de parte dos inovadores e dos profissionais de Atendimento, apesar do tempo decorrido, ao menos uma leitura e reflexão.
O Atendimento não morreu. E nunca morrerá. por " Chico" Francisco Socorro, Ex Profissional de Atendimento, hoje Consultor de Comunicação e Marketing
Observação do autor:
A denominação Homem de Atendimento, do texto original da tese apresentada no III Congresso em 1978 foi substituída neste artigo pela expressão Profissional de Atendimento, cargo hoje ocupado, majoritariamente, por competentes mulheres.
sexta-feira, fevereiro 03, 2006
há maldição na frase ?
a gente nunca deixa de ser redator né ?
ricardo chester. ao tornar-se CCO (chief creative officer) da JWT.
ricardo chester. ao tornar-se CCO (chief creative officer) da JWT.
pampulha que os pariu
país inteiro encrispado pela desumanidade do quase afogamento da criança presumidamente atirada à lagoa por mãe insana.
na china, centenas, talvez milhares de bebes do sexo feminino são afogadas num balde diariamente. e nossa humanidade comercialmente diplomática coopta rasa e afunda sem a menor depressão pós parto.
na china, centenas, talvez milhares de bebes do sexo feminino são afogadas num balde diariamente. e nossa humanidade comercialmente diplomática coopta rasa e afunda sem a menor depressão pós parto.
não confiam em ninguém com mais de trinta
agência de ribeirão preto envia mail a bluebus a procura de dois diretores de arte e um redator. gente mais jovem, com menos de trinta anos, circunscreve em meio a texto graçola que puxa saco do júlio.
desde quando gente com mais de 30 anos não pode fazer altacomunicazione? aliás, a julgar pelo que se vê por aí da grande maioria de “youngs creatives” a agência está a procura de equívocos para requentar copy e leaiute do seu texto.
nada contra os jovens, muito pelo contrário. e também não faço parte de ONGS dedicadas a proteção de dinossauros, muito embora tenha a idade de, mas sem considerar-me, um que decididamente não puxa a sardinha para sua dentadura.
se é verdade que nós temos a idade que nossos anúncios aparentam, tirada do júlio ribeiro, a agência perdeu ótima oportunidade de receber material criativo indexado com moeda de experiências que, ao contrario do que se pensa, podem ser mais ricas do que a de muita gente com menos de trinta anos que já está alquebrada pelos mesmos vícios e ranços de muita múmia glorificada.
assim, ao delimitar a fronteira etária, no que tem a altacomuncazione todo direito, instalou um filtro que pode ter baixado o nível, em nome menos de um perfil e mais de ter menos trabalho.
não lhe cabe a dura pelo prisma do politicamente correto, cabe-lhe pela falta do criativamente aberto.
desde quando gente com mais de 30 anos não pode fazer altacomunicazione? aliás, a julgar pelo que se vê por aí da grande maioria de “youngs creatives” a agência está a procura de equívocos para requentar copy e leaiute do seu texto.
nada contra os jovens, muito pelo contrário. e também não faço parte de ONGS dedicadas a proteção de dinossauros, muito embora tenha a idade de, mas sem considerar-me, um que decididamente não puxa a sardinha para sua dentadura.
se é verdade que nós temos a idade que nossos anúncios aparentam, tirada do júlio ribeiro, a agência perdeu ótima oportunidade de receber material criativo indexado com moeda de experiências que, ao contrario do que se pensa, podem ser mais ricas do que a de muita gente com menos de trinta anos que já está alquebrada pelos mesmos vícios e ranços de muita múmia glorificada.
assim, ao delimitar a fronteira etária, no que tem a altacomuncazione todo direito, instalou um filtro que pode ter baixado o nível, em nome menos de um perfil e mais de ter menos trabalho.
não lhe cabe a dura pelo prisma do politicamente correto, cabe-lhe pela falta do criativamente aberto.
renato sem bluecaps
por detrás do garoto-propaganda da eletroshopping, rede de lojas de eletrodomésticos existe um compositor-cantor. dizem-no sensível, apesar do esforço em classificá-lo como diluição da diluição do djavan, o jorge vercílio, como costuma a mídia no brasil rotular quem não cai nas suas graças. caem eles de pau então.
castelo é um dos seus discos, apesar de não encontrar outros títulos. e, quero ouví-lo. na glamourosa cultura, agora ponto de encontro dos descolados intelectuais da cidade dos arrecifes. existem discos em exposição. mas não catalogados, são capas mudas – bons tempos em que se entrava numa loja de discos e se podia ouví-los. e, mais importante, quem vendia os discos entendia minimamente de gêneros.
fico a imaginar o que cantará o renato quando semanalmente ele entra em minha casa como um doidivanas. monocórdico e esquemático na linguagem do varejo praticada. o que por certo não deve harmonizar forma e conteúdo com sua obra musical. por mais diluída que ela seja não deve chegar nem perto da diluição a infinitesimal do grito primal do mau varejo.
o garoto-propaganda deve sustentar o cantor-compositor. irônicamente, em nome da sobrivência, na verdade ele o mata paulatinamente. construindo uma imagem de clow que vai exigir do renato cantor um fôlego extraordinário de qualidade, para abafar a quantidade de inserções que ao longo dos anos vai cristalizando de maneira massiva sua imagem a semelhança de comerciais de qualidade caricatamente redundante e quando muito ridiculamente “criativas”.
o repertório de caras e bocas do renato propaganda é ainda menor que o número de prestações que anuncia. o do compositor-cantor, não posso afirmar pois ainda não o escutei.
mas certamente, renato sem bluecaps para a música estaria bem melhor. e se o dono da agência, que dizem, não abre mão da sua imagem, amizade a toda prova , fosse mesmo amigo do renato e da boa propaganda, trataria de construir situações mais favoráveis para todos.
até mesmo dentro da obra musical do renato, ganchos poderiam ser construidos em determinadas datas, vendendo-se de tudo o melhor ou um pouco melhor.
mas quem se importa com o melhor, quando o pior já enche barriga ? lógica tida como tiro e queda pelo mercado.
e tome a cantoria de caras, bocas, gritos, recursos que sustentam-se na parada de sucessos apenas pelo jabá da veiculação.
com a música tem sido assim em muitos casos. mas neste, nem assim para o campelo que continua para uns poucos à capela no deserto de boas idéias em que se transformou a propaganda veiculada em pernambuco.
castelo é um dos seus discos, apesar de não encontrar outros títulos. e, quero ouví-lo. na glamourosa cultura, agora ponto de encontro dos descolados intelectuais da cidade dos arrecifes. existem discos em exposição. mas não catalogados, são capas mudas – bons tempos em que se entrava numa loja de discos e se podia ouví-los. e, mais importante, quem vendia os discos entendia minimamente de gêneros.
fico a imaginar o que cantará o renato quando semanalmente ele entra em minha casa como um doidivanas. monocórdico e esquemático na linguagem do varejo praticada. o que por certo não deve harmonizar forma e conteúdo com sua obra musical. por mais diluída que ela seja não deve chegar nem perto da diluição a infinitesimal do grito primal do mau varejo.
o garoto-propaganda deve sustentar o cantor-compositor. irônicamente, em nome da sobrivência, na verdade ele o mata paulatinamente. construindo uma imagem de clow que vai exigir do renato cantor um fôlego extraordinário de qualidade, para abafar a quantidade de inserções que ao longo dos anos vai cristalizando de maneira massiva sua imagem a semelhança de comerciais de qualidade caricatamente redundante e quando muito ridiculamente “criativas”.
o repertório de caras e bocas do renato propaganda é ainda menor que o número de prestações que anuncia. o do compositor-cantor, não posso afirmar pois ainda não o escutei.
mas certamente, renato sem bluecaps para a música estaria bem melhor. e se o dono da agência, que dizem, não abre mão da sua imagem, amizade a toda prova , fosse mesmo amigo do renato e da boa propaganda, trataria de construir situações mais favoráveis para todos.
até mesmo dentro da obra musical do renato, ganchos poderiam ser construidos em determinadas datas, vendendo-se de tudo o melhor ou um pouco melhor.
mas quem se importa com o melhor, quando o pior já enche barriga ? lógica tida como tiro e queda pelo mercado.
e tome a cantoria de caras, bocas, gritos, recursos que sustentam-se na parada de sucessos apenas pelo jabá da veiculação.
com a música tem sido assim em muitos casos. mas neste, nem assim para o campelo que continua para uns poucos à capela no deserto de boas idéias em que se transformou a propaganda veiculada em pernambuco.
"ternurinha"
no "dia do publicitário",ontem, decanos da propaganda pernambucana e os mais “novos ricos”, Ilustres convidados do programa do “ secretário da cidade” (samir abou hana) confirmaram este mesmo deserto de idéias sem nada de novo a dizer a não ser tecerem-se louvour pelas marcas do passado.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
literalmente criativa pra caralho
dizia-se,nos bons tempos, que criativo que era criativo tinha que trabalhar o tempo inteiro de pau duro. diferentemente de agor,a onde o que se vê é muita ejaculação precoce.
mudando de pau pra cacete, é sempre um consolo saber que tem ainda tem gente que trabalha assim, de pau duro o tempo inteiro, e fazendo muitos consumidores ficar com o tesão pela proganda lá em cima também.
semana passada circulava na internet uma mensagem “curta e grossa”, com muito savoir faire ou sexy fair, como queira. “mala direta” ilustrada, de casa de sexo, puteiro, bordel, acompanhantes, mulher de programa, o termo você escolhe, com um texto que colocava o seguinte: calcule o custo fixo das relações sexuais com sua companheira; compare as moças da foto com uma foto dela e saiba que custa apenas R$130 o programa com qualquer uma das moças das fotos. mesmo considerando o custo das passagens a P.A., a relação custoxbenefício é imbatível.
enquanto isso uma geraçãozinha de bimba murcha e sem culhões fica punhetando archives, não fode! para ao final gozar apenas como vibradores.
mudando de pau pra cacete, é sempre um consolo saber que tem ainda tem gente que trabalha assim, de pau duro o tempo inteiro, e fazendo muitos consumidores ficar com o tesão pela proganda lá em cima também.
semana passada circulava na internet uma mensagem “curta e grossa”, com muito savoir faire ou sexy fair, como queira. “mala direta” ilustrada, de casa de sexo, puteiro, bordel, acompanhantes, mulher de programa, o termo você escolhe, com um texto que colocava o seguinte: calcule o custo fixo das relações sexuais com sua companheira; compare as moças da foto com uma foto dela e saiba que custa apenas R$130 o programa com qualquer uma das moças das fotos. mesmo considerando o custo das passagens a P.A., a relação custoxbenefício é imbatível.
enquanto isso uma geraçãozinha de bimba murcha e sem culhões fica punhetando archives, não fode! para ao final gozar apenas como vibradores.
baiano burro nasce morto
de volta às atividades, o clube de criação da bahia, larga na frente com uma carta convocatória a um olhar crítico a produção da propaganda baiana. se demagógica ou não, o tempo o dirá. por agora, nada mais oportuno e necessário.
muito pelo contrário, seus congenêneres na recuperação de outros clubes, como o de pernambuco, por exemplo, ficam degladiando-se em sua aspermia egocêntrica de interesses umbigais. fato não deturpado, este núcleo fugidio a toda prova, pratica a total falta de auto-crítica as remelas de uma nordestinidade subdesenvolvida, que consideram tentativas fantasmas de cópias de anúncios da archive, a prova de que a região dispõe de profissionais cujas peças se estivessem em premiações daquelas que não participam seriam primus inter pares.
enquanto isso os jornais que contem as reais criações desses mesmos senhores tão rigorosos em seu sprit du corps - patotagem minha gente, igrejinha - fede antes mesmo de limparem as sobras do mercado.
acorda cambada! que por sua postura até os coitados dos avestruzes estão morrendo de fome no mercado. a questão não é ter ou não talento. a questão é é que este talento não está sendo suficiente para solidificar negócios noutro nível, que não seja o da genuflexão ao que de pior existe: a falta de caráter da propaganda nordestina como manifestação de sí mesma enquanto geradora de novos códigos de comunicação dos valores da nossa terra.
"Nasceu o novo Clube de Criação da Bahia.
Como presidente eleito pela instituição, coube-me redigir a carta aberta ao mercado, informando os objetivos do novo CCBA.
Antes, porém, quero registrar um pensamento que, se está sendo lido, é somente porque concordaram com ele todos os membros do Clube:
...penso que a propaganda na Bahia vai mal.
Não me refiro a quantas anda o mercado sob o ponto de vista da economia, mas exclusivamente à qualidade criativa da propaganda.
Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque me incluo entre aqueles que nada têm feito para melhorar o cenário. Temos sido referências de nós mesmos e estamos presos em um mundinho que deveria ser do tamanho do universo, porque somos baianos. Dizem que "fazemos propaganda regional tão boa quanto as propagandas nacionais". E digo que não há nada mais desagradável que ouvir uma afirmação provinciana como essa. Precisamos lutar contra esse genoma de colonizados que nos impele a aceitar como verdade aquilo que vem de fora. Nós, criativos da Bahia, já fomos ícones da criatividade brasileira e agora somos meros sobreviventes da publicidade; essa é a mais pura verdade. Contentamo-nos em estar respirando e apenas. Estamos estandardizados. Viramos commodities.
Está certo que o mercado já não é mais aquele garoto virgem dos anos dourados, que chegava ao orgasmo só de ver uma panturrilha. Ele está mais exigente, porque já conhece de tudo. Fica cada vez mais difícil oferecer-lhe algo realmente inovador, capaz de satisfazê-lo plenamente. E aí, nesse grande problema, estaria a tábua da nossa salvação, não fosse a maldita e nefasta acomodação. Este texto, meus amigos, talvez um pouco exagerado em seu pessimismo, é contra esta. Contra o adormecimento que nos tirou o protagonismo na história da propaganda brasileira.
O novo Clube de Criação da Bahia tem como missão reencontrar o caminho da criatividade em nosso mercado, buscando promover a melhoria constante da qualidade criativa na propaganda baiana. Além do Anuário de Criação, planejamos realizar oficinas de criação para as universidades, workshops para clientes, palestras sobre a importância da criatividade com profissionais de dentro e fora do mercado baiano e, ainda, o concurso que visa premiar e incentivar os clientes que apostam na criatividade. Para poder cumprir sua missão, o novo CCBA espera contar com o apoio de todas as agências, veículos, produtoras e profissionais envolvidos com a atividade da propaganda na Bahia. Porque reencontrar o caminho da criatividade é importante não apenas para os profissionais de criação, mas também para todo o mercado publicitário. Sem criatividade, chegará o dia em que não conseguiremos vender mais nada. E, por motivos óbvios, nem os nossos serviços para os anunciantes.
Maurício Carvalho
Presidente do CCBA"
muito pelo contrário, seus congenêneres na recuperação de outros clubes, como o de pernambuco, por exemplo, ficam degladiando-se em sua aspermia egocêntrica de interesses umbigais. fato não deturpado, este núcleo fugidio a toda prova, pratica a total falta de auto-crítica as remelas de uma nordestinidade subdesenvolvida, que consideram tentativas fantasmas de cópias de anúncios da archive, a prova de que a região dispõe de profissionais cujas peças se estivessem em premiações daquelas que não participam seriam primus inter pares.
enquanto isso os jornais que contem as reais criações desses mesmos senhores tão rigorosos em seu sprit du corps - patotagem minha gente, igrejinha - fede antes mesmo de limparem as sobras do mercado.
acorda cambada! que por sua postura até os coitados dos avestruzes estão morrendo de fome no mercado. a questão não é ter ou não talento. a questão é é que este talento não está sendo suficiente para solidificar negócios noutro nível, que não seja o da genuflexão ao que de pior existe: a falta de caráter da propaganda nordestina como manifestação de sí mesma enquanto geradora de novos códigos de comunicação dos valores da nossa terra.
"Nasceu o novo Clube de Criação da Bahia.
Como presidente eleito pela instituição, coube-me redigir a carta aberta ao mercado, informando os objetivos do novo CCBA.
Antes, porém, quero registrar um pensamento que, se está sendo lido, é somente porque concordaram com ele todos os membros do Clube:
...penso que a propaganda na Bahia vai mal.
Não me refiro a quantas anda o mercado sob o ponto de vista da economia, mas exclusivamente à qualidade criativa da propaganda.
Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque me incluo entre aqueles que nada têm feito para melhorar o cenário. Temos sido referências de nós mesmos e estamos presos em um mundinho que deveria ser do tamanho do universo, porque somos baianos. Dizem que "fazemos propaganda regional tão boa quanto as propagandas nacionais". E digo que não há nada mais desagradável que ouvir uma afirmação provinciana como essa. Precisamos lutar contra esse genoma de colonizados que nos impele a aceitar como verdade aquilo que vem de fora. Nós, criativos da Bahia, já fomos ícones da criatividade brasileira e agora somos meros sobreviventes da publicidade; essa é a mais pura verdade. Contentamo-nos em estar respirando e apenas. Estamos estandardizados. Viramos commodities.
Está certo que o mercado já não é mais aquele garoto virgem dos anos dourados, que chegava ao orgasmo só de ver uma panturrilha. Ele está mais exigente, porque já conhece de tudo. Fica cada vez mais difícil oferecer-lhe algo realmente inovador, capaz de satisfazê-lo plenamente. E aí, nesse grande problema, estaria a tábua da nossa salvação, não fosse a maldita e nefasta acomodação. Este texto, meus amigos, talvez um pouco exagerado em seu pessimismo, é contra esta. Contra o adormecimento que nos tirou o protagonismo na história da propaganda brasileira.
O novo Clube de Criação da Bahia tem como missão reencontrar o caminho da criatividade em nosso mercado, buscando promover a melhoria constante da qualidade criativa na propaganda baiana. Além do Anuário de Criação, planejamos realizar oficinas de criação para as universidades, workshops para clientes, palestras sobre a importância da criatividade com profissionais de dentro e fora do mercado baiano e, ainda, o concurso que visa premiar e incentivar os clientes que apostam na criatividade. Para poder cumprir sua missão, o novo CCBA espera contar com o apoio de todas as agências, veículos, produtoras e profissionais envolvidos com a atividade da propaganda na Bahia. Porque reencontrar o caminho da criatividade é importante não apenas para os profissionais de criação, mas também para todo o mercado publicitário. Sem criatividade, chegará o dia em que não conseguiremos vender mais nada. E, por motivos óbvios, nem os nossos serviços para os anunciantes.
Maurício Carvalho
Presidente do CCBA"
reza forte
de há muito elas nos dão indícios de que agora são elas que determinam que quem ajoelhou tem de rezar somos nós.
1 terço dos clientes/espectadores do canal sexy hot são mulheres.
portanto é bom você se ligar. senão elas vão fazer zapping do seu pirilau rapidinho, se você não mantiver a audiência excitada.
1 terço dos clientes/espectadores do canal sexy hot são mulheres.
portanto é bom você se ligar. senão elas vão fazer zapping do seu pirilau rapidinho, se você não mantiver a audiência excitada.
dia morto
todo dia é dia do publicitário.
quando a coletividade precisa de um dia para lembrar-se disto, ele está morto e ninguém sabe.
foi o que aconteceu.
a data por sí só deu entrada no necrotério.
quando a coletividade precisa de um dia para lembrar-se disto, ele está morto e ninguém sabe.
foi o que aconteceu.
a data por sí só deu entrada no necrotério.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
quarta ah portuguesa: cavaco ganhou de cinco mas perdeu para o candidato mutante de apelido não votante.
A vitória do candidato de centro-direita Aníbal Cavaco Silva nas eleições presidenciais de Portugal, realizadas no domingo (22/1), caiu como um enigma para o primeiro-ministro socialista José Sócrates, como noticiou a imprensa do país. Embora primeiros-ministros socialistas e presidentes de direita governem em conjunto em muitos países da Europa, este é um fato político inédito na história da democracia portuguesa.
O Diário de Notícias colocou como manchete a questão "E agora, Sócrates?", afirmando que "O Partido Socialista dividiu-se e um novo período de coabitação começa". Esta é a mesma opinião do Jornal de Notícias : "A vitória de Cavaco Silva foi, como esperado, garantida no primeiro turno contra cinco candidatos de esquerda".
Elogios ao novo presidente
O Correio da Manhã vê a vitória do primeiro presidente de centro-direita do país como um triunfo pessoal de Cavaco Silva. "A eleição de Cavaco Silva confirma que há um coro significativo no eleitorado português que votou não pelo partido, mas pelo indivíduo", opinou o jornal. O Diário de Notícias afirmou que a vitória foi merecida, alegando que ele "era o candidato mais afirmativo e que cinco candidatos contrários a ele não conseguiram decidir as eleições em um segundo turno, pois faltou visão da esquerda".
Por trás dos números
O Público também concorda que os dez anos de Cavaco Silva como primeiro-ministro, de 1985 a 1995, ajudaram-no a vencer as eleições, mas questiona suas futuras atitudes no governo: "O vencedor foi o candidato mais enigmático. Sua vitória era previsível, mas não se pode dizer o mesmo sobre seu comportamento. Cavaco Silva venceu pela força de sua reputação, não pelas idéias que não foram esclarecidas por ele". Para o jornal, a vitória de pouco mais de 50% dos votos não foi "esmagadora". No entanto, o Público notou que a maioria socialista foi "desestabilizada" e aconselha o primeiro-ministro a mostrar "mais humildade". O jornal acredita que a mensagem dos eleitores para o novo presidente e o primeiro-ministro é de que eles devem trabalhar em conjunto.
O Expresso apontou para o número de abstenção nas eleições: "Cavaco: 2.7 milhões – Eleitores que não foram votar: 3.3 milhões". "O número de não-votantes foi maior do que o daqueles que votaram no candidato vencedor", dizia o jornal.
novo presidente sob o olhar da imprensa, informações da BBC em 23/1/06, transcrito no observatório da imprensa.
O Diário de Notícias colocou como manchete a questão "E agora, Sócrates?", afirmando que "O Partido Socialista dividiu-se e um novo período de coabitação começa". Esta é a mesma opinião do Jornal de Notícias : "A vitória de Cavaco Silva foi, como esperado, garantida no primeiro turno contra cinco candidatos de esquerda".
Elogios ao novo presidente
O Correio da Manhã vê a vitória do primeiro presidente de centro-direita do país como um triunfo pessoal de Cavaco Silva. "A eleição de Cavaco Silva confirma que há um coro significativo no eleitorado português que votou não pelo partido, mas pelo indivíduo", opinou o jornal. O Diário de Notícias afirmou que a vitória foi merecida, alegando que ele "era o candidato mais afirmativo e que cinco candidatos contrários a ele não conseguiram decidir as eleições em um segundo turno, pois faltou visão da esquerda".
Por trás dos números
O Público também concorda que os dez anos de Cavaco Silva como primeiro-ministro, de 1985 a 1995, ajudaram-no a vencer as eleições, mas questiona suas futuras atitudes no governo: "O vencedor foi o candidato mais enigmático. Sua vitória era previsível, mas não se pode dizer o mesmo sobre seu comportamento. Cavaco Silva venceu pela força de sua reputação, não pelas idéias que não foram esclarecidas por ele". Para o jornal, a vitória de pouco mais de 50% dos votos não foi "esmagadora". No entanto, o Público notou que a maioria socialista foi "desestabilizada" e aconselha o primeiro-ministro a mostrar "mais humildade". O jornal acredita que a mensagem dos eleitores para o novo presidente e o primeiro-ministro é de que eles devem trabalhar em conjunto.
O Expresso apontou para o número de abstenção nas eleições: "Cavaco: 2.7 milhões – Eleitores que não foram votar: 3.3 milhões". "O número de não-votantes foi maior do que o daqueles que votaram no candidato vencedor", dizia o jornal.
novo presidente sob o olhar da imprensa, informações da BBC em 23/1/06, transcrito no observatório da imprensa.
araujo, o caramujo
“o jornalismo serve para informar. a publicidade e a propaganda comercial servem para convencer. a mistura destes géneros chama-se promiscuidade” . ruy araujo. provedor de o público.
não é só em portugal. em nome da deontologia líxivia, que a publicidade é sempre colocada como a puta da comunicação, reservando-se ao jornalismo o papel de bom moço da família.
não é o caso especifico desta citação, retirada de outro contexto. mais que não invalida seu uso como prolegômeno por seu juízo de valor que se quer valor do juízo norteado.
por mais que se clame pela objetivade da informação, consciente ou inconscientemente o jornalismo é sempre a expressão deturpada dos fatos. não precisa ser balzaquiano para constatar-se isto.
a informação jornalísitica sempre toma partido. quer inconscientemente, fruto da paixão profissional pelo lustro no negócio da notícia, quer conscientemente, individual ou coletivamente na pessoa juridica que coloca-se a serviço de interesses, a base do negócio da informação no cotidiano hodierno.
algumas vezes a publicidade e propaganda informam mais do que deveriam, e por isso mesmo não andam lá a convencer.
á o jornalismo, anda a desinformar nas suas tentativas cada vez mais bem sucedidas de convencer.
a grande promiscuidade é, tanto num caso como outro, querer negacear que “ as palavras servem mais para esconder do que para revelar “, cavalo de tróia da comunicação.
isso, no público, também, é notório.
não é só em portugal. em nome da deontologia líxivia, que a publicidade é sempre colocada como a puta da comunicação, reservando-se ao jornalismo o papel de bom moço da família.
não é o caso especifico desta citação, retirada de outro contexto. mais que não invalida seu uso como prolegômeno por seu juízo de valor que se quer valor do juízo norteado.
por mais que se clame pela objetivade da informação, consciente ou inconscientemente o jornalismo é sempre a expressão deturpada dos fatos. não precisa ser balzaquiano para constatar-se isto.
a informação jornalísitica sempre toma partido. quer inconscientemente, fruto da paixão profissional pelo lustro no negócio da notícia, quer conscientemente, individual ou coletivamente na pessoa juridica que coloca-se a serviço de interesses, a base do negócio da informação no cotidiano hodierno.
algumas vezes a publicidade e propaganda informam mais do que deveriam, e por isso mesmo não andam lá a convencer.
á o jornalismo, anda a desinformar nas suas tentativas cada vez mais bem sucedidas de convencer.
a grande promiscuidade é, tanto num caso como outro, querer negacear que “ as palavras servem mais para esconder do que para revelar “, cavalo de tróia da comunicação.
isso, no público, também, é notório.
dichionário
o avião descola. avião português não decola, faz a descolagem. o que é escorreitíssimo cartesianamente falando. e assim sendo não há aterrisagens. calma que o avião já já faz a aterragem e você descobre que ainda bem é verdade, o que diziam alguns patrícios em meio a turbulência, “ que essa merda abana mas não cai”. abanar é balançar, o que deixa muita gente mal disposta, ou seja: enjoada ou de mal humor.
a hospedeira, pede-me para apertar o cinto, que é como se chama aeromoça em portugal, o que nos soa estranho. como é estranho para toda a gente também, tudo que é diferente. por isso mesmo suponho que para os portugueses, aeromoça não deve soar tão bem.
hospedeira não chamamos nem a mulher da hospedaria: uma pensão que não quer se chamar de pensão mas que também não pode ser chamado de hotel. hospedaria, pensão, pensão, hospedaria. têrmos que vão ficando em desuso no brasil. talvez em algumas regiões, de cidades do interior e nos bairros do centro da cidade, que em portugal chama-se baixa e que normalmente oferecem outro tipo de repouso que se usufrui acompanhado, e que exige muita mola para o colchão. mola em portugal, são os nossos pegadores de roupa.
em lisboa não vamos para o centro, para o down town. vamos para a baixa. como lisboa é a cidade das sete colinas e o centro fica num baixio, vai-se à baixa, ora pois, pois. o que nos lembra que a cidade já foi abaixo e não à baixa fazer compras. vítima de um terremoto lá pelos idos de mil setecentos e cincoenta e cinco, salvo se confundi a data. e que, lembram os mais velhos, pode acontecer novamente. desta vez sem o marquês de pombal, que foi o impulso reconstrutor da cidade de lisboa. e que continua de vigília na rotunda. que é como se chama o girador ou rotatória em portugal. bem alí, de frente para o parque eduardo sétimo. com a visão que desce a avenida da liberdade e alcança o rossio, na baixa.
não sei se hospedaria, albergaria ainda suscitam conexão imediata com a conceituação original. já albergaria, quando muito para nós, são os albergues da juventude, hospedagem dita econômica, mas nem sempre, para jovens de todas as idades.
sim; pensão, pensionato, normalmente para" moças de fino trato", hospedaria, albergaria já fizeram as malas para viagem com direito a vagas no passado. vagas, que não deixa de ser uma forma de hospedagem no brasil, de média e longa duração. já que originalmente referem-se a aluguel de quartos em casas de família. hoje, o aluguer, que é como se chama aluguel em terras lusas, é de espaço suficente para uma cama e olhe lá. mas o preço chega em algumas cidades, como o rio de janeiro, ao custo de um andar inteiro.
a outra forma de hospedeira, é muito mais aterradora: a môsca por exemplo é hospedeira de uma série de vetores transmissores de doenças, algumas mais do que terríveis. e destas não se pode dizer que é uma boa hospedeira.
portanto, mil vezes, hospedeira de bordo, do que rapariga aérea, se fossemos seguir o raciocínio.
e se acaso for viajar de ônibus, auto-carro por lá, nem pense na denominação rodo-rapariga, que seria a tradução literal das nossas rodomoças. é hospedeira também.
e as hospedeiras são muito hospitaleiras, tanto lá como cá. como geralmente o são, todas, desde que não estejam levando com acompanhante a TPM que esta é hospedeira de abanos que nenhuma mola segura.
só me causa um certa estranheza é o fato de hospitaleiras lembrarem hospital. quem conhece as estradas do brasil e o índice de acidentes de viação, que é como se diz acidentes na estrada em potrtugal, vai preferir viajar de avião ou de trem, que lá é comboio.
e, sendo comboio, como chamaríamos as moças e raparigas que lá trabalham ?
agora você me pegou: cá e lá. moçacombo ? tremoças? primas irmãs dos tremoços ?
respostas, se houver, nas próximas páginas do dichionário.
a hospedeira, pede-me para apertar o cinto, que é como se chama aeromoça em portugal, o que nos soa estranho. como é estranho para toda a gente também, tudo que é diferente. por isso mesmo suponho que para os portugueses, aeromoça não deve soar tão bem.
hospedeira não chamamos nem a mulher da hospedaria: uma pensão que não quer se chamar de pensão mas que também não pode ser chamado de hotel. hospedaria, pensão, pensão, hospedaria. têrmos que vão ficando em desuso no brasil. talvez em algumas regiões, de cidades do interior e nos bairros do centro da cidade, que em portugal chama-se baixa e que normalmente oferecem outro tipo de repouso que se usufrui acompanhado, e que exige muita mola para o colchão. mola em portugal, são os nossos pegadores de roupa.
em lisboa não vamos para o centro, para o down town. vamos para a baixa. como lisboa é a cidade das sete colinas e o centro fica num baixio, vai-se à baixa, ora pois, pois. o que nos lembra que a cidade já foi abaixo e não à baixa fazer compras. vítima de um terremoto lá pelos idos de mil setecentos e cincoenta e cinco, salvo se confundi a data. e que, lembram os mais velhos, pode acontecer novamente. desta vez sem o marquês de pombal, que foi o impulso reconstrutor da cidade de lisboa. e que continua de vigília na rotunda. que é como se chama o girador ou rotatória em portugal. bem alí, de frente para o parque eduardo sétimo. com a visão que desce a avenida da liberdade e alcança o rossio, na baixa.
não sei se hospedaria, albergaria ainda suscitam conexão imediata com a conceituação original. já albergaria, quando muito para nós, são os albergues da juventude, hospedagem dita econômica, mas nem sempre, para jovens de todas as idades.
sim; pensão, pensionato, normalmente para" moças de fino trato", hospedaria, albergaria já fizeram as malas para viagem com direito a vagas no passado. vagas, que não deixa de ser uma forma de hospedagem no brasil, de média e longa duração. já que originalmente referem-se a aluguel de quartos em casas de família. hoje, o aluguer, que é como se chama aluguel em terras lusas, é de espaço suficente para uma cama e olhe lá. mas o preço chega em algumas cidades, como o rio de janeiro, ao custo de um andar inteiro.
a outra forma de hospedeira, é muito mais aterradora: a môsca por exemplo é hospedeira de uma série de vetores transmissores de doenças, algumas mais do que terríveis. e destas não se pode dizer que é uma boa hospedeira.
portanto, mil vezes, hospedeira de bordo, do que rapariga aérea, se fossemos seguir o raciocínio.
e se acaso for viajar de ônibus, auto-carro por lá, nem pense na denominação rodo-rapariga, que seria a tradução literal das nossas rodomoças. é hospedeira também.
e as hospedeiras são muito hospitaleiras, tanto lá como cá. como geralmente o são, todas, desde que não estejam levando com acompanhante a TPM que esta é hospedeira de abanos que nenhuma mola segura.
só me causa um certa estranheza é o fato de hospitaleiras lembrarem hospital. quem conhece as estradas do brasil e o índice de acidentes de viação, que é como se diz acidentes na estrada em potrtugal, vai preferir viajar de avião ou de trem, que lá é comboio.
e, sendo comboio, como chamaríamos as moças e raparigas que lá trabalham ?
agora você me pegou: cá e lá. moçacombo ? tremoças? primas irmãs dos tremoços ?
respostas, se houver, nas próximas páginas do dichionário.
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