domingo, julho 02, 2006

mal da copa: similitudes com a publicidade

pico na veia, palavra de especialista em segurança: segurança total não há, nunca houve, jamais haverá.
pico na veia, n´outro braço, de outro especialista - jogador vitorioso(e perdedor) de copas passadas - o futebol que jogamos hoje, e que jogamos ao ganhar as duas últimas copas, não é o futebol do brasil. eu prefiro mil vezes perder jogando como jogaram a seleção de zico, falcão e sócrates a jogar o que, e como jogamos, hoje(o depoimento foi antes da nossa eliminação).

a publicidade pernambucana, brasileira, portuguêsa, e quiçá mundial, nunca deu tanto tiro no pé em nome da segurança. principalmente ao trocar a segurança por uma falta de atitude profissional de beira-cú do mais réles caráter. por uma produção medíocre, e sem exageros, em alguns casos ofensiva aos mais parcos intelectos, ao não criar, não ousar, não quebrar regras para, resumidamente, não correr o risco de perder clientes. vendemos a mãe e passamos recibo em nome de uma falsa segurança. e de um sucesso financeiro conseguido em 99% dos casos pela mais absoluta falta de honestidade e honradez para com a profissão e para com os bons valores, apesar de tanto publicitário cristão, evangélico, espírita, budista e umbandista. somos uns cabrões para conosco próprios. mas quem quer saber disso não é mesmo? tres-chic é ter cobertura triplex na avenida boa viagem e casa de verão em cap ferrat. tá bom, casinha meia bomba em porto de galinhas. a glória da profissão, de uma geração condensada a gols de canela, é viver de títulos de aparências calcados num amontoado de prestações atrasadas.

acovardados, nos portamos abaixo de prostitutas e traficantes(reparem como tem em comum o uso do celular)com um falta de sutileza tal, que até o mais rasteiro dos comerciantes percebe a nossa avidez e as nossas tonturas de galos capados. depois ficamos reclamando da falta de respeito por parte de clientes que nos fazem ouvidos de mercador, com toda razão. pois quem presta atenção em discursos - táticas e estratégias - repetidas por todo o mundo ?

o resultado do jogo de ontem, espelha um pouco o quadro da nossa profissão. parreira é o dono de agência, o cara do atendimento, o fake do planejamento, que abomina o brilho da criação em troca do plano estratégico quadrado, mais "seguro". em lugar do sentimento obstinado que traça o caminho da superação pelo suor e pela visão profissional não demagógica do jogo e do movimento de quebra de suas regras pela invenção de momentos que fazem história. se você argumenta que no futebol não se quebra regras tamanha demarcação, eu lembraria maradona fazendo mão de gol e tornando isso um lance de gênio e não aquela mão medíocre de ronaldo na barreira que é o que tem se feito em tantos e tantos lances na publicidade.

e já que falamos nele, os jogadores são nossas estrêlas. gordo ronaldo, nizan está mais. há quanto tempo nizan não nos brinda com algo desconcertante. onde está o nosso zidane? prestes a se aposentar, mas sem deixar de jogar como um garoto sério e objetivo, para desespero dos caça-defeitos da criação. abusado, sem deixar de ser elegantemente criativo, brindando-nos com um chapéu desmoralizante - e inesperado - (que é o que se espera da boa publicidade) para toda uma vida. como diriam vesgo e sílvio santos, em diálogo com o nizam. o nizam está cada vez mais bom de papo(referindo-se a sua gordura no pescoço) em programa recentemente exibido. mas foi o papo ou o resultado de suas criações que levaram nizan ao cume mundial da publicidade ?

é lógico que nizan e tantos outros profissionais de peso não perderam a capacidade e o brilho criativo. quero continuar otimista. haverá quem venha substituir(não somos um celeiro de craques?) quem trocou o brilho criativo, pelo brilho de políticas de resultados nas esferas de cifras estelares, outro mérito. contudo, que a nossa publicidade ficou mais feia de ser ver, tal como nosso futebol, e também de resultados bastante contestáveis, não há o que discutir, como bem o provam a reinscrição de peças com o artifício do nome trocado o que equivale a adiantar a barreira ou ao goleiro se mexer antes do chute, já que em impedimento tem tanta gente chegando ao bronze. mas que nem assim nos fizeram superiores em números de premiações conquistadas no passado. isto falando-se em prêmios. prêmios que cada vez mais mostram a quem vem ou a quem veio, em alguns casos bastante depreciativos e o que são os espaços intersticiais das regras.

resultados, isso é o que importa. é a regra geral, no futebol e na publicidade. esta conversa de supremacia de futebol arte, e publicidade realmente criativa(de pulhice, haja archives) é coisa de derrotados, românticos, de gente que não tem senso de realidade. afinal, o que vale jogar tão bonito e não levar o caneco e sim levar no caneco?

depois do jogo de ontem, a vida prática dá sinais de vida novamente para quem não tem vinho nas veias. da seleção de telê, nós vamos sempre nos lembrar por exibirmos um refinamento, reconhecido aplaudidamente até pelos vencedores de então. o que nos dá um orgulho livre da pecha da vergonha de ser derrotados por ter feito o melhor como seria de se esperar dos melhores.

e da seleção de ontem, filha e amante espúria do quadrado, da não ousadia, do falso planejamento, da teimosia da obviedade, do convencionalismo, do futebol inexistente para além das pernas, no coração e na cabeça, quem se lembrará? a não ser com o gosto inchado de uma tristeza de: sendo os melhores, não o saber ser ser para além dos comerciais hiper-adjetivados, tal qual a seleção, equivalentes e equidistantes em monotonia a crônica de uma morte anunciada pela ironia da história que mais uma vez por absoluta falta de criação e excesso de pseudo- planejamento, nos delegou a frança e zidane para novamente nos deixar em convulsão geral, e desta vez com ainda maior propriedade e paixão, coisa bonita de ser ver, principalmente para quem brasileiro diz ser o futebol sua maior paixão.

a grana, no futebol e na publicidade, de tal modo quedou-nos gordos que a tal gordura dá-nos o trono da imobilidade e lentidão ?

não se trata buscar vitórias morais. trata-se de vencer ou perder, sem perder a moral. gol impossível no futebol e na publicidade que se faz hoje em dia? em meio a todo tipo de interesses que hoje ditam as regras e não regras do jogo em campos tão próximos como o futebol, a publicidade enfim, a vida?

procuram-se jogadores e publicitários que sejam capazes de dar este chapéu na mediocridade que cada vez engorda mais, mesmo em tempo de vacas magras?

p.s. coincidência ou não, as agências francesas lideraram o ranking de premiação em press. mas nem todo anúncio tinha toques de zizou.

Um comentário:

bar-codes disse...

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