quinta-feira, janeiro 19, 2012

esqueceram de mim ou: tá todo mundo aqui,inclusive a luiza, menos a marca que foi pro cafundó

a construção de marcas objetivando diferenciação e através dela a consolidação de produtos, bens ou serviços, ou delas mesmas é, ou deveria ser, o objetivo de toda ação de comunicação de marketing(publicidade, r.p., assessoria de imprensa,ativação, e por aí vai) seja tradicional, digital e os escambau.

contudo, isso parece ser o que menos importa. principalmente quando equívocos como o "menos a luisa que está no canadá" são alçados pelo lado cafuçu da internet a hit do momento.

não se trata de uma visão cristalizada de marketing. se assim o fosse diria que quem teria de virar meme seria o nome do empreendimento, a construtora, o agente de vendas, e para muito além deste lançamento em si, configurando à marca um aumento significativo de share: of mind,market e heart. desculpem a pronúncia, mas se um marketeer não fala assim ninguém respeita, não é verdade? mas alguém respeita um marketeer? (ainda mais na paraíba?).

ao que tudo indica, o comercial bombou e babou justamente quem não deveria aparecer para além da sua função de escada: luisa e gerardo rabelo,  o que aconteceu ainda mais na esteira da ação a partir do "youentubas". 

gerardo, que já é um mestre sem cerimônias em aparecer, tipico do colunismo social que se pratica na paraiba, aquele que faz de um tudo para manter-se em evidência - lá isso é opção existencial e meio de vida -  é que acaba sendo o grande beneficiado do comercial e da repercussão, ainda que passageira. e justiça seja feita: não se pode dizer que isto foi arquitetado por ele deliberadamente. era este o objetivo? alçar a mídia nacional e sabe-se mais o quê, gerardo e luisa? se foi, foi um golpe de mestre. se não, apenas um golpe de sorte ou apenas mais um golpe. pode-se argumentar que o frenesi gerado por acaso - se alguém me provar que foi intencional nem assim eu acredito -  levaria por indução à procura - o que necessariamente não se traduz em venda - e muito menos ainda em valor agregado a produto, marcas e empresas envolvidas no lançamento. mais pobres ainda foram os anúncios ditos de oportunidade,mas que não passam de oportunistas, corroborando como é rasa a temporada de veraneio da publicidade paraibana(e não só). ninguém foi capaz de aproveitar o tema, de cometer a paródia, sem ser também vitima da chiste, do complexo paraíba, que ao fim e ao cabo é o que é - e não passa disto - o hashtag da hora.

o que é mais sem graça disto tudo, em meio a risota geral - tá todo mundo rindo de você e não com você  - o que não é apenas um detalhe sórdido é muito mais -  é a chamada markeopia, a míopia de marketing, que está achando e alçando tudo isto a um máximo, quando na verdade a repercussão deve-se a falta do senso do ridículo na construção da situação e no arquetipo utilizado para a realização do comercial, que assina em baixo a jequice social que é uma das marcas, esta sim, bem posicionada dos colunistas e colunáveis da sociedade local - alguém reparou no "achado" de guetificaçao do comercial criando um altiplano nobre ? para um bairro de tradições outras? e que agora pretende-se que seja o endereço perfeito para a sociedade paraibana? que efeito demolidor. é a consumação das açoes para a ocupação vertical do bairro que durante anos foram interditadas(ou tentou-se). mas a nobreza venceu. isso é que é nobre, não é mesmo? bota nobreza nisto. e quando a nobreza vence, sai de baixo que lá vem, mais, literalmente e simbólicamente falando, merda.

o mercado paraibano, e certamente quem criou o comercial deve estar em frenesi. mas a falsa modéstia os alijou desbragadamente do youtuba? ou de quaisquer outras motores de fusca? nada de trending topic sobre os rapazes ou moçoilas da ficha técnica? ninguém fala da agência ou dos criadores, o que é sempre suspeitíssimo em publicidade(este digamos low profile não reativo) e confirma as suspeitas de que o tiro saiu pela culatra ou no mínimo atiraram no que viram e acertaram no que não viram. afinal, a genialidade da publicidade "paraibana" extrapolou as fronteiras de bayeux e santa rita, obtendo visibilidade ímpar mas que não chega a 0,5 % dos rabello. ainda assim não é pouca água, pois o ribombo até então não foi alcançado por ninguém. mesmo passando o chapéu de couro a ouro, com jurados mais famosos que os trabalhos inscritos, programados para dar mais visibilidade(credibilidade é outra coisa) aos resultados. agora fala sério: é deste(mau) jeito pelo qual o mercado e seus players quer ser reconhecido? publicitários estes? nunca serão senhores, jamais serão.

resta um consolo. como todo material desta ordem, não dura o tempo de se roer um pirulito. por mais delicia que seja a lulu, vai ser bom não foi?o michel teló que o diga, já foi!(tarde).

assim será com mais este hit. luisa volta, volta luisa, volta pro canada. e volta logo antes que o rafinha bastos te comente.

in tempo: se você é dos a favor( eu sou dos contra muito pelo contrário) pegue seu passaporte e adira ao facebook do movimento, liderado pelo mano - família ê, família á - para a recepção a luisa no aeroporto castro pinto, pequeno, por sinal, para o tamanho da repercussão da menina. cafuçus 2012 já tem musa. quem sabe em bloco vão pro canadá.















quarta-feira, janeiro 18, 2012

toda revolução é romântica. mas nem toda(ou todo) romântica é revolucionária.


“não é o que você diz que estimula as pessoas, é como você diz”. bill bernbach.


bernbach não inventou a publicidade, ele a reposicionou(ele não iria gostar nem um pouco deste termo, desculpa bill). um visionário,ainda há quem o desdenhe, estigma com o qual sempre se atacha aqueles que saem do lugar comum. principalmente os falhados, o que não é o caso dele. muito em contrário.

bill, não se encaixava na pasmaceira publicitária da sua época - da nossa então, xííííí. com argumentos de força(muito presunçosos diriam outros tantos) peitou o mercado e dentro dele clientes e os próprios publicitários, pois não se conformava com a mediocridade. e assim sendo causou a revolução criativa que marcou a década de 60, principalmente com os trabalhos realizados para a volkswagen, entre eles aqueles que você certamente conhece e que são reconhecidos como a melhor campanha do século XX. sim, provavelmente você deve, se conhece algo para além dos controles do seu ipad,ipod,iphone, achá-los coisa de museu. praticamente só tem texto. mas responda cá, na lata: você conhece alguma campanha de automovéis atuais que tenha pelo menos metade da sagacidade( você sabe o que significa sagacidade não sabe? eu sou otimista e assim espero que o tio google lhe ajude) das dita cujas bernbachianas? ah! sim, muito visual, photoshop a dar com pau,efeitos especiais de fazer inveja a bollywood? mas eu tô falando de idéias, conceitos,? bom deixa pra lá, porque só temos campanhas de merda mesmo. ao que parece os publicitários de hoje eles entendem o think small do bill na forma literal, afinal, publicitário de hoje em dia não sabe conceituar. só photoshopar e chamar quem pensa de desantenado com as tendências da hora.

“A verdade não é verdade até que as pessoas acreditem em você e as pessoas não acreditarão em você se elas não souberem o que você está dizendo, e elas não saberão o que você está dizendo se elas não ouvirem você, e elas não ouvirão você se você não for interessante, e você não será interessante a menos que você diga coisas imaginativas, originais e frescas.”

"muita gente concorda que a década de 60 foi a década de ouro da publicidade. Mas pouca gente sabe que a década de 70 não. marketing estratégico com suas pilhas de números foi, por um longo tempo, rival da publicidade. a chegada do conceito “posicionamento” criada por al ries levou a publicidade das empresas de volta a sem graceira da década de 50. empresas testavam campanhas antes de veicular, realizavam pesquisas e mais pesquisas na tentativa de posicionar o produto e deixaram de usar uma publicidade adequada. os comerciais haviam perdido sua graça. um exemplo do embate entre estratégia X publicidade é o do refrigerante 7UP: na era das colas, ao invés dele ser posicionado como refrigerante claro com sabor de limão, ele automaticamente se tornou conhecido como “o não-cola”. isso foi antes de ries e seu conceito, a publicidade havia conseguido posicionar o 7UP com muito menos ou quase nenhum número.  

e o que isso tem a ver com bill? uma década antes do termo posicionamento ser escrito pela 1ª vez, bill disse: “você pode dizer a coisa certa sobre o produto e ninguém irá ouvir”. e bateu de frente contra a pesquisas e dados dizendo “quanto mais intelectual você fica, mais você perde as habilidades intuitivas que realmente tocam as pessoas”.

"bill bernbach reiventou a publicidade, ensinou publicitários a ser mais do que meros vendedores anônimos. “a boa publicidade aumenta vendas, a grande publicidade constrói fábricas”. há cinquenta anos atrás bill trombava como mercado afirmando que publicidade meramente vendedora e sem brilho era ruim para o cliente e para o mercado como um todo." (o homem era o júlio verne da propaganda, não deu outra).( ah! eu sempre me esqueço do quociente intelectual da geração publicitária atual: júlio verne, corre logo para o google, era escritor francês de ficção científica no século XIX(19)(viagem ao centro da terra, vinte mil léguas submarinas) previu com uma margem de trezentos metros o local onde o homem viria pousar na lua, chute? c´est possible mes amis. mas,a boa publicidade também se faz com alguns bons chutes, mas como o futebol hoje também deixa a desejar o resultado de tanta bola fora tai mesmo)

parece que todos concordamos que "esse mal provavelmente nunca vai acabar, mas bill parece ter deixado um legado contra a propaganda do “melhor e mais barato” e “ofertas imperdíveis”. 

resta saber quem será " românticamente revolucionário" para tornar este legado um legado padrão para além das leituras* e salas de estudos.

afinal, por menos que pareça,"consumidores são espertos. siga o exemplo deles".


* boa parte deste artigo,incluindo as citações e alguns trechos, foi copidescado a partir do blog pequeno guru, que afirma textualmente que é apenas um entusiasta do marketing e não o que quer dizer o nome, assim disse sylvio ribeiro, o que talvez soe pretensamente humilde para além da conta. .


(1) medíocres e famosos, sejam do ramo ou não, incluindo os professores, ah! os "professores" de publicidade, gostam muito de citar o bill mas sempre ressalvando que ele fez isso no tempo em que a propaganda era uma atividade romântica. caberia aqui o calão e mal-dizer que romântica é o caralho?

(2) outra coisa, ia me esquecendo. atentem para o visual do bill. imagem não é tudo. não é porque o cara era da criação que teria de se vestir como o james dean. as idéias dele e que estavam vestidas assim. e isso foi o que fez a diferença.

terça-feira, janeiro 17, 2012

só dói quando nós rimos

durante muito tempo circulava uma tirada gaiata que dizia ser o salário de publicitário, os valores obviamente, a segunda maior mentira do mundo - a primeira, naquele tempo, década de 80, era a sexista  "só vou botar a cabecinha".

evoluimos. somos mais abertos, somos? não fazemos mais afirmações de sentido e salário duvidoso.  salário de publicitário agora é salário de trabalhador escravo(da carga horária as chicotadas das pressões) se disser-mos que é um dos, ou o segundo pior do mundo, não vai ser mais visto nem como a primeira ou segunda maior mentira do mundo. podem acreditar que é a mais pura verdade. e a verdade, como diria o filósofo, dói, ou melhor dizendo, como exprime-se a rafaméia: arromba. isso para quem ainda ganha salário. pois cada vez mais e mais  na profissão ganha-se menos em espécie e mais em experiência. o que por si só já é uma - entre tantas - péssima experiência.
agora os donos de agência - não confunda dono de agência com publicitário - continuam contando mentiras cada vez maiores, principalmente para o pessoal da criação.e estas estão entre as primeiras ou segundas maiores do mundo, globalizado que seja.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

na falta de perspectiva

a homenagem, eu não discuto a justeza. afinal, vivemos num pais onde no panteão de heróis nacionais tem um duque matador de criancinhas e sabe-lá mais o que fizeram nossos barões, princesas e marquesas, tão homenageados que foram, até em dinheiro, moeda que vai onde pessoas de certas qualidades não deveriam estar.
agora que o resultado construído da arquitetura do parque dona lindú é de fazer corar o neymar, quer dizer o niemeyer, isso não há como negar. ´e um estampido na cara. só de helicóptero o prédio adquire algum volume estético aos olhos. aliás, perspectiva não é algo que os arquitetos estudam? não se pode ter uma visão com os pés na terra do parque, quer dizer de parque não há nada, das construções, porque só de dentro d´água se alcança a distância mínima para " volumar" o que de perto mais se parece com duas manilhas gigantes(sem a serventia delas).
falo isso agora porque querem fechar o centro niemeyer em espanha. que fechem estão o lindu e levem a velha senhora para nominar o centro. e fica o mal feito pelo bem feito e pronto.

p.s. eu nunca vi algo inacabado ser inaugurado tantas vezes como foi o parque dona lindu. a cara de pau dos inauguradores de plantão superou as expectativas desta vez.

domingo, janeiro 15, 2012

paralaxe

é voz corrente que publicitário gosta de aparecer - até fizeram anúncio, ruim, sobre isso.
mas trata-se evidentemente de uma injustiça. aparecer? só? qual nada. publicitário gosta mesmo é de parecer. e, os melhores, fazem disso a vida toda.
o a foi simplesmente um erro de revisão.

sábado, janeiro 14, 2012

ledo engano

anunciamos para breve ser a quarta economia do mundo e nosso "maior" produto de exportação do momento é o michel teló.

anunciamos para breve ser o quarto mercado automobilístico do mundo e por aqui são vendidos como extra - ou apresentados com ofertaço - bancos de couro, ar condicionado, ou até mesmo jantes de liga leve e os acionadores elétricos de vidros e travas e outros babilaques mais que até carro chinês oferece em dobro, enquanto os itens de segurança são menosprezados tanto como a qualidade da nossa gasolina.

e no negócio do marketing e da propaganda, frente a estas possibilidades, anunciamos que vamos crescer em milhões ou bilhões ( há aqui muito de fraude nestas contas estejam elas acima ou abaixo das aparências) que se espera- sejam movimentados com este crescimento de quarta,  afinal partem da premissa do trabalho escravo de estagiotário, e publiciotários idem, que são remunerados em condições iguais ou piores do que os terceirizados da zara.

mas quem se importa com isto? o importante é manter o negócios como está.de anúncios que não se sustentam, business que vive cada vez mais de aparências e dormências, que se repetem nas notícias de contas conquistadas e daqueles que dão as cartas - e as  caras -  em festas onde também tudo é aparentado.

a hipertrofia do nosso subdesenvolvimento nos leva a um crescimento cada vez mais relativo e esvaziado.e se assim o é movimentado por aqueles que se dizem experts em marcas e alavancas que seria de nós se assim não o fosse ?

sexta-feira, janeiro 13, 2012

não é marketing. é marketing puro

A Edwin foi fundada no Japão em 1947 pelo Sr. Tsunemi, um apaixonado por denim (tecido do jeans), que inspirou a importá-los diretamente dos Estados Unidos já que não era fabricado no Japão naquela época. A partir de 1951 o denim passou a ser fabricado pela primeira vez no Japão, mas sua qualidade era muito ruim além de caro, sendo assim, Sr. Tsunemi resolveu colocar a mão na massa e produzir seus próprios denins. Em 1961 fez seu primeiro par de jeans com a MARCA EDWIN, que na verdade significa uma inversão nas letras que compõem a palavra denim e invertendo o M que virou um W.
Recentemente, até como uma forma de buscar a essência do Japão mediante seu inacreditável poder de resiliência, produziu um vídeo absolutamente maravilhoso em todos os sentidos que mostra um dia na vida da EDWIN e o seguinte texto manifesto:

“Por 35 anos, Edwin Japão tem trabalhado na melhoria da eficiência, qualidade de construção, métodos e lavagem estudando as máquinas utilizadas no processo de fabricação de denim.
É impossível melhorar o que se faz sem gastar o tempo diário, transformando a profissão em um ofício. Os técnicos em denim Edwin são artesãos de verdade, seu empenho e atenção no produto é o que torna o produto Edwin melhor do que os demais disponíveis no mercado hoje.

Eles são ‘engenheiros’. Cada pessoa é responsável por manter e melhorar suas máquinas. Isto significa que cada máquina é personalizada para criar formas únicas de fazer denim. Mesmo dentro das  fábricas de jeans mais reconhecidas ao redor do mundo, você não verá o nível de perosnalização e atenção das máquinas que se pode ver nas fábricas da Edwin no Japão.

A maioria dos técnicos nas fábricas e lavanderia Edwin trabalham na empresa desde o seu início. Isso significa que eles têm uma compreensão total da sua máquina.  As máquinas da EDWIN JAPAN são exclusivas, o que define sua força enquanto fabricante mundial de denim. Não há uma única máquina que não tenha sido personalizada pelos técnicos.
Os novos técnicos são treinados por dois anos com um veterano antes que esse se aposente. Isso garante consistência absoluta na qualidade. Há muitos elementos únicos de fabricação para EDWIN, que infelizmente não podemos mostrar para preservar o sigilo dos processos.

Estes elementos estão em vigor há muitos anos, e nunca se falou sobre utilizá-los como uma ferramenta de marketing. Para a Edwin esse é um processo padrão.”
(no blog do fábio madia)

veja o vídeo http://vimeo.com/edwineurope/japan

misterwalk sugere à colocação em prática junto as equipes de uma agência de propaganda na formação de núcleos no atendimento as marcas e produtos dos clientes e também no núcleo de marketing e produçã do cliente.  mas vou avisando logo. eu tentei e não consegui. decerto porque sobrou marketing na(s) agências( e no cliente) e faltou o puro, para o qual é necessário o exercício diário da humildade, determinação e acima de tudo a vergonha na cara de se contentar com todo o tipo de porcaria e empobrecer ou enriquecer por conta disto.
mas quem sabe na próxima descarnação conseguimos.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

não é só a publicidade que diz que fez o que não fez


o jornalismo da globo, todo mundo sabe como é - ou deveria saber. acreditar nele é como acreditar em papai noel( e bonzinho ainda por cima), em gnomos, e naquelas que dizem trazer a pessoa amada em três dias. depois de internautas acusarem o fantástico de copiar matéria, o jornal nacional dá créditos à band, por conta da matéria exibida como inédita pelo fantástico -  inéditas são as desculpas, pressionadas goela abaixo, sem deixar de perder o sotaque global que logo,  para não perder a má compostura, afirmou que um repórter seu já havia pincelado o tema. (o texto abaixo é do site comunique-se. a ilustração do blog jornalista de araque que faz menos araque e mais jornalismo do que muita empresa por ai).

No último domingo, 8, o ‘Fantástico’ anunciou que exibiria uma matéria inédita sobre fraude em postos de combustíveis. Mas quando a reportagem foi ao ar, as críticas à Globo infestaram a internet. 
Telespectadores e internautas acusavam a emissora de ter copiado uma matéria exibida pela Band em fevereiro de 2011. O material exibido pela Globo apresentava imagens muito semelhantes ao conteúdo da concorrência, que reprisou a reportagem duas semanas atrás.
Para justificar, o ‘Jornal Nacional’ mostrou uma nova reportagem na edição desta segunda-feira, 9, dando os créditos da matéria para a Band, mas apontou diferenças entre as produções, além de pontuar que em 2008 o repórter global César Tralli já havia explorado o tema.

segunda-feira, janeiro 09, 2012

a fama pelos fundos

sim, o brasil já foi notícia no mundo, em século passado, pelo seu fio dental. o  biquíni, que muitos do "posto sete" chamavam de cepacol: aquele que vai fundo aonde o fio dental não alcança(que horror!, a descrição,  já que alguns cus até que valem a menta, sim senhor).

mas para não ficar-mos assim-assim tão, tão, escatológicos, que assim não seja, é bom lembrar que o brasil também fez sucesso mundial pela frente, com seus modelitos de depilação dos pelos pubianos, aquilo que os não pentecostais costumam chamar de pentelhos, e que costumam ser o terror das dentaduras de outras bocas, se é que me entendem os maiores de 50, que certa vez tiveram pesadelos com a nudez frontal de uma certa atriz global que parecia estar fazendo campanha contra o desmatamento da amazônia exibindo-a como seria  em sua versão original antes do homem - e das depiladoras - meterem a mão, ou seria a cêra ou a serra?

agora, o brasil volta a ser cu de novo, mundialmente, para desassosego do nosso complexo vira lata de plantão segundo o colunista do yahoo, pedro alexandre sanches, que afirma ipsis literis que michel teló resgata a sanfona de luiz gonzaga, para júbilo da memória do rei pernambucano da sanfona.
segundo o sanchez, o nosso complexo de vira-latas, ironia da ironias, é alçado como pegada da fama pela "prestigiosa forbes"( "Have you heard of Brazilian country music phenomenon Michel Teló yet? You will"")por um vira-latas autêntico, no caso o michel. mas, ironia da ironia das ironias, não seria este nosso maior complexo de vira-latas? valorar,qualificar ou quantificar, precisamente porque a forbes fez a tal matéria sobre o tal artista medianeiro(outra ironia das ironias, nascido em medianeira, cuja etimologia traz imiscuída a pegada da raiz do medíocre?

o pedro não faz por pouco e tece loas e cambalhotas argumentando que o mesmo "mundo anglo-saxão em que roberto carlos jamais conseguiu emplacar, talvez por soar banalmente não-brasileiro, desta vez caiu na lábia de um caubói genérico que poderia ter vindo do Arizona, mas veio do (não-)eixo Paraná-Pantanal. A música brasileira capaz de mover os quadris gringos desta vez não é do Rio de Janeiro nem da Bahia. Brotou do interiorzão de um país que é muito maior que sua (extensa) faixa litorânea.".

e nos entreatos do texto ainda refere que "quem até ontem zombava do fiasco perpétuo da cultura brasileira diante dos olhos do chamado Primeiro Mundo hoje argumenta que o michel teló só faz sucesso porque o brasil está moda e não porque mereça". Ou seja, continua fazendo muxoxo, mas ao menos começa a admitir que, sim, o Bra$il está escandalosamente "na moda" lá fora."

isto posto tem-se a desdita da confirmação de que o brasil está vocacionado para o sucesso cu - e aí de quem fizer muxoxo ou não comer da bosta - pois o que interessa é bombar na mídia, mesmo que a bomba nos entre piloro adentro e nada mais seja que isso: a bomba ou pomba, embalando e empalando a cultura de um povo ao som de algo que  nem sequer é pum. mas que agora representa o fim do tal  fiasco perpétuo(sic) suadamente catapultado por muito mais de cem milhões de acessos ao youentuba.

assim, se já temos a imagem de um povinho cu, de mulheres de grande cu, de politicos cu, de nacionalidade cu, de educação cu, michel teló por fim está nos levando às alturas, fazendo os gringos dançarem ao som de um refrão que levado ou não do pé da letra prega este mesmo cu como gênio da raça, matreira em sua hipertrofia calipígia, preferencia nacional incutida no meneio das nossas mulheres(e homens) desde criança para fazê-lo passaporte ao sucesso cu agora moeda também na forbes.

e graças a ele, o teló -e ao pedro - até o gonzagão, mesmo na cova tomou no cu,  que o dos brasileiros, segundo o colunista é algo parecido assim mesmo com um fole agora tornado sanfona.

domingo, janeiro 08, 2012

em casa de ferreiro, mister cafeteira cara de pau

joão dória, o janota do marketing em questão, é mais um dos mistérios do marketing que consagra os aprendizes do faça mais do mesmo tudo errado que um dia acaba dando tudo certo - para a maioria dos incompetentes dá mesmo, dá emprego inclusive, onde ele tem a oportunidade de foder os outros que não se comprazem em fazer mais do mesmo.

o dandi empelotado apresenta-se como supra-sumo do marketing afetado, que o faz o queridinho de algumas fortunas do país e que o levou a dar lições - que não aprendeu - aos infelizes aprendizes que se submetem a lógica genuflexória de um dos programas mais rasteiros que a televisão, esta sim mestra em rasteiragem, nos impingiu "zóio" a dentro.

a esta altura o leitor acidental, viciado ou que não tendo mais o que fazer, parou por aqui, deve estar pensando que eu devo ter algum problema doriano, para além das saturas da margarina.afinal, o homem faz a vez de personalidade reconhecida a frente de uma empresa que alavanca tudo- dizem- do tricô a caspa antinuclear, com faturamento, relacionamento e reconhecimento que nunca vou alcançar, felizmente honestamente para mim, e não tanto para os que acreditam mesmo que a dor de cotovêlo é o que nos move. of course not my dears. contudo, confesso as minhas preferências: entre o trinta e o dória, sou mais o joão que  é capaz de uma obra prima destas( "eu nunca fico preocupado, eu me ocupo logo antes"). coisa que o dória não conseguiria engendrar dada a sua weltaanschaung(visão de vida) envernizada.

isto posto, some-se que sou velha escola que antes de deitar cuspe fora e aplaudir os aplaudíveis da hora, observa o cotidiano e traz dele as lições que os mba´s são mestres em esconder. o tal joão sedoso mantém no horário das olheiras um programa de entrevistas onde ele consegue apartar mais para demonstrar seu conhecimento "pró-fundo" do que jô soares no dele. com a diferença que ele se leva mesmo a sério e o soares permite-se gagar dele mesmo, às vezes(mas só às vezes).

pois bem, como é que um homem de marketing diferenciado, cabeça afiada para além da brilhantina, se permite e se compraz a saia justa de oferecer a convidados diferenciados - pelo cargo, experiência, na maioria das vezes em mercados que não o do subdesenvolvido brasil(sexta economia do mundo! pois sim mas com hábitos e práticas de fim de fila)para além dos salários diferenciados, babilaques do tipo cafeteiras da nestlé e netbooks da itautec?!?!ora, para quem é tão refinado e que se monta em pinçar o que de melhor há das práticas do bom marketing, chega a ser constrangedor, e isso fica claro na fisionomia de alguns entrevistados - quando são submetidos a estrelas de um merchandising de produtos que decidamente não correspondem ao hálito acanforado sobre idéias ali explanadas e tão pouco aos gifts oferecidos que mais parecem saidos de um sacola paraguaia.cafeteiras, há as dezenas, infinitamente superiores, a começar do design, assim como itautec decidamente não é referência nos mundo dos babilaques netbookquianos.mas é a tal coisa, e assim funciona, o brasil. por cá o mau marketing dos bem sucedidos se faz as contas do escambo. e a moeda de troca é o jabaculê onde em troca de tal,  anunciante,mídia,entrevistador, convivas e convidados, aceitam - de bom e de mau grado(mas aceitam), máquinas de fazer café expresso mal passadas - em forma e conteúdo - e netbooks que somar-se-ão a suas indefectíveis coleções de chaveirinhos.
e assim o mentor dos aprendizes vive sua vida de rei, que tem lá suas cortes em campos do jordão, uma jequice muito chic, como diria o próprio sobre sí mesmo?

sábado, janeiro 07, 2012

tico-tico no fubá

sob a ótica de tico santa cruz, teló é um fenômeno de aproveitamento da internet. by the way, beira-mar seria então um business master?
(misterwalk´s twitter: @misterwalk)

segunda-feira, janeiro 02, 2012

diploma para quem precisa de diploma

“O diploma é o inimigo mortal da cultura”.
PAUL VALÉRY

O mundo permanece estarrecido e perplexo diante de instituições de ensino que excluem de seu quadro de professores os únicos que, “se formaram” para estar lá: OS PRÁTICOS. Que não tiveram muito tempo para se preocuparem com mestrados e doutorados porque estavam atolados no barro do mercado, com suas roupas sujas de graxa, com a barriga marcada pelo balcão. Os únicos a deterem, verdadeiramente, O CONHECIMENTO. Os que estudaram na melhor de todas as universidades: a vida.
Assim, foi com alegria e emoção que os que acreditam que SÓ PODE ENSINAR QUEM SABE FAZER, como orientou o maior dos mestres, PETER DRUCKER, que testemunhamos há quatro anos a centenária UNIVERSIDADE DE HARVARD, diplomar, como um de seus melhores alunos de todos os tempos, um dos que optou pelo trabalho em detrimento dos livros: BILL GATES. Cursou apenas o primeiro ano, jogou os livros para cima, e foi cuidar da vida.
NADA CONTRA OS DIPLOMAS. Tudo a favor da PRÁTICA; tão simples quanto. O mesmo espírito que sempre prevaleceu nas velhas e sábias corporações de ofício. Onde, em torno de uma mesma bancada, se sentavam para APRENDER, TRABALHANDO, o mestre e seus discípulos. ESSA, EM MEU ENTENDIMENTO, CONTINUA SENDO A VERDADEIRA ESCOLA; A ÚNICA ESCOLA. A maneira como começou há décadas, na rua sete de abril na cidade de São Paulo, a Escola Superior de Propaganda.
Ao lado de BILL GATES, na relação dos SEM DIPLOMAS, figuram AMADOR AGUIAR, SAMUEL KLEIN, WASHINGTON OLIVETTO, LUIZ SEABRA, ABRAÃO KASINSKI, STEVE JOBS, MARK ZUCKERBERG e centenas e centenas de vencedores. Que entre assistir aulas de grandes mestres que se formaram nos ambientes insípidos, inodoros, irrelevantes e improdutivos das universidades optaram por utilizar o mesmo tempo nos chãos de fábrica da vida e da realidade, corpo a corpo com os operários da e em construção.
Recentemente, em entrevista ao THE WALL STREET JOURNAL, WILLIAM GATES pai, falou sobre BILL, WILLIAM GATES filho. Hoje os dois trabalham lado a lado na FUNDAÇÃO BILL e MELINDA GATES: “Jamais poderia imaginar que meu filho, um garoto respondão, e em quem um dia joguei um copa d´agua na mesa de refeição para que ficasse quieto e parasse de brigar com a mãe, que morou na minha casa, comeu da minha comida, usa meu nome, fosse ser meu patrão”… .“Um dia ele nos comunicou que desistira de HARVARD e das escolas para se concentrar em seu projeto empresarial, em Albuquerque, Novo México, uma empresa que batizou de MICROSOFT; disse que não tinha mais tempo a perder…”.
Tudo o mais é história.
Quem vos escreve, além de colaborador de importantes publicações há 40 anos, FRANCISCO ALBERTO MADIA DE SOUZA, é diretor presidente do MADIAMUNDOMARKETING, presidente da ACADEMIA BRASILEIRA DE MARKETING, e com muito orgulho e maior felicidade, fundador de uma escola LIVRE PARA ENSINAR, a MADIAMARKETINGSCHOOL, onde todos os professores são diplomados pela vida, dão aulas de macacão sujo de graxa, com botas gastas e cheias de barro, e a cintura marcada por anos de balcão.
(os sem diploma, título original do artigo)

sábado, dezembro 31, 2011

o país do pib do michel teló e do gustavo lima

O anúncio feito por alguns jornais londrinos e, mais tarde, pelo mundo, de que o PIB do Brasil superou o da Inglaterra, talvez tenha estremecido o corações patriótico de alguns brasileiros. O inglês Eric J. Hobsbawm afirmava que a proeminência econômica de certos países nem sempre lhes garantia uma maior relevância cultural. Dava, como exemplo, a Rússia do século XIX: era um país atrasado se comparado aos EUA – que já, na época, ensaiava tornar-se a nação mais poderoso do planeta. E concluía, com toda a razão, que a Rússia, mesmo mais pobre, era culturalmente muito mais avançada. E citava, sem necessariamente escolher autores americanos, os russos Tolstoi, Dostoievsky, Gógol, além dos músicos, como Rimsky Korsakov, Tchaikowsky e Mussorgsky.

Parece não ser necessário, nem conveniente, aliás, os brasileiros querermos emular os ingleses neste item. Museus como a Tate Gallery ou o British Museum, sem falar do Convent Garden, entre muitas outras instituições culturais, impõem a certeza de que o Brasil ainda tem um mundo a construir. Não é apenas uma questão de PIB.

Talvez alguém avente ser difícil mesmo, que o Brasil, a essas alturas, tente qualquer roteiro de pirataria que, bem ou mal, foi um dos fatores de enriquecimento da Inglaterra; ou que nos mobilizemos para nos tornarmos tão bons colonizadores quanto nos permitam nossas forças navais – que não temos - ou nossa vocação belicista - que igualmente nos falta.

Ademais, sem retornar no tempo, teríamos de levar em consideração que já no século XVII, a Inglaterra emergia como o futuro berço da burguesia industrial hegemônica do planeta, enquanto nós, na atualidade, até nos contentamos se tivermos uma indústria de tablets. São considerações às quais os economistas e historiadores acrescentariam certamente um mundo. Pois a isso deveríamos cuidar que emergissem talentos múltiplos como os de Shakespeare, Marlowe, Kipling, Virginia Wolf, Joyce e toda uma infinidade mais.

Ao ser questionado certa vez sobre o futuro dos vinhos californianos, um sommelier francês famoso, avaliou que só uma coisa faltava aos norte-americanos para a sua vinicultura crescer: algumas centenas de anos de cultura.

Digamos, a propósito, que o tamanho de nosso PIB, por mais desmesurado que venha a ser, jamais será suficientemente grande, a curto prazo, para gerar escritores, pintores ou músicos como os ingleses. Se é que o PIB conte alguma coisa a mais, para este tipo de mister.

Na verdade, não são questões que sequer possam ser postas na mesa. A Inglaterra não se fez ontem, nem seus artistas e intelectuais montaram seu grande teatro, sua pintura ou a sua portentosa literatura em cima apenas de cifrões; ou de uma hora pra outra, em condições não muito especiais.

Neste ponto a cultura é seletiva e, sob certos aspectos, extremamente avara. John Constable (1776-1837), grande paisagista inglês- um elo entre a Inglaterra e a França já que muitos pintores franceses se deixaram influenciar por ele, principalmente durante o período impressionista – não tinha fórmulas acabadas para as suas magníficas paisagens. Mas anotava que o céu é que determinava as cores da terra e não o contrário. A ser válida essa formulação, haveria que definir a cor do céu brasileiro; ou estabelecer como fundamentais as formações das nuvens, em cachos, não raro borrascosos, como na Grã-Bretanha. Muitos brasileiros talvez não saibam o que seja isso – mas grande parte dos britânicos não só sabe – tem, como razão inquestionável para se orgulharem do que são, a certeza de que, sem algumas dezenas ou centenas de anos, não se constroem civilizações.

Evidentemente as coisas são relativas. Não fosse o verde esplêndido e quase pastoso, os ingleses não teriam impulsionado a pintura do outro lado do canal da Mancha. E presumivelmente a pintura mundial. Sem a predominância da marinha inglesa, os relatos marítimos que fizeram um escritor polonês, como Conrad tornar-se um dos maiores romancistas da língua inglesa do século XX, seria impensável, assim como Defoe, Stevenson, e sabe-se lá quantos mais, . Nada de comparações, portanto – mesmo porque não foi tanto o Brasil que viu aumentado o seu Produto Interno Bruto, mas a Inglaterra que viu decair o seu; e por obra e graça de uma crise assustadora que ameaça a existência do euro e do mundo. No entanto, questões do tipo, dão o que pensar.

Na área cultural, que é o que interessa, o Brasil talvez precisasse menos de um PIB alto, do que de uma melhor distribuição da sua riqueza cultural. Machado de Assis admirava a literatura inglesa. Laurence Sterne. Defoe, e Fielding, entre outros, foram marcantes na sua literatura. Um de seus críticos mais categorizados, Roberto Schwartz, chega a incluir Machado no que ficou conhecido como “literatura vitoriana” – numa clara referência à era que recebeu o nome da longeva soberana inglesa e que marca o apogeu do Império Britânico. Difícil, a rigor, dimensionar o PIB com outro produto não tão bruto, como o cultural – aquilo que seria o nosso Produto Interno Cultural – o PIC (se isso existisse como tal) – e o quanto o nossa razoável condição econômica deve ao algo combalido Império Britânico.

Não é uma dívida gratuita. A Inglaterra impôs-se ao mundo tanto com suas canhoneiras bem assestadas, para destruir qualquer país, quanto com a sua língua, para desmilingüir qualquer cultura.

Numa certa medida, as coisas sempre se confundiram. E quando faltasse uma coisa ou outra, era comum os ingleses, literal e simplesmente varrerem certos países do mapa. Um dos episódios mais derrisórios desta situação se deu quando a rainha Vitória soube dos ultrajes recebidos por um embaixador inglês na Bolívia. O homem teria sido explicitamente espancado; e quando a soberana tomou conhecimento do fato, não hesitou em mobilizar o alto almirantado britânico. Queria porque queria dar uma lição ao país latino-americano. Em seus planos, deveria certamente pensar num bombardeio ou coisa que o valha. A pobre Bolívia saberia com quem estava lidando. Ocorre que só a caro custo os militares ingleses conseguiram convencer a rainha de que punir a Bolívia, era quase impossível. E a razão simplória é que, sem mar, era praticamente inadmissível atravessar outros países soberanos com um exército – fosse o Chile ou o Peru – até chegar a qualquer cidade boliviana, no altiplano. Além disso, como bombardear, desde navios, um país insular? Foi quando a rainha pediu um mapa. E se deparou então com a realidade que ela não queria admitir. Foi-lhe bastante, entretanto, ter uma carta geográfica a sua frente: com uma pena ou coisa que o valha, riscou a Bolívia e declarou-a “inexistente” para o Império Inglês. A Bolívia, enfim, só viria a reaparecer, anos mais tarde, quando, então, a rainha Vitória já tinha desaparecido. E a Bolívia voltou, quase que gratuitamente, a constar do planeta terra.

Claro, termos um PIB maior que o da Inglaterra nos estimula em nossa auto-estima, assim como nos faz repensar nossos complexos de vira-latas. Mas continuamos a ostentar índices de pobreza alarmantes, a ter uma mídia assustadoramente medíocre e a não conseguirmos nos alçar culturalmente acima de outras muitas nações, que não têm o mesmo PIB que o nosso.

Certa vez, um crítico de música brasileiro perguntou a um compositor inglês, quantas orquestra sinfônicas existiam em Londres. Ele citou, sem pestanejar: “cinco”. E quando o crítico insistiu sobre a qualidade delas, qual seria a melhor, qual a mais homogênea, essas coisas, ele não hesitou, de novo: não sabia. É que todas eram excelentes.

Talvez seja essa a questão: ela não se mede por qualquer PIB, mas são, afinal, juntamente bibliotecas, movimentos culturais, menos analfabetismo grande música ,etc. etc. o que realmente importa. Neste caso, porém...

*artigo, com o título original de o brasil tem um pib maior do que o da inglaterra: e daí? do enio squeff, jornalista e artista plástico. e se você tem alguma dúvida sobre a qualidade do pib do nosso país, basta ver as atrações musicais dos shows da virada. como alguém já disse, mesmo na merda, portugal, que é um dos países mais à rasca da europa(antes, durante e "depois" do euro) é culturalmente, civilizadamente, muito melhor do que o brasil. e ainda há quem duvide disto?" ai se eu te pego" .

quinta-feira, dezembro 29, 2011

como matar um publicitário famoso ou torná-lo estéril( o que dá no mesmo)

basta ler o epitáfio na camiseta.

mas você também pode matar uma agência inteira, dita criativa de uma vez, o que se aplica hoje(ontem) com melhor propriedade  a sra.rushmore(de há muito que parece ser a especialidade da mccann: matar agências criativas - aconteceu também em portugal com a markimage, quando ela conseguiu reunir um time do porte de anselmo ramos, cássio moron, jorge barrote, fred saldanha) já que a w andava mais para vê dabliu do que para a produtora das ideias diferenciadas que fizeram do uóshington modelo de uma geração que hoje é tratada como romântica e fora dos patterns do business atual. mas que porra de business é esse que mata o espírito daquilo que vende, quer dizer que deveria, pelo menos em teoria.
e assim a publicidade criativa, feita por iconoclastas,provocateurs, adotou o no change the rules com a consequente perda da individualidade, sufocada ao peso das fusões aos brasões de holdings que fazem o controle dos cérebros mutando agências inquietas em cemitério de elefantes, ou se preferir, de leões, desdentados, apesar de os ter todos na boca.

terça-feira, dezembro 20, 2011

um natal sem merda*


O final de ano na TV é sempre previsível. A propaganda cresce e os programas se repetem. São filmes com muita neve, os mesmos musicais e as infalíveis resenhas jornalísticas.

A televisão no Brasil não dita apenas hábitos, costumes e valores mas também o ritmo de vida da maioria da população. Nos dias úteis com seus horários para “donas de casa”, crianças e adultos e nos fins de semana, com uma programação diferenciada, supostamente mais adaptada ao lazer.

Mas não fica ai. A TV organiza também as comemorações das efemérides ao longo do ano, das quais o ponto alto é o Natal. Com muita antecedência saltam da tela canções da época e muita propaganda, criando clima para o “espírito natalino”.

As crianças são o alvo principal da publicidade. Se já são bombardeadas com apelos de compra o ano todo, no Natal a pressão cresce.
Apresentadoras joviais e alegres conquistam a confiança dos pequenos telespectadores com seus dotes artísticos para, em seguida, atraí-los para as compras, no mais das vezes, desnecessárias. Da classe média para cima é comum ver crianças com brinquedos pouco ou nada usados, comprados apenas como resposta aos apelos publicitários.

Mas a TV não está só nas casas de quem pode comprar. Hoje ela é um bem universalizado no Brasil, advindo dai a sensação de exclusão sofrida por crianças cujas famílias estão impossibilitadas de satisfazer seus desejos. Esse desconforto resulta da crença de que o consumo é um valor em si, substituto da cidadania. Só é cidadão quem consome.

“O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do mercado em democracia, do consumismo em cidadania” diz o professor Octávio Ianni no “Príncipe Eletrônico”, artigo que se tornou referência para a discussão do papel político da comunicação nas sociedade modernas.

No Natal a metamorfose atinge o auge e segue até a virada do ano. As mercadorias ganham vida na TV e estão à disposição para satisfazer todos os nossos desejos, o mercado oferece democraticamente a todos os mesmos produtos e ao consumi-los exerceríamos nossos direitos de cidadãos. São falácias muito bem embaladas em luz, cores e sons sedutores.

As regras do jogo são essas. Quem mantém as TVs comerciais são os anunciantes. Mas, apesar disso, as emissoras poderiam ter um pouco mais de criatividade. Não há Natal na TV brasileira sem a milésima reprise do filme “Esqueceram de mim”, com neve em quase todas as cenas ou sem o indefectível “especial”, sempre com o mesmo cantor.

Dessa mesmice nem o jornalismo escapa. As chamadas resenhas de final de ano não são mais do que colagens em forma de “clips”, usadas mais para reviver sustos já sofridos pelo telespectador do que para informar. Em determinado ano, que pode ser qualquer um, o apresentador famoso abria a resenha na principal rede de TV exclamando: “um ano de arrepiar em todo o planeta. Incêndios, terremotos, furacões”. E dá-lhe imagens espetaculares que, de notícia, pouco tem.

Podia ser diferente? Claro que sim. Poderíamos ter na TV um Natal mais brasileiro e um final de ano criativo (com a publicidade mais controlada). Realizadores não faltam, o que faltam são oportunidades para mostrarem seus trabalhos. Mais de 200 deles apresentaram pilotos de programas no Festival Internacional de Televisão, realizado em novembro no Rio. Não haveria ai gente capaz de tirar a televisão da rotina desta época?

Criatividade é o que não falta na produção audiovisual brasileira. Precisamos é de ousadia para mostrá-la ao público oferecendo bens culturais capazes de enriquecê-lo espiritualmente. Ou como dizia um diretor da BBC, a melhor TV do mundo: “temos a obrigação de despertar o público para idéias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, e talvez desafiando suposições existentes acerca da vida, da moralidade e da sociedade. A televisão pode, também, elevar a qualidade de vida do telespectador, em vez de meramente puxá-lo para o rotineiro”.

Belo desafio, não? Feliz Natal.

(1) artigo públicado originalmente na edição de dezembro da Revista do Brasil e também publicado na carta capital.


Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

* digamos que a titulação de misterwalk refere-se ao coco das renas.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

o doutor house da publicidade portuguesa

No ano em que Pedro Bidarra completou dez anos de actividade publicitária na BBDO, o M&P propôs-lhe uma entrevista fora dos formatos tradicionais. O jornal só fez uma pergunta mas pediu a nove pessoas que já se cruzaram com o criativo para lhe colocarem uma questão. Os escolhidos foram, entre os clientes da BBDO, Rita Torres Baptista (directora do departamento de marketing e comunicação do BES), Pedro Cruz (CEO da Gallo Worldwide), Isabel Calado (directora de marketing da Galp Energia), aos quais se juntaram Miguel Barros (CEO da Fuel e ex-director de marketing da Optimus, conta que foi trabalhada pela BBDO). Contamos também com a ajuda de criativos que já trabalharam com Bidarra: Albano Homem de Melo (o ex-presidente da Young & Rubicam foi redactor na direcção criativa de Bidarra na TBWA e director criativo na BBDO também com Bidarra), Diogo Anahory (criou a agência BAR, tendo trabalhado na direcção criativa da BBDO) e Nuno Jerónimo (abriu agora O Escritório e privou com o entrevistado durante oito anos). João Wengorovius (até aqui CEO do grupo BBDO), José Sá Fernandes (vereador da CML, para quem Bidarra criou a campanha O Zé Faz Falta) e o próprio M&P também colocaram as suas questões. As respostas foram dados, por escrito, por Pedro Bidarra. Vale a pena recordar este texto de 2009, numa altura em que é conhecida a sua saída da agência.

A Rita Torres Baptista, directora de comunicação do BES, pergunta-me se podem (presumo que o BES) contar comigo nos próximos 10 anos.

Claro que podem desde que se portem bem e me tratem com deferência, simpatia e profissionalismo. Se cumprirem os prazos combinados, se tiverem interlocutores inteligentes com quem eu possa conversar e sobretudo se souberem ouvir, podem contar comigo. Se souberem aconselhar o melhor para mim, que eu não sou de discutir e casmurrar sobre assuntos que me ultrapassam, se não me mentirem, se não me roubarem ou enganarem, se me atenderem o telefone, se me fizerem o ocasional favor que não estava combinado ou era esperado fazer, se ainda existirem e se os vossos preços forem no mínimo mais em linha com os do mercado (que eu não me importo de pagar premium se o serviço for premium), então podem continuar a contar comigo como cliente do BES. Aproveitando para responder à pergunta do João Wengorovius — onde é que vai estar o Pedro Bidarra daqui a três anos? — direi que não sei onde é que vou estar daqui a três anos mas sei onde vai estar o meu dinheiro.

A não ser que o cenário imaginado pelo meu concorrente e ex-cliente Miguel Barros se verifique. Diz ele — Imagina (…) que nenhuma agência te quer e não tens dinheiro para criar uma de raiz. Contudo, todas as empresas/ organizações nacionais te querem como seu director de marketing. Em que empresa ou sector trabalharias, o que farias diferente do padrão da função, com que parceiros consideravas trabalhar (BBDO não conta!).

Obrigado Miguel, sempre soube que me querias bem.

Mas a pergunta é interessante, vamos lá então tentar responder. Em primeiro lugar não sei se director de marketing será o cargo mais adequado ao meu perfil. Depois de ter sido director criativo, director-geral e COO de uma empresa que se mantém há 10 anos na liderança de um mercado tão competitivo e de tão difícil gestão como é o da comunicação comercial, voltar para baixo na carreira não era o que eu estava a ver-me fazer. Como grande gestor lusitano estava-me antes a ver ser convidado por um amigo para me sentar no conselho de administração de uma grande empresa com o pelouro do marketing e comunicação institucional, ou mesmo num cargo muito bem remunerado de administrador não executivo. Uma coisa à portuguesa.

Mas enfim, imaginemos que estou na rua da amargura e que não tenho onde cair morto como tão gentilmente o Miguel Barros agoira.

O sector que melhor conheço como gestor e como criador é o da comunicação e o dos conteúdos, seria portanto sempre uma escolha óbvia se pudesse escolher. Mas também faria com o mesmo à vontade banca, telecomunicações ou pensos higiénicos.

Quanto ao modo como desempenharia a função de director de marketing, ou melhor, de cliente, que é como a espécie é conhecida nas agência, fá-lo-ia seguindo os bons exemplos que foram alguns e evitando os maus que foram muitos, devo dizê-lo com toda a honestidade.

Conto-te uma história que é um bom indicador de como seria como cliente.

Uma vez quis fazer uma casa de férias. Tinha o terreno e fui falar como o grande, moderno e talentoso arquitecto Manuel Mateus, que é amigo da rua do tempo dos Olivais, a pedir-lhe, imagine-se, que me arranjasse um arquitecto. A razão é que eu queria uma casa “normal” de férias e não uma extravagância criativa. Estava com medo de ter alguma coisa “muito criativa” e desconfortável. Ora o Manuel Mateus, fingindo-se ofendido perguntou-me porque é que eu não fazia com ele, ao que eu respondi que era apenas uma casita e que achava que ele só fazia museus e grandes obras. Ele respondeu-me que não, para lhe dar um brief e se gostasse fazíamos a casa, se não gostasse não fazíamos.

Eu anui mas continuei com algum receio da extravagância criativa (há sempre algumas áreas onde somos conservadores) e por isso escrevi um brief. Um brief que abordava tudo o que eu queria da casa, e não na casa.

O que eu queria ouvir e sentir na casa, como é que queria que os meus hóspedes estivessem, o que esperava fazer enquanto lá estava e os meus medos e receios como cliente. O brief acabava com a frase “… quero viver numa casa que se pareça com uma casa, não um museu”. Tinha escrito tudo ou quase tudo pois quando fui apresentar o briefing o Manuel disse-me que — … estava tudo muito bem mas concretamente quantos quartos, casas de banhos — e outros importantes detalhes que condicionam a obra e que eu tinha deixado de fora; os dados do briefing propriamente ditos. Ora o Manuel Mateus umas semanas depois, e depois do proverbial adiamento criativo devido a um qualquer problema com a impressora, apresentou-me uma proposta genial, uma obra prima, que não só respondia a todos os dados do briefing, como pegava nos meus constrangimentos e os transformava numa experiência estética única. Era uma casa que parecia uma casa como eu tinha pedido no brief.

Era assim que eu seria como cliente: escolher os melhores sem medo do seu génio ou visão e tentando dar-lhes os melhores, mais claros e inspiradores briefings possíveis.

Mais difícil era escolher com quem trabalhar hoje. Vamos deixar essa parte para quando tiver que acontecer, mas uma coisa é certa, não conseguiria trabalhar com aldrabões, bluffistas e gente que mete dinheiro ao bolso. E esses eu sei quem são.

Olha com quem eu gostaria de trabalhar era com o Albano Homem de Melo mas esse teve o juízo suficiente para se estabelecer por conta própria e fazer, de modo brilhante, o marketing do H3.

Pergunta o Albano:

— Depois de tantos anos a seres o melhor publicitário português já conseguiste uma explicação para o facto de neste negócio de compra e venda de ideias, onde as boas são um bem raro, serem as más a ter muito maior procura?

Infelizmente não é só aqui é em todo lado. Se bem que cá na terra seja aflitiva a quantidade de dinheiro desperdiçado em comunicação que não faz aquilo para que foi feita, i.e. comunicar. As razões são muitas, como sabes, e a primeira é filosófica.

Não há o bom sem o mau. Sem o mau o bom não se distingue, não sobressai, não brilha. É como quando se assiste à shortlist em Cannes e de repente filmes óptimos, brilhantes, empalidecem e rapidamente passam a maus perante outros que brilham ainda mais. Os bons agradecem aos maus a sua brilhante existência.

Depois é preciso compreender a função de director de marketing ou PM numa organização. Estamos a falar de uma função intermédia; as pessoas que a desempenham raramente lá querem ficar muito tempo pois têm carreiras para prosseguir. Ora como o resultado da função se vê muito, é muito público e a maior parte dos carreiristas tem compreensivelmente medo que a visibilidade seja a errada optam por não arranjar chatices que é optar por ideias más que normalmente tomam a forma de ideias desenxabidas, sensaboronas e sobretudo convencionais. Curiosamente os melhores directores de marketing, os inteligentes os que arriscam e com isso ganham visibilidade para continuar com sucesso as suas carreiras, são os que lá ficam menos tempo.

E depois há organizações que acham que o consumidor é profundamente estúpido e deve ser tratado como tal. Essas são as que fazem a publicidade estúpida que o consumidor em casa comenta dizendo “que anúncio mais estúpido”.

Enfim caro Albano, há milhares de razões para fazer mal e milhares de razões para que uma ideia, mesmo boa, se torne má. São tantas as razões que quase acredito que a única razão para que uma boa ideia seja comprada e produzida é a existência de um cliente inteligente, competente, corajoso e de elevado sentido estético. Enfim um milagre.

E falar em milagres leva-nos ao Pedro Cruz que aprovou e mandou produzir as campanhas do azeite Gallo e que me pergunta:

— Qual foi o seu melhor colaborador a nível criativo? Com quem é que aprendeu mais na sua carreira (até agora)?

O melhor foi o José Heitor que foi o director de arte que mais e melhor me completava. O José tinha tudo o que eu não tinha e ainda a mesma obsessão e amor ao detalhe e ao trabalho. Era à sua maneira uma pessoa excessiva como eu, e como eu não vinha dessas escolas que deformam pessoas absolutamente normais e às vezes inteligentes em publicitários através do ensino de sucata intelectual. Não, o José Heitor aprendeu artes gráficas antes dos computadores como eu aprendi a escrever antes dos psicopedagogos tomarem de assalto o Ministério da Educação e estragarem geração atrás de geração de alunos. O resultado é que nenhum de nós pertencia à geração de “publicitários” amigos. Isso tornou-nos outsiders e por isso mais competitivos.

O José Heitor como eu, nunca desistiu de aprender e até hoje é o que mais sabe da técnica da direcção de arte. Tínhamos ainda em comum raízes no mesmo Alentejo o que nos permitia, sem qualquer embaraço, dormir uma boa sesta.

E ainda por cima era (e é) uma pessoa boa.

Com quem mais aprendi não sei. Eu aprendo com toda a gente que tem coisas para ensinar. Aprendi com o Bonnange e o Wisendenger, B e o W da TBWA respectivamente planeamento estratégico e direcção de arte, aprendi com o Cristopher Bochman, o meu professor de composição a compor e que ser criativo dá trabalho, aprendi epistemologia e a pensar melhor com o professor Pina Prata na Faculdade de Psicologia, aprendi e aprendo sobretudo com os livros e aprendo todos os dias com o João Wengorovius.

E aprendi com clientes os seus negócios e hoje graças a eles e a esta profissão sei do negócio do azeite, dos telemóveis, dos automóveis, da banca, da distribuição e da energia e da política, entre outros.

E política é a deixa (embora forçadita) para enfiar no correr do texto a pergunta do meu amigo e cliente pro bono José Sá Fernandes, que muita falta faz à cidade de Lisboa. Pergunta o Zé “que slogan ou frase utilizaria para definir o mandato de Pedro Santana Lopes na Câmara Municipal de Lisboa?”

Na verdade para definir o Santana, o seu mandato e tudo o que ele representa na política não usaria uma frase mas antes uma imagem:

Ao contrário do Santana, a pergunta da minha estimada Isabel Calado é séria:

— Como vê a evolução da relação entre a agência e o cliente à luz do actual contexto? Quais são as maiores dificuldades que sente junto dos clientes?

A maior tensão hoje na relação com os clientes é sem dúvida a remuneração. Ainda há pouco tempo tivemos acesso aos números das agências e o panorama é aberrante. Há agências com operações deficitárias, há agências com passivos de milhões de euros e há agências a viver de negócios financeiros como se fossem sociedades financeiras em vez de viverem do que fazem que é criar conteúdos de comunicação comercial. O sector não está a cobrar o que deve e os clientes estão dispostos a pagar só gato. Ora sem a justa remuneração não é possível atrair o talento, a competência e a qualidade.

Na BBDO, e desde a liderança do João Wengorovius, temos procurado com sucesso ser remunerados pelo trabalho e pelos resultados do nosso trabalho no negócio dos nossos clientes, apesar de uma concorrência que escolhe fazer dumping e viver das aparências de sucesso em vez do sucesso propriamente dito. O maior problema é pois o do valor que nós criamos para o negócio dos nossos clientes e que é poucas vezes justamente recompensado.

Problema tanto maior quanto actualmente é necessária ainda maior competência e talento para trabalhar em multiplataforma que é o que o contexto pede face à fragmentação da media. Fragmentação que tornou o consumidor mais esquivo do que alguma vez foi e mais poderoso na edição do que quer e não quer ver e ouvir. A única resposta para uma comunicação eficaz neste contexto é mais e melhor talento, um talento holístico solidamente formado, culto e por isso ainda mais raro e ainda mais caro. O grande desafio para as empresas de comunicação é ter ideias, ideias que viajem em multiplataforma e que sejam procuradas pelo consumidor. O grande desafio para as marcas é encontrar quem seja capaz de criar estas ideias. O desafio de cliente e agência juntos é tornar a relação vantajosa para ambos.

A próxima pergunta vem do Diogo Anahory que primeiro preambula e depois questiona: — Pedro, a BBDO formou, ao longo destes 10 anos, alguns dos profissionais que hoje são directores criativos noutras agências. No dia em que deixares a agência, não há o risco de a deixares órfã?

Oh meu caro Diogo, a BBDO existia antes de mim e existirá depois de mim. Eu não sou nem mãe nem pai dela para a deixar órfã nem sequer o meu nome está na porta para assombrar o meu sucessor. As pessoas que como tu trabalharam comigo e resolveram sair (e não foram só directores criativos, foram planeadores estratégicos, foram directores de contas que hoje são directores gerais, foram produtores que hoje estão por conta própria…), fizeram-no porque cresceram para além da função que a organização tinha disponível para elas. No dia em que eu sair, a BBDO resolverá a situação contratando alguém para o meu lugar e a vida continuará sem dramas, ou melhor, com os dramas do costume. A BBDO é uma marca forte que com certeza continuará em Portugal enquanto achar que este mercado vale a pena. A verdade é que se a agência fosse minha e eu me quisesse reformar mantendo a sua posse teria que me preocupar com a sucessão. Ora não sendo coisa minha não tenho esse direito nem esse dever. Quem vier depois que se amanhe.

Estás melhor do ombro? — pergunta o Nuno Jerónimo.

Ah, ah, apanhaste-me o ponto fraco. Está mais ou menos. Sabes que com a idade a coisa mais difícil de tratar são os ligamentos pois com o uso excessivo nunca mais ficam os mesmos. A solução é fortificar os músculos à volta da coifa para que eles sofram menos pressão evitando assim a inflamação. E foi por isso que comprei uma máquina espectacular que faz o mesmo que a do fisioterapeuta e não tenho que lhe pagar 50 euricos para me pôr os eléctrodos. É a Cefar Myo X2 e vem com vários programas: desde o aumento de força e massa muscular até ao tratamento da dor e inflamação. Não há nada melhor que invenções que nos ajudam a combater o tempo.

Dizem alguns historiadores que a primeira grande invenção para combater o tempo e a maior responsável pelo sucesso da Europa foi a invenção dos óculos. São eles que permitem que quando as pessoas chegam aos quarentas, no auge das suas capacidades intelectuais e depois de anos a aprender e a entender o mundo e a vida, possam continuar a trabalhar. Foi graças aos óculos que se desenvolveu o trabalho de minúcia, as máquinas, os relógios e os vários mecanismos que deram durante séculos a liderança tecnológica à Europa. Antes dos óculos aos quarenta, com o endurecimento da córnea e a perda da capacidade de ver ao perto, as pessoas deixavam de ler, escrever e trabalhar. Toda uma vida de sabedoria era desperdiçada.

Assim com a invenção dos óculos foi uma alegoria, perdão, alegria.

E a tua cabeça, como é que vai?

E são finalmente os temas clínicos que nos conduzem à última pergunta feita pelo próprio Meios & Publicidade e por isso com uma profundidade jornalística que as outras não tiveram:

— Já nos disseram que é o Dr. House da publicidade portuguesa pela conjugação de talento com mau feitio. Estarão certos?

Como é que uma pessoa há-de responder a tamanha homenagem, a tão desmesurado elogio, sem se embaraçar ainda mais. Utilizarei pois o agradecimento da Amália.

Obrigado, obrigado, eu não mereço, eu não mereço.”

Pedro Bidarra.


no meios&publicidade desta semana, atestando-se que está-se mesmo na merda, seja lá ou seja cá, de modo que os sanos da atividade passam a ser apelidados como houses.


quinta-feira, dezembro 15, 2011

agora, imaginem em jaboatão

O que move as pessoas é a percepção, não a realidade. Caminham em função daquilo que acreditam ser, não necessariamente, do que é, de verdade. Sintetizando, a percepção, mais que a própria realidade, é a “realidade” que conta.

Há 35 anos a qualidade de vida na cidade de São Paulo degringolava. As pessoas incomodadas procuravam alguma alternativa de final de semana, ao menos para atenuar o cansaço, na expectativa de que um dia a cidade encontraria soluções para os problemas de trânsito, segurança, e outros serviços básicos e essenciais. Nesse momento um empreendimento pioneiro oferecia o melhor de dois mundos: todas as facilidades, possibilidades e oportunidades da metrópole, sem os desconfortos e constrangimentos da cidade grande, a uma distância mais que conveniente. Nascia naquele momento ALPHAVILLE, referência de solução para todos esses e muitos outros problemas. Uma espécie do melhor de dois mundos.

Hoje, 35 anos depois, a realidade é outra. ALPHAVILLE virou, segundo muitos moradores, um inferno pior que a cidade de São Paulo, razão de sua origem e existência. Mas, a fama de ALPHAVILLE permanece muito maior do que sua realidade. E assim, novos e bem-sucedidos lançamentos de ALPHAVILLES vão se multiplicando pelo país. Até porque, e como iniciamos, a percepção sempre prevalece sobre a realidade.

Na segunda semana de novembro de 2011 a revista SÃO PAULO da FOLHA de S. PAULO fez um amplo balanço daquele que nasceu e ainda é reconhecido como “condomínio dos sonhos das grandes metrópoles”. Conclusão da revista: “ALPHAVILLE, ou, SÃO PAULO?”. No início, o único inconveniente ou ponto negativo de ALPHAVILLE era a distância. Hoje, a distância continua a mesma e todos os problemas típicos das cidades grandes estão presentes no “condomínio dos sonhos”.

Mesmo sendo ainda um pouco – um pouco só – mais barato o preço dos terrenos, casas e apartamentos, existir um pouco – um pouco só- a mais de segurança, a distância curta pelo adensamento do trânsito já não é tão curta assim, os congestionamentos internos são frequentes, falta transporte público nos diferentes condomínios assim como calçadas em outros, em alguns residenciais não existe tratamento de esgoto, e a falta de água e luz é frequente.

A partir deste ano o número de moradores insatisfeitos engrossam os grupos de relacionamento no FACEBOOK. 500 deles saíram em marcha pelo condomínio no dia 5 de maio usando nariz de palhaço e batendo em panelas, e o residencial dos sonhos agora é uma ilha cercada de prédios comerciais por todos os lados.

Que aquilo que aconteceu com aquela que é, ainda, e enquanto perdura a percepção, uma referência em tentativas de se atenuar os problemas do adensamento populacional nas grandes metrópoles, sirva de lição para todos os novos empreendimentos, e seus futuros moradores.

Para que não venham a repetir o que a psicóloga KÁTIA PEUCKERT declarou à FOLHA, “Quando vim para cá, nos anos 1980, tinha gente que chamava ALPHAVILLE de fim de mundo. Agora, está virando Terceiro Mundo”. Ou, como comentou outro morador, THOMAZ ASTOLFI, “somos pessoas que compraram um estilo de vida que não existe mais, de calma, de natureza. Se continuar do jeito que está, ALPHAVILLE em breve será pior do que SÃO PAULO”.

(alphaville, realidade e percepção, do madia, que neste fim de ano está tornando os papais-noéis de certas empresas ainda mais vermelhos de raiva).

Em tempo: muitos dos que se mudaram para ALPHAVILLE deram marcha a ré e retornaram para São Paulo. Descobriram que eram felizes e não sabiam.

sábado, dezembro 10, 2011

neuroembromation 2 ou o neuro como a neura da certeza


Devido a grande repercussão do comentário dos consultores do MADIAMUNDOMAKETING sobre esse ridículo que é o tal de “NEUROMARKETING”, e de muitas pessoas terem se incomodado da forma como tratamos – e agora reiteramos – essa bobagem, retomamos o tema sobre outro viés, o viés dos estudiosos do assunto. Em nossa abordagem reiterávamos, sem entrar nos méritos de metodologia ou técnica, de sua inconsequência, de sua inutilidade. Nos tempos modernos não existe tempo para se fotografar cérebros, analisar, tirar conclusões, e tudo o mais. Em verdade, é melhor ir direto a fonte de tudo isso e permanecer 24 X 24 horas por dia observando e aprendendo com o comportamento das pessoas. Como o faz, por exemplo, o autor de novelas AGUINALDO SILVA. E daí, a autenticidade e excelência de suas obras.

Hoje vamos nos ater a entrevista que o intelectual e neurologista britânico RAYMMOND TALLIS concedeu a revista GALILEU da EDITORA GLOBO. Responsável pela construção do CENTRO DE NEUROCIÊNCIA DE MANCHESTER, a maior parte das mais de 200 pesquisas que realizou até hoje são sobre o CÉREBRO. Confira agora suas ponderações sobre o assunto.

- NEUROMANIA – “Em função dos extraordinários avanços da neurociência, e de mais pesquisadores terem acesso a equipamentos de ressonância magnética funcional – que fotografa as atividades do cérebro – existe uma onda no mundo de se tentar explicar tudo sob a luz da neurociência. Só que essa evolução faz com que se confunda a atividade cerebral, que é uma condição necessária para a consciência, com a própria consciência. É o que chamo de neuromania: achar que tudo o que somos é por causa do cérebro”.

- OXITOCINA – “Só posso rir daqueles que consideram e estudam ministrar drogas para mudar o comportamento das pessoas. Quando era estudante, a OXITOCINA era a substância responsável por fazer o útero contrair. Agora, as pessoas viram que ela torna alguns roedores mais fiéis a seus parceiros. Mas não há a possibilidade de administrar essa droga e transformar todo mundo numa espécie de zumbi moral, isso é bobagem”.

- PSEUDO-DISCIPLINAS – “Normalmente essas disciplinas são um híbrido usando “neuro” ou “evolucionário” e alguma coisa. Por exemplo: neurodireito, neuroestética, neuromarketing, neurocrítica literária. São pseudos porque a neurociência tem muito pouco a dizer sobre o objeto particular de seus estudos”.

- O SER HUMANO – “Vamos tomar como exemplo a neurociência usada em crítica literária. Alguns dizem que se realmente queremos entender a resposta de um leitor a um livro, precisamos olhar o que o cérebro desse leitor faz enquanto ele lê. Você pode expor pessoas a frases e ver como o cérebro responde, se a palavra ativa áreas do cérebro relacionadas a qualidades poéticas. Só que, na verdade, ler um livro está longe de ser uma resposta a uma série de estímulos associados com palavras. É se engajar com o mundo que está se abrindo na sua frente, é questionar a posição do escritor, imaginar o que está acontecendo, ser um pouco crítico sobre a verossimilhança da história e pensar no que isso poderia trazer sobre o mundo em geral. O LEITOR NÃO É APENAS UM CÉREBRO RESPONDENDO A ESTÍMULOS. É UM SER RESPONDENDO NO NÍVEL MAIS ELEVADO A UMA OBRA DE ARTE COMPLEXA”.

- ALERTA – “A redução do SER HUMANO a ondas cerebrais, a ideia de que precisaríamos de engenheiros de seres humanos, de que nossas políticas seriam baseadas em ciência… Esse tipo de cientificismo tem uma história muito triste no passado”.

(neuroembromation 2 do madia, que utiliza o agnaldo como pattern da observação criativa). misterwalk diria que em relação ao agnaldo, menos, madia, menos, sem deixar de reconhecer o seu valor de autor - que hoje em dia são sempre garroteados pelos group discussion - mas concordando com as observações sobre a chico-espertagem dos que levantam a bandeira do neuromarketing - tem gente até abrindo agência disto, pro pudor! - que eles não tem - . e assim la nave vá neste mercado onde cabeças de pulga vão se guiar pelo neuroseilámaisoquê.


quinta-feira, dezembro 08, 2011

bullshit do antônio ou apagando o fogo do lavareda

Em verdade, as pesquisas quantitativas – a que busca expressão numérica e consistência estatística às perguntas que se faz às pessoas de forma direta e objetiva – são bem anteriores a GEORGE HORACE GALLUP (1901/1984). Mas foi ele, e seu instituto, muito especialmente por prognosticar em 1936, após uma amostra com 5.000 eleitores americanos, que FRANKLIN DELANO ROOSEVELT derrotaria ALF LONDON nas eleições para a presidência dos Estados Unidos que deu expressão e notoriedade à metodologia.

As pesquisas qualitativas têm vários pais, mas foi ERNEST DICHTER, behaviorista, que na década de 1940 ensinou a todas as empresas do mundo, após emblemática pesquisa para o sabonete IVORY, da PROCTER, que jogavam no lixo toda a propaganda que faziam porque era entediante e meramente informativa. Não sensibilizava as pessoas. Não respondia de forma pertinente sobre as razões e motivos que levavam as pessoas se comportarem, em termos de compras, da maneira como se comportavam.

E assim caminhava a humanidade até a virada do milênio e estamos conversados. Quando GALLUP pontificou, o mundo caminhava a uma velocidade de 20 km por mês, no máximo, e existia tempo para os procedimentos que essa ferramenta demandava. Quando DICHTER decolou com a metodologia qualitativa o mundo caminhava a uma velocidade de 22 km por semana, e ainda suportava todos os procedimentos básicos que garantem confiabilidade a esse tipo de medição. Como disse certa vez GERTRUD STEIN, “não existe lá mais ali”. Esse mundo ficou para trás, as metodologias continuam sendo fantásticas, mas, e apenas, não correspondem mais ao ritmo do comportamento do ser humano, à velocidade da vida, num mundo definitivamente globalizado e em tempo real.

Agora se começa a fazer a apologia de uma nova metodologia. E Quanto mais eu leio os apologistas da “neuroqualquercoisa” falando mais eu admiro os Práticos dos Portos, JOSÉ MARTINS RIBEIRO NUNES – o ZÉ PEIXE, e os Médicos de Família. Se a velha, boa e consagrada pesquisa – tanto a quanti como a quali -, mais que comprovada e validada encontra tremenda dificuldade em sobreviver num ambiente de permanente mudança e em tempo real, agora vêm com combinações de “eletroencefalogramas e eyetracking” para prognosticar e prever o comportamento das pessoas.

Na medicina e nas pesquisas científicas, onde existe tempo mais que suficiente, tudo bem. No marketing e nos negócios, e por enquanto, bulshitagem pura.


Não despregar o olho das pessoas, monitorar 24X24 o comportamento dos clientes, e decidir levando em consideração seu comportamento – entendendo o que quer e o que não sabe que quer e quer, a partir da observação, compreensão e análise de seu comportamento, tudo isso feito num piscar de olhos por uma equipe sênior e competente, é a única maneira eficaz de sobreviver e prosperar neste ADMIRÁVEL MUNDO NOVO. Mas, como os principais players da atualidade ainda são mega corporações aprisionadas ao modelo e cultura da sociedade industrial, acabarão alimentando essas “novas” empresas e “novas” ferramentas, porque adoram investir em quinquilharias e penduricalhos – reitero, por enquanto. Neurosqualquercoisas e dinossauros corporativos se merecem: nasceram um para o outro. Ou, vice-versa, se preferirem.

Mais que nunca é o momento e a hora de confiar em quem entende de público, de pessoas. E salvo prova em contrário, o GALLUP, o DICHTER, da atualidade, em nosso país, se chama AGUINALDO SILVA, autor de novelas: “Quer conquistar o público? Conheça-o”. E como conhecê-lo? Em matéria para NEGÓCIOS, ROBSON VITURINO explica a metodologia de AGUINALDO. Na primeira etapa de seu processo criativo, AGUINALDO SILVA tem por hábito investigar in loco os universos que busca retratar… Se o objetivo é ouvir a voz do morro sobe a favela RIO DAS PEDRAS para visitar amigos. Como disse a ROBSON, “Volta e meia vou lá comer um baião de dois. Sou como o SADDAM HUSSEIN, nunca sei onde vou dormir.

(neuroembromation, do madia, parte 01)

quarta-feira, dezembro 07, 2011

ferramenta do diabo


“O mau artífice culpa a ferramenta”.

PROVÉRBIO

Em anos idos, e conforme magistralmente registrado por THEODORE LEVIT em seu clássico MARKETING MIOPYA da HARVARD BUSINESS REVIEW, empresas e executivos apaixonavam-se pelos produtos. Acordavam com o produto, almoçavam com o produto, cafezinhos todos com o produto, e ainda levavam o produto para a cama. E no dia seguinte, e mais apaixonadamente, a situação se repetia. Deu no que deu. Quem se apaixona pelo produto fica com o produto e perde o mercado. Quem ignora o cliente cego de paixão pelo produto, fica e morre com o produto e é ignorado pelo cliente.

De uns anos para cá empresas e executivos se apaixonam por ferramentas. Da mesma maneira como se um carpinteiro, ao invés de usar o martelo para seus devidos fins, isso é, para pregar da melhor forma possível todos os pregos, carregasse o martelo em um sensual saquinho de veludo azul evitando e prevenindo seu contato com qualquer espécie de prego.

Ferramenta é meio e não fim. Ferramenta presta serviços e jamais, em momento algum, deve ser o alvo das atenções. Quem mantém empresas vivas e prósperas é o mercado e parte de seus habitantes, que depois de sensibilizados, seduzidos e conquistados merecem a denominação de clientes. Mas, e de novo, empresas e executivos apaixonam-se pelas ferramentas, muito especialmente em momentos de revolução tecnológica, do fascínio que o mundo web exerce.

Na GAZETA MERCANTIL de 13 de abril de 2009, meses antes de encerrar suas atividades, uma grande matéria assinada por NEILA BALDI e CLAYTON MELO. Na matéria, empresas e executivos, com toda a razão, enaltecem todas as possibilidades e recursos da internet. E isso deveria ser tudo. Deveriam reconhecer a qualidade e virtudes da nova ferramenta, e retornarem aos fundamentos. Olhos totalmente concentrados no mercado, em busca de suspects, no processo de sensibilizá-los e interessá-los convertendo-os em prospects, e, finalmente, e num último e derradeiro lance, possibilitar que realizem compras e se convertam em clientes. Se para isso vai se recorrer às ferramentas do mundo virtual, digital, real, ou sobrenatural, é uma escolha decorrente de um critério de qualidade: o ponto de contato mais eficaz e relevante entre empresa e suspect em cada situação.

Infelizmente não é esse tipo de comportamento que se encontra na maioria das empresas. Seus executivos proclamam orgulhosos e envaidecidos, que estão “montando equipes exclusivas para coordenar as ações de marketing na rede”. De novo, recaída; a velha e inconsequente paixão pelas ferramentas de volta.

Tudo o que uma empresa moderna e totalmente voltada para o mercado tem a fazer é se organizar para que seus executivos concentrem toda a sua inteligência e sensibilidade monitorando os passos e comportamentos de seus suspects, prospects e clients, e das diferentes tribos que frequentam. Se vão usar tacape, flecha, espingarda, bodoque, ou estilingue para acessá-los, ou se o caminho é pelo mundo real ou virtual essa é uma decisão posterior e decorrente.

Acorda, gente!

(dormindo com o alicate. texto mais que oportuno daquele que é considerado a maior autoridade em marketing do pais. o joão doria? não, este ainda é aprendiz, é do madia, francisco alberto madia de souza)

um apartezinho, do misterwalk, para não perder a viagem: existe um grupo que tem que ter sim tara pelas ferramentas: os fabricantes(vendedores, publicitários-no seu ofício, of course- de "alicates", os verdadeiros utilizadores premium e heavy-users do produto(ou deveriam ser). sem esta paixão, ou seria aperto, vamos ficar séculos sem jobs;