quarta-feira, fevereiro 15, 2006

dichionário

belmiro, passou o maior perrengue no brasil. não sabia ele que brasil não é país para amadores. mesmo que sejam raposas velhas. resultado: sambou legal sem nunca ter sambado. sambar, no sentido de sambou. sambou legal, quer dizer: deu-se mal, passou do ponto. derrapou.

meteu-se numa lhada sem tamanho. perrengue é um problema, uma encrenca, uma dificuldade. alhada é uma fria, quase um beco sem saída, com suas operações no brasil.

por conta disso, ganhou aversão, ojeriza, antojo ou entojo ao brasil e quer se vingar da pior maneira. que é da maneira como ele se vinga à portuguesa. o que funciona em portugal, quando se é o rei, o homem mais rico do país, mas por aqui, reis perdem a majestade. e viram tema de carnaval como furibundos, palavra que existe no dicionário nos dois lados do atlãntico

belmiro é um grunho. dizem outros, nunca deixou de ser pato-bravo. e, uns mais ousados ou desafetos do self-made-man, que é um morcão, apesar de toda riqueza que não se lhe discute o mérito, já os métodos...

um grunho seria um tapado, um grosso. pato bravo dizem de muito noveau riche. aliás, mercedes em portugal, o carro, para além de ser taxi, durante muito tempo quase exclusividade - que grande paradoxo, um dos países mais pobres da europa, usava como táxi o benz, enquanto nós íamos de fusca- é também carro de pato bravo, ou “engenheiro”, pelo menos alguns modelos de gama media. isso dito, no mínimo de forma chistosa. e morcão, digo eu, é um grunho à moda do porto, meio babaca, meio bundão.

babaca é um idiota, bobão, meio por sobre o auto-suficiente. o bundão, é um zé-mané, vai do frouxo ao covarde, passando pelo vacilão. ambos costumam ser metidos a chico-esperto, o que no brasil equivale a malandro-agulha. aquele que quer dar tanta volta nos outros, que acaba enredado. volta, pode ser dar o calote, enrolar os outros com procedimentos pra lá de malandro dos bons tempos – hoje não temos mais malandros, a bandidagem acabou com os malandros tinham uma certa decência.

não acho que belmiro seja bundão, tão pouco babaca ou morcão. muito pelo contrário. afinal a sua história revela tino e obstinação. mas belmiro pisou no tomate se esperava tapete vermelho no brasil.

gama média é um carro de preço e apetrechos medianos. um carro topo de gama é o que chamamos de topo de linha no brasil.

belmiro, como empresário, em portugal é topo de gama. no brasil, dê-se por contente em ser de gama média.
no fundo ele ficou chateado porque a wal-mart o tratou nem como isso. o que para a wal, é verdadeiramente o que ele é.

coisas do jogo que ele está acostumado a jogar em portugal. só que lá ele dá as cartas. no brasil não tem cacife.

à seco

as notas sobre vinhos publicadas nas quartas ah portuguêsa agora são publicadas no foodsequiser.blogspot.com que é atualizado semanalmente.
por aqui, de líquido agora, só a cachaça de sempre.

visto de saída

precisamos esquecer o brasil!
tão majestoso, tão sem limites, tão despropositado, ele quer repousar de nossos terríveis carinhos.
o brasil não nos quer. está farto de nós.
nenhum brasil existe. E por acaso existem os brasileiros ?

drummond – brejo das almas

terça-feira, fevereiro 14, 2006

conar

a publicidade só não é a melhor profissão do mundo, porque nela caráter, inteligência e responsabilidade, nem sempre são imprescindíveis.
mas também já é querer demais pedir tudo isso num anúncio, não ?

as frases podem tudo

O poder das frases é quase o mesmo de uma estocada certeira ou um tiro, com largas vantagens. Se for das boas, a lâmina da frase deixa sua lembrança para sempre na carne da memória. Em relação ao tiro, a
frase prescinde do escandaloso estampido, da inconveniência da pólvora e da aparência repulsiva do sangue. Só palavras. No meio da testa.

É por essas e outras que há frases que a gente guarda pra sempre, queira ou não queira. O sujeito vai no banheiro, ela vai atrás. Não sai na urina nem vai aos pés. O sujeito vai pra cama, ela vem que nem amante no cio. O sujeito sonha, ela surge tipo presságio. Frase
boa gruda no sujeito, que nem verbo de ligação.

Em Bonitinha mas ordinária, do bravíssimo Nelson Rodrigues, tem uma frase repetidamente citada do início ao fim. É o verdadeiro lema dos mineros. Quem lia Paulo Francis, no século passado, podia não concordar com ele, mas como não se divertir com a mistura de sarcasmo, deboche e plutônio num mesmo petardo. Só uma dele, pra matar a saudade rindo e muito: Marx escrevendo sobre dinheiro é como padre falando sobre sexo. (E sem aspas nas citações, por favor.) Diogo Mainardi segue seus passos à risca. Ofensas curtas e grossas, uma atrás da outra, de preferência injustas, até acertar uma pérola nos textículos do adversário. Uma pérola do tamanho de uma bola de
boliche. Macartistas adoram o exagero. Frasistas, também.
Aliás, a palavra não aparece no Aurélio. Frasista é o cara que faz as ditas cujas. E não são poucos. Formam uma legião universal. Bilhões de citações sendo arremessadas sem papas na língua. Mas, para sintetizar, o rei da síntese. Millôr Definitivo, o livro, é a bíblia das frases em português. Todo metido a criador de orações
provocativas tem que jurar com a mão em cima. Viver é desenhar sem borracha. Sexo causa gente. Bons tempos aqueles em que o faroeste era nos Estados Unidos. Feliz é o que você vai perceber que era, algum tempo depois. Todos os países são difíceis de governar. Só o
Brasil é impossível. Roube hoje! Amanhã pode ser ilegal. Por aí.
Duailibi tem o seu famoso Phrase Book. Frases que, segundo ele, cutucam a criação. Deus não tinha phrase book, mas o melhor frasista de todos os tempos como dupla.

Ruy Castro fez uma série de livros só com elas. O melhor do mau humor foi o primeiro. Sim, porque grande parte das frases são filhas adúlteras do mau humor. O mau humor incentiva muito mais a criação do que o bom. Este é bom pra pele. Aquele, para as vísceras. Juremir soltou uma nada acadêmica: Chico Buarque é o Felipe Dylon das quarentonas. E foi o Verissimo quem disse: Só acredito no que possa tocar. Não acredito, por exemplo, em Luiza Brunet.

Tem a famosa perco o amigo, mas não perco a piada, que mostra uma outra faceta das frases. Piada condensada. Não precisa ir até o menu. Tecla shift. A tecla aí é meramente ilustrativa. E como se faz a frase de uma palavra só, como o samba?

E o que dizer do epitáfio, a última frase, que fica lá no mármore provocando gargalhadas e lágrimas entre flores esquecidas?
Frases soltas, oba, coisa boa. Frases boas compõem diálogos inesquecíveis. Estão fazendo falta em nossos spots. Talvez os redatores de hoje não acreditem no poder criativo e rejuvenescedor
do mau humor. Ou os que estão por sobre eles, no coito diário da criação.

Por falar nisso, a publicidade está abandonando as boas frases, os títulos, sacadas. Os textos têm ido parar na frente do pelotão de fuzilamento das imagens. Lamentável.

As frases estão em todos os lugares. O sujeito vai no mercado da esquina e de repente uma delas surge do meio das bananas. Mas ainda tem propaganda que imita a vida, embora boa parte dela prefira copiar a Archive. Nada contra a grande publicação alemã, mas como uma frase puxa a outra e por falar em Alemanha, lembramos
o irrelevante futebol: frase é drible. Ronaldinho, grande frasista. Pelé-Maradona.

Orações provocativas substantivas adjetivadas, do André Martins.

talento e coisa parecida não se misturam

1.O dono da agência estava desolado. Recebeu, com a maior pompa de que foi capaz, o novo diretor de marketing do cliente. Passeou com ele pela agência, mostrou como ela está bem instalada, demonstrou que possui equipamento de última geração, e nada: o ilustre visitante limitou-se a observar – “e a sua equipe? Quero conhece-la.”

O dono da agência ainda tentou desconversar. Há dias fizera – como, aliás, era seu hábito – uma “limpeza” na agência. Botou quase todo mundo na rua, e ainda estava tentando contratar. O que não era fácil, porque todo mundo sabia o que, periodicamente, ocorria por ali.
O diretor de marketing insistiu: “cadê o diretor de criação? Quero cumprimenta-lo. Tem feito um excelente trabalho pra mim.”
O dono da agência não pode atender: o elogiado criativo também tinha sido demitido. O diretor de marketing ouviu uma explicação qualquer – que explicava mas não justificava.
A visita terminou em um ambiente gelado. A relação cliente-agência começava a ser interrompida ali.

2. Uma notícia surpreendeu, recentemente, o mundo dos negócios: a Disney comprou, por 7,4 bilhões de dólares, a Pixar, do lendário Steve Jobs. Duas outras surpresas ocorreram quando mais detalhes do negócio foram revelados: Jobs, apesar de vendedor, passou a ser sócio,com 6% das ações da Disney; e assumiu a chefia da área de animação dessa empresa.
É bom lembrar: a Disney possui parques temáticos, redes de televisão (ABC e ESPN, inclusive) , emissoras de rádio, estrutura estúdio de animação, para distribuição de filmes e produtos derivados, além de uma fantástica imagem que começa a ser arranhada pelo fraco desempenho da empresa e um faturamento anual de 30 bilhões de dólares. Perto dela, a Pixar era uma anã: tinha apenas um estúdio que faturou ano passado 273 milhões de dólares.

3. Se é assim, o que levou a poderosa Disney a desembolsar 7,4 bilhões de dólares, tornar Jobs dono de parte das ações da empresa e ainda nomeá-lo chefe da área de animação?
Talento.
Talento que, infelizmente, boa parte dos donos de agência menospreza ao remunerar mal quem o tem e, em muitos casos, a demitir de forma indiscriminada. E que, por isso, perdem excelentes negócios.
Talento que Jobs considera tão importante que já determinou: a Pixel passa a ser da Disney, mas as equipes de uma e outra não se misturam. Trabalharão separadamente, porque é preciso permanecer imaculado.

e o talento engoliu a tecnologia, do eloy simões

claro como água sanitária

A mensagem parece clara - os brasileiros de baixa renda também possuem um alto nível de desejo associado ao consumo, assim como os de melhor poder aquisitivo.

em artigo do luiz marinho, hoje no bluebus sobre cartões de crédito.
faltou dizer que estes mesmos brasileiros também tem ou podem ter um alto nível de decodificação das mensagens publicitárias. agora, se os emissores das mensagens os consideram indigentes a tal ponto que só mereçam cartões e cartelas - e sua lógica, extendida a outros movimentos - e não crédito para responderam a outras mensagens, temos 64% de contigente economicamente ativo tratados pela maioria dos publicitários como estúpidos e sem direito a trôco.
sorte dos publicitários. mas até quando ?

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

play the game

propaganda, d´après los hermanos, a gente faz é brincando. que é a coisa mais séria da vida.
fazê-la a sério, é brincadeira.
de mau gôsto. e só.

rga, sinapro e abap: o rescaldo das malas correntes

no site da One/WG, www.onewg.com.br , uma das grandes de florianópolis, com trabalho de qualidade e efetividade reconhecido nacionalmente, no capítulo quem somos, encontramos:

Nossos princípios:

1 - Uma agência onde o cliente pode negociar a mídia diretamente como veículo.

Aqui na one/wg, nós cuidamos do dinheiro do cliente como se ele fosse nosso. o compromisso que nós assumimos é fazer sempre a melhor negociação, buscando otimizar da melhor forma possível o investimento na mídia. mas, em última análise, o dinheiro não é nosso. Por isso, nós consideramos natural que um cliente queira fazer esta negociação e conduzir pessoalmente a compra do seu espaço publicitário. Isso é transparência. Isso é comprometimento com o resultado. Isso é One/WG.

2- Uma agência onde o cliente pode escolher o seu fornecedor e negociar diretamente com ele.

Confiança é a palavra-chave. Quando um cliente pôe o seu dinheiro na mão de um fornecedor. Por isso, aqui na One/WG, nós não temos qualquer objeção em trabalhar com os fornecedores que nossos clientes recomendam. Afinal, se um cliente considera que nós somos a agência certa para ele, nos acreditamos que, no mínimo, ele sabe
escolher bem os parceiros que vão trabalhar a sua comunicação.

3 - Uma agência onde o cliente pode decidir a melhor forma de remuneração.

A One/WG é uma agência totalmente voltada para o resultado de seus clientes. E a a maior prova disso é que ele oferece uma forma de remuneração em que a agência só ganha se o seu trabalho gerar resultados. Em outras palavras: nós confiámos tanto em nosso trabalho que assumimos o risco junto com nossos clientes. Esta é uma forma de parceria mais autêntica e transparente que uma agência poderia oferecer.

como se vê, o imbróglio criado em torno do "anúncio" da RGA é coisa de cafuçú. de quem tem rabo preso: agência que aceita fee de shopping em valores alí pelos mil e poucos reais tem por acaso algum compromisso com a manutenção do negócio difícil(sic!) ? e os que nem isso cobram? e quem foi que mandou a lei 4.680 pro cacete em pernambuco? não foram os mesmos que hoje choram lágrimas de crocodilo. ora façam-me o favor. balancem a pança mas não chorem a comilança.

num mercado onde competência em diferenciação não é requisito indispensável para o estabelecimento no negócio da comunicação de marketing de marcas - isso se o negócio fosse esse, porque o negócio mesmo é de tráfico de espaço - a única competência que se vê é nos lobbys, nos arranjadinhos, nas chorumelas, nos aparecimentos nas colunas sociais, em dumpings. isso há, e muita. esbanjada até nao mais ver. causa por isso mesmo do rangir de dentes a menor possibilidade que os atemoriza.

à grita em relação a RGA é deveras sintomática. é o status cú torando alfinete pensando que é prego, por muito, muito pouco. afinal, como se vê, não há diferenciação nenhuma no que a RGA propôs enquanto discurso de prospect.

por outro lado, se todo mundo então é tão competente assim, que medo é este de três mosqueteiros que nem d´ artagnan ao seu lado tem ? pra quê o chilique, o pití ?

se a One/WG ou outra qualquer se estabelecesse aqui e publicasse seus princípios, a sinapro e abap iam contratar capangas para abatê-los ?

é só o que falta. o mercado, que não é de maomé, é uma caricatura, porque nele aconteçem coisas de deixar os cabelos em pé. e que não são as chorumelas listas.

ao fim ao cabo, tout est bien qui finit bien , um convite para a RGA sentar-se na academia e afiliar-se à sua parte.

comovente: qual seria a trilha, senta aqui, do fábio júnior ?

independência é morte ?

não é bem assim não. no contexto de globo, achatado, mais globalizado, a cantoria é que agências independentes não podem dar o grito de independência ou morte, porque morrem.

por um lado, multis como lowe, começam a enxugar e reduzir suas unidades em busca de uma eficiência operacional criativa, libertando-se do jugo da standartização. caminho inverso é feito quando o grupo wpp, compra a sra.rushmore(já recomendei um pulinho ao site - www.srarushomore.com) para agregar espírito indomável? a seu portfólio de agências( a sra.rushmore papou a conta da coca-cola nas olímpiadas de barcelona).

ainda assim, ainda não, independentes ou "hot-shops", não deixam de ser independentes, mesmo quando se aproximam, demais, de clientes tido como austeros e conservadores como a procter & gamble. será que jã não se fazem mais conservadores como antigamente - só mesmo no nordeste ? - bom, chorar eles choram como ninguém. trabalhar que é bom...

o fato é que a independente "Wieden & Kennedy ganhou mais um pedaço da conta da Procter & Gamble, linha Old Spice. Desde junho passado, ela já atendia a linha Eukanuba e um projeto de Ivory para o Canadá. Com essa adição, a agência com sede em Portland passa a ter uma participação importante junto ao maior anunciante do mundo. Outro aspecto relevante dessa operação é que a parte de planejamento e compra de mídia nos Estados Unidos também ficou a Wieden, revertendo a política dominante de gestão de mídia da P&G."

enquanto tem gente que vende a mãe e passa recibo para crescer, inchar ou sei lá o quê, gente tem ainda que prefere a qualidade a quantidade e, ao contrário de muita lágrima de crocodilo, vai bem com seus vinténs.

é só não querer bmw e land rover no estacionamento, casas de campo, praia e inverno, e amantes que achem que os melhores amigos de uma mulher são diamantes.

a melhor amiga da propaganda ainda é a criatividade mesmo quando ela usa um certo sapatinho de salto alto (tem gente que pensa que a croisette é aqui).

propaganda institucional

voudejeg.blogspot.com
o blog para quem gosta de carros além das quatro rodas
atualizado neste domingo. o voudejeg é atualizado uma vez por semana para não causar superaquecimento.

foodsequiser.blogspot.com
o blog do fast food, slow food & food tudo
também atualizado neste domingo.
o foodsequiser é atualizado uma vez por semana para não dar indigestão.

o misterwalk.blogspot.com
o blog que coleciona joanetes em busca da reflexologia podal
é atualizado diariamente. assim como o cemgrauscelsius.blogspot
o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência.

estes são atualizados diariamente sem razão aparentemente maior que as aparências.

e em breve, o blog para quem gosta de sexo de graça sem ter de pagar por isto.

então, aproveitem enquanto dura.

domingo, fevereiro 12, 2006

histórias que nossos papás não contam

a história do brasil não é a mesma no paraguai.
millor fernandes

o tempo não pára

quando reservei parte dos domingos para incrustar no cemgrauscelsius uma produção jornalísitica descontínua e outsider, como sempre o fui e, auto-condenando-me, serei, temia pela desatualização dos textos. além do peso dos artigos de fundo. estes que contrariam a lógica blogueira das estocadas curtas e leves. encontráveis no misterwalk.blogspot.com e aqui raramente presentes. e que pelo peso em muito dos arquivos não sei se mais palatável durante a semana ou se no domingo, " dia consagrado à preguiça ". o peso e característica vertical do cemgrauscelsius, algodão doce aqui você não encontra, não me preocupam tanto, é dna do endereço. mas a desatualização sim.

de certo modo, preço a pagar pelo registro particular daquelas páginas de jornal que me custaram um pouco da juventude etária. escritas num tempo onde frases tortas podiam dar em torturas, e que se deterioram nos meus arquivos e também no arquivo muncipal do recife. que sabe-se lá como resiste ele, e seu acervo ao tempo, espero bem que melhor do que eu.

estava enganado ao que parece, quando por exemplo, releio o texto de hoje, bem como os de outros. continuamos com mortes no campo e trabalho escravo ( e a imprensa, acobertando nomes); é preciso que chavez – este e o outro – nos venha ensinar quem é abreu e lima e sua importância – já que nem na cidade a quem deu o nome sabem quem é, e que foi – continuamos com corrupção em altos escalões. o personagem corruptus do jô soares consegue ser mais atual do que o programa. e uma miríade em série de fatos e acontecimentos que culminam desde a incerteza de quem realmente pisou-nos primeiro(cabral ou pinzón?) a degradação do ensino, cujos livros continuam impregnados de lorotas oficiais.

isto posto, dão-me a triste impressão de que quase nada mudou. que os textos continuam atuais. e que muito do que mudou, mudou pra muito pior. o que me dá uma ferida em cortes de não poder mudar naquilo que sou pois o tempo também não colabora para que eu me torne um sujeito, como direi, mais acessível ?

se o tempo não pára, por certo, o trem da história fez baldeação e não trocou os vagões.
continuamos nós, como lenha, a impulsionar a maria fumaça. que arfa dormente a dormente num rasgo de força enquanto nos garfa ?
bom domingo — o que quer dizer mesmo isso ? mesmo no que ele tenha de pior.

a inversão do genocídio no dever de casa

genocídio americano – a guerra do paraguai – júlio chiavennato – brasilense - segunda edição – 188 pp – Cr$ 130,00.
(texto disponível no hayquetenercojones.blogspot.com)

sábado, fevereiro 11, 2006

pulseira

boa publicidade, como cartier. quem compra imitação, merece-a.

deus e o diabo na terra do marketing

Na fase do cinema brasileiro denominada Cinema Novo, o filme Deus e o diabo na terra do sol , do cineasta Glauber Rocha, aborda a dualidade entre o bem e o mal, onde os personagens ora representavam o Diabo, ora representavam Deus. Porém, todos tinham Deus e o Diabo dentro de si e externavam ambos em determinadas situações da trama, desenrolada em pleno sertão brasileiro.

Sim, mas o que isto tem haver com marketing? Lembrei do filme por conta de minhas inquietações a respeito da percepção das pessoas sobre marketing. Em conversas, assistindo a reportagens, lendo jornais e sites na internet, sempre me deparo com opiniões sobre o marketing que o distorcem de seus princípios básicos, geralmente, abordando o assunto por um único ponto de vista. E, na maioria das vezes, ele é tratado como o vilão da história – o mal.

Acontecimentos recentes divulgados pela imprensa colaboraram para que as atividades de marketing e publicidade fossem percebidas por grande parte da sociedade brasileira como "ferramentas do Diabo". Bem, quando não se conhece algo tende-se a generalizar seu entendimento por meio do pouco do que se já ouviu falar sobre ele. É o que aparentemente esta acontecendo com o marketing e seus instrumentos de ação, como a propaganda, as ações promocionais, o merchandising e demais aplicações mercadológicas. Geralmente, o estereotipo sobre o marketing que é mostrado pela grande mídia de massa ajuda a fortalecer essa percepção por parte da sociedade. Porém, pouco se percebe que o "marketing" existia bem antes da Revolução Industrial e que não é invenção do capitalismo, embora o capitalismo o tenha aprimorado.

O marketing, em sua essência, existe desde que o homem sentiu necessidade de consumir algo que não poderia coletar da natureza ou produzir; a partir desse momento o homem precisou procurar em sua aldeia ou tribo alguém que possuísse o que ele necessitava e então tentar suprimir essa necessidade, a princípio, por meio de um processo de troca, hoje em dia conhecida como permuta. Portanto, marketing tem haver com pessoas e suas necessidades de consumo.

Já na complexa sociedade contemporânea os processos de troca evoluíram, a territorialidade do consumo passou da pequena aldeia ao universo virtual. Dependendo do tipo de necessidade, o consumidor pode optar por comprar o que vai consumir na esquina de sua casa ou pela internet. As relações sociais e profissionais exigem que o homem contemporâneo desempenhe vários papeis, portanto, suas necessidades aumentaram em relação ao homem da aldeia.

Objetivo e ética

Como necessidades são problemas a serem resolvidos, as pessoas se servirão muito mais do marketing do que o consumidor de antigamente. Podemos concluir então que é praticamente impossível viver no mundo moderno sem o marketing. Tudo que está ao nosso redor, literalmente, é fruto de uma (ou mais) ação de marketing. Alguém ou alguma organização teve que identificar uma necessidade, estimar a demanda, desenvolver um produto ou serviço, fabricá-lo e comercializá-lo, para que ele esteja suprindo a nossa necessidade.

Por isso, torna-se inevitável a desmistificação do marketing como algo negativo, já que todos de uma forma ou outra se beneficiam dele. É importante que a sociedade perceba o lado positivo do marketing, sua contribuição para a sobrevivência de todos os tipos de organizações, ou será que organizações como o Greenpeace, a Cruz Vermelha, a Rede Feminina de Combate ao Câncer, a Caminhada da Fraternidade e Órgãos Governamentais não precisam planejar e executar ações de mercado voltadas para seu público-alvo?

Será que um profissional liberal de sucesso consegue prescindir de uma boa estratégia mercadológica? Assim como um avião que pode transportar pessoas em menos tempo e também ser arremessado contra um aranha-céu, matando milhares de seres inocentes, o marketing pode contribuir para o bem e para o mal, dependendo do objetivo e da ética de quem o pratique.

ricardo vernieri de alencar
(*) professor universitário, administrador e mestre em administração


os marqueteiros é que são grande problema do marketing. antes vendessem " banha de cobra" , as soluções ferramentadas em função de resultados que de antemão sabem discursivos ou não sabem paliativos como fazer para consegui-los. aliás, agora todo mundo é marqueteiro, com carteirinha de MBA. aí dá no que dá. menos empulhação, mas simplicidade. como diz o provérbio árabe; confia em alá, mas amarra teu camelo. o diabo é que os deuses nascem do estômago, ali, pertinho do bolso.

quando meia garrafa valia uma vida inteira


quem não conhece ou conheceu paulo francis acha diogo mainardi o caramurú. é não. tá mais para cara de cú mesmo.
muito espaço pra pouco peido, o que é muito diferente dos petardos com inteligentzia, blefados ou não do franz, concordasse também você ou não.

na mesma época de francis, 75 kg de músculos e fúria - e bem mais do isso - saídos de porto alegre enchiam o rio via território de ipanema inventado o pasquim com assombro e rasgos de gênio do tempo que o jornalismo não é era esta bosta gasososa - e requentada, o que é muito pior, de agora.

"A maior revolução na imprensa, nos costumes, na sociedade e na linguagem que o brasileiro que sabe ler já viu foi o semanário "O Pasquim", invenção de Tarso de Castro concretizada com o apoio e talento de craques como Jaguar, Sérgio Cabral, Luis Carlos Maciel, Fortuna, Ziraldo,Paulo Francis e outros. O uso sem rodeios de expressões cretinas ou chulas nas colunas informativas é prerrogativa de Tarso de Castro; a reformulação da Folha Ilustrada, a criação do Folhetim e do Enfim, o renascimento da Careta e do Nacional são obras de Tarso de Castro; e, provavelmente, também Tarso de Castro tenha sido uma invenção febril de Tarso de Castro."

tarso de castro é o nome do cara que bebeu tudo o que podia, comeu todas que podia, e ainda fazia jornalismo contra tudo e contra todos, tornando-se" lenda do jornalismo de idéias e humor" com socos certeiros também em sentido literal. tom cardoso faz um livro sobre ele, pela planeta, e todos dizem que ficou devendo, que "tá mais pra perfil do que para biografia porque o cadáver tá recente", na dúvida vou ler de favor na cultura.

"Tarso, que nas palavras de Otto Lara Resende era o menos convencional dos homens e parecia ter um pacto com a felicidade, foi responsável pelo surgimento do único sopro criativo da imprensa brasileira na virada dos anos 60, O Pasquim. Recrutados praticamente todos em mesas de bar, Jaguar, Sergio Cabral, Ziraldo, Fortuna, Luiz Carlos Maciel, Paulo Francis, Paulo Rangel e Millôr Fernandes fizeram o que seria 'a piada do ano', na previsão furada de Millôr - um jornal feito só por jornalistas, e de humor, em pleno AI-5. 'O Pasquim era a revolução dentro da revolução. Ali se deflagram todos os movimentos. A revolução do jornalismo, a libertação do coloquial, a viabilização do esquerdismo, a libertação do humor e do feminismo, a explosão da contra-cultura, o desatamento do movimento gay. Era a imagem e semelhança de seu criador, Tarso de Castro', compara Tom Cardoso. Mas, assim como sua passagem pela Folha de S. Paulo, Zero Hora e pelos jornais que criou, como O Pasquim e Enfim, sua vida foi agitada mas curta. Durante anos, os amigos tentaram, inutilmente, convencê-lo a parar de beber. Luiz Carlos Maciel o levou ao Alcoólicos Anônimos (AA). Seu argumento para não freqüentar as reuniões foi convincente - 'prefiro a morte ao anonimato'. Palmério Doria pediu que ele parasse ao menos de beber de manhã. A resposta estava na ponta da língua - 'prefiro viver pela metade por uma garrafa de uísque inteira a viver a vida inteira bebendo pela metade'. Na ultima internação, no Hospital das Clínicas, seduziu todas as enfermeiras e as convenceu - sabe-se lá como - de que era importante ele ter duas garrafas de uísque debaixo da cama. Em 1991, morreu vitima de cirrose hepática."

as putas, sabe o escritor, é que sabem das coisas

não é o melhor libro de garcia marquez, dizem, mas memória de minhas putas tristes, record, do gabriel, vale pela página em que o velho dialoga com a puta jovem após zelar por seu sono passagens inteiras. veja o trecho abaixo na resenha de paulo salles
escrita inexorável de um homem rondando os noventa anos como a morte lhe ronda na contra-dança ?

"A narrativa acompanha as reminiscências de um homem irremediavelmente solitário que, no aniversário de seus 90 anos, decide se dar de presente uma noite de amor com uma virgem. Jornalista ordinário, crítico de música de estilo antiquado e amante da atmosfera mundana dos prostíbulos, o personagem se insere no panteão de tipos sorumbáticos que habitam diversos romances de Márquez, sendo o principal deles Florentino Ariza, de O amor nos tempos do cólera, romance com o qual Memória de minhas putas tristes dialoga constantemente. Ambos empreendem um olhar delicado e afetivo sobre os labirintos da velhice. É quando o sexo se torna muitas vezes um fardo, e mesmo assim merece ser desfrutado. Quando a vida é feita de lembranças e se despe de sonhos.

Após entrar em contato com uma velha cafetina, Rosa Cabarcas, o velho consegue sua virgem. Mas a relação entre ambos é apenas de contemplação. A garota, nua, embrenha-se no breu do sono, e ele vela seus sonhos e pesadelos no recesso da alcova. São noites e noites observando os pés, o colo, os seios de adolescente de Degaldina. Até que, pela primeira vez em nove décadas de uma existência oca, apaixona-se inapelavelmente. Através dessa história singela e por vezes melancólica, Márquez faz uma ode ao ocaso.

Um trecho, já ao final do livro, é particularmente tocante: "Não resisti mais. Ela sentiu, viu meus olhos úmidos de lágrimas, e só então deve ter descoberto que eu já não era o que fui e sustentei seu olhar com uma coragem da qual nunca me achei capaz. É que estou ficando velho, disse a ela. Já ficamos, suspirou ela. Acontece que a gente não sente por dentro, mas de fora todo mundo vê". Impossível não vislumbrar, nos devaneios do nonagenário, pensamentos do próprio García Márquez, já às voltas com a proximidade da extinção.


Memória de minhas putas tristes poderia ser comparado a O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ambos são novelas escritas na maturidade, curtas e repletas de simbolismos. Não se ombreiam às obras-primas de seus respectivos autores, e de certa forma refletem suas obsessões. A luta do pescador Santiago contra o marlim gigante era uma metáfora da batalha - inglória e inútil - travada pelo próprio Hemingway contra a decadência física e a inspiração que se esvaía.

A obra de Márquez também medita sobre a derrocada do corpo, mas, ao contrário de Hemingway, o colombiano constrói uma parábola essencialmente otimista sobre o prazer de sobreviver a si mesmo. Como afirma, no parágrafo final, o velho jornalista: "Era enfim a vida real, com meu coração a salvo, e condenado a morrer de bom amor na agonia feliz de qualquer dia depois dos meus cem anos".

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

filisteus!

os maiores inimigos da publicidade não são os críticos ou os amadores. são os publicitários que abusam dela.

lie to me

mote da semana é a vinheta do gustavo krause usada pela tv universitária.
riffs da faixa do primeiro cd do johnny lang.
autorização de quem ? da puta que o pariu ?