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quarta-feira, agosto 12, 2015

se você não pensar/pronunciar latão eu dou a cara a tapa


o naming, você já sabe ?  é aquela "ciência" que aprofunda a maximização da denominação ou o nome de batismo ou rebatismo da marca e ou produtos, através da escolha e ou construção/fabricação/criação de um "naming" que assim, por isso mesmo, e mais alguns salamaleques muito bem vendidos, vestidos e apresentados, torna-se cem por cento favorável ao sucesso, da eufonia potencializadora dos reminders, partilha e o que mais constar em termos de multiplicação de variáveis empáticas e tilintosas para caixa registradora, sem esquecer a parafernália do lettering bem como dos frus-fru-frus da psicodinâmica das cores e mais algumas serifas das quais vou lhes poupar. ufa!

então, conho! se latan é tudo isso - e dizem mais um pouco - isto quer dizer 
que a espreguiçadela do óbvio vale mais do que qualquer exercício do tal disruption que a tantos encanta e desencanta com a mesma perplexidade? não sei você, mas assomam-me dúvidas que conseguiria fazer algo tão ruim quanto isto.

algo realmente mudou no universo da propaganda ou comunicação de marketing de marcas. por muito menos do que isso já vi muita gente ser demitida e execrada pelo resto da vida de um lado e de outro da mesa (o bullyng publicitário faz os outros parecerem passagens do pequeno príncipe) e olhe que enchiam mais os olhos e ouvidos do que esta que considero um peido de segunda-feira.

há que se louvar "os senhores" que "criaram" ou produziram tal artefato? e apresentaram no suporte digital de última geração e daqueles que do outro lado, com seus i-phodes da mesma, aprovaram, e dado o congraçamento geral, deram asas a tamanha estultície que será levada muito a sério e que pelo empuxo da verba investida ainda acaba cult.

depois, não reclamem quando o preço das tarifas subir para compensar este gasto. é que para decolar este troço, dois terços da força das turbinas e da verba do combustível serão necessários para, ao menos no começo, tirá-los da "rota de colisão".

dizem que o céu de brigadeiro é o perfeito para se voar. é o que o trabalho profissional de naming deveria fazer para uma companhia aérea, ainda mais nestes tempos tão bicudos. e por falar em bicudo, este naming me fez lembrar que o ornitorrico é a justaposição de várias características num só ser que acaba não sendo uma coisa nem outra fazendo até que se duvide que ele é ele mesmo e só. não fosse o animal(ele também) um símbolo australiano, calhava de ser a estrela do logotipo pois latan não traduz o empuxo que se imagina ou se propôe juntando  a lan e tan deste mal jeito. 

ornitorrinco está aqui mesmo para nos reavivar que nem tudo que é justaposto está junto e ou justo, assim como nem tudo que tem bico é ave, que tem pata é pato e assim por diante. muito embora, como todos sabemos nada disso adiante diante do que esta posto.

                                           


terça-feira, abril 29, 2014

estupidez em penca é tão mal ou pior que o racismo: até porque ambos são interdependentes

ao dar uma banana "alimento o racismo, me entubo ou mantenho a minha neles" ?
uma das estupidezes mais ferrenhas que já tive oportunidade de ver - e olha que já vi muita - é a oportunista campanha que tem o banana do neymar como cavalo: somos todos macacos. ora, vão a puta que os pariu, que eu não sou macaco nem nada parecido. e tampouco é hora de sequer remexer em teorias evolucionistas com tamanho atraso de espírito manifestado que só tendem a reforçar o nó do estigma.

idem o gesto amplificado do daniel. não o cantor sertanejo. mas o outro. o sertanejo que ganhou o mundo pelo força dos pés, e que agora enfia os pés pela mãos, tamanha é a força do racismo. principalmente quando age sobre aqueles que não tem a compreensão na sua totalidade da chaga e de quão nocivo e entranhado "naturalmente" está o conceito de "raça desqualificada". ainda mais num pais como o brasil onde a escravidão continua sobre todos aqueles que não tem os instrumentos(ideológicos e/ou financeiros) para se livrarem do chicote e das correntes de algo que escapole toda vez que nos deparamos com negros a "usurpar" o direito a liberdade de ser um humano livre de qualquer algoz. seja qual for a situação. e isto acontece de forma ainda mais agressiva do que se o negro fosse marginal, porque também o racismo estabelece que"este é o seu papel".

num ensaio sobre chaplin adorno, e horkheimer,  - o grande ditador - afirmava que era completamento esvaziado de conteúdo político a cena em que chaplin martelava soldados nazistas com panelas, provocando gargalhadas que esvaiam-se como espuma de sabão." para adorno( e horkheimer), de alguma maneira chaplin havia "humanizado" hitler ao fazer a paródia do ditador e brincar com os símbolos do nazismo no filme. esses símbolos deveriam ser tratados com um interdito, jamais como comédia. uma cicatriz de lamento, pois o holocausto será sempre uma ferida eterna na civilização." assim deveríamos tratar a escravidão, e sua consequência maior: o racismo. 

por isso afirmo que dá no mesmo o gesto do daniel alves. comer a banana é mais uma casca de banana do racismo. vê-se também o negro curvando-se para apanhar as sobras - o negro, o pardo, o moreno, o escurinho, o chocolate, eufemismos também ditados pelo amplexo do racismo que degrada a cor em suas gradativizações, com suas cotações transitando por uma escala de cores cuja matiz é a dominação pela força da escravatura do papel incrustado aos negros. papel este que escamoteia até a figura do jesus de pele escura, uma evidência climática-geográfica pela geopolítica de um encaracolado cabeludo de olhos azuis e tez esbranquiçada - jesus não era um macaco também ?, então dá para sentir, literalmente, que nos fodemos com casca, jesus e tudo quando se trata de justificar a "superioridade branca".

além do mais, para amplificar o equivoco - e a estupidez - a campanha da loducca  - na maioria das vezes publicitário tem mania de querer dar jeito no mundo (dito de um certo "cowboy", bjarke rink, enquanto ainda diretor de criação da propeg e não mais afetado aos centauros) mas que sempre, acrescento eu, atrelado a intenções sub-reptícias faz com que acabem(ou comecem) em merda. oportunismo que descamba para a cara de pau(ou seria nariz de pau) da venda de camisetas no site do hulk, que se colore seja do que for, sem dó nem piedade, desde que isso lhe renda alguns carapauszinhos.

e como se mais não bastasse, bastaria ver os comentários no facebook da ana maria braga - macacos sentiriam-se ofendidos em ser comparados aos leitores desta mulher(provavelmente sentiriam-se ofendidos se comparados a mim também) para ver que não somos todos macacos porque macacos não fazem macacadas nem macaquices: isso é literalmente coisa do humano espécie vorazmente predadora de tudo e de todos, e que entre os artefatos de caça, dominação e mortandade usa também o racismo em todas as suas formas: veladas ou bananosas.

somos todos macacos não passa de mais destes equívocos ambivalentes. ao fim e ao cabo soam brandos e socialmente destinados a reinserção(se é para reinserir é porque foi alijado ou posto para fora. adivinhe por quem?) na base do aplaquemos a consciência com a grandeza da nossa permissão - agora igualdade - tal e qual o dito " negro de alma branca" era para nossos avós. e tome mais uma "compressa para a descompressão", só que agora na versão rede social.

definitivamente não somos todos macacos porque ainda precisamos "involuir" bastante para chegar perto desta evolução.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

o que acontece - profissionalmente - quando "deixamos de ser crianças"

blue bus publicou despretenciosamente post da jamille bringuenti - que por sua vez " catou a matéria no tudo interessante, que catou no e por aí vai " , que tem foco no aspecto da "crueldade infantil" ao dizer a verdade de forma até certo ponto engraçada em bilhetinhos, maioria deles escritos para os pais.

mas o que me chamou atenção foi outra coisa que julgo tem imenso a ver com a atuação dos redatores publicitários - faço comentário ao fim.

portanto se você é redator/copy/brand concept ou como queira charmar-se e, principalmente, se escreve para vender produtos para crianças talvez reconheça aqui sua estupidez - ou o seu talento - ao cotejar o seu trabalho com o  destes "redatores seniors".


“Espero que você ganhe um monte de presentes e tenha um feliz natal… e você está gordo”
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“Essa é a minha mae e isso é o que ela faz todos os dias – assiste a Ellen (Degeneres)”

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“Quando eu tinha 8 anos de idade o cachorro do meu vizinho vivia fazendo cocô no meu jardim. Entao, um dia eu fiz cocô no jardim dele”

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“Querido Brody, a senhora P. me fez escrever esse recado. Tudo o que eu quero é pedir desculpas por nao me sentir culpado. Eu tentei me sentir culpado, mas nao consigo. Lian”

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Obrigado pela fantástica arma de água que eu usarei pra atirar em você”

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“Querida mamae, muuuuuuito obrigada por ser a minha mae. Se eu tivesse uma mae diferente, eu a socaria na cara e iria te procurar. Com amor, Brooke”

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“Desculpa por causa de nada!”

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“Querido papai, por que você quer ser vegetariano? Foi a mamae que te fez querer? Se foi, você nao precisa escutá-la, ela nao é a sua chefe”

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“Eu estou com raiva de você e nao vou falar com você hoje e amanha! PS: o dia todo. PSS: Eu ainda te amo”

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“Querida mamae, você é a minha mae preferida. Me desculpe por te chamar de pedaço de cocô. E eu te odeio e nao vou para o meu quarto. Te amo mamae. Sua filha, Karah”

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“Querido papai, eu posso fazer karati (karatê)? Eu prometo nao te machucar. Eu poderia lutar contra os ladroes e é um grande exercício. Posso fazer? Assine abaixo pra eu ter certeza”

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“Querida fada dos dentes, eu perdi meu dente no dia 23 de outubro. Agora já é 12 de novembro. Eu perdi meu dente na pizza. Eu perdi 2 hoje. Você me deve 1 USD. Nao querendo ser dura, mas eu preciso de dinheiro. Annisa”

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“Obrigado, mae, por me fazer comida – assim eu nao morro”

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misterwalk diz que houve tempos em que redatores publicitários eram capazes de escrever textos com grau de espontaneidade tão bom como estes e, portanto, capazes de emocionar. ao que parece, “cresceram na profissão”, e só sabem escrever coisas geniais. ai a publicidade ficou adultamente chata. quem sabe algum filho de publicitário não escreve um bilhete dizendo: papai ou mamãe quando eu crescer quero ser publicitário. mas não vou escrever coisas idiotas como vocês fazem principalmente quando querem vender coisas para crianças. p.s. te amo apesar de vocês serem publicitários.

domingo, agosto 25, 2013

vamos tratar da saúde






Eu prefiro ser tratado por médicos brasileiros, embora 54,5%  dos 2400 formandos que fizeram a prova do Conselho Regional de Medicina de SP não atingiram a nota mínima. O pior é que os erros se concentraram em áreas básicas. Mesmo assim vão poder exercer a profissão e atender aos infelizes que caírem em suas reprovadas mãos. Mas eu não moro em São Paulo.

Prefiro médicos brasileiros, porque eles são coisa nossa. Por exemplo, a gente liga pra marcar consulta e a telefonista do doutor pergunta: - é particular ou plano? Se for plano, empurram sua consulta lá pra frente. Particular, eles dão um jeitinho. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque quando chego ao consultório, fico esperando mais de uma hora pra ser atendido. É porque eles são bonzinhos, gostam de atender a todo mundo, e sabem que ali, no calor apertado da sala de espera, sempre pode rolar uma conversa agradável sobre sintomas e padecimentos com outros médicos. E a socialização é muito importante. Sem contar que podemos adquirir informação, com a leitura daquela Veja em que Airton Senna e Adriane Galisteu ainda estão namorando. Ah, tempo bom! É coisa nossa.
Prefiro médicos brasileiros, porque quando a consulta é particular, eles fazem questão de não dar recibo, ou então a recepcionista pergunta se vou querer a nota fiscal, porque aí o preço é diferente. Não é sonegação, claro que não. É porque eles têm vergonha de espalhar quanto cobram pela consulta. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque eles vivem chorando miséria, mas, mesmo assim, no estacionamento dos médicos nos hospitais só tem carrão importado. Parece até pátio de delegacia de polícia. Coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque você faz todo o acompanhamento de sua doença com o doutor do seu plano de saúde, mas na hora da cirurgia, embora ela seja coberta pelo plano, o doutor sempre pede um por fora, pra ele e equipe. Inclusive o anestesista, aquele médico que não é médico, não tem plano, não obedece a sindicatos nem nada. É sempre por fora. É coisa nossa.

Prefiro médicos brasileiros, porque várias vezes você chega ao posto de saúde, a uma emergência ou ao hospital e ele simplesmente não foi trabalhar, e usa de sua criatividade, inventando até dedinhos de silicone, para receber aquele salário que eles dizem que é uma merreca. Mas, isso é mentira, na verdade eles não vão trabalhar porque os hospitais, ambulatórios, as emergências e postos de saúde não dão condições. Eles só não largam o emprego porque têm pena dos pacientes que vão deixar na mão - embora não trabalhem. Pelo menos é o que dizem. Coisa nossa.

Só escrevo este texto, porque tenho vários amigos médicos e, infelizmente, não vejo nenhum deles se levantar contra esse hediondo corporativismo, contra essa maluquice generalizada de que seus colegas cubanos (que trabalham no mundo inteiro) são despreparados e, pior, vão espalhar a ideologia comunista pelo Brasil. Esses médicos que acham que municípios sem médicos têm que continuar assim, enquanto não tiverem infraestrutura, como naquela história da época da ditadura, de que era preciso primeiramente fazer crescer o bolo para depois dividi-lo.

Se os médicos estivessem defendendo seu mercado de trabalho... Mas, não, os médicos estrangeiros só estão vindo ocupar vagas que foram recusadas por seus colegas brasileiros, que não querem trabalhar e também não querem que outros trabalhem. O paciente... ah, o paciente. Ele não é mais paciente, agora é cliente.

Claro que temos ótimos médicos. E muitos deles já se declararam a favor da vinda de seus colegas do exterior.

Temos ótimos médicos, repito. Vários deles trabalhando em condições precárias. Temos muito o que melhorar, e a presidenta Dilma reconheceu o problema em seu pronunciamento na TV:

Quero propor aos senhores e às senhoras acelerar os investimentos já contratados em hospitais, UPAs e unidades básicas de saúde. Por exemplo, ampliar também a adesão dos hospitais filantrópicos ao programa que troca dívidas por mais atendimento e incentivar a ida de médicos para as cidades que mais precisam e as regiões que mais precisam. Quando não houver a disponibilidade de médicos brasileiros, contrataremos profissionais estrangeiros para trabalhar com exclusividade no Sistema Único de Saúde.
Neste último aspecto, sei que vamos enfrentar um bom debate democrático. De início, gostaria de dizer à classe médica brasileira que não se trata, nem de longe, de uma medida hostil ou desrespeitosa aos nossos profissionais. Trata-se de uma ação emergencial, localizada, tendo em vista a grande dificuldade que estamos enfrentando para encontrar médicos, em número suficiente ou com disposição para trabalhar nas áreas mais remotas do país ou nas zonas mais pobres das nossas grandes cidades.

Sempre ofereceremos primeiro aos médicos brasileiros as vagas a serem preenchidas. Só depois chamaremos médicos estrangeiros. Mas é preciso ficar claro que a saúde do cidadão deve prevalecer sobre quaisquer outros interesses. O Brasil continua sendo um dos países do mundo que menos emprega médicos estrangeiros. Por exemplo, 37% dos médicos que trabalham na Inglaterra se graduaram no exterior. Nos Estados Unidos, são 25%. Na Austrália, 22%. Aqui no Brasil, temos apenas 1,79% de médicos estrangeiros. Enquanto isso, temos hoje regiões em nosso país em que a população não tem atendimento médico. Isso não pode continuar. Sabemos mais que ninguém que não vamos melhorar a saúde pública apenas com a contratação de médicos, brasileiros e estrangeiros. Por isso, vamos tomar, juntamente com os senhores, uma série de medidas para melhorar as condições físicas da rede de atendimento e todo o ambiente de trabalho dos atuais e futuros profissionais.

Ao mesmo tempo, estamos tocando o maior programa da história de ampliação das vagas em cursos de Medicina e formação de especialistas. Isso vai significar, entre outras coisas, a criação de 11 mil e 447 novas vagas de graduação e 12 mil e 376 novas vagas de residência para estudantes brasileiros até 2017.  [Fonte]

Mas, o que estamos vendo é que existe um grupo de médicos para quem os cidadãos brasileiros de municípios sem médicos devem sofrer calados ou pegar um ônibus, barca, trem, o que seja, para procurar uma cidade onde um senhoríssimo doutor (brasileiro) o atenda, quando der. A esses lembro que Deus é ironia, e eles podem amanhã ou depois sofrer um acidente, numa pequena cidade, um pequeno município daqueles que ninguém jamais ouviu falar, eu gostaria de saber o que sentiriam ao ouvir alguém lhe falar assim:

- Necesita de ayuda, señor?

(Texto retirado do blog do mello que também sugere a leitura do texto abaixo, do  Luciano Martins Costa, publicado no Observatório da Imprensa)


O que move as entidades médicas


Uma leitura cuidadosa dos principais jornais brasileiros de circulação nacional mostra que há uma tendência da imprensa a desqualificar o programa Mais Médicos, pelo qual o governo federal procura suprir a falta de profissionais de saúde em bairros periféricos das grandes cidades e nos municípios distantes dos grandes centros.
De modo geral, o noticiário abre com informações aparentemente equidistantes da polêmica central sobre o assunto, mas a hierarquia das notícias e as escolhas das análises priorizam opiniões contrárias à iniciativa do governo.
Nas edições de sexta-feira (23/8), a exceção é a Folha de S. Paulo, que dá espaço para um artigo esclarecedor sobre a questão. No Estado de S. Paulo, o principal destaque vai para dados factuais, como o número de cidades paulistas que vão receber médicos selecionados na primeira fase do programa. Nesse texto está inserida a defesa do projeto, sem um destaque especial. As opiniões contrárias estão separadas em dois outros textos, um deles informando que as entidades representativas dos médicos brasileiros e partidos de oposição vão recorrer ao Ministério Público do Trabalho para impedir que se consolide a contratação de estrangeiros.
Abaixo da reportagem principal também é publicado o resultado de uma pesquisa que supostamente mostra que o programa Mais Médicos é rejeitado pela maioria da população. No entanto, esse texto peca pela falta de precisão e acuidade. Por exemplo, não informa de quem é a iniciativa da consulta, feita por um tal Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ). Também omite que o ICTQ é uma empresa de educação continuada que é apoiada pela indústria farmacêutica, oferecendo cursos para profissionais do setor.
A “pesquisa” é referendada por um dirigente do Conselho Federal de Medicina, que usa as informações para reforçar a campanha da entidade contra o programa do governo. Trata-se, portanto, de uma daquelas artimanhas do jornalismo segundo a qual um suposto dado objetivo, como o resultado de uma pesquisa, é apresentado como fato comprovador de uma opinião preexistente, omitindo-se do leitor o contexto que lhe permitiria relativizar a informação – no caso, o interesse específico da indústria farmacêutica.
A serviço das farmacêuticas
O Globo nem mesmo se dá ao trabalho de dissimular sua posição: abre a página explorando contradições entre integrantes do governo sobre o salário que os médicos cubanos irão efetivamente receber. No quadro em que o jornal costuma emitir sua opinião, fica claro que seus editores se alinham com o viés mais reacionário das entidades médicas: o texto afirma que “como existe um eixo Havana-Brasília, assentado em simpatias ideológicas, é preciso atenção redobrada na qualidade da prestação de serviço dos companheiros cubanos”.
Assim, em linguagem quase chula, o jornal carioca apoia a ideia de que os médicos cubanos estão sendo trazidos para fazer “pregação comunista”, como entende o presidente do Conselho Federal de Medicina.
A Folha de S. Paulo se destaca por abrir um pouco mais o leque de alternativas do leitor, informando na reportagem principal que o Ministério Público do Trabalho vai investigar as condições da contratação de médicos cubanos. Em outra página, também com destaque, publica a posição do governo brasileiro, manifestada pelo secretário nacional de Vigilância Sanitária e pelo ministro das Relações Exteriores. Há também um perfil dos médicos cubanos que já atuam no Brasil, material acompanhado por um infográfico que mostra a distribuição desses profissionais em todos os estados.
Mas o diferencial da Folha é uma análise produzida pelo jornalista Marcelo Leite (ver aqui), na qual ele observa que Cuba forma milhares de médicos por mês, “como produto de exportação”. O autor explica que o governo cubano montou uma verdadeira indústria de profissionais de saúde, a maioria deles com especialização em medicina preventiva. Esse seria o segredo principal das realizações do regime cubano na área da saúde, como uma taxa de mortalidade infantil inferior à dos Estados Unidos. A ilha comandada pelos irmãos Castro desde 1959 produziu a partir de então 124.789 médicos e se destaca pela prevenção de doenças, diz o articulista.
Esse é o ponto central da polêmica: ao trazer 4 mil médicos de Cuba, o governo brasileiro está sinalizando que sua estratégia para suprir as deficiência da saúde nos lugares mais pobres vai se basear no atendimento preventivo, que reduz sensivelmente os custos do sistema e diminui a dependência em relação às empresas do setor farmacêutico.
O articulista da Folha dá a pista de onde vêm os interesses contrários ao programa do governo, ao afirmar que “na medicina preventiva, sua especialidade, é possível que [os médicos cubanos] se revelem até mais eficientes que os do Brasil, cuja medicina tem outras prioridades”.
Some-se isso com aquilo e... bingo! O leitor já sabe a serviço de quem estão as entidades que se opõem ao programa Mais Médicos.
 

quinta-feira, agosto 02, 2012

o pulo da besta

fundamentalmente um bom criador publicitário é aquele que desenvolve a capacidade de enxergar até onde vai o grau máximo da estupidez humana e passa a utilizar isso com um mínimo de inteligência em favor do que anuncia. chega a dar pena. mas o que acontece é justamente o em contrário ou seja: com um mínimo de inteligência avança sobre os brocados com o máximo de estupidez. e só o fato de ter de explicitar isto mostra a quantas anda a compreensão da sua inteligência.

sábado, janeiro 21, 2012

luisa é uma moeda de duas faces: a cara do momento é fake. a verdadeira é a coroa.

luisa rabello
luiza helena trajano
memes são como eletrons fujões. e na esmagadora maioria estão a serviço de uma movimentação ideológica que intensifica o contágio da estupidificação e idiotia que grassa na sociedade brasileira neste momento.

dirão alguns que uns raros desafetos estão tratando o tema com demasiado rigor. atribuirão inveja, azedume, neurose, ausência de sense of humor. mas o momento não está para brincadeiras. ainda mais quando o meme em causa, é um avatar virótico que invade o senso comum e destrói valores que já andam de mal a pior no brasil, a saber: a cultura ( a erudita ou popular verdadeira ), o senso estético refinado, e os valores éticos e de honorabilidade em relação ao valor da inteligência e tenacidade para com o trabalho em qualquer atividade.

luisa que está no canadá tornou-se um hit  gerado pura e simplesmente através da manifestação da imponderabilidade, cujo start deu-se a partir da conjunção, sempre malévola, da mediocridade com o arrivismo, da jequice absoluta com o société empertigado(temos aqui um pleonasmo, pois não?) mas que não foram reunidos por acaso, dado o histórico dos envolvidos. sejam cliente, agência, e os personagens.

para quem tem uma vivência mínima da paraíba, ,joão pessoa no caso,sabe muito bem que o contexto em que urdiu-se o "menos a luisa que está no canadá" não é o de pura e simplesmente justificativa en passant da ausência de um membro da família para manter a  "unidade lógica do roteiro do comercial". e as negativas de que a frase soou pedante mas que assim não o era para ser, é tão risível - e perigosa - quanto o comercial. luisa, agora todos sabem, é filha do colunista social gerardo rabello. e o colunismo social, para não perder a viagem, e suas páginas, como alguém já disse, é o que está mais perto da página policial. na paraíba então, o colunismo social acerba a simbiose colunáveis-colunistas com uma característica bem peculiar ao nordeste. ao contrário de outras cidades, lá os maiores alpinistas sociais são justamente os colunistas e não as pretensas socialites que a todo custo querem se auto-promover. o que não significa que isto também lá não exista. colunistas, dos mais enganalados aos menos cotados - colunista  é o que não falta para uma boca livre seja do que for -  são artífices do comercio leviano, para além do comércio gerado pelas aparências em suas colunas, e criam os mais diversos "produtos de "marketing" para dar sustentabilidade e visibilidade a vida de regalos - fúteis, mas regalos - que de outra maneira não conseguiriam ter. basta acessar os sites e ver as manobras utilizadas para tal. portanto o meme originou-se sim a partir da pretensa afirmação de distinção social  pelo fato de ter uma filha estudando no estrangeiro. assim como  a auto-promoção do aniversario do colunista comemorado em paris e sua auto-documentação na coluna o que se coaduna com o conceito exclusivo do " altiplano nobre".

mas a questão maior não é esta. tampouco o é a má qualidade do comercial. isto para não falar que apartamentos a este preço não necessitam de midia de massa para sua comercialização. mas isso seria acabar com a boquinha dos veiculos que "dão" um lustro na vaidade do cliente(eh! joão pessoa!) que ainda por cima aprova comerciais de maquete. a versão estrelada pela luisa então, não passaria por quem tenha o mínimo de senso profissional. só confirma a jequice indisfarçável da qual todos querem tirar partido e sua contribuição aética ao país do "não importa como, todo mundo quer comer e se dar bem". e aqui reside o busílis da questão: a fomentação sob a tônica da sorte do ideário do sucesso pela via da "famosidade" na qual agora todos concentram seus esforços(entenda-se por esforço, o rosto bonitinho, a bunda apetitosa, o tórax sarado, a gag rasteira e por aí vai). intelecto pra quê ? foda-se então o foco no trabalho. foda-se a obstinação pela busca do melhor, foda-se ,e bota foda nisto, a qualidade. e por conta disto foi subvertido o guide line: o único lugar onde a palavra sucesso vem antes do trabalho é  no dicionário. para muitos, isto é uma conquista. para a sociedade no seu todo, é uma tara suicida.

luisa, ainda que seja um fenômeno passageiro - no futuro todos teremos os tais 15 minutos de lama, ad eternun( é lama mesmo. e não fama) - assomou o universo virtual de uma maneira avassaladora para os que se tornaram vassalos para sempre da risota que os mantém ajoelhados. aqueles que tem como objetivo de vida a riqueza ou o sucesso, escuso que seja, acontecido em um clique, que é o que vai se injetando no cerebelo da sociedade cada vez que tal acontece. e para isto os argumentos e práticas são\vão, do aparentemente non sense inocente, as teses pseudo fundamentadas. tal como expressas no caso do fenômeno da vez passada, quando um colunista de um famoso portal(confira no post a fama pelos fundos, aqui no cemgraus) justificou como queixumes do complexo vira-lata o repúdio a qualidade musical do michel teló. justificando que o medianeiro havia conquistado o mundo anglo-saxão, coisa que nem o rei roberto havia conseguido. o que é ainda mais perigoso, pois alimenta o ciclo combustivo de rebaixamento e esgarçamento de valores estéticos, de memória, do que realmente tem qualidade e o que não passa de lixo, ainda por cima com inverdades históricas e espirituais. e para arrematar os que já gostam de tirar o pé no chão, e desestabilizar a memória, é bom lembrar que hoje exportamos michel teló. mas antes, exportamos carmem miranda, bola sete, tom jobim, joão gilberto, e a bossa nova, que a partir do célebre conserto no carnegie hall conquistaram não só o mundo anglo-saxão como o mundo todo, e para sempre, sem esquecer sérgio mendes, almir deodato, flora purin-e até mesmo sivuca a dar aquele plus na discografia de paul simon. agora michel teló: tenha dó.como bem o disse o nascimento, não o capitão, o apresentador, nós já fomos mais inteligentes.

a luisa de agora representa o fake, a ilusão delusiva dos rabello - até no gap entre as fotos montadas e a aparência atual, tsk!tsk! é a antítese da luiza helena trajano. a luiza do magazine luiza; que começou a trabalhar aos 12 anos como balconista(a loja ainda se chamava a cristaleira, fundada em 1957 em franca, são paulo);que se tornou um case de marketing inovador e internacional, estudado por pesquisadores mundo afora; que foi convidada para ser ministra de dilma; que opera desde 1992 sem nenhum tipo de prejuizo; que foi pioneira na operação de lojas virtuais;que dá emprego a mais de 21 mil pessoas em mais de 600 lojas e que chegou ao nordeste e a  paraíba através da compra das lojas maia)

esta é a outra face da moeda e da história que passa desapercebida para a maioria da vassalagem memética da luisa fake. apesar de em quase toda grande cidade - e não só - dos livros, e das dezenas e dezenas de reportagens, e do seu nome estar nas fachadas sob a forma de magazine. esta sim é uma história de trabalho, de esforço, de obstinação, de foco, de inteligência aplicada, de muito trabalho para a quase chegada ao topo (a quarta maior rede de varejo do brasil, prestes a se tornar a terceira). e isto não caiu a tiracolo dos bordões estéreis. aconteceu com base nos fundamentos do trabalho. fundamentos que são hoje desprezados pela esmagadora maioria de um povo que se masturba em memes e que caracteriza cada vez mais o trabalho como burrice, minando a força da realização que só o trabalho possibilita. e que é o que faz a diferença entre uma grande nação e uma nação grande.

a nossa esperteza deixou de ser inteligente no momento em o que mal feito, a cagada, seja ela acidental ou intencional, tornou-se risível pela paródia  que somos hoje e que pensamos jamais ser um dia de verdade já sendo no entanto.

a luisa  fake não se sustenta para além do espirro, pum ou pura diarréia. vai pro ralo tão logo acabe a ressaca dos memes espumantes.

e viva o carlos nascimento!.

in tempo: blog do magazine luisa, parece também ter sido vitimado pelo senso de oportunismo que atingiu a todos no afã de querer faturar, aparecer, resultar fácil, com a fake, criando uma promoção(até que orgânica ao contrário das tuias que foram feitas por ai) que utiliza o meme. mas o que diria luiza, a do magazine disto? que agora já são duas moedas que tem a mesma face?