sábado, setembro 29, 2012

deontologia pulverizada

a campanha política atual, nomeadamente a disputa para a prefeitura do recife, mostra bem de que são capazes as almas boas e laboriosas que querem dar um jeito na cidade, e qual é realmente a essência do caráter e a matéria fecal e purulenta de que é feito o seu discurso de boas intenções quando a subida de um candidato nas prévias passa a incomodar o coronelato de plantão. e mostra mais ainda: mostra do que são capazes as mentes publicitárias ao seu serviço, instigadas por uma ideologia de oportunismo financeiro que os acelera à prática iníqua que configura toda a maladie dos pistoleiros de plantão alugados ao serviço da comunicação dos coronéis de sempre. nesta hora o glamour da carreira publicitária revela todo o seu esplendor de merda,chorume e azinhavre. 

sexta-feira, setembro 14, 2012

"Para alguns a vida é demasiado longa"

Encontro TBWA em Paris. "A vida é demasiado curta para se ser medíocre" - Dinheiro Vivo
(click acima e veja matéria completa)

enquanto isto, na paraíba,ó pequenina, agência que se pretende mui criativa, realiza uma ofiSINa(sic!) dita assim como para aprimorar o relacional/organizacional. a julgar pelo trocadilho denominador a vida desta moçada deve ser demasiado longa.

segunda-feira, setembro 10, 2012

os donos do mundo ou em suma: donos sempre causam danos

donos de agência de publicidade,propaganda ou comunicação,como queiram, nunca vão aprender que há uma diferença brutal entre ser dono e ser líder.

no geral a maioria dos líderes não é dono. donos até podem contratar líderes mas não para que eles liderem, ainda que seja este o seu discurso no momento da contratação. dura uma uma quinzena, um mês, se muito. e a  quase maneira mórbida de exercer o poder de ser dono, ainda que seja para o mal da própria agência da qual eles dizem querer o bem, e de cuja liderança dependem na maioria da vezes para sobreviver ou, no mínimo, mudar a imagem de covil da pilhéria,se manifestar em geral numa explosão de ira ou sibilosa má educação sem abrir mão do indefectível brado: eu sou o dono! coisa que todo mundo sabe mas parece que ele não, e que destarte precisa dizer isso a sí mesmo, muito mais do que aos outros, a toda hora.

portanto, é um grave erro confundir dono com líder. idem, dono com publicitário, se bem que há sim donos publicitários - também com o baixo nível que anda por aí - e publicitários que são donos, o que teoricamente deixaria os contratados em melhor situação. mas há uma espécie de maldição do dono que também os afeta. é quando deixam de pensar em coletivo ,de pensar a marca que estampam na fachada da sua agência para imprimir a sua marca pessoal,a quem atribuem o sucesso. mas um sucesso, de modo geral, a duras penas para o convívio inteligente, para a estética, para o pensamento diferenciado e, não muito raro, até para o próprio caixa, sem falar que a agência torna-se um inferno, inclusive para o próprio dono que não se acha mefistófeles(antes assumisse) mas sim deus.

ser dono do negócio em propaganda/comunicação costuma gerar ao final uma certa distrofia que acomete donos. e a tal ponto que mais do que os donos do mundo, querem ser donos não só das pessoas mas das suas vontades, transformando seus egos em não mais expressões de sua personalidade mas, ainda mais danosamente, em seus próprios donos o que,ironicamente,não é a libertação mas sim a mais completa redução a servidão absoluta do dono que não é dono nem de sí mesmo.


segunda-feira, setembro 03, 2012

vale para um mercado de carros e bicicletas de som ?

O investimento publicitário acerta no alvo ou é vesgo? O que pensa e faz a forward generation?

 

Abaixo a geração da televisão

Talvez a explicação para se investir tanto dinheiro em publicidade que falha – porque ninguém se lembra dela ou porque não atinge os grupos a que se destina – tenha a ver com o facto de a maior parte dos gestores dos grandes anunciantes pertencer à geração da televisão. Quando eles pensam em anunciar, pensam logo em fazer um filme e comprar espaço na TV. Pensam mal. É um defeito geracional.

Muitos lembrar-se-ão da geração anterior, a dos jornais, que não entendia a televisão como meio digno. “Marcas decentes não precisavam de televisão”,  era coisa para produtos de grande consumo. Foi há algum tempo, mas não assim há tanto tempo. Depois, rejuvenesceram-se os boards com a geração da televisão e esta gente nova começou a usar, e bem, o meio: bancos, seguradoras, privatizações, tudo o que era empresa respeitável lá seguiu para a TV. Foi a época das campanhas de imagem e reputação sem expectativa de retorno comercial imediato.

Hoje os boards das grandes empresas, os quadros dos grandes anunciantes, as empresas de compra de espaço por atacado e até os próprios grupos de comunicação são geridos pela geração da televisão. Hoje, que o consumo dos media é fragmentado e que o consumidor é director de programas e editor da sua grelha pessoal, hoje que a comunicação é multiplataforma e que os modelos das últimas décadas –  programação, planificação, criação de conteúdos – estão ultrapassados, os anunciantes e os seus fornecedores de media e de marketing  ainda vivem no passado. Um estudo da Simulmedia nos Estados Unidos tem vindo a alarmar os grandes anunciantes ao pôr em evidência que grandes campanhas de TV falham largamente o alvo. De acordo com o relatório, uma campanha de 6,3 milhões de dólares da Unilever para o Axe falhou 60% do alvo. Milhões gastos para nada.

(do pedro bidarra, um dos publicitários mais odiados - mas competente, e talvez por isso mesmo -  de portugal).

* misterwalk: lembraria o bardo que desde o século passado afirmou: "metade do que se gasta em propaganda é desperdiçado. a questão é que não se sabe aonde." saberemos agora?