quinta-feira, junho 29, 2006

sobrenome de família, meio mafiosa, ou já selo-atestado de cala-bôca ?

1. Você sabe por que elefante de circo não foge?

Eu já conhecia a resposta a essa pergunta antiga, mas disfarcei: não.

É porque quando ainda novinho colocam uma corda no pescoço dele e o amarram em um lugar qualquer. Ele passa a vida toda ali, habituando-se a não se afastar a uma distância maior do que lhe é permitido pelo tamanho da corda. Então, quando esta é retirada, ele só caminha pelo espaço ao qual lhe foi permitido se acostumar.

Fiz aquela cara de ignorante surpreso, meu interlocutor ficou feliz da vida e tudo continuou na paz do Senhor.

2. O fato me lembrou o momento em que vive o nosso setor. Há algumas dezenas de anos a ABAP colocou uma mordaça nele. Empresários, publicitários e todos os que vivem no entorno da atividade cresceram assim. Agora, quando e tirada a mordaça, não conseguem falar. Acham que não podem.

Resultado: pressões e problemas se acumulam. De vez em quando alguns descobrem que podem, devem e precisam se manifestar para o bem de todos. Aí, vem a ABAP e sua fiel escudeira FENAPRO (desconfio que também esta andou amordaçada tanto tempo que se esqueceu de que tem o direito e a obrigação de falar livremente) e dão um tapa na mesa. Pronto: o silêncio se faz novamente.

3. Há pouco, algumas coisas me chamaram a atenção:

. Na Revista Exame (data de capa: 21.06.2006), matéria assinada por Silvana Mautone sob o título “nota baixa pela criatividade”, afirma que “pesquisa com executivos conclui que sua capacidade criativa cai ano a ano e já não se distingue da média da população”.

. Informativos diversos dão conta de que caiu o número de prêmios do Brasil em Cannes. Quem me lê habitualmente já deve ter concluído que isso
não me surpreendeu. Há algum tempo venho registrando, aqui, a queda da criatividade da comunicação de marketing do Brasil.

. Coincidentemente, Veja (data de capa de 28.06.2006) publica, nas páginas amarelas, entrevista que Gabriela Carelli fez com Paul Johnson, inglês que, segundo a revista, "é um dos maiores produtivos historiadores da atualidade". Johnson defende a tese de que a liberdade é um aliado indispensável da criatividade. Vale a pena lê-lo, porque ele coloca o dedo na ferida. Pelo menos, na nossa ferida.

Com efeito, vivemos hoje como o elefante do circo. Esquecidos de que necessitamos nos reunir para discutir livremente nossos problemas, ficamos aguardando as ordens da treinadora, digo, da ABAP. Com isso, não nos oxigenamos, não permitimos ao nosso espírito voar e perdemos nossa capacidade criativa. Em conseqüência, os problemas vão se avolumando. Nossa imagem vai se deteriorando. Nossa criatividade vai baixando. E ladeira abaixo aqui vamos nós, rolando.

e aqui vamos nós, descendo a ladeira, do eloy simões.

fica parecendo, segundo uma certa regral moral muito pernambucana, ainda em uso, que tal como moças de famílias de bons nomes,que foram desencaminhadas, as agências pernambucanas agora precisam de sobrenomes para atestar a sua decência não importa se já perdida ou a que preço.
longa vida aos bastardos com apreço a boa propaganda então.

quarta-feira, junho 28, 2006

vendidas pelo menor preço ?

as instituições de ensino falam muito em ética.
eu mesmo ouvi este discurso ao apresentar uma campanha que colocava o dedo na ferida sobre o ensino fast-food, como princípio mór para chumbá-la. um tal senhor decano, destes de leiaute tido como respeitável, colocou que a campanha ignorava o primado das relações institucionais e empresariais entre as faculdades(ou seja todos comiam no mesmo prato e não se ia lá soprar a farofa de ninguém.
a educação brasileira, não só pelo processo orquestrado de desestruturação iniciado pelo governo militar, bem como pelo modelo mercantil adotado, é um lodaçal de interesses tal que fazem a máfia dos sangue-sugas parecerem santinhos de catecismo.
tanta louvor a ética e todos os comerciais vendem preço. é o preço da ética ?
houvesse ética, do ministério da educação, as instituições, as agências que atendem a conta, e nenhum comercial utilizaria preço como moeda da educação oferecida. ainda mais pelo fato de que por menos que se pague, paga-se o preço caríssimo do afundamento da capacidade intelectual de alunos cada vez mais acéfalos, sem a menor capacidade crítica ante o processo de esgarçamento desta mesma capacidade.
ética? apenas uma palavra muito utilizada por quem não a tem para justificar o cala-bôca geral.
aliás, haja ética no mercado publicitário, não é mesmo ?

a culpa é das faculdades ?

mais de cento e oitenta profissionais(com todos os custos logísticos e habituais) enviados pela globo para a alemanha para termos todos os dias o supra-sumo do mr.bonner(o ximbinha do tele-jornalismo)a perguntar: - onde está você fátima bernardes?
chamam isto de jornalismo, ou melhor cobertura da copa.
pode-se dizer que desempenho pior do que a seleção do parreira só mesmo a equipe da globo. ô jornalísmo pífio das mais trôpegas intervenções jornalísticas. quer futebolisticamente falando(tanto manual de entrevista dando as dicas para se fazer o básico) como nas coberturas, numa capital repleta de elementos culturais e gastronômicos que ficam reduzidos a salsichas e canecas de cerveja.
jornalismo espuma é o faz a globo(e não só) na alemanha.

terça-feira, junho 27, 2006

dragão versão bebeinho

a água sanitária dragão é uma marca que anda desbotando faz tempo. imprensada hoje nas prateleiras por marcas que corroem-se mutuamente pela estratégia preço e cada vez mais distante do topo que um dia se imaginou, foi perdendo a imagem, ainda que não muito cristalina, que já chegou a ter na mente dos consumidores de décadas passadas.

depois da versão miseravelmente caricata, surge um vt linha de safirinha a safirona, com direito a lingerie e espelhos, imbuído sabe-se lá porque ácida punheta, da função de penetrar na conteúdo cinzento, presume-se, do consumidor, de que a “lixívia” dragão, passou incólume de vó para mãe e de mãe para filha, sem esgarçar-se na passagem do tempo. causando o embranquecimento das consumidoras, só no comercial, das calçolas as calcinhas. o resultado, não poderia ser outro: é um furo só.

aliás, a debilidade deste comercial, comparativamente fosse, relembra-me o também familiar do café royal, onde o médico-ator reynaldo de oliveira sacrifica-se a sí e também as netas, num diálogo choco e de tal forma cacarejado que presumo tal café contém alguma coisa de milho, e que também deve ter sido tomado pelos criaram a peça mais recente.

já que falamos em milho, também não se salva o comercial do vitamilho. este embolotado pelo pseudo-insight energético, mal embolorado de produtos que querem parecer jovens ou falar para o público jovem, na melhor linha super-pop e acabam resultantes em table-top de imagens de tipos e embalagens de extensão de linha, findando com uma imagem que amarela a mensagem. o que, ao contrário do que pensam os que aprovaram a peça, em nada contribui para surtir o efeito de qualificar o produto para consumo pelo público a quem presumivelmente se dirije, principalmente quando se trata de construir, modificar, consolidar ou modificar hábitos alimentares.

se mais rigor houver, a publicidade pernambucana outrora um senhora responsavel, cada vez mais desmilinguida de idéias, e que outro recurso não exibe pela boca das agências senão a constante ostentação de sorrisos botox de prêmios sem sustentação, tal como as suas idéias -e pelos criativos, de peças pastosas – deveria lavar sua roupa suja com outra água sanitária, tomar outro café para sair da letargia, e fazer um cuscuz com outras massas critícas.

massa? cacete! isso lembra vitarella, de supensórios, a reeditar piadas de velhinho surdo. o que é amanteigada demais para o meu estômago. que não faz regime. mas não se estufa para engolir mais destas.

trombada

a publicidade das concessionárias e autorizadas regionais. não há um só comercial ou ação que circule pilotado por idéia. e pior é que dizem que isso ainda conta pontos pra reforçar a carteira.

domingo, junho 25, 2006

perguntar não ofende ou santa clara clareou

continuasse o fernando campos na giovanni, teria a agência a mesma disposição (estúpida)de devolver o leão?
no mercado publicitário, ao que parece, a única ética que impera é a da vingança.

sábado, junho 24, 2006

filipeta

em programa vespertino que vive de fazer fofocas sobre programação e astros de outro canal, taróloga, numeróloga ou coisa que o valha, afirma que brasil não ganhará a copa e será eliminado por uma seleção sem tradição.
bem, se isto acontecer nesta terça, nunca mais ridicularizo aquelas filipetas sobre madamas que nos prometem auxílios infalíveis em casos de amor,emprego e tudo o mais.

café(colonial) são braz

um certo publicitário, hoje mais luso que brasileiro, dizia que publicidade é capitalismo. assim sendo, ou você tá dentro, do capitalismo, ou tá fora. ou seja, não dá para ficar na atividade publicitária protestando contra o capitalismo como se estivesse num dce.
certíssimo. mas ainda assim, isso não impede que estando você na atividade publicitária não possa contribuir para a melhoria de certos aspectos, principalmente não estimulando certos preconceitos por preguiça ou burrice. afinal, se há algo pior que o capitalismo, é o capitalismo burro, que é o praticado no brasil. e dentro das agências, mais ainda, que deram de ser tornar mestras na exploração – burríssima – da mais valia neste novo século.

era esta, pelo menos no começo, a visão da minha geração. geração que começou lá pelos anos 70, com uma visão em nada romântica, como alguns querem rotular, do negócio da propaganda. sem maiores preocupações com prêmios, bom humor na veia, mais interessados, como diria o toninho lima, em comer as estagiárias do que aparecer em anuário do ccsp. acima de tudo, desmistificando o glamour, num botequim de quinta, no fim das sessões de varejo, a grande escola, que hoje apresenta-se cheia de varizes. assim foi, inclusive em boa parte dos anos 80, quando a propaganda brasileira atingiu a maioridade e ficou besta de dar dó.

e porque este preâmbulo? pois bem. temos no ar, comercial do café são braz, estrelado pelo gianechini. a ausência de idéia publicitária demonstra o caráter dos arcos que dispararam a flecha. em 2006 volver a configuração “ casa grande & senzala”, reintroduzindo a figura da doméstica, fardadinha, e tendo como gag final o artifício miserável de “ paulista imitando o sotaque nordestino”, é muito menos do que se poderia esperar de uma agência que já nos acostumou a servir propaganda fria. e não deixa de ser também significativo, que sendo a são braz uma empresa sediada em campina grande, aprove tal fantochada, que tal como novela, continua a caracterizar nordestinos apenas como serviçais expoentes do “sotaque paraíba”. mas, pensando bem, quem conhece a família são braz, não se espantaria de tal. são mestres em reproduzir em atos e práticas comerciais e não comerciais a mesma ideologia que, como nordestinos, deveriam combater. principalmente num tempo onde o nordeste quer se afirmar cada vez mais com outro tipo de exponenciais, inclusive para além das manifestações culturais neo-periféricas. a própria cultura do café é rica em nuances para exploração publicitária, sem falar na cultura nordestina: não só a tradicional, bem como “ a cultura do porto digital”, só para dar um exemplo. mas não: que venha o efeito fácil do estereótipo, que a moçada tem mais o que fazer para os napastas da vida e os young creative ao que parece.

não sei como não tiveram a idéia de patrocinar sinhá moça: o barão de araruna ia adorar, até liberaria o merchandising, o personagem brindaria em uníssono com os feitores e capitões do mato que entre agências e gerencias e direção de marketing se revezam em nossa atividade.
(continua na próxima: vitamilho e extensão de linha super pop; água sanitária dragão(versão bebeinho) pra completar o desejum. intoxicação na certa ?

como a minha palavra não é de lord, vamos ver se agoram prestam atençao no que eu já disse

Brilhante. Nada pode definir melhor a performance de Lord Maurice Saatchi, fundador e sócio da M&C Saatchi( e da saatchi&saatchi que conhecemos, não resisto a intervir) no seminário que sua agência organizou durante o Festival de Cannes deste ano.

Ele entrou no palco exatamente no horário marcado, agradeceu a presença da platéia, pediu para exibir uma tela (que foi a mesma durante toda sua apresentação) e começou a ler um texto denso e muito bem escrito. Menos de 20 minutos depois, terminou, agradeceu e deixou o palco. Não usou nem metade do tempo que lhe fora destinado e fez a mais contundente e instigante apresentação entre todas as 39 da semana.

Primeiro, Lord Saatchi comentou o que chamou de “a estranha morte da propaganda moderna”. Com muita verve, relatou o que seria o velório da propaganda, precocemente falecida aos 50 anos, pela combinação de fatores sociológicos – a família não se reúne mais para assistir TV, ou seja, mudança de hábitos; tecnológicos – a família, ainda que na mesma casa, ao mesmo tempo, jamais estará vendo a mesma “tela”, viabilizando a fragmentação da mídia; e psicológicos – o mundo agora é dividido entre os nativos digitais e os imigrantes digitais (qualquer um com mais de 25 anos).

Depois de afirmar que só havia uma coisa a fazer diante da situação, “rezar”, Lord Saatchi observou que para isso seria interessante ler uma bíblia, na qual o evangelho de São João começa com o conhecidíssimo “no princípio era a palavra...”

Na seqüência, ele apresentou a essência da proposta fundamental de estratégia de comunicação de sua agência: conseguir a “posse de uma palavra”, capaz de reduzir aos limites de uma única expressão todo o significado de uma marca. Algo que, como frisou, não é absolutamente novo, pois as grandes empresas e marcas clássicas já vêm realizando esse processo de síntese há muitos anos.

Sua crença é a de que, para sobreviver na era digital, as organizações e produtos terão que buscar, de forma persistente, atingir essa “simplicidade brutal”: conseguir que sua marca obtenha a posse exclusiva de uma palavra ao redor de todo o mundo.
A tela que acompanhou toda a leitura de Lord Saatchi, como se pode imaginar, continha apenas a expressão, “one word equity”, na ponta de um estilete que cortava seu fundo negro.

A posse de uma palavra por Rafael Sampaio, de Cannes.
nota do autor: Detalhes da proposição de “posse de uma palavra” podem ser obtidos no www.onewordequity.com. O texto completo da apresentação será publicado na próxima edição de About, que fará a cobertura do Festival de Cannes.

quinta-feira, junho 22, 2006

a copa vista da área de serviço V

na copa repete-se a ótica de sempre do colonizador. penalties e penalties não marcados. estão garfando as equipes africanas da mesma maneira que garfaram-lhe toda a vida, como ontem, hoje e sempre.
racismo econômico e não só?

(série completa no misterwalk.blogspot.com)

gozando no pau dos outros

certo membro da nova diretoria do ccpe – que não consegue resolver um mísero problema de “web-designer”- está se tornando mestre em louvar o desempenho dos nascidos no estado como prova do talento pernambucano. suas loas, enaltecem as conquistas como prova da quinta-essência da propaganda pernambucana(o mal, típico de mercados e cultura subdesenvolvida, também afeta os mercados do ceará e rio grande do norte, por exemplo).
acontece que os laurentinos, romeros, benficas da vida, não fazem propaganda nordestina faz tempo. se é que algum dia fizeram: o que é mesmo propaganda nordestina?.
enquanto isto, amândio cardoso, um pernambucano desprezado, quando não ignorado e ridicularizado pela patotinha, após presença marcante na FCB portugal, conquista mais um país europeu, entrando para o team da mccann espanhola, uma das mais criativas do país, por obra e conta do seu talento, inclusive em aprender a língua, publicitariamente falando.
é a tal coisa: amândio não faz média, não participa da lista para divulgar endereços de mail europeus e quer saber mais: está se cagando para esta geração que nem sequer arrota, só peida e olhe lá, muito de vez em quando.

segunda-feira, junho 19, 2006

o banco da bia falcão

banco do brasil estréia pretenciosa campanha com fernanda montenegro. nada mais adequado se encarararmos a fernanda como bia falcão.
longe vão os tempos das discussões entre discernirmento ou não entre personagem e ator por parte dos consumidores. no caso, quem é cliente do b.b - se você não é, procure outra novela - sabe muito bem todo o tipo de sacanagens e desrespeito que acontecem diariamente nas agências do banco do brasil para com clientes e usuários de todas as idades, este brasil afora. como por exemplo, ver o banco arrotando domínio e inovação de tecnologia na propaganda, e na prática entrar numa agência, caxangá, as 10.30 da manhã e ficar meia hora esperando que recarreguem os caixas eletrônicos, carregando a nossa paciência com as desculpas que não encontram aderência em questões logísticas.

o b.b. é mais um daqueles casos em que seus gestores acham que a propaganda vai resolver problemas de marketing e organização da estrutura. para o b.b. funcionar nem chamando o gilberto.

e a caixa? bem, este é o banco do gigi.

o negócio é a vaidade

Mas, afinal, Leoes sao mera vaidade ou bom negócio?

Começou oficialmente ontem o Festival de Cannes e os olhos e ouvidos do mundo publicitário dirigem-se para o simpático balneário francês. O trabalho dos jurados vai de vento em popa e as principais agências estao na maior torcida, esperando voltar para casa com muitos Leoes na bagagem. Mas, afinal, ganhar prêmios em Cannes serve para algo mais além de inflar o ego dos criativos?

Para o Ad Age, a resposta é sim. Na verdade, existiria uma estreita relaçao entre prêmios obtidos e novos clientes conquistados, afirmou na semana passada o jornal em sua ediçao online. Para justificar a tese, o Ad Age lembrou que as 6 agências mais premiadas em 2005 estavam entre as 10 que mais cresceram em faturamento no ano passado.

A matéria cita ainda um trecho do relatório aos acionistas publicado pelo WPP em 2004 em que o grupo explica que seria possível comprovar num gráfico como o número de prêmios obtidos pelas suas agências é diretamente proporcional às margens de lucro alcançadas.

Faz sentido. A maioria dos anunciantes tem na ponta da língua o discurso padrao - o que importa sao os resultados e nao os prêmios da agência. Mas, nos bastidores, nao é difícil encontrar executivos que se impressionam com a fama e os Leoes nas estantes dos publicitários que os atendem. Além disso, sejamos justos, se a campanha puder ser eficiente e também criativa, tanto melhor, nao acham?
Este, aliás, é o principal argumento das agências - em meio a tanto falatório das marcas na mídia de massa, é preciso ser bastante criativo para chamar a atençao dos consumidores. Outro ponto relevante é que o Festival de Cannes busca, a cada ano que passa, contemplar todas as formas de comunicaçao, valorizando inclusive a integraçao das mídias.

Em resumo - há sim agências e criativos mais preocupados em valorizar o passe do que em inovar. Mas festivais, como o de Cannes, também mostram boas novidades nas salas de exibiçao e nas palestras. Prova disso é que os clientes passaram a frequentar mais o evento nos últimos anos. Nesse sentido, brilhar no Palais pode mesmo ser um excelente negócio.

Luiz Alberto Marinho no bluebus de hoje.

sábado, junho 17, 2006

sem graça

um dos poucos brasileiros sérios que ainda restavam neste país morreu de véspera.
fossemos uma país de bussundas e a nossa história seria outra. restamos o de sempre: ser um país de bundas.

qual é a tua tribo ?

outdoor de calçado esportivo, tênis of course, marca badalada, sapeca fifty to fity sapato e cara do paulo zulu, devidamente legendado.
bolhas no outdoor então. pra que usar uma celebridade se você tem de identificá-la para o público, pelo menos do seu produto ?

enferrujado

cê já comprou um pacote de palha de aço? e quando abriu encontrou algum enferrujado? é a sensação que tenho ao assistir o comercial da volta do bom-bril.

não bastasse a desastrada intervenção do garôto bom-bril, num comercial desgraçado da fininvest, onde não se sabe se propositadamente ou não, não abandonou os cacoetes do personagem, a volta do carlos moreno suscita algumas questões:

a primeira é que o a criação é sempre creditada ao washington olivetto, sem nunca se falar do francesc petit, salvo em alguma pesquisa fuçada, o que serve de alerta para você que anda criando alguma coisa com alguém mais famoso ou exposto a midia que você(e cá pra nós tem uns criativos que são grand-prix nisso).

outra é da posse do personagem. a guarda do garoto pelo washington. é uma questão controversa, dizem, uma vez que o a criação sempre pertence a agência, neste caso a dpz. e uma das muitas mágoas que estremeceram a relação. acordos houveram?

ainda há a velha questão, recurso criativo esvaziado ou não? continuidade por comodidade ou pela eficácia(de outrora) da campanha, que junto com a de cigarrilhas y e cerveja x, tem uma história de longevidade sem igual?

no bluebus, um leitor apontou que estranhamente, numa campanha tão emocional, o garoto não tocava uma vez sequer na embalagem, que estava intocável naquele posicionamento leiaute de gerente de marketing com mba. washington, com a ironia peculiar aos que tem a mídia a favor, respondeu que estariam estudando cenas mais calientes, quem sabe até com um selinho.

o que a mim incomoda, é que sendo um comercial de copy, o texto postulado à interpretação é quase foto legenda. absurdamente fraco, em nada criativo ou com gags que justificassem(nunca explique um anúncio, o consumidor não precisa e seus inimigos não vão acreditar, júlio ribeiro, fazer acontecer, mais uma vez citado.) afinal, se você usa um tema musical cantado, ainda mais como o da isolda, cuja letra bastante significativa ou acrescenta, é desastrado remendadá-la por palavras sem efeito publicitário, principalmente com um acting bastante inferior a tudo que foi feito anteriormente.

Outro tema seria mais apropriado para a volta ? “eu voltei agora pra ficar, porque aqui é o meu lugar?” , mais impositivo do que uma paixão que foi a melhor, que foi tudo mais passou , e só lembranças deixou ? ou a volta deveria ser uma campanha em sí, com dando tempos a reincursão.

quem não souber esquecer o primeiro amor, não conhecerá o ultimo, já diziam quatro poetas russos. aconteceria o mesmo com o garôto bom-bril?

retranca

miolo e comentários publicados aqui sobre a campanha do estadão, foram retirados do site derrapadas de marketing. faltou dizê-lo desta vez. solavanco qualquer deletou o crédito que sempre por nos é dado.

por outro lado, muita gente ainda não notou, meus comentários, são sempre escritos em caixa baixa, para diferenciar das materias de outrém, sempre creditadas.

em relação a campanha do estadão – vamos desdobrar depois – a replica do joão livi foi publicada no meio&mensagem, e ao que parece, não diretamente no site do derrapadas, o que é duplamente interessante para uma abordagem que vai fazer um toque retal na nossa imprensa dita especializada, comprometida até o gargalo com o esprit du corps e outros interesses de caixa.

já o material sobre vitamilho, café são braz e agência big brother, prometidas para o fim de semana, serao publicadas tão somente na semana vindoura por questão de desordem.

quinta-feira, junho 15, 2006

ementa do fim de semana

café requentado com cuscuz embolotado e bombril enferrujado. não cobramos serviço. alguém se habilita? de sobremesa, o big brother paraibano. e como é tempo de copa, misterwalk.blogspot.com
está de volta para desespero dos amantes do futebol, comentando a copa com a visão da área de serviço.

não contaram pro site ?

o mercado, já há certo tempo, diz que o gruponove tem novo diretor de criação, fernando lima.
os boatos dizem, que um certo, neste caso ex-diretor de criação, sílvio burle, anda batendo fio oferecendo seus serviços a novos concepts. no entanto, no site do grupo nove, imexível, a imagem do sílvio no lugar de sempre.
como agência não é jogo de bicho – nunca vale o que está escrito – e eu não sou o leão lobo nem nada, espera-se o desmentido ou o confirmado que caracterizaria no mínimo o descuido com a ferramenta de comunicação e com o nome dos profissonais envolvidos.
se assim for, não tem desculpa, é atestado, com firma reconhecida, de que o site é apenas grupo, com noves fora.

parece que nunca mais vai ser ontem

“ você acredita sinceramente que o consumidor fica emocionado porque sua empresa completou 25 anos ? “ júlio ribeiro in fazer acontecer. (exaustivamente citado por aqui;e pelo andar da carruagem não vai ser a última).

casa de ferreiro espeto de pau é o que, também muito pouco criativamente, costuma se dizer sobre as iniciativas de comunicação das agências. auto-promovendo-se ou intentando endomarketing as emendas são sempre piores que os sonetos.

dizem que os testículos do ego acabam ditando festas, comemorações e campanhas, muito mais do que um sentido empresarial de aproveitamento de verdadeiras oportunidades. as que surgem no dia-a-dia e naquilo que a própria agência faz para os seus clientes – o que é ou deveria ser a sua melhor comunicação - .

de um lado tem-se nababescas festas, como a realizada recentemente pela f.nazca para comemorar seus dez anos, com direito a menú fasano, ed mota, e lista de trocentos convidados celebridades e outras demonstrações de poderio econômico ou seria efeito daslu? isso, num momento em que todos os empresários da propaganda(nem todo empresário é publicitário) do setor choram pitangas sobre a dificuldade do negócio, acusando os clientes de esmagarem as margens, o que leva ao seguinte questionamento: se há dinheiro para tanto, das duas uma: ou ainda há muito para espremer, devem raciocinar os clientes, ou tem gente chorando lágrimas de novela. nem vou falar das sedes “quase-dubai”. é certo, que segundo um velho axioma de comunicação, aquilo que parece ser superior, vai tornar-se superior enquanto percepção. e que sempre é mais agradável frequentar um ambiente arquiteta e esteticamente de bom gosto. afinal, como já disse uma expert, “ chega uma hora em que o ambiente onde você cria e o que você cria tornam-se uma coisa só”. porém, há limites para o noveau richismo, coisa que decididamente muita agência de propaganda não tem a mínima, o que já é índice da propaganda que ela faz.

do outro lado, temos as indefectíveis campanhas de comemoração de datas, como esta da ítalo bianchi, ícone e toten da publicidade de qualidade dos anos 70, vá lá 80, do nordeste, que é um tiro no pé de calibre 12 que resvala até o baço pra não contextualizar o respinga noutros termos.

mais do que sedes pomposas, longevidade, sofás da recepção, ou solidez econômica, a vitalidade de uma agência está na qualidade de suas idéias, muito embora haja quem discorde do critério, fiando-se tão somente no desempenho econômico. é certo que sem empresa não há agência. mas agência que não é empresa de idéias - e ter idéias é ousar, inovar, criar diferenciais e não apostar na segurança da mesmice- não é agência. este é justamente o problema desta campanha da ítalo- e não só.

zero de idéia. a não ser que você ache que para comemorar 35 anos de vitalidade um table-top de imagens de sede e funcionários seja grande idéia ou idéia a altura. pior ainda, que imagens de um casal de crianças(vt) sustentanto o conceito? “parece que foi hoje”, mais velho do que “ cagá de cocas”, seja o ícone criativo para demonstrar que a agência está fresquinha, mas não de idéias, já que criança também é simbolo, índice e ícone, de inexperiência, inocência, cagada, trapalhada, em nada valorosos para o mister de uma agência.. por mais que digam que criança, cavalo e trem, aumentem o índice de atenção, francamente, não acredito que a italo não pudesse fazer melhor, para “ honrar a sua tradição”, que aliás desandou faz tempo é bom que se diga.

já não me espanta que seja só isso que uma agência de 35 anos tenha a oferecer. haja visto a produção para o shopping tacaruna e vitamilho, não por coincidência outros vazios de idéias. e bebes com placas num site para chamar atenção, nem loção johnsons salva de tamanhas assaduras, por maior que seja a dedicação, presume-se, do papai ítalo com seu filhote, aliás, já por demais crescidinho, na direção de criação.

a pergunta que não quer calar é: como é que um consultor de criação, que deu nome a agência em seus tempos áureos, e que, presume-se, voltou a agência para acertar a franquia, permite que um campanha destas vá ao ar, sem que se troquem pelo menos as fraldas ?

haja perfume.