o blog que dá crise renal em quem não tem crise de consciência. comunicação, marketing, publicidade, jornalismo, política. crítica de cultura e idéias. assuntos quentes tratados sem assopro. bem vindo, mas cuidado para não se queimar. em último caso, bom humor é sempre melhor do que pomada de cacau.
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segunda-feira, junho 08, 2015
sexta-feira, março 07, 2014
não sou só eu que cuspo no "rei" e vomito na fátima - tony ramos não vale um peido
Foi encantador ver Fátima Bernardes misturar jornalismo com salsichas, linguiças e frangos e ainda ter de explicar se vêm com ou sem hormônios e conservantes. Tocante ouvir a jornalista radiante por ter trocado a profissão por mais um programa de auditório onde ela dança, pergunta, canta, ri muito e informa pouco. Tudo no intervalo do Fantástico de domingo (23/2) e nos dias subsequentes. No anúncio, ela diz que gostou muito de ter substituído o “boa noite” pelo “bom dia”, mas ficou no ar se gostou de substituir notícias por embutidos como garota propaganda da Seara. Ela dá um sorriso ao lado de sobrecoxas e cortes de frango no anúncio da última edição de Veja – que não cita a jornalista na matéria da página 73 sobre “o cara do bife”
Não, a cara que aparece na reportagem de Veja não é da apresentadora, mas do “é uma brasa, mora” Roberto Carlos, brasa agora simbolizando as chamas que vão grelhar o churrasco feito com Friboi. Roberto Carlos, o ex-vegetariano convicto, perdeu a convicção e resolveu, assim, por acaso, estrelar a campanha milionária da Friboi ao lado de Tony Ramos (O Globo, 22/2). O comercial produzido pela Conspiração Filmes é igualmente emocionante para quem curtia o Rei, apesar da polêmica da biografia proibida. No filme, Roberto Carlos almoça com família e amigos, mas reclama quando o garçom traz massa apenas para ele – se for Friboi, a carne é dele. Toca o refrão: “Eu voltei, agora pra ficar...”
Tanto a Friboi quanto a Seara das salsichas de Fátima pertencem ao maior produtor de carne do mundo, o grupo JBS, do empresário Joesley Batista, que delirou com os R$ 300 milhões de vendas depois que Tony Ramos assumiu a campanha que vai marcar sua carreira. Nunca mais rosto do ator vai aparecer como o jagunço Riobaldo da minissérie Grande Sertão, Veredas, como o Marcio Ayala da novela Pai Herói, o grego Nikos em Belíssima, o empresário Antenor Cavalcanti de Paraíso Tropical ou o indiano Opash Ananda deCaminho das Índias sem que o símbolo da Friboi pulule na cabeça do público. Mais de 20 peças e alguns filmes, a medalha oficial da Ordem do Rio Branco recebida há cinco anos – e agora, Friboi. Junto com o Roberto Carlos, com quem esteve pela primeira vez aos 16 anos interpretando a dupla Tony e Tom & Jerry, no programa Jovem Guarda.
O que sobrou
Por que as carnes atraíram subitamente Tony, Fátima e Roberto? Fátima foi contratada por 5 milhões de reais, segundo o portal Newtrade (23/2), e o Rei, calcula-se*, por quantia igual – o que não é nada para o grupo que no ano passado faturou 100 bilhões de reais.
Pelé vende shampoo contra caspa Head & Shoulders, Luciano Huck vende a TIM, Marília Gabriela vende imóveis – marcas que, como os carros, já não vendem mais os produtos, mas quem os pilota. As ações da Victoria’s Secret caíram 31,5% em 2007 quando Gisela Bündchen deixou a grife de lingeries. As inserções de celebridades têm o poder de Midas. O economista americano Fred Fuld garantiu na revista Forbes que o valor de mercado da Bündchen pode chegar a 445 milhões de dólares (1,05 bilhão de reais), engolindo o de Neymar (77,5 milhões de dólares, 183 milhões de reais).
Tudo bem para as marcas. Mas o que acontece com a marca do ator, da jornalista, do cantor até então romântico fazendo campanha contra carne? Com que cara fica o público?
Numa entrevista à coluna “Direto da Fonte”, de Sonia Racy (Estado de S.Paulo, 16/12/2013), o diretor Luiz Fernando Carvalho reconheceu que a televisão brasileira tem dado claros sinais de esgotamento. E noutra entrevista ao Magazine Littéraire (fevereiro, 2014), o escritor espanhol Eduardo Mendoza desabafa por todos: como está difícil amar a espécie humana... e acreditar nos ídolos.
(o jornal que embrulha a carne... e o rei, da norma curi, no observatório da imprensa)
* o mercado apressou-se em estimar 25 milhões, versão que circula ainda(o asterisco é do misterwalk)sábado, março 01, 2014
se dar tiro no pé é ruim. imagine para quem tem um só
henfil ensinou-me, há tempos, que não se deve fazer humor com características físicas do elencado.você até pode, por exemplo, desancar, dizia, com as posições políticas do hoje finado nélson ned. mas nunca explorar seu aspecto físico como alavanca para o mordaz(na época casseta e planeta faziam disto capa do então jornal).
bom, como já não se fazem mais henfis como antigamente - basta ver os humoristas de hoje. e não se trata aqui de trinchar a carne do humor, entenda(também não se quiser, foda-se, que não estou nem ai) que usei o tropeço para atiçar como é c(r)u e sem sal a piada. aliás, tal qual twitter que estilinga no "roberto carlos que deu um tiro no pé, só não se sabe qual"? que não passa de mira torta do humor sub-repticío que levanta a lebre do "pé de pau" do rei da cara de pau(isso sim, pode-se dizer) em detrimento de algo politicamente muito mais importante do que a piada chulé.
mas cara de pau, não é só do roberto.é do marketing do cliente, e da agência, principalmente, porque ao fim e ao cabo forjaram uma situação travestida de oportunidade(roberto carlos não era e nem é vega) quando o tempero da coisa toda é o mais rasteiro oportunismo. coisa, aliás, em que a jbs(detentora da marca friboi),dizem,faz filés não só à ponta de faca como à bala de rifle(é só dar uma lidinha nas matérias da "pública agencia de jornalismo investigativo" sobre a outra face do agro-negócio).
o bife queimado é que de há muito a utilização de personalidades(o tal do endorsement) na comunicação do marketing de marcas perdeu-se quando passou a ser um fim em si mesmo e não como meio a serviço de uma ideia. as sobras da falta de ideia(ou da falsa boa ideia) acabam bolorentas e costumam vitimar marcas e produtos com um efeito reverso que não se espera num pedido à la carte. aliás, quando o cozinhado fica cozinhando o cozinheiro é sinal de que o bife foi mal batido. ou seja, a ideia não bateu de chapa. e ai não interessa se a carne é friboi ou não. tampouco adianta rebater com o que quer que seja por mais tempero que se tente dar aos argumentos.
fato é que roberto carlos de há muito não é carne nem peixe. e bastou um prato fora do lugar para que o ícone, "ao som do qual todas as mulheres cozinham", tivesse sua credibilidade reduzida a caldo de chuchu.
se roberto carlos voltou para ficar - a utilização da música é tão rasteira que equivale a uma cagada no bife - com certeza ele não volta a comer friboi tão cedo. para não dizer nunca mais. pois o que recebeu para fingir que comeu o que não come, paga? o que ele vai ter de engolir goela abaixo de verdade por ser um rei sem palavra.
o verme da má publicidade - que se sustenta apenas no feudo da quantidade e da imposição do tamanho dos números(e não da qualidade da ideia) - irmão dos vermes achados em carnes da friboi, roeu a imagem do rei, agora entalado entre as moscas varejeiras do mercado de carnes sob suspeição, e a publicidade que a alimenta e o alimenta, e que se reproduz por isto mesmo já fora de controle. sendo o roberto não se sabe se mais se um verme ou uma mosca, visto que um e outro se transformam em vice-versa ou uma coisa só. o que convenhamos é uma moscada sem tamanho para quem diz zelar pela imagem e acaba por essa com espectro de homem verme? ou mosca.
é a isto que a boa carne chama? ao prato cheio de "cu de boi? pelo sim pelo não eu, se fosse você, ficaria de olho na carne de pau.
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