terça-feira, julho 11, 2006

isto também é um outro tipo cabeçada. ou não ?

o complexo de seleção, ao que tudo indica, abateu-se sobre quem tatibate um bolão na auto-proclamação de ser a agência mais criativa do nordeste. só mesmo um espírito de time muito criativo pode elencar o termo "goleada" como cabeça de chave das promoções copulares ou seriam copenhas? do cliente ferreira costa.

habemos parreiras também na propaganda sim senhor. e haja quadrados mágicos de tanto posicionamento estratégico e criatividade. afinal, goleada só mesmo neste aproach, já que na copa a média de gols por partida foi tão baixa. seria por isso, o lance de gênio, perfazendo ironia? então tá bom, tá explicado. afinal, até locutor de fiteiro, dribla o termo mais desgastado que a careca do roberto carlos.

farmácia charuto

a farmácia dos pobres despenca ainda mais com um comercial assentado na premissa de que 135 anos são suficientes para preencher a elasticidade das necessidades do consumidor na área farmacèutica, praticando também o blefe dos números de logística.

a peça é típica de agência e publicitários que não "encostam a barriga no balcão", já que o aproach dos 135 aplica-se, e tão-somente, com perfeição, por exemplo, a unidade da getúlio vargas em olinda, onde o aspecto sujo, prateleiras desengonçadas, desconexas e vazias, sujerem parecença com unidades de atendimento de serviço público, aliás, justiça seja feita, alguns postos de saúde estão mais salubres.

redes de farmácias com muito menos tempo de existência, como a pague-menos e tantas outras, dão um banho não só no aspecto do tal processamento de estoque, como também no preço, por muitas e muitas vezes, apesar da publicidade enxaqueca também praticada.

e para completar ainda temos uma sósia da monica levinsky, no pedaço, vestida a caráter, o que nos faz perguntar, quem foi o clinton da vez?

e nem pensem em procurar tira-manchas na farmácia dos pobres, porque a deste comercial já não sai mais.

demasiadamente humano

o herói burguês não peida, não caga, não vomita, não desafrouxa o nó da gravata. marco ferretti, em a comilança(le grand boeuf)já havia nos submetido a denúncia.

a cabeçada de zidane foi caracterizada pela mídia(burguêsa) com a grande debâcle da copa. fim de carreira melancólico, vergonha inesperada, e tantas outras mais construções, inclusive a apontar zidane como culpado pela derrota da frança. o culpado não seria quem o perdeu o penalti, na lógica tíbia das acusações?.

não sou "zizófilo", nem francófilo nem nada. mas acredito piamente que zidane fez o que deveria ter sido feito enquanto qualquer um de nós no calor da disputa de um jogo. tudo bem que não era uma pelada, era a copa do mundo. e espera-se na copa do mundo a frieza do comportamento de quem, já vivido, sabe da importância da presença de espírito num certame que envolve descomunais somas e interesses. e que certamente já defrontou-se com tais situações criadas artificialmente ou não para destabilizar o emocional.

o fato de ser craque, ao contrário do que se imprimiu a torto e a direito, em sua despedida de jogador vitorioso, ainda mais após reacender a chama de quase-gênio em outras cabeçadas, não só a gol, como o chapéu que deu em ronaldo, colocou zidane na posição privilegiada de que pode mandar tudo e todos a puta-que-os-pariu, ao sentir-se espicaçado, seja pela comentário de que sua irmã era prostituta ou pelo agora quase confirmado, aposto de "terrorista argelino".

como se diz, pimenta no cu da irmã dos outros é refresco. ser bicampeão era mais importante? havia uma pátria por defender em seu comportamento? a recepção a zidane mostra que não. e cá, para nós, duvido que uma porcentagem bastante significativa de franceses, de italianos também, não fizesse a mesma coisa, cabendo neste momento só aos franceses um certo orgulho de ter cabeceado aquele beque de uzina que de repente virou vítima.

zidane trocou uma tal possibilidade do título(graças a ele a frança empatou o jogo) pela afirmação de sua convicção sobre o que vale ou não vale a pena defender, custe o que custar.

não se trata de um incentivo a violência. perto de outros lances, inclusive acontecidos nesta mesma copa, a cabeçada foi de lady, sem deixar de ser um acontecimento estético, afinal também aí está o craque. mas do direito a ser algo mais que demasiadamente humano. talvez nós publicitários devessemos tirar ilações do acontecido.

andamos a dar cabeçadas a torto e a direito. mas outras. não aquelas em defesa da nossa profissão e da dignidade mínima que alguns de nós ainda são portadores. afinal somos tratados abaixo de putas(e muitos o são mesmo) e nos conformamos com isso em nome do tal campeonato da sobrevivência, da manutenção das contas, do status-cu, da falsa epopéia da maledicência vitoriosa. clientes podem nos xingar a vontade, mandar refazer centilhões de vezes o trabalho(falo daqueles que o fazem sem razão) contradizendo o próprio briefing, inclusive, rabiscá-lo, rasgá-lo, adulterá-lo, acertar honorários e os descumprir. enfim colocar-nos em posição genuflexória(posição de chupa pau) plenamente certos de que nos comportaremos com uma subserviência de boca cheira tal que decididamente não cabe na pele de quem se auto-entitula profissional. e num contexto que não é o de copa do mundo. é pelada vagabunda de fim-de-semana.

há que se jogar o jogo. há que se ter frieza para contornar o dia-a-dia repleto de bicos na canela. contudo, tivessemos mais zidanes em nossa profissão e a situação poderia ser outra. pois deveríamos ter em conta de que nosso trabalho, quando feito com seriedade tal, é sagrado. tal como o cu da nossa mãe. mexeu nele, seja atendimento, seja dono de agência, seja cliente, seja veículo, leva cabeçada (começe de leve, e vá praticando, chama-se a isso endurance). não se perde conta por isso. eu por exemplo nunca perdi uma conta por brigar ferrenhamente por pontos de vista defensáveis, e olhe que sequer amarro a chuteira do zidane. aliás, muito importante, não se esqueça de que contas há que já estão perdidas no exato momento em que entram na agência. e ai, certamente, não vale a pena ter dores de cabeça por isso.

como diria iago(é shakespeare meus filhos) homems há que são derrotados, não por seus defeitos e sim por suas próprias virtudes.

há quem prefira ser o vencedor italiano ao "perdedor frances". visões de mundo diferentes. qualquer uma delas, neste momento, motivo de orgulho e mutio distantes da pecha de ser um perdedor brasileiro.

p.s. desmistifiquemos. a itália chegou a campeã por uma série de penalties não marcados. só no jogo contra portugal foram dois. e como tem penalties não marcados em nossa atividade.

domingo, julho 09, 2006

careca de saber

você confiaria seu voto para presidente num homem que penteia o cabelo de lado para esconder a calvície?(misterwalk.blogspot.com)

perfeito para os criativos locais que dizem bombar

o festival de publicidade do cano - o que "premeia" a pior publicidade que se faz em portugal - está de volta, após sofrer um perseguição janota, por parte, claro, dos de sempre: aqueles que se julgam o máximo.

volta este ano, com ainda mais força. as peças que participam são aquelas que ao longo do ano dão vontade de ir correndo para a casa de banho, ou seja wc.

já imaginaram um festival destes em recife, natal, joão pessoa, ceará? cá pra nós,tenho dúvidas se ainda assim não haveriam fantasmas. sabe como é, tem muita gente que acha que o cagalhão produzido diariamente não bóia.

o spot que valeu por sete

" o humor é uma característica excelsa. ainda mais no futebol e na publicidade. o drible é um exercício do humor sobre a violência. oxigênio para mentes extenuadas, no tenso jogo do tempo que vivemos "

no futebol como na publicidade não existem campeões morais. joga-se conforme regras pré-determinadas. vence quem tem talento. e usa e ousa, mas não abusa, da criativade. ninguém joga para perder.

as derrotas existem, porém. são parte da essência do futebol. da sua mística. do esplendor e do calvário das pequenas ou grandes equipas. em qualquer continente, só se tornam desmoralizantes quando tentam explicar os falhanços com falhanços ainda maiores, principalmente ao nível da comunicação. a dignidade é uma senhora respeitável. não faz comunicação apregoando a integridade dos seus valores sobre o que destoou da sua imagem. tão pouco lança mão de vitupérios quando é pegada no contra-pé. tem a sabedoria de absorver o impacto sem perder a compostura. sabe que o mundo é uma bola.

o humor é uma característica excelsa. ainda mais no futebol e na publicidade. o drible é um exercício do humor sobre a violência. osigênio para mentes extenuadas, no tenso jogo do tempo que vivemos. faz a (arqui)bancada delirar com seu feitio irreverente. desequilibra jogos de vida ou morte. quase nos convence de que, também nós, podemos driblar o inevitável no lance final de nossas vidas. bergson, em " o riso", filosofa e decifra o sistema do poder desconstrutivo-construtivo do riso. na publicidade é igual. milhões de de anúncios estão em campo. poucos emocionam como um golo. e o golo(gol), definiu, roberto dinamite, ex-atacante do vasco da gama(o time dos portugueses no rio de janeiro) é como um orgasmo. como é um golo, o anúncio que dribla a mediocridade apesar " da consciência da desimportância da publicidade na vida das pessoas".

expulsamos de campo um jogador que consegue arrasar a defesa adversária, deixando estatelada no chão, por sua habilidade? o drible é tão-somente a humilhação do adversário? ou meio de chegada à meta, que é o golo? enxovalhamos, com impropérios e estultícies, quem aproveito a oportunidade, criada pelo próprio adversário, ao escancarar sua defesa? ilibados profissionais, passa-se a usar métodos rasteiros ? ou esta é simplesmente mais uma afirmação infeliz, que baixou o nível à perspectiva de quem ficou de rastos com o drible que levou ?

no futebol, na publicidade, os velhos do restelo costumam apelar com ranzizices e golpes baixos. tentativa malsã de arrebentar com os joelhos dos craques. é típico. o pior, é que nem pareciam falar de um assunto onde as claques(torcidas)se espicaçavam até se fartar, com saídas sublimes. saídas que nem o melhor publicitário do mundo conseguiria criar. o que, convenhamos, é totalmente mais saudável, e revigorante, do que andar à porrada. seja na bancada ou nos debates da tv.

pedro batalha(torpedro) e joão matado(zangado) são a dupla da área no momento. publicitários do porto, sim senhor. dominam a diferença entre o que é paródia e o que é parolo. fazem uma tabelinha com habilidade e intimidade tal, como só os meninos simples e abençoados têm com o futebol. assim fizemos uma campanha, privilegiando o rádio, este craque tão injustiçado. simplesmente um spot. nada mais do que isso. mais foi um golo que valeu por sete. sem qualquer impedimento legal, ético ou moral. foi lícito e legítimo. acima de tudo, profissional.

bilhetes vendidos. a torcida agradece e pede bis. pedro batalha, joão matado e eu, continuamos na área. prontos a aproveitar outra oportunidade.

porque, como já dizia nenen prancha(o tio olavo do relvado*) no futebol - e na publicidade - quem não faz, leva. e nos apetece fazer bem mais do que fazemos.

(* relvado, gramado. tio olavo é um personagem criado pelo publicitário edson athayde que sábia e peraltamente destila suas máximas).

o texto acima foi publicado em 24 de dezembro de 1999, no semanário especializado sobre publicidade portuguesa meios&publicidade, enquanto diretor criativo da opal publicidade. deveu-se ao fato do spot que criamos para o futebol clube do porto(do bom e velho jardel e deco, entre outros) para a venda de bilhetes antecipados para a copa européia dos campeões.

com uma veiculação de apenas dois dias numa rádio, e pelo serviço de auto-falantes do estádio, não só cumpriu as metas de venda, como foi notícia por vários dias, em todos os jornais de portugal( e não só os de esportes) rádios e programas de debastes, pela irreverência e criatividade ao glosarmos em forma de paródia a declaração do então capitão joão pinto, do benfica, que leu um comunicado à torcida, após seu time perder de 7x0 para o celta de vigo, o que foi um desastre e de um constrangimento, pela ação em sí e pelos termos usados.

e, já agora, puxando brasa para minha sardinha, a experiência de ganhar um leão, de criar uma campanha cujo clain(bordão) vai para a boca do povo, talvez não se compare a experiência de se "parar um país", principalmente de um país que não é nosso, despertando ainda em outros, pedidos de veiculação daquilo que você criou, debaixo de enorme pressão para fazer o feijão com arroz, no caso "pataniscas de bacalhau". esta, eu já tive pelo menos por umas três vezes. as outras, quem sabe há tempos?

p.s: não conseguindo arrebentar meus joelhos, o mercado nordestino em boa parte é refratário ao meu trabalho. mas só porque meia dúzia de pernas de pau levaram uns dribles daqueles? e, principalmente, pelo fato de eu nunca ter apelado às convulsões? não justificaria tal. afinal, o que se espera de um atacante: não é fazer gols? ora pois, pois, é o que faço, onde jogo. que campeonato é este que só tem time jogando para o empate ou para cumprir tabela, repleto de artilheiros do gol contra para camisaria dos resultados combinados?

sexta-feira, julho 07, 2006

egolatria ou síndrome de zagalo

13 mil leitores não podem estar ferrados. só eu.

pernambuco (não) dá sorte

bons atores. alguns diálogos e composições, hilários. criação infelizmente descontínua. a comunicação do pernambuco da sorte ainda assim, de vez em quando, destaca-se na baboseira, pastoseira, pasmaceira, que é o habitual nas produções locais. e o faz sem maquiar-se do complexo short-list de festivais.

qual a razão determinante desta descontinuidade que fragmenta uma comunicação que tem tudo para ser anti-zapping, sem deixar de ser efetiva enquanto propulsora de vendas? preguiça a todos os níveis? ausência de planificação de comunicação(isto não é planejamento, é parte ínfima dele), vipes motivados pelo mapa de vendas?

alguns outros motivos poderiam ser elencados. mas o importante é a resultante: a inconstância do formato achado, que revela, se não falta de crédito no criado(uma aparente contradição) a perpetuação da mistificação de quando se trata de vender pra valer é mandatory a entrada de apresentadores, no velho formato atabalhoado do hard sell. o que, no caso do pernambuco dá sorte, é ainda um cagalhão maior. mesmo com o tique do sorriso feminino, na tríade, que também dá a cara em formatos caricatos para outros anunciantes.

recentemente, tivemos o uso, como endorsment, desde um colunista social, a pessoas de “maior projeção”, para reforçar a credibilidade do valor agregado a premiação, na forma de um chácara em aldeia, o que poderia ter sua razão de ser. mas acontece que isso também denotou falta de burilação no formato e na sinergia para com o restante da comunicação, que repito, é aderente, pertinente – algumas vezes de temática conceitual extremamente focada ao público popular, conseguindo algumas vezes ser engraçada, persuasiva, cativante, hilária, sem apelar para o populacho(e o pastiche que instrumentaliza a criação dos anúncios vistos no na pasta, celeiro de cópias deterioradas do archive) o escracho gratuito e a grossura, que muitas vezes estão no discurso(e na cara) dos apresentadores dos sorteios que se revezam também na apresentação dos comerciais mal-ditos hardsell.

ainda poderia se dizer que tais apresentadores são um recurso institucional, “imagem da voz de companhia” , do pernambuco dá sorte. mas isto não cola. é simplesmente chulo e a anti-solução tampão de sempre.

o formato achado ainda tem o plus da longevidade. permitida, desde que os textos e situações fossem melhor trabalhados(a preguiça e a soberba matam mais criadores que o infarto) inclusive explorando-se o caminho da publicidade de oportunidade, extensão ao calendário temático trilhado algumas vezes(carnaval, festas juninas).

mas lamentavelmente não é o que acontece. recentemente tivemos também um exemplo com a comunicação da insinuante que buscou um formato diferenciado – foi motivo de post no cemgraus – mas que não guentou uma semana e logo rendeu-se, melhor dizendo, vendeu-se ao formato “papelão”( “cartela, grito e preço).

em ambos os casos de parece ser mais falta de pulso da agência( do diretor de criação) do que falta de talento. falta de vontade de ir além(resist the usual) e culhão, faz um estrago na propaganda sem tamanho. perde o cliente, a agência, o consumidor, a sociedade, a cultura e o país.

mas todo mundo diz que não - principalmente os publicitários, ai meu culhãozinho - que é justamente o contrário. e dizem isso no grito em alto e mau tom.
e ai, em vez de rir, eu rasgo o bilhete da propaganda que que é feita deste jeito.

não devo ser mesmo um sujeito de sorte por acreditar cada vez mais na simplicidade, na emoção, no bom humor, na sofisticação, sem afetação, cumplicitada com inteligência por despertar(sim e não) do consumidor, como salvação da profissão que anda em estado terminal, apesar de tantas possibilidades recém –chegadas e já abordadas com os vícios de sempre. e, como não jogo, não ganho.

quarta-feira, julho 05, 2006

vai ser criativo assim na puta que o pariu

brasil cria nova categoria em cannes: devolução de leões. publicitários europeus e americanos jamais serão capazes de fazer uma cagada sem tamanho destas.

de véspera

na onda do simples, amanhã o pernambuco não dá sorte. animem-se as línguas aftosas que vamos quase elogiar. mas não tanto.

terça-feira, julho 04, 2006

cabeça dinossauro

dos titâs, um marco na iconoclastia. rasgo frontal contra igreja e família. dois dos valores mais nocivos a liberdade do homem. pelo menos da maneira como tais valores nos são inculcados. repletos de hipocrisia e gritos e sussurros de um falso moralismo em nada ascético.

não é preciso ter vivido a época. qualquer audição revela que a música não tá ali pra servir de fundo musical a campanha de automóveis e detergentes, ainda mais para tecer loas a familiariade sonora como símbolo de união e prestação de serviço.

mas não. os nossos publicitários descolados, modernos, avant-garde e up-to-dates como ninguém acham que basta cortar a parte cáustica da letra, perfazer um arranjo denorex, e pronto. briefing resolvido. a família vai adorar. perfeito. vai dar colunistas.

"eu não gosto de padre, eu não goste de bispo, eu não gosto de missas": eu não gosto de publicitários preguiçosos mais ainda. bichos escrotos vocês vão se fuder.

não. isto não é a minha versão. é aversão a este tipo de expediente sub-lingual.

é muito simples

1. Li o roteiro, fiquei impressionado: cheio de cenas, tomadas as mais diversas. Chamei o redator, propus: vamos simplificar?

Ele não gostou: assim, você vai matar a idéia.

Que idéia, perguntei. Ele tentou responder, não conseguiu. Simplesmente, não tinha uma idéia.

Havia, ali, um emaranhado de cenas. Algumas, até interessantes, é verdade. Mas idéia – pior, raciocínio, com começo, meio e fim – nada.

Além disso, perguntei, cadê o texto?

O redator, agora em companhia do diretor de arte, que naquele dia chegou atrasado, ficou ainda mais indignado. Texto? Pra que texto? As imagens falam por si só.

Pra desgosto deles, recusei o roteiro. Foi, infelizmente, por sinal, o início de uma série de desgastes que culminou com a demissão deles.

2. O pessoal que esteve em Cannes trouxe de lá um recado: sejam simples, apostem na idéia.

Eureka!

3. Simplicidade na propaganda e aposta na idéia não são novidades. Elas vêm lá da década de 60, a partir da bandeira içada nos Estados Unidos pela DDB, com a fantástica campanha criada para o Fusca: fundo branco, o carro, um título fantástico e um primor de texto. Estavam prontos os antológicos saia e blusa. No Brasil, por obra e graça do Alex Pericinoto e do talento do Sérgio Toni, do Hans Damman e do Laerte Agneli, ela se propagou rapidamente.

No entanto a tecnologia e o próprio Cannes foram carrascos com a idéia e a simplicidade.

Lembro-me de quando surgiu o A.D.O., um recurso revolucionário na época, que permitia ao operador de vídeo tape brincar com a imagem. Foi o suficiente para que roteiros e mais roteiros saíssem das agências assim: “homem (ou mulher) fala para a câmera. Usar recursos do A.D.O.” E tome texto, qualquer um servia. E saia o que eu chamo de comercial de engenheiro. Arrumadinho, gelado, vazio de idéia.

Cannes também foi colaborando, na medida em que privilegiava a qualidade da produção, em detrimento da idéia.

4. No Brasil não foi diferente. Rapidamente a idéia foi colocada de lado, e a busca da simplicidade arrefeceu. Resultado: os intervalos comerciais ficaram cada vez mais chatos. Ao contrário do que acontecia antes, o consumidor foi se desinteressando dele, e o anunciante que não é burro, percebeu isso. No entanto...

5. No entanto, uma boa idéia é inesquecível. Faz bem ao produto, ao anunciante, à agência, ao criativo. E apesar disso, é cada vez mais rara. Faça um teste com você mesmo: tente se lembrar de alguns comerciais com grandes idéias publicitárias veiculadas ultimamente. Pessoalmente, lembro-me de muito poucas:

. Bom Bril – um texto fantástico, um grande ator e pronto.

. Brastemp (não é nenhuma Brastemp, não tem comparação) – um texto excelente, um ou dois atores, uma câmera parada, e estamos conversados.

. Brahma – a úmero um, conceito que a agência, criativos e a própria empresa assassinaram para nunca mais encontrar o caminho.

. Hitler – filme feito para a Folha de S. Paulo que, afinal, já não é tão recente assim.

. Valisére, primeiro soutien – tinha uma história, com começo, meio e fim, e muita emoção.

Que mais? Ajude-me aí, o que mais?

6. Vamos levar a sério o recado de Cannes. Consumidor, anunciantes, agências e você vão gostar. Pode parecer complicado, mas não é: bastam talento e vontade de criar. Além do que ter boas idéias, idéias simples, é que nem coceira: basta começar.

cannes, lição número dois, do eloy simões.

três pontos nos is

o mercado pernambucano, quem diria, está chegando lá, evoluindo a ofertas vistas. haja olhos para a oferta de vaga(temporária) para direção de arte na 3 pontos, anunciada na lista do ccpe com o chamariz do baita saláriozão de 1.200 reais(não se sabe se líquidos)para a função de direção de arte.
ou seja: evoluimos tanto que já estamos pagando salarios iguais ao do mercado paraibano. a diferença é que lá, pelo menos, usufrui-se o benefício do adicional de insalubridade por viver numa cidade imensamente mais saudável que a recifilis, que se finda em bosta em todos os sentidos, apesar de uma propaganda governamental comprometida com todo tipo de achaques, e que ainda fala em nossa redenção, enquanto sucumbimos com merda em lama ao pescoço a menor chuviscada(escolha a sua variável.
e já agora, nem mais nos bairros de periferia.
and last but not least, todo este salário para tabalhar numa agência onde a única coisa realmente grande é o nome do diretor de criação. pra sua compensação ?

domingo, julho 02, 2006

mal da copa: similitudes com a publicidade

pico na veia, palavra de especialista em segurança: segurança total não há, nunca houve, jamais haverá.
pico na veia, n´outro braço, de outro especialista - jogador vitorioso(e perdedor) de copas passadas - o futebol que jogamos hoje, e que jogamos ao ganhar as duas últimas copas, não é o futebol do brasil. eu prefiro mil vezes perder jogando como jogaram a seleção de zico, falcão e sócrates a jogar o que, e como jogamos, hoje(o depoimento foi antes da nossa eliminação).

a publicidade pernambucana, brasileira, portuguêsa, e quiçá mundial, nunca deu tanto tiro no pé em nome da segurança. principalmente ao trocar a segurança por uma falta de atitude profissional de beira-cú do mais réles caráter. por uma produção medíocre, e sem exageros, em alguns casos ofensiva aos mais parcos intelectos, ao não criar, não ousar, não quebrar regras para, resumidamente, não correr o risco de perder clientes. vendemos a mãe e passamos recibo em nome de uma falsa segurança. e de um sucesso financeiro conseguido em 99% dos casos pela mais absoluta falta de honestidade e honradez para com a profissão e para com os bons valores, apesar de tanto publicitário cristão, evangélico, espírita, budista e umbandista. somos uns cabrões para conosco próprios. mas quem quer saber disso não é mesmo? tres-chic é ter cobertura triplex na avenida boa viagem e casa de verão em cap ferrat. tá bom, casinha meia bomba em porto de galinhas. a glória da profissão, de uma geração condensada a gols de canela, é viver de títulos de aparências calcados num amontoado de prestações atrasadas.

acovardados, nos portamos abaixo de prostitutas e traficantes(reparem como tem em comum o uso do celular)com um falta de sutileza tal, que até o mais rasteiro dos comerciantes percebe a nossa avidez e as nossas tonturas de galos capados. depois ficamos reclamando da falta de respeito por parte de clientes que nos fazem ouvidos de mercador, com toda razão. pois quem presta atenção em discursos - táticas e estratégias - repetidas por todo o mundo ?

o resultado do jogo de ontem, espelha um pouco o quadro da nossa profissão. parreira é o dono de agência, o cara do atendimento, o fake do planejamento, que abomina o brilho da criação em troca do plano estratégico quadrado, mais "seguro". em lugar do sentimento obstinado que traça o caminho da superação pelo suor e pela visão profissional não demagógica do jogo e do movimento de quebra de suas regras pela invenção de momentos que fazem história. se você argumenta que no futebol não se quebra regras tamanha demarcação, eu lembraria maradona fazendo mão de gol e tornando isso um lance de gênio e não aquela mão medíocre de ronaldo na barreira que é o que tem se feito em tantos e tantos lances na publicidade.

e já que falamos nele, os jogadores são nossas estrêlas. gordo ronaldo, nizan está mais. há quanto tempo nizan não nos brinda com algo desconcertante. onde está o nosso zidane? prestes a se aposentar, mas sem deixar de jogar como um garoto sério e objetivo, para desespero dos caça-defeitos da criação. abusado, sem deixar de ser elegantemente criativo, brindando-nos com um chapéu desmoralizante - e inesperado - (que é o que se espera da boa publicidade) para toda uma vida. como diriam vesgo e sílvio santos, em diálogo com o nizam. o nizam está cada vez mais bom de papo(referindo-se a sua gordura no pescoço) em programa recentemente exibido. mas foi o papo ou o resultado de suas criações que levaram nizan ao cume mundial da publicidade ?

é lógico que nizan e tantos outros profissionais de peso não perderam a capacidade e o brilho criativo. quero continuar otimista. haverá quem venha substituir(não somos um celeiro de craques?) quem trocou o brilho criativo, pelo brilho de políticas de resultados nas esferas de cifras estelares, outro mérito. contudo, que a nossa publicidade ficou mais feia de ser ver, tal como nosso futebol, e também de resultados bastante contestáveis, não há o que discutir, como bem o provam a reinscrição de peças com o artifício do nome trocado o que equivale a adiantar a barreira ou ao goleiro se mexer antes do chute, já que em impedimento tem tanta gente chegando ao bronze. mas que nem assim nos fizeram superiores em números de premiações conquistadas no passado. isto falando-se em prêmios. prêmios que cada vez mais mostram a quem vem ou a quem veio, em alguns casos bastante depreciativos e o que são os espaços intersticiais das regras.

resultados, isso é o que importa. é a regra geral, no futebol e na publicidade. esta conversa de supremacia de futebol arte, e publicidade realmente criativa(de pulhice, haja archives) é coisa de derrotados, românticos, de gente que não tem senso de realidade. afinal, o que vale jogar tão bonito e não levar o caneco e sim levar no caneco?

depois do jogo de ontem, a vida prática dá sinais de vida novamente para quem não tem vinho nas veias. da seleção de telê, nós vamos sempre nos lembrar por exibirmos um refinamento, reconhecido aplaudidamente até pelos vencedores de então. o que nos dá um orgulho livre da pecha da vergonha de ser derrotados por ter feito o melhor como seria de se esperar dos melhores.

e da seleção de ontem, filha e amante espúria do quadrado, da não ousadia, do falso planejamento, da teimosia da obviedade, do convencionalismo, do futebol inexistente para além das pernas, no coração e na cabeça, quem se lembrará? a não ser com o gosto inchado de uma tristeza de: sendo os melhores, não o saber ser ser para além dos comerciais hiper-adjetivados, tal qual a seleção, equivalentes e equidistantes em monotonia a crônica de uma morte anunciada pela ironia da história que mais uma vez por absoluta falta de criação e excesso de pseudo- planejamento, nos delegou a frança e zidane para novamente nos deixar em convulsão geral, e desta vez com ainda maior propriedade e paixão, coisa bonita de ser ver, principalmente para quem brasileiro diz ser o futebol sua maior paixão.

a grana, no futebol e na publicidade, de tal modo quedou-nos gordos que a tal gordura dá-nos o trono da imobilidade e lentidão ?

não se trata buscar vitórias morais. trata-se de vencer ou perder, sem perder a moral. gol impossível no futebol e na publicidade que se faz hoje em dia? em meio a todo tipo de interesses que hoje ditam as regras e não regras do jogo em campos tão próximos como o futebol, a publicidade enfim, a vida?

procuram-se jogadores e publicitários que sejam capazes de dar este chapéu na mediocridade que cada vez engorda mais, mesmo em tempo de vacas magras?

p.s. coincidência ou não, as agências francesas lideraram o ranking de premiação em press. mas nem todo anúncio tinha toques de zizou.

sábado, julho 01, 2006

je suis bresilien ?

misterwalk.blogspot.com
comenta brasil e frança, com pinta de argentino?
(se o brasil ganhasse, seria com pinta de súdito da rainha?)

não vamos postergar

ainda esta quinzena:

mal da copa: similitudes com a publicidade;
comportamentalmente falando a ética(ou a falta) dos publicitários na defesa de sí mesmos;
pernambuco não dá sorte(se não fosse a preguiça, e a falta de um pouco de método daria);
a criatividade em ferreira costa é de “goleada”. contra-quem?
a comunicação dos shoppings no grande recife: a agência de quem se salva é criativa?
(e absolutamente nada sobre agência bbb)

capitão caverna

quase que concomitantemente a campanha estrelada para a eletroshopping "pelo capitão", tinhamos a imagem de um outro carlos alberto no desfile de abertura da copa: sem manchas e inchaços no rosto, e barriga devidamente disfarçada, pela utilização inteligente,e aplicada, de terno com cor adequada, para dar a ilusão de emagrecimento.
já a eletroshopping, parece ter tratado o tal capitão literalmente a choques: o homem aparece com cara e corpo de torcedor pinguço que rolou na sarjeta, quem sabe antecipando o figurino adotado após a partida brasil e frança.
medonha “caracterização”, fica a dúvida: criação, produção, direção de cena e direção de criação, fizeram o que fizeram - esta coisa rasteira( é varejão dizem) – também pela ótica dos preços baixos, conforme discurso do comercial que diz que é disso que o brasileiro precisa ?

quinta-feira, junho 29, 2006

sobrenome de família, meio mafiosa, ou já selo-atestado de cala-bôca ?

1. Você sabe por que elefante de circo não foge?

Eu já conhecia a resposta a essa pergunta antiga, mas disfarcei: não.

É porque quando ainda novinho colocam uma corda no pescoço dele e o amarram em um lugar qualquer. Ele passa a vida toda ali, habituando-se a não se afastar a uma distância maior do que lhe é permitido pelo tamanho da corda. Então, quando esta é retirada, ele só caminha pelo espaço ao qual lhe foi permitido se acostumar.

Fiz aquela cara de ignorante surpreso, meu interlocutor ficou feliz da vida e tudo continuou na paz do Senhor.

2. O fato me lembrou o momento em que vive o nosso setor. Há algumas dezenas de anos a ABAP colocou uma mordaça nele. Empresários, publicitários e todos os que vivem no entorno da atividade cresceram assim. Agora, quando e tirada a mordaça, não conseguem falar. Acham que não podem.

Resultado: pressões e problemas se acumulam. De vez em quando alguns descobrem que podem, devem e precisam se manifestar para o bem de todos. Aí, vem a ABAP e sua fiel escudeira FENAPRO (desconfio que também esta andou amordaçada tanto tempo que se esqueceu de que tem o direito e a obrigação de falar livremente) e dão um tapa na mesa. Pronto: o silêncio se faz novamente.

3. Há pouco, algumas coisas me chamaram a atenção:

. Na Revista Exame (data de capa: 21.06.2006), matéria assinada por Silvana Mautone sob o título “nota baixa pela criatividade”, afirma que “pesquisa com executivos conclui que sua capacidade criativa cai ano a ano e já não se distingue da média da população”.

. Informativos diversos dão conta de que caiu o número de prêmios do Brasil em Cannes. Quem me lê habitualmente já deve ter concluído que isso
não me surpreendeu. Há algum tempo venho registrando, aqui, a queda da criatividade da comunicação de marketing do Brasil.

. Coincidentemente, Veja (data de capa de 28.06.2006) publica, nas páginas amarelas, entrevista que Gabriela Carelli fez com Paul Johnson, inglês que, segundo a revista, "é um dos maiores produtivos historiadores da atualidade". Johnson defende a tese de que a liberdade é um aliado indispensável da criatividade. Vale a pena lê-lo, porque ele coloca o dedo na ferida. Pelo menos, na nossa ferida.

Com efeito, vivemos hoje como o elefante do circo. Esquecidos de que necessitamos nos reunir para discutir livremente nossos problemas, ficamos aguardando as ordens da treinadora, digo, da ABAP. Com isso, não nos oxigenamos, não permitimos ao nosso espírito voar e perdemos nossa capacidade criativa. Em conseqüência, os problemas vão se avolumando. Nossa imagem vai se deteriorando. Nossa criatividade vai baixando. E ladeira abaixo aqui vamos nós, rolando.

e aqui vamos nós, descendo a ladeira, do eloy simões.

fica parecendo, segundo uma certa regral moral muito pernambucana, ainda em uso, que tal como moças de famílias de bons nomes,que foram desencaminhadas, as agências pernambucanas agora precisam de sobrenomes para atestar a sua decência não importa se já perdida ou a que preço.
longa vida aos bastardos com apreço a boa propaganda então.

quarta-feira, junho 28, 2006

vendidas pelo menor preço ?

as instituições de ensino falam muito em ética.
eu mesmo ouvi este discurso ao apresentar uma campanha que colocava o dedo na ferida sobre o ensino fast-food, como princípio mór para chumbá-la. um tal senhor decano, destes de leiaute tido como respeitável, colocou que a campanha ignorava o primado das relações institucionais e empresariais entre as faculdades(ou seja todos comiam no mesmo prato e não se ia lá soprar a farofa de ninguém.
a educação brasileira, não só pelo processo orquestrado de desestruturação iniciado pelo governo militar, bem como pelo modelo mercantil adotado, é um lodaçal de interesses tal que fazem a máfia dos sangue-sugas parecerem santinhos de catecismo.
tanta louvor a ética e todos os comerciais vendem preço. é o preço da ética ?
houvesse ética, do ministério da educação, as instituições, as agências que atendem a conta, e nenhum comercial utilizaria preço como moeda da educação oferecida. ainda mais pelo fato de que por menos que se pague, paga-se o preço caríssimo do afundamento da capacidade intelectual de alunos cada vez mais acéfalos, sem a menor capacidade crítica ante o processo de esgarçamento desta mesma capacidade.
ética? apenas uma palavra muito utilizada por quem não a tem para justificar o cala-bôca geral.
aliás, haja ética no mercado publicitário, não é mesmo ?

a culpa é das faculdades ?

mais de cento e oitenta profissionais(com todos os custos logísticos e habituais) enviados pela globo para a alemanha para termos todos os dias o supra-sumo do mr.bonner(o ximbinha do tele-jornalismo)a perguntar: - onde está você fátima bernardes?
chamam isto de jornalismo, ou melhor cobertura da copa.
pode-se dizer que desempenho pior do que a seleção do parreira só mesmo a equipe da globo. ô jornalísmo pífio das mais trôpegas intervenções jornalísticas. quer futebolisticamente falando(tanto manual de entrevista dando as dicas para se fazer o básico) como nas coberturas, numa capital repleta de elementos culturais e gastronômicos que ficam reduzidos a salsichas e canecas de cerveja.
jornalismo espuma é o faz a globo(e não só) na alemanha.