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quinta-feira, janeiro 23, 2014

iogurte é cultura ou seja: garantia de merda certa

sob lacre de embalagem catita de iogurte sabor-nem-sim-nem-não, deparo-me com o seguinte texto: "sabia que os intestinos tem cem milhões de neurônios? e que por isso são chamados de o segundo cérebro"?

minha nossa! - intervalo para dizer que chapei de imediato e não, não me caguei, eu disse chapei - esta informação mudou a minha percepção da vida.

já tinha uma certa desconfiança de que para fazer merda era necessário um certo esforço e uma refinada elaboração ao contrário do que possa parecer de que fazer merda é fácil, tamanha quantidade e, sim senhor, falta de qualidade. isto posto, passamos a ter o conhecimento de que não devemos pensar que produzir merda é algo assim que se faça sem compromisso e concentração. não senhor. já sabemos agora que exige muito neurônio e um longo caminho, o que antes aprendíamos ainda na escola frequentada de calças curtas.

a minha visão de mundo - a tal da weltanschauung, diria eu,utilizando,creio nem uma fração incapaz de melar a cueca dos tais neurônios - metamorfoseia-se agora de forma quase radical. tive uma cólica dos sentidos. creio que devo fazer uma mea culpa por ter despejado tantos impropérios em todos aqueles que julguei produzir merda, seja na minha atividade - jornalismo e publicidade, resumidamente - seja naqueles campos em que meto o bedelho e, consequentemente, onde também escapole, de vez em quando, alguma diarreia para além da verbal/conceitual. 

se levasse ao pé da letra, em vez do desprezo, teria agora o respeito; em vez do dar de ombros, eis o ombro amigo; em vez da implacável mania de assepsia estética, a aposentadoria definitiva dos conceitos rebuscados de equilíbrio, proporcionalidade e harmonia, enfim da formação do bom-gosto. tudo em nome a veneração dos tais cem milhões de neurônios confirmados e confinados à tal produção de elemento tão culturalmente importante e que pode ser visto, ouvido, sentido, comido ou estocado, neste brasil onde certamente, por baixo, são cerca de duzentos milhões de cérebros(imagine isto multiplicado pela quantidade de neurônios do intestino) a consumir/produzir/consumir, uma infinidade de merda tal a começar do tal iogurte. 

mas como não levarei ao pé da letra - nem fodendo - adeus iogurte; com suas produção de falsa cultura lacto-bacilar, cuja única função é coibir ou embromar a percepção do que vem depois da abertura da embalagem: uma quantidade de conservantes, espessantes, e demais co-atuantes que ao fim e ao cabo acabam por dar um nó em nossos neurônios. os tais e os demais.

que venha então, e salve, a coalhada caseira. sem sustos e sem embalagens subliminares. sem esquecer do detalhe, de que tem de ser feita do leite produzido no estábulo ou vacaria, de vacas que pastam sem hormônios, que matam moscas com chibatadas de quebrar munhecas e que vivem e nos dão a consciência e consistência de um mundo que, este sim, torna-se-á mais saudável na medida em que aprendemos consistentemente que merda é merda. e que seu cheiro, tão peculiar e natural, assim o é, para que não engane ninguém. ao contrário do iogurte industrializado, onde cem milhões de neurônios são colocados ao serviço de engalobar 86 bilhões dos que pensam que tem cabeça ao consumir tal produto.

neste caso, toda a merda - a consumida e expelida - vem dai ou ai desemboca.

(originalmente publicado no misterwalk.blogspot.com de quando em vez blog de merdas igual a estas ou seria este?) 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

jogando no ventilador (comentários a respeito do post anterior)


1 – 2 de 2
Anônimo Anônimo disse...
Meu irmao, tu alopra...vai ser pessimista assim na caixa bozó. Cara chato da porra, arruma um emprego, mas antes prepara o teu portfolio que eu achei uma merda. Seu mal é viver falando mal dos outros sem produzir nada relevante. Se manca, cara!
sexta-feira, janeiro 03, 2014 6:10:00 PM
Blogger celso muniz disse...
o que pode ser mais irrelevante do que ser anônimo?(estou lhe dando uma colher de chá)e cacete! do tipo que usa reticências falando-se de e em publicidade. foda-se! mais do que elementar isto é rasteiro. mas, tem crédito sobre o portfólio. é uma merda. consistente. não rala mas uma merda. a grande questão que lhe resta e atormenta, ao que parece, qual seria? minha chatice, irrelevância, ou possibilidade de arrumar um emprego? tranquilize-se, é todo seu(o emprego). meu mal não é falar mal dos outros. é não fazer como os outros e como você - que fala(e escreve) mal. isto perturba a tal ponto que nenhuma linha sequer do seu texto contesta o escrito e sim o escritor. por acaso falei que era o bam-bam-bam da propaganda? apenas expressei uma opinião que julgo compartilhada por boas cabeças ou por aquelas que não perderam a capacidade de discernimento, mesmo quando fazem merda. este comercial grandiloquente entraria no top-ten dos mais relevantes enquanto forma e susbtância sobre o tema? of course not. confundir grandiloquência(efeito, muito efeito e tome mais efeito) com significação(e comunicação) é um erro que costuma dar muito portfólio ultimamente. assim como o futebol,a propaganda perdeu a capacidade dos dribles desconcertantes. agora é só estratégia(na maioria dos casos nem isto) e marketing(ibidem). pois é. uma merda também pois não?
mas publicitário(s)anônimos como você, adoram merda, não fosse isto o que o traria por aqui?
segunda-feira, janeiro 06, 2014 4:59:00 PM

sábado, dezembro 29, 2012

continua ou melhor está cada vez pior



Até que ponto a crise da propaganda brasileira se deve à revolução tecnológica, a qual detonou e fragmentou a mídia em tantos pedaços que não dá mais para se ter uma visão do conjunto? Tenho minhas dúvidas.

Acho que muita coisa mudou, sim. Muitas para pior. Por exemplo, será que ninguém percebe quanto dinheiro as empresas multinacionais estão jogando fora, por causa da discutível noção de que é mais barato criar e produzir uma só campanha, em Peoria, Illinois – ou em Londres ou Paris – e tentar traduzi-la e veiculá-la pelo mundo a fora?

Grandes e belos anunciantes – como a Shell, a IBM ou o Citibank –, os quais se destacaram por campanhas que se tornaram referência na propaganda brasileira, hoje veiculam, na TV, filmes dublados, incompreensíveis e irreconhecíveis, que certamente nada vendem nem contribuem para a imagem institucional que construíram no Brasil durante mais de meio século.

Empresas tradicionais, no Brasil, como a Nestlé (suíça) e a Philips (holandesa) chegaram ao cúmulo de usar, na sua comunicação, slogans em inglês – "Good Food Good Life" e "Sense and Simplicity". Assim, abriram mão de serem meramente entendidos pelos 90% da nossa população que é monoglota.

Mas os estrangeiros e o tolo "alinhamento" de agências, que asfixia as agências locais, não são os únicos culpados.

Por necessidade de trabalho, assisto a muita TV, que ainda é a mídia líder para se falar com o consumidor brasileiro, e morro de saudades dos comerciais das Almap, DPZ, Artplan, das agências baianas, e até da Standard, dos anos 70 e 80.

Parece-me que metade de todos os comerciais produzidos para qualquer produto ou serviço, atualmente, no Brasil, recorrem a uma criança supostamente engraçadinha (mas, de fato, "ardida") para vender automóveis, iogurte, telefonia, convenções em Recife, livros, medicamentos, roupa, tudo.

A outra metade parece ser de comerciais de varejão, tipo hard sell. E muitos agridem o consumidor, como os balbucios para Pepsi e para Brahma; o pai com nariz de palhaço, atacado pela família; o gago retardado da Intelig... uma tristeza.

Não veremos, de novo, tão cedo, um orelhão assassinado ou um primeiro sutiã. Acho que nem mesmo outra série dos Mamíferos. Chegamos à Terra Indesejada.

E não é só a TV. O rádio insiste em veicular trilhas da TV, que ninguém entende, para o cliente não gastar dois tostões a mais e a agência ter menos trabalho. Muitos planos de mídia parecem feitos por maníacos compulsivos.

A maioria dos sites da internet parecem ser o resultado de uma conspiração entre o diretor financeiro, a pessoa de RH e o chefe da manutenção elétrica.

Nenhuma sensibilidade para as emoções do consumidor, nenhum marketing, nenhuma propaganda, daquela antiga e boa, a qual levava em consideração que dos dois lados do processo comunicante há gente, pessoas, seres humanos que nada mudaram em 600 séculos de civilização.

Envolvi-me pessoalmente na elaboração da edição da Revista da ESPM, sobre "A nova Propaganda e as novas formas de Comunicação", durante cerca de três meses e cheguei ao seu fechamento com uma certeza, adquirida nesses três meses e outros 50 anos ou mais: no mundo da nova propaganda, haverá ainda muito espaço para talento, dedicação, esforço, seriedade e conhecimento.

 

( a nova propaganda anda ruim. do j.roberto whitaker penteado, escrito em 2006) 

o mais grave é que a cada ano que passa piora, todo mundo sabe disso, ninguém confessa mas sabe, e a atividade perde-se em falsas grandezas por não cultivar as de verdade, a começar da própria. e claro, há sempre a figura do early adopters dizendo que os mais velhos não se conformam com as mudanças tecnológicas. não é a mudança que nos torna inconformados. é o gosto de merda, simples assim. devolvam o sabor da propaganda bem temperada e até podemos tomar todas na mesma mesa. por enquanto fede de longe e mais ainda de perto.

sábado, setembro 29, 2012

deontologia pulverizada

a campanha política atual, nomeadamente a disputa para a prefeitura do recife, mostra bem de que são capazes as almas boas e laboriosas que querem dar um jeito na cidade, e qual é realmente a essência do caráter e a matéria fecal e purulenta de que é feito o seu discurso de boas intenções quando a subida de um candidato nas prévias passa a incomodar o coronelato de plantão. e mostra mais ainda: mostra do que são capazes as mentes publicitárias ao seu serviço, instigadas por uma ideologia de oportunismo financeiro que os acelera à prática iníqua que configura toda a maladie dos pistoleiros de plantão alugados ao serviço da comunicação dos coronéis de sempre. nesta hora o glamour da carreira publicitária revela todo o seu esplendor de merda,chorume e azinhavre. 

quinta-feira, agosto 16, 2012

no geral e no particular


três expressões são fundamentais na performance publicitária em todos os sentidos e departamentos. e nenhuma destas três expressões não são, e nunca o serão, ensinadas em nenhuma faculdade de publicidade, no que daí aumenta o meu notório descrédito a estes filisteus do ensino.

são elas: do caralho, vai dar merda e fudeu. que se torna fodeu nos casos ainda mais graves.

quando as coisas estão na esfera do caralho, tudo ou quase tudo, está em má dieta ou seja acima das normas. e bem longe das outras duas expressões(vai dar merda e fodeu). é o título do caralho,o texto do caralho,o leiaute do caralho,a campanha do caralho, o cliente do caralho, o fornecedor do caralho, a secretária do caralho,o filme do caralho.do caralho é bom.muito bom, claro que há as coisas ainda melhores, as do grande caralho.é bom, mas há ressalvas quanto ao caralho do atendimento/planejamento.aliás,nunca vi um atendimento do caralho(nem planejamento). muito embora algumas vezes iso se diga em tom de gozação, principalmente com as atendimentos, na verdade assistentes, boas pra caralho(e só).na enorme maioria das vezes, uma enormidade do caralho, sobrava para o atendimento o caralho enviesado. mudar o título um caralho!, o cliente pediu é o caralho, planejamento é o caralho ou, vai-te pro caralho, no que se depreende que caralho e atendimento se dão bem às avessas.

já vai dar merda,é um sinal amarelo.que, como o dito cujo, ninguém respeita. são incontáveis as vezes que alguém pressente - até o motoqueiro da agência - que vai dar merda. qual o quê. segue-se em frente e isto vai desembocar na terceira e das mais terríveis expressões da publicidade. a expressão que finda o trabalho e a história de tanta gente. porque depois desta não há caminho de volta, exceto para os que possuem um talento - ou lábia - do caralho. quando fodeu,fodeu; quando dá merda, ainda dá-se um jeito. e onde o vai dar merda acontece quase sempre?  nas segundas e nas sextas, nas sessões de fotos com a modelo, quase nunca profissional, que é amante do cliente - supermercados de bairro adoram isto - nas revisões de ofertas do varejo, nas festas de aniversário de fim de ano, nas filmagens na praia, nas reuniões de pauta, nas apresentações da agência para clientes estrangeiros,nos spots de rádio entregues a estagiários, nas campanha para  repartição pública, no assédio a estagiária teen, na campanha política, no teste de aprovação de atores, na gravação de comerciais urbanos. enfim: em tudo ou nada do que já se sabia estava incubado no ar da pretensão, da covardia e do amadorismo, o que inclui a soberba de alguns que se julgam acima dos deuses da profissão, que mais desgraçam do que salvam. mas mesmo assim, as merdas são feitas. pois são atávicas à profissão.

e se deu merda, fudeu. quando alguém diz fudeu!, é bom sair de perto, pois invariavelmente sobra pra você e aí, quando sobra, fodeu.

quando o fudido é bom de foda, ele escapa momentaneamente. mas não se engane. logo logo ele estará  no rol dos fudidos e mal pagos. e quando se dá o tão fudido e famigerado fodeu?

como alguém disse antes, o fodeu, grau maximo do fudeu, começa quando não se escuta o aviso - muitas vezes interior - do vai dar merda. se vai dar merda, então já é meia foda.

fodeu quando contas são perdidas - o passaralho costuma vir junto beliscar o seu piloro - fodeu porque cheio dos ares de criativo e artista, mais para woody allen do que para  brad pitt, você comeu a mulher ou a filha - do diretor da agência. ou quando você ignorou o aviso de reservado para a diretoria e porrou o porsche do diretor financeiro com seu jeep velho de guerra( se for numa agência menor, baixe o status dos carros- o jeep continua -e aumente o peso do fodeu. e aí entenda: quem se fodeu, literalmente, foi você e o porsche. o jeep não se fode(só a nossa paciência).fodeu quando você foi contratado porque disse que vindo para a agência os clientes vinham com você e não vieram - muitas vezes eles fazem isso para lhe fuder mesmo - fodeu quando você chupou conceito do anúncio daquele anuário que segundo você ninguém nem lê. fodeu quando você colocou peças de outro no seu portfólio. fodeu quando sua ida a cannes foi cortada com uma desculpa de merda. fodeu quando você faz noitadas para caralho e alguém está fodendo sua mulher ou seu marido em seu lugar. fodeu quando você chega a conclusão de que é muito foda viver assim e que não aguenta mais ser tão fudido.

contudo, se ainda assim fodido - menos por violação de direitos autorais, esta fudição é eterna - você achar que esta é uma profissão do caralho, então és mesmo um fudido com algumas boas chances de ser um fudido do caralho.  até porque muita gente antes de botar pra foder(alguns botam pra foder em muita gente e só) e se tornarem uns publicitários do caralho, do grande caralho, fuderam-se pelo menos umas duas ou três vezes por mais que soubessem que não iam dar em merda.

de merda que seja,eu,por exemplo,me fodo pra caralho até hoje. e olhe que nem fiz tanta merda assim - também nao fiz tanta coisa do caralho. e do grande caralho, fiz mas me fudi, porque meu nome não podia ser divulgado associado as peças - e tampouco aos prêmios. mas, mesmo os prêmios do caralho eu nem faço assim uma questão do caralho. então, modesto, pra caralho of course, posso dizer que me basta saber um fodido do grande caralhinho ou um fodidinho do caralho. o grande ainda não me cabe. mas publicitários não costumam fazer auto-criticas do caralho. e do grande caralho, menos ainda.

(p.s. quando comecei a escrever isto aqui eu sabia que ia dar em merda. agora fodeu).