quinta-feira, agosto 02, 2012

o pulo da besta

fundamentalmente um bom criador publicitário é aquele que desenvolve a capacidade de enxergar até onde vai o grau máximo da estupidez humana e passa a utilizar isso com um mínimo de inteligência em favor do que anuncia. chega a dar pena. mas o que acontece é justamente o em contrário ou seja: com um mínimo de inteligência avança sobre os brocados com o máximo de estupidez. e só o fato de ter de explicitar isto mostra a quantas anda a compreensão da sua inteligência.

sábado, julho 28, 2012

um pouco mais de carinho, e cuidado, com os mestres. aliás com todos.




independentemente do seu valor intrínseco, um homem que sempre trabalhou merece sem dúvida ser lembrado por algo mais que uma frase que, no meu entendimento suado, é pra lá de infeliz. principalmente quando potencializada a totem no contexto do business publicitário.


como já dizia o bardo, há que se ter cuidado com os epitáfios elogiosos e homenagens pós falecimento. na maioria das vezes só fazem depor contra o morto e ou apenas engrossam a vaidade dos vivos, dos muito vivos, principalmente.


feito o registro, digo que a primeira imagem de um publicitário que vi na vida não retratava nenhum glamour. queiroz investido em camisa social branca a arregaçar as mangas daquelas que recomenda o bom gosto careta nunca o devem, tal e qual, depois vi, como bill bernabach, outro mantenedor do look arregaçado, principalmente nas ideias. pano de fundo: porta pantográfica de elevador chinfrin. local da visão: edifício zigmunt katz. agência: lab/abaeté. endereço: rua da aurora. quando? começo dos anos 70. 
e também lá estavam schettini( o pai psicólogo/publicitário do filho psicólogo, pressuponho),o erly, endiabrado mídia vindo da lab são paulo e, complementando a comissão de frente, um tal de ernesto na direção de criação, que disto não sabia, genro do queiroz, muito mais para o arnesto do adoniran.  uns "meninos do banorte", ao que parecem irmãos, um deles o israel wanderley, completavam o time da criação para o qual fui indicado  por obra e graça da minha inquietude estudantil. 


se tudo é comunicação, como diz umberto eco, aquele gesto de arregaçar as mangas, quer seja tomado como simbolo, ícone, índice, sinal, como queiram os da semiótica de arrasto,  não importa se significante de uma verdade ou não, para mim o foi. teve peso. solava as representações dândi a que costumamos relacionar os da atividade. e fazia do gesto uma marca de quem não se fia neste clube de amigos dos 50%.


assim, o que ficou para mim indelevelmente foi: trabalhe. trabalhe a 100%. se puder, trabalhe mais. pois esta é uma atividade onde os amigos que hoje lhe parecem dividir meio a meio tudo com você, serão os mesmos que lhe darão as costas por 5% a mais, muitas vezes até por menos do que isso. 


uma visão da atividade amarga e inoportuna para o momento? talvez. mas é a mesma que todos vivemos, queiroz* inclusive. então deixemo-nos de tretas e façamos nós o nosso próprio trabalho de arregaçar as mangas por inteiro sem esperar pelos amigos. pois quem espera que os amigos o façam, amigo não é.


* o chamei de queiroz, desde então, e nenhum desrespeito havia nisto. muito pelo contrário. colocar um seu, senhor ou doutor na frente de um nome, é fraudar o mérito próprio do nome dado ou construído, desrespeitoso por demasia, ao contrário do pensam os que engrossam a prática do desvio. 




segunda-feira, julho 23, 2012

de putas e publicitários ou as ditas cujas parecenças

publicitários e putas tem muito e mais em comum do que podem pensar certos pensamentos sórdidos que não passam disto.


ambos são prestadores de serviços. o que é sempre, em qualquer atividade, uma tarefa muito complicada. sempre cheia de frustrações na maioria dos casos, significando trabalho duro e parcamente remunerado, quiçá compreendido, apesar das exceções que impigem o contrário. e quase nunca obtendo orgasmo perfeito, apesar do seu arcabouço, fingido ou não, o configurar.


porém há uma diferença, putas para dar cabo do seu trabalho tem de imperiosamente abrir as pernas, ficar de quatro ou engolir sacos. já o publicitário não. ele tem sempre a opção de não fazer nada disto. se o faz, é porque está na profissão errada. e não adianta descambar com deslumbramentos para o lado das putas, porque lá amadores não tem vez, sequer para limpar penicos quanto mais para um lambe-cus.

quarta-feira, julho 18, 2012

a volta dos que não foram

uma das coisas que lamento, e nem é por saudosismo sachê, é o  fim da direção de arte na propaganda, esteja ela no meio "digital ou analógico". ora direis ouvir estrelas, mas a direção de arte não acabou. "waaal" eu nem vou contrapor que depende do que você entende por direção de arte. 


sei que conto nos dedos quem possa chamar de diretor de arte hoje em dia. como vou chamar de diretor de arte um cara que faz curso de publicidade( o que para mim já depoe contra, seja onde for, e que mal acabado - não poderia sair bem acabado nunca! - de sair da faculdade, trabalhando em agências de terceira linha, e querendo me enfiar goela a dentro um cartão onde se lê art director sênior? não dá. nem com sal de andrews.


diretor de arte tipográfico então? já se vai longe o tempo em que miran e, salvo engano, um diretor de arte da mpm da rua mariana, botafogo, rio de janeiro, eram os únicos brasileiros pertencentes ao clube de diretores de arte tipográficos de nova iorque. clube que não dava moleza nem cartão de apresentação a qualquer um, como conhecemos vários, molecagem que já chegou ao ccsp e que no ccpe merece crédito até peido de bundão.


sei que já trabalhei com alguns diretores de arte com essência e na essência da palavra. e pasmo, constato, o que na época nem dava assim tanta importância, contava com o suporte de produtores gráficos e, pasmo outra vez, tipográficos. tempos em que mandávamos os estagiários irem atrás de meio quilo de retícula em pó. e eles iam. e entre ir e voltar, fazíamos a peneira.


nos recuerdos de minha formação ficou a lição. caligrafia e tipografia. um diretor de arte que não é versado nisto, não deveria se atrever a ser diretor de nada no universo da propaganda.


mas não vou mais tergiversar com as memórias. acessem :
http://zupi.com.br/caligrafia-de-sergey-shapiro/
e chorem se ainda tiverem alguma sensibilidade(ou desdenhem pela mais absoluta mediocridade do que tem em, ou nas, mãos). 

quarta-feira, julho 11, 2012

e se fosse de verdade?

genial, dizem alguns - aquela salgalhada de publicitários que padecem de colonialismo funcional e que de tanta ejaculação precoce já tem verrugas ao pé do tesão.


os entendidos, dizem que boa, a peça até é. mas que não é real. no real o efeito difuso da luz teria outra forma ou não a deixaria tão perfeita.


não se diz que sim, não se diz que não. não há provas da realidade e as referências não o confirmam. mas também não a provas do fantasma - aliás, quando o fantasma é bom, é fantasma, pois não? não deixa rastros, deixa marcas(ih! mas isto é copy de anúncio antigo). caso deste aqui?


contudo, há que se frisar uma coisa: todo fantasma se acha esperto, quando não genial. e quanto mais fake, mais micho. este, pelo menos, é uma ideia a ser considerada. se difusa a luz, perde o brilho, mas que se o faça impresso. teria ainda luminosidade maior que a maioria dos fantasmas e um sol para a realidade nublada dos reais.


ah! o outdoor é para o mcdonald´s. não é que eu esteja subestimando a sua perspicácia e ou inteligência caro leitor. mas isso aqui, embora raramente, é lido por publicitários. e quando se fala com publicitários, sabe como é: tem-se de usar os mesmos códigos que facilitam a vida dos analfabetos funcionais, apesar de não haver quase nada escrito. assim é a vida com a nova geração que está no poder - ou seria a nos foder?



terça-feira, julho 10, 2012

derivações no facebook ou quando o assunto é propaganda

Uma das coisas mais chatas que existe é publicitário reclamão, incompreendido, gênio frustrado e que adora falar mal da profissão. Eu adoro o que faço. Poucos empregos me permitiriam conviver em ambientes vivos, com pessoas divertidas e ainda ser pago por isso. A questão é que alguns PUBLICITÁRIOS confudem o trabalho com arte e para mim, foi e sempre será trabalho duro, garimpando qualidade e oportunidades em meio a razões sem sentido, briefings ralos e prazos insanos. Sendo assim, se você reclama do seu trabalho, acha que seu potencial não é plenamente utilizado ou coisa que o valha, meu querido ou querida, saia do mercado, vá escrever seu livro, pintar seu quadro ou ficar em casa tomando leite com pera(Cristiano Souza).



  • Celso Muniz o problema maior não é confundir trabalho com arte. é confundir trabalho com emprego;) ou seria vice-versa?
    19/6 às 19:10 · 


  • Cristiano Souza Se o problema fosse só semântico, Celso, era fácil de resolver.
    21/6 às 10:00 · 


  • Celso Muniz pois é cristiano: só que neste caso a semântica não está nas estantes, nem nas teses. está nas práticas diárias do comportamento antiprofissional em tudo. a começar da postura de nao encarar agência como um local de trabalho duríssimo - não custa lembrar que era a profissão que mais matava no mundo, segundo a oms(agora deve matar de tédio) - quer moleza? há cargos de vida mansa em pedreiras ora, pois,pois - e sim, a troca da noção de trabalho pela de emprego(cabides inclusos) na mais rasa correspondência ao caricato do emprego público(horas a mais nas redes, e de menos tentando pegar a pequena idéia que seja com o puçá)(até o truque do paletó sobre a cadeira é copiado com o blazer da zara ou o moleton da(escolham a griffe) isso é fato. não me julgo reclamão, porque sou burro de carga. nem incompreendido, porque sempre fui muito claro nos meus erros e acertos. e nunca me frustei, porque o meu gênio gostava de conviver com restos de lâmpadas queimadas nas madrugadas tentando acender algo mais que as idéias mediocres. agora, quando você começa ser destestado - entre outras coisas, of course - porque gosta de trabalhar, é porque a semântica chegou de vez para lhe fuder o emprego. no caso destes que falamos é o emprego que chegou para fuder o trabalho.
    21/6 às 10:18 · 


  • Cristiano Souza É verdade, Celso. Sua conclusão é perfeita como sempre. E diante dela, o que podemos fazer? O relógio não volta. E mesmo se voltasse, eu não gostaria. A questão é: O que podemos fazer com tudo que aprendemos? Jogar na vala-comum da irrelevância? Ou mesmo, simplesmente deixar para lá? Podemos retransformar muita coisa ainda. Eu ouvi uma vez que, por não entender o novo, comecei a endeusar o antigo. Bem, entendi o novo e ele continua sendo superficial e descartável. Meu trabalho é criar desejo nas pessoas e não fazer videocases fake para divulgar uma ótima ideia, que ninguém vai ver. Tenho um compromisso com minha devoção, que é a comunicação. Pode parecer utópico, mas a revolução ainda está acontecendo, não vamos desistir dela. Vamos pegar as rédeas, tira-las das mãos dos vaselinas, dos preguiçosos e dos que acham que comunicação é algo menor. E se, no meio do caminho, formos odiados, que seja. O objetivo é maior.


    Celso Muniz bem cristiano, não sei se sou a pessoa mais sensata e capaz de responder a meta-pergunta com um instrumental mais amplo do que a minha visão que dizem ser suicida do negócio. sou um publicitário típico dos anos 70. quando a formação e os objetivos eram outros. saido do jornalismo - que criticava tanto a publicidade mas era capaz de engendros piores do que os dela - fui para a publicidade porque disseram que eu era bom tituleiro: aquele cara que fecha as matérias junto com o diagramador que vai pedindo: duas linhas, dezoito toques, tres linhas, 12 toques, sem margem de errro, e assim por diante (sem computador para encaixar titulos nos espaços) nas madrugadas, tempo em que os jornais de domingo, saiam aos domingos - fotolito, composição em linotipo e tudo o mais - fazia os títulos de todas as secções, economia, policia, política,cidade, e até os da primeira página, já que era secretário de redação. com o vê, a atração pelas madrugadas já estava nas veias. como escrevi alguns artigos chamando governadores de assassinos(ronaldo cunha lima),secretários de segurança de medíocres, fiquei sem emprego;) e quando descobri que a publicidade pagava até 100 vezes o que ganhava, lá fui eu ser um redator publicitário de segundo time - aquele que cobre o primeiro mas ganha um terço do que eles ganhavam, e tem seu nome na ficha de inscrição para cannes retirado estrategicamente. bom, mas isso são só detalhes. 



    nestes tempos, havia um compromisso menos intelectual e diria mais emocional com o fazer bem feito. éramos crianças saindo do patinete para brincar com aviões. faziamos duas três campanhas numa só noite só para competir internamente - o que era ótimo para a agência e cliente, apesar de algumas voos acima do teto(verba e pertinência;) - e éramos felizes. havia sacanagens, má gente, intrigas? sim, mas o saldo do trabalho era tão bom que isso era o de menos. voltando ao tema, do que aprendemos quando as agências se tornaram modelos de negócio capitalistas saindo da esfera da superestrutura(de pensar os bordões do sistema) para a função imediatista da caixa registradora, de repente, não mais do que de repente, descobriu-se que propaganda dava dinheiro, e muito, e mole, se comparado com outros negócios - com uma sobretaxa que gerou episódios burlescos e grotescos. depois os clientes descobriram que aquele luxo todo era pago por eles ao tempo em que as novas gerações formadas em faculdades chegavam para standartizar o pensamento(todos formatados e não formados). formados eram os do departamento de criação ou do atendimento, que antes sabia seu lugar. gente de letras, sociologia, escultura, química, matemática, física, arquitetura, politica, biblioteconomia, arquitetura e o que mais você pensar. iconoclastas por natureza, que não se adaptaram as suas profissões(sim médicos e engenheiros, muitos, também)que chegaram à praia da publicidade nadando em todos os estilos, portanto geradores de pensamento diferenciado, porra-louca até, porém bem fundamentado. a weeltanschauung (a visão de mundo) era ampla, o conceito de liberdade que por um lado ainda era herança frustada dos hippies estava no lead do liberdade é uma calça azul,velha e desbotada( enquanto hoje é calça jeans levanta bum-bum, com leiautes pum pum). eu, por exemplo, anos 80, atendia o banco nacional, e lá  os jingles eram feitos por zé rodrix, sá e guarabira. minhas vinhetinhas arranjadas pelo maestro cipó e erlon chaves( hoje um zé mané de teclado comprado no shopping tacaruna faz ou nem isso, pega-se um programa e pronto(trilionésima versão do mais do mesmo) ou seja: excetuando-se a mais rombuda obtusidade ou mediocridade e até uma certa burrice, você estava amparado por um corpo e cabeças que tinham qualidade inata e inquestionável e que não deixavam você comer ou fazer merda.

    lá pelos anos 90 a fonte começou a secar ainda mais( de talentos e verbas) houve a a ascenção do blefe do planejamento como canivete suiço no lugar dos samurai. e entraram em cena as grandes corporações transformando as já transformadas agências em caixas registradores em cartões de crédito consignado. ai fudeu tudo. acabou-se o domínio da ideia como produto de venda. o que se vende agora é solução sem ideia. aliás, quando menos ideia melhor. ideia só atrapalha o esquema do planejamento estratégico que é o homem - ou a mulher do tarot - que faz previsões de tudo, e como a mulher do tarot ou sahara de iemanjá, erra noventa por cento do que prediz. 


    parecia haver esperança com a criação das hot-shops, pequenas agências com potencial criativo ilimitado, impulsionadas pela atmosfera do modismo de plantão: o pensamento de guerrilha. só que as hot-shops, incialmente criadas por talentosos publicitários insatisfeitos com os rumos e muros de alumínio e vidro, onde a ideia padecia de inanição - nem água de coco podia tomar, só suplementos e aquelas coisas que dizem ter menos h20 e muito h - fizeram também as hot, moeda de troca, para voltar as estruturas grandiosas como diretores associados. era chique um conglomerado adquirir um agência dita criativa para informar ao mercado que estava investindo aguerridamente na criação(mccann fez isto com a sra. rushmore, menos mal, e aqui no brasil, com a já debilitada w/brasil, um cu de resultados: mudou alguma coisa criativamente?). assim sendo,o quadro não apresenta muitas saídas, já que a competência profissional real não é reconhecida nem assim remunerada. e o que é pior: se você tem o mínimo senso profissional vai ficar encalacrado porque se disser a verdade, perde o cliente, porque foi metido, desrespeitoso, em suma, não lambeu o cu do diretor de marketing tosco ou da estagiária amante do vice presidente. não vejo muita solução, ainda mais num mercado como o nosso, onde, para piorar, todo mundo se acha publicitário - até dono de agência - e publicitário muito bom, o que nos fode mais ainda. 

    por estas e outras, dada a minha total incapacidade de mentir além e dentro da conta, declarei-me incompetente para o ofício de então, muito embora, ironicamente, tenha criado alguns projetos que decolaram imediatamente por conta de serem criativos e verdadeiros, e feito com gente que estava na merda. acontece que o sujeito está na merda, implorando por uma oportunidade, e quando ela chega, ele te abençoa aos céus e diz que dinheiro não importa. que o que importa é estar agora tabalhando e fazendo um bom trabalho. o dinheiro começa a entrar, e o cara que vivia com uns frilás que mal davam mil reais por mês - e passou a ganhar 3,5,8, - começa a se esquecer da dureza e começa a se transformar em consumidor ensandecido. o corsa que lhe cabia agora tem de ser um civic, e por ai vai. por conta disto, começa a brigar -eu admito, escolhi sempre péssimamente os meus sócios - por fazer concessões para manter o faturamento quando faturamento chegou até ali justamente por não fazer concessões. então é como diz o ditado português: é a pescadinha com o rabo na boca ou seja o peixe que come o próprio rabo, neste caso come a própria cabeça com o rabo. para mim, o fato concreto é que sem um bom caráter por trás do profissional ele desanda tudo. há caras que são bons no que fazem mas péssimos de caráter e formação, que são capazes de vender a mãe e passar recibo. e fazem isto para com os clientes, que obviamente não são burros e passam a perceber que gente assim não é confiável e facilmente descartável porque há mais de cem lá fora querendo vender a mãe, a cunhada e irmã caçula, por um preço mais baixo ainda. eis o retrato mal tirado da nossa profissão atualmente. estagiário, posando de diretor de arte com tres meses de agência, se diz sênior com seis(antes levava-se no mínimo uns oito anos para diretor de arte, e cinco para redator poder dizer que eram sêniores e ainda assim a agência travava muita gente-por conta de salário também) nerds que se dizem diretores de novas tecnologias, geeks que gerenciam departamentos digitais, que sabem fazer aquelas pantomimas que nos deixam a nós mais velhos com cara de ultrapassados mas não pecebem nada de gente, que é a grande questão alvo do nosso trabalho. as pessoas se esqueceram que por trás de números,infográficos, redes e toda aquela chanchada toda de nomes em inglês(sim, com tem nome em inglês agora para denominar os mesmos bull shits de sempre) há gente que peida, caga, sofre, ri, chora, à toa ou de verdade, com bons ou maus valores, mas que enfim é o velho ser ser humano de sempre que ainda é movido por emoção. e emoção e identificação profunda e não descartável a serviço da comunicação de marketing de marcas, só se consegue gerar com ideias e nunca com tecnologia(ainda não somos robôs). 

    enfim, todo o problema atual é que perdemos os parâmetros. não só estéticos e de grandezas realmente maiores mais sobretudo de um termo - que me falta agora - que traduz bem esta situação. o termo caracteriza a situação em que você perde de vista o objetivo maior da vida para se concentrar nos excessos de posses que te dão a ilusão de estar aproveitando a vida melhor(muito marxista isto não?) ou seja, quando você tem, por exemplo, um bom automóvel, ou casa vá lá que seja, conseguido pelo bom trabalho que fez, e se permite fazer merda para ter dois carros ou uma casa maior ainda quando você já tem espaço sobrando na sua. eu, decididamente, não vou além da minha conta. deve ser porque tenho um pensamento medíocre - não sou o gênio que anuncia a agência revolucionária do recife, como a bam bam das novas tecnologias de rede e comunicação de nicho e das idéias diferenciadas( porque dizem, o mercado mudou e anúncio é coisa de quem não sabe inovar - isto em duas páginas em jornal de domingo - do diretor de criação que prediz o short list de cannnes, que tem peças selecionadas para anuários de causas nobres - eu já acho um filho da puta o cara que faz anúncio para as crianças que perderam pernas e braços em angola por conta das minas só para ganhar leão dizendo que não(para que inscreve então)? e sim, ao fim ao cabo faz um anúncio de 1/4 de página para a rede globo nordeste(outra pulhice de comunicação institucional de péssima qualidade - pra quem um dia teve a agência da casa -) mas tão fedorento, tão fedorento, de leiaute, de texto, de tudo, que até o meu gato desistiu de cagar em cima(os gatos são animais extremamente limpos você sabe). então, quem sou eu para me meter a cavalo do cão se sigo os passos do meus gatos e tento me manter longe da catinga.? não sou joana d´arc sem fogueiras. já briguei muito - nunca por privilégios para mim e sim para minha equipe - peitei clientes para o bem deles e para o bem da agência. e como reconhecimento consegui ser detestado por todas as partes. então, como não faço a linha coitadinho, nem capitulei ,fui cuidar de outras roças onde bosta tem a função de fazer crescer flores que cheiram bem ou capim que dá caldo. recaídas são de quando em vez cometo a besteira de atordoar os pacientes, e os intermitentes, com tijolos iguais a este. e ai, levo na cabeça de novo. bem feito por querer ser mais book do que face.

domingo, julho 08, 2012

palavras do presidente



• A publicidade é a mola de uma máquina.
 
• Eu não faço propaganda de cigarro.
 
• Eu nunca atendi uma conta do governo. É possível viver apenas de iniciativa privada.
 
• Minha empresa é conhecida pelo trabalho que faz e não pelas relações que estabelece.
 
• Tocava 8 horas de violão clássico por dia, pois achava que ia ser músico.
 
• A minha geração é da engenharia. Todos os meus amigos são engenheiros.
 
• Crise é aquela oportunidade que você tem para chorar ou para vender lenço. Você escolhe.
 
• Eu tenho notado que a qualidade técnica das pessoas não é mais a mesma.
 
• As pessoas não estão indo a fundo nas coisas, só horizontalmente.
 
• A publicidade americana é igual à linha de montagem. A inglesa é o ourives.
 
• Caro é aquilo pelo qual as pessoas não querem pagar.

alexandre gama, chief creative officer mundial da bbh.

terça-feira, julho 03, 2012

lagartixa da cabeça ao rabo

bodoque, badoque, badogue, até que vai. não é original mas vai. vá lá que seja denominação politicamente engajada na inclusão cultural do mangue besta. agora badoquy?!pois. estamos tramados cada vez mais. isso é que é uma grande sacada de diferenciação no naming de uma agência que se diz de comunicação e promobrand? depois reclamam do karne keijo, acabando por dar razão a múmia do rabelo aldo,

não dá para engolir nem levando como brincadeira de publicitário moderninho ou que assim se quer visto. não? então tá. devo concluir entendendo que temos mais uma agência atiradeira. e por falar nisso, como é mesmo o nome daquela outra, anágua? 

do jeito que a coisa vai, não me espanta se surgir uma agência assumidamente autotitulada cretina: creativity+retina&creolina ou qualquer outra coisa que tente encobrir merda.

o despudor da modernidade em criação de nomes atualmente é de empalar qualquer almanaque de horóscopo.

segunda-feira, julho 02, 2012

curto e grosso

Texto ruim fere as mucosas intestinais do espírito. Provoca depressão pós Nada. Elimina a esperança. Enche o saco. Ney Duclos.

sexta-feira, junho 29, 2012

para os vivos que não morrem

Nenhum bom escritor morre. É assim na ficção científica, no jornalismo, na literatura, na poesia, na música. É assim na publicidade, no design, no branding. Continuam a concorrer connosco e a influenciar a nossa escrita.

Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, Leão Tolstoi, Flaubert, Baudelaire, Edgar Allan Poe, Dante, Philip K. Dick, Shakespeare, Kafka, Lord Byron, Chekhov, Truman Capote, Claude Hopkins, David Ogilvy.

Todos eles estão mortos e enterrados, mas a sua escrita continua a pairar sobre nós como os space invaders.

Sempre que escrevemos, temos que tentar superá-los. Nesta frase de abertura, neste raciocínio, no tema, no ritmo, no pensamento, nas histórias... É uma competição interna. Harold Bloom falava da “ansiedade da influência” que pendia sobre os novos poetas (“se não acrescento nada a Shakespeare, para quê gastar papel?...”).

Mas não são necessariamente concorrentes. Podemos vê-los antes como “writing coachs”: pessoas tão extraordinárias que, mesmo depois de mortas, nos ajudam a escrever melhor.

É nesta dinâmica que reside o virtuosismo: inspirarmo-nos nos grandes para tentar escrever melhor do que eles. Podemos não conseguir, mas não podemos não tentar.

Quando se escreve para marcas tem de se assinar um compromisso com a originalidade.

A escrita é filha do pensamento. Se não produzimos pensamento novo, resta-nos o “control C”. E não é isso que se espera de um escritor de marcas, um copywriter, um brand voicer.

Não queremos ser como um personagem de um filme de Fellini que, depois de refletir longamente sobre a condição humana, concluiu “mas tudo isto já foi escrito antes... ... ... e melhor”.

A grande questão que nos devemos colocar é: se não temos nada de novo para escrever, será que devemos escrever?...


(os mortos também correm, do ricardo miranda - brand voice concept creator na brandia central ou que raios isto seja). 

p.s. misterwalk diz que tem enormes restrições e desconfiança em relação a publicitários que utilizam reticências


quarta-feira, junho 27, 2012

aos que mentem verdades e para os que verdadeiramente mentem

" a área da propaganda e das relações públicas e, hoje em dia,a intimamente ligada área da política estão repletos de exemplos tão consumados de falar merda que podem servir como os paradigmas mais inquestionáveis e clássicos do conceito"

" a falta de um nexo significativo entre as opiniões de uma pessoa e sua apreensão da realidade vai tornar-se ainda mais grave"

"quem para de acreditar na possibilidade de identificar certas afirmações como verdadeiras e outras como falsas tem apenas duas opções. a primeira seria abrir mão de dizer a verdade e de enganar. isto significa abster-se de proferir qualquer afirmação sobre os fatos. a segunda opção seria continuar fazendo afirmações que pretendessem descrever o modo como as coisas são, mas isso não seria outra coisa senão falar merda".

" em vez de buscar chegar primeiramente a representações precisas do mundo comum, o indivíduo se volta na tentativa de oferecer representações honestas de sí".

" é esta falta de preocupação com a verdade - esta indiferença em relação ao modo como as coisas realmente são - que considero a essência do falar merda".

" em virtude disso, falar merda é um inimigo muito pior da verdade do que mentir".

excertos de sobre falar merda, de harry g. frankfurt(que não é da escola de frankfurt;), com tradução de ricardo gomes santana pela editora intrínseca.


p.s. misterwalk se autocritica replicando que sobre o falar merda seria esta sua contribuição fecal?

domingo, junho 24, 2012

baterias moura: a falta de carga de uma agência com ideia arriada





o comercial das baterias moura, criado pela ampla, é um bom exemplo do arranque de chupeta que se tornou a criação publicitária num mercado que tem mais prêmio que ideia e onde o pensamento premiado equivale em carga ao cerebro sucateado dos desempregados, o que não tira o mérito, muito pelo contrário, dos últimos.

a ideia "criativa" é mostar a superioridade de desempenho( e vá lá durabilidade) - digamos carga capacitiva - das baterias moura em relação a outras. para isso faz-se a comparação entre o instrumento bateria, e uma bateria de escola de samba, o que já desde o começo mostra que a bateria dos criadores da agência - e ela como um todo, e o cliente - estão com os polos invertidos e o que curtiram aprovar está em curto. primeiro, porque fazem a comparação entre duas grandezas diferentes, ou seja, não é uma relação bateria x bateria, é uma relação onde, sei vão dizer, a licença publicitária busca o paroxismo como forma de superiorizar a marca moura. ou seja: dane-se a pertinência, porque a carga criadora da agência não consegue estabelecer nexo e conexos com alguma faísca de talento ha hora do contato. ora, tal comparação é tal e qual comparar baterias com capacidade voltáica e amperagem de unidades distintas, ou seja a bota não bate com a perdigota. e isto é agravado pelo fato de termos uma representação naturalista - não sei se eles sabem o que é isto -  e não um deus ex machina ou non sense onde as incoerências fazem parte da hipertrofia criativa. aliás, se era para seguir a linha do paroxismo e das comparações descontextualizadas de pertinência, muito melhor como figura de persuasão era inversão dos polos de ambos os lados: ou seja, a bateria, o instrumento, ter muito mais beat e pegada que toda uma bateria de escola de samba. mas para se chegar a isto, é preciso pensar - e navegar menos na rede e celular - e ter um diretor de criação que não use as baquetas como cotonetes e ou supositórios nas horas vagas.

como se não bastasse a fraqueza da carga criativa, a produção do comercial tem o brilho de uma vela: é pobre em tudo. aquela coisa - feita do jeito que foi feita - ultrapassada, mal ajambrada, ambientado em estúdio, fundo infinito, figurinos, direção de imagens e montagens. em suma: é um comercial de bateria cristalizado que não tem arranque nem tração e que mostra o estacionarismo da ideia para vender baterias que se quer a frente na largada mas não dá nem para a partida.


isto posto, não se espera que tais criativos tenham uma conhecimento do que seja ideia força de uma bateria como aqui falamos - nem o cliente, nem seu marketing, ah! estes diretores de marketing que só tem força quando reprovam o que presta e aprovam o que não presta - por isso nem vamos citar os clássicos, como por exemplo, billy cobham ou terry bozio, ginger baker, john bonham, neil peart, e dezenas de outros - cabe até o cavalera -  mas deixar links do que é ideia de uma bateria que temos certeza a moura gostaria de ser em qualquer comercial se assim fosse na vida real. 



http://youtu.be/GHkucr1jJpQ  
http://youtu.be/GNP1Ujd2mTI  
http://youtu.be/AG1ASj7Yh4I
http://youtu.be/QbMlHAFZXx0   
http://youtu.be/W3QFNNk3tgI 
http://youtu.be/ppB4x0sFVL8 
http://youtu.be/zIZT5jpYEPg 
http://youtu.be/gK1W89cMskY 


1º link, bateria indicada para carros tunados de gente metida a besta;
2º link, bateria indicada para carros de mulher que, não sejam metidas a besta;
3º link, bateria indicada para quem tem jipes, que não sejam metidos a besta; 
4° link, bateria indicada para carros clássicos, que não sejam metidos a besta; 
5º link, bateria indicada para carros vintage, que não sejam metidos a besta; 
6º link, bateria indicada para carros 1.0 flex, que não sejam metidos a besta; 
7° link, bateria indicada para buggies, bajas e afins, que não sejam metidos a besta;
8º link, bateria indicada para publicitários que andam fora do ritmo(atentem para o detalhe do filtro, de ar? não sua besta d´água)

e como agora tudo é participativo e compartilhado, deixo a você leitor a procura de bateria para o seu.

in tempo: ainda quando em rough, antes de certificar-mo-nos da autoria da campanha - escapuliu o publicar antes de guardar, e lá se foi um registro de  post no ar como se a campanha fosse criação da agência grupo nove. portanto, ao digitar no google, assim aparecerá. mas não é o que parece, para todos.

quinta-feira, junho 21, 2012

excertos do facebook - neste caso mais book do que face

Foto: Um meio ou uma desculpa
De qual lado você está? Seja sincero 


esta é a razão porque a publicidade piorou tanto(apenas um dos exemplos de profissão que se tornou menor) porque agora existem sábados, domingos, feriados -e imprensados - e o politicamente correto fim do horário do expediente(menos para os shoppings)decretaram a morte do workaholic, que era conditio sine qua non para se atingir algum brilho no trabalho - como se não houvesse prazer em fazer um trabalho bem feito. e isto num momento de crise, onde existem centenas de agências e milhares de ovos publicitários a eclodir( como obter diferenciação em ritmo de valsa?) dizem agora que não se pode fazer boa propaganda se não houver "vida pessoal", que ir além do horário não passa de exploração. pode até ser. mas, caramba! se sempre houve vida inteligente na atividade, devo entender que a batida do ponto reduziu o beat à mediocridade. a maior parte da minha geração, nunca deixou de fazer nada do que quisesse por conta de dias e dias, semanas, meses, anos, décadas, enfronhado no trabalho. muito pelo contrário. eu, por exemplo, cansei de sair às 22 horas para ir ver o super-bock super- rock, e voltava para agência para terminar o trabalho cheio de gás até o dia amanhecer (e quando saia voltava para agência ainda de manhã). fazia pelo prazer de tentar fazer o melhor. se o melhor não conseguia, a culpa não era da falta de dedicação - ou do excesso. era do talento que não se mostrava à altura da empreitada. mas, se não podia polir as pedras, nunca tive desculpas para não quebrá-las. ninguém me obrigou a nada. mas o principal: nunca obriguei os clientes, internos e externos, a engolir pedregulhos que não tivessem sido exaustivamente e criteriosamente trabalhados. se realizei meu sonho? bom meu sonho não era ser o "fodão do bairro do peixoto". era ser um operário da criação que não tivesse vergonha do que estava fazendo e, principalmente de obter prazer de o estar fazendo. durante muito tempo consegui. hoje mais não: parei pela mentalidade instaurada da falta dedicação ao trabalho - a dedicação para fazer ghosts para premiações ao que parece continua -  e da visão funcionalista que impera( o tal pragmatismo da idéia em esteira de produção)não por falta de emprego. não tenho saudades. apenas ânsias de trabalho que logo passam quando vejo as pedreiras que para o mercado não passam de cisco nos olhos. sabe como é, com a idade vem os óculos, e aí, ao contrário do que pode parecer, passamos a enxergar ainda mais porque a visão seletiva - se não deteriorou - aprimorou-se.
( comentário ao post de josé eduardo storino)

sexta-feira, junho 08, 2012

nem o sebrae dá jeito



"O foco do pequeno comércio é o próprio umbigo. Caixa conversa com balconista, fornecedor atropela cliente, empecilhos em compras com cartão."

"O cliente atrapalha o pequeno comércio quando exije atenção em vez de apenas deixar o dinheiro sem levar nada."

(tuits do nei duclós) 

(e depois é a tal coisa, reclamam quando vão a falência. o danado é que mesmo fazendo tudo isto, muitos negócios ainda dão certo. mesmo como custo brasil. é um "case de marketing" a estudar)

quinta-feira, junho 07, 2012

os dois lados da moeda(até agora vimos o falso)

Em mais um vídeo do projeto Criaticidades, o consultor britânico Charles Landry compara a criatividade ao ouro, ao aço, a uma moeda, como um ativo invisível, mas que precisa se tornar realidade para gerar resultados.

segunda-feira, maio 28, 2012

um mundo tal e qual como o nosso é



1 – Duas realidades à distância de um click

O mundo online é o sonho de qualquer mente criativa. Não se paga media e não depende tanto de custos de produção. Uma boa ideia circula. É comentada. Partilhada. Admirada. O sucesso da ideia é mensurável, quantitativa e qualitativamente.
O mundo online é o pesadelo de qualquer mente criativa. Uma má ideia é deixada ao abandono e estará ali sempre, aos seus olhos. Parada e sem forma de a fazer mexer. Deixou de haver o conforto da passividade que antes era tão criticada. Não existe aqui ambiguidade.

O mundo online é o sonho de qualquer mente criativa. Onde a publicidade se transformou em entretenimento puro: um conteúdo. Onde barreiras clássicas de comunicação caíram. Onde eventos se tornam  anúncios e por aí fora…
O mundo online é o pesadelo de qualquer mente criativa. Tem que dividir a atenção da sua audiência com anúncios do intervalo da Super Bowl, um gato com três orelhas, um medo que não assiste ou o trailer do novo Batman. A fasquia está mais elevada que nunca.

2 – Vai ter que fazer click

Há uma pergunta simples que qualquer criador de conteúdo se deve fazer: esta ideia é partilhável? As pistas são simples de tão complexas que são.
Porque é de emoção que se trata: tem que suscitar admiração, divertimento, desconforto, e por aí fora. Não há tempo nem espaço para alimentarmos algo que não nos emocione.
Porque é de individualidade que se trata. A experiência online é antes de mais a expressão da individualidade. Qualquer conteúdo deve ter isso em conta: identificação, aspiração, partilha de causa (...). Para alguém se tornar media de um conteúdo, esse conteúdo deve fazer algo por ele (win win clássico).
Porque é de novidade que se trata. Ninguém gosta daquilo que se parece a outra coisa. Nem para ver nem para partilhar. É uma perda de tempo. Uma oportunidade perdida de entretenimento. Boring.
Porque é de contágio que se trata. De saber o que todos têm a ganhar com o conteúdo ou, por outro lado, de saber o que unem pessoas a outras no mundo online (bem diferente do mundo real). Quem não gosta de ser portador de boas notícias ou de alimentar a sua rede?

Conclusão: na sua essência, tudo continua igual na comunicação; com 3 diferenças: hoje a sentença está mesmo ali à frente dos nossos olhos, a passividade da audiência deixou de ser uma desculpa confortável e a originalidade voltou a ser rainha. Boas notícias, portanto.

(entre o sonho e o pesadelo, do nicolas grassi - head of brand consulting na born- para o buzzmedia)

sábado, maio 26, 2012

tô calmo sim, mas tou todo cagado

“Keep Calm and Carry On”: duas lições e uma conclusão

  • Por Alexandre Matias
O que um cartaz da Segunda Guerra Mundial nos ensina sobre a era digital
Você já deve ter lido este slogan em algum lugar – ou alguma variação dele. “Keep Calm & Carry On” (mantenha a calma e siga em frente) é um dos inúmeros memes que, uma vez online, ganhou vida própria e foi remixado, ganhando variações como “Keep calm and Call Batman”, “Keep Calm and Caps Lock”, “Keep Calm and Blog On”, “Keep Calm and Pass It On”, além dos brasileiros “Keep Calm o Caralho” (com foto do Dadinho, de Cidade de Deus) e “Keep Calm and Segure o Tchan”.
A frase faz parte de uma série de cartazes que o Ministério da Informação inglês bolou logo no início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, para apaziguar a tensão de um país que se tornaria um dos principais alvos dos bombardeios nazistas. Eram três cartazes, todos com a mesma tipologia, um ícone representando a coroa britânica, duas cores e frases de impacto. O primeiro trazia o texto “Your courage, your cheerfulness, your resolution will bring us victory” (sua coragem, sua alegria, sua resolução nos trará a vitória) e teve uma tiragem de 400 mil exemplares. O segundo vinha com a frase “Freedom is in peril, defend it with all your might” (a liberdade está em perigo, defenda-a com toda sua força) e teve sua tiragem dobrada. 800 mil exemplares.
O último da série – “Keep Calm…” – foi pensado para ser divulgado caso as coisas realmente ficassem mais complicadas – e a Alemanha invadisse o Reino Unido. Foram impressos 5 milhões de cartazes, que ficaram estocados caso o pior cenário se concretizasse. Como isso não aconteceu, os pôsteres foram destruídos. Restaram apenas sete. Seis foram encontrados em 2009 e foram para o Museu Britânico da Guerra e um foi encontrado em uma livraria em Alnwick , no norte da Inglaterra.
Stuart Manley, proprietário da Barter Books, descobriu o cartaz no fundo de uma caixa de livros velhos que havia comprado em um leilão, no ano 2000. Gostou de tudo – do layout, da mensagem, da história – e pendurou o cartaz em sua loja. Aos poucos, seus clientes repararam nele e Manley foi percebendo que seria possível vender reproduções. Foi o que fez – e os cartazes começaram a vender. Muito. Manley estipula que, até 2009, já havia vendido mais de 40 mil cópias do pôster. A própria Barter fez um vídeo de três minutos em que conta esta história – lançado no último dia do mês passado, ele já tem mais de 800 mil visualizações.
A popularidade deslocou o layout para outros formatos: logo ele aparecia em canecas, bandeiras, camisetas e, claro, foi parar na internet, onde começou a ser remixado, parodiado e misturado com várias outras referências.
Esta história ensina duas coisas. Uma delas é que a “viralidade” é anterior à internet. O pôster só ficou conhecido porque as pessoas foram à loja, gostaram do que viram e quiseram ter aquilo em casa. A outra é que, por mais cômodo que seja comprar coisas via internet, há um elemento crucial nas compras offline, que é a surpresa. A história do pôster funciona como uma pequena parábola a favor da existência de lojas fora da internet. O fator comunitário que transforma um ambiente em uma comunidade é crucial para a sobrevivência destes pontos de venda.
Mas por que “Keep Calm and Carry On”? Porque talvez o mundo esteja sob um bombardeio diferente do que assolou os ingleses na década de 1940, mas que também desnorteia. Posts, tweets, likes no Facebook, mensagens por celular, links via Gtalk, câmeras filmando tudo o tempo todo. A mensagem do cartaz parece vir como um alívio para quem é soterrado diariamente pela avalanche de dados digitais.

quem diria washington olivetto acabou-se no bradesco

o bradesco é um banco de massa - resisti a tentação de chamá-lo um banco de merda, direito que me é concedido por ser usual de suas filas, uma vez que o contexto é outro.

para comunicar a mudança no sistema de remuneração da poupança - um produto de massa - o bradesco escalou um produto premium - e premium não é algo de massa - como apresentador, o publicitário washington olivetto, que dirão adequado a gag insossa sobre criatividade que dá sustento a sua aparição pascácia, até porque o recurso de apresentar "gigantes da publicidade" apresentando comerciais é algo tão velho que caiu no esquecimento - para quem não se lembra da turma da dpz em comerciais, muito bons, da wallita, o que nao é o caso deste.


o comercial, que tem até a interpretação dele mesmo(washington) entre o bom e o razoavel, de resto parodiando-se a sí próprio - parecendo sério pretenso a cover de paulo francis -  no bom texto pasticho, que de resto o é todo comercial, fala da sua condição de um dos maiores criadores, etc e tal. o chato é que tem gente, e muita gente, principalmente da massa, que nem sabe quem é olivetto - e taxa selic, que diabo é isto?  se a massa não sabe quem é um tal de paul(mccartney)( e muito publicitário que também não sabe quem é olivetto- não estou exagerando - ) imaginem, washington que, repito, esta alí para fazer um comunicado de massa para um produto de massa como endorsment(corrijam-me se grafei errado, é que é tanto palavrório em inglês, que meu book on the table anda de página colada) sendo ele um objeto de referência, desconhecido para efeitos de tal endorsment - na verdade ele está ali na qualidade de sponser, ou não- de novo corrijam o inglês, se for o caso - o que nos leva a velha questão da adequação, da coerência, para além do desejo humano, inato, de aparecer, que no caso de publicitários é sempre over, combinando efeito fácil com manteiga passada, fruto de preguiça do pensar ou de vaidade para além da conta, ou melhor, do produto(bota o washington, que ele é, é?: ovo de colombo.


no fim entra o gerente criativo, que é uma das coisas mais difícéis de se ver, assim como "gente de criação" criativa hoje em dia. neste ponto, comercial, veículo, marca e produto, estão em uníssono. coisas que, claro, o washington, como aparece, está careca de saber.

in tempo: a idéia do filme, é de, ou do, cliente. quer dizer, a w/mccann pega a conta e o primeiro trabalho, com o publcitário mais premiado do mundo em cannes( já faz tempo, já faz tempo) que é ceo da agência, traz a marca da idéia do cliente. putz, o tempo passa e as coisas não mudam, quer dizer, só pioram.

segue o link para você ser vitimado pelo filme, se é que já não o foi:  http://www.ccsp.com.br/ultimas/58594/Em-cartaz?&utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Washington+Olivetto+protagoniza+filme+de+Bradesco













segunda-feira, maio 21, 2012

jornalismo global aos peidos

tv globo peidou hoje ao nível mais baixo do que gostam de chamar de jornalismo(sic!)de revista eletrônica. sem dúvida a rainha dos baixinhos superou-se( e o tempo desperdiçado sobre suas declarações "corajosas" idem).

e se dúvidas há, sobre o fornicatório da nossa paciência, o fundo musical da entrevista   peida por si só.  é demente demais para mim este tom confessional do oportunismo audiente das estrelas de baixa grandeza da globo. na semana passada a cacilda, tornou-se fantástica por conta de fotos(ruins, sob todos os ângulos) surrupiadas do seu computador(que deve ter se sentido aliviado). agora a xuxa. sabe-se lá o que nos espera semana que vem. as baratas já ensaiam tag no twitter contra usurpação de espaço rasteiro que é de seu domínio.

enfim, este é um país onde o jornalismo não tem mais o que fazer com a realidade que fede por si só e então parte para o peidável rentável. alguma coisa a ver com campanhas de migração para a pay tv? 

é, tem coisa fedendo no ar.

segunda-feira, maio 14, 2012

vale para jornalistas e publicitários*

COPY DESK, O ANÔNIMO EDITOR DE TEXTO



 
Fui copy a vida inteira. Chamava-se redator, uma função que sumiu na imprensa. Chegávamos mais tarde e saíamos por último, junto com o editor. Recebíamos os textos, copidescávamos, fazíamos o fechamento, como títulos, olhos, legendas etc. Hoje repórter faz tudo isso. A terceirização desses encargos liberava a reportagem da chatice de acertar o número exato de toques de um título sem cair no ramerrão muito comum hoje, de usar “diz que” ou verbos esdrúxulos como mirar (mira é curto, aparentemente resolve, mas fica estranho). Um bom copy é obrigatoriamente criativo, além de competente, e o primeiro a ler a matéria, o amigo dos leitores do jornal ou revista.
Os copys eram anônimos para o grande público, só conhecidos e valorizados no meio jornalístico. Chamavam um bom copy de “puta texto”, que extraía maravilhas de uma maçaroca de dados. Grandes copys ficam na História, como o legendário Miltainho, Mylton Severiano da Silva, que fazia dupla com repórteres antológicos como Hamilton Almeida Filho. Outros se revelaram escritores famosos, como o Fernando de Morais ou Humberto Werneck. E muitos ficaram naquele circulo compenetrado dos grandes fechadores, exímios artífices da língua, como Antenor Nascimento ou Genilson César. A relação com os editores costumava ser amigável, pois resolvíamos um monte de pepinos, mas com a reportagem havia tumulto.
“Foi você que mexeu no meu texto?” perguntou a repórter da Ilustrada, da Folha de S. Paulo, furiosa, com o jornal na mão, no meu segundo dia de copy no caderno. Fui, respondi. “Então da próxima vez não assine meu nome, porque eu não escrevi isso”. Ok, tornei a falar. Vou fazer isso. Não vou assinar seu nome e continuar copidescando. O texto da moça era muito ruim e em um mês ela ficou minha amiga. Descobriu que eu trabalhava a favor dela. Fazia questão de assinar tudo. O copy assumia uma espécie de missão cívica, com o mesmo espírito do trabalho solidário.
É preciso gostar de escrever, gostar do que os outros escrevem, admirar a reportagem, não causar problemas ao editor, não guardar ressentimentos, não querer brilhar com o trabalho alheio, nem colocar as patas nele. Um copy é um especialista em extirpar lugares comuns, descobrir furos na estrutura do texto, buscar informação para resolver impasses, entrevistar o repórter, checar as fontes, entregar tudo no prazo e retirar-se todos os dias para sua caverna nas montanhas. Lá no alto, ele medita esperando o sol nascer de novo para iluminar o vale das palavras.
A TV Guia, revista da Abril que durou sete meses em 1977, baseada na TV Guide americana, foi meu momento xis do copy. Trabalhava junto com dois craques: Macedo Miranda, Filho, que citei várias vezes em meus textos de memórias, e Ricardo Vespucci, o Bi, figura maravilhosa que já partiu pra o Outro Lado. Com eles aprendi a técnica do texto redondinho de revista, aquele que tem o desfecho sintonizado com o início e costura parágrafos sem dor, para que a leitura flua como veleiro em tarde tépida de outono. Não se trata de facilitar a vida de ninguém, mas de seduzi-la pela qualidade do trabalho, torná-la prazerosa, aventureira, com revelações. Tínhamos material para isso. Os textos vinham de gente pesada como Caco Barcelos ou Audálio Dantas, que nos entregavam grandes reportagens de uma dez laudas, o que era um despropósito para o formato da revista (do tamanho de uma meia Veja).
A TV Guia pagava muito bem, mas sofreu concorrência acirrada do grupo Manchete (que emplacou algo parecido nos seus veículos e que era dado de brinde). Era sofisticada, pois além da programação completa das TVs tinha belas reportagens. E havia chance de os copys assinarem artigos sobre temas variados, o que fiz algumas vezes. A revista tinha como editor o Woile Guimarães, que mais tarde foi para a Rede Globo. Macedo Miranda viera de lá e para lá voltou. Depois montou uma empresa própria e continua sendo um profissional respeitado e talentoso.
Na Ilustrada, um descanso para o copy chamava-se Paulo Moreira Leite, que depois ficou muitos anos na Veja, foi correspondente em Paris e hoje está na Época. Paulo tinha o texto perfeito e eu colocava a caneta de lado quando recebia uma reportagem dele. E na Ilustrada havia espaço para publicar tudo, diferente da TV Guia em que havia necessidade de inventar outro texto para caber as informações. O maior desafio situava-se no lead. Meu melhor lead, não canso de lembrar, foi sobre o Cyborg, o sujeito que era metade gente, metade máquina: “Todo mundo tem seu lado humano. O de Cyborg, é o esquerdo” .
Sinto falta, como leitor de jornais diários, principalmente nas versões on line, da função do copy. Noto erros grosseiros que seriam eliminados na primeira leitura. Passam lotado para a edição, que, parece, não lê mais nada. Se der erro, demita-se o repórter. Não deve ser assim. Jornalismo é como cinema, trabalho de equipe, com responsabilidade compartilhada. Tudo se soma para evitar transtornos aos leitores. Depois não se queixem da morte dos jornais. Não é a concorrência da internet que os leva à falência. É a falta de coisas básicas, como um bom copy-desk. Noto agora que meu afastamento das redações coincidiu com o fim da função que eu exercia. Fiz muita reportagem e fui editor várias vezes. Mas o que gostava mesmo era navegar nas matérias que vinham de todos os lados.
Não cuido mais de texto alheio. Quando me pedem, distribuo positivos, pois crítica hoje ofende e pode fechar o tempo. Tenho mais o que fazer. Mas posso ensinar o ofício, se é que existe gente que queira aprender uma função extinta. Copy é como o latim, que não é mais falado, mas é a base da língua. No mínimo, forma escritores. Ou pelo menos pessoas focadas na claridade e força das palavras.
RETORNO – 1. Dei uma copidescada no texto acima, ficou melhor, sem vários ruídos. Todo copy precisa também de um copy. 2. Acho que foram os preconceitos (além da eliminação de funções para aumentar os lucros) que derrubaram o copy. Achavam que o redator “dourava a pílula”, colocava cerejinha em cima do bolo da reportagem. Um soldado da Legião Estrangeira não doura pílula, afia adagas e azeita rifles. Outra iéia de jerico era confundir copy com revisor. Revisão é outro departamento, também importante, e que dá grande apoio ao copy. Mas as funções são diversas. O revisor não tem a autonomia do copy, não muda, apenas checa e corrige. Já o copy não pede licença. Deadline não espera.
Nei Duclós
 
(*misterwalk observa: na publicidade o copy, ou o copydesk, é ou deveria ser o diretor de criação. mas estes hoje, o único trabalho que fazem é colocar seu nome na ficha de trabalhos que acham podem ganhar prêmios. mas do que isso, menos por mau-caratismo e bandalheira não o fazem porque já não sabem mais escrever)

sábado, maio 12, 2012

pela bola sete

não me falem na palavra estratégico. seguida por planejamento então, é tinhoso. é pior que palavrão, que ofensa, que anátema. 

e porque esta ladainha toda? por quê ninguém é estratégico no brasil: aqui o sujeito/empresa ou é cagado ou é oportunista (sequer oportuno). é bafejado pela sorte ou pela maresia e diz que a sua estratégia foi pensada de acordo com um planejamento minucioso. planejamento minucioso no brasil só se for  aquele dos cercos para assédio sexual e olhe lá.por que o useiro e vezeiro é mão na bunda e a aquela cara de ou dá ou desce.

mostrem ai um case sequer de algo que tenha sido planejado estrategicamente e deu certo? mas não vale aqueles cases que ganham prêmios de associação. quero ver é aquele planejamento tal e qual fez e faz o jogador(deveria dizer player?) de sinuca: bola quatro na caçapa sete. e assim o faz. planejamento bambo não vale.

planejamento estratégico, pois sim. se a vida permitisse que o planejamento estratégico funcionasse como dizem que funciona a raça humana já teria acabado antes do planejado.

sexta-feira, maio 11, 2012

naming

consultor é um nome chic para publicitário ou homem de marketing desempregado ou com problemas de virilidade. se você achou que fui sexista, então toma lá: consultora é nome chic para mulheres de bunda pequena mas ainda assim maior que o cérebro. e nem pense em me chamar de misógino. adoro as mulheres. mas consultoras? nem da avon.

quinta-feira, maio 10, 2012

espelho meu, espelho meu

um dos exercícios que propunha aos clientes, enquanto publicitário que cuidava da comunicação de marketing das marcas, era sair das suas instalações físicas e voltar a adentrar com se na pele de um cliente estivesse. as conclusões eram aterradoras. por isso mesmo suspendi a idéia de fazê-los sair de dentro de si e olhar para o que eram enquanto profissionais no seu trabalho: poderia levá-los ao suicídio.

terça-feira, maio 08, 2012

tuites fujões

Quem escreve missão e visão da empresa são os publicitários. Polua à vontade depois escreva que seu objetivo é energia limpa.


Anexe aos seus quadros mão de obra escrava farta e jovem dos estagiários e os chame de “trainee”. É bem legal.

Quando algum estagiário, codinome trainee, tiver uma boa ideia, surrupie e demita o guri. É mais seguro. 

twitters, todos, do