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terça-feira, fevereiro 05, 2013

a outra face da propaganda: a que funciona




estão vendo a face nada faceira do tipo acima? mas para dono de funerária, membro da opus dei ou no encaixe de almoxarife de alguma repartição pública? e que em nada lembra o estereótipo do criativo descolado, antenado, up-to-date ou o bull-shit que seja? pois bem, nada mais nada menos que um dos melhores redatores da propaganda brasileira(não vou fazer figura dizendo que é o maior apesar de seu metro e sessenta, que isso não é coisa que redator de propaganda escreva - apesar de muitos que se dizem fazerem a tal gracinha -)

o homem de apucarana, que você pode descobrir quem é no http://www.minicronicas.com.br 
pertence a uma geração que sabia escrever em todos os sentidos. e, despretenciosamente, como o é toda comunicação eficiente, criteriosa e urdida com talento, desfia neste endereço crônicas impagáveis trabalhadas por sua habilidade para contar histórias que é fundamental para quem quer ser um bom profissional de convencimento, comunicação, chamemos aqui de propaganda. 

em tempos onde o texto foi abolido pela conveniência do analfabetismo funcional, que grassa dentro e fora da agência, seja de fora para dentro ou de dentro para fora, estas crônicas resgatam a propriedade que fez a grandeza da nossa atividade: a de com palavras ou frases não se prover a imaginação de mil imagens mas sim da imagem própria e circunstanciada que se quis suscitar - sem a necessidade de recorrer ao tédio dos bancos de imagens redundantes e dos efeitos por si só castrados emulados por programas de computação que impressionam apenas sub-desenvolvidos e toda uma geração já geneticamente comprometida com o desuso do cérebro.

esqueça os manuais de redação que andam a venda por ai. aprende-se a escrever - e criativamente - lendo. e lendo muito quem o faz assim como se não parecesse querer nada e no entanto ainda quer -e pode - tudo.

não?

então tá bom. manda ai uma crônica destes que se dizem redatores do digital e o que mais lhe chame. o que recebo via web, of course, só comprova uma coisa: não sabem escrever nada. sequer uma chamada que me convença a abrir um email, que nada mais é que uma mala direta. como já dizia o bardo, os suportes mudam mas não há quem suporte a falta de talento. 

e se a falta de talento é cara do futuro eu prefiro estar de volta para o futuro onde se sabia redigir um texto. porque já houve um tempo em que para ser redator era fundamental saber escrever o que quer que seja que fosse pedido.


 

segunda-feira, julho 02, 2012

curto e grosso

Texto ruim fere as mucosas intestinais do espírito. Provoca depressão pós Nada. Elimina a esperança. Enche o saco. Ney Duclos.

segunda-feira, maio 14, 2012

vale para jornalistas e publicitários*

COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO



 
Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o número exato de toques de um título sem cair no ramerrão muito comum hoje, de usar “diz que” ou verbos esdrúxulos como mirar (mira é curto, aparentemente resolve, mas fica estranho). Um bom copy é obrigatoriamente criativo, além de competente, e o primeiro a ler a matéria, o amigo dos leitores do jornal ou revista.
Os copys eram anônimos para o grande público, só conhecidos e valorizados no meio jornalístico. Chamavam um bom copy de “puta texto”, que extraía maravilhas de uma maçaroca de dados. Grandes copys ficam na História, como o legendário Miltainho, Mylton Severiano da Silva, que fazia dupla com repórteres antológicos como Hamilton Almeida Filho. Outros se revelaram escritores famosos, como o Fernando de Morais ou Humberto Werneck. E muitos ficaram naquele circulo compenetrado dos grandes fechadores, exímios artífices da língua, como Antenor Nascimento ou Genilson César. A relação com os editores costumava ser amigável, pois resolvíamos um monte de pepinos, mas com a reportagem havia tumulto.
“Foi você que mexeu no meu texto?” perguntou a repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo, furiosa, com o jornal na mão, no meu segundo dia de copy no caderno. Fui, respondi. “Então da próxima vez não assine meu nome, porque eu não escrevi isso”. Ok, tornei a falar. Vou fazer isso. Não vou assinar seu nome e continuar copidescando. O texto da moça era muito ruim e em um mês ela ficou minha amiga. Descobriu que eu trabalhava a favor dela. Fazia questão de assinar tudo. O copy assumia uma espécie de missão cívica, com o mesmo espírito do trabalho solidário.
É preciso gostar de escrever, gostar do que os outros escrevem, admirar a reportagem, não causar problemas ao editor, não guardar ressentimentos, não querer brilhar com o trabalho alheio, nem colocar as patas nele. Um copy é um especialista em extirpar lugares comuns, descobrir furos na estrutura do texto, buscar informação para resolver impasses, entrevistar o repórter, checar as fontes, entregar tudo no prazo e retirar-se todos os dias para sua caverna nas montanhas. Lá no alto, ele medita esperando o sol nascer de novo para iluminar o vale das palavras.
A TV Guia, revista da Abril que durou sete meses em 1977, baseada na TV Guide americana, foi meu momento xis do copy. Trabalhava junto com dois craques: Macedo Miranda, Filho, que citei várias vezes em meus textos de memórias, e Ricardo Vespucci, o Bi, figura maravilhosa que já partiu pra o Outro Lado. Com eles aprendi a técnica do texto redondinho de revista, aquele que tem o desfecho sintonizado com o início e costura parágrafos sem dor, para que a leitura flua como veleiro em tarde tépida de outono. Não se trata de facilitar a vida de ninguém, mas de seduzi-la pela qualidade do trabalho, torná-la prazerosa, aventureira, com revelações. Tínhamos material para isso. Os textos vinham de gente pesada como Caco Barcelos ou Audálio Dantas, que nos entregavam grandes reportagens de uma dez laudas, o que era um despropósito para o formato da revista (do tamanho de uma meia Veja).
A TV Guia pagava muito bem, mas sofreu concorrência acirrada do grupo Manchete (que emplacou algo parecido nos seus veículos e que era dado de brinde). Era sofisticada, pois além da programação completa das TVs tinha belas reportagens. E havia chance de os copys assinarem artigos sobre temas variados, o que fiz algumas vezes. A revista tinha como editor o Woile Guimarães, que mais tarde foi para a Rede Globo. Macedo Miranda viera de lá e para lá voltou. Depois montou uma empresa própria e continua sendo um profissional respeitado e talentoso.
Na Ilustrada, um descanso para o copy chamava-se Paulo Moreira Leite, que depois ficou muitos anos na Veja, foi correspondente em Paris e hoje está na Época. Paulo tinha o texto perfeito e eu colocava a caneta de lado quando recebia uma reportagem dele. E na Ilustrada havia espaço para publicar tudo, diferente da TV Guia em que havia necessidade de inventar outro texto para caber as informações. O maior desafio situava-se no lead. Meu melhor lead, não canso de lembrar, foi sobre o Cyborg, o sujeito que era metade gente, metade máquina: “Todo mundo tem seu lado humano. O de Cyborg, é o esquerdo” .
Sinto falta, como leitor de jornais diários, principalmente nas versões on line, da função do copy. Noto erros grosseiros que seriam eliminados na primeira leitura. Passam lotado para a edição, que, parece, não lê mais nada. Se der erro, demita-se o repórter. Não deve ser assim. Jornalismo é como cinema, trabalho de equipe, com responsabilidade compartilhada. Tudo se soma para evitar transtornos aos leitores. Depois não se queixem da morte dos jornais. Não é a concorrência da internet que os leva à falência. É a falta de coisas básicas, como um bom copy-desk. Noto agora que meu afastamento das redações coincidiu com o fim da função que eu exercia. Fiz muita reportagem e fui editor várias vezes. Mas o que gostava mesmo era navegar nas matérias que vinham de todos os lados.
Não cuido mais de texto alheio. Quando me pedem, distribuo positivos, pois crítica hoje ofende e pode fechar o tempo. Tenho mais o que fazer. Mas posso ensinar o ofício, se é que existe gente que queira aprender uma função extinta. Copy é como o latim, que não é mais falado, mas é a base da língua. No mínimo, forma escritores. Ou pelo menos pessoas focadas na claridade e força das palavras.
RETORNO – 1. Dei uma copidescada no texto acima, ficou melhor, sem vários ruídos. Todo copy precisa também de um copy. 2. Acho que foram os preconceitos (além da eliminação de funções para aumentar os lucros) que derrubaram o copy. Achavam que o redator “dourava a pílula”, colocava cerejinha em cima do bolo da reportagem. Um soldado da Legião Estrangeira não doura pílula, afia adagas e azeita rifles. Outra iéia de jerico era confundir copy com revisor. Revisão é outro departamento, também importante, e que dá grande apoio ao copy. Mas as funções são diversas. O revisor não tem a autonomia do copy, não muda, apenas checa e corrige. Já o copy não pede licença. Deadline não espera.
Nei Duclós
 
(*misterwalk observa: na publicidade o copy, ou o copydesk, é ou deveria ser o diretor de criação. mas estes hoje, o único trabalho que fazem é colocar seu nome na ficha de trabalhos que acham podem ganhar prêmios. mas do que isso, menos por mau-caratismo e bandalheira não o fazem porque já não sabem mais escrever)

quarta-feira, abril 13, 2011

o texto, o verdadeiro senhor dos anéis


Um administrador recém-formado perguntou a um empresário, de 78 anos, por que ele não contratava um gestor profissional para dar sangue novo à sua organização. O experiente senhor, de calos nas mãos, foi incisivo: “o novo pode não entender o velho que eu soube construir com alma e destemor”.
O velho jornalista teme o novo tecnológico, enquanto o novo jornalista não quer saber do velho jornalismo, notório pela qualidade do texto e teimoso no questionamento dos fatos.
O jornalismo pré-tecnológico era avesso à pressa, em razão de se preocupar com o texto harmonioso, exemplar e atrativo. A preocupação em cobrir os últimos fatos do dia igualava-se à inquietação com o ineditismo da grande reportagem, que tanto focava um acontecimento importante como transformava um pequeno episódio – como, por exemplo, uma senhora de 90 anos pedindo esmola – em uma obra literária. Esse era o jornalismo paciente, que esperava mais de 10 minutos para uma notícia de agências nacionais e internacionais, de apenas 30 linhas, se completar nas longas fitas de papel do telex. Hoje, em 10 minutos, há centenas de notícias na internet.
Sim, ponderaria o leitor, mas hoje há milhares de informações que precisam ser divulgadas.
Será mesmo?
O jornalismo tem que estar na velocidade da informação? A instantaneidade é sinônimo de jornalismo moderno?
A avalanche de informações estimula a neurose jornalística e, assim, sites e jornais vivem preocupados em concorrer com o cidadão que dispara no twitter um acidente que acabara de presenciar. O jornalismo quer comandar a mídia social, esse oceano onde todo mundo tem direito a mergulhar, pescar e tornar prazerosa qualquer outra atividade. Twittar uma informação de primeira mão, como a surpresa de ver Paul McCartney no aeroporto de Londres, não é jornalismo e sim fazer valer a ansiedade de comunicar algo com a rapidez estimulada pela tecnologia. É a vontade de conversar, como antigamente se percorria a rua principal da cidade para fofocar ou alimentar discurso com amigos.
O bom jornalista, por sua vez, não se preocuparia em apenas assinalar a presença distante de McCartney, mas, quem sabe, correr para ouvir dele a confirmação do seu show no Rio de Janeiro ainda este ano. No bamboleio da informação e da interatividade, o cidadão cultiva o seu prazer e a ansiedade. E o jornalista? Também! Parece tornar a profissão um trampolim para estar dedilhando e se encontrar no mundo da cibernética. É esse o papel do jornalismo?
O jornalista não larga a telinha do computador, nem mesmo para olhar nos olhos do entrevistado, que ele prefere ouvir pelo messenger, facebook ou com perguntinhas banais por e-mail. Não há mais questionamento. A fonte de informação é um emissor passivo, livre de admoestações do jornalista.
A esquizofrenia da velocidade está levando o jornalista a competir com a ansiedade do cidadão tecnológico. E nisso predomina o alto risco de tornar comum a pergunta: “você também se acha um jornalista?”
Ora, nessa vala comum do cenário de neurastenia virtual, o jornalista precisa se desacelerar, imunizar-se contra a febre da instantaneidade, que torna hilário o comportamento do ser humano no carro, metrô, ônibus, nas ruas, cinema, restaurantes, onde o ser humano fixa olhos na pequena maquininha e não enxerga mais ninguém, nem mesmo o amigo que corta a sua frente. E nesse tic-tac entre o flash do pensamento descartável e o dedilhar do teclado, o jornalista vê o tempo disparar sem perceber que a sua profissão se dissipa no deserto da informação, trazida e levada pelo vento aleatório.
O jornalismo precisa alimentar e enriquecer o diferencial da notícia em relação às informações que circulam aos milhares na mídia social. E esse diferencial é a fundamentação da informação, a atratividade de um bom texto e, sobretudo, a boa pauta capaz de transformar fatos cotidianos, episódios, cenas políticas em reportagens interessantes. Ou seja, o jornalista precisa despreocupar-se com o fato instantâneo e descartável e trabalhar uma boa pauta.
E as novas gerações cibernéticas querem saber de texto jornalístico elegante? O jornalista deveria ser o último a duvidar disso, sob pena de armar-se com esse falso argumento para banalizar o seu próprio texto.
O Dia do Jornalismo, hoje, 7, não deixa de ser um ótimo momento para uma profunda reflexão. A propósito, você jornalista se considera um cidadão tecnológico ou ainda um jornalista? Qual a nota que você dá para o seu texto?

(voce também é jornalista? do laudelino josé sardá,, para o acontecendo aqui.

sábado, setembro 19, 2009

menos,menos,mas é verdade

1. Duas mulheres se encontram na rua, uma delas saindo do cabeleireiro:
Mulher 1: Oi, querida!!! Você cortou o cabelo?
Mulher 2: Cortei amor! Você não imagina com quem... o Anderson, aquele mago da tesoura.
Mulher 1: Maaaraaaviiilhooosooo. Ficou 10 anos mais moça. Essas mechas, que bárbaro! Vou mandar fazer igualzinho. Foram luzes?
Mulher 2: Não menina, é uma técnica nova de clareamento que ele trouxe da Itália. Imagina que...

(Meia hora depois..)

Mulher 1: Então tá bom querida. Corre pra casa que teu namorado vai morrer de orgulho da mulher que tem.
Mulher 2: Ai amiga, te adoro! Beijinhos!

Mulher 1 sai pensando: Como essa perua ficou ridícula! Será que ela não se enxerga? Não sei como aquele gato do namorado dela aguenta. Se der mole eu agarro ele.
Mulher 2 sai pensando: Essa galinha deve estar morrendo de inveja do meu visual. Ainda quer fazer igual, vê se pode! Com aquele cabelo que parece um arame. Nem com implante!

Dois Homens se encontram na rua, um deles saindo do barbeiro:

Homem 1: Opa! E aí seu filha-da-puta? Tava cortando o cabelo não é?
Homem 2: Não jacu... tirei pra lavar, aproveitei e deixei a orelha crescer!
Homem 1: Que merda de corte, hein? Tu ta parecendo um viado. O cabeleireiro entendeu PRA BICHA ao invés de CAPRICHA, não é?
Homem 2: É, mas tua mãe gostou.
Homem 1: Falou então!...ah, manda um beijo pra aquela gostosa da tua irmã, viu?
Homem 2: Vai se foder, seu corno! Até mais!

Homem 1 sai pensando: Esse cara é gente finíssima!
Homem 2 sai pensando: Legal esse cara... Gente boa pra cacete...
2. Texto bom tem de ter ironia?, como o que eu transcrevi semana passada, perguntaram-me outro dia. Não. Texto, para ser bom, tem de ter coerência, ter começo meio e fim. Precisa transpirar sinceridade, ter ritmo, fazer com que cada palavra tenha sentido e falar a linguagem da pessoa a quem se dirige, porque Consumidor é quem os personagens que descrevi lá em cima. Se não estiver convencido, mas sob pressão, diz uma coisa, pensa e faz outra muito diferente. O pessoal de pesquisa sabe bem isso.
3. Veja este aqui, da W, assinado pela Braskem:
É PRECISO AMADURECER PARA SER VERDE
A Braskem, a empresa líder da indústria química na América Latina, está com prometida, desde sua formação, a atuar de acordo com os princípios do desenvolvimento sustentável.
Estamos acompanhando e participando das discussões empresariais relativas ao mais importante problema ambiental da atualidade: a mudança climática. Entendemos que já há informação e conhecimento suficientes, decorrentes dos inúmeros estudos científicos e consolidados pelo IPCC (International Panel of Climate Change), que nos permitem afirmar que o ser humano tem contribuído para a mudança do clima.
O quarto relatório do IPCC explicita o aumento da temperatura em mais de 0,7º.C desde o início da era industrial e analisa as graves consequências que essa tendência pode trazer para o futuro do planeta e, principalmente, para nós, seres humanos, como escassez da água, aumento de problemas de saúde, fome, entre outros.
A possível meta, que está sendo negociada em nível internacional, de manter em, no máximo 2º.C, o aumento da temperatura, irá demandar que as emissões globais regridam entre 50% e 85% dos níveis de 2000 até 2050. Em função disso, o IPCC recomenda ações urgentes por parte de todos os setores da sociedade.
Pela característica dos agentes de mudança, os gases efeito estufa, e pela amplitude das suas conseqüências, temos um problema de complexidade econômica, política e social sem precedentes. Os gases se dispersam por toda atmosfera e, ao mesmo tempo, se acumulam por um bom tempo nela. Ou seja, o que percebemos hoje, seja no Brasil, seja em qualquer outro lugar, é consequência das emissões atuais e históricas de todos os países do mundo.
Em outras palavras, estamos todos sofrendo pela forma de desenvolvimento escolhida pelos países industrializados e iremos sofrer mais se essa forma de desenvolvimento não mudar.
A situação do Brasil é peculiar. A nossa estratégia de desenvolvimento, baseada muito mais em energia renovável, nos coloca em uma posição muito positiva.
Segundo a Resenha Energética do Ministério de Minas e Energia de 2006, mais de 45% da matriz energética brasileira decorre de energia renovável enquanto nos países da OCDE (desenvolvidos) esse número é cerca de 6%. Ou sejam o que precisa ser feito pelos países desenvolvidos, que é limpar sua matriz energética, nós já fizemos.
Por outro lado, o desmatamento e as queimadas são os grandes responsáveis pelas emissões do CO2 no Brasil.
No último inventário de emissões de gases efeito estufa, de 1944, esse item era responsável por cerca de 75% das emissões, e os 25% restantes eram atribuídos ao transporte, à geração de energia e aos processos industriais. O controle do desmatamento, que já está na pauta do governo brasileiro, nos permite reduzir as emissões como país, sem trazer qualquer problema ao nosso crescimento econômico.
Essas condições nos permitem fortalecer o papel do Brasil como líder no processo de negociação global para a solução do problema e também nos dão legitimidade para reforçar o conceito das “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, estabelecido em Quioto, em que se assume que todos os países têm responsabilidade na questão, porém com intensidade diferenciada, cabendo aos países desenvolvidos assumir o ônus maior.
No Brasil, ainda que a indústria não seja a principal emissora, a dimensão do problema merece nossa atenção.
No nosso setor, o químico, podemos nos orgulhar de ter reduzido em 15% a intensidade das emissões de CO2 entre 2001 e 2007. Essa é uma contribuição concreta do setor para minimizar o problema.
Tudo isso de forma voluntária, garantindo a obtenção do lucro sustentável, ou seja, aquele que garante os resultados econômicos mas, ao mesmo tempo, melhora os impactos sociais e ambientais.
Na Braskem nos consideramos parte da solução do problema. Temos fortalecido o domínio sobre nossas emissões e investido em tecnologia e novos processos e produtos capazes de minimizar as emissões de gases efeito-estufa com um olhar abrangente para nossa cadeia de valores.
Desde 2006 estamos conduzindo inventários de emissões, e nosso último relatório anual publicou esses dados. Recentemente, inauguramos uma fábrica de ETBE, um aditivo para gasolina feito a partir de matéria-prima renovável, e estamos investindo mais 500 milhões de reais na nossa primeira fábrica de polietileno verde, feito também a partir de matéria-prima renovável, o álcool. Juntas, essas plantas vão contribuir com a redução de mais de 750 mil toneladas de CO2. Isso é equivalente a 10% das nossas emissões. Estas contribuições também são concretas.
Uma nova oportunidade surge para orientar nossos próximos passos, a partir do entendimento do benefício que o uso dos nossos produtos causam para a minimização das emissões de gases efeito estufa.
Em recente relatório do ICCA (Conselho Internacional de Associações da Indústria Química) preparado pela consultoria Mckinsey e verificado ela instituição alemã Ôko-Institut, que analisou o ciclo de vida de mais de 100 produtos químicos no mundo, chegou-se à conclusão que o uso de produtos plásticos para isolamento térmico, embalagens, nos automóveis, em tecidos sintéticos e em tubulações, por exemplo, contribui para a redução das emissões de gases efeito estufa na cadeia na ordem de 2.1 a 6 toneladas de CO2 a 2.6 toneladas de CO2 e para cada tonelada de CO2 emitida pela indústria química.
A Braskem quer ser um exemplo de empresa com estratégia comprometida com uma economia de baixo carbono, reconhecida por ações eficazes na aplicação de soluções que representem impactos reais na redução da intensidade de emissões de carbono por produto e em soluções inovadoras.
4. Comprido, né? Pois eu tenho uma surpresa para você: mais cedo ou mais tarde vai cair na sua mesa a missão de escrever um texto assim. Nessa hora, não há como fugir – ou você faz, ou será considerado incompetente. Por mais prestígio que tenha. Então, fique preparado. E quando tiver de fazer, não tenha preguiça. Coloque nele todo o seu talento. A maior sinceridade. E boa sorte.

(mudando de conversa, do eloy simões, no acontecendo aqui, na sua campanha, que encampamos, de acabar com as fraudes anti- textuais ou textualmente falando. parece muito, mas a verdade é que são poucos os redatores, mesmo os premiados, que conseguem escrever um texto como este. textos que conferem a realidade e mostram o universo de fantasmas e pulhas que existem neste e em todos os outros mercados. talvez o maior sintoma do vazio que enfrentamos é que a maioria dos publicitários parece acreditar na mentira que eles mesmo inventam, a começar da intentada a partir da sua própria imagem.

quinta-feira, setembro 17, 2009

ouro de tolo

Era um cara bom. Um puta diretor de arte. Mexia bem com design e tinha até uns desenhos bacanas na gaveta. Grudou nos grandes mestres, aprendeu tudo o que pôde, fez os contatos certos. Não demorou pra começar a botar o trabalho na rua. Adorava mídia exterior, tinha trabalhos por toda a cidade. Cidade que, aliás, não era o melhor mercado do país, mas era cheia de gente boa. Não tinha jeito: mais cedo ou mais tarde, ia pintar uma proposta legal.
E pintou. Uns caras de outra cidade estavam com um trabalho bom e apostaram no talento dele. Dava até pra ir pra casa nos fins de semana. Então juntou suas coisas e se mudou, cheio de gás. Seguiu o caminho de todo grande profissional.
Primeira reunião de briefing. Aquele mesão enorme, a sala bem iluminada e bem decorada. “Putz, lá em casa não tem nada disso”, pensou, quando viu os executivos chegando com roupas caríssimas. Cada um mais cheio da grana que o outro. Ajeitou-se na cadeira, puxou o caderninho e começou a ouvir:
− Negócio é o seguinte: estamos com um problema de fluxo de público. Fizemos quanti, quali, discussões em grupo. Contratamos consultores, analisamos a concorrência. E o que precisamos fazer é um painel.
Painel? Logo ele que não tinha tanta experiência assim em painel… Mas sem grilo, tudo bem. Desafio sempre foi com ele. Enfim, continuou anotando: impactante, puxando mais pro emocional e, acima de tudo, fidelizar os clientes. De referência pra ele criar deram um calhamaço. Até livro tinha. A verba era boa e o prazo… Bem, alguém aí já viu algum prazo ideal?
Começou o trabalho. Montou uma equipe, distribuiu cronograma. Virou noite. Ficou sábado, domingo e até feriado. Encheu o saco, se estressou. Dispensou todos os assistentes. Recomeçou do zero. De tanto trabalho, teve até um problema no olho. Ficou besta e resolveu só ir apresentando pro diretor geral. Não queria cliente bisbilhotando o trabalho antes de ficar pronto. Só que a pressão dos acionistas foi maior que ele, e acabou tendo que mostrar. Nem precisa dizer que não deu muito certo.
− Olha, você tem que entender que somos uma empresa tradicional. Não dá pra mudar nossa percepção de marca assim de uma hora pra outra. O nível do target é muito baixo, tem gente que mal sabe ler. Além disso, tá muito ousado, muito moderno. Pode ir colocando mais roupa nesses modelos.
Esperneou, mas fez o que pediram. E, cansado, desgastado, envelhecido e dizem que até meio maluco, entregou o trabalho. Foi um estrondo. Influenciou toda uma geração, mudou o rumo do mercado. Mesmo não levando nenhum Leão em Cannes, a idéia virou uma referência unânime. Volta e meia aparece chupada em alguma camiseta ou marquinha. Até hoje tem gente que vai lá só pra ficar admirando.
E, se você quiser, pode ir, também. Tem que comprar passagem, esperar na fila e não pode tirar foto. Mas ficar uma tarde inteira olhando para aquele painel da Capela Sistina vale a pena. Não dá raiva, inveja e muito menos aquela história de como é que eu não pensei nisso antes. Só dá pra ficar com a cabeça pra cima em reverência, pensando em como o Michelangelo conseguiu fazer tudo aquilo sem um Macintosh.

( o primeiro job da história, do joão vereza, no jornalirismo)

o interessante deste texto "tolo" é demonstrar as virtudes de um copy quando ele é copy, e domina gancho, fluência e desfecho. nada que se compare as dezenas de besteiras escritas, por exemplo, no gogojob, onde pretensos redatores claudicantes arrulham conselhos com base em experiências fraturadas a reboque de empresas de soluços(que muita gente confunde com soluções, sejam famosas ou não) mas excipientes a começar da fraqueza do texto que dá cãimbra
no mais persistente leitor. mas é a tal coisa, que fariam eles sem um macintosh?