quarta-feira, outubro 08, 2008

ao mestre com carinho

o silêncio é a melhor homenagem.

porque, acima de tudo, o silêncio não puxa-saco. neste caso, quem cala não consente. tampouco aproveita-se da ocasião, seja ela qual for, para arrancar de exemplos mortos algum sopro de vida sobre a qual julgam aspirar aquele brilho de momento, o falso faro das mentes mortas de nascença.

por isso o silêncio é eterno. os elogios, murmúrios de uma lista que se auto-apaga diariamente.

in tempo: certas agências deveriam seguir a máxima de leo burnett: "tirem meu nome da porta" - quando vaticinou a possibilidade da desvirtuação dos seus princípios, que determinaram a fundação do projeto ao qual deu seu nome .

quase nunca, filhos ou não, os que ficam não conseguem tocar a obra com a qualidade da visão original do fundador, que exige ainda mais um trabalho silencioso, para verdadeiramente louvar o exemplo da verdade do mestre para com a publicidade, que lembrado por algum dos seus, ainda assim por eles mesmos cristalizado, como mais uma mentira do mercado post morten, nesta hora em que o silêncio, mais uma vez, deveria falar mais alto.

silêncio, ante a última tragada. no peito, fica o fogo ardido sem nenhum sinal de fumaça.



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terça-feira, setembro 30, 2008

do asterix para os sacis-pererês

Bom, já faz quase três meses que estou trabalhando aqui na McCann Bruxelas.

Das várias coisas diferentes, duas me chamaram bastante a atenção: a formação dos diretores de arte / redatores e o processo de trabalho na criação.

Primeiro, a formação.

Quando falei que no Brasil muitos diretores de arte fizeram faculdade de Comunicação, o pessoal daqui não entendeu direito: "Como assim, os DC não estudaram artes plásticas? Então provavelmente eles devem ter tido uma experiência anterior como desenhistas, pintores, grafiteiros".

Eu respondi que talvez, já que não poderia responder por todos, mas que o padrão, nos ùltimos 5, 10 anos, tem sido formação em Comunicação.

Aqui em Bruxelas, essa formação (Comunicação & Marketing) é mais para o pessoal que trabalha no atendimento de agências ou no marketing de empresas. Eles realmente acharam estranho e eu fiquei pensando nas nossas lacunas.

Talvez eu seja apenas mais um brasileiro deslumbrado com a Europa, mas para mim parece lógico. Uma formação menos abrangente e mais focada na propaganda tem a ver com receitas, tem a ver com caminhos já percorridos.

Uma formação mais abrangente, como por exemplo artes plasticas, teria a ver com a criação de novos conceitos, de novos caminhos.

Agora, o processo da criação. Por aqui, faz-se muito, mas muito mesmo, raf. E a apresentação para o cliente é feita, na maioria das vezes, em layouts manchados.

É fácil de entender as vantagens. Por exemplo, numa campanha com prazo de 5 dias, são 4 dias e meio de criação e meio dia para a execução!

A apresentação é focada na idéia e só depois de aprovada a idéia com o cliente discute-se o design da criação. Nesse ponto, é o diretor de arte e um designer que trabalham juntos (seria o equivalente aos nossos assistentes, mas com formação e papel dentro da agência completamente diferentes).

É lógico que não é sempre assim, algumas idéias realmente precisam de layouts fotográficos, mas, na maioria das vezes, funciona assim.

Fiquei pensando no nosso processo de trabalho, nos nossos lindos layouts, nos nossos assistentes e diretores de arte com habilidades incríveis no photoshop e no tempo que tudo isso toma.

Por alguns motivo, a nossa indústria se configurou assim, o nosso processo de criação e a urgência de vender as idéias para o cliente se misturaram com a necessidade de mostrar essa idéia da forma mais bem acabada possível, acreditando que isso convença o cliente de que a idéia é boa.

E o pior é que, no fim, acabamos educando nosso clientes a avaliar as idéias dentro desses mesmos parâmetros.

Olha, sou um diretor de arte que tem muito prazer em layoutar, em deixar o layout lindo e coerente, mas, sinceramente, será que realmente precisamos de tantas horas/homem trabalhando pra vender uma boa idéia?

Muitos criativos aqui do Clube têm bem mais experiência do que eu para emitir opinião sobre os caminhos de nossa indústria. Mas acho que poderíamos pensar um pouco mais na nossa formação profissional e nos nossos processos.

É isso. Joguem pedras à vontade.
Um abraço aos amigos.
(do alê silveira, da mccann bruxelas para o passaporte do ccsp)

enquanto isso por aqui agências procuram diretores de arte sênior, com um mínino(sic) de um ano de experiência, exigindo domínios de programas de edição de imagem. waal! isto é que é poção mágica

se considerarmos que estes "diretores de arte" são formados em faculdades com um curriculo mais cu impossível - zero de informação conceitual-histórico-estético- ministrado por "profissionais" com um histórico onde só se salva o empedernido(sequer são schollars), não consigo imaginar maior avacalhação com a profissão, que por isso mesmo está como está: mais em baixa do que raiz de obá.

um mercado que confunde photoshopeiro, ou seja: o sujeito com habilidades de fazer sopa com diretor de arte, só pode ter mesmo clientes ou pau-mandados que julgam idéias por estes parâmetros. já que todos eles tem em casa ou no vizinho, filho, primo ou sobrinha do jardinheiro, que se diz diretor de arte com base nestes predicados: " a marca da minha empresa foi o primo da minha tia que fez - o outdoor também - e o resultado sabemos qual é.

estes diretores de arte - praga gafanhota no mercado - resultantes da normatização dos cursos de publicidade que standartizou linguagens(escusado dizer que estes diretores de arte não pensam, portanto não conceituam: apenas dominam truques) o que é a pior coisa que poderia acontecer à profissão, uma vez que a standartização gera uma levada de diretores de arte que só podem oferecer o truque, recebendo por igual justiça salários trucados que quando transformados em numerários resultam em alguns trocados que não dão para comprar sequer uma livro básico de história da arte, vital para quem quer ser diretor de arte.

diretor de arte não é artista. mas se não tem conhecimento das linguagens utilizadas o que se aprende estudando história da arte, não passará de um papagaio(sequer aprenderá a copiar) produzindo piadinhas de gosto duvidoso, as tais sacadinhas criativas que vemos por ai. é por isso que o sujeito faz faculdade e depois faz miami ad school e o que mais vier e não consegue fazer melhor do que diretores de arte que tiveram uma formação que incluia começar na profissão aprendendo a lavar pincel(sim, um diretor de arte dificilmente alcança a senioridade antes dos oito anos de labuta).

mas este ciclo não interessa as faculdades - é muito fácil(e lucrativo) montar um curso com o nível dos professores e do ensino(absolutamente equivocado) que temos por aqui - o que por sua vez é muito cômodo para as agências que tem mão de obra barata para usar como carne pra canhão. uma vez instalado o círculo vicioso cristaliza-se já que que o mercado perdeu o passo e o falo, e agora deu a dizer que agora temos propaganda de resultados e não mais propaganda em sua fase romântica.

bom o resultado, é esta merda toda que vemos por ai. até em anuário tá difícil de ver peças que anteriormente víamos em jornais, revistas, televisão aos bons bocados.

hegarty dizia que a idéia e não a técnica que realmente importavam. mas não em nosso mercado. e tome no cachimbo do pererê.

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segunda-feira, setembro 29, 2008

leão humanitário: quando a humanidade é mais uma vez desonesta do princípio aos fins

bjarke rink, ex-diretor de criação da extinta propeg-pe nos anos 80, certa vez sentenciou: “publicitário tem mania de querer dar jeito no mundo”. referia-se, entre outras interpretações, ao arrivismo inserido no bojo das pieguices incrustadas em anúncios “pró-bono”. ou seja: aqueles anúncios feitos para causas sociais, com o fito mal disfarçado de atrair holofotes sobre a agencia, dupla, trinca, produtora que os fez.

agora toma forma um movimento para a criação de um leão humanitário, ou seja, um prêmio em cannes para causas aparentemente sem causa própria, a não ser a humanidade. demasiadamente humano, diria o bardo. há que se duvidar que não passe de mais um pulhice do mercado, artifício que não é de hoje empregado. aliás, já há nota plantada em coluna social local, assinalando o grupo nove como única agência do nordeste engajada no movimento. o que demonstra a “esperteza” do tal sentimento humanitário acrescido de sotaque. entre a coisa e a causa, decididamente há gente que quer ganhar leão fazendo do espírito - que não se consubstancia em palanque, muito menos em busca de prêmio - meio de vida. incapaz que é, de ganhar um leão com trabalho à vera. e isto justamente num momento em que contraditoriamente até se discute se cannes é assim tão importante no frigir dos ovos, apesar do próprio mercado fazer do mercado dos prêmios ovos de ouro.

o que se passa, curto e grosso, é que o artifício de fazer anúncios(fantasmas na sua maioria) para criancinhas africanas, cachorros abandonados, mulheres agredidas, chineses perseguidos, instituições e ongs de araque ou não, já não dá mais camisa a ninguém. ou seja: não se desentoca leão com esta vara. jurados – muitos deles premiados com leões fantasmas conseguidos desta forma – já não caem mais nesta. significa que atualmente pró-bono não cola mais, nem pra short-list. procedimento que enseja, menos uma moralização e mais uma salvaguarda para não ressuscitar fantasmas do passado. daí o movimento da sua formalização “noutros termos”. é bom lembrar que até já se cogitou uma categoria de cannes para fantasma.

resumindo e concluindo: se há um leão humanitário em você, faça-o rugir no seu trabalho; em suas açoês no dia-à-dia, na luta contra a irresponsabilidade social que grassa em toda sociedade, evitando que a publicidade não reflita e amplie isto, pelo menos da maneira deslavada como este episódios onde a retórica humanitária se vaza escudada em prêmios.

pode parecer incongruente, contraditório e até impossível. mas dá para ser um publicitário decente em meio a tudo isto que vemos, sabemos que existe, mas não comentamos, para além da conversa jogada fora em mesa de bar, o que é de um anti-humanitarismo a toda prova.

decência não dá, nem deve, prêmio a ninguém. até porque se fosse criado um leão “decentuário” o que ia haver de fantasmas não ia caber no paladiun.

Now playing: BLS - Bridge To Cross
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sexta-feira, setembro 26, 2008

"batendo no ceguinho"

pra começo de conversa não sou petista. mas no panorama atual é o caso de dizer: dos males o melhor, invertendo o eixo-sintagmático e político da situação.

o imbróglio do uso presumido da máquina governamental levanta questões interessantes de ordem jurídica, política, moral e éticas, pra não falar das pertinentes ao processo de comunicação publicitária em suas diversas nuances.

se o dura lex sed lex fosse empregado como deveria, provavelmente nenhum candidato a reeleição ou ligado ao partido em governação(seja qual for a sigla) seria elegível. não vamos nos esquecer que temos mais de uma centena de candidatos criminosos denunciados por crimes pra lá de maquinados, concorrendo sob as bênçãos protetoras da lei.

e temos aqui o primeiro dilema moral: em que pesem as comprovadas? utilizações da “máquina”, joão da costa deve a elas a pujança de sua candidatura? candidatura que incomoda porque começou comendo poeira e no meio da corrida devolve a diferença de aceitação como um tufão? tudo indica que não, o que não passaria de um cisco, ante a tempestade de areia que é levantada pelos demais candidatos, incapazes de fazer frente ao joãozinho, menosprezado que foi como aluno que senta ao fundo da sala e que agora mostra-se em primeiro nos testes prévios.

indo mais além, supondo que joão da costa seja eleito, em primeiro ou segundo turno, e que venha a receber sentença negativa em última instância, como fica o embate entre o legal e o legítimo, uma vê que o voto é – ou deveria – ser soberano?

o fato é que observando-se a reação dos demais candidatos, que em nome da democracia e do jogo limpo em seus guias, comerciais e material distribuído, assinaram o atestado mór de fraqueza, que leva a incompetência, que por sua vez leva ao desvio de caráter(da campanha) chegando a torpeza de “bater no ceguinho” orquestradamente pela amplificação de fatos ampla e fartamente noticiados pela imprensa, levando de roldão candidatos a vereadores, o que de certa forma repete o que condenam, em vez de afirmar seus princípios morais elevados e de campanha nos quais não parecem acreditar como provedores de adesão.

mendonça filho, entre eles, é o que mais demonstrou o que é a moral do homem público que inicia-se propositivo e que em desvantagem não se furta a usar métodos gobbelianos. assim, não é surpresa que esteja no dem; um partido que sequer agüenta conviver com a democracia que não seja amputada até no nome. e não é surpresa que seja capaz de tudo para vencer uma eleição fazendo o que está fazendo, já que não tem estatuto para vencê-la pela via do voto conquistado pela coerência da pratica do discurso. já cadoca e raul henry, são a acne purulenta de quem já foi libertário e hoje não é mais.

independentemente do resultado, joão da costa de uma forma simbólica, e quiçá prática, vence esta eleição ao provocar o destampe do verdadeiro discurso de opositores que confirmam que nada mais representam que uma forma de direita mimetizada pelos seus métodos que remontam a donatização das capitanias.

se há males que vem pra bem, bendito juiz. ainda mais se o tiro sair – muito provavelmente pela culatra – engrossado pela pólvora de quem se derrotado terá cometido suicídio político, este sim irrevogável.

Now playing: Scatman John - Quiet Desperation
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terça-feira, setembro 23, 2008

de boa intenção só não vale

não mais dentaturas, laqueaduras, alpercatas- um pé agora, outro depois que vencer a eleição - o preço do voto agora, focado no eleitorado jovem do recife é "duzentos real" por cabeça disposta a ser curseiro de primeira viagem - espécie de estágio aos futuros concurseiros?

a ninguém parece estranho, muito estranho, o fogo amigo de um candidato que vem em horário eleitoral oferecer duzentos reais com bolsa para que jovens aprendam uma profissão, ainda mais quando sobre o número de 1500 vagas enfatiza o compromisso de expandi-las tantas quanto necessárias, de modo a contemplar o rebanho inteiro: nem o bispo teria tamanha cara de pau.

alguém se deu ao trabalho de pegar alguma publicação(ibge serve pra isso, também) que mapeie e quantifique o número de jovens sem educação formal e formação profissional na cidade do recife? claro que não. veria que o haja-verba é primo-irmão do haja-calote. assim como du-vi-de-ó-dó que alguém tenha se dado ao trabalho de pegar um ônibus na hora do rush, naqueles trajetos que necessitam de travessia inter-bairros de uma cidade que faz de localidades de jaboatão e olinda bairros tão pertos, tão distantes que em duas horas você nem chega, quanto mais vai e volta. o que é muito diferente do mostrado por ex-apresentadora de tv que faz boquinha de repórter com os mesmo lábios que faziam beicinho em programa vespertino engasgado, tal como o que faz agora no guia, como guia.

com recife no peito, cadoca prefeito, o candidato não estava conseguindo muita coisa. resolveu então apelar para o bolso, a parte mais sensível do corpo humano. coração de candidato não ganha eleição nem em concurso de miss. seu staff devia saber disso, antes de propor algo tão etéreo e pífio. este slogan, somado a uma imagem já bastante envelhecida do carlos eduardo, não consegui caracterizá-lo com a imagem do amante latino da cidade. a vaga agora é ocupada pelo mendonça, que também mandou a campanha propositiva às favas. bate como ninguém - daqui a pouco vai acertar os ovos, não se sabe de quem, que é o que faz todo aquele que fala em campanha limpa - antes ou depois - ainda mais quando começa a contar os feijões ou melhor votos que podem vir de arrasto? dado o imbróglio cuja sentença deu um chega pra lá - não se sabe se momentâneo - no candidato que ele, mendonça, queria ver pelas costas.

voltando a cadoca, poder-se-ia dizer que de boa intenção as urnas já estão cheias. valem os vales e as bolsas para esvaziar os do contra?

se vale, chama o síndico, nem precisa de juizo eleitoral.

Now playing: Salem Al Fakir - Devil Look
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domingo, setembro 21, 2008

de como escrever copies. divagações ou quase decálogo por entre as centenas de redações que existem por ai, incluindo as suas.

(um é copy. o outro, bem, desencane).

pra começar, não se forma nem se ensina alguém a ser copy. copy é copy. redator é redator, procure saber qual a diferença, se ainda for o caso.

o copy, sabe exatamente onde ainda falta alguma coisa na peça. e, mais ainda, sabe onde, se acrescentar, em vez de melhorar, vai piorar. isto é intuitivo. não é cerebralizado. pelo menos da forma como o conteúdo é tratado.

uma coisa é o copy publicitário: sintaxe, timming e pegada emocional que de tão arrasadora torna-se pra lá de sutil. sopro na nuca com o arrepio junto da tentação. é o único keep simple que funciona. por isso mesmo muito própria; ou pelo menos assim já foi. outra, os vide-bula que estão por aí, que traduzem, no máximo, o briefing com as palavras trocadas;

acredite: o ser humano é muito pouco racional. dúvida? veja então o que a racionalização anda fazendo com o destino da espécie - e da profissão. portanto copy sem emoção é texto sem autenticação. planejamento não é camisa de força. é catapulta para quem tem bolas. desconfie de copies que vêem os polices ou mandatories como obstaculo intransponível. onde há dificuldades há oportunidades;

se racionalização e conhecimento gramatical adiantasse alguma coisa professores de português saberiam escrever. e estes, decididamente na sua maioria não sabem(e não estou falando especificamente de publicidade). aliás, se dependesse deles a língua estaria morta. mas também não pense que assassinar a gramática e trombar de quina com a concordância é ter estilo. o falar popular vai até o catabiu. agora abismo lingüístico é outra coisa. inadmissível;

regras existem para serem quebradas. sim. mas isso só é possível se você domina o básico. paulo francis dizia que o bom redator – e não o copy – se conhece pelas virgulas. ainda bem que não sou redator. co´as virgulas, o máximo que consegui foi o epíteto de ser um copy de vírgulas esquizofrênicas . e até hoje, se não olhar a cola, desando nos porquês(por que, porque, por quê, porquê) como você astutamente – todo bom copy é astuto - deve ter observado por aqui. vicio da preguiça, imperdoável, de quem sempre teve revisor. aquele cara esquecido no fundo das agencias(que os tem) e que nunca aparece, como devia, nos créditos. portanto, o bom copy não pode ser nunca preguiçoso - e muito menos, deixar de ser curioso. não tem necessariamente a obrigação de escrever corretamente. a sua meta não é a perfeição mas o convencimento. mas para se safar disso sem seqüelas graves tem de ser brilhante. o bom copy é antes de tudo determinado, e não tão somente predestinado, sem ser teimoso. é pentelho mas tem que ter algum charme.se não vira um chato;

profissionais que escrevem livros de redação há cada vez mais. se fossem tão bons, estariam ganhando a vida escrevendo propaganda. e não sobre. portanto fuja da moda porque está na moda chumaços de manuais de redação e dicas - e cursos, e faculdades, e pózes argh!, um atrás do outro, na maioria mal escritos e tediosos. não leve a sério nenhum. menos ainda esta intervenção.

nunca se esqueça que truques são truques. métodos são métodos. talento é talento. e vocação é vocação. talento sem vocação é uma merda. mas a vocação, sem dúvida, conduz ao talento que é desenvolvido pelo exercício, sobretudo de ler os bons escritores: não importa o gênero;

há bulas sobre vaselina impensáveis e obituários impagáveis. os escritores odeiam que lhes diga isto. mas alguns raros copies – os velhos e bons all types – merecem estar ao lado do melhor que já se fez de melhor na prosa ou poesia mundiais. e não estou falando dos kerouacs, burroughs ou fantes da vida, sem lhes tirar o mérito. camões fez o uso de figuras de linguagem como poucos publicitários fizeram. figuras de linguagem, você sabe, são aqueles recursos de sintaxe que o cliente, o gerente ou diretor de marketing odeiam. costumam aboli-los das peças, dizendo sempre ameaçadoramente que não querem trocadilhos e sim algo direto(“estamos na época da imagem; ninguém lê nada; o texto tá longo demais. quantas vezes você já ouviu esta pulhice quase canonizada? o tal curto e grosso é apenas o de sempre em bold, corpo 18. o que, não só amputa a sentença, como as condena ao enfadonho lugar-comum e a ser escaravelhos no leiaute.

dizer que um copy fez trocadilho equivale a dizer que você escreve pior que o anotador de bicho da esquina ou que sua mãe o criou fazendo algo pior nela. portanto, se você não o fez – há quem faça achando-se criativo e criador de linguagem – explique ao menos ao seu interlocutor o que são figuras de linguagem (aféreses, anacolutos, assindetos, catacreses, elipses, epanáforas, hiperbátos, metalepses, metonímias, silepses, síncopes, sinédoques, sinquises,etc) antes de lhe mandar a puta que os pariu. sem trocadilhos;

(ponha em pratica se quiser mas não me culpe pelo resultado).

Now playing: Sesto Sento - Abacaxi Fever
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quarta-feira, setembro 17, 2008

febeape ou festival de besteiras que assolam a publicidade pernambucana

o out-bus traz a figura de uma pré-adolescente que sorri tendo ao fundo imagens do recife pra turista não cheirar(o anúncio de jornal fedeu na mesma);

o texto diz literalmente: sorria. e cita o nome da nova construtora que está se instalando na cidade;

frase e meia, canto a canto, de puro blá-blá-blá - o diretor de arte deve ter reclamado: quatro linhas é texto pra carai! tá ligado? esse texto é bull-shit. dessa vez ele teve razão. mas o leiaute é uma cagada só(e não é de touro);

pensei: ?seria o calor(ainda não estou na andropausa) ??devo acreditar no que estou vendo até que se confirme a trombada? vade retro busão;

?por que raios devo sorrir com a instalação de uma construtora, que ainda mais tem nome de cola de sola de sapato, e que muito provavelmente - ela não disse a que veio em nenhuma das peças que vi - vai construir aqueles apartamentos com quartos, onde sexo só mesmo virtual. e olhe lá pros bem dotados e similares siliconadas ou siliconados como queiram? ?é motivo de sorriso por acaso?

sorria por quê ? porque não há conceito, não há persona de marca, não há strategic branding ways? não há sequer uma peça vazia de conteúdo mais esteticamente trabalhado? sorrir porque não há um grama de reboco que seja de constructo-objeto-objetivo elaborado, para informar que seja, o porque de e do fato, do sorriso que motiva uma construtora, que afirma, não atesta, ser uma das maiores do país, a inaugurar a pedra fundamental da sua comunicação sem nenhuma cimentação mais consistente?

se assim é, tenho tudo para estar morrendo de rir. mas não tenho a mínima vontade. se fosse otimista diria que até mesmo quem fatura com isto deve estar sorrindo amarelo;

é sorrindo assim que vamos matando o respeito e uma certa dignidade que esta profissão já teve um dia quando o valor do riso ainda era seriamente empregado.

Now playing: Cafe Tacuba - Cierto o falso
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terça-feira, setembro 16, 2008

agora curta e grossa

no cenário destacam-se antigas máquinas fotográficas mas o programa é de cinema. ah! então tá bom.

as cadeiras utilizadas, não posicionam apresentadora e convidados, de modo confortável e esteticamente desenvolto. dobrados sobre o abdômem, qualquer enquadramento mostra gente disforme sobre si. sim, o programa tem créditos de direção?!

a questão é: pra ser um programa de cinema, na televisão, não falta, além da direção, direção de arte e cenógrafo à altura?

não se faz cinema – nem televisão – só de conteúdo. steple by steple que o diga ?


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Now playing: Wilson Simonal - Sem Essa
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segunda-feira, setembro 15, 2008

dos eternamente colonizados pela globalização

atualmente, infelizmente, desgraçadamente, miseravelmente, não há um só comercial de tv que não tenha um trilha britiçhi ou maideiusa.

pais dito uordimusik, com um repertório musical praticamente inesgotável, em possibilidades melódicas e ritmícas, sua musica foi varrida pela geração antenada, que se deixar cafunga ai-podi e não larga mão do ai-foni como supositório.

comercial de automóveis, celular e moda, ofi-line e uon-line, só confirmam que não há sensibilidade, talento ou culhão para ousar?! utilizar musica brasileira.

pra ser fachion há que se morder a língua e pronto.

na propaganda brasileira, musica brasileira virou pé de chinelo de plástico.

e tá aqui uma das explicações pra tanta coisa ruim em matéria de trilha nacional(na política então, ui,ui,ui). de tanto dar ouvidos a outros sotaques, perdemos o nosso. para sempre? ou seria no forevi mesmo?

Now playing: cátia de frança - dança das lanças
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sexta-feira, setembro 12, 2008

pobre dos otários

A grande crise da televisão brasileira não é a de criatividade. Vai muito além do que isso. A crise é de compreensão da natureza do meio, de utilização de seus recursos narrativos, de impregnação de inteligência criativa ao discurso.

Fernando Barbosa Lima, que morreu na madrugada de sexta para sábado (5-6/9/2008), foi um dos últimos grandes criadores da televisão brasileira. Em dezenas de programas que concebeu, colocou o veículo num patamar intelectual que conferia à própria televisão a auto-estima que qualquer forma de expressão necessita para ser levada a sério. Para Fernando, a TV era um veículo maior. Na sua vida, ele se encarregou de demonstrar isso.

Fernando gostava de dizer que trouxe o jornalista à televisão. Ele se referia ao Jornal de Vanguarda, até hoje a mais contundente experiência de telejornal diário que conheci. Lá estavam Borjalo, Sérgio Porto, Newton Carlos, Fernando Garcia, Luis Jatobá e outros. Fernando fechava o jornal com a roda da vida de Fellini Oito e Meio, a música de Nino Rota e tudo, mas os protagonistas eram outros. Era a classe política brasileira, a classe artística, os intelectuais. Fernando entendia a roda felliniana tão bem quanto sabia quem criava os fantasmas do nosso dia-a-dia. E dizia isso na televisão, o que era impensável num momento em que o meio era ainda mais oficialista do que é hoje.

Impermeável à burrice

Seu grande segredo era simples e ao mesmo tempo ousado. Fernando acreditava que, do outro lado da câmera, não havia simplesmente uma massa de descerebrados; havia seres humanos dotados de inteligência. Era para eles que ele falava. Duvido que tenha se arrependido. Mas no Brasil, pelo menos, nunca vi ninguém pensar assim, muito menos um produtor de televisão, menos ainda um executivo de emissoras. A televisão trata seu público como débil mental. O público imagina que a televisão é quem seja débil mental e, para não contrariá-la, comporta-se como tal.

Fausto Wolff, que morreu no mesmo dia que Barbosa Lima, dizia isso sobre as crianças e seus pais. Os pais, dizia Fausto, tratam os seus filhos como idiotas, fazem bilu-bilu e tudo o mais. As crianças pensam, então: "Coitado daquele cara. É um idiota. Vou me fingir de idiota para que ele não se decepcione". E era assim que, induzida pelos adultos, a criança se transformava numa perfeita idiota.

Na TV, Fernando ousava, experimentava, cercava-se de grandes cabeças. Não buscava, como é a praxe na televisão aberta, o mínimo denominador comum para atingir a massa ignara, mas saía atrás do momento mágico em que até as grandes massas sentem-se atraídas pelo que é bom. Fez boa televisão, televisão inteligente, televisão criativa. Fez uma televisão impermeável à burrice – e não me lembro de mais três ou quatro pessoas a quem essa afirmação se aplique.

Adjetivos excludentes

Quando ouço dizer que a televisão brasileira contemporânea é muito boa, minha vontade é tirar do bolso um DVD com os programas que Fernando criou. Alguns estão disponíveis, como parte da autobiografia que lançou pouco antes de morrer, Nossas lentes são seus olhos. Publicitário, não deixou assim mesmo que a visão mercadológica da TV fosse hegemônica sobre o ato de criação.

Fernando gostava de falar de televisão, sobre o que era possível criar naquele universo que ele sabia maravilhoso. Criou como poucos. Um segundo da fumaça desconcertante do Preto no Branco vale mais que todos os softwares de computação eletrônica que existem em cada emissora do país. Valeu-se do fato de ser, ele mesmo, uma pessoa refinada. Em casa, teve de quem aprender.

Fernando Barbosa Lima lançou a televisão brasileira num patamar que nem os neo-yuppies conseguirão destruir. Nunca usou termos como "reposicionamento", "target" ou "recall". Mas fez televisão de primeira qualidade, coisa que os que estão aí construindo o patético lixo eletrônico que invade nossas casas nunca sequer souberam que um dia existiu.

Sua televisão era politizada, renovadora, atraente. São adjetivos que hoje soam como excludentes ao meio. Com Fernando Barbosa Lima vai-se grande parte do que havia de melhor no meio televisão. Pobre do meio, pobre dos otários que têm certeza de que a televisão é o repouso dos medíocres.

(quando a inteligência rimava com televisão, do nélson hoineff, no observatório)

Now playing: Ronnaldo e os Fora da Lei - Pode Piorar
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quinta-feira, setembro 11, 2008

na esfera do tempo ou das ilusões perdidas

"Quatro anos é muito tempo": este é o refrão de uma inacreditável campanha que o TSE começou a divulgar nas últimas semanas.


No primeiro de uma série de comerciais veiculados aparece um astrônomo amador, posicionando sua luneta para observar a passagem de um cometa. Enquanto ele arruma o equipamento, o cometa passa e ele nem vê. ?Perder uma oportunidade pode fazer você perder muito tempo?, diz o áudio, que conclui: ?Se nas próximas eleições você não escolher o melhor candidato a sua cidade vai perder quatro anos. E quatro anos é muito tempo?.

Outro comercial apresenta um sujeito no carro, esperando um trem passar para abrir a cancela. Quando ela abre, ele está distraído com os CDs no carro, passa outro trem e a cancela fecha de novo. A moral da história é a mesma: ?Perder uma oportunidade, etc?.

Ao ver esses primeiros dois na TV eu já estranhei muito porque o TSE costuma veicular comerciais institucionais, educativos, com a dignidade que se espera de um tribunal, sem precisar de comparações como estas, a meu ver completamente descabidas.

Sim, porque a distração desses personagens poderia, teoricamente, ser comparada à possível distração de um eleitor que esquecesse de ir votar. Mas o fato de votar ou não no ?melhor? candidato nada tem a ver com perda de tempo.

Quando se elege um candidato ?ruim? podem acontecer coisas ruins do ponto de vista da cidade e dos cidadãos, mas isto não significa necessariamente perda de tempo. O prejuízo pode ser político, econômico, ético, ou seja o que for, mas não acontece uma pausa na vida da metrópole só porque o prefeito não é bom do ponto de vista de um eleitor ou de um segmento do eleitorado. Algumas coisas podem piorar ou melhorar, mas o tempo não pára quatro anos por causa disso.

E por falar em quatro, fui eu que quase caí de quatro quando vi os comerciais seguintes desta série. Num deles aparece um homem que acha que tem uma abelha dentro do ouvido há quatro anos. E o áudio diz "Quatro anos é muito tempo. Principalmente quando as coisas não vão bem. Por isso, antes de votar, pesquise o passado dos candidatos. Porque são eles que vão cuidar da sua cidade nos próximos quatro anos".

Em outro comercial, o personagem é um sujeito que
comprou um celular há quatro anos e cada vez que o celular toca a musiquinha ele não agüenta de emoção e chora compulsivamente. A moral da história é a mesma: da mesma forma que é difícil conviver com um desequilíbrio emocional por quatro anos, é preciso escolher bem o prefeito que se vai ter que agüentar quatro anos!

Em mais um inacreditável roteiro, o comercial seguinte tem como personagem um homem que tem o tique de começar a sapatear toda vez que fica nervoso, no trabalho, na rua e até no dia do casamento, diante do padre.

E no último comercial que vi desta série a personagem é uma mulher que, também há quatro anos, tem o tique de andar em círculos e por isso nunca consegue passar por uma porta ou entrar num ônibus, porque desvia antes... ?Por isso não venda seu voto. Ele não tem preço e é a única forma de não deixar maus político no poder por quatro anos.?, conclui o áudio.

Gente, o que é isso? De onde tiraram tanto nonsense? Será que é preciso mostrar alguém sofrendo de doenças graves durante quatro anos para explicar que quatro anos com um mau prefeito podem ser uma coisa ruim?

É muito estranho e aliás totalmente inapropriado que justamente o TSE use metáforas politicamente incorretas como estas, fazendo piada com doenças mentais.

As comparações são inclusive descabidas: se queriam mostrar coisas ruins que duram quatro anos deviam ter procurado outras, já que essas síndromes, manias, depressões e outros distúrbios mentais não têm duração padrão: dependendo das terapias e das medicações, tanto podem desaparecer rapidamente quanto podem piorar e durar toda a vida de uma pessoa, em casos mais graves podendo levá-la inclusive ao suicídio. Não são, portanto, assunto para brincadeiras nem se prestam a qualquer comparação com as conseqüências negativas que podem gerar um ?mau? candidato eleito.

Finalmente, a propósito do conceito de bom ou mau candidato, faço minhas as palavras do sociólogo Denis Rosenfield, que em artigo no Globo e no Estadão de 01/09 se insurge contra a pretensão que têm os nossos governantes de definir, de cima para baixo, aquilo que é bom para o cidadãos, esquecendo-se de que estes têm, antes de tudo, o direito fundamental do livre arbítrio.

Em meu entendimento (já que eu, pelo menos, faço uso da minha liberdade de opinião) não tem cabimento o TSE falar em bons ou maus candidatos, mesmo porque o que é bom para um eleitor pode ser ruim para outro. Democracia implica respeito a opiniões divergentes e o TSE devia ser o primeiro a saber disso.

Cabe ao tribunal eleitoral simplesmente cumprir suas funções e obedecer às leis. E, para isso, divulgar o calendário eleitoral, impedir que malfeitores se candidatem, zelar para que a propaganda eleitoral obedeça às regras estabelecidas e, sobretudo, fiscalizar para que não haja fraude nas eleições e nas apurações.

Não é preciso contar nenhuma historinha pretensamente engraçada (ou de mau gosto), como estas, para tentar mostrar que é importante votar, mesmo porque o voto é infelizmente obrigatório no Brasil e, gostando ou não de política, os cidadãos precisam ir até lá e apertar o botão ou então justificar.

Por tudo isso, as metáforas e piadinhas são totalmente desnecessárias, inoportunas e inadequadas para a comunicação de um tribunal. Espero que não precisemos esperar quatro anos para ver o TSE cumprir o seu papel à risca, com seriedade e dignidade - e apenas isso. Até porque teremos outra eleição, mais importante, em dois anos.


(quatro anos é muito tempo, do silvio lefèvre, no seu derrapadas de marketing)

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quarta-feira, setembro 10, 2008

mamão cdf encrua antes de se tornar marrento

mendonça filho parece ser boa gente. tem aquela cara de cdf. de quem esforça-se no que faz. mas há vários tipos de cdf. de cínicos outsiders aos gênios loucos. e os que de tanto quererem ser bonszinhos tornam-se mamão. ainda assim, filho teria o perfil que qualquer pai de centro-direita ou especialista em marketing político gostaria de gerir: modelo cara de bom moço com referências familiares de porta retrato. mesmo apesar de integrar o dem. que de democrata tem muito pouco tamanha quantidade de gralhas e corvos que grasnam pela sigla. mas nada que uma boa polida de jeito não disfarce tal azinhavre. afinal, "marketeiro" não serve para isso mesmo ou não foi para este desvio que a maioria conduziu a atividade?

porém, quando vai para a tv, a casca do mamão engrossa ou melhor afina. uma fonoaudióloga deveria ser chamada com urgência para corrigir um certo esgar que lhe delineia a boca. mendonça não tem uma figura convicente à determinação de quem almeja o papel de comandante de uma cidade. surge sempre tenso, o que configura pouca verdade: senão na crença, na elaboração do discurso onde, ora titubeia, ora é manco. e quanto tenta ser enérgico, torna-se canastrão, o que dilui ainda mais a possibilidade de construir a aura de capitão a altura do leme onde pretende botar a mão. e a coisa está piorando para falta de pedaladas bem piores do que aquelas dadas num passeio que configura o fake pra lá das cameras. afinal, não se tem notícias, como faz o gabeira, que no dia-a-dia mendonça use as duas rodas como transporte. nem integrando aquela falsa turba que engarrafa as proximidades do fiteiro com suas luzeszinhas de falsos-vagalumes a surrupiar o asfalto de outrém. depois das caminhadas por roteiros que só são pisados em tempos de campanha, surgem agora as pedaladas. e olhem que ainda estamos em começo de guia.

dizia o mendonça que sua campanha seria propositiva. mas como o ibope, data-folha, não lhe presenteou com números ungidos, eis que nos presenteia com o raciocínio do denuncismo sub-reptício que marca todas as campanhas. surge uma porta-voz feminina que ivoca a figura de uma secretária de estado que expôe na pele o sentimento insinuado e insuflado das certezas da dúvida, a realçar a experiência do mendonça, que foi vice e governador tampão, contrapondo isto como mérito ao demérito da inexperiência do joão da costa, um pau mandado segundo tal discurso.

acontece que no afã de empalar o joão, a turma do mendonça engasgou-se a sí mesmo. os redatores de tal discurso esquecem que ser vice no brasil já foi configurado como o ápice da inutilidade, o que o próprio alencar reconhece com muito savoir-faire. e alardear experiência num mandato que foi conseguido por abandono do titular no finzinho do jogo, não parece ser credencial para quem estava atrelado a programação antecipada de despejo do cargo. se joão da costa é inexperiente na execução daquilo que planejou?(ou seu planejamento enquanto secretário tem o mesmo sentido fake do vice atuante?) o que dizer do vice e gov. papagaio de pirata? estrategistas de campanha, e seus implementadores precisam ser menos crédulos no poder das dubiedades que intentam.

há que se observar um travo que permeia a campanha, com sérias implicações ideológicas. a assunção do papel por mulheres negras de fritadeiras de candidato e portadoras do discurso que coloca em cheque os demais contendores, esconde uma sacanagem perversa. na pele de quem mais se diz identidade de raça mais próxima ao desprezo do povo sendo ele mesmo o desprezado. a missão destas reveste-se de um tom de denuncismo com laivos de dedo-durismo de cujo papel brancos são poupados, ainda que algumas vezes apareçam. o tom destas e a cor do discurso diferem bastante do candidato negro, edilson, do psol, que não carrega tal estigma. sem nem por isso renunciar as suas convicções e ao brilho da sua cor pessoal e ideológica.

o que cada vez mais se configura nesta campanha, é o de sempre. a mesma forma ideológica que sublima o discurso da democracia, é a mesma que manipula seu conteúdo ao nível da comunicação. comunicação que quanto mais se quer elucidadora, mais propositadamente equivocada se torna. o que, obviamente - mas não para todos - só favorece urdiduras de todos os lados e nunca a verdadeira democracia que sucumbe ao produto da manipulação encampada por e dos candidatos.

(ainda esta semana: kátia telles: a national kid do guia eleitoral).

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segunda-feira, setembro 08, 2008

somos todos derrotados ou na veia : o soro da morte de raul ou seria o sono mortal do cochilo?

"o candidato promete fazer tudo pela paraíba mas já começa fazendo a campanha com agência de fora".

o copy acima é dos anos 80. mas poderia ser bem aplicado ao que acontece nas campanhas em pernambuco, que se tornou a capital do marketing político baiano. não se trata de xenofobismo gratuito. mas não há em pernambuco profissionais eficientes para além dos auto-elogios, das mutretas colunáveis, das igrejinhas dos mais dos mesmos? que possam gerir a campanha dos candidatos a domadores do leão do norte? nesta hora, o que fazem as comadres que frequentam a lista do ccpe? oferecendo chapinhas e demais gadgets do terceiro mundo para além da emissão de opiniões em sua quase totalidade genuflexórias e lambe-cus? nem para defender o mercado municipal? clube de criação existe também pra isso. para ter voz , se fazer ouvir(ser consultado),e fazer pressão. isso quando obviamente existe um clube de homens e mulheres respeitáveis, e interessados em responsabilidade social, para além do discurso(e não no social de festas de lesmas). mas esperar o quê? de quem não consegue sequer colocar um site no ar - daqui a pouco completa uma década - mas tem a cara de pau de criar e-mails ccpe.com.br, que são o envelopado endereço de gente que é o que não é? clubes de dominó da esquina marcam mais presença, portanto.

mas isso não é o tema da semana. não vale a pena. nem a da galinha nem a outra. vamos pra campanha. mais especificamente o guia, onde os candidatos e seus milionários contratados produzem besteiras de tal tamanho, ao que tudo indica para se tornar condizentes com seus salários de altos e baixos.

raul henry literalmente pegou na veia para mostrar o que seria a celeridade da saúde no recife, se chegar a prefeitura.

se chegar a prefeitura a matança vai ser geral. e por quê? porquê com o soro* descendo aquela velocidade não há coração que guente. nem inteligência. nem tolerância a tamanha ignorância. chega-se a pensar se não é realmente inconscientemente propositado. para um candidato em situação desfavorável desde a proposição, há que se cuidar deste tipo de insight que vai levar alguém à sepultura, senão o próprio candidato. henry, anunciou-se como o anjo da morte. e se um candidato aprova uma analogia destas merece chegar a prefeitura? no coments. até porque, de onde saiu esta, deve ter muito mais ou não?

o fato é que foi uma baianada sem tamanho ou mais uma queirogada daquelas? muitos há que não duvidam. o fato é que não se viu mais a tal peça "criativa" no ar. o choque anafilático teria sido sentido por alguém?

* para quem não viu o comercial, a peça mostra em destaque um "equipo micro-gotas" (aquele pequeno recipiente intermediário onde há uma espécie de conta-gotas regulável que controla o fluxo do soro para sua entrada na veia) enquanto a locução-off discorre sobre os problemas na lentidão no atendimento a população em questões de saúde. logo a seguir o fluxo das gotas passam a correr aceleradamente, quase contínuo, associadas como demonstrativo visual da mudança do estado da saúde no município sob uma pretensa prefeitura de raul.
o curioso é que a velocidade "lenta"(o fluxo a conta-gotas) no caso do soro, é o fluxo ideal. em têrmos semióticos significa um elogio a prefeitura atual e um enunciado de até que ponto chega o desvairio a quem pretende-se prefeiturável de eleição a velocidade de tais gotas. candidato com perfil das elites parnamirescas e casaforteanas, raul henry, sem ter nada a acrescentar - o compaz, por exemplo não passa de um ciep requentado - acercou-se do padrinho jarbas. mas esqueceu que votos são conquistados por medula própria. e ainda que sonhados por transfusão, tem uma velocidade de fluxo que nunca seria de enxurrada no seu caso.

ao expor sua veia de comunicação assim, o candidato assina em baixo que não é capaz de cuidar sequer dos seus próprios males. a não ser que se ache mérito naquele(s) que transforma(m) placebo em veneno.

próximo post: mamão cdf encrua antes de se tornar marrento
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Now playing: Sergio Dias - Filhos Do Silêncio
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domingo, setembro 07, 2008

a brazilian perfect day(serve também para o dia de eleição)

Já que é Sete de Setembro, vamos celebrar. Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações. O meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões.

Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão. Vamos celebrar nosso governo e nosso Estado que não é Nação. Celebrar a juventude sem escolas, as crianças mortas. Celebrar nossa desunião.

Vamos celebrar Eros e Tanatos, Persephone e Hades. Vamos celebrar nossa tristeza. Vamos celebrar nossa vaidade.

Vamos comemorar como idiotas, a cada fevereiro e feriado, todos os mortos nas estradas. Os mortos por falta de hospitais.

Vamos celebrar nossa Justiça, a ganância e a difamação. Vamos celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos. Comemorar a água podre e todos os impostos, queimadas, mentiras e seqüestros.

Nosso castelo de cartas marcadas; o trabalho escravo; nosso pequeno universo. Toda a hipocrisia e toda a afetação. Todo roubo e toda indiferença. Vamos celebrar epidemias. É a festa da torcida campeã.

Vamos celebrar a fome. Não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar. Vamos alimentar o que é maldade. Vamos machucar o coração.

Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos. Tudo que é gratuito e feio. Tudo o que é normal. Vamos cantar juntos o hino nacional (a lágrima é verdadeira). Vamos celebrar nossa saudade, comemorar a nossa solidão.

Vamos festejar a inveja, a intolerância, a incompreensão. Vamos festejar a violência e esquecer a “nossa gente”, que trabalhou honestamente a vida inteira e agora não tem mais direito a nada.

Vamos celebrar a aberração de toda a nossa falta de bom senso. Nosso descaso por educação. Vamos celebrar o horror de tudo isto com festa, velório e caixão. Tá tudo morto e enterrado agora, já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção.

(com exceção da primeira frase, o texto é de Renato Russo (* 1960 / + 1996), e foi escrito em 1993. a publicação, muito apropriada, foi do gonzalo pereira, no acontecendo aqui, do dia 05 de setembro, sob o título é sete de setembro, vamos celebrar)

nesta segunda : somos todos derrotados ou na veia : o soro da morte de raul ou seria o sono mortal do cochilo?

terça-feira, setembro 02, 2008

não tem pra ninguém, ninguém merece, sobra pro zé ninguém ou ninguém é de ninguém?


“bom o suficiente é bom o suficiente se os seus padrões são altos o suficiente” steve frykholm.

a crise de redatores anda braba(a de caráter ainda mais). copy então, só no livro acima e os do mohhalen. ainda assim, depois de uma década de “gritos visuais”, volta-se a discutir a importância do texto ou da falta dele para a propaganda (comunicação off e on line).

a julgar pelo conteúdo de alguns textos, que sequer podem ser classificados de sofríveis, tamanho o uso de passagens por lugares comuns, chavões, ideias feitas, analogias descascadas, estereótipos chinfrins e por aí vai. enfim: tudo aquilo que não se espera no texto de um copy produzido por profissionais. fica difícil escolher um mau exemplo tamanha a profusão deles. mas vamos a este que se segue, pela dita importância dos envolvidos e pela imagem que ambos cultivam ou aparentam ter, apesar da bota não bater com a perdigota quando se aperta o crivo.

“os pernambucanos não tiram os olhos da globo.

a globo nordeste é líder no coração dos pernambucanos. essa liderança foi conquistada com a qualidade da sua programação e o respeito pelo telespectador. sempre procurando oferecer o melhor e investindo na programação local, na globo nordeste você encontra o melhor do jornalismo, entretenimento, esporte e cultura, tudo com o olhar de quem é daqui.

é por isso que podemos dizer que a globo nordeste é líder em gênero, numero e grau.

não tem pra ninguém. liderança você vê por aqui.
globo nordeste. pernambuco no coração."

o texto com assinatura da decana ítalo bianchi já não espanta, tamanha decadência frente aos padrões de qualidade que já impôs ao mercado. marca de referencia reconhecida nacionalmente no passado, para alguns ainda o é. mas com um texto destes(e não só) duvida-se que uma agência mesmo em operação-padrão, permita que algo assim vá à rua. afinal, não tem pra ninguém é arremate de texto que, por maior que seja o cochilo de uma direção de criação que assine isto, nos faz duvidar, com otimismo, que não hajam talentos capazes de produzir um texto com algo mais do que conseguiria o estagiário do jurídico e ou secretariado. então porque raio não produzem? a começar da própria direção?

algo leva a crer que cada vez mais aposta-se no desvio que se implantou no mercado: aquele tipo de agência com a mentalidade que produz trabalhos de encomenda para refletores(os famigerados prêmios) e os de segunda linha para o dia a dia(vê-se isso por exemplo no que o grupo nove, outra decana, faz para o shopping boa vista, outro mal exemplo de tudo, principalmente no impresso e eletrônico). se isso é feito propositadamente, porque tais clientes não valem a pena do ponto de vista criativo ou financeiro, ou por desleixo, não é o busílis. por quê em qualquer dos casos o resultado é a eleição da mediocridade como princípio de troca ao soldo barato o que descaracteriza por completo o compromisso de uma agência para com os clientes e acima de tudo com o seu trabalho: que é oferecer diferenciação criativa qualificada não importa o preço pago.

cabe repetir: não que se duvide da capacidade de ambas em produzirem peças de qualidade(raríssimas cada vez mais). o que se duvida – mas não tanto, já que é assinado – é que tais “griffes” da propaganda botem na rua algo que nem como rough se admitiria em agencias que prezassem um patamar mínimo de qualidade, de acordo com os princípios do “ resist the usual”, “change the rules” ou o muito citado e nada empregado disruption. como diria o bardo, eu, se escrevesse textos iguais ao deles seria apedrejado. como não, pedra na moleira por outros toques.

aliás, a crise do texto é tão grande, que até blogs com o padrão de qualidade infobox são saudados como muito bons por ensinarem como é feito(o mal feito) que é adulado como perfeito por especimens desavisados ou gozadores de outras glosas bajulativas.

enfim, como forma e conteúdo estão intimamente ligados(não estou me referindo ao leiautes horrorosos - conheces o diretor de arte pelo que faz no all type) onde fica o tal respeito ao consumidor? e a preocupação em oferecer o melhor? como anuncia a globo, no momento em que comenta-se (e foi publicado) que sentindo sua liderança ameaçada por transmissões do futebol de "terceira linha"( no caso jogos do santa cruz) impediu via pagamento ou propostas aos mandantes de campo para que negassem a transmissão dos mesmos pela tv universitária - que vinha obtendo bons índices - caracterizando um desrespeito tão ou mais grave do que produz na sua própria programação ao impedir a livre expressão de outra. combatendo-a com grana e não talento. o que significa dizer que na na hora do rush vale a prática da contra-mão incluindo o guide-line que lustra os profissionais do ano.

ora, se até o "nada substitui o talento" foi substituído por outros expedientes para evitar que pernambucanos dispostos a tirar os olhos da globo o façam, desde que tenham opção,
como exigir isso das agências?(se bem que isto é auto-exigência) se o próprio cliente o substitui por outros conteúdos que ditam uma programação cada vez mais medíocre. neste caso, a sua comunicação deve também substituir o talento? até que ponto? e se o talento deva ser substituído? a deontologia invariavelmente cai por tal contexto também?
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Now playing: Cafe Tacuba - El outsider
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domingo, agosto 31, 2008

aqui ó! ou o jornalismo “chupa que é de uva”

"às vezes exaltamos a importância das idéias e da informação. vamos sonhar com a possibilidade de que num domingo a noite no horário ocupado por ed sulivan, se faça estudo clínico da educação. e que numa semana depois, o horário utilizado por steve allen sirva para uma análise da política americana no oriente médio.

será que a imagem dos nossos patrocinadores sairia arranhada?será que os acionistas ficariam revoltados e reclamariam? o que aconteceria? a não ser que alguns milhões de pessoas se informassem mais sobre assuntos que determinam o futuro do pais e,portanto, o futuro das nossas empresas.

aqueles que dizem que as pessoas não se interessam que são complacentes indiferentes e alienadas, eu apenas respondo na minha opinião de repórter que há provas concretas de que esta afirmação é incorreta. mas, mesmo que não o seja, o que eles têm a perder?

se estiverem certos e o nosso veículo só servir para divertir e alienar, a televisão está em perigo e logo veremos que a luta foi em vão. esse veículo pode ensinar, pode esclarecer e até inspirar. mas só pode fazer isso se as pessoas o usarem com este objetivo. senão será apenas um monte cabos e luzes dentro de uma caixa”.
ed murrow, in good night, good lucky.


o quarto poder agora é negócio. diz o título e lead do alberto dines para o observatório da imprensa na semana passada. a frase de quem já afirmou que a sociedade é maior do que o mercado. e que o leitor não é consumidor, mas cidadão. jornalismo é serviço público, não espetáculo, de certo modo acertou em cheio no que viu e acertou ainda mais no que não viu. dines não se referia, por certo, ao lançamento de meia pataca ou meio real, rodado pelos associados pernambuco. na forma de griffe periférica que no aqui e agora pe, busca o nicho do negócio, escudado na baixaria. paulo francis dizia que o jornalismo é a segunda profissão. mas, pelo andar da carruagem, com lançamentos iguais a este, parece longe de alcançar a dignidade da primeira, a prostituição. até porque, o jornalismo negócio aparece ambivalente em duas frentes(ou seriam traseiras?) : o das celebridades, no melhor estilo baixaria espumante, e da rafaméia, na ala da baixaria borra. uma e outra ideologicamente muito mais perigosas do que a dita influência do quarto poder ao nível do jogo de interesses dos editoriais e matérial pago dos ditos grandes títulos da república.

a baixa tiragem, o baixo índice de leitura dos brasileiros, ainda mais nas chamadas classes baixas - o hífen é para que os incautos se apercebam de como as palavras despretenciosas do cotidiano cimentam como casta, segmentando, esteriotipando, estigmatizando e, acima de tudo, estabelecendo o princípio da dominação que no aqui pe também está presente pelos módicos cinquenta centavos - poderiam ser considerados como itens motivantes a tal lançamento. mas não.

qual seria então o mote da propulsão a tal lançamento? a preocupação de se fazer um novo formato que não o broadsheet para aqueles alijados da informação impressa? ou bloqueio do flanco aberto pela folha de pernambuco, que estigmatizada não consegue se livrar da pecha do "espremendo sai sangue" que notabilizou o dia? antes fosse. mas vai além ou melhor mais aquém. mas se o "novo" formato berliner traz um padrão standard de projeto gráfico aparentemente mais qualitativo, o conteúdo é mesmo do oportunismo tablóide do negócio que perpassa a glote dos dominados dando-lhe um formato de circo com a receita de sempre: mulher boa para renderizar a masturbação;violência para configurar o denuncismo barato e produzir a catarse de calçada; e um toque de texto, frouxo, que se quer cheio do risote humorado e longe do texto que marca o chamado jornalismo sério. a piada sem graça é o falso insight à facilitação de leitura. no geral, o que poderia ser interpretado por textos soltos e leads afinados com a realidade que documenta - mas não intervém - nada mais é que prepúcio que ressurge na forma de um fascismo com sotaque que submete a castração.

onde a preocupação com a in-formação e não a deformação? qual seria o mecanismo ideológico assaz perverso por trás deste lançamento? lançamento repito, destinado aqueles que necessitam de um processo educativo político-social-cultural, no qual a imprensa - seja escrita, televisada, radiofônica e cibernética teriam papel fulcral. mas não é isso que se vê, lê, escuta ou acessa. como classificar uma edição que ao tratar de uma participação de um judoca brasileiro nas olímpiadas, desvia o foco para o afinal, foi gaia ou não foi(sic), nos trazendo perólas do sentido duplo e idiotizante do tipo "bimba ainda luta para subir" , inflando as velas no efeito fácil do apelido do homem da vela brasileiro, além de mais uma sem data de exemplos que denotados como a graçola diariamente vai perpetuando e demolindo as possibilidades do jornalismo incentivar o aparato crítico, cristalizando a forma do pensamento escravizado que hoje se resume ao beber, cair (e nunca mais levantar como convém aos dominantes) e ao chupa que é de uva, a imagem símbolo de cérebros banguelas e mulheres só bunda sem neurônios que consentem o que a delegacia das mulheres se vê impedida de combater violentada pelo princípio que as próprias mulheres deviam recusar em vez de abanar os cachos por eles.

em data muito próxima ao lançamento do aqui pernambuco, clóvis cavalcante, nas páginas do associado que engendrou tal artefato, publicou um artigo entitulado "eu quero meu sertão de volta". na verdade uma apropriação de um também título do jornalista e cineasta de serra talhada, anselmo alves, que ressalta como está tomando corpo um tipo de produção musical que avoluma um cultura de baixíssimo nível mas que leva o delírio a elite pernambucana que se agasalha em gravatá, o novo antro da dodecafonice pernambucana. o jornalismo impresso pelo aqui-pe segue o circuito da lama. e se pensarmos que este é o jornalismo feito pela geração diploma, vemos que o estrago já chegou a proporções nunca antes pensada.

o mesmo ed murrow, também nos avisou: “ a nossa história é o resultado do que fazemos. se continuarmos como estamos a história se vingará e nos fará pagar.
creio que já estamos pagando. porquê, desta forma, os míseros cinquenta centavos são um preço cujo valor tem um custo para o pensamento social que não há dinheiro no mundo que compense, salvo para o caixa associado.
boa noite, boa sorte.
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Now playing: Nação Zumbi - Nação Zumbi - 02 - Infeste
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in progress:
não tem pra ninguém;
a swot do gerente babão;
o publicitário montado: escolas e cursos de portfólio;
românticos de cuba;
derrotados em todos os turnos
até o pescoço metido a merda da deontologia

quinta-feira, agosto 28, 2008

mercado acidentado ou seria mal intencionado?

“Acidentes somente produzem as melhores soluções se você consegue reconhecer a diferença entre um acidente e uma intenção” Jennifer Morla

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Now playing: Lynyrd Skynyrd - Free Bird
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domingo, agosto 24, 2008

efeito elba ramalho: a nova diagramação do diário de pernambuco

tem uma marca invejável o diário : o jornal mais antigo em circulação na américa latina. o que é sabido mas não notório enquanto entendimento deste significado para alem da contagem numérica do histórico, e do uso débil, como sublinha em suas fragmentadas ações de comunicação que a estampa sem diferencial. na base de suas estratégias de marca - se é que as tem - faz feio da história, uma vez que o mostrado - principalmente no âmbito da sua publicidade – é antítese disto. em matéria de comunicação e branding o diário nivela-se muito abaixo do nível de quem se acha respeitável. pasquins de sangue e bunda tratam melhor sua marca por mais bunda que ela seja.

longevidade por si só, não é garantia – e muitas vezes nem é sinônimo - de mais longevidade e ou respeitabilidade. e muito menos de share: of mind, market e, acima de tudo, heart. ou seja: para ser uma marca querida na memória dos leitores, para alem da liderança numérica e mnemônica, é preciso bem mais que séculos, cuja referencia, se não transformados em relacionamento emocional profundo, torna-se tão significativa quanto um jornal de ontem.

talvez por isso mesmo, pela inabilidade de lidar com seu patrimônio único de mercado, tira-se da cartola uma “reforma gráfica”, estampada por auto-elogios mas que tem cara de lift realizado em clínica de subúrbio(é nisto que dá usar serviços de um não-especialista) aparentemente determinada pela necessidade de modernização e vá lá que seja, para seguir os acórdãos do momento relativos aos ditos procedimentos de facilitação de leitura e valorização de espaços.

a idéia da modernidade e da jovialidade de fora para dentro costuma ser um desastre. ainda mais na mãos de quem não parece ter habilidade, conhecimento e sensibilidade necessária para realizar algo que quando não bem feito, torna-se a emenda pior que o soneto. daí um diário com cara da elba a nos contristar, senão pior.

jornais centenários não tem que ser modernos só na aparência. isto é, se é que tem que ser modernos no sentido pueril da palavra. quem nasce para ser clássico não se preocupa com a modernidade das aparências, vide os exemplos mundiais que classicamente tornaram-se referencia. a reforma do diário buscou o caminho inverso. tornou-o modernoso. síndrome que afeta toda uma geração que se diz antenada mais é expert em envelhecer no carbureto. esta reforma está muito longe dos padrões de modernidade aplicada a quem tem história e obra feita, e não a chuta para o balde, o que acontece quanto a modernidade visa o conteúdo e não a forma tão somente. lendo-se as justificativas de tal reforma, percebe-se que o equívoco foi levado a sério. e isto é algo que tem se repetido no panorama do mercado de propaganda e comunicação, pernambuco em destaque: esmero no discurso e fragilidade sem volta no projeto, campanha ou ação. tais bull-shits tem a ver com uma concepção distorcida de planejamento: planejamento neste mercado não vem a priori. vem a posteriori para "justificar" o injustificável. e a julgar pelo que se vê, a competência neste tipo de planejamento vai longe.

pra começar a reforma capou um caderno que não comprometia a leitura, em troca de um revistinha que de tão chinfrim vai acusar complexo dos encartes do varejo. não precisava ser uma new yorker. mas a qualidade é tão tosca em tudo: papel, projeto, editorial, conteúdo fotográfico) que não há justificativa que a salve.

já a escolha tipográfica que sinaliza a tal reforma, é outro sinal do equívoco cometido enquanto destruição de sua identidade. o lettering utilizado na identidade é aquele tipo de lettering que vai envelhecer muito antes que o ano acabe e já com endereço certo ao museu de falsas novidades(lettering inclusive marca de identidade visual de uma agência de publicidade lá para as bandas do parnamirim).
para além disso, há uma mistura de famílias cujo objetivo não é buscar o equilíbrio pela enarmonia da mistura, algo que poucos conseguem. é enarmônico mesmo por ignorância a princípios básicos onde salta a vista como um pedregulho a falta de continuidade na rubrica imóveis identificada por outra família. o diário hoje apresenta uma salada tipográfica que somada a "edição de arte" configurada pela diagramação utilizada, pede mais que vinagre balsâmico.

uma das provas maioria dos que se querem modernos é cair no erro pra lá de antigo de achar que ao utilizar fontes "novas" dá-se o efeito da juventude no todo. na maioria das vezes é justamente o inverso, como agora. acontece que só mesmo os grandes profissionais sabem que muitas vezes as tipologias clássicas costumam ser mais modernas do que as modernas sonham ser. principalmente se inseridas num espaço onde o arejamento e o desenho tipográfico da página leva em consideração o conteúdo enquanto formulação na sintaxe da impressão do todo.

no caso do diário, causa estranheza que se faça uma reforma onde o contexto seja amarrado tão frouxamente, inclusive apresentando o recurso de colchetes gráficos de uma pobreza estética lamentável e reveladora da falta de princípios que por sua vez levaram a capitulações que vão alem do recurso gráfico. e olhe que referências não faltam. na vizinha paraíba um outro associado dá o norte, por exemplo, para não falar do exemplo de a união.

assim, nem lift nem luxo. esta reforma só empobrece diariamente um veículo que cada vez mais descaracteriza-se retomando um passado na sua pior forma. e que a continuar assim nunca será um jornal graficamente moderno e atraente como por exemplo o são seus contemporâneos que não distorcem as suas plásticas, mostrando que não são raras as vezes que para ser moderno, principalmente atualmente e graficamente, é preciso saber cultivar o passado na sua projeção do futuro.

com esta reforma o diário reflete o mesmo pensamento que descaracterizou o patrimônio que o fez” pracinha” de uma cidade, para se tornar vizinho de igrejas universais.

e isto não merece, decididamente, primeira página. no máximo a notinha da coluna social que quando elogia registra justamente o contrario, tal como as belezas reformadas que andam por lá.

que o diário tenha voz para segurar a cara que se não fosse a sua não seguraria a de elba.

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Now playing: Van Morrison - Keep it Simple
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quinta-feira, agosto 21, 2008

para quem não trocou de alma

"Prezado amigo Afonsinho
Eu continuo aqui mesmo
Aperfeiçoando o imperfeito
Dando tempo, dando um jeito
Desprezando a perfeição
Que a perfeição é uma meta
Defendida pelo goleiro
Que joga na seleção
E eu não sou Pelé, nem nada
Se muito for eu sou um Tostão
Fazer um gol nesta partida não é fácil, meu irmão
Entrou de bola, e tudo!"
(meio de campo, gilberto gil)


na propaganda, quase todos os dias temos os nossos dias de marta.
como martas, quase chegamos lá. e a despeito das nossas habilidades(ou de quem as tenha)e da nossa gana de mostrar que as coisas podem ser diferentes, perdemos para o famoso jogo de resultados. e o que é pior: na maior parte das vezes perdemos dentro da nossa próprio campo, quer dizer dentro da própria agência.

ao final das contas, não são os resultados que interessam? de que interessa jogar bonito e não levar o ouro?

mas como é chata e brochante esta vida dourada que nos retira a possibilidade de enfiar o pé na lama a procura do princípio que drible a canhestrice da falsa perfeição.

“Quando estou trabalhando num problema, nunca penso em beleza. Eu penso somente em resolver o problema. Mas quando eu termino, se a solução não é linda, eu acho que está errada” Richard Buckminster Fuller.

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terça-feira, agosto 19, 2008

legenda dublada


a revista veja ultimamente mais parece estacionamento de shopping . é o reduto dos 4x4 da hyundai, com a kia na cola, só para ficar no segmento dos 4x4 de pantufas.

talvez por isso mesmo – o que os made in japan infligiram aos americanos, os coreanos reproduzem agora com mais agressividade aos carros japoneses(e do resto do mundo) - a mitsubishi tenha feito veiculação, onde a força do número das páginas, seis, tentamostrar na marra da legenda o que o seu full decididamente não tem - apesar da assinatura engatada com todo tipo de catraca que tem de direito: mitsubishi pajero full. o 4x4 mais famoso e respeitado do mundo. e como se não bastasse este share of mind(como isto pode ser comprovado?, arremata em inglês que é para não deixar dúvidas: the 4x4. the legend.

para uma parte da geração, na faixa etária que costuma ter grana pra comprar estes “full” empty de posicionamento, mitsubishi ainda lembra marca de televisão. e para os mais críticos, aquela marca que andou fazendo todo tipo de trapalhada na manufatura dos seus carros, com o japa ceo fazendo tora-tora da segurança dos consumidores da marca. e por isso mesmo sendo responsabilizado publicamente. o que pegou mal pra cacete, principalmente no japão, onde se costuma levar estas coisas a sério. sem lendas?

a pedra de toque da “estratégia” da "concepção do anúncio", é engatar o feito, é fato, do mitsubishi ter vencido por doze vezes o paris-dakar. e assim, full-hand corroborá-lo como o(sic) 4x4 mais famoso e respeitado do mundo.

mas aí entrou areia nesta manobra. acontece que uma lenda, não se constrói tão-somente pela força dos argumentos(full ou empty) e pelo volume de veiculação. há um componente que não costuma ser controlável, chamado tempo.

outrossim, já que falamos de tempo, tempos estranhos estes onde publicitários e agências lançam mão de conceitos(lenda não é uma palavra, é até mais que um conceito, uma categoria) já utilizados, e não por outros segmentos, mas sim dentro do segmento automóveis e 4x4.

ao esboçar seu ângulo de ataque com base no the 4x4, the legend, a áfrica(detentora da conta da mitsubishi) – ironicamente nome do continente onde a verdadeira lenda se afirmou – atropelou o drive the legend, drive a land rover, que permance lendário no inconsciente coletivo dos amantes do 4x4, independentemente de possuírem um ou não ou de outra marca. afinal, os lendários land rover, nascidos para superarem os também lendários willys(bantam), com a peculiaridade que também ajudou a consolidar a lenda – a carroceria em alumínio(durante algum tempo também o teto rígido) surgida pela falta de aço no mercado totalmente alocado às ações de guerra – afirmou-se nas savanas dos territórios africanos então dominados pela inglaterra, onde faziam “paris-dakar” a 3x4, diariamente, por décadas a fio. ou seja: a verdadeira lenda não nasceu a reboque. e sim fez sua trilha lendária muito antes do emprego do guincho da comunicação.

não se discute se o pajero – que tem a particularidade de ter outro nome na espanha (lenda limitada semanticamente?) já que pajero em espanhol é bilau demais para se ter no chaveiro) é melhor ou não do que o land rover(tecnologia embarcada nem sempre traduz superioridade). o que se discute, é a apropriação de um conceito já utilizado anteriormente, baseado na perspicaz observação de que a lenda já existia, e que a categoria de lenda permitia a defesa dos flancos de um 4x4 de mecânica ultrapassada(mas nem por isso menos eficiente) já que foi com esta “imutabilidade” que se tornou lenda, frente a um segmento cada vez mais concorrido, principalmente pelas marcas japonesas.

eis portanto a diferença entre pensamento estratégico aplicado a todo-terreno e a construção(falsa),de um conceito e/ou categoria, cuja rolagem dá-se mais pela força motriz empregada na veiculação pesada do que pelo conceito em sí.

se no mercado automóvel, a cópia pode vir a superar o original, no mercado da propaganda propriamente dito, costuma dar chabu no diferencial.

vamos ver agora como a lenda(a verdadeira) vai se comportar nas mãos indianas, que mais do que os chineses, prometem ser o terror dos coreanos e assim por diante sucessivamente.

in tempo: se você tivesse que dirigir um lenda, o que diria o seu share of mind? mit or land?

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domingo, agosto 17, 2008

barco furado ou dois,quatro e oito com quando deveriam ser sem

nunca explique um comercial. o consumidor não precisa, e seus inimigos não vão acreditar.

a frase, de júlio ribeiro, é um daqueles guide-lines que não dá para esquecer no redemoninho de ondas tortas em que se tornou a prática da propaganda comercial. (principalmente em tempos de pré-testes - até para escrever enredo de novelas - o que configura o empobrecimento destas, e da propaganda, que fica com cara de angu requentado e remexido, por um bando de idiotas que busca a perfeição orientada por um outro bando de idiotas que tenta responder a perfeição, ignorando o primado básico da espécie: a imperfeição, a contradição, o farinha pouca meu pirão primeiro) e o talento(em falta) para captar pela sensibilidade, intuição, o momento chave para discernir o que é porra-louquice tão somente e tão somente a porra-louquice aparente que vai acionar a chave da identificação com a marca-produto-serviço nas intrincadas sinapses em que se estabelecem conexões de comunicação que acionam o homem emocionado à compra.

um dos comerciais do bradesco que está no ar nos dá a exata medida do quão ridículo é ignorar o princípio de césar do júlio, e lançar mão da idéia foto-legendada(idéia sempre orquestrada pelo "atendimento" e cliente, que costumam ignorar o outro guide-line mór: nunca subestime a inteligência do consumidor que é sempre mais esperto do que uma agência inteira , caracterizando, neste caso, o raio neo-gama atirado no pé, principalmente quando cria de uma agência que costuma autolegendar-se(porque que raios todas dizem isso? não estaria na hora de fazer valer o que está escrito, lições do bicho?)como guardiã de princípios exigentérrimos para com a busca da idéia diferenciada(“tenho forçado os criativos a encontrarem seus limites e aí expandi-los. Mas nossa metodologia de trabalho ajuda porque é muito própria e baseada na procura por idéias-primas, algo que só nossa rede tem”.)

o tal comercial vende soluções para empresas pequenas, médias e grandes, tendo como fundo a imagem de uma raia onde se vê um double-scull(dois remadores)um quadri-scull(quatro remadores) e um shell(barco para oito remadores - que obrigatoriamente teria de ter um timoneiro) numa analogia já por sí só curta e grossa.

pois bem: para além da locução que acentua a fala pequenas, médias e grandes, os tais barcos aparecem legendados com pequena, média e grande. pode-se dizer que isto não é nada para um cliente que adotou bradescompleto cuja leitura pode querer conotar o completo mais denota sempre o descompleto. mas não é bem assim. os barcos ficam pra lá de pesados. e barco pesado, afunda. principalmente na raia da competição de uma comunicação já repleta de barcos furados fiados no princípio,também furado, de que a idéia deva ser explicada amíude para que se atinja a totalidade dos receptores(objetivo mas nunca meta). e não sugerida, onde reside a perfeição da forma que engloba o conteúdo, de maneira que o conceito flutue e deslize sem maiores esforços, mantendo o shape do barco esguio, assim como seus remadores, para chegar ainda mais frente. chama-se a isto idéia força. mas a sua força só se torna maior quanto mais leve ela for.

se o barco é sem, pra quê os com? se há necessidade de com, a idéia é furada de saída.

a publicar em agosto:

a swot do gerente babão;
efeito elba ramalho: a nova diagramação do diário de pernambuco;
legenda dublada;
o publicitário montado: escolas e cursos de portfólio;
românticos de cuba;
aqui ó


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quinta-feira, agosto 14, 2008

a covadia é nossa, quer dizer, vossa

“O bom não é uma categoria que me interesse” Rem
Koolhaas.


thomas roth, em palestra na espm, diz que a publicidade brasileira está acovardada. só que alivia: atribui a clientes, globalização e executivos das multinacionais da propaganda o que na verdade tem a ver tão-somente conosco.
fomos nós da criação que enfiamos a viola no saco e deixamos as coisas ficarem do jeito que está. sumiu a inquietação, o não conformismo - agências parecem mais repartições públicas, com gerentes, ponto e sabe-se mais o quê)sumiu o orgulho(para além do umbigo)e o senso de colocar coisas na rua que minimamente não ofendam a inteligência de quem quer que seja, muito menos a nossa.

o certo é que onde e quando a covardia cresce as idéias morrem. e assim temos um mercado de mortos-vivos que de tanto engolir sapos tem exatamente a sua cara.

a publicar em agosto:

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domingo, agosto 10, 2008

pai herói

Um relato de um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto é a de provar que meu pai é um herói.

Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da revista Veja. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando "o que cargas d'água eu tenho a ver com isso?". Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baía dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto, portanto, é a de provar que meu pai é um herói.

A revista Veja se diz assim: "indispensável ao país que queremos ser". Começa e termina com propagandas cujo público alvo é a classe média e, nela, claro, meu pai. Banco Bradesco, Hyundai, H. Stern. Pajero, Banco Real, Mizuno. Peugeot, Aracruz, Nokia. Por certo, a classe média – inclusive meu pai – dificilmente terá acesso à grande parte dos bens expostos na vitrine de papel. Não importa. Mais do que o produto, a Veja vende o anseio por seu consumo. Melhor: credita em seu público-alvo, a despeito de quaisquer probabilidades, a idéia de que ele, um dia, chegará lá.

Logo no comecinho, na terceira e quarta folhas, estão as páginas amarelas da revista. Nelas, acham-se as entrevistas com personalidades tidas como renomadas e com muito a dizer ao país. Esta semana a Veja apresenta as opiniões de Patrick Michaels (?), climatologista norte-americano que afirma a inexistência de motivos para temores com o aquecimento global. Na semana passada, deu-se voz ao "jovem herói" Yon Goicoechea (?), um "líder" estudantil venezuelano oposicionista de Chávez e defensor da tese de que a ideologia deve ser afastada para que a liberdade seja conquistada contra o regime "ditatorial" chavista.

Não. Não é que a Veja não conheça o aumento dos níveis dos mares, dos números de casos de câncer de pele, do desmatamento da Amazônia, da escassez da água e dos recursos naturais como um todo e de suas conseqüências na produção mundial de alimentos. Sim, ela conhece. Não. Não é que ela não saiba que um estudante não representa sozinho o posicionamento democrático de uma nação e que um governo legitimamente eleito não possa ser chamado de totalitário. Sim, ela sabe. Do mesmo modo que conhece e sabe da existência de diferentes opiniões (ideológicas, como tudo) sobre ambos os assuntos e não as manifesta. Acontece que isso ela também vende: o silêncio sobre o que não é lucrativo pronunciar.

Do meio pro final da revista estão os casos de corrupção. Esta é a parte do "que vergonha, meu filho, quando isso vai parar?" dito pelo meu pai, com decepção na voz. A Veja desenvolve um movimento interessante de despolitização nesse debate. Ela veste o figurino do combatente primeiro da corrupção, aquele sujeito que desvendará as artimanhas, denunciará os ladrões e revelará "a" verdade, única, inabalável. Com isso, a Veja confere centralidade à corrupção no debate político, transformando a política em caso de polícia e escondendo o fato de que o seu próprio exercício policialesco é inerentemente político. No fim, "todo político é ladrão" – menos os do PSDB, claro, todos "intelectuais" -, "política não presta", o que presta mesmo é a Revista Veja.

A revista é ainda permeada por textos de cronistas e colunistas. Estão, entre seus autores, Cláudio de Moura Castro, Lia Luft e Roberto Pompeu de Toledo. Todos dignos do título de "cidadão de bem", conscientes e responsáveis. Evidentemente, todos de posicionamentos um tanto moralistas e um tanto conservadores. Difere-se deles Diogo Mainardi. Este, conhecido por chamar o Presidente da República de "minha anta" e por sua irreverência desrespeitosa e direitista, escancara a alma da Veja. Mas não se engane. Não é Mainardi o perigo. São os outros. Foram eles que meu pai um dia leu com respeito e é aquela auto-imagem que a Veja quer – como tudo – vender.

Sem dúvida a revista Veja é ainda mais que isso. Suas estratégias de persuasão vão muito além dos limites deste breve texto. Afinal, é ela a revista mais lida no país, parte significativa de um império da concentração do poder de informar. Seja nas suas "frases da semana", nas quais há de costume as fotografias de uma mulher bonita dizendo bobagem e de um homem-autoridade falando coisa inteligente e importante, seja no fetiche da citação "eu li na Veja", faz-se ela um dos mais eficazes instrumentos de convencimento a favor da classe dominante.

Meu pai, por sua vez, é um trabalhador. Casado com Fátima, minha mãe, e pai também de Rafael, criou seus filhos com princípios que ele preserva como inalienáveis. Já votou no PT. Já votou no PSDB e mesmo no PFL ("porque foi o jeito, meu filho!"). Opõe-se a qualquer tipo de ditadura (conceito no qual incluía até pouco tempo o governo de Chávez: coisas da Veja). Já se disse socialista, na juventude. É praticante da doutrina espírita desde menino. Discorda de mim em milhares de coisas. Concorda noutras. É um bom e sonhador homem com quem eu quero sempre parecer.

Hoje, ele cancelou a renovação da Revista Veja, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo, depois de chamar de "idiota" a entrevista daquele herói das páginas amarelas sobre o qual falei acima. Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: "meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire". Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.

(A revista Veja e o meu pai, do Roberto Efrem Filho que é mestrando em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

sexta-feira, agosto 08, 2008

mestres cucarachas

carrefour faz escola. só falta agora convidarem a ana maria braga para madrinha da primeira turma.

não se trata de perder o amigo, a oportunidade de emprego, de puxar o saco, e sabe-se lá o que mais, para não perder a piada. mas francamente, soa oportunista demais uma escola de criativos que se propôe a ser o must mas que sequer quebrou a cuca para achar um nome minimamente verdadeiramente criativo, e que não tivesse na midia atado a batatas, cenouras, pepinos, abacaxis e cortes de frango e carne de segunda.

não haveriam outras correspondências com o nosso mercado que no varejo não passa de mercadinho e no atacado nem super nem hiper é?

(a propósito, para ninguém queimar a mufa, o post versa sobre a cuca, empreendimento publicitário lançado pelo miguel benfica - que já começa criativizando ao falar em "metodologia única", o que não é bem verdade, uma vez que cursos praticos destes já houveram aos montes, inclusive em fortaleza, que a igrejinha que frequenta o ccsp não referencia.

a cuca, usada sob a forma de curso prático, já confere ao matriculado o prêmio de mensalidades titaniun para prepará-lo para aqui e para o mundo. minha nossa! haja cuca para elaborar um discurso de venda de "banha de cobra destes". mas isto aqui é só um teaser do que vamos tratar no post anunciado abaixo. enquanto isto, tente ouvir a sugestão musical: publicitário com cuca mete a mão em cumbuca?

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quinta-feira, agosto 07, 2008

acredite em alá(mas amarre o seu camelo)

“Uma pessoa criativa precisa ser uma sabe-tudo. Ela precisa aprender sobre todos os tipos de coisas: história antiga, matemática do século XIX, técnicas atuais de manufatura, arranjos florais e criação de porcos. Porque ela nunca sabe quando essas idéias podem vir juntas na forma de uma nova idéia. Isso pode acontecer seis minutos mais tarde, seis meses ou seis anos depois. Mas ela tem fé que isso irá acontecer
Carl Ally, designer.

ou como diria um ex-ministro, "andar com fé eu vou porque a fé não costuma faiá".
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quarta-feira, agosto 06, 2008

nem com reza forte?

“Toda noite eu rezo para que os clientes com bom gosto ganhem dinheiro e para os clientes que tenham dinheiro ganhem bom gosto”. Bill Gardner in “401 design meditations”, Catherine Fishel.

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