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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

há petróleo no BV ? (que a coisa é preta, ou que a grana é preta isso a gente já sabia)

O Conselho Executivo das Normas Padrão (CENP) enviou na última semana correspondência à Comissão de Licitação da Petrobras, que escolherá as próximas três agências de publicidade da empresa, revelando preocupação pelo item 2.2.11 da minuta de contrato -- que faz parte integrante do edital -- que define que serão transferidas à Petrobras "todas e quaisquer vantagens referentes a descontos e bônus em função de volume de recursos despendidos". Ou seja, a Petrobras quer para ela a famosa Bonificação de Volume (BV) que tem sido motivo de intensa disputa entre os anunciantes, representados pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e as entidades representantes das agências.

Segundo o CENP, a transferência dos descontos concedidos pelos veículos é legal, mas a BV não. Lembra a entidade que, pelo item 4.1 das Normas-Padrão, “É reservado exclusivamente à Agência (...) eventuais frutos de planos de incentivo, voluntariamente instituídos por Veículos”, situação em que a Bonificação de Volume estaria inserida.

A verdade é que, atualmente, muitas agências dependem desta receita adicional para conseguir fechar as suas contas, já que, não adotando fees que cubram seus custos, não lhes bastam o comissionamento cada vez menor recebido por veiculação e produção.

Não por acaso, ao pedir à Petrobras para revisar aquela parte da minuta do contrato, o CENP chega a usar o estranhíssimo argumento de que a BV também gera benefício aos anunciantes, porque impede que as agências deixem de pagar no prazo o que devem a seus fornecedores.
A discussão se órgãos federais devem ou não seguir as recomendações do CENP também é antiga. Há poucos dias, por exemplo, o CREA-RJ definiu que não existe esta obrigação, já que as concorrências do setor são regidas pela Lei 8.666 de 21/06/93. Baseado nesta norma, o CREA-RJ aceitou que as agências concedessem descontos, em seus honorários, que não estavam previstos pelas Normas Padrão.

Disputa acirrada
A conta publicitária da Petrobras é uma das mais cobiçadas do mercado publicitário, pela verba anual em torno de R$ 80 milhões prevista para cada uma das três agências que vierem a lhe atender.
Até para abrir o leque das concorrentes, entidades representativas de agências já solicitaram à Comissão de Licitação que reduzam a exigência de que as agências apresentem patrimônio líquido superior a R$ 1,8 milhão.
As agências interessadas em disputar a conta deverão apresentar suas propostas no próximo dia 5 de fevereiro, na sede da Petrobras.Petrobras quer BV e CENP protesta

(petrobrás quer BV e Cenp protesta. da janela publicitária, do márcio erlich)

quando não se respeita, ou não se leva a sério, leis, o resultado dá nisso: broca nos outrora, hoje minguados, campos de caraminguás, de onde as agências tiravam seu petroleozinho. perfurado de tudo o que é lado de forma predatória pelas próprias agências que mais se comportam como se o mercado estivesse em fim de feira, oferecendo descontos de tudo o que é lado, não se sabe se oferecendo ainda o que mais deveriam oferecer: competência e diferenciação eficaz em suas propostas.

mas ainda há solução, já que ao contrário do petróleo, as idéias originais não se extinguem: extinga-se sim, o BV(ninguém come mais por esta via, nem a petrobrás, inclusive) e retome-se integralmente o percentual remuneratório das agências(20 e 15%, sem nenhum desconto) passando o peso da escolha de onde nunca ele deveria ter saído: o campo profundo da competência que deve jorrar pela criatividade proposta.

in tempo: a exigência do critério de patrimônio, não deveria ser de patrimônio profissional, intelectual. 1, 8 "milhão" não deveria ser de idéias? petróleo bruto ou petróleo refinado? o que você escolheria?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

festa! mas trabalho e pão quié bão ?

“Recente decisão do Tribunal de Contas da União, adotada na análise de processos de auditoria nas relações de órgãos públicos com agências de publicidade, coloca, novamente, em discussão, a missão da publicidade como instrumento de informação.”

Não, as palavras não são minhas, embora em outro contexto e antes de elas serem escritas eu tenha dito, do meu jeito, anteriormente e sem saber da decisão do TCU, a mesma coisa. As que transcrevi são de Petrônio Corrêa, presidente do Cenp e foram publicadas em artigo que escreveu para Meio&Mensagem (20.11.2006).

A decisão a que ele se refere, diz respeito à recomendação por aquele órgão, à Presidência da República, para que seja revogado o decreto 4.563/2002, que dispõe sobre as normas-padrão da atividade publicitária.

A Cenp alerta. Os anunciantes alertam: é preciso... considerar que o nosso modelo de negócios trem que evoluir, mantendo o que continua válido e alterando o que perdeu o sentido. Nosso modelo tem várias virtudes... mas ele tem dado sinais de fadiga e de que importantes alterações precisam ser feitas – até para preservar sua essência... Basta considerar que a propaganda clássica, ininterruptiva, é a base do trabalho das agências e do que os veículos vendem. Mas aumenta cada vez mais a validade de soluções advindas da simbiose do conteúdo com a publicidade, que são não-ininterruptivas – e para as quais agências especializadas e uma nova lógica de cobrança pelos veículos são essenciais”. (João Ciaco, vice-presidente da ABA, falando em nome dessa entidade)

Os anunciantes advertem: “as agências, de um modo geral – e não só as que trabalham conosco – estão passando por um momento muito delicado na história do negócio, que é deixar de agenciar. Todas elas reconhecem que é preciso fazer alguma coisa. Acho que nenhuma encontrou ainda um modelo de negócio que seja rentável e um sistema operacional que realmente contribua para o tipo de necessidade que clientes como nós estão manifestando, de ter um interlocutor só, de trabalhar em processo e não em campanha, de não querer idéias isoladas. Criatividade não é só ter uma idéia que provoque impacto, é conseguir manter um processo vivo. De repente, criatividade é a estratégia, não a peça.” (Mário Castelar, diretor de comunicação e de serviços de marketing da Neste).

A imprensa critica: “Parece-nos que uma considerável parcela de publicitários sofre de uma crise existencial e quer mudar o modo de pensar e viver da população; pretende instituir novos hábitos e costumes e tornar a sua peça publicitária um marco revolucionário. Sempre pensei que as criações publicitárias derivavam do modo de pensar e agir da população, mas realmente os publicitários, quem sabe com saudade das inquietações dos anos 60 e 70, querem revolucionar, produzir efeitos histéricos, mas preocupados com suas obras do que com o compromisso de ajudar o cliente a vender mais”. (José Laudelino Sardá, no jornal A Noticia).

Tem chumbo pra todo lado e o setor não reage, a não ser através da fragilizada Abap, cujo prestígio foi ralo a baixo. Os publicitários parecem não ter a energia de outros tempos.
Mas têm. Muita energia, por exemplo, para fazer todo tipo de campanha a fim de ganhar o Caboré. Ou para festejar o Colunistas
.

Pobre profissão que não se preocupa com sua decadente imagem, sem perceber que também ela está perdendo a razão de sua própria vida.

(eloy simões, num trecho do seu as festas e os fatos, para o acontendoaqui)

e assim, entre festas e tantos equívocos - "com saudade das inquietações dos anos 60 e 70, querem revolucionar, produzir efeitos histéricos"(antes fossem, antes fossem) - ser publicitário cada vez mais pertence a um conjunto de relações mentais e econômicas para os quais não estão preparados, nem os formandos de agora(gagás em seu pretensamente moderno) nem os que ainda alimentam a folhagem seca da prática do "tráfico de espaço". e cada vez mais configurando-se um futuro a curto prazo onde decididamente há maneiras mais honrosas de se morrer de fome.