segunda-feira, dezembro 05, 2011

miss simpatia 2, ou seria 3, 30, 300, 3000?

A divulgação dos resultados da pesquisa Top of Mind 2011, promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, não apresentou grandes surpresas. Há anos que as marcas de notória afinidade com o consumidor brasileiro ocupam lugar privilegiado. Portanto, parabéns aos que se dedicam ao atendimento das expectativas dos usuários, cada vez mais exigentes e volúveis.

O encarte do jornal dedicado aos resultados da pesquisa (parte integrante da Folha de S. Paulo de 26 de outubro de 2011), além de uma entrevista com um conhecido profissional de propaganda, apresentou as principais agências de publicidade do mercado brasileiro, em tese, co-responsáveis pelos índices de reconhecimento das marcas. Escritórios, funcionários, clientes e principais campanhas compunham o perfil despretensioso, mais dedicado a prestar homenagens do que, realmente, fazer jus à história de cada uma das grandes empresas de propaganda do Brasil.

Porém foi impossível não se ater ao item “agência pela agência” e perceber como cada uma se definiu. Decepcionante. A começar pela mesmice. Pelos textos o posicionamento das agências é tão vazio quanto discurso de miss.

Pior. De pura falta de coisa melhor para fazer, troquei os textos entre as agências e não fez diferença nenhuma. Exatamente como nas falas das misses.

Que o modelo de negócio da propaganda brasileira limita as inovações, engessa a criatividade e não atende ás necessidades de consumidores e anunciantes, todos sabemos. Mas até pouco tempo atrás os discursos eram imaginativos e, mesmo que fantasiosos, remetiam os leitores (anunciantes principalmente) a um universo de permanente questionamento. Pois, lamentavelmente, discurso e pratica se encontraram e agora, além de fazerem o mesmo plano de mídia, agências falam a mesma coisa.

Confesso que fiquei um pouco envergonhado com a pouca consistência dos posicionamentos de quem, por princípio, deveria se esmerar em falar de sí, para poder dar voz ás marcas. Mas também reconheço que esse é o destino da propaganda brasileira enquanto perdurar esse modelo anacrônico de preservação dos projetos hegemônicos. As agências, realmente, não sabem o que dizer.

(agência faz discurso de miss, do andré porto alegre)

sábado, novembro 26, 2011

back to, ora pra onde mesmo?


prêmios, ah! os prêmios. ultimamente - como de sempre, até nisto a propaganda está igual ao que de pior se nivela ainda pelo mais baixo - tem publicados anúncios e anúncios auto-gabando-se, o que acaba por ser um tiro no pé, tivesse o mercado pé e cabeça, com algum teor de ética, senso de não senvergonhice e profissionalismo, pois não se entende( é claro que se entende) como ao anúnciar um prêmio de suposta excelência, produza-se algo de tão amador e esteticamente easgarçado;

a ítalo bianchi por exemplo - ao que parece o ítalo não deixou testamentado à burnett o se fizerem merda tirem o meu nome da porta - publicou um anúncio - daqueles tipo dor de cotovelo, aliás ampla e grupo nove não fazem outra coisa também senão atestar o nosso subdesenvolvimento rançoso e fimocular - onde o lettering, ou melhor a tipografia - uma das pedras de toque do ítalo - era um desconjuro só(nem vou publicar para não enmerdar mais o post, cutuquem-se e achem na rede) coisa que somente publicitário de diploma seria capaz de urdir, já que na sua grade curricular caligrafia e tipologia não existem. pois bem o tal anúncio não tinha a mínima direção de arte - coitado do ítalo - e parecia mais um engavetamento mal ajambrado do mais do mesmo a não dizer, ou seja nada que configurasse, sob o pretexto do prêmio, uma comunicação institucional que, vá lá, tivesse algum business em foco, que não fosse olha como nós também ganhamos viu, não foram só vocês não.

a agência um - fico pensando se fosse a nona - publicou algo dizendo que não entregava o ouro de jeito nenhum. mas entregou o ouro de tolo, e mais uma vez contribuiu "sponsoriamente" para confirmar a prática de como fazer o que não se deve ao ganhar prêmios.

o grupo nove, veio de dose dupla. e haja dose. comunicando o "ganho" de uma conta nacional e a publicação na archive de material criado na terra do acarajé(sim, pernambuco, afinal por aqui quem manda na comunicação é uma agência baiana, ó paí). pois bem: no anúncio do ganho da conta nacional o velho ranço do mercado nordestino(coisa de agora, pois as agências locais já foram reconhecidas em nível de eficiência no passado ao eixo rio-são paulo, nos tempos que isso queria dizer alguma coisa. mas vá lá que seja, algum brilho no texto, alguma ideia sólida de personalidade empresarial que não seja olha os caras do sul escolheram os mazelentos do nordeste o que significa que nós "semos" mesmo bom(nas entrelinhas a tal coisa de recado para as agências - e não para clientes - concorrentes, coisa mesmo de menino bucho, bucho de guarú. nesta hora como faz falta redatores e diretores de arte que saibam fazer em all type um comunicado, a quem interessa, esbanjando nuances de conteúdo e eficácia, com molho de criatividade para que quiser ver mais. já o anúncio da publicação do archive, chegou tarde. a revista, como os demais podiuns são não perde em desgaste para a câmara, o senado e as entidades regulativas e associativas de classe da propaganda, com destaque para a inutilidade da abapa e a perda de sentido do conar. sim, se a abap servisse para alguma coisa não deixaria barato uma agência baiana tomar conta da comunicação governamental. e não me venham com esta de bairrismo. vão me dizer que entre as agências que alardeiam tantos prêmios, não tem, ninguém que saiba fazer o rame-rame da comunicação de governo que é feita pela link? tenham dó, quero ver uma agência pernambucana fazer o mesmo na bahia.

e, como desgraça pouca é bobagem, a ampla também associada a um certo premio de propaganda de pernambuco auto-decantou-se em loas de marré-marré, para não deixar vago o espaço do triunvirato onde os prêmios invariavelmente não refletem o ser publicitário mas sim a gandaia que se tornou o mercado onde quem aparece é quem faz ainda mais o que não dever ser feito por outras vias.

como diria o bardo, prêmios, coloque-os sempre sob suspeição: principalmente quando forem ganhos por você.

sexta-feira, setembro 23, 2011

antes dos póneis malditos haviam os wild horses


em nota, distribuída certamente pela assessoria de comunicação da agência para azeitar sua presumível eficiência - ou seria eficácia ?  eficácia e ou eficiência quase nunca é a mesma coisa - coisa que a cavalaria inimiga não esquece - alardeia-se sobre base numérica relativa – quem vende pouco e tem um aumentinho de tanto, vira número distinto – que a nissan, após a veiculação do comercial dos pôneis malditos aumentou suas vendas em mais de 80%.

 

se considerarmos para além da markeopia(miopia de marketing) que se prende ao fato e tão somente, que um comercial que nem é uma brilhante idéia criativa – mas parece futrica de hannah montana – consegue ser uma pedra no charco da comunicação de pick-ups que chafurdam numa falta de criatividade que não tem controle de tração que destrave, tem-se o retrato do estado atual do mercado de propaganda no brasil, onde agência – e seus diversos departamentos, criação e argh! planejamento, embicam atolados até o pescoço no marasmo conjuntamente com clientes e seu marquetching, verdadeiros reprodutórios de pôneis malditos, tamanha modorra, mesmice, e mediocridade do que é veiculado junto daquilo que hoje em dia sequer é ventilado.

 

as crinas eriçadas da criação – e vá lá do planejamento estratégico(essa moçada me faz cócegas) transformou pégaso em pôneis de animação que, pastiches de si mesmos, sequer chegam a a cavalinhos de carrossel. 

sabe aquela expressão? hoje estou pegando até cavalinho de carrossel? pois, já não os há, terá de se contentar com pôneis, e olhe lá. acabou-se o tesão de criar coisas realmente diferenciadas e criativas, e o que é pior, a secura insaciável de continuar tentando mesmo tendo de pastar diante da pradaria que clama por wind horses.

(http://www.youtube.com/watch?v=EhVLiHPUOIM)

 

 

 

domingo, setembro 18, 2011

pequeno grande,grande


aos observadores de plantão, mais interessados em futricas e nas moscas das latrinas dos famosos, passou desapercebido. no comercial do cinquechento, de idéia, ou melhor conceito, já explorado por diversas vezes, e de maneira bem mais contudente, e bem realizada( querem exemplos comprobatórios? que catem, ò caterva escrava isaura do google sem memória e sem cultura publicitária e geral – chama a atenção a utilização de dustin hoffman, ator que ultimamente não repete nem de longe o acting que lhe deu a estatura de quem se encontrou em perdidos na noite(69) e nunca jamais nenhum deles ao som da visceral everybody talking, de nilson, queridinho de john lennon.

pois bem, ricardo marchi, dá-lhe um banho em seu over acting por sobre o canastrão, enquanto o easy acting de hoffman dá pro gasto e só. para aqueles que acham que é fácil para um ator tido com canastrão representar a si mesmo, não é tão fácil assim. aliás é difícil pra caralho. e mesmo nestes casos é necessário um certo talento e uma psiqué du rôle que francisco cuoco, por exemplo, esbanja com uma empatia que lhe sobra aonde falta ator.

marchi, que foi execrado pelo papel do cigano Igor – o que demonstra o espírito canhestro da raça; perseguir de forma implacável o que não merece nem registro e abster-se de empenho no bom combate ao que deve ser até a extinção de todos os males, merece aplausos por ter-se agachado conforme pediu o roteiro. mas hoffman é que lhe devia mesuras, de tamborete neste caso.

sábado, agosto 27, 2011

o executivo disfarçado de artista


A essa altura todo mundo já sabe – ou pior, já deve estar saturado com o assunto: Steve Jobs entregou o posto de CEO da Apple para Tim Cook, até então COO, e passou a ser chairman do board da empresa.

Muitos estão dizendo que essa é uma mudança meramente simbólica já que Cook exercera a posição de CEO interino durante as licenças médicas de Jobs, e que há tempos já é efetivamente responsável pelo dia-a-dia da empresa. Mas pouco se questiona o fato de que essa mudança representa o início do fim da influência de Steve Jobs na Apple, e marca uma passagem importante: começar a administrar seu futuro sem a presença de seu fundador.

Uma questão bastante discutida é se Cook pode ser um executivo tão competente quanto Jobs. Acho que essa é uma questão de importância secundária: o mercado está cheio de bons, ótimos, excelentes executivos. Dos milhões de executivos que se formam, se aperfeiçoam e progridem em suas carreiras todos os dias, há de sair pelo menos um à altura. Se por algum motivo o plano de sucessão falhar, certamente acharão um bom substituto para ele.

Mas o impacto e a comoção com a saída de Jobs do cargo de CEO - que tomaram todo o noticiário e as redes sociais imediatamente após seu anúncio - não aconteceram por ele ter sido um bom executivo.

Jobs tem outra qualidade, mais importante, mais rara e mais vital para a Apple continuar sendo como é: a de artista. Como artista, Jobs é visionário e obsessivo.

Visionário, porque ele tem um ideal muito claro e preciso de como o mundo à sua volta deveria ser. Obsessivo, porque não mede esforços, não preserva relacionamentos e não poupa recursos pra fazer esse ideal ganhar vida.

Foi por essas qualidades de seu líder que a Apple promoveu rupturas tão profundas nas categorias de mercado em que atua. Mas um resultado ainda mais impressionante do que o financeiro, foi a enorme influência na cultura popular que a marca exerceu sob o comando de Jobs. Sem tamanha influência na cultura popular, certamente a Apple não teria se tornado a empresa mais valiosa do mundo.

Influência cultural é algo que importantes marcas já perceberam ser a chave para ganhar espaço no mundo atual. Jonathan Mildenhall, VP de Estratégia Global de Publicidade e Excelência Criativa da Coca-Cola, declarou em Cannes que o objetivo da marca é "conquistar um espaço desproporcional da cultura popular".

Sim, as marcas já estão entendendo a importância disso. O desafio, agora, vai ser implementar esse pensamento. Não é uma tarefa fácil, porque implica mudar uma série de atitudes-chave na forma como elas enxergam sua atuação no mercado.

Significa mudar processos de inovação, abandonando aperfeiçoamentos graduais vindos de R&D e buscar rupturas bruscas com o status-quo.

Significa parar de delegar para os consumidores a decisão sobre o que fazer, e usar sua visão e sua obsessão para inspirá-las.

Significa parar de querer agradar gregos e troianos, e focar em construir uma cultura da qual as pessoas queiram tomar parte.

Significa olhar menos para o que você tem a perder, e mais no que ainda precisa ser mudado.

Significa ser menos executivo e mais artista.

Jobs deixa a Apple como a empresa mais valiosa do mundo, que cresceu 100 vezes em valor de mercado desde que reassumiu a empresa em 1997.

No papel de administrador, foi muito eficiente. Mas, talvez ainda mais significativa, seja a posição de vantagem avassaladora em que ele deixa a Apple enquanto influenciadora da cultura popular. Para seus concorrentes, ainda há muito trabalho ser feito.

O que deveria nos preocupar não é apenas o futuro da Apple. É o futuro de tantas marcas que ainda abraçam modelos obsoletos e pouco eficientes.

( artigo é do rodrigo maroni, diretor de planejamento e estratégia digital da dm9ddb, que titulou-o como o artista disfarçado de executivo.
ao inverter o título, solto a faísca ou a bufa sobre a compreensão e o equívoco sobre o que é ser verdadeiramente um gestor fora dos padrões que atribuem o cacoete da inconformidade ao artista e ao executivo a visão entre quatro paredes. a grande verdade é que temos "artistas" demais e executivos de menos. daí a razão do negócio da propaganda estar numa decrescente qualitativa, diria, sem retorno.quando o executivo deixa de ousar o "artista" sucumbe junto e vice-versa. como diria sêneca, nós não entramos em dificuldades porque ousamos nós nos dificultamos simplesmente porque não ousamos. já está mais do que na hora defenestrar o modelo max gehringer, juntamente com o do artista temperamental e pseudosensível.

sexta-feira, agosto 19, 2011

óleo frito


o globo esporte recife, no melhor estilo do seu jornalismo água oxigenada, aquele que mostra o corte mas esconde o sangue, fez uma matéria após a já esquecida e última vitória do sport sob o comando do mazola, onde alguma inteligência entocada - ou seria intocada - vislumbrou vórtice para apelo publicitário de jaula para jaula. isto posto corta para interior de agência publicitária de clã mosquiteira, onde criativos imberbes recebem o brief para quiçá adequar o pseudo bordão a algum produto, chamada ou campanha publicitária. e pasmem, o resultado foi pior do que a performance do mazola como técnico: um empastelamento geral que revela o nível do óleo requentado dos publiciotários que se travestem de criativos. nada que se aproveitasse ou ao menos revelasse pendor para o gênero ou a psiqué du rolê que se espera de gente que se diz e assume criativa. tatibates, intervenções enviesadas, piadas de amanuenses, garatujas com rough, sem a menor possibilidade de se converter em imagem criativa - é nisso que dá contratar diretores de arte que não sabem desenhar(piloto de photoshop não é diretor de arte) e criativos que não sabem o que é texto, slogan ou bordão de verdade. na verdade estes que apareceram como publicitários conseguiram cristalizar a cara de idiotia ainda bem maior do que a do mazola, técnico que tal como os publicitários pseudocriativos, marca mais pelo sobrenome do pai, do que com uma performance mediocre alicerçada sobre a cara feia que não resulta possibilidades concretas do que quer que seja, ainda preferível a cara festiva e mascarada dos criativos que sequer chegam as coxas ficando mesmo pela panturrilha.
o sport é tal qual a maioria das nossas agências de publicidade: em vez de diretores de criação, os técnicos( o último de verdade foi o nelsinho, leão menção honrosa por não se dobrar a intromissão da diretoria - quem dirige não pode ser desmandado pelas costas) não querem profissionais que sejam realmente criativos( ser criativo é ser eficiente com atitude e estilo) e coloquem a honorabilidade do cargo acima de tudo que venha de encontro ao exercício da profissão de maneira plena. o que querem é perfis para o cargo que abdiquem do comando para receber a cangaia dos donos de agência ou dirigentes dos clubes, uns como os outros, coronéis do asfalto que não toleram inteligência, criatividade e firmeza. e que se foda o tal do planejamento que não resiste ao menor peido dos coronéis mandatários. aliás planejamento no brasil só fake e boring. isto aqui é a terra da ejaculação precoce dos broxas, seja no futebol, seja na publicidade.
e como o princípio de profissão de vida da maioria é segurar o cargo, lá se foi o mazola para o lugar de cativo, fritado como interino dele mesmo, tal e qual a maioria dos diretores de criação que nem sequer chegam a ser capitães do mato mas simplesmente ajudantes de ordem pagos pela capacidade engolir sapos e testículos sejam eles ovos quentes ou frios.
e quanto aos criativos que se surgiram para nada, nada lhes resta mais que não o papel de margarina. e como ensebam a profissão, contribuindo para a percepção errônea do que seja publicitário o que decidadmente não o é o feito destes sebosos puerilmente perigosos.

quinta-feira, agosto 18, 2011

ponto pacífico

os comerciais da rede atlântico de pizzas, que de há muito não são feitos como antigamente, são tal e qual as suas atuais, ou seja: borrachudos a dar com o pau. e aquele tubarãosinho tatibate, cognominado de mister tuba, não é o daqueles que colocam a boca no trombone e sim é o conceito de cloaca símbolo mor da extinção da espécie, publicitária?

quarta-feira, julho 20, 2011

para ou a quem serve o diploma - e o de publicitário então, nem se fala


Na semana passada, a Ordem dos Advogados do Brasil divulgou as 90 faculdades que conseguiram a proeza de não ter nenhum dos seus alunos aprovados no exame da Ordem. SIM, é uma proeza quase heróica não ter NENHUM dos seus alunos aprovados. Fico mesmo imaginando uma pegadinha, Ivo Holanda aparecendo na sede nacional da OAB e rindo à beça dos togados.

Mas não, infelizmente não foi “pegadinha”, mas sim o retrato cru da realidade do ensino superior brasileiro, na sua expansão a todo e qualquer custo promovida pelo recém falecido, e por isso canonizado, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

Ali, mais do que expandir o ensino universitário, Paulo Renato o loteou, rifou e o massificou com todas as características que isso tem de pior. A maior parte da expansão foi feita apenas pelo viés da mercantilização, sem nenhuma outra preocupação.

A equação era simples para os aventureiros do ensino superior: Entra dinheiro, sai diploma. Uma compra vantajosa, com a grande vantagem de ser parcelada em 48 meses, e sem juros. Mas no meio do caminho havia uma pedra. Como toda entrega de produto, a logística é fundamental e atrasos são mal vistos pois atestam a incompetência da empresa.

Neste caso, a pedra responsável pelo atraso tem nome. Professor. É ele quem pode “atrapalhar” o aluno na consecução do seu objetivo imediato, a compra parcelada do diploma que, segundo as propagandas, catapultariam esses estudantes a uma vida confortável, com bons salários , carro zero km na garagem e as contas em débito automático, o sonho da classe média brasileira.

Se o atraso persiste, a empresa de venda parcelada de diplomas começa a ter problema com seus clientes, e corre o risco de perdê-los. Na lógica mercantil dessa educação, isso implica menor lucro. Logo, racionalmente, a melhor saída é diminuir ou mesmo tirar a pedra do caminho.

Assim, e sem meias palavras, todas as pressões recaem sobre o professor. Direção, alunos e, creiam, muitas vezes os pais vão à coordenação reclamar de notas de alunos. Vejam bem, estou falando de minha experiência pessoal, como professor universitário, dando aulas pra alunos de, em média, 20 anos.

Nesse círculo deletério, o professor é praticamente impedido de fazer o seu trabalho, de ensinar a matéria e cobrar leitura e resultado dos alunos. Quando ousa dizer que um aluno não está apto, é pressionado a “reconsiderar” sua avaliação. Em muitos casos são demitidos por, vejam só, cumprir sua obrigação ética.

Mas o discurso de “melhorar de vida”, a propaganda de ascensão social continua, e atrai clientes. A leniência da instituição de “ensino” é corroborada por alunos que sabem da aprovação, sabem que o contrato de entrega da mercadoria em 48 meses terá que ser cumprido. Resulta óbvio: finge-se que ensina, finge-se que aprende. Quem tenta não fingir está no lugar errado, infelizmente.

Assim a deliquência acadêmica continua, ad eternum. E os cofres não param de encher, para júbilo dos empresários “educacionais”, e infortúnio dos alunos, dos professores e, mais, da educação superior no Brasil.

O sonho do carrinho zero km, das contas em débito automático não se realiza. Demora, mas esses alunos, principalmente os dedicados e esforçados, percebem que foram vítimas de estelionato. Que agradeçam ao finado ex-ministro.

P.S. Vejam aqui a lista destas “faculdades”. Em uma delas comecei minha carreira de professor universitário. Fui demitido por reprovar alunos. Devia estar feliz, me sentir vingado, mas não estou.*

( * a lista vc encontra no yahoo. e deliquencia acadêmica é o título original deste artigo do walter hupsel, também publicado obviamente - nunca se sabe, pode haver um universiotário nos lendo - no portal onde a está a lista)


quinta-feira, julho 14, 2011

já fomos corajosos; hoje nem covardes, com autenticidade somos*



No filme "Meia Noite em Paris", em cartaz em São Paulo, o cineasta Woody Allen põe na boca do ator que interpreta o escritor norte-americano Ernest Hemingway uma série de considerações sobre a coragem que, no fundo, pode ser estendido não apenas aos artistas, mas ao comum dos mortais.

Hemingway (Premio Nobel de 1954), pessoalmente, nunca admitiu que exagerava. Ao contrário do argentino Jorge Luis Borges que passou maior parte da vida entre livros, a inventar - e a inventariar - valentias e histórias fantásticas, Hemingway foi um realista que, não raro, imitou a si mesmo em sua ficção. Era, como Borges, um leitor compulsivo e um estilista severo com seus textos (escoimava-os impiedosamente) - mas, ao relatar combates e guerras, sabia do que falava. Foi soldado condecorado, por valentia, na Primeira Guerra, correspondente na Guerra Civil Espanhola, acompanhou, como jornalista, a Segunda Guerra Mundial e quando se viu tolhido pela velhice precoce com seus achaques inescapáveis - tinha apenas 62 anos - não hesitou em meter uma bala na cabeça. Era dado a depressões mas, enquanto Borges se calou diante do assassínio de mais de 30 mil argentinos pela ditadura militar, Hemingway, denunciou publicamente o senador proto-fascista Joseph McCarthy que, na década de 50, fazia campanha contra os intelectuais de esquerda de seu país, com o apoio da grande mídia. Hemingway fez o que seria, inclusive, inconcebível para o argentino, sempre enfronhado em lutas inventadas de heróis paradoxais: desafiou o senador para um duelo.

Não houve confronto algum. À parte seu oportunismo populista, o senador era um covarde de "pés de barro". Quando Lillian Hellman, escritora de esquerda, invocou a Constituição americana para se posicionar como bem entendesse, livremente - a própria imprensa conservadora viu-se, de repente, sem argumentos para apoiar McCarthy. Que morreu obscuramente, no esquecimento merecido de seus compatriotas. No belo filme de Woody Allen a idéia da coragem é apenas uma dentre as muitas que o diretor suscita - mas uma das mais instigantes, é mesmo a questão da valentia. O próprio diretor não regateia suas posições na contramão da "Era Bush", com alusões diretas ao tempo do ex-presidente americano. No entanto, parece repor o ponto de interrogação a que somos levados nos limites da coragem. Ou da covardia. A questão não se afigura simples, de fato. Aparentemente, em seu tempo, ninguém mais merecedor do Prêmio Nobel que Jorge Luis Borges. Como se sabe, Borges não foi apenas um escritor de sucesso. Tanto à esquerda quanto à direita, a crítica jamais fez qualquer restrição aos méritos do escritor argentino - talvez um dos mais originais da literatura universal em todos os tempos. Mas ao ser posta em questão a sua eleição para o ambicionado premio, a Academia Sueca - com a pusilanimidade de todas as instituições do gênero - não se atreveu a arrostar a opinião pública mundial. Se Borges não se mostrou intimorato à altura de seus personagens - como conceder-lhe o mais ambicionado galardão literário que, bem ou mal representaria também o humanitarismo contido na literatura? Para muitos, foi a resposta contraditoriamente também medrosa a um desafio talvez maior que se pôs à Academia: o de premiar a grande literatura, a despeito do homem que a fez. O caso de Borges, realmente, parece conduzir ao que Woody Allen - ele mesmo, na sua filmografia e na sua vida pessoal, insistiu em nunca tergiversar. A vida seria curta demais para os atos vis de complacência ou a covardia perante matanças, como se fizeram nas ditaduras militares da América Latina. Para dizer tudo: Borges, um gênio, não parece ter-se comportado à altura da sua condição de homem; ou mesmo de escritor. Não deixa, porém, de ser um enigma, principalmente para os artistas. Não que os artistas sejam diferentes do restante dos homens. Cervantes, o grande autor de Dom Quixote, distinguiu-se na batalha de Lepanto contra os turcos. O ferimento que recebeu na ocasião, tornou-o maneta. Sua mão esquerda ficou inutilizada para o resto da vida. Assim também com Lord Byron (George Gordon, 1788-1824) - o grande poeta romântico inglês. Como Hemingway, teve uma vida aventurosa que culminou com a sua morte - de peste - na guerra de independência da Grécia, a favor da qual, aliás, ele aderiu como combatente voluntário. Camões, o português, foi um guerreiro persistente; Puchkin - o mais festejado poeta russo - morreu num duelo. Os exemplos são muitos - mas a covardia, ou a pusilanimidade ( digamos que sejam duas coisas distintas) ainda que pouco mencionadas, também não foram nenhuma raridade entre poetas, músicos e pintores. Cézanne fugiu de Paris quando da guerra franco-prussiana. Com a razão que a história da pintura talvez lhe dê, preferiu não correr riscos de vida. Monet, de sua parte, logrou escafeder-se quando se viu na contingência de ser alistado no exército francês no mesmo período. Assim também anos mais tarde, com o compositor alemão Richard Strauss que só rompeu com o hitlerismo quando muitos dos cometimentos do regime nazista já tinham sido cometidos. Artistas não parecem, enfim, menos ou mais que homens e mulheres comuns. Quanto a essas, porém, tidas como representantes do "sexo frágil" - a coragem ou mesmo o heroísmo não foram menos freqüentes, porque menos conhecidos. As mulheres submetidas às torturas pelo regime militar brasileiro, mas que nem por isso delataram seus companheiros, são por demais conhecidas para que se façam maiores comentários. Há, porém, os casos anônimos como o que mereceu uma gravura de Goya. Durante a guerra franco-espanhola, uma jovem espanhola, ao ver seu noivo abatido por um tiro, assumiu seu lugar no canhão que ele dirigia, fulminando os franceses atacantes. O título da gravura diz por si, do espanto, não apenas dos espanhóis: "Que coragem!", assinalou o artista abaixo de seu trabalho. Na verdade, se a covardia não conviesse mais - a coragem - "Que coragem!" - nem mereceria qualquer menção. Parece não ser ocioso, porém, que se a registre. Como fica do filme de Woody Allen, temos a impressão de que a era do heroísmo é sempre a do passado que idealizamos, nunca do presente que vivemos - o que nos dispensaria do gesto mais digno. Ou mais valente. Mas não é bem assim. Napoleão Bonaparte, que sabia do que falava, comentava, com seus generais que, de todos os membros da família real austríaca, o mais valente era a rainha. Dizia, derrisoriamente, contrariando, quem sabe, sua experiência com sua mãe - a qual sempre dedicou uma admiração imorredoura, justamente por sua coragem - que a tal dama, "era o único homem da casa ". Ser homem, finalmente, não parece se constituir na condição para a covardia ou para a coragem.. Como assevera Hemingway na fita de Woody Allen, a possibilidade do medo pode assaltar um homem ( e uma mulher ) em qualquer situação. Mas se persistir durante o ato de fazer amor - então restaria ao candidato a romancista desistir de seu empenho. São palavras fortes, condicionais, que talvez pudessem ser endereçadas a Borges. Seria provável, então, que o grande escritor argentino respondesse, paradoxalmente, que justamente durante o ato de amor, aí mesmo é que lhe dava medo. Não é impossível. Borges gostava de chocar. Sua resposta, porém, não indicaria que seria menos genial por causa disso. Medroso ou não, Borges foi um dos maiores escritores de todos os tempos. Essa a contradição insolúvel dos artistas: eles acedem fazer amor com outros medos do que só o da impotência.

( artigo do enio squeff, que é artista plástico e jornalista, ele mesmo entre a coragem e a covardia, para a carta capital)

* e o que dizer então de nós publicitários, hoje então cada vez mais gênios da covardia criativa, que entre outras coisas engolimos a seco a repressão a verve da inconformismo que é a gênese do trabalho criativo, reduzindo a atividade a bate-ponto e bate-prontos, sem deixar de desconstruir sobre nós a visão de artistas chegados a rapapés e lambecuzismos ? é a isso que ficou reduzida a atividade? propaganda sem conceito e sem caráter com cara de photoshop cu de todo mundo?

terça-feira, julho 12, 2011

gago apaixonado

Quem inventou os 4 “Ps” – PRODUCT, PROMOTION, PLACE e PRICE – ao contrário do que muitos imaginam, foi JEROME McCARTHY, e não PHILIP KOTLER. Sua contribuição às práticas do marketing data do ano de 1960, e se encontra no livro “BASIC MARKETING. A MANAGERIAL APPROACH”.
O burocrático, preguiçoso e entendiante PHILIP KOTLER, 51 anos depois, continua se restringindo aos 4 “Ps”, como se nada mais tivesse acontecido no mundo, na vida, nas empresas, noMARKETING. A matriz de trabalho do MADIAMUNDOMARKETING, hoje adotada em milhares de empresas em todo o mundo, e nas melhores Faculdades de Administração de diferentes países, coleciona 12 “Ps”. E o primeiro dos “Ps”, o mais importante de todos, por onde tudo começa e se origina, PHOCUS. Exatamente como escrito na mitologia grega, celebrando o filho do rei ÉACO e PSÂMATE, batizado de PHOCUS, pela obstinada determinação de seu pai, infinitas vezes suportada por PSÂTAME, até finalmente sucumbir, de ter um filho.
Ter PHOCUS é a virtude principal de todos os empreendedores, muito especialmente num mundo que a cada dia que passa multiplicam-se as especializações a partir de preferências cada vez mais específicas dos consumidores. Pré-condição básica, essencial e definitiva para se almejar o sucesso. E 99,9% das empresas bem sucedidas do mundo apresentam essa característica.
Mas, volta e meia, muitas pessoas perguntam aos nossos consultores, como explicar-se empresários bem sucedidos como ALBERTO SARAIVA do HABIB´S, ou, RICHARD BRANSON da VIRGIN? A resposta mais cômoda e fácil seria a de dizer que TODA REGRA TEM EXCEÇÃO, e os dois fazem parte da EXCEÇÃO, dos 00,1%. Mas, os que nos perguntam merecem todo o apreço, carinho e consideração, e uma resposta mais séria e verdadeira.
Algumas pessoas, poucas, tem a capacidade de trabalhar com um PHOCUS mais aberto, ou totalmente aberto. ALBERTO SARAIVA começou seu negócio circunstancialmente. Nascido em Portugal, veio para o Brasil com menos de um ano de idade. Foi criado no Paraná, e mudou-se para São Paulo para cursar medicina. Seu pai possuía uma pequena padaria no Brás, São Paulo, e num assalto foi assassinado. E o Dr. ALBERTO virou Dr. HABIB´S, descobriu sua vocação e capacidade de alimentar pessoas com qualidade e preço baixo, e desde então, ainda que preservando num de seus negócios a denominação que remete a culinária árabe, HABIB´S, vende no mesmo espaço sanduíches, sorvete, pastéis, pizza, e, mais recentemente, bolinho de bacalhau.
Assim, a explicação é que de um PHOCUS original voltado para atender pessoas que buscavam comida árabe, acabou descobrindo a ciência e a arte de alimentar pessoas com qualidade e preço, e passou a oferecer a essas pessoas, mais que comida árabe, o melhor lugar para se comer diferentes tipos de alimentação, com qualidade e preço acessível. Seu PHOCUS evoluiu, se alargou, concentrou-se em pessoas que buscam qualidade, variedade e preço, e hoje, com total merecimento, é O CAMPEÃO no negócio de alimentação rápida.
Já BRANSON, péssimo aluno, gago, tímido, fugiu da escola aos 16 anos. Talvez por todas essas dificuldades iniciais, acabou se apaixonando pela marca que lhe deu seu primeiro sucesso, VIRGIN, e desde então pratica uma temeridade. Usa a mesma marca para todos os seus negócios – mais de 300 empresas. De companhia de aviação, a cartão de crédito, agência de viagens, aluguel de carros, música, refrigerantes, drinques, emissoras de rádio, bancos. Como BRANSON explica seu sucesso e seu PHOCUS? “Começo uma empresa quando encontro algo que me interessa”. O PHOCUS de BRANSON é, portanto, se divertir.
Se você não passou pelo que ALBERTO SARAIVA e RICHARD BRANSON passaram, se você não tem essa capacidade única desses dois gênios de conviverem com sensibilidade e consistência a PHOCUS tão amplos e abrangentes, enquadre-se nos 99,9% dos negócios de sucesso. Mantenha, cada vez mais, um PHOCUS mais restrito e específico. Quanto mais, melhor.
(Phocus, por onde tudo começa, do FRANCISCO MADIA, pestanando em NATAL, especial para o MADIAMUNDOMARKETING)

quinta-feira, julho 07, 2011

sweet goddess of love and beer


http://www.youtube.com/watch?v=myae6nWs-1I

uma das maneiras da propaganda ser efetiva é apresentar-se tal como o popa chubby. aparentar uma coisa e ser outra( ser blues sem deixar de ser punk, por exemplo) causar estranheza e surpreender, e de maneira tal que mesmo que você tenha pensado até em repugnar-se ao fim do comercial ou anúncio sua emoção já reprogramou a razão de maneira que você comprou a mensagem pelas entranhas. tubo a dentro você pode confirmar a técnina forma e força do personagem.
(não recomendado a admiradores do ximbinha, sertanejos e coisas do tipo geração diploma)

quarta-feira, julho 06, 2011

pura dismenorréia

a falência do texto já foi decantada e decretada desde os anos noventa. junto com ela a falência do caráter, esta de antes, indissociável na baixa do produto escrito que, pela falta de conteúdo e estilo amofinou o que antes era motivode excitação.
no jornalismo a coisa não fica atrás. neste 03 de julho, o diário de pernambuco, na sua edição dominical do sábado ou seria a edição vespertina do sábado com data do domingo, uma ou outra um chute no saco da deontologia e acribologia, deu provas do que nos reserva o futuro de pior: NEYMARTA, era um dos seus guide-lines no "melhor" estilo foto-legenda travestida de criativa pontuada.
é triste. muito triste que um jornal pra lá de sesquicentenário - e que tanto decanta suas responsabilidades por tal( por ironia decantar também significa fazer a separação pelo método da preguiça deixando para o fundo as impurezas que neste caso tornaram-se bolha vinda à superfície) - se amofine diante da sua responsabilidade e nos saia com esta. editor, diretor de redação, secretário, são figuras meramente decorativas e que servem de outros interesses, que não os do leitor e do bom uso da língua e dos recursos das ferramentas jornalísticas de estilo,que cada vez mais é provado independem da tão defendida(não por mim) obrigatoriedade de diploma para a função. tempos de diploma, e lá se foram os pilares de atuação em que secretário de redação ilustre corrigia o copy do redator que teimava em escrever o " via de regra". " via de regra é menstruação" , bradava o ilustre secretário, em tempos onde a coragem de conteúdo era forjada pari passu a do estilo contudente sem deixar de ser refinado, marca do jornalismo brasileiro.
o diário de há muito não tem uma coisa nem outra. neymarta é dismenorréia pura.

quarta-feira, junho 15, 2011

consciência pesada


comunicando consciência. quanto seja, um dos mais belos e propositivos guide lines para uma agência. mas como nem tudo que é belo é bom - até os contos de fadas nos demonstram isto - para além do fogo fátuo e do metano induzido, a malta comunicadora deve estar, ou deveria, com uma dor de consciência danada. é muita parra para pouca uva. publivendas fazia melhor sem tanto fumê. e para completar, o nome morya, para quem não sabe é o mesmo do " mestre m" ou el morya, mentor(sic!) dos governantes, executivos, lideres conquistadores, e quem mais couber na turbante que faz as vezes da carapuça que vai na medida exata para a maioria das agências que tem um discurso de luzes que não suporta o verdadeiro apagão de idéias em que se desencontram tais fachos. ao que parece o guru do sexo andou fazendo escola, é o que diz meu inconsciente.

sexta-feira, junho 10, 2011

ouvido absoluto

o jingle do boa vista, shopping que costuma desafinar todas as agências por onde passa, é saudado pela agência atual como um hit cuja letra todo mundo conhece (sic!). cantado à capella, por ocasião da temporada de caça aos namorados, apresenta-se semitonado do fim ao princípio, musicalmente e conceitualmente falando. a cidade toda é boa vista? em terra de cegos é assim mesmo, quem tem olho (e ouvido) é imbecil.

quinta-feira, junho 02, 2011

todos diferentes, todos iguais


nomes que fizeram a diferença na história da nossa publicidade estão hoje todos iguais. os tempos são diferentes, dizem.
mort la diférrence é o guide line dos causa época acachapando o vive la diférrence. entonces não podia dar em outra, que não fosse a modorra repetitividade e mediocridade do panorama publicitário local, regional, nacional, internacional, repleto de truques, atalhos, copy pastes, plágios e mais plágios, super produzidos ou nem isso. mas nada que se possa chamar consistentemente de uma idéia que faz a diferença. a não ser que você seja um destes antenados que acha brilho no zeca trocadilhos que parece ser hoje o único "mail" de gerar faturamento na falcatrua de uma rede que já cai antes de balançar.
o que vive é a indiferença a tudo isto. e não mais aquela diferença "gauche" que igualava para cima e valorizava diferentemente mercado e mercadores. quando publicitários(sic!) optam pela produção de paios e salchichas em ondas e pastelões de pretensa modernidade em vez da busca obstinada pela idéia que assusta mas revigora - em vez da que palata mas achata, além de chata - acabamos tal e qual o princípio da idéia que reina hoje em tempos do imediatismo do amanhã: nada mais, nada menos do que natimortos. o que ao fim e ao cabo já é de há muito que assim estão muitos dos mais novos que se autodenominam criativos que fazem a diferença.

domingo, maio 29, 2011

da selva urbana da publicidade ou do miserê ao tudo foder


Quem já está cansado de ver abrigos de ônibus, lixeiras e relógios digitais caindo aos pedaços na cidade de São Paulo ainda vai ter que esperar para ver essa situação resolvida. Desde que a Lei Cidade Limpa entrou em vigor, em fevereiro de 2007, proibindo propagandas nas ruas da cidade, o governo vinculou a permissão de anúncios comerciais no espaço público à proposta de uma mega-concessão bilionária de mobiliário urbano na capital.

Através dessa concessão, a empresa vencedora da licitação deteria o poder de explorar comercialmente espaços em abrigos de ônibus, postes de sinalização de paradas de transporte, relógios digitais e lixeiras e, em contrapartida, investiria na produção, reforma e manutenção destes equipamentos.

O texto do projeto de lei que regula o assunto foi enviado à Câmara Municipal no início de 2009 e já foi colocado em votação no plenário três vezes, mas encontrou a resistência de parlamentares que desejam modificar a proposta original.

O negócio – de R$ 2,2 bilhões – provoca na Câmara dois grandes campos de disputa. De um lado, as pequenas empresas do setor sustentam que só algumas multinacionais – que já são detentoras desta tecnologia em outros países – têm condições de participar da licitação. Do outro lado, o mercado publicitário, impedido desde 2007 de explorar os outdoors, defende a separação das concessões, já que abrigos de ônibus interessam menos do que relógios digitais, por exemplo.

Pouca atenção tem sido dada, entretanto, a aspectos que vão além do “negócio”. Para começar, um debate em torno do mobiliário urbano, por incrível que pareça, não discute o modelo de mobília que precisamos – e queremos – em nossa casa/cidade.

Questões como o conforto dos usuários de ônibus nos abrigos e o impacto de postes de 4 metros de altura “sinalizando” pontos de parada de transporte na combalida paisagem paulistana, por exemplo, parecem assuntos menores.

É mais ou menos como se, um belo dia, na nossa casa, fôssemos obrigados a conviver com um espanador de pó instalado no rabo de um elefante só porque a mensagem publicitária que vai financiar a produção do espanador de pó precisa de um suporte do tamanho de um elefante…

Afinal de contas, qual é o mobiliário de que a cidade precisa? Não temos banheiros públicos, as lixeiras são precárias, insuficientes e pouco adaptadas a seu uso. Quantas vezes nos deparamos com lixeiras superlotadas onde não cabe aquela garrafinha que nos recusamos a jogar no chão? Quantas vezes temos que esperar o ônibus do lado de um poste semi-enterrado que sequer avisa quais linhas passam por ali?

Embora sejam irritantes os relógios digitais que marcam 34:56 horas e 86 graus de temperatura, acho bom que o projeto de mobiliário ainda não tenha sido aprovado. São Paulo, assim como outras cidades, precisa de um bom debate público sobre que mobiliário urbano merecemos ter.

Se este não é viável para o modelo do negócio da propaganda, vamos rever esta ideia sem sentido de que precisamos, necessariamente, de um “pacote completo” de mobiliário urbano centralizado, com concessão para um “dono”, para que possamos, finalmente, ter uma cidade confortável.

( mobiliário urbano: a paisagem, o conforto... e o negócio,da colunista do yahoo, raquel rolnik, que fala sobre publicidade usando reticências, o que me deixa um tanto ou quanto reticente também, ainda mais sobre as (im)possvíveis maracutaias do negócio e a nulidade de abaps,sinepros e demais entidades que congregam os cús de pavão que nesta hora, como em todas as outras, nãose manifestam)

sexta-feira, maio 20, 2011

de uma só tragada


o que mudou desde os tempos retratados nos mad men? bebe-se menos, fuma-se menos e o assédio sexual agora é punido por lei. e as agências, em especial os criativos, passaram a dar mais importância aos prêmios que aos clientes.
marcelo lourenço, director criativo da fuel, portugal.

(misterwalk sublinharia que ainda pior que a nicotina, é complexo nordestinadamente subdesenvolvido que faz com que "publicitários" que não passam, menos ainda, de office-boys em agências que continuam a traficar espaço por mais que se alcaguetem como digitais e os escambau, ponham-se a se imaginar nórdicos urdindo fantasmas um atrás do outro em pastas megalomaníacas que não passam de um atacado feito apenas de gogó e pretensão sem um pentelhésimo sequer de ação modificadora deste mercado que reflete o pensamento de varejo das agências e dos publiciotários que publicam anúncios de páginas para falar de premiações(que coisa mais antiga e em nada criativa) clamando-se eficientes. a sua única eficiência é tornar a cada trabalho mais rasa a remuneração e o conceito profissional construido pelos mad men e destruido pela geração y bosta que traz no diploma a marca da sua incompetência timbrada em alto e baixo relevo.

quinta-feira, maio 19, 2011

não desce mais




skol lança cerveja que não faz de você, promete, um baiacú. tudo graças ao processo de fermentação 360 graus.
bom, se for como as agências que se pregavam também como 360, aquelas em que tudo se desejando dava - iam do chip no bilírio a comunicação intergaláctica, penos menos eram o que anunciavam(cumprir e realizar já seria pedir demais,coisas de cliente) - vaticina-se que você não se livra do estufado.
bons tempos aqueles em que tomar uma cervejinha era algo necessariamente lúdico e descomplicado, idem as full agencies que resolviam, e com brilho, os problemas apresentados pelos clientes, mesmo aqueles com gosto de cerveja quente.
agora é tudo chocho e choco, tal como o zequinha da internet, esta de ressacar antes de tomar.

quarta-feira, abril 13, 2011

o texto, o verdadeiro senhor dos anéis


Um administrador recém-formado perguntou a um empresário, de 78 anos, por que ele não contratava um gestor profissional para dar sangue novo à sua organização. O experiente senhor, de calos nas mãos, foi incisivo: “o novo pode não entender o velho que eu soube construir com alma e destemor”.
O velho jornalista teme o novo tecnológico, enquanto o novo jornalista não quer saber do velho jornalismo, notório pela qualidade do texto e teimoso no questionamento dos fatos.
O jornalismo pré-tecnológico era avesso à pressa, em razão de se preocupar com o texto harmonioso, exemplar e atrativo. A preocupação em cobrir os últimos fatos do dia igualava-se à inquietação com o ineditismo da grande reportagem, que tanto focava um acontecimento importante como transformava um pequeno episódio – como, por exemplo, uma senhora de 90 anos pedindo esmola – em uma obra literária. Esse era o jornalismo paciente, que esperava mais de 10 minutos para uma notícia de agências nacionais e internacionais, de apenas 30 linhas, se completar nas longas fitas de papel do telex. Hoje, em 10 minutos, há centenas de notícias na internet.
Sim, ponderaria o leitor, mas hoje há milhares de informações que precisam ser divulgadas.
Será mesmo?
O jornalismo tem que estar na velocidade da informação? A instantaneidade é sinônimo de jornalismo moderno?
A avalanche de informações estimula a neurose jornalística e, assim, sites e jornais vivem preocupados em concorrer com o cidadão que dispara no twitter um acidente que acabara de presenciar. O jornalismo quer comandar a mídia social, esse oceano onde todo mundo tem direito a mergulhar, pescar e tornar prazerosa qualquer outra atividade. Twittar uma informação de primeira mão, como a surpresa de ver Paul McCartney no aeroporto de Londres, não é jornalismo e sim fazer valer a ansiedade de comunicar algo com a rapidez estimulada pela tecnologia. É a vontade de conversar, como antigamente se percorria a rua principal da cidade para fofocar ou alimentar discurso com amigos.
O bom jornalista, por sua vez, não se preocuparia em apenas assinalar a presença distante de McCartney, mas, quem sabe, correr para ouvir dele a confirmação do seu show no Rio de Janeiro ainda este ano. No bamboleio da informação e da interatividade, o cidadão cultiva o seu prazer e a ansiedade. E o jornalista? Também! Parece tornar a profissão um trampolim para estar dedilhando e se encontrar no mundo da cibernética. É esse o papel do jornalismo?
O jornalista não larga a telinha do computador, nem mesmo para olhar nos olhos do entrevistado, que ele prefere ouvir pelo messenger, facebook ou com perguntinhas banais por e-mail. Não há mais questionamento. A fonte de informação é um emissor passivo, livre de admoestações do jornalista.
A esquizofrenia da velocidade está levando o jornalista a competir com a ansiedade do cidadão tecnológico. E nisso predomina o alto risco de tornar comum a pergunta: “você também se acha um jornalista?”
Ora, nessa vala comum do cenário de neurastenia virtual, o jornalista precisa se desacelerar, imunizar-se contra a febre da instantaneidade, que torna hilário o comportamento do ser humano no carro, metrô, ônibus, nas ruas, cinema, restaurantes, onde o ser humano fixa olhos na pequena maquininha e não enxerga mais ninguém, nem mesmo o amigo que corta a sua frente. E nesse tic-tac entre o flash do pensamento descartável e o dedilhar do teclado, o jornalista vê o tempo disparar sem perceber que a sua profissão se dissipa no deserto da informação, trazida e levada pelo vento aleatório.
O jornalismo precisa alimentar e enriquecer o diferencial da notícia em relação às informações que circulam aos milhares na mídia social. E esse diferencial é a fundamentação da informação, a atratividade de um bom texto e, sobretudo, a boa pauta capaz de transformar fatos cotidianos, episódios, cenas políticas em reportagens interessantes. Ou seja, o jornalista precisa despreocupar-se com o fato instantâneo e descartável e trabalhar uma boa pauta.
E as novas gerações cibernéticas querem saber de texto jornalístico elegante? O jornalista deveria ser o último a duvidar disso, sob pena de armar-se com esse falso argumento para banalizar o seu próprio texto.
O Dia do Jornalismo, hoje, 7, não deixa de ser um ótimo momento para uma profunda reflexão. A propósito, você jornalista se considera um cidadão tecnológico ou ainda um jornalista? Qual a nota que você dá para o seu texto?

(voce também é jornalista? do laudelino josé sardá,, para o acontecendo aqui.

segunda-feira, abril 11, 2011

lôdo puro


tão somente um teimoso renitente ou, cada vez mais raro, profissional obstinado?
o que difere um de outro? a resposta está no sucesso ou na satisfação pessoal. acontece que um e outra, cada vez mais caminham em separado, o que não é exatamente sinônimo de felicidade ou bem-estar.
cada vez mais a publicidade está sendo feita por gente que teima em não cultivar a boa teimosia. e muito menos a obstinação contra a mediocridade da celebrização que se autosatisfaz com as tais grandes idéias que são como um contrapeso que leva cada vez mais a atividade para o fundo.
a geração diploma mudou o conceito de lastro. financeiro inclusive. e assim, sendo rasos de tudo, formação, intelecto, carácter, levam cada vez mais para o fundo o que deveria estar no topo.