o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência. comunicação, marketing, publicidade, jornalismo, política. crítica de cultura e idéias. assuntos quentes tratados sem assopro. bem vindo, mas cuidado para não se queimar. em último caso, bom humor é sempre melhor do que pomada de cacau.
quarta-feira, fevereiro 19, 2014
pensamentos que artistas brasileiros(os que algum dia tiveram) esqueceram ou grande fito páez
As pessoas são as pessoas. Os artistas são os artistas*. Você, como artista, não pode depender da chegada da sua obra, de como ela é recebida. Você tem que fazer coisas porque tem a necessidade física e espiritual de fazê-las. E se as suas coisas não chegarem ao público, você não pode se ressentir disso. A produção do artista deve acontecer na intimidade de um quarto, com um papel, uma caneta e uma guitarra ou um piano. E a força que vai ter isso no mundo é outra questão. Não sei se você entende o que estou querendo dizer, mas…
Já tive discos que venderam pouco. Eu gostaria sempre que [a criação] fosse uma coisa compartilhada, que chegasse às pessoas, mas chegar a isso não deve ser o único direcional. Porque o sujeito faz coisas para poder compartilhar [com o público], claro, mas se aquilo que você faz não é compartilhado por muita gente… isso não pode ser um drama. O artista não pode fazer sua invenção pensando em como ela vai ser recebida. Se fosse assim, estaríamos mais parecidos com os políticos, que ficam tentando cooptar votos. Não é assim que as coisas são.
* publicitários não são - ou não devem ser artistas. é quase óbvio, para alguns. mas são pessoas, o que muitos esquecem - complexo de belas-donas? mesmo na descendência do hoje em dia?).
tergiversações à parte, o que fica das palavras de fito, para quem souber ficar, é que a sua atividade deve comprazer em si mesma. o artista, uma minoria obviamente, fundamentalmente cria para si mesmo. o público vem depois. publicitários, numa atividade que não é artística - embora o uso de todas as artes confunda - tampouco ciência, é uma técnica, como todas elas, destinada a resolver problemas. enquanto pessoa, enquanto profissional, nosso compromisso é com a realização do trabalho da forma mais perfeita possível mediante conteúdo e estética com caráter e deontologia intra. quando a pessoa se torna ela mesmo publicitável em sua atividade, equivale ao artista que cria pensando "na parada de sucesso", no reconhecimento fácil por estratagemas baratos de forma que há sempre um engôdo em cada esquina.
por estas e outras temos tanta propaganda compromissada com a estética e tendência dos prêmios(como soa nativo, brega, as chamadas de trabalhos selecionados para a archive,cresta, ad isso, ad aquilo, cannes e por ai vai) e raro o desenvolvimento de peças que jamais ganharão tais prêmios mas que tornam-se viventes no imaginário popular(e não populacho) enquanto pessoas houver. é por isso que o bordões como "não é nenhuma brastemp" não dá/deu gunn report. mas até hoje pode ser citado e imediatamente bate de chapa com toda a destreza de um chute de trivela. experimente fazer isso com os "bordões- se é que existem - premiados.
talvez a propaganda esteja com publicitários demais e pessoas de menos. e publicitário formando então, eis a desgraça do novo século. porque as universidades estão desinformando as pessoas( matando mesmo) e criando tão somente gêneros, o que no fundo é o que acontece com os falsos artistas.
sábado, fevereiro 01, 2014
como escritora ainda não sei (sorry, eu mal dou conta dos clássicos) mas enquanto conteúdo de entrevista, arrebatador
Nascida no Rio de Janeiro (RJ), em 1947, Elvira publicou os romances Coisas que os homens não entendem (2002), Deixei ele lá e vim (2006) e O que deu pra fazer em matéria de história de amor (2012), entre outros, além de obras infantis, ilustrações, textos sobre arte contemporânea e a recém-lançada novela gráfica Vitória Valentina. Elvira também foi jornalista em veículos como O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, e editou a revista marginal-literária A pomba, junto a Eduardo Prado. Seu Nada a dizer(Companhia das Letras, 2010) recebeu o prêmio de melhor romance da Academia Brasileira de Letras. Na conversa com o escritor Rogério Pereira, realizada no Sesc Paço da Liberdade, em Curitiba (PR), Elvira Vigna fala sobre seu intenso processo de escrita, discute a marca reacionária e patriarcal que observa na literatura brasileira contemporânea, e ressalta o valor da arte enquanto anúncio das transformações na sociedade, mais do que ator de mudança.
A nível pessoal, [a literatura] tem uma importância bastante grande, pelo menos para quem a entende e vê como eu: uma troca de experiências. A pessoa que lê — e que escreve — tem uma possibilidade de entender o outro e de se entender maior do que se não o fizesse. No nível coletivo, a resposta é mais complicada, porque tem toda uma corrente que diz que a literatura modifica o mundo. Eu não concordo.
Não vejo de fato a arte mudando algo socialmente. Vejo um anúncio de mudança, e não a mudança. A literatura, como qualquer arte, anuncia, mas não modifica. A arte tem a capacidade de mostrar algo que ainda está se formando e vai eclodir daqui a algum tempo, ou que já está mais ou menos presente mas ninguém ainda notou. Aí, se ela for eficiente na sua recepção — se as pessoas perceberem esse anúncio de algo mais ou menos futuro —, é claro que a arte modifica. Porque vai, como qualquer anúncio, até mesmo publicitário, reforçar a tendência ou característica que ela está enfocando. Mas isso nem sempre acontece — não por culpa da arte, mas às vezes porque aquilo que ela está querendo dizer é uma modificação muito grande, cultural, e as pessoas levam muito tempo para recebê-la. Não é culpa do produto simbólico; nem de quem recebe. Não é culpa de ninguém — são circunstâncias de mudança, de rupturas paradigmáticas muito violentas. Ter uma atividade humana que anuncia, que consegue ter uma antecedência da mudança, eu já acho fantástico. Pessoalmente, [a literatura] tem uma importância muito grande. Mas socialmente, depende; e em princípio, não.
É um entendimento muito pessoal meu: o que pretendo, tanto ao escrever quanto ao ler, é o compartilhamento de uma experiência de vida. Inclusive tem uma pergunta que me fazem com muita freqüência, “qual escritor teria me influenciado”, e eu sempre fico um pouco hesitante, porque na verdade a influência não é formal. Não acredito que hoje, no contemporâneo, tenha algo que possa ser dito um “estilo”, uma maneira de escrever ou pintar ou fazer qualquer coisa que seja una para qualquer produto que você faça. Isso não se sustenta hoje. Da mesma maneira que não me vejo apresentando um estilo único para todos os livros ou todos os desenhos, não me vejo sendo influenciada por uma pessoa que então me daria um arcabouço formal que eu poderia aprender e repetir. As pessoas que me influenciaram são pessoas; são histórias de vida, pessoas que conheci ou de quem eu soube. Tive uma aproximação obsessiva com Velásquez, o pintor espanhol. Não exatamente a pintura dele — embora é claro que seja a pintura —, mas sua história de vida. Inquisição comendo solto na Espanha, fogueira para todo mundo — e ele era uma pessoa maravilhosa: bom pai, bom marido, não fazia nada de errado, amigo pessoal do rei… e pintava a decadência do império espanhol. Então, ele não mentia na pintura, ele mentia na vida. Velásquez conseguia morar dentro do palácio e conviver com uma Espanha violentíssima por causa da Inquisição; conseguia se manter fora da fogueira, vamos dizer. Inclusive, ele morreu e uma semana depois sua mulher morreu de desgosto de ter perdido aquele amor de pessoa. Mas na hora de pintar, ele não mentia. Na sua pintura ele anuncia o fim de uma ordem social, apresenta a classe operária, que nunca tinha sido pintada, em algumas telas; no primeiro plano pinta a babá da princesinha, ao invés da princesinha; o cachorro no quadro é um vira-lata, e não um cachorro de caça. Ele tem essa honestidade absoluta no seu fazer, e na vida pessoal, não. Não dava para ter. Esse é um cara que eu admiro profundamente e que posso dizer que me influenciou. Agora, me deu algum estilo? Não, de jeito nenhum. Não é por aí que eu vou. Meus livros, inclusive, são muito diferentes uns dos outros.
Nada a dizer tem uma quantidade enorme de palavrão. A narradora é uma mulher traída e está puta, então de fato cada página tem uns duzentos palavrões. Em O que deu para fazer em matéria de história de amor é outra narradora, outra circunstância. Aí você vai dizer: “A literatura da Elvira usa uma linguagem muito coloquial, solta, com palavrões”. Não. “As frases são curtas” — quando é para ser, quando tem um ritmo duro; senão, não. Então muda porque muda. Como é que vai ser igual? Estilo é uma coisa muito complicada de a pessoa tentar manter hoje. Indo para a arte visual, onde a coisa fica muito mais clara: dizer que a arte contemporânea de fulano tem um estilo não faz o menor sentido. E você pode dizer a mesma coisa para os outros instrumentos — palavra, música, o que for. O livro que eu estou refazendo tem frases longas. O que deu… tem frases curtas. Não é assim: “O último teve frases curtas, então vou fazer um de frases longas”. De jeito nenhum. O que está sendo dito está sendo dito da melhor maneira, espero.
O que deu para fazer em matéria de história de amor foi feito em 2006 e apresentado para a Companhia das Letras em 2007. Na primeira vez o original foi perdido; na segunda, foi recusado. Quando resolvi reapresentar e peguei o texto para ler, algumas frases eram tão secas que eu botei lá um “molhinho”. Porque a coisa me pareceu muito seca. Então, não [é só cortar]: você corta e pode ter o movimento contrário também.
Escrevo sobre coisas traumáticas, vividas, sabidas, vistas ou ouvidas por mim. A escrita é um processo meu de busca de sentido. Algum sentido. Porque a minha vida — acho que a de muito mais gente, se não de todo mundo — tem coisas completamente sem sentido. E aquele troço você não esquece, você guarda durante trinta anos e um dia escreve para ver se consegue entender. Eu tenho como se fosse um lugar onde guardo cenas, pessoas, às vezes até uma risada. Em geral não são nem histórias completas. Tenho algumas, agora são menos porque eu já editei vários livros, já usei essas histórias. E elas ficam lá, podem ficar por décadas mesmo. Aí um dia acontece alguma coisa na minha vida, fico sabendo ou vejo algo que me remete àquilo. E isso vem à tona de uma maneira muito forte —não consigo esquecer, não consigo fazer quase mais nada, me toma, fico pensando naquilo dia e noite. Aí eu paro
tudo e escrevo.
O que você tem para vender — entre aspas, porque a internet justamente não vende nada para ninguém — é um entendimento, uma experiência de vida. A frasezinha bonita já era. Qualquer um faz.
• Obsessão
No dia 17 de junho passado eu me tranquei num hotelzinho — porque eu saio da minha vida, abandono homem, filho, cachorro, todo mundo — e fiquei lá até 17 de julho escrevendo. Agora, em outubro, peguei o texto novamente e não achei bom — sou muito chata, não só com os outros, mas comigo também. Aí eu recomeço. Mas não é aquele negócio de pegar o arquivo e corrigir. Já falei isso várias vezes e as pessoas ficam me olhando meio esquisito: recomeço do zero. É um arquivo novo, vou usar aquela estrutura de capítulos e reescrever o texto inteiro. Faço isso com freqüência, meus livros demoram muito tempo para serem escritos. Sou completamente obsessiva. Não conheço [a palavra “perfeição”] direito, não sei muito bem o que é isso. Busco uma satisfação minha. Aquilo tem que servir a seu propósito. Na hora em que eu vejo, sinto lá dentro aquilo que quis escrever, aí está bom. E também não leio mais. O editor me manda aquelas provas para eu dar o OK, e tenho a maior dificuldade de ler. Algumas vezes eu dou o OK, finjo que li, e não li. Tenho muita dificuldade de ler o texto depois que ele está pronto na minha cabeça. Depois que é publicado, então, nem pensar. Não leio de jeito nenhum. Porque aquilo é uma… Cara, eu não quero mais. Saiu completamente da minha cabeça — não quero, não quero.
A realidade sempre vai ser, evidentemente, muito maior do que qualquer enorme texto. Não tenho, de jeito nenhum, essa ilusão de que [a literatura] dê conta da realidade. Quanto à transformação [da realidade], tem um processo. É meio louco, mas é como se tivesse um diálogo entre mim e aquilo que está sendo escrito, enquanto escrevo: tenho que ouvir, atender e responder àquilo que me está sendo dito por aquilo que está sendo escrito.
Se eu tiver feito meu trabalho bem, acho que o leitor vai se identificar com o meu texto. É uma característica que aprendi a respeito de mim mesma, não que eu soubesse ou concorde com isso, mas me dizem, então deve ser: falo muito de perto, tenho uma proximidade emocional muito grande com o leitor. Então, um prazer muito grande é achar que estou falando com aquele cara que eu não conheço. Eu escrevo chorando. Não é o motivo principal de escrever sozinha, isolada, mas é um dos motivos. É vergonha, porque de fato escrevo chorando pitangas. Aí, quando a pessoa chega perto de mim e chora também, eu acredito que ela tenha me entendido, e eu entendido ela. A gente está muito próximo. Então, aquele negócio que eu falei sobre estilo e a influência não ser formal de escritor A ou B, mas sim da pessoa, na verdade é isto: uma proximidade com pessoas. Para mim, literatura, arte, é você chegar muito perto, de uma maneira não lógica. A proximidade emocional é outra. A arte, o produto simbólico, te permite uma empatia que às vezes não é sequer possível de ser expressa.
Não acho que haja nada nem parecido com literatura feminina, isso é uma grosseria. Você teria que dizer que é uma literatura feminina de classe média ou baixa; de uma mulher negra ou branca; rural ou urbana; velha ou moça — e aí você vai afunilando até chegar nessa ou naquela escritora, e uma não vai ter nada a ver com a outra a não ser o fato de serem mulheres. Eu sou uma mulher, não acho que minha literatura seja feminina nesse sentido. É uma literatura feita por mim, uma das minhas características é ser mulher. Ressaltar esse fato é um alijamento e uma exclusão, e a única coisa que eu posso dizer para concluir é a lembrança dos narradores masculinos que abundam na literatura universal desde que ela existe no mundo.
A gente tem que pensar em termos de poder. A minha “bronca”, vamos dizer, é que existe na literatura do mundo inteiro hoje, e no Brasil especificamente, três fatores — que eu consiga ver com clareza — que emperram, impedem uma renovação possível. Uma é que o campo literário é dominado por homens, quando a cultura ataca isso. Existem razões econômicas, principalmente culturais, em que o poderio patriarcal é atacado. O homem, então, está numa situação em que tem que defender um poder que está sob ataque. A publicidade brasileira até alguns poucos anos atrás era muito criativa, muito boa, premiada pacas e com razão. Com a crise do comércio tradicional por causa da internet, os publicitários migraram de forma mais ou menos em massa para outros setores criativos — tem muito escritor publicitário. Então, esse homem que já estava numa posição de defesa — sob ataque cultural pelo simples fato de ser homem, heterossexual, branco, de classe média —, se ele for publicitário está então numa situação de defesa dupla. Porque o publicitário é o contrário do escritor, apesar de ambos trabalharem com a criação: a intenção de um publicitário é atender a demanda, solucionar o problema do cliente, atender seus anseios. E o escritor desestabiliza seu cliente, que é o leitor; procura fazer com que ele não tenha seus anseios atendidos — pelo contrário, faz com que tenha as suas certezas abaladas. É isso que qualquer arte digna do nome faz: destrói certezas, abre outras possibilidades. Aí, veja bem: estamos falando de um homem — suposto — que está numa indústria também sob ataque, porque a internet está fazendo com que a indústria livreira mude de venda de produto para prestação de serviço — uma mudança radical. Então esse cara — homem, ex-publicitário, numa indústria que está também sob ataque — está sob triplo ataque. Quando a pessoa está sob ataque, tem dois grandes ramos de atitude que ela pode tomar: ou defende seu poder minguante, e ela será reacionária, conservadora, inclusive fechada o máximo possível, porque qualquer novidade é uma ameaça; ou ela assume que sua situação é de crise, ruína, queda, mudança e tudo bem. Se esse escritor for homem, de classe média, heterossexual, branco, ex-publicitário, estiver dentro de uma indústria vendendo livrinho de papel e considere que a internet seja uma ameaça, ele vai ter que escolher entre mostrar no seu livro que é um cara fragilizado ao extremo ou mostrar que ele é um fodão. São essas as duas atitudes possíveis. E eu vejo no campo literário — essa é a minha pinimba — uma presença muito grande da atitude de defesa conservadora, reacionária, profundamente retrógrada desse personagem que eu montei aqui — que, claro, é um personagem fictício. Em termos; existe.
• Momento ruim
O pessoal bem novinho — não em idade, mas que está começando a escrever — tende a ser menos reacionário do que os jovens escritores badalados, que, sim, são muito reacionários. Esse pessoal menos conhecido consegue se mostrar frágil, consegue se suportar não maravilhoso, não fantástico. E para a literatura é tudo de bom. [A literatura brasileira atual não vive um bom momento] Justamente por esses três aspectos que eu falei, sendo que um deles é especificamente brasileiro, que é uma invasão do publicitário — não só no texto, mas na parte da imagem do livro, especificamente infantil e juvenil; são pessoas que entendem o livro como um produto a ser vendido. Tenho brigas homéricas com designers… É uma visão publicitária do livro que é muito ruim.
Fui um fracasso como adolescente. Não tinha a menor idéia de moda, qual era o cantor que eu devia estar cantarolando, que roupa devia estar usando. Era muito quieta, muito fechada — e aí eu lia. Ter sido uma adolescente malsucedida me fez ter força para ser uma adulta — não digo bem sucedida, porque isso não existe no campo em que a gente milita — pelo menos com força para buscar uma satisfação — que eu, sim, obtenho. Eu faço o que quero.
lMinha família era de origem muito simples, humilde, e conseguiu ter uma ascensão social. Então, no espaço de uma geração, meus pais saíram de uma situação de quase pobreza para uma classe média bastante boa, razoável. Uma vez isso conseguido, tinha outra fronteira a ser vencida: a intelectual. Na minha casa, embora não houvesse cultura, havia essa meta intelectual a se atingir. Em geral tem a pessoa que fala: “Ah, a biblioteca do meu avô, com aquela poltrona de couro!” — isso é um tipo de infância. Outro tipo de infância é a que migra de um lugar muito traumático para outro. Então, esse segundo tipo são os que chegaram no intelectual, no livro, como uma meta muito desejada — depois de parar de passar fome, a próxima coisa a ser conseguida é o entendimento, o sentido do mundo. Na verdade essas duas respostas disfarçam duas situações econômicas muito claras, pelo menos para mim: “a biblioteca do meu avô com a poltrona de couro” é uma classe média já estabelecida há muito tempo; e o pequeno leitor que migra e busca essa meta da intelectualidade é quem mudou de classe social, que é o meu caso.
É uma luta quase cotidiana ficar bem apesar da literatura, e não graças a ela. Leio [ficção diariamente], basicamente escritores brasileiros novos — é o que mais procuro ler. Leio o cara novo, novo, novo, que tem vinte, vinte e poucos anos e está lutando para encontrar uma voz. Não que o livro seja bom — em geral, não é. Tem uma diferença entre gostar do livro e gostar de ler, e eu gosto de ler esse cara. Muitíssimo. Através do Facebook me chegou um cara já bem mais velho, do interior do Rio Grande do Sul. Ele fez um diário meio deslumbrado de um jovem do interior do estado que estava indo para um grande centro, pela primeira vez longe da família, com possibilidade de sair com amigos, meninas, etc. E quando foi servir o exército, calhou de ele ser guarda da prisão do pessoal do Pasquim — do Ziraldo, do Millôr, que foram pessoas que eu conheci bastante bem. Então, não só através deles como de outras pessoas do meu círculo social que foram presas durante a ditadura, eu conhecia com bastante intimidade a experiência da prisão do ponto de vista dos presos. O livro desse cara, que era muito ruim e que eu adorei ter lido, me deu a experiência do ponto de vista do guardinha que estava do lado de lá da porta de ferro. Essa experiência tem um valor enorme pra mim. Até mesmo porque o livro é ruim, porque ele não se preocupou do ponto de vista formal, em enfeitar aqui ou fazer uma frase mais legal ali, até mesmo devido a essa ingenuidade literária ele me passou uma experiência que eu adorei ter.
A gente vive numa época maravilhosa, acho a internet maravilhosa. Não vejo essa percepção muito clara, mas acho que é uma questão de minutos: a possibilidade de você fazer literatura. Antes você tinha que se sujeitar a uma hierarquia de poderes — inclusive econômicos —, e hoje você tem a possibilidade de fazer sozinho um exercício literário perfeitamente válido. Então mudou tudo. Espero que o capitalismo um dia caia de podre, mas enquanto isso não acontecer, o valor da pessoa está ligado ao quanto ela recebe. Tem um sistema de valorização muito óbvio que é o quanto você ganha. Faço com muita freqüência palestras no interior, em cidades muito pequenas. E uma das perguntas que fazem é quanto eu ganho. Entendo perfeitamente: estou indo como um pedacinho de São Paulo, maior cidade do país; fui convidada, então me pagaram para ir até lá, pagaram passagem, se a cidade tiver hotel, estou no hotel da cidade. Então, faço algo que tem um valor, e a maneira de entender que valor é esse é perguntar quanto ganho. A internet não dá dinheiro para absolutamente ninguém, então o livro de papel ainda é uma maneira de você estabelecer o seu valor. Em dinheiro, em números. Então não acho que ele [livro impresso] acabe.
Sou uma pessoa absolutamente comum [na internet]. Estou lá junto com quem faz bolo em casa para vender pelo correio. Estou em igual situação. A internet estabelece um novo patamar: quem ganhava seu dinheiro a partir da venda de uma informação está frito, porque o Google é melhor. O que a pessoa pode oferecer é um sentido. Para isso, ela tem que pensar. Só aí você já está mudando seu chão para muito mais alto. Hoje, seja você professor, ou mesmo escritor, se você acha que fazer uma frasezinha bonita é o suficiente, vai perceber rapidinho que não é. O que você tem para vender — entre aspas, porque a internet justamente não vende nada para ninguém — é um entendimento, uma experiência de vida que pode ser bonita, pode servir para outra pessoa se entender. A frasezinha bonita já era. Qualquer um faz.
Li recentemente a Adriana Lisboa [Hanói] e gostei. Luci Collin. Gosto da Carol Bensimon. São algumas [escritoras], mas não são muitas, porque a defesa do poderio masculino falso, que realmente está declinante, é muito bem sucedida no sentido de impedir um acesso. Há alguns anos, no Recife, o Cristhiano Aguiar me presenteou com uma coletânea de contos de autores locais, acho que eram trinta. Inclusive era uma edição bem feita, patrocinada. Não tinha nenhuma mulher entre esses trinta. Ou nenhuma recifense sabe escrever bem, ou é tão cruel a coisa que… Há o argumento pré-fabricado de que eu defendo mulher mas não consigo citar muitas [escritoras]. Mas isso é um argumento que se autoproduz, porque na medida em que você impede a presença feminina nessa antologia, não abre espaço ou não consegue ter uma presença — o editor é homem, o jornalista é homem… —, você impede até mesmo a maturação de uma escritora, impede que fique bom. Esse congelamento que tentei descrever nesse personagem fictício de cara ex-publicitário numa indústria falida é uma questão de tempo. Não vejo como isso se manter.
O artista visual lida com questões que eu não lido, porque faço ilustração. Tenho uma leitura de um texto e a coloco em forma de desenhos, pinturas, o que for. Então há uma diferença de nível de complexidade, uma diferença de intenção muito grande. Eu não me vejo como artista porque não lido na minha atividade imagética com as questões de um artista visual. Sou ilustradora. Além disso, a arte contemporânea tem — muito mais claramente do que a literatura e provavelmente a música — uma pretensão de autoria compartilhada com quem está vendo ou participando. A literatura também. Hoje, um texto — os meus e os dos autores de que gosto — não se fecha, ele necessita da contribuição do leitor para existir. Na arte contemporânea isso é muito claro. É uma participação, não é uma agressão. É um convite, até amável, suave, vamos dizer. Essa suavidade de propósito que eu vejo na arte com mais nitidez do que na literatura, somado ao fato de que não me ponho no papel de artista contemporânea mas como ilustradora, faz com que a minha atividade na imagem seja lúdica. Então, para mim o desenho é um momento de relaxamento muito grande. Quase uma brincadeira, sem querer botar algo de pejorativo nessa palavra. A história em quadrinhos não é uma ilustração, é outra coisa, que eu acredito que seja pouco entendida aqui. As possibilidades criativas dessa intersecção de duas linguagens na forma da HQ me fascinaram. Então, fiz 120 páginas desenhadas com um lápis 6B. Detalhadíssimo, coisa de maluco mesmo. Então você me pergunta se eu vou fazer mais? Tomara que não.
Só escrevo quando chego ao limite. E escrevo em situações de desconforto total. Meu ex-marido — ele é jornalista e roteirista de cinema — teve uma crise pessoal, e minha filha disse: escreva um livro que esse troço vai te fazer bem. Ele nunca tinha escrito ficção e imaginou que fosse escrever e ficar bem. Eu sabia que não, porque quando escreve você não fica igual ao que era antes. Você se modifica. Tem que pagar esse preço, de saber que você vai ficar diferente. Então o desconforto não é só o da escrita, e quando acaba você pega o seu copinho de uísque e está tudo bem — não, não está tudo bem. Você mudou. O seu relacionamento com as pessoas próximas muda, a maneira como você se vê muda. Nenhuma mudança é agradável, nunca, vamos parar com isso, a gente detesta mudança — uns mais do que outros, mas todo mundo acha uma coisa árdua. Não acho que tenha conforto nenhum. A literatura não te oferece conforto nenhum — a boa.
segunda-feira, julho 23, 2012
de putas e publicitários ou as ditas cujas parecenças
ambos são prestadores de serviços. o que é sempre, em qualquer atividade, uma tarefa muito complicada. sempre cheia de frustrações na maioria dos casos, significando trabalho duro e parcamente remunerado, quiçá compreendido, apesar das exceções que impigem o contrário. e quase nunca obtendo orgasmo perfeito, apesar do seu arcabouço, fingido ou não, o configurar.
porém há uma diferença, putas para dar cabo do seu trabalho tem de imperiosamente abrir as pernas, ficar de quatro ou engolir sacos. já o publicitário não. ele tem sempre a opção de não fazer nada disto. se o faz, é porque está na profissão errada. e não adianta descambar com deslumbramentos para o lado das putas, porque lá amadores não tem vez, sequer para limpar penicos quanto mais para um lambe-cus.
terça-feira, maio 08, 2012
tuites fujões
sexta-feira, janeiro 27, 2012
social, até certo ponto
quarta-feira, janeiro 25, 2012
o buraco de woody allen é mais em cima. o nosso, nem acima nem abaixo: de tão arrombado foi tapado
tal e qual batedores de carteira no metro, a espera de novos incautos da composição seguinte. frustrados - mas sem perder a pose, ó a pose de publicitário, jamais perdida, mulheres ricas perdem feio - por aquilo que julgávamos ser e ter de mais esperto e especial do, e de quem quer que fosse, sem saber que estavámos transformando nosso negócio na pescadinha que morde o rabo, loop que simboliza o nosso flop, o que ninguém imaginou por mais inteligente e chico-esperto que fosse que aconteceria, e em tão pouco tempo.
pois bem: dizem alguns que isto é simbolo de renovação( bicho que come o próprio rabo, eu hein!)para os chineses, principalmente. não dúvido, pois está sendo. mas para nós e o nosso negócio, permitam-me duvidar de todo e qualquer tapado que quer cavar um buraco apenas para se esconder enquanto torce para que a onda passe, enquanto outros simplesmente aproveitam a desgraça para intrujar o butim.
não há nada de zen nesta onda. é o trem descarrilhado passando ai bem ao teu lado, se não em cima do teu próprio rabo, neste momento que está enfiado até o gargalo na tua boca.
terça-feira, janeiro 17, 2012
só dói quando nós rimos
quinta-feira, dezembro 29, 2011
como matar um publicitário famoso ou torná-lo estéril( o que dá no mesmo)
mas você também pode matar uma agência inteira, dita criativa de uma vez, o que se aplica hoje(ontem) com melhor propriedade a sra.rushmore(de há muito que parece ser a especialidade da mccann: matar agências criativas - aconteceu também em portugal com a markimage, quando ela conseguiu reunir um time do porte de anselmo ramos, cássio moron, jorge barrote, fred saldanha) já que a w andava mais para vê dabliu do que para a produtora das ideias diferenciadas que fizeram do uóshington modelo de uma geração que hoje é tratada como romântica e fora dos patterns do business atual. mas que porra de business é esse que mata o espírito daquilo que vende, quer dizer que deveria, pelo menos em teoria.
e assim a publicidade criativa, feita por iconoclastas,provocateurs, adotou o no change the rules com a consequente perda da individualidade, sufocada ao peso das fusões aos brasões de holdings que fazem o controle dos cérebros mutando agências inquietas em cemitério de elefantes, ou se preferir, de leões, desdentados, apesar de os ter todos na boca.
quinta-feira, julho 14, 2011
já fomos corajosos; hoje nem covardes, com autenticidade somos*

No filme "Meia Noite em Paris", em cartaz em São Paulo, o cineasta Woody Allen põe na boca do ator que interpreta o escritor norte-americano Ernest Hemingway uma série de considerações sobre a coragem que, no fundo, pode ser estendido não apenas aos artistas, mas ao comum dos mortais.
Hemingway (Premio Nobel de 1954), pessoalmente, nunca admitiu que exagerava. Ao contrário do argentino Jorge Luis Borges que passou maior parte da vida entre livros, a inventar - e a inventariar - valentias e histórias fantásticas, Hemingway foi um realista que, não raro, imitou a si mesmo em sua ficção. Era, como Borges, um leitor compulsivo e um estilista severo com seus textos (escoimava-os impiedosamente) - mas, ao relatar combates e guerras, sabia do que falava. Foi soldado condecorado, por valentia, na Primeira Guerra, correspondente na Guerra Civil Espanhola, acompanhou, como jornalista, a Segunda Guerra Mundial e quando se viu tolhido pela velhice precoce com seus achaques inescapáveis - tinha apenas 62 anos - não hesitou em meter uma bala na cabeça. Era dado a depressões mas, enquanto Borges se calou diante do assassínio de mais de 30 mil argentinos pela ditadura militar, Hemingway, denunciou publicamente o senador proto-fascista Joseph McCarthy que, na década de 50, fazia campanha contra os intelectuais de esquerda de seu país, com o apoio da grande mídia. Hemingway fez o que seria, inclusive, inconcebível para o argentino, sempre enfronhado em lutas inventadas de heróis paradoxais: desafiou o senador para um duelo.
Não houve confronto algum. À parte seu oportunismo populista, o senador era um covarde de "pés de barro". Quando Lillian Hellman, escritora de esquerda, invocou a Constituição americana para se posicionar como bem entendesse, livremente - a própria imprensa conservadora viu-se, de repente, sem argumentos para apoiar McCarthy. Que morreu obscuramente, no esquecimento merecido de seus compatriotas. No belo filme de Woody Allen a idéia da coragem é apenas uma dentre as muitas que o diretor suscita - mas uma das mais instigantes, é mesmo a questão da valentia. O próprio diretor não regateia suas posições na contramão da "Era Bush", com alusões diretas ao tempo do ex-presidente americano. No entanto, parece repor o ponto de interrogação a que somos levados nos limites da coragem. Ou da covardia. A questão não se afigura simples, de fato. Aparentemente, em seu tempo, ninguém mais merecedor do Prêmio Nobel que Jorge Luis Borges. Como se sabe, Borges não foi apenas um escritor de sucesso. Tanto à esquerda quanto à direita, a crítica jamais fez qualquer restrição aos méritos do escritor argentino - talvez um dos mais originais da literatura universal em todos os tempos. Mas ao ser posta em questão a sua eleição para o ambicionado premio, a Academia Sueca - com a pusilanimidade de todas as instituições do gênero - não se atreveu a arrostar a opinião pública mundial. Se Borges não se mostrou intimorato à altura de seus personagens - como conceder-lhe o mais ambicionado galardão literário que, bem ou mal representaria também o humanitarismo contido na literatura? Para muitos, foi a resposta contraditoriamente também medrosa a um desafio talvez maior que se pôs à Academia: o de premiar a grande literatura, a despeito do homem que a fez. O caso de Borges, realmente, parece conduzir ao que Woody Allen - ele mesmo, na sua filmografia e na sua vida pessoal, insistiu em nunca tergiversar. A vida seria curta demais para os atos vis de complacência ou a covardia perante matanças, como se fizeram nas ditaduras militares da América Latina. Para dizer tudo: Borges, um gênio, não parece ter-se comportado à altura da sua condição de homem; ou mesmo de escritor. Não deixa, porém, de ser um enigma, principalmente para os artistas. Não que os artistas sejam diferentes do restante dos homens. Cervantes, o grande autor de Dom Quixote, distinguiu-se na batalha de Lepanto contra os turcos. O ferimento que recebeu na ocasião, tornou-o maneta. Sua mão esquerda ficou inutilizada para o resto da vida. Assim também com Lord Byron (George Gordon, 1788-1824) - o grande poeta romântico inglês. Como Hemingway, teve uma vida aventurosa que culminou com a sua morte - de peste - na guerra de independência da Grécia, a favor da qual, aliás, ele aderiu como combatente voluntário. Camões, o português, foi um guerreiro persistente; Puchkin - o mais festejado poeta russo - morreu num duelo. Os exemplos são muitos - mas a covardia, ou a pusilanimidade ( digamos que sejam duas coisas distintas) ainda que pouco mencionadas, também não foram nenhuma raridade entre poetas, músicos e pintores. Cézanne fugiu de Paris quando da guerra franco-prussiana. Com a razão que a história da pintura talvez lhe dê, preferiu não correr riscos de vida. Monet, de sua parte, logrou escafeder-se quando se viu na contingência de ser alistado no exército francês no mesmo período. Assim também anos mais tarde, com o compositor alemão Richard Strauss que só rompeu com o hitlerismo quando muitos dos cometimentos do regime nazista já tinham sido cometidos. Artistas não parecem, enfim, menos ou mais que homens e mulheres comuns. Quanto a essas, porém, tidas como representantes do "sexo frágil" - a coragem ou mesmo o heroísmo não foram menos freqüentes, porque menos conhecidos. As mulheres submetidas às torturas pelo regime militar brasileiro, mas que nem por isso delataram seus companheiros, são por demais conhecidas para que se façam maiores comentários. Há, porém, os casos anônimos como o que mereceu uma gravura de Goya. Durante a guerra franco-espanhola, uma jovem espanhola, ao ver seu noivo abatido por um tiro, assumiu seu lugar no canhão que ele dirigia, fulminando os franceses atacantes. O título da gravura diz por si, do espanto, não apenas dos espanhóis: "Que coragem!", assinalou o artista abaixo de seu trabalho. Na verdade, se a covardia não conviesse mais - a coragem - "Que coragem!" - nem mereceria qualquer menção. Parece não ser ocioso, porém, que se a registre. Como fica do filme de Woody Allen, temos a impressão de que a era do heroísmo é sempre a do passado que idealizamos, nunca do presente que vivemos - o que nos dispensaria do gesto mais digno. Ou mais valente. Mas não é bem assim. Napoleão Bonaparte, que sabia do que falava, comentava, com seus generais que, de todos os membros da família real austríaca, o mais valente era a rainha. Dizia, derrisoriamente, contrariando, quem sabe, sua experiência com sua mãe - a qual sempre dedicou uma admiração imorredoura, justamente por sua coragem - que a tal dama, "era o único homem da casa ". Ser homem, finalmente, não parece se constituir na condição para a covardia ou para a coragem.. Como assevera Hemingway na fita de Woody Allen, a possibilidade do medo pode assaltar um homem ( e uma mulher ) em qualquer situação. Mas se persistir durante o ato de fazer amor - então restaria ao candidato a romancista desistir de seu empenho. São palavras fortes, condicionais, que talvez pudessem ser endereçadas a Borges. Seria provável, então, que o grande escritor argentino respondesse, paradoxalmente, que justamente durante o ato de amor, aí mesmo é que lhe dava medo. Não é impossível. Borges gostava de chocar. Sua resposta, porém, não indicaria que seria menos genial por causa disso. Medroso ou não, Borges foi um dos maiores escritores de todos os tempos. Essa a contradição insolúvel dos artistas: eles acedem fazer amor com outros medos do que só o da impotência.
( artigo do enio squeff, que é artista plástico e jornalista, ele mesmo entre a coragem e a covardia, para a carta capital)
* e o que dizer então de nós publicitários, hoje então cada vez mais gênios da covardia criativa, que entre outras coisas engolimos a seco a repressão a verve da inconformismo que é a gênese do trabalho criativo, reduzindo a atividade a bate-ponto e bate-prontos, sem deixar de desconstruir sobre nós a visão de artistas chegados a rapapés e lambecuzismos ? é a isso que ficou reduzida a atividade? propaganda sem conceito e sem caráter com cara de photoshop cu de todo mundo?
domingo, outubro 24, 2010
josé rousseff

terça-feira, setembro 28, 2010
inversamentes desproporcionais

Estava na semana passada ministrando aulas em um MBA quando um funcionário da instituição, bem desanimado, comentou que um primo dele tinha até doutorado e estava ganhando uma miséria fazendo bicos. Aguardava uma bolsa para estudar mais um pouco. Injustiça, né?
Mas será mesmo?
Sinceramente, acho que não. Pela descrição do perfil, parece que o rapaz é estudante profissional. Não há nada de mal nisso, mas que ninguém espere ganhar fortunas dependendo apenas de bolsas de estudo.
O problema é que algumas pessoas costumam levar ao pé da letra aquelas manchetes escandalosas publicadas nas capas de revistas de negócios dizendo que um curso de MBA pode aumentar seu salário em muitos porcento. Vejo gente fazendo as contas do investimento, computando a diferença entre a mensalidade e o incremento no contracheque que espera obter. O problema é que não acontece automaticamente, como muitas reportagens querem fazer crer; então, o que se vê por aí é uma legião de pós-graduados subempregados e reclamando da vida.
A questão é que, diferente do que possa parecer, o mercado não faz concursos nem paga mais para quem tem mais diplomas. O mercado remunera melhor quem consegue gerar mais valor, tendo ou não uma pilha de certificados. E é pior contratar uma pessoa sem noção, mas com diploma, pois essa pessoa não vai querer tirar xerox ou fazer serviços “menores”.
O diploma nada mais é do que um comprovante que você teve acesso a um conjunto específico de informações que lhe foram apresentadas de maneira estruturada e com orientação de outros profissionais, supostamente experientes e conhecedores da matéria. Você ganha esse pedaço de papel quando consegue provar para a instituição que o emitiu que conseguiu assimilar essas informações de maneira satisfatória. E só. Lá não tem nada dizendo que agora você é melhor que os outros, que ficou mais inteligente ou que merece um aumento. Pode procurar, garanto que não tem.
Então, como é que o diploma pode ter a ver com aumento de salário? As revistas estariam mentindo?
Não estão. É que, teoricamente, se você tem vários diplomas, teve acesso a vários conjuntos de informações específicas. Isso aumenta muito as suas chances de recombiná-las e criar algo que, de fato, tenha valor para o mercado. Que faça diferença na vida das pessoas. Que seja desejável a ponto de alguém poder pagar mais por isso. Quanto mais cursos, mais combustível e mais matéria prima para converter em excelência. Quem sabe aproveitar isso, ganha mais, claro.
Se, ao contrário, o sujeito pega o papel, emoldura ou então guarda na gaveta e esquece as tais informações, sem fazer nada de útil com isso, então, sinto informar, mas valeria mais a pena ter ficado em casa vendo novela. Seria mais barato e menos frustrante. Há alunos que estão claramente perdendo o seu tempo: pagando as prestações de um diploma que não servirá absolutamente para nada, uma vez que não estão interessados em gerar valor, mas em aumentar o salário.
Vejo um montão de gente por aí que apenas coleciona certificados; não aplica o que aprendeu (se é que aprendeu alguma coisa), não se interessa em fazer coisas novas e interessantes, não transforma o conhecimento em algo útil, e, pior, ainda sai por aí cheio de razão reclamando direitos.
Diploma, sem um profissional que o converta em valor que faça uso do que ele representa, é só um pedaço de papel. Igual àquele que embrulhava o pão antigamente, só que muito menos útil.
(diploma pra quê, da lígia fascioni, por acaso cheia de diplomas)
p.s. cá entre nós, diplomas ao que parece só tem servido para diminuir salários, vejam o caso dos publiciotários de antão. simplismo? relação causal furada? bom: proselicamente, fora do mercado, há quem ganhe bem mais do que muitos mbas candentes por aí que se entitulam profissionais. de diplomas?
sábado, junho 05, 2010
cada vez mais todo mundo chupando dedo
Depois, observou: ela não tirava os olhos dele. Era uma loira linda, muito sensual. Sem dúvida, a mais bonita do bar. E parecia estar dando bola pra ele. Então, terminou rapidamente o que estava fazendo e foi o lugar onde ela estava sentada.
“Pois não, senhorita.”
Ela não disse nada. Para surpresa dele, começou a acariciá-lo. Desabotoou-o ali mesmo, passou-lhe a mão pelo corpo. Depois, acariciou-lhe o rosto, e enfiou-lhe os dedos na boca. Ele sentiu um cheio esquisito, mas correspondeu, chupou-os. Estava bom demais. O bar estava completamente vazio e ela a cliente demonstrava uma baita tensão. Ele não viu nada demais em ceder.
Aí, ela puxou o rosto dele bem pra perto do dela. Ele estava excitadíssimo, achou que ia ganhar um beijo na boca. Então, ela sussurrou:“Você é o dono?”
Envergonhado, ele respondeu:
“Não, sou apenas o barman.”
“E o dono está aí?”
“Não, ele ainda não chegou.”
Nesse momento ela o afastou e deixou recado:
“Então, diga pra ele que o banheiro não tem papel higiênico e as torneirasestão secas.”
Aí ele percebeu de onde vinha aquele cheiro.
Não sei quantas vezes assisti – muitas até participei – das cenas:
. Primeira – O Cliente passa um brief para a agência.
. Segunda – Na Agência, a criação se mata para encontrar uma boa idéia e para convencer o atendimento a apresentá-la.
. Terceira – O cliente acha que entende de comunicação e começa a modificar o assunto: “ao invés dessa palavra, ponha....”; “aumente a assinatura”...; ‘. “diminua a ilustração”...; “o texto está muito grande...”; “acrescente......no texto.
. Quarta – O atendimento vai para a criação, layout todo rabiscado, e determina: “o cliente quer desse jeito.” A criação obedece. O anúncio fica com aquele cheirinho esquisito dos dedos da loira.
. Quinta – O cliente se lambuza, sem perceber a merda que lambeu.
( o cheiro da loura, do eloy simões)
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
os "publicitários torradeiras"

parábola, analogia, apologo?
"torrando a paciência", do sílvio lefévre, ao tratar sobre o four-fait das modernas torradeiras, acaba servindo para ilustrar bem a postura e o desempenho da maioria dos publicitários de hoje e que será desdobrada na série swamp advertising.
aliás, que tipo de torradeira, ou melhor publicitário você é? daquele no ponto? que passa do ponto? ou que nem chega ao ponto? encontre sua definição e depois encane ou desencane na sua voltagem.
p.s. há quem diga(entre outras coisas, abonáveis às avessas?) que torro a paciência de muita gente. deve ser porque ainda não queimei a minha resistência.
mas vamos ao sílvio:
" .... Os eletrodomésticos, hoje em dia, são altamente sofisticados, realizando as funções mais complexas ao simples toque de um botão, certo? Errado. A era digital começou em casa com os fornos de microondas, chegou aos telefones, talvez tenha chegado em parte às geladeiras e máquinas de lavar, mas certamente não chegou às torradeiras.
Estou falando daqueles aparelhos que existem desde a década de 50, em que a gente bota dois pães de forma para fazer torrada... e que hoje continuam a funcionar tão mal como os primeiros modelos de que tenho lembranças da minha infância naquela década...
Os problemas continuam sendo exatamente os mesmos: 1) no primeiro uso matinal da torradeira, o primeiro “casal” de pães tende a não torrar nada ou a queimar, nunca obedecendo à regulagem que fazemos; 2) na segunda tentativa, com a torradeira mais quente, também não obedecem à regulagem, quase sempre queimando os pães; 3) a cada nova tentativa é preciso adivinhar qual regulagem de tempo colocar, pois dependendo de quanto tempo se tenha deixado a torradeira desligada no intervalo, a temperatura dela já mudou e o tempo necessário para que a torrada fique no ponto desejado já não é o mesmo; 4) as torradas sempre torram mais de um lado que de outro, e mais em cima ou mais embaixo... jamais por igual; 5) por mais que os fabricantes prometam que é fácil retirar delas a torrada, eu me queimo a cada vez que tento tirar com a mão a torrada feita com aquele pão de forma sem casca, que tem tamanho menor... uso então do perigoso expediente de tirar a torrada com uma faca pontuda, arriscando-me a levar um choque elétrico e ter uma parada cardíaca...
Nos últimos tempos adquiri duas marcas de torradeiras nacionais, diferentes das várias que eu já conhecia, na esperança de que, finalmente, tivesse havido alguma evolução tecnológica neste departamento. Uma delas (Eletrolux) era tão ruim que simplesmente não torrava nada e a troquei na loja por uma Arno, que mais parece um brinquedo de criança, feito para fingir que torra, pois cada tentativa é uma verdadeira loteria. Até agora, cinco breakfasts depois desta última compra, não consegui comer uma torrada decente. Vou desligar os fios e dá-la para minha netinha brincar de cozinha.
Vou falar com meu amigo de infância, o cineasta Jorge Bodanzky, para ver se ele ainda tem em algum baú (ou museu) um exemplar de uma velha torradeira Faet dos anos 50, que era distribuída então por seu padrasto Ludi.
Nós dávamos risada da precariedade e da feiura daquela torradeira em que os pães ficavam presos em duas grades laterais e a gente via tudo que acontecia dentro... Mas era um espetáculo verdadeiramente cinematográfico: as resistências ficando avermelhadas, os pães escurecendo e, de repente, quando a gente via que já estava razoavelmente torrado do lado de fora e o cheirinho estava bom, desligava correndo da tomada, porque nem interruptor ela tinha. As resistências queimavam a toda hora e a gente trocava fácil, porque eram as mesmas dos chuveiros...
O resultado era bem melhor que o das torradeiras importadas que se tinha então, pois não havia outras no Brasil. E bem melhor do que essas torradeiras atuais, com seu design futurista, mas tecnologia do tempo das carroças.
Se alguma daquelas Faet tiver sobrevivido esses cinquenta anos ou mais, eu a recupero na hora. Sim, porque apesar de não ter testado todas as marcas que estão no mercado hoje, já cansei de jogar tempo e dinheiro fora.
Se outros fabricantes quiserem me mandar seus modelos em cortesia para teste, aceitarei de bom grado, mas com a condição de me darem liberdade ampla de crítica e bastante pão para eu queimar sem ter prejuízo. Aviso que não aceitarei subornos para testemunhar em falso sobre equipamentos de jeitão moderno mas tecnologia obsoleta. E prometo que se tiver alguma torradeira que passe nos testes eu a compro na hora e divulgo seu bom resultado. Confesso, contudo, que estou muito cético.
Este fato me levou a rever uma convicção que tinha até recentemente, segundo a qual, com a evolução da tecnologia, os problemas dos marqueteiros estavam concentrados nos dois últimos “P” do marketing, ou seja, na promoção (propaganda) e no preço (concorrência acirrada). Achava eu, ingenuamente, que o primeiro P, ou seja, o produto, era um fato consumado, no sentido de que todos os produtos ou quase que se divulgam hoje com marketing sofisticado seriam igualmente avançados.
Este exemplo das torradeiras me revelou, ao contrário, que uma “vestimenta” de marketing sofisticada, através de um design modernoso e descrições fantasiosas da performance de um produto, podem ser apenas um disfarce para encobrir um produto ruim ou envelhecido.
Acham, com certeza, os seus marqueteiros, que caprichando no outro P (praça), o que significa fazer uma distribuição maciça, passa desapercebida a péssima qualidade do produto. E, de fato, se o consumidor não tiver opções realmente boas para comparar, fica achando que os produtos são avançados e ele é que é um ignorante ou “analfabeto digital”, que não domina a tecnologia.
De minha parte eu posso garantir que, desde os primeiros momentos da informática, sou um apaixonado pela tecnologia e domino muito bem os hardwares e softwares bastante avançados. Que não me venham então torrar a paciência e dizer que eu é que estou obsoleto. Providenciem uma torradeira, ao menos uma, que seja realmente avançada e me permita tomar um café da manhã sem surpresas e sem sustos – e eu pararei imediatamente de torrar as suas paciências com este tema tão prosaico mas ao mesmo tempo tão revelador dos nossos tempos.
Em tempo, acabo de verificar que a marca Faet ainda existe e embora tenha tirado de linha aquela cinquentenária torradeira “do Ludi”, finalmente, depois de várias décadas sem oferta de torradeiras, acaba de lançar uma nova. Será que, com este tempo todo, os pioneiros evoluíram e conseguiram passar na frente dos concorrentes? Eu tenho minhas dúvidas, porque, pelo que vi no site, a nova Faet tem o mesmo jeitão modernoso, mas simplório, das outras que já testei e reprovei. E não vou pagar para testar mais essa. Prefiro comer pão amanhecido."
Now playing: Drive-By Truckers - The Three Great Alabama Icons via FoxyTunes
sábado, novembro 04, 2006
o que é que a norah jones tem a ver comigo, com você e com a propaganda que eu faço?(parte IV) ou tá faltando mais anos 80 na propaganda*
quando não se tenta fazer publicidade para publicitários – o maior erro desta geração que está aí - existe a possibilidade de produzir a boa idéia localmente quando ela é pensada para o meio e mercado em que se está(criação publicitária é usar a liberdade de voar entre quatro paredes, já afirmava o baiano com 40 quilos a menos) seja em qual meio for. na realidade só parte pra produzir fora quem quer fazer filmes como se faz lá fora. é uma questão cultural, obter o aval de qualidade da capital da província pelo uso dos meios, não das idéias. imaginem se os carnavalescos pensassem assim o que seria do nosso carnaval? pastiche de veneza? mardi grass de amargar de new orleans? ou, coisa mais parecida, a imitação portuguêsa do nosso carnaval,? onde a bunda faz falta e como para além das alegorias?
com isso não quero propor a renúncia dogmática a possibilidade de fazer produções filmadas fora. não se trata disso. trata-se de: ao buscar a solução do problema não fazer da solução um problema maior ainda, que é o acontece. e de afirmar sim, que é possível fazer propaganda de boa qualidade com os meios locais, evidentemente observando-se a relação custo benefício em seus limites.
região de criatividade ilimitada e riquíssima, na música, em figurinos, em cenários, em atores – ah! como fazem falta filmes com dialógos e atores, nada mais vendedor – agências e produtoras desprezam os exemplos do que fazem os grupos de teatro e folclore locais, que quase totalmente sem verba, fazem da criatividade o suporte de uma expressão que a broadway não saberia reproduzir(e tudo off broadway, of course) contudo, cabe uma ressalva para evitar a compreensão de que estou advogando que dá para fazer tudo com nada. mas que simplesmente não se deve deixar o lugar comum aflorar porque" não se tem verba pra fazer melhor".
o prazer de tocar, o prazer de fazer, o prazer de criar, é um prazer totalmente diferente de fazer para aparecer o que é completamente diferente de aparecer ao fazer.
pessoalmente, continuo acreditando que uma boa idéia – que não surge por acaso ou mágica e sim de muita sensibilidade e entendimento de propriedade( encostem a barriga no balcão e leiam menos archives) usada de forma ousada, pode ser produzida e finalizada num formato pocket(aliás, tem muito disco acústico tipo voz e violão nas paradas, e olhe que a qualidade nem é tanta assim) entre os grandes hits da propaganda brasileira, a maioria não é de produções milionárias, muito pelo contrário, os bordões que ficaram eram sobretudo de um texto sensivemente contudente, seja pela emoção, seja pelo humor, seja pela perspicácia da atitude, seja maneira de controlar o pedal(do piano).
como diria andrey ohama, o quase monge que em breve estará de volta à propaganda, faltam mais anos 80 na propaganda. e com isso, penso, ele queria dizer, que foi buscando saídas próprias, de acordo com a nossa cultura, e nossas possibilidades, locais, regionais, nacionais, que a propaganda brasileira atingiu a maioridade. e já neste tempo, falava-se que nossa produção era o nosso calcanhar de aquiles, calcanhar que mesmo assim marcou de letra tantas e tantas vezes, e bem melhor do que agora.
para mim, musica e propaganda, definitivamente, só se for sem seguranças, fila do gargarejo e a menos de três metros dos pés do piano. tal qual no show da norah jones.
tudo muito simples, mas tudo muito profissional.
agora se você quiser mesmo dar o groove, misture chiclete com banana. porque jackson do pandeiro e luiz gonzaga também estão no topo da minha lista muito antes de qualquer coisa.
** A BBH de Londres desenvolveu uma campanha mundial para o whisky Johnnie Walker, da Diageo. No comercial, um andróide deseja ser humano para saber o que é a subjetividade, e assim experimentar sentimentos como o amor e a angústia.
A ação alinha-se ao conceito de progresso humano proposto pela marca e sintetizado no slogan “Keep walking”. Toda a campanha foi elaborada com a participação direta do time de marketing brasileiro da marca, já que o Brasil acaba de se tornar o segundo maior mercado de Johnnie Walker em todo o mundo, atrás apenas da Grécia.
O filme envolveu efeitos especiais dignos de produções hollywoodianas. Seu diretor, Dante Ariola, usou no comercial as mesmas técnicas que empregou no longa-metragem Eu, Robô, estrelado por Will Smith. O designer do andróide, Christopher Glass, trabalhou no Código da Vinci, Homem Aranha 3, Hulk, entre outros.
A produção, na qual foram investidos cerca de US$ 2 milhões, demandou cinco meses de trabalho, uma semana para a construção do cenário e três dias de filmagens.
"Keep walking"
Agência: BBH de Londres
Anunciante: Diageo
Produto: Johnnie Walker
Redator: Justin Moore
Criação: Steve Robertson e Justin Moore
Direção de criação: John Hegarty
Direção de arte: Steve Robertson
Direção de cena: Dante Ariola
Designer: Christopher Glass
Produtora: MJZ
Finalização: The Mill
Aprovação/cliente: Peter Dee
***a mendes, de belém, comemorou em 25 de outubro, 45 anos de atividades com um histórico invejável, diga-se o que disser do mendes, que não é fácil(eu, por exemplo, só aguentei 15 dias) e da maneira como os prêmios foram conquistados(estou falando com você que valoriza muito prêmios, principalmente os farrapos de colunistas que você ganha, já que diz que os outros não dá nem para pensar neste mercado)
– A agência do Norte mais premiada no Festival de Cannes, sendo que um dos seus comerciais vencedores foi incluído na seleção dos Melhores da Década da BBC de Londres.
– Primeira agência brasileira premiada no Art Director`s Annual of New York, o mais famoso anuário do mundo da propaganda.
– Agência brasileira mais premiada no Creativity Annual, outra bíblia da publicidade mundial.
– A agência do Norte vencedora do Prêmio Jeca Tatu, concurso apoiado pela Academia Brasileira de Letras. Sua proposta: estimular o uso da linguagem e dos valores culturais brasileiros.
– Única agência regional a lançar produtos estrangeiros no mercado brasileiro: aviões Hirondelle (Fairchild Hiller, USA) e SuperJato BAe 246 (British Aerospace, Reino Unido) e cerveja Boreal (Cervecería Polar, Venezuela).
– Única agência fora de São Paulo eleita Agência do Ano do Brasil – Prêmio Caboré.
– Uma das nove agências brasileiras eleitas, há 18 anos consecutivos, as Melhores do Brasil – About The Hot Tops.
– Agência mais premiada do Norte e uma das mais premiadas do Brasil: 588 prêmios, sendo 168***** internacionais. Até ontem.
***** durante muito tempo a quarta agênciabrasileira mais premiada internacionalmente.




