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terça-feira, junho 30, 2015

caiu na rede é pato

As plataformas digitais repetem fórmulas, e apenas reforçam aquilo que diferentes profissionais de áreas sociais apontam: uma sociedade egoica, onde as redes funcionam apenas e tão somente como veículos potencializadores, com lentes de aumento em atitudes individuais. E que vez por outra alcançam ‘movimentos de manadas
Em outras oportunidades já abordei as questões envolvendo o Facebook e os padrões de comportamentos dos seus usuários.
Neste post concentro-me em uma análise das chamadas redes sociais, e até a ‘profissional’: LinkedIn.
Quando do seu surgimento, as redes apontavam com uma possibilidade inédita de interação, troca por compartilhamentos e possibilidades de interação em tempo real. Parecia, aos observadores, que encontrávamos um novo modelo, inovador e renovador, para relações e trocas sociais. A comunicação parecia romper fronteiras de tempo, espaço, classes sociais e culturas. Paradigmas seriam rompidos quase que na mesma proporção em que tecnologias fossem sendo criadas e disponibilizadas à usuários pelo mundo, através de gadgets variados.
Transcorridos, tempo e tecnologia, as projeções se mostraram diametralmente opostas. Hoje, o que vemos em larga escala é, apenas e tão somente, a variação de “mais do mesmo”. As plataformas digitais repetem fórmulas, e apenas reforçam aquilo que diferentes profissionais de áreas sociais apontam: uma sociedade egoica, onde as redes funcionam apenas e tão somente como veículos potencializadores, com lentes de aumento em atitudes individuais. E que vez por outra alcançam ‘movimentos de manadas’. As pessoas reproduzem e amplificam aquilo que nem entendem o que seja.
Ao invés de estreitamento e proximidade, as redes em geral, oferecem a solidão, o isolamento e ensimesmamento de indivíduos.
Do ponto de vista de compartilhamentos, nota-se uma padronização infantilizante de postagens, em geral compostas por itens de simplificação de uma imagem e uma foto. Com o desenvolvimento e facilidade de criação de vídeos, ganham notoriedade os rasos e rápidos. O processo se repete de forma entediante por plataformas ditas de mídias sociais, mas também alcançam redes consideradas profissionais. Um exemplo disso, foi quando o LinkedIn passou a permitir que fotos e vídeos pudessem ser anexados. A partir deste ponto a rede social virou um braço amigo e semelhante de redes como Facebook. A quantidade de insignificâncias aumentou e escondidos os logos de identificação da plataforma, não somos capazes de determinar em que rede estamos, tal a similaridade desinteressante compartilhada.
De outra sorte, mas igualmente repetindo modelos cansativos temos as ditas pílulas de motivação, autoestima ou autoconhecimento. Repetem-se, ad nauseam, pelas diferentes plataformas como forma de servir de “incentivo” ou expressar “pensamentos”. Óbvio que estão longe de uma reflexão, e tornam-se apenas modismos desconfortáveis, repetidos exaustivamente por toda uma rede. É comum vermos a mesma pílula compartilhada “N” vezes até à exaustão. O fato merece destaque, pois revela um ‘sedentarismo social’ implícito nas repetições constantes de postagens alheias, em especial na ausência de busca de conteúdos inéditos: afinal, é sempre mais fácil e mais rápido copiar ou compartilhar o que já está ali pronto. The lowest hanging fruit (O fruto mais fácil a ser colhido).
Mas ainda há aquilo que, de mais vil as redes tem produzido: a agressividade. Tal agressividade chega às raias de produzir discursos xenofóbicos, preconceituosos, racistas, e de muitas outras formas de ataque utilizando-se o anonimato em rede para esconder-se grosseira e covardemente daqueles a quem se dirige todo seu ódio destilado.
Quando isso não ocorre, temos apenas a superficialidade.
Ninguém mais é capaz de ir além de três parágrafos, quer para escrever, quer para ler.
Daí o uso de postagens imagéticas para “facilitar” supostos conteúdos. E é neste terreno que a pasteurização apresenta-se como a mais aterradora em rede: os conteúdos tendem a ser rasos e simplistas. Posts proliferam-se como apenas exercícios de recorta e cola e em raras possibilidades encontramos uma escrita fluente, aprofundada e consistente. Aquela que é pensada intencionalmente antes de ser postada. Aquela que de fato é uma criação.
A massiva mediocrização também é um elemento de repetição e constância em rede.
Guardo para este ponto aquilo que considero o ápice do que chamo fórmulas massantes, desinteressantes e sem criatividade: as listas.
Odeio visceralmente as listas!
E odeio a partir de duas constatações: será que quem escreve não consegue ser claro, didático e incisivo se não dispor numericamente o que quer falar? Ou será o leitor considerado tão incapaz que, se não for através de uma lista, se perderá no meio da leitura.
DEPLORÁVEL.
É a única palavra que consigo encontrar para designar esta forma de escrita que vejo aos borbotões em inúmeros posts, escritos muitas vezes às pressas e, que copiam o que um dia foi uma grande sacada. Hoje é só mais uma forma de perder importância e valor de conteúdo.
O que é seguro afirmar, é que as redes não se renovam exatamente porque seus utilizadores não desejam isso. Exprimem-se e buscam sempre a mesma forma de repetição de fórmulas, e mesmo quando uma nova rede é lançada, sua adesão dependerá em grande parte de sua capacidade de imitar e colar a anterior. Em última instância, são os usuários que tornam os ambientes estagnados, cansativos, repetitivos e extremamente distante daquilo que possa se chamar criativo, inovador ou agregador.
As redes apenas massificam e distribuem conteúdos pasteurizados. A multidão apenas repete a fórmula, sem nada questionar ou criar. E isso me preocupa, porque nunca antes tivemos um exército tão grande que apenas responde a estímulos, ou neste caso, a cliques.
Como digo, não sei para onde vamos, mas sei que vamos muito mal!
*redes sociais, a perpetuação de um modelo maçante e infantilizado opinião da iliana rezende, reproduzido na forum http://www.revistaforum.com.br/ , do Jornal GGN 


terça-feira, abril 21, 2015

marcelo serpa ou "marcelo ferpas" - leia-se farpas

“longe de ser santo”, mas que espera “que um milagre aconteça”: “que as agências comecem a

dizer não a propostas indignas, a concorrências indecentes, que estão destruindo o que as

gerações anteriores de grandes publicitários demoraram tanto para construir”
.



Um olhar crítico sobre o passado e o futuro da publicidade. Essa foi a proposta da apresentação de Marcello Serpa no início da noite dessa quarta-feira 15 no palco do Wave Festival, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Falando para uma plateia lotada e atenta, Serpa lançou várias provocações, entre elas: “a mídia social acabou”, “o viral morreu” e “o instagram é a nova mídia impressa”. 

Em sua avaliação, o “fim” da mídia social é decorrência da redução “a quase zero” dos algoritmos de viralização orgânica em redes como o Facebook. “Com o tempo, descobre-se que não existe almoço de graça. O Facebook e o Youtube são como traficantes que vão dando a cocaína de graça na porta da escola para depois começar a cobrar dos viciados”, comparou. “Hoje tudo é pago, então, parem de chamar de mídia social. São empresas de mídia, estão concorrendo com a Rede Globo. Não tem mais um milhão de views de graça.”

E, para ele, junto com o fim da mídia social, lá se foi o sonho do viral. “Não tem mais o sonho do anunciante com a mídia social e a internet gratuita. Isso significa uma coisa muito boa: que agora é pago e temos que gastar dinheiro em produções sensacionais também para o digital. Chega de filminho baratinho. Se está gastando muito dinheiro na mídia, tem que gastar também na produção.”

Serpa salientou que os formados em vídeo estão aumentando muito o faturamento do Facebook, com isso, tudo que a empresa prepara para o futuro é baseado em vídeo. “É a volta dos que não foram, vamos voltar a fazer filmes”, comemorou. Comentando sobre outra rede social da qual diz gostar muito, o publicitário disse que “o instagram é a nova mídia impressa”. “É uma imagem e um título.”

De tudo que aprendeu no passado, Serpa deixou à plateia dois conselhos: “seja simples nas campanhas, nas estratégias, nas ideias” e “seja imprevisível” – “o clichê conforta os medíocres enquanto protege os covardes”, disse.

Sobraram farpas também para a presidente Dilma Rousseff. “A Dilma não é uma boa diretora de criação. Não sabe apresentar campanha, não sabe se relacionar com cliente, não fez o caminho básico, que mesmo na categoria política tem que ser feito, nunca foi eleita antes de ser presidente, não sabe escrever bem, não tem portfolio e não sabe criar bem.


e finalmente:


“Os clientes não perceberam ainda que num mundo com (...) tanta 

possibilidade de ver conteúdos, os caras que sabem fazer isso com maior 

talento valem mais do que eles estão querendo pagar. (...) Não adianta 

economizar, cortar e o trabalho ficar ruim. Mais do que nunca, é preciso ter 

pessoas talentosas, das mais diversas áreas, criando coisas que sejam 

absolutamente relevantes, interessantes, impactantes, sedutoras. (...) Os 

anunciantes estão colocando muito dinheiro numa tentativa de achar uma 

decisão segura. E muito pouco dinheiro em achar soluções brilhantes. (...) 

Hoje as pessoas estão mais preocupadas em não perder do que em 

ganhar”.

(direto do meio&mensagem, para fazer cógecazinhas na mesa dos medíocres, no rabo dos covardes e no culhão dos poderosos)